sexta-feira, 30 de julho de 2010

BDpress #152: ARMANDO CORRÊA NO ALENTEJO POPULAR: BAPTISTA MENDES + A BD GREGA + ENTREVISTA COM YORGOS BOTSOS

Armando Corrêa (ou Luiz beira, como quiserem) apresenta-nos – no semanário Alentejo Popular – Baptista Mendes, um dos clássicos da BD portuguesa, clássicos esses, que era bom os mais novos começarem a conhecer, mesmo que não gostem da BD que eles faziam – ou fazem ainda, como no caso de Baptista Mendes – porque é também com a História das coisas que se aprende a fazer as coisas. No caso da BD (e não só, mas é o que nos interessa agora) convém conhecer o que se fez neste país, desde que a Banda Desenhada, ou as Histórias aos Quadradinhos, como se lhes chamava no início do século XX, começaram a aparecer na imprensa periódica portuguesa.

Depois fala-nos da banda desenhada grega, que conhecemos muito mal (a língua não ajuda nada) e entrevista um autor grego, Yorgos Botsos.

No final, mostramos algumas imagens da bd de Arkas, editado em Portugal pela Marginália (Relações Perigosas) e as imagens que consegui encontrar, apenas do 10º Festival Internacional de Comics Babel, de 2005, mas dá para ter uma ideia...


Alentejo Popular, 1 de Julho de 2010

através da banda desenhada

Coordenação de Armando Corrêa

APRESETANDO BAPTISTA MENDES

Durante oito semanas a partir de hoje, vamos admirar a arte gráfica de Baptista Mendes, através de quatro narrativas (de duas pranchas cada), por ele próprio gentilmente facultadas.

São elas: «Pedro Álvares Cabral» (expressamente criada para o já esgotado álbum «Por Mares Nunca Dantes Navegados», pelas Bd. Futura); e com «estreia» noutros tempos, no «Jornal do Exército»: «Júlio Dinis», «O Esgalhado» e «Sopa de Pedra». Quatro temas bem diferentes, belamente Baptista Mendes desenhados por Baptista Mendes que hoje se estreia nas nossas pâginas.

Carlos Fernando da Silva Baptista Mendes nasceu em Luanda (Angola) a 4 de Março de 1937. Com pouco mais de 10 anos de idade, veio para Lisboa e aqui, no Liceu Gil Vicente iniciou-se na «aventura gráfica». Mais tarde, veio o seu traço na publicidade, no desenho comercial e também, na vertente humorística, na revista “Flama”.

Efemeramente, chegou a assinar os seus trabalhos como Carlos Fernando ou como Carlos Fernando da Silva. Pela Banda Desenhada, estreou-se em 1959 na 2ª " série da revista «Camarada». Depois, ao longo do tempo, espraiou-se pelo «Cavaleiro Andante», «Falcão», «O Pardal», «Pim-Pam-Pum», «Revista da Armada», «Mundo de Aventuras», «Jornal do Exército», «Jornal de Almada», «Cadernos SobredaBD», «Diârio de Noticias»/«Jornal de Notícias», etc..

Foi homenageado ao vivo nos salões internacionais de Banda Desenhada da Sobreda (1992) e de Moura (1996). Tem participação sua nos dois âlbuns colectivos «Grandes Portugueses» (edição da revista «Camarada») e, na sua bibliografia, constam também os âlbuns: «Por Mares Nunca Dantes Navegados» (Bd. Futura) «O Infante D. Henrique» (Bd. Asa) e, pela Âncora Editora, «História de Penamacom e «História de Trancoso» não esquecendo «A Lenda da Povoação Que Tinha Um Castelo Branco», editado pela Associação do Amigos do Concelho do Crato, etc..

Para muito breve, estão previstas as edições em álbum de dois trabalhos seus: «Camões» e «A História de Almeida».

Alentejo Popular, 22 de Julho de 2010

através da banda desenhada

Coordenação de Armando Corrêa

QUASE DESCONHECIDA EM PORTUGAL A BD DA GRÉCIA

A 9ª Arte do país berço da Democracia é quase desconhecida do público português. E, no entanto, com uma certa força, ela existe.

Que saibamos, em português, foram publicados dois álbuns (Bd. Marginália) da autoria do misterioso Arkas, e uma história em duas pranchas no «Almada-BD Fanzine» nº 5, da autoria de Yorgos Botsos.

Arkas, mestre de um humor irresistível, é bem misterioso: não se lhe conhece uma foto e, quanto a dados biográficos, nem se sabe bem sequer qual é o seu verdadeiro nome, embora alguns pressuponham que seja Antonis Evdemon...

Mas a Grécia tem um vasto rol de desenhistas deyárias gerações, como, para além de Botsos, Kostas Frangiadakis, George Tsoukis, Nikos Kourtis, Petros Zervos, Alekos Papadatos,
Spiros Derveniotis, Dimitri Vidos, Ilias Kyriazis, Vasilis Lolos, Lila Kaloyeri, etc…

Histórica é a revista «Babel», onde tantos se estrearam, e que dá o nome ao grande festival internacional que se realiza em Atenas. Há mais publicações, de revistas e fanzines a álbuns. Em Portugal, pode-se encontrar em certas livrarias, a edição inglesa de «Logicomix» (An Epic Search For Truth), com textos de Apostolos Doxiadis e Christos Papadimitriou e criação gráfica
de Alecos Papadatos.

Há alguns anos, uma edição do Salão-BD da Sobreda revelou ao público português exemplos das obras de Yorgos Botsos, Dimitri Vidos, Nikos Kourtis, Spiros Derveniotis e Petros Zervos.

Na próxima semana: entrevista com Yorgos Botsos.

Alentejo Popular, 30 de Julho de 2010
através da banda desenhada

Coordenação de Armando Corrêa

DA GRÉCIA COM 9.ª ARTE E SIMPATIA ENTREVISTA COM YORGOS BOTSOS

Nasceu em Atenas a 15 de Julho de 1960. Em 1983, licenciou-se em Ciências Políticas na Faculdade de Direito da Universidade de Atenas. Em 1987, estreou a sua BD na famosa revista «Babel» e, desde então, tem estado sempre «em cena» no mundo da 9.ª Arte grega. À parte a sua carreira nesta Arte, é livre ilustrador (incluindo para a publicidade), escreveu e ilustrou sete livros para crianças e tem feito várias exposições da sua Pintura. Ensina BD no Akto-Art & Design College (em Atenas) e também tem feito parte da direcção do Festival de Cinema Documentário de Salónica.

Como convidado especial, participou com a sua presença nas edições de 1990 e 1993 do Salão Internacional de Banda Desenhada da Sobreda.

E agora, a entrevista que lhe fizemos:

Como está agora a situação da BD grega?
Na passada década, foi muito apoiada por duas grandes instituições que ajudaram o desenvolvimento da BD grega. O «Festival Babel» é visitado por cerca de 100 mil pessoas e a revista semanal «9» (inserida no jornal «Elefhterotypia») é largamente lida. Há muitos novos autores e jovens cartunistas que se editam através de fanzines e pequenas editoras independentes. Pode-se dizer que temos uma «nova onda», num panorama pequeno, mas dinâmico. No entanto, em números reais, nada se pode ainda afirmar quanto às audiências pelo país...

A revista «Babel» ainda existe?
Não, pois acabou em 2009. A equipa da «Babel» produz agora uma nova revista mensal, a «Mov», que se iniciou em Janeiro e para onde colaboro com frequência.

O que pensas dos «mangá»?
Nos últimos 10 anos tenho ensinado BD num colégio de desenho e assim, tive ocasião de conhecer a história dos mangá, como parte de fenómeno da Banda Desenhada como arte global. Creio que o mangá atrai os jovens europeus pela sua «linha simples» e o «exótico» das personagens, que são elementos conectados com a subcultura da Internet e dos jogos vídeo.

Na tua opinião, a Banda Desenhada é ou não uma Arte?
É uma Arte com letra grande. Narrativa e pictórica ao mesmo tempo, portanto tão diversa como flexível.

Estiveste duas vezes na Sobreda. Que guardas na tua memória dessas presenças?
Tenho as melhores recordações pelo calor e a hospitalidade. Para mim, foi uma autêntica revelação, vir do Leste para o distante ponto da Europa Ocidental e encontrar pessoas que amam e compreendem a nossa linguagem comum, a Banda Desenhada, da mesma maneira. Fiquei impressionado com o facto de um salão internacional estivesse tão bem organizado numa pequena cidade e isso foi tocante, não apenas no coração dos corações amantes da BD, mas também no total da comunidade.

Uma breve mensagem para os teus colegas portugueses...
Vamos manter viva e propagar a nossa linguagem comum, a Banda Desenhada. A todos desejo inspiração e criatividade!

Efkháristò, Yorgos! (Obrigado, Jorge!)

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Imagens da Banda Desenhada de Arkas (Aviso: quem quiser ler terá de aprender grego).




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Nota: Este foi o cartaz de 2009, mas as imagens abaixo são de 2005.





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quinta-feira, 29 de julho de 2010

DUAS NOTÍCIAS: NICK CAVE VAI REESCREVER “O CORVO” PARA NOVA ADAPTAÇÃO CINEMATOGRÁFICA + O ANÚNCIO DA ORGANIZAÇÃO DO FICOMIC DE BARCELONA SOBRE O LONGAMENTE ANSIADO MUSEU DE BD!

NICK CAVE VAI REESCREVER ARGUMENTO DE «O CORVO»

Nova adaptação deve aproximar-se mais do espírito original da história de BD

TVI/24 - Por: Redacção /IGP - 28-07-2010 - 11: 36

Nick Cave

O cantor e compositor Nick Cave vai reescrever o argumento do remake de «O Corvo». De acordo com o site «The Wrap», a nova adaptação desta história de vingança deverá aproximar-se mais do espírito original da saga de banda-desenhada.

Stephen Norrington («Blade»), que escreveu a primeira versão do remake, é o realizador da longa-metragem, que narra a história dos noivos «Eric Draven» e «Shelly Websyter». Este casal tem casamento marcado para 31 de Outubro, o Dia das Bruxas, mas é assassinado brutalmente na noite anterior. Um ano depois, o corvo traz a alma de «Eric» de volta para que ele se vingue dos assassinos e consiga o seu descanso eterno.

Não há ainda uma data marcada para o começo das filmagens do remake.

A banda-desenhada «O Corvo» teve a sua primeira adaptação para cinema em 1994. A rodagem do filme foi marcada por um acontecimento trágico: o protagonista Brandon Lee, filho do também actor Bruce Lee, morreu quando gravava uma cena em que o seu personagem ia ser atingido por um tiro. Por um acidente, a arma de fogo a ser usada na encenação tinha mesmo uma bala de verdade.

Esta não será a primeira vez que Nick Cave vai apostar no mundo do cinema: além de ter escrito o argumento do western «Escolha Mortal» (2005), Cave participou como actor nas películas «Johnny Suede» (1991) e «O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford» (2007), por exemplo.

Brandon Lee (1965/1993) em "O Corvo", estreado em 1994.
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MUSEU DA BANDA DESENHADA EM BARCELONA

Há mais de um ano que se fala, nos meios ligados ao Ficomic de Barcelona, nos planos para criar um museu dedicado à Banda Desenhada em Barcelona. Agora chega a notícia de que a Generalitat da Catalunha (o governo da Catalunha) escolheu a antiga fábrica da CACI (Companhia Auxiliar do Comercio e da Indústria - Compañía Auxiliar del Comercio y la Industria – especializada em colarinhos para camisas de algodão), um edifício construído em 1899, projectado por Jaume Botey e com 4.000 m2, situado em frente à praia de Badalona e ao lado da marina. Badalona é um município fronteiro e a nascente de Barcelona, cuja malha urbana se confunde com a da cidade condal. O edifício está fechado há mais de 30 anos e os custos de reconversão ascenderão a cerca de 12 milhões de euros. A inauguração está prevista para 2012!

O museu está projectado para ter quatro blocos:

Exposição permanente: Tesouros da Banda Desenhada e da Ilustração. Um percurso através da história da nona arte através de exemplos e obras representativas de cada época.

I+D+ilustração: Um espaço que será dedicado às últimas criações e tendeências da BD, tanto a nível nacional como internacional. Será uma montra para a difusão de novos criadores assim como das novas tecnologias aplicadas à ilustração. Terá quatro exposições por ano.

Territórios da Banda Desenhada: Um espaço em que se mostrarão exposições (prevendo-se duas por ano) em torno de um tema central e normalmente transversal do mundo da BD, desde a ficção científica à mitologia do herói.

Homenagem aos criadores: Duas exposições por ano, dedicadas a um determinado autor de renome, ou pelo conjunto da obra ou por uma obra em particular.

O museu disporá ainda de um auditório, espaços para diversas actividades e uma livraria especializada. Vamos esperar para ver se as coisas são como o que está anunciado.

O futuro Museu do Comic e da Ilustração da Catalunha (MCIC) junta-se, no panorama internacional, a museus como o Centre National de la Bande Dessinée et de l'Image (Angoulême, França); o Centre Belge de la Bande Dessinée (Bruxelas, Bélgica); The Cartoon Museum (Londres, Reino Unido); o Museum of Comic and Cartoon Art (Nova Iorque, EUA); O Cartoon Art Museum of California (San Francisco, EUA); o Charles M. Schulz Museum and Research Center (Santa Rosa, EUA), e o Kyoto International Manga Museum (Kyoto, Japão).

O Plano Director do MCIC foi elaborado com a acessoria de uma comissão constituída, entre outros, por: Antoni Guiral, Carles Santamaria e Josep M. Berenguer, do FICOMIC; Horacio Altuna e Gemma Cortabitarte, da Associació Professional d’Ilustradors de Catalunya; Marta Vaquer, do Meeting Concert; Joan Navarro, coleccionista; Albert Rossich, catedrático da Universitade de Girona; Montserrat Trias, da ACIC; e David Escrig, da Associació Amics del Còmic del Prat.

Nas imagens mais abaixo, a seguir ao texto do comunicado oficial em castelhano, podem ver-se as fotos do estado actual do edifício da CACI e a sua envolvente.

 
O comunicado do Ficomic:

La Generalitat de Catalunya ha escogido la antigua fábrica Caci de Badalona, que data su construcción de 1899, como sede del futuro Museo del Cómic y la Ilustración de Catalunya. Tal decisión se tomó tras una reunión con la comisión asesora que ha elaborado el plan director, donde se evaluaron las virtudes de las cuatro sedes candidatas: la antigua fábrica de Albert Germans de L’Hospitalet de Llobregat, la antigua fábrica Can Bertrand de San Feliu de Llobregat, el Centre de Disseny de Sitges y la antigua fábrica Caci de Badalona, que ha resultado la seleccionada. La comisión asesora está integrada por representantes de la APIC, Ficomic y diversos colectivos y personalidades relacionados con el cómic y la ilustración.

La ubicación escogida es el viejo edificio de la Compañía Auxiliar del Comercio y de la Industria (Caci), que lleva sin uso desde hace treinta años. Esta fábrica cuenta con seis plantas y una superficie útil de unos 4.000 metros cuadrados. La rehabilitación de la Caci la asumirán el Ayuntamiento de Badalona y la Generalitat de Catalunya. La Caci está situada en primera línea de mar, dentro de un nuevo entorno residencial, y cuenta com buenas comunicaciones de transporte público.

Dentro de las finalidades del museo, la primera es salvaguardar un patrimonio artístico y editorial disperso y sin garantías sobre su conservación. Un segundo eje del museo será difundir entre los ciudadanos la relevancia y significado del cómic y la ilustración. Además, puede convertirse en un laboratorio de ideas transversal que intensifique la relación de la creación gráfica con la industria audiovisual. Su vocación internacional se reflejará en su colección permanente y exposicones temporales com las obras de los grandes artistas de todas las latitutes, teniendo una especial atención hacia los creadores catalanes. La intención es que el Museo del Cómic y la Ilustración de Catalunya sea un espacio vivo, dinámico y atractivo.

Los trabajos de rehabilitación del edificio industrial de la CACI de Badalona, sede del futuro Museo del Cómic y la Ilustración, se han iniciado bajo la dirección de la firma de arquitectos Espinet-Ubach.


As obras já começaram, como se pode ver pelos andaimes...


Imagens da responsabilidade do Kuentro.
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quarta-feira, 28 de julho de 2010

BDpress #151: EXISTE UMA NOVA LIVRARIA ESPECIALIZADA EM BD NO PORTO: “INVICTA INDIE ARTES” DESDE MAIO, NO PÚBLICO + “HANS, O CAVALO INTELIGENTE”, DE MIGUEL ROCHA, POR PEDRO CLETO NO JN + JÁ SAIU O CADERNOS DE JOSÉ ABRANTES #2 + O REGRESSO DE “BOUNCER” POR J.M.LAMEIRAS NO DIÁRIO “AS BEIRAS”


Público, 25 Julho 2010 – Edição Porto

LIVRARIA DE BD DE AUTOR NO “BAIRRO DOS LIVROS”

Por Pedro Rios

É uma daquelas livrarias que é um espelho do seu criador. A Invicta Indie Arts, na Rua das Oliveiras, no chamado "bairro dos livros" do Porto, existe para mostrar aos outros a paixão de Manuel Espírito Santo pela banda desenhada de autor - e, esperançosamente, conquistar novos adeptos.

Amante "de livros, cinema, música, banda desenhada e animação de autor", Manuel decidiu abrir um espaço com os livros de BD que habitualmente não se encontram nas livrarias. ''As pessoas vão a uma livraria e levam sempre com os mesmos ícones - Super-Homem, Astérix, Tintin e afins. Achei que se podia alargar um pouco mais o mercado da banda desenhada a um público que não gosta de BD ou animação porque só conhecem estes grandes ícones, o que limita e muito a divulgação de outros projectos interessantes", explica.

Na Invicta Indie Arts, aberta no final de Maio, encontram-se títulos de editoras especializadas como a Topshelf, a Astiberri e a Reprodukt e de autores corno Dame Darcy (da qual Manuel é agente europeu) e Alan Moore, muitos deles autografados, para além de obras editadas pela Cinemateca, sinal das ligações entre a BD e outras artes que Manuel quer explorar, contra "o mito que a banda desenhada é para um nicho ou está enfiada dentro de um gueto, quase como um estilo de sociedade secreta que poucos conhecem". Além dos livros, a Indie Arts vende também discos de vinil usados, bonecos e outros objectos. "Tentei incluir um pouco do coleccionismo e revivalismo que existe hoje em dia, mas tento fazer com que isso ocupe, no máximo, uns cinco por cento dos produtos que quero comercializar", diz. "Não tenho muito interesse em vender somente a coleccionadores; gostaria era de poder mostrar um pouco do meu mundo ao comprador ocasional".
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Jornal de Notícias, 26 de Julho de 2010
Por F. Cleto e Pina

HANS, O CAVALO INTELIGENTE
Miguel Rocha (argumento e desenho)
Ed. Polvo

UM AUTOR CONSTANTE E ESTIMULANTE

Revelado com “O Enigma Diabólico” – uma sátira a Blake e Mortimer -, Miguel Rocha tem sido um dos mais constantes e estimulantes criadores gráficos nacionais. “As pombinhas do sr. Leitão”, “A vida numa colher – Beterraba”, “Salazar – Agora, na hora da sua morte” ou “Portimão - A noiva que disputa o rio ao mar” são exemplo disso.

A HISTÓRIA DE UM CAVALO QUE FAZIA CONTAS

Desengane-se quem adivinha facilidade de leitura ou entretenimento ligeiro por se tratar de uma banda desenhada, pois uma das suas principais características é exigir ao leitor esforço e participação na elaboração, melhor, na interpretação da narrativa. Porque Miguel Rocha, mais do que contar uma história linear, optou por avançar pistas, cabendo-nos interpretá-las e compô-las de acordo com a nossa sensibilidade, capacidade de interpretação e formação social e cultural. Porque, de cada leitura de “Hans”, facilmente resultará uma história diferente, muitas vezes díspar, até.

Na sua génese está o caso verídico, datado do final do século XIX, do equídeo alemão Der Kluge Hans (Hans inteligente), pertença de W. Van Hostens, supostamente capaz de realizar operações matemáticas, cujo resultado revelava batendo com a pata no chão. Rapidamente transformado num fenómeno circense, originou a criação de uma comissão para avaliar se se tratava ou não de um embuste, que acabou por concluir que o animal era sensível à linguagem corporal dos espectadores, conseguindo pelas suas reacções “adivinhar” os resultados.

Adaptada da peça homónima de Francisco Campos, estreada em Setembro de 2006, a BD de Miguel Rocha, assume uma forte componente teatral e dramática, comportando-se as personagens muitas vezes como se estivessem num palco e havendo mesmo uma cortina a abrir e fechar o livro…

No entanto, a história de Hans é apenas acessória, ou melhor, um elemento de ligação entre várias histórias, centrando-se o livro em relações (ou dependências?) humanas – ou a dificuldade de relacionamento entre humanos. Pois Van Hostens engravidou a irmã da mulher que amava, não consegue assumir (nem libertar-se) da relação com Ângela, falha a abordagem à psiquiatra que devia avaliar Hans – e que também teve um caso mal resolvido com um dos seus pacientes…

Histórias que vão sendo reveladas em sucessivos flash-backs, ao longo dos cinco capítulos (actos) do livro (e das páginas “publicitárias” finais), com os diálogos entrecortados com declamações(?) que conferem um tom algo surreal ao todo. Para o que contribui também o virtuoso grafismo “enevoado” (digitalmente) de Miguel Rocha, em tons cinzentos/arroxeados, que obriga o leitor, muitas vezes, a adivinhar mais do que o desenho mostra.

Imagens da responsabilidade do Kuentro.
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"O "prato forte" é a BD (inédita) "O Homem que não Parava de Rir!", de 15 páginas. Devido à extensão desta história, os Portfólios são mais curtos, mas mantêm-se as histórias de Tantã & Liru e do Marselha. Aceitando ainda a sugestão de um amigo, passo a numerar e a assinar os exemplares, que não passarão dos 200 exemplares, como no número 1, e tal como pretendo manter nos próximos!

Simpático é o encorajamento de alguns leitores em que eu mantenha a explicação ou contextualização de alguns trabalhos, o que me agrada fazer e, assim sendo, vou continuando nessa senda!"
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Diário As Beiras, 24 de Julho de 2010

O REGRESSO DE BOUNCER

João Miguel Lameiras

Cinco longos anos após a publicação do 4º volume, eis que a Asa lança finalmente em português “O Fascínio das Lobas”, o 5º volume da série “Bouncer”, sossegando todos aqueles que já pensavam que esta era mais uma daquelas séries que a editora do Grupo Leya tinha deixado ficar pelo caminho.

Primeira incursão conjunta de Boucq e Jodorowsky pelo Oeste selvagem, depois da saga mística de “Face de Lua”, “Bouncer é apresentado como um western clássico, pelo próprio Jodorowsky (que já abordou o género num filme muito pouco convencional, “El Topo”). Mas, se o compararmos com outros westerns da BD europeia, como “Blueberry, ou “Comanche”, “Bouncer” apenas pode ser considerado “clássico” em termos da obra de Jodorowsky, pois embora os elementos fantásticos sejam relativamente discretos, as obsessões habituais na obra do argumentista do Incal, como as mutilações, a família e a religião, estão bem presentes nesta série extremamente violenta e povoada de personagens bizarras.

Mas, apesar de Jodorowsky assinar aqui um dos seus argumentos mais conseguidos, o melhor de “Bouncer” é mesmo o desenho de Boucq, verdadeiramente sumptuoso no tratamento dos cenários míticos do Monument Valley. Notável desenhador e narrador, Boucq cria aqui um fabuloso western de papel, filmado em “cinemascope”, com as vinhetas sobre o comprido a substituírem com vantagem o ecrã de 70 milímetros.

Saga que prova que Jodorowsky é capaz de conciliar o seu universo pessoal com os cânones do Western, numa história que Boucq desenha com notável virtuosismo, “Bouncer prossegue as suas aventuras com este “O Fascínio das Lobas” álbum que conclui a história iniciada em “A Vingança da Serpente”. Apesar de personagens carismáticas como os assassinos mexicanos, Jeovah, Angel e Christian Villalobos, os três anjos da morte, são as mulheres que dominam esta história, o que é evidente logo na capa do livro. Mulheres tão diferentes como a submissa Yin Li, a impiedosa Mara Mars e Antoine Grant, a mulher com nome de homem que vem substituir o Bouncer como carrasco de Barro-City e com quem o pistoleiro maneta se vai envolver.

Ainda que Jodorowsky resolva de forma algo preguiçosa, com a última confissão de um moribundo, a intriga policial que andou a construir nos últimos dois álbuns, os elementos surreais e a dimensão shakespereana que fazem de “Bouncer” um Western diferente dos outros, estão lá todos. Tal como está o traço virtuoso de Boucq, o único desenhador europeu capaz de fazer sombra a Moebius.

Numa altura em que a série já tem 7 volumes publicados em França, esperemos que a Asa não nos faça aguardar tanto tempo pelo próximo volume…

(“Bouncer 5: O Fascínio das Lobas”, de Boucq e Jodorowsky, Edições Asa, 64 pags, 14,10 €)
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terça-feira, 27 de julho de 2010

BDpress #150: ESTREIA HOJE A II BIENAL DE HUMOR LUÍZ D'OLIVEIRA GUIMARÃES - PENELA 2010 + O TRAILER PROIBIDO A MENORES DO NOVO FILME DE ROBERT RODRIGUEZ + FESTIVAL LUANDA CARTOON

Três temas: inaugura hoje, dia 27, a Exposição dos trabalhos a concurso à II BIENAL DE HUMOR LUÍZ D'OLIVEIRA GUIMARÃES - PENELA 2010, que têm como tema O TEATRO, pelas 18h30 na Galeria de Exposições Temporárias do Museu. A Exposição ficará patente ao público até 5 de Setembro.

Trailer proibido a menores, do novo filme de Robert Rodriguez, «MACHETE», divulgado na Comic-Com de San Diego.

O Luanda Cartoon foi anunciado oficialmente na imprensa angolana.

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Angola Press - 26-07-2010

LUANDA - SÉTIMO FESTIVAL DE BANDA DESENHADA DECORRE EM AGOSTO

Luanda – A cidade de Luanda acolhe de 20 a 27 de Agosto próximo o sétimo Festival Internacional de Banda Desenhada e Animação "Luanda Carton", com participação especial do desenhador português João Mascarenhas.

Segundo uma nota de imprensa da organização, chegada hoje à Angop, o evento contará ainda com as participações dos profissionais Filipe Melo (Portugal), Marcelo D’salete, Gabriel Rocha (Brasil) e Adjim Danngar (Tchad).

O festival, adianta o documento, será preenchido com "workshops", lançamentos e vendas de materiais ligados à banda desenhada, assim como sessões de autógrafos.

Além do "Cartoon Party", o evento prevê um "pocket show", do qual participarão os profissionais angolanos Edú, ZP, CFK, Flagelo Urbano, Phay Grand, X Tremo Signo e Crewcial, assim como os Reais Camaradas.

O Luanda Carton é co-organizado pelo Estúdio Olindomar e pelo Instituto Camões.

As primeiras três edições foram feitas no período de três em três meses do ano de 2005, sendo que mais tarde tornou-se um evento de periodicidade anual.
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«MACHETE» GANHA TRAILER PROIBIDO A MENORES

Por: Redacção /IGP - 26-07-2010

Thriller estreia nos EUA a 3 de Setembro

Robert Rodriguez divulgou na Comic Con 2010, um evento dedicado à banda-desenhada e à cultura pop em geral, um trailer proibido para menores do seu mais recente filme, o thriller «Machete». A fita estreia nos EUA a 3 de Setembro.

«Machete» conta a história de um ex-agente da polícia federal mexicana que é contratado para assassinar um senador corrupto. No entanto, ele é atraiçoado e parte em busca de vingança.

Danny Trejo é o protagonista desta fita, que ainda conta com Steven Seagal, Lindsay Lohan, Robert De Niro, Jessica Alba, Don Johnson e Michelle Rodriguez, entre outras estrelas. O filme ainda não tem uma data de estreia marcada para Portugal.


Veja aqui o trailer proibido para menores de 18 anos de «Machete»:

video

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segunda-feira, 26 de julho de 2010

BDpress #149: BANDA DESENHADA EM ANGOLA – RECORTE VIRTUAL

Quando comecei com o BDjornal, em 2005, tentei procurar pistas sobre o que se fazia em Banda Desenhada nos países ditos lusófonos e só encontrei referência a Sérgio Piçarra e o seu Jornal do Mankiko, de Luanda. Entre 2005 e 2009 ainda mantive alguma correspondência com o Sérgio Piçarra e penso que ele me enviou um exemplar do “Jornal do Mankiko”, mas depois soube que ele a dada altura desistiu do projecto Mankiko e passou a dedicar-se apenas à profissão de designer gráfico e… cartoonista residual. Actualmente mantém um site sobre sobre a BD angolana.


Com a abertura da página do BDjornal no Facebook, eis que descubro, por mera sorte, que vai haver o 7º Festival Luanda Cartoon (oficialmente Festival Internacional de Banda Desenhada e Animação - Luanda Cartoon 2010). E soube, porque o João Mascarenhas vai ser o convidado especial desse evento. Conhecia este Festival, do qual se realizaram em 2005 três edições – em Março, Julho e Dezembro – e depois duas edições anuais em 2006 e 2007, mas nunca mais tive notícias sobre ele. Afinal, como verifiquei agora, já se realizaram mais duas edições e a sua realização tem sido possível devido à parceria entre o Instituto Camões de Luanda e o Estúdio Olindomar, de Lindomar Sousa, estabelecida em 2004.


Ora bem, recuperando o velho desígnio de divulgar a Banda Desenhada em língua portuguesa que se faz em todo o mundo, vão começar a haver no Kuentro – o blogue do BDjornal, entradas sobre aquilo que for encontrando por aí. Para já, fica aqui um texto de Lindomar Sousa (em http://bandadesenhadangola.blogspot.com), o responsável pelo Luanda Cartoon, de que se realizará a sétima edição de 20 a 27 de Agosto próximo e sobre o qual falaremos aqui em breve.
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ANGOLA, BANDA DESENHADA, ANIMAÇÃO, E BONS TEMPOS "REEDUCAÇÃO BEDÉFILA"

A Nação BD já não há de ser a mesma, para aqueles que pensam que a BD em Angola acabou estão enganados pois 2009 foi apenas o ano de preparação para o estado de ebulição da Banda desenhada em Angola, esta é uma nova Era e todos os bedéfilos, amigos ou amantes da 9ªarte são bem vindos ao que nós chamamos de "REEDUCAÇÃO BEDÉFILA" podes fazer parte dela, todos os verdadeiros bedéfilos são convidados a contribuir para o crescimento e valorização da nossa arte.

Em 2009 a Banda desenhada angolana teve bastante destaque, por exemplo no Encontro de Criadores da CPLP em Lisboa - Portugal a participação dos bedéfilos angolanos foi apenas um sucesso.

O artista francês BRUNO, autor da BD "O comando colonial" esteve em Angola e teve um encontro bastante animado com artistas angolanos, o Jornal de Angola, o único Jornal diário voltou a publicar BDs na página de lazer.

As feijoadas bedéfilas aconteceram.

O ponto mais alto foi mesmo a 6ª Edição do Festival de Banda desenhada-LUANDA CARTOON , nunca aconteceu algo igual em Angola, o festival foi um sucesso total, reconhecimento e felicitações de várias partes do mundo: Brasil, Portugal, Moçambique, Cabo Verde, Itália , França, Alemanha etc...

A imprensa colaborou, vários foram os programas de televisão e rádios que falaram sobre BD, o evento anual COOPEARTE da Galeria Celamar que geralmente divulga Pintura, escultura e outras modalidades artisticas abriu um espaço para BD fazendo uma exposição e lançamento de fanzines.

A festa do Astérix aconteceu em Angola e o álbum foi lançado cá, ao mesmo tempo que na Europa...que luxo...

Os artistas angolanos do LUANDA CARTOON foram convidados a participar do festival de amadora que comemorava a sua 20ª edição e homenageava o mestre Maurício de Sousa criador da Turma da Mônica, lá estivemos e foi muito bom...

O ano 2009 foi mesmo bom, e em 2010 a REEDUCAÇÃO BEDÉFILA já começou, nem eu, nem nenhum dos nossos kotas, sub kotas, putos ou sub putos (ha ha ha ha ha) está interessado em disputar protagonismos, pois aqui ninguém é estrela somos todos FONTES DE INSPIRAÇÃO.

Querem parar isto? Já fizeram convenções e nada, pois para a educação de Bedéfilos aqui tem gente com vocação!!!

Saudações Bedéfilas,
(para os verdadeiros...)

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Fotos do blogue Bandadesenhadangola:
TV Zimbo visita ESTÚDIO OLINDOMAR-CFBDA (Centro de Formação de Banda desenhada e Animação) - Olímpio explica a Jornalista Regina Reis como funciona o Estúdio.

Galeria Celamar-COOPEARTE - Eclips lançam fanzines.

Revista CARAS Angola, também divulgou o Festival de BD - LuandaCartoon 2009.

Expo BD - COOPEARTE-GALERIA CELAMAR

Kota António Pinto esteve em todas as edições com a sua máquina fotográfica, obrigado pela força, kota continuamos contigo no TANTÃ CULTURAL.
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Texto sobre a participação de João Mascarenhas e dos outros convidados no Luanda Cartoon 2010:

O famoso personagem "Menino Triste" e o artista João Mascarenhas estarão presentes no 7º Festival Internacional de Banda Desenhada - LUANDA CARTOON- de 20 -27 Agosto de 2010.
João Mascarenhas convidado especial da organização (Estúdio Olindomar e Instituto Camões) vai participar de uma sessão de autógrafos, exposição, palestras, e ciclo de cinema animado.
A exposição central também conta com a presença do personagem Dog Mendonça e Pizzaboy de Filipe Melo também de Portugal.

Do Brasil teremos na exposição central trabalhos de Marcelo D´Salete e Gabriel Rocha, do Tchad mas a residir em França Adjim Danngar marca também presença nesta 7ª edição da maior festa da Banda Desenhada em Angola, além destas participações internacionais teremos cerca de 30 artistas angolanos com lista oficial a publicar brevemente !!!

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sábado, 24 de julho de 2010

BDpress #148: CULTURAGALEGA – BANDA DESEÑADA – MIGUELANXO PRADO: “SE CONSEGUIMOS QUE O 1 POR CENTO DOS VISITANTES DE VIÑETAS MERCASE UNHA BD SERÍA UN ÉXITO ROTUNDO”

Entrevista com Miguelanxo Prado sobre o festival VIÑETAS SOBRE O ATLÁNTICO deste ano, que se realizara entre dias 9 e 15 de Agosto. Mais uma vez em galego, claro.

Miguelanxo Prado

Entrevista conduzida por Cristina Mouriño (da redacção de Culturagalega.org) em 13Julho2010

É o director, alma máter, responsable primeiro e último de Viñetas do atlántico, a gran cita anual da banda deseñada galega. Falamos con Miguelanxo Prado para coñecer os pormenores desta edición que contará, entre moitas outras novidades, unha completa retrospectiva do lendario debuxante e guionista neoiorquino Will Eisner. Ademais, aproveitamos para coñecer a súa opinión sobre a situación da banda deseñada en Galicia e os proxectos de Viñetas que caeron polo camiño.

O cartel deste ano parece moi equilibrado canto a xéneros, estilos, procedencias e mesmo editoras do mercado español. ¿Houbo sorte apesar de ser un ano de crise económica, ou é todo mérito da organización de Viñetas?

Neste tipo de cousas é o de sempre. Deixémonos de coñas. Sexa Angouleme ou calquera outro certame sempre hai un factor que é o azar, que acabar por supor un 60%. O sistema de convocatoria vai máis pola vía do personal no noso caso. Por poñer un exemplo, François Bourgeon, un dos grandes autores da banda deseñada francesa, é un autor que me gustaría ter traído a Viñetas, pero el xa me comentou que mentres o fagamos en agosto xamais virá. É certo que cada ano traballas cun mínimo de tres listados e eses listados mantéñense ata o final e ata o último momento non sabes que nomes virán ou non. Agora ben, queda claro que isto é especialmente complicado no caso dun salón como o noso, no que non funcionamos con criterios editoriais ou de mercado, coa complicidade dos editores como acontece en Barcelona onde os autores que aparecen son os que presentan novidades. Ese plus de liberdade que temos para programar ten tamén este problema engadido que é o noso criterio personal o que se ve representado.

Entón.. ¿Cómo definimos o modelo Viñetas?

Creo que é unha cuestión de dimensións e que ese tipo de cousas as ten claras e que prenteden abarcar nunha única fórmula. Cando Viñetas comezou xa existían as Xornadas de BD de Ourense. ¿Que sentido tiña que Viñetas entrase a competir cun certame que se celebra desde moito antes e pensamos que xa estaba perfectamente cuberto? O que sería moi difícil, e non só en Galicia, e non só en España, é montar unha proposta exclusivamente de carácter internacional. Non son tonto e esta exposición de autores, debuxantes e de todo este boom actual que sexa exclusivamente froito de Viñetas. Pero calquera que analice os últimos 15 anos da banda deseñada galega non pode deixar de ligar o feito de que os creadores tiveron acceso aquí ao que se estaba a facer noutra parte do mundo. Creo que, honestamente, isto é como o caldo. Leva fabas, garavanzos, patacas… e calquera cambio drástico na fórmula non sería caldo, sería outra cousa. Tamén é certo que se podería facer outro tipo de festival.

¿Que papel cumple a representación galega? ¿Consideras suficientemente representada a BD galega?

Non hai unha soa edición de viñetas que non conte cun mínimo de dous autores galegos. Paréceme que cambiar iso é sacar os pés fóra do testo. O que penso, con perspectiva e falo como diaño vello e xa experimentando o mundo do festival os coñezo ata as trancas, é que errar nesa medida é arriscarse a perder o festival. Poderiamos facer un festival de carácter local pero para iso non facemos este esforzo. É dicir, para convocar aos autores cos que nos tomamos as cervexas, pero non sería necesario ter o esforzo de Viñetas. O que me parece sería plantexalo como alternativa. Desde o seu nacemento Viñetas tivo que achegar propostas de todo tipo; comezaron as presións editoriais que, co tempo foron cesando, porque a cuestión cultural e de exposición e de conferencias dalles igual; e logo viñeron os editores marxinais… pero seguimos fieis ao modelo porque se non, non conseguiríamos a peza fundamental do asunto que é espallar a banda deseñada galega como linguaxe, como autores… Despois de 13 edicións se algo non se lle pode negar a Viñetas é o ben que funciona.

¿Hai unha redución do número de convidados desta edición?

Estámonos movendo no mesmo número que noutras edicións. Este ano traemos a un tandem Raul e Roger que son dos autores que, aínda que no programa apareza como un, cada un deles ten as súas comidas, o seu hotel… Ademais, hai outras exposicións como a de Will Eisner que custa o mesmo que se el viñera. Ao final temos o mesmo número, en cuestión de investimentos pediu que se axustara o presuposto e sacamos de cuestións de infraestruturas pero non no programa, senón en lonas, cartelería…. Pero a listaxe de participantes é a mesma.

E o orzamento, ¿cal é cifra económica para este ano?

Non é por escorrer o vulto pero a concelleira na rolda de prensa non deu a cifra porque dixo que o orzamento é de asignación xeral dentro do capítulo de exposicións da concellaría para todas as salas de exposición e Viñetas é unha parte dese orzamento. Un dos pactos que fixen cando aceptei a proposta hai 13 anos (e os que me coñecen saben que son escrupulosamente talibán cos cartos públicos) non quería que houbera a máis mínima posibilidade para que ninguén dubidase. Eu propoño actividades e exposicións e un equipo do concello prepara o proxecto económico.

En todo caso, ¿estamos nas mesmas cifras que en edicións anteriores?

A concelleira aseguroume que así é, ao mesmo tempo que me pediu que non fixeramos máis que do habitual. Viñetas é un festival incriblemente barato porque a miña relación é boa coa xente doutros festivais e ás veces cando falamos de custes e de infraestrutura organizativa, as cifras que se barallan son estratosféricas. Aproveitamos os recursos do concello da Coruña: salas, persoal, e os gastos son os que corresponden con convidados e exposicións.

Sempre falaches de que Viñetas tiña a intención de colaborar con outros festivais para facer un programa moito máis ambicioso. Agora en plena crise… ¿Que hai desa iniciativa?

Está no conxelador. Parece que nunha situación de crise, compartir custes podería dar novas saídas pero é complicado porque cada un de nós temos estruturas diferentes. Uns dependen de entidades privadas e empresariais (Ficomic); outros do Ministerio e dun entramado institucional complexo (Angouleme), hai quen funciona desde unha asociación cultural… todos estes elementos acaban converténdose nun problema burocrático. Non é algo que desboto e espero que a medida que saiamos do túnel poidamos retomar de cara a facer propostas máis ambiciosas. Unha enorme exposición como na que nalgún momento se pode ver no mundo da plástica e da pintura é algo que me gustaría poder chegar a facer algún día. Creo que o que conseguiu Viñetas coa de clásicos de prensa norteamericana é unhas propostas alternativas máis que interesantes

E daquela iniciativa que promoveches de que crear un gran museo da banda deseñada.

No que respecta a min é un asunto borrado da axenda. Son dos que pensa que hai que buscar un equilibrio entre o esforzo e o gasto de enerxía, despois de ter movido moitos fíos e de intentalo por moitos lados non houbo unha posición frontal por parte de todas as institucións e tampouco houbo unha movida clara. Neste momento está en marcha o de Barcelona e hai outro en marcha en Valencia. Desde o noso punto de vista pasóusenos o arroz, cando o plantexei tiñamos ofertas de recibir en doazón moitas ofertas. Foi un proxecto que non acabou por concretarse.

Como é a súa relacion coa consellaría de Cultura, en canto ás útlimas actividades en relación coa Banda Deseñada

É nula pero non porque sone a ruptura. No seu momento por razóns persoais deixei de participar nesa ferramenta que era a mesa sectorial da banda deseñada. Entón seguía o debate e os traballos pero non participei nin como autor nin como director de Viñetas e sei das cousas que van acontecendo por outros autores e polos medios de comunicación. A única referencia na que expresei a miña opinión foi a cuestión das bolsas que no articulado da convocatoria non era acertado, non era feliz como diría un antigo profesor meu. Pero o simple feito non era un paso adiante pero creo que hai que afinar moito mellor todas as condicións de presentacións de proxectos e solicitudes. O que se debería era non afinar o non afinable. Do resto non teño constancia de ningunha iniciativa.

Por último ¿cal é a previsión de visitantes para a edición deste ano? ¿Cómo se fai o cómputo do visitante? ¿E que perfil ten o certame?

Hai xa tres anos que non o facemos porque a medida que imos incorporando salas resulta complicado facer o cómputo. O último conteo foi duns 70.000 e estaba tan por riba da liña de flotación que o festival se marcara que dixemos que nón nos preocuparíamos máis por este aspecto. Agora ben, iso non se corresponde coa realidade.

Se tivesemos 40.000 lectores de banda deseñada estaríamos no paraíso. Se temos 70.000 visitantes sabemos que unha porcentaxe elevadísima non serían seguidores, funciona como escaparate para tentar traer novo público. Se conseguimos que un 1% deses visitantes se interese e merque un libro e lle quede o verme dentro para saber a banda deseñada sería un éxito rotundo. Penso que hai unha serie de tipoloxías que si se cumplen: hai uns lectores máis entusiastas (16-25 anos que mesmo dentro desa franxa hai variedades como lectores, seguidores máis sectarios…. Hai tamén, cunha franxa amplísima, de xente de idade media para riba (ou teñen unha relación continuada coa BD, aínda que non sexa entusiasta, e que lle chame a atención e o interese visual das exposicións), e por último, hai unha franxa de nostálxicos, que abandonaron o comic cando deixaron a adolescencia e que vén cos seus fillos e netos (que leu a Astérix, Tintín, os de Bruguera….) pero non hai un perfil homoxéneo.

Nota do editor do Kuentro: repare-se no que diz Prado nesta última resposta - eu disse coisas muito parecidas em relação ao Festival da Amadora, em Novembro passado e toda a gente me caiu em cima, sem preceber patavina do que se estava a falar.
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Algumas imagens do Festival Viñetas sobre o Atlántico de 2009:

A Torre de Hércules, à entrada do porto da Corunha.





Nestas três últimas imagens, a Rúa da BD, onde se situa a Feira do Livro de BD.


Imagens sacadas pelo Kuentro.

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sexta-feira, 23 de julho de 2010

COMIC-CON 2010 COMEÇOU ONTEM - DIA 22 - EM SAN DIEGO (EUA)


Teve início ontem a Convenção Comic-Con de San Diego (EUA), onde são esperadas 125 mil pessoas. Na quarta-feira, centenas de visitantes aguardavam já o início do evento. Os organizadores esperam que 125 mil pessoas passem pela feira. 

Notícias relacionadas:

Diário Digital, quinta-feira, 22 de Julho de 2010

SUPER-HERÓIS: DA BD PARA OS JOGOS, SEM PASSAR PELO CINEMA


Os super-heróis das histórias de banda desenhada (BD) estão a desfrutar de uma nova carreira nos videojogos, saltando directamente da BD para as consolas (e PCs), sem passar por Hollywood.

Jim Lee, co-editor da DC Comics e director executivo de criação do jogo «DC Universe Online», da Sony Online Entertainment, afirmou que «nem todos lêem BD, ainda que a maioria das pessoas conheça os super-heróis mais importantes. Mas a maioria dos fãs joga videojogos», sublinhou.

«Os jogos são um portal para que tragamos mais pessoas ao mundo dos quadrinhos», afirmou durante a Comic-Con International, convenção dedicada à arte popular, a decorrer esta semana em São Francisco, EUA.

O «DC Universe Online» é um MMO (jogo online para vários jogadores), a ser lançado em breve, onde os utilizadores poderão criar as suas personagens e interagir com velhos conhecidos, como Super-Homem, Batman e Mulher Maravilha, em locais como Metropolis (cidade fictícia onde trabalha o Super-Homem) e Gotham City (cidade do Batman).

Com o mesmo nome, «DC Universe Online», será criada uma revista quinzenal lançada antes do novo jogo, no fim deste ano, que estará integrada na história que serve de base ao título.
«Vamos procurar oportunidades nas quais possivelmente aproveitemos os personagens criados por usuários em um jogo, e os conduziremos ao mundo dos quadrinhos, dando aos participantes a emoção de fazer parte oficialmente do DC Universe», sublinhou ainda Lee.
Os mais novos também não foram esquecidos, com o Marvel Super Hero Squad Online, novo MMO da Gazillion Entertainment onde se pode vestir o fato do Super-Homem, andar na prancha do Silver Surfer ou envergar o escudo do Capitão América.

A Gazillion está ainda a preparar um jogo para o público adulto, «Marvel Universe», com lançamento previsto para os próximos anos.

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Diário Digital, quinta-feira, 22 de Julho de 2010

STAN LEE ANUNCIA TRÊS NOVOS SUPER-HERÓIS

O desenhista Stan Lee, criador de personagens como o Homem-Aranha ou os X-Men, anunciou na convenção de cultura pop «Comic-Con» que a sua equipa criou três novos super-heróis.

Starborn, The Traveler e Soldier Zero são resultado de um processo criativo em colaboração com outros artistas de banda desenhada.

«Starborn», assinado por Chris Roberson e Khary Randolph, é um homem comum em aventuras onde o destino da Humanidade está em jogo, com lançamento previsto para Dezembro.

Em Novembro deve chegar «The Traveler», um agente que pode viajar no tempo e na história, assinado por Mark Waid e Chad Hardin.

«Soldier Zero», por Paul Cornell e Javier Pina, deve chegar em Outubro e vai abordar a história de um assistente de professor universitário e de uma criatura alienígena, com quem passa a viver.

Lee chegou à Comic-Con a dizer piadas sobre a sua popularidade: «Só isto de imprensa? Agora sim, estou nervoso!», brincou.

Acerca da possibilidade de estes heróis serem adaptados ao grande ecrã, o criador afirmou «É claro! Todos serão filmes, séries de TV!».

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Entretanto pode ser seguido no site brasileiro Omelete, o dia a dia da Convenção de San Diego. Transcrevo a crónica do primeiro dia:

Diário da Comic-Con 2010

DIVIDIDOS PARA CONQUISTAR SAN DIEGO!

Por Érico Borgo e Marcelo Forlani, 23 de Julho de 2010

O primeiro dia oficial da Comic-Con 2010, quinta-feira, 22 de julho, abriu com os famosos painéis da Sala H, as apresentações dos estúdios, e suas imensas filas. Confira o que nossos cozinheiros fizeram durante o dia - e o que você lerá com detalhes em breve aqui no Omelete:

Marcelo Forlani

Como tive que ir à coletiva de imprensa de Tron: O Legado, acabei perdendo o painel do filme. Afinal, não tem como furar uma fila de 3 mil pessoas... mas assim que a coletiva acabou, corri para juntar-me às 6.500 pessoas na sala H, a maior da Comic-Con, para assistir aos painéis e passar nada menos que 8 horas enfurnado por lá.

Érico Borgo

Logo pela manhã entrevistei Tina Fey e Will Ferrell para o lançamento da animação Megamente (Megamind), juntamente com o diretor Tom McGrath (co-diretor da série Madagascar). Mas não sem antes errar o hotel ("é o outro Hilton, senhor") e ter que correr 1,5 km pra chegar ao local correto da entrevista... ainda bem que estamos na Comic-Con e tudo atrasa aqui. Ainda mais Ferrell, que tinha se vestido de supervilão para o painel do filme e teve que ir para seu quarto se trocar. Tive alguns bons minutos com a dupla, que conversou junta com a imprensa.

Depois, parti para uma verdadeira maratona de videogames pela feira. Comecei finalmente experimentando o alardeado PlayStation Move, o controle sensível a movimentos do PlayStation 3. Três games estão disponíveis para jogar aqui: The Shoot (jogo de tiro-ao-alvo), SOCOM 4 (terceira pessoa, um shooter clássico) e The Fight - Lights Out. Tudo foi registrado em vídeo, então, na próxima semana, você poderá me ver suando descontroladamente enquanto soco o ar no meio de uma multidão.

Depois, passei duas horas no estande da Electronic Arts, que este ano está fora da Comic-Con. Situado do outro lado da linha do trem, o espaço da gigante de games acabou muito mais confortável e espaçoso que o da concorrência que se aperta no Centro de Convenções de San Diego. Lá pude jogar bastante Dead Space 2 e Dragon Age 2, pela primeira vez mostrado ao público - e melhor ainda, com a presença do designer-chefe do título, Mike Laidlaw.

Também sobrou um tempinho para experimentar Batman: The Brave and the Bold (infantil e fraquíssimo) e Spider-Man: Shattered Dimensions (que teve várias novidades reveladas aqui), além de circular pela feira para tirar mais fotografias, que você pode conferir ao lado, na nossa galeria!

Análises detalhadas desses jogos, as entrevistas e os painéis você lerá aos poucos, nos próximos dias, aqui no Omelete. Fique ligado na nossa cobertura completa!

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Algumas fotos sacadas pelo Kuentro:







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