segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011

BDpress #233: O REGRESSO DE ETERNUS 9 (2) – VICTOR MESQUITA ESTARÁ AMANHÃ NA TERTÚLIA BD DE LISBOA PARA FALAR SOBRE ETERNUS 9 E O QUE JOÃO RAMALHO SANTOS ESCREVEU SOBRE ESTE LIVRO NO JL

Amanhã, dia 1 de Março, realiza-se mais um encontro da Tertúlia BD de Lisboa (ao qual infelizmente não vou poder ir), onde o convidado para debitar palestra é Victor Mesquita, que falará sobre Eternus 9, ficam aqui dois textos, o de Geraldes Lino, publicado hoje no seu blogue Divulgando Banda Desenhada, a anunciar o 320º Encontro da TBD e o de João Ramalho Santos no JL, sobre Eternus 9: A Cidade dos Espelhos.


in Divulgando Banda Desenhada, 28 Fevereiro 2011

PALESTRA DE VICTOR MESQUITA SOBRE ETERNUS 9

Geraldes Lino

Victor Mesquita, nome de referência da moderna banda desenhada portuguesa, estará dia 1 de Março na Tertúlia BD de Lisboa a fazer uma palestra sobre a sua obra Eternus 9, englobando o conjunto dos dois andamentos: O Filho do Cosmos e A Cidade dos Espelhos.

De sua autoria, reproduz-se aqui um texto acerca dessas duas partes que compõem aquela importante BD, escrito propositadamente para o blogue Divulgando Banda Desenhada:

"Eternus 9, Um Filho do Cosmos: este título nasceu da necessidade de criar uma personagem que transcendesse as limitações da capacidade humana, a de nascer sempre sujeita às leis da gravidade terrestre.
Eternus nasceu num ponto do Universo onde essas leis não se fazem sentir. O coraçao de um nascituro ao nascer em tal ponto do espaço, necessariamente não sofre o esforço de bombagem do sangue, da compressão que se dá ao nascer sob atracção da lei da gravidade. Igualmente o cérebro não está submetido a tal violência. As circunstâncias em que Eternus nasceu, seguramente provê-lo-iam de faculdades extraordinárias.
Tal experiência há-de dar-se um dia, não de todo longínquo, e então ficaremos a saber quais serão os resultados - se ainda cá estivermos.
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O título A Cidade dos Espelhos, além de simbolizar a Feira de Vaidades da sociedade de hoje, reflecte nas histórias a intenção mágico/metafórica de criar um portal de passagem entre o autor e o seu alter-ego, se quisermos. Um pretexto para tornar o autor avatar da sua própria criação, um desdobramento distanciado do espelho que a criação reflecte de si mesmo e assim se libertar para um distanciamento que lhe permite ver-se de fora do acto de criar. De ser leitor e criador que se recria integrando-se na aventura deste desdobramento.
Foi o modo que encontrei para justificar trinta e cinco anos de ausência entre mim e a personagem, entre o autor e a recriação de si mesmo. Circunstanciando a realidade do autor (há elementos da minha própria vida no interior da narrativa), o ser intemporal queEternus representa. Como símbolo da eterna renovação da vida, é não mais que o acto de me transcender a mim próprio, reatando a sequela de Eternus aos 72 anos de idade do autor, metade do meu tempo de vida, note-se. Assim, neste instante reinicio o ciclo da minha própria renovação."

Victor Mesquita


Pranchas de Eternus 9 - A Cidade dos Espelhos (clicar nas pranchas para as ver em tamanho real)


Victor Mesquita em Sessão de autógrafos no 21º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora 2010
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As imagens das pranchas e das fotos acima, são da responsabilidade do Kuentro.
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JL-Jornal de Letras, Artes e Ideias, Quinta feira, 17 de Fev de 2011

ESPELHOS

João Ramalho Santos

Com a certeza que dão os rescaldos, pode hoje dizer-se que no último Festival AmadoraBD se destacaram três autores nacionais, que dificilmente podiam ser mais distintos. Fernando Bento, pela revisitação de um obra notável. Paulo Monteiro por uma estréia auspiciosa. E Victor Mesquita...

Victor Mesquita é uma figura marcante da banda desenhada nacional desde a altura em que, no período pós-revolucionário de 1975-76, participou na excelente e pioneira revista (de BD...) Visão, da qual viria aliás a ser afastado. Mas a sua fama vem sobretudo do álbum (iniciado na Visão) “Eternus 9: Um filho do Cosmos”, que sintetizava várias influências da BD francófona da época num misto de ficção científica e misticismo, com padrões de qualidade formal (planificação, traço, rigor anatómico, cor) muito elevados para a época, e transcendendo por completo a realidade nacional. Um filho do Cosmos foi um livro prometedor e, em simultâneo, é uma obra crucial na história da BD portuguesa, pela construção e projecção.

Estas duas coisas não são equivalentes: apesar das suas qualidades o livro tinha o potencial de lançar uma carreira para outros patamares, algo que acabou por não suceder. Daí ser lícito encarar o novíssimo “Eternus 9: A cidade dos espelhos” (Gradiva) com um misto de interesse e desconfiança.

Não é útil olhar para este livro como aquilo que não é. A personagem Eternus 9 não regressa, não há de resto qualquer herói, nenhuma história no sentido clássico. O que é tanto mais fascinante quanto essa parece ser, à primeira vista (formato, estilo gráfico, ritmo narrativo) a filiação clara do livro. O que há então? Há a angústia extrema de um autor com talento, ego e nome. Um autor cujo verdadeiro regresso (após vários projectos curtos) deixou de ser aguardado, porque aguardado há demasiado tempo. Um autor que cultivou espetativas e assinou contratos. Um autor perdido no seu universo. Um autor com muitas ideias, demasiadas pistas. Um autor que não sabe bem o que há-de fazer.

Se em termos de referências bedéfilas o misticismo cósmico de Jodorowsky e Moebius substitui a influência de Druillet no livro anterior, é o Fellini de 8 1/2 que espreita. Um criador a preencher páginas com fragmentos inacabados à espera que surja uma síntese, uma inspiração, qualquer coisa. A (leve) ficcionização em termos de identidades, ou o facto de estarmos num mundo de ficção científica, não esconde o óbvio. Não estamos nada, como o próprio título sugere estamos na cabeça de Victor Mesquita, assistimos na primeira fila enquanto luta com demónios pessoais e criativos. Apesar de um disfarce operático, o tom faz uma ponte surpreendente com talentosos autores de BD mais confessional e autobiográfica, por vezes com os mais frágeis (John Porcellino, Madison Clell), por vezes com os mais confiantes (Fabrice Néaud, Joe Matt, Chester Brown), sendo essa a essência do conceito de EmovisionBD proposto pelo autor. A vulnerabilidade permite contextualizar textos grandiloquentes e referências pseudo-científicas forçadas (curiosamente numa editora que trabalha essa vertente), dá ao leitor um escape para não levar tudo a sério, a não ser no sentido em que reflecte uma viagem interior, e mostra porque Mesquita não foi o autor que “Um filho do Cosmos” antevia. O livro caminha miraculosamente no fio da navalha do "camp" sem cair.

A junção do estilo grandioso com a fragilidade do autor torna pois “A cidade dos espelhos” uma das obras mais surpreendentes de que há memória. Desconfia-se que o livro resulte de uma colagem/revisitação de material com diversas origens, interesses e épocas, retocado com um bom trabalho digital, coalescido. Dada a genealogia da obra, o percurso do autor e a vontade do editor, desmontar esta génese improvável parece quase uma obrigação do próximo AmadoraBD. Por outro lado, anuncia-se novo volume de Eternus 9. Só se espera que não constitua aquilo que se temia que este fosse e não foi: um regresso marcado pela auto-satisfação, feito de certezas. Mas Victor Mesquita já assinou duas obras marcantes para a BD nacional, uma lançando pistas e apontando caminhos em potência, outra explicando porque não foram seguidos. Nada deve a ninguém.

Eternus 9: A cidade dos espelhos. Texto e desenhos de Victor Mesquita. Gradiva, 140 pp., 25 Euros.

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domingo, 27 de Fevereiro de 2011

BDpress #232: O REGRESSO DE ETERNUS 9 (J.M.Lameiras no Diário “As Beiras") e PORTUGUESES DESENHAM SUPER-HERÓIS DA MARVEL (Pedro Cleto no Jornal de Notícias)


Diário “As Beiras”, 27 Fevereiro 2011

O REGRESSO DE ETERNUS 9

João Miguel Lameiras

Mais de 30 anos depois da publicação de “Um Filho do Cosmos”, Eternus 9, a mítica criação de Victor Mesquita, regressa com “A Cidade dos Espelhos”, segundo volume de uma anunciada trilogia de ficção científica, género de que Mesquita é um dos raros cultores em Portugal.

Definido pelo próprio Mesquita, como “um portal caleidoscópico para um mundo cujo coração é Lisboa, após a guerra nuclear que transfigurou a face do Planeta e fragmentou a Lisboa de hoje até quase não se poder reconhecê-la, mas onde continuam as referências que a distinguem”, a “Cidade dos Espelhos”, mais do que o regresso de Eternus 9, é o regresso de Victor Mesquita, aqui na dupla função de autor e personagem da sua própria história.

O primeiro álbum, cuja publicação se iniciou em 1975 na revista “Visão” (a de BD, não a de informação que ainda hoje se publica) de que Mesquita foi fundador e director, tendo sido publicado em álbum em 1979, com direito a edição em França pela Lombard, no ano seguinte, é filho do seu tempo, estando na linha do que melhor se fazia em revistas como a Pilote e Metal Hurlant, com Victor Mesquita a emprestar um fôlego épico ao seu traço, só com paralelo nos delírios cósmicos e arquitecturais de Philippe Druillet, autor com quem a crítica francesa (e não só…) não deixou de o comparar. Mas além do desenho espectacular e da arrojada planificação, sem equivalente em termos da BD nacional, “Eternus 9” era uma história plena de simbolismo e perfeitamente circular, e que, por isso mesmo, não precisava de continuação.

Essa continuação, tantas vezes anunciada pelo próprio, mas que já poucos esperavam, surgiu finalmente em finais de 2010, lançada de forma (demasiado) discreta, no último Festival da Amadora. E se a sombra de Eternus 9 se mantém imutável, apesar da sua presença ser bastante mais simbólica do que efectiva, a verdade é que a meio da história o leitor é levado para o outro lado do espelho, em que Eternus 9 dá lugar a Victor Mesquita, numa narrativa com claros contornos autobiográficos sobre o processo de criação do livro que estamos a ler. E nesta segunda parte, que é mais uma continuação de “O Sindroma de Babel” (veja-se a cidade de Olissipólis, ou os cães bicéfalos), uma história curta publicada em álbum em 1996, pelo Festival da Amadora, a presença de Eternus 9 está quase reduzida às maquetes que enchem o estirador de Vick Meskal/Victor Mesquita, cedendo lugar ao autor cheio de dúvidas e inquietações, em luta com uma história que ganhou vida própria que, como bem lembrou João Ramalho Santos, remete para o filme “8 ½” de Federico Fellini, paradigma máximo do filme sobre o autor em crise de inspiração.

Embora respeitando vagamente os cânones da ficção científica, sobretudo em termos estéticos, “A Cidade dos espelhos” é uma obra inclassificável, cujo principal fascínio vem precisamente da forma como o autor explora criativamente as suas dúvidas e complexidades, num complexo jogo de espelhos, mais próximo da Banda Desenhada autobiográfica.

Quanto à excelente edição da Gradiva, padece do mesmo problema da reedição de “Um Filho do Cosmos”, o preço demasiado elevado para a bolsa dos portugueses que, aliado à escassa divulgação, impedirá mais leitores de descobrirem este (tão feliz quanto inesperado) regresso de Victor Mesquita.

(“Eternus 9: A Cidade dos Espelhos”, de Victor Mesquita, Gradiva, 98 páginas, 25 euros)

Contracapa e capa de ETERNUS 9 - A CIDADE DOS ESPELHOS

Capa de ETERNUS 9 - UM FILHO DO COSMOS
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Jornal de Notícias 27 Fevereiro 2011

PORTUGUESES DESENHAM SUPER-HERÓIS DA MARVEL

F. Cleto e Pina

Lançados em meados de Fevereiro nos Estados Unidos, chegam no início de Março, às lojas nacionais especializadas em banda desenhada importada, dois comics de super-heróis com participação portuguesa na sua autoria.

Um deles é o primeiro dos quatro números previstos de “Onslaught Unleashed”, que fica como a primeira mini-série desenhada por um artista português, no caso Filipe Andrade. Esta narrativa de Sean McKeever, um argumentista de primeira linha, que reúne o Capitão América, a Mulher-Aranha e alguns dos X-Men em novo confronto com o vilão Onslaught, conta com outro português na sua ficha técnica, Ricardo Tércio, como responsável pelas cores da publicação. Como é normal em projectos de alguma relevância da Marvel, foram feitas tiragens com capas alternativas, desenhadas por dois grandes autores da Casa das Ideias, Humberto Ramos e Rob Liefeld.

Ao mesmo tempo, chegará também “Marvel Girl #1”, uma história completa de Josh Fialkov, desenhada e colorida por Nuno Plati Alves, que narra como os poderes psíquicos da mutante Jean Grey se manifestaram após o seu namorado falecer num acidente automóvel, sendo necessária a intervenção do professor Xavier, dos X-Men, para a ajudar a controlá-los.

Entretanto, Nuno Plati Alves que, tal como Filipe Andrade, tem multiplicado as suas colaborações com a Marvel, terminou recentemente uma história curta do Homem-Aranha, estando agora a trabalhar num one-shot com o mesmo herói. A BD, de 8 páginas, será incluída na revista “Amazing Spider-Man” #657, em que, na sequência do recente desaparecimento do Tocha Humana, várias personagens evocam episódios que partilharam com aquele membro fundador do Quarteto Fantástico.

A participação de autores portugueses em revistas Marvel, que tem vindo a crescer nos últimos anos, geralmente leva a uma maior procura desses títulos nas lojas portuguesas, como aconteceu na Mundo Fantasma, no Porto, com “Onslaught Unleashed” e Marvel Girl #1, revelou ao JN Vasco Carmo.

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As imagens são da responsabilidade do Kuentro, com excepção da primeira, publicada no Diário "As Beiras"
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quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011

BDpress #231: CASA-MUSEU DE CORTO MALTESE INAUGURADA EM VENEZA

Abriu, ou vai abrir, a Casa-Museu de Corto Maltese, em Veneza. Aqui ficam recortes das notícias, no Diário de Notícias e do El País online, este porque o texto é mais completo, apesar do castelhano... Ainda não há fotos.


Diário de Notícias, 23 fevereiro 2011

CASA-MUSEU DE CORTO MALTESE INAUGURADA EM VENEZA

via Lusa

A personagem de banda desenhada Corto Maltese, o capitão maltês aventureiro, criado pelo autor italiano Hugo Pratt, já tem direito a uma casa-museu, que inaugurou esta semana em Veneza.

Tal como Tintin está associado a Hergé e Astérix a Uderzo e Goschinny, Corto Maltese é tão ou mais conhecido que o seu próprio autor, e merece agora um espaço naquela cidade italiana, onde Hugo Pratt passou a infância.

La Casa di Corto tem um espaço dedicado a Hugo Pratt, com um conjunto de fotografias a preto e branco, incluindo retratos do artista no estúdio e em casa, e acolherá em breve a biblioteca pessoal do artista italiano. Estão ainda expostas aguarelas, esboços, desenhos e alguns objectos associados às histórias que Hugo Pratt criou e ligados ao universo pessoal do autor e às viagens que fez pelo mundo.

Mais do que um museu, a Casa de Corto Maltese pretende ser um laboratório, um espaço para dar a conhecer quem gosta de fazer banda desenhada e gosta de aventura, tal como o capitão de mar criado por Hugo Pratt.

Foi por isso que a direcção da casa-museu incluiu a presença e a participação de Guido Fuga e Lele Vianello nas actividades do espaço, dois colaboradores de longa data de Hugo Pratt.

Hugo Pratt, aqui com o original da primeira capa da revista Sgt. Kirk

Hugo Pratt nasceu em Rimini, passou a infância em Veneza e mudou-se em finais dos anos 1940 para Buenos Aires, na Argentina, onde trabalhou com Héctor Oesterheld, um dos maiores nomes da banda desenhada mundial. Nas décadas seguintes, Pratt viajou várias vezes entre os dois lados do Atlântico, até que no final da década de 1960, já em Itália, cria uma publicação - Sgt. Kirk - onde apresentou em 1967 o capitão Corto Maltese, de longa jaqueta militar preta e brinco de ouro na orelha esquerda, em "Balada do Mar Salgado". Depois dessa novela gráfica, Hugo Pratt desenvolveu histórias poéticas, literárias, utópicas que serviram de inspiração para as gerações seguintes e colocaram a banda desenhada num patamar artístico acima da cultura popular. Hugo Pratt ainda viveu em França, viajou e morreu na Suíça, em 1995, aos 68 anos vítima de cancro. "Os escorpiões do deserto", "As Célticas", "Corto Maltese na Sibéria" e "Mu - A cidade perdida", são algumas novelas gráficas protagonizadas por Corto Maltese.
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Esta micro biografia de Pratt, foi publicada juntamente com a notícia.
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El País, 21 Fevereiro 2011

CORTO MALTÉS ABRE CASA EN VENECIA

Milena Fernández - Venecia - 21/02/2011

Ayer se inauguró el museo dedicado al personaje creado por Hugo Pratt - El espacio pretende ser un centro experimental para los amantes del cómic

Corto Maltés ha decidido sentar la cabeza e instalarse en Venecia, la ciudad que vio crecer a su creador, Hugo Pratt. En el barrio popular donde se ubica la casa, los niños juegan en la calle y abundan las librerías de viejo. La nueva dirección del marino melancólico es Río Terrá del Biri, 5394/B, Cannaregio 30121.

Tras cruzar un pesado portón de madera, se llega a un jardín que parece haber salido de un cómic de Pratt: sobre un muro hay incrustadas piedras antiguas que representan cabezas de soldados, diablos, leones, y otras decoraciones raras y exóticas.

La nueva morada de Corto Maltés, que abrió sus puertas ayer, es una casa museo, que pretende no solo dar a conocer las experiencias y secretos del culto marino maltés, sino también convertirse en un laboratorio para los amantes de los tebeos y todos aquellos que andan en busca de una dosis de aventura. Su apertura coincide con la inauguración del famoso carnaval, que transforma las calles de Venecia en un desfile de máscaras y trajes de la gloriosa época de la Serenísima.

Manuela Marchesani, de 45 años, publicista de profesión, es la madre y directora de la nueva criatura. Hoy más que nunca, afirma, "necesitamos personajes valientes como Maltés. Sobre todo, los jóvenes. En Italia no cuentan con verdaderas posibilidades de trabajo. Los contratos son siempre precarios y sin dinero no pueden realizar sus sueños. Este será un espacio para que los chicos y chicas regresen a sus hogares más atrevidos que antes. Intenta ser un lugar donde aprendan cosas útiles. Un espacio donde se puede crecer", enfatiza.

Manuela es una mujer de armas tomar. Se inspiró en la casa museo de Sherlock Holmes, en Londres, pero lo que realmente la impulsó a dar vida al proyecto fueron los alumnos del taller de artesanía de sus hijos, en una de cuyas paredes cuelga un afiche de Corto Maltés. "La gente pasaba por el lugar y se hacía fotos delante de la imagen de Corto. Un día pensé que se podía dar vida al personaje de una forma más intensa". Y, como no podía ser menos, en la construcción de esta aventura, embarcó a Guido Fuga y Lele Vianello, habituales colaboradores de Hugo Pratt.

El viejo lobo de mar viajó por África, Malasia, Sudamérica, Asia. En todos los lugares, Maltés dejó una huella de su rebeldía y su gran cultura. La ciudad de los canales es uno de los sitios inmortalizados en los tebeos del marinero. En El ángel de la ventana de Oriente y Fábula de Venecia, Corto asume el comportamiento de un veneciano.

Y en la vieja urbe véneta es donde ayer comenzó el último viaje al universo de Corto. Decorada con muebles de los años sesenta del siglo pasado, la primera sala de la casa museo dedica un importante espacio a Hugo Pratt (Rimini, Italia, 1927 - Lausana, Suiza, 1995). Cuelgan de los muros una docena de fotos en blanco y negro del artista, retratado mientras dibuja en su estudio, en la casa de Malamocco. Próximamente llegará una colección de libros de la biblioteca personal del artista.

La segunda sala ha sido dedicada a la figura del pirata. Hay reproducciones de dibujos, acuarelas del marinero y algunos objetos a él asociados: en primer plano una silla de mimbre, como en la que aparece en tantas viñetas. En otro apartado, objetos que lo ligan con Pratt: libros, tocadiscos, muebles coloniales, veleros antiguos, fósiles brasileños, una campana tibetana, estatuas francesas. La ambientación recuerda los viajes y las aventuras de Maltés y Pratt.

Otras dos salas han sido preparadas para albergar los laboratorios de diseño gráfico. En ellos impartirán clases diversos artistas del cómic, entre ellos, Fuga y Vianello. Podrán participar en ellos tanto personas iniciadas en la materia como principiantes. El ingreso será gratuito para quienes superen una prueba de habilidad. "Los niños de seis a 10 años no pagarán si resuelven un misterio. Necesitamos dar a los chicos un sentido de aventura", comenta Marchesani. La misma estrategia vale para los adultos, que viven inmersos en un "gran analfabetismo emocional".

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terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011

EXPOSIÇÕES DE BANDA DESENHADA, ANIMAÇÃO E CARTOON

ÀS QUINTAS FALAMOS DE BD
NO CNBDI

No próximo dia 24, pelas 21h00, no CNBDI, Luis Salvado apresenta o livro E TUDO FERNANDO BENTO SONHOU, de João Paulo de Paiva Boléo, livro realizado a partir da investigação feita para a exposição comemorativa do centésimo aniversário de Fernando Bento,.e que esteve patente ao público no 21º AmadoraBD.

Esta iniciativa insere-se no programa de encontros Às Quintas Falamos de BD, que o CNBDI levará a cabo até Maio, todas as últimas quintas-feiras de cada mês, sempre às 21h00.

Na próxima 5ª feira convidamo-lo a tomar café connosco:

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MONSTRA volta a trazer ao Museu da Marioneta os bastidores do cinema de animação

A partir da próxima quinta-feira, dia 24 de Fevereiro, cenários e marionetas dos filmes “Toile de Front/Fire Waltz” de Marc Ménager e Mino Malan e de “Dodu” de José Miguel Ribeiro vão estar no Museu da Marioneta, em Lisboa, para uma viagem diferente ao fantástico mundo da animação.

Na edição de 2011, a MONSTRA apresenta marionetas e cenários do filme francês “Toile de Front/Fire Waltz”, do realizador Marc Ménager e do compositor Mino Malan. Tendo como tela de fundo a primeira guerra mundial, “Toile de Front/Fire Waltz” parte da história de um grupo de soldados melómanos, que encontram nos "restos da guerra" materiais para fabricar instrumentos musicais e criar um agrupamento que dá esperança à sua missão e aos seus camaradas de “armas”. O conjunto de marionetas e os espaços cénicos, construídos com a ajuda de plasticina, são de uma expressividade e construção fabulosas.

Em simultâneo, a Monstra apresenta no Museu da Marioneta os bastidores da nova criação do prestigiado animador José Miguel Ribeiro, “Dodu” (2010), uma série de animação para crianças em 78 episódios de 5 minutos cada, vivida num mundo construído apenas de cartão reciclado, uma técnica já habitual nos filmes do realizador. Dodu é uma criança de cartão sensível ao mundo hostil em que vive, que gosta de brincar e de sonhar. De cada vez que arranha o seu caixote, Dodu tem sonhos tão bonitos que o levam (e a nós também) aos lugares mais fantásticos a que ele e a sua incansável imaginação chegam.

Inauguração 24 de Fevereiro, às 18h30. Exposição patente de 25 de Fevereiro a 30 de Abril:

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CARTOONS DE 2010

Inaugura no próximo sábado, 26 de Fevereiro às 18h a exposição (e lançamento do livro) "CARTOONS DE 2010" no Celeiro da Patriarcal em Vila Franca de Xira.

É uma iniciativa que todos os anos reune o trabalho dos cartoonistas António, Cid, Maia, António Jorge Gonçalves, Cristina Sampaio e André Carrilho.

Este ano contamos ainda com a presença do icónico cartoonista Wilhem que também terá exposição e livro editado.

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segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011

LANÇAMENTOS EDITORIAIS 2011: ASA E PÚBLICO LANÇAM "OS INCONTORNÁVEIS DA BANDA DESENHADA"

OS INCONTORNÁVEIS DA BANDA DESENHADA

A partir de 2 de Março, o jornal O Público, em co-edição com as Edições ASA, irá lançar uma nova colecção de BD em 12 volumes. Esta, será uma série de álbuns duplos (um simples mas de 90 páginas e um triplo) em capa mole, de grandes autores ou colecções de banda desenhada franco-Belga. O primeiro volume custará € 7,40 – que será eventualmente também o preço dos seguintes...

1 – VALÉRIAN E LAURELINE
Christin – Mézières
– À Beira do Grande Nada
– O Abretempo

2 – O GATO DO RABINO
Joann Sfarr
– O Bar-Mitzvá
– O Malka dos Leões
– O Êxodo

3 – XIII MISTERY
R. Mayer – X. Dorison
e P. Berthet – Corbeyran
– O Mangusto
– Irina

4 – ADÈLE BLANC-SEC
Tardi
– O Sábio Louco
– O Demónio dos Gelos

5 – O BUDA AZUL
Cosey
– Tomo 1
– Tomo 2

6 – I.R.$
Vrancken – Desberg
– A Investigação
– A Estratégia Hagen

7 – MURENA
Dufaux – Delaby
– A Melhor das Mães
– Os que vão Morrer…

8 – MAX FRIDMAN
V. Giardino
– Rapsódia Húngara


9 – EM BUSCA DO PÁSSARO DO TEMPO
Le Tendre – Loisel
e Lidwine – Aouamri
– O Amigo Javin
– O livro dos Deuses Antigos

10 – LARGO WINCH
Philippe Francq – Jean Van Hamme
– A Fortaleza de Makiling
– A Hora do Tigre

11 – O VAGABUNDO DOS LIMBOS
Godard – Ribera
– A Fissirmã de Musky
– O Templo dos Oracles

12 – O ASSASSINO
Jacamon – Matz
– A Dívida
– Laços de Sangue


E, para não estar a sacar textos ao Bongop, sugiro que leiam o que ele escreve no blogue Leituras de BD sobre estes lançamentos Asa/Público. Mas, para complementar o que Bongop escreve sobre o álbum MAX FRIDMAN – RAPSÓDIA HUNGARA, de Vittorio Giardino, de quem a Asa já publicou EVA MIRANDA (com argumento de Barbieiri) em 2005, tendo Giardino nesse ano, uma bela exposição no FIBDA, diria que Max Fridman é uma série de espionagem, no contexto pré II Guerra Mundial, inicida em 1981 para a revista Orient Express. Lembro-me de ler algumas pranchas na Vecu...

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domingo, 20 de Fevereiro de 2011

BDpress #230: REGRESSO AO ARMAZÉM CENTRAL, João Miguel Lameiras em Diário “As Beiras” + 4 LIVROS PORTUGUESES NO SITE DE PAUL GRAVETT, Pedro Moura em LerBD + EXPOSIÇÃO BD DE CARLOS PÁSCOA EM BEJA


Diário “As Beiras”, 20 Fevereiro 2011

REGRESSO AO ARMAZÉM CENTRAL

João Miguel Lameiras

Aos poucos, as edições Asa começam a retomar a publicação de algumas séries que pareciam ter ficado pelo caminho. A última a ter essa sorte, foi “Armazém Central”, de Loisel e Tripp, de que acaba de sair o terceiro volume. A série, que Loisel, numa entrevista, define como “uma comédia à Frank Cappra (…) com um ambiente próximo das pinturas de Norman Rockwell”, passa-se emNotre-Dame-des-Lacs, uma aldeia perdida no Quebeque dos anos 20 do século XX, cujo dia-a-dia vai ser alterado quando a jovem viúva Marie Ducharme decide tomar conta sozinha do Armazém Central que era do seu falecido marido.

Curiosamente, a série acabou por ser mais notícia em França pelo facto de Loisel e Tripp trabalharem o desenho a meias, com Loisel a encarregar-se do desenho a lápis e Tripp a passar a tinta. Algo perfeitamente vulgar nos comics das grandes editoras americanas, onde o mais habitual é haver uma clara separação de tarefas, com um argumentista, um desenhador para o lápis e outro para a arte-final (passagem a tinta), um colorista e um responsável pela legendagem, muitas vezes com cada um numa cidade diferente, cabendo ao editor coordenar toda essa gente, mas que para a BD franco-belga é suficientemente exótico para justificar o destaque que a editora dá ao facto, incluindo duas páginas no início do álbum em que se explica o peculiar (para os franceses) método de trabalho.

Na origem desta colaboração em moldes poucos habituais para a BD franco-belga, está o facto dos dois autores partilharem o mesmo Atelier em Montreal, no Canadá, o que lhes permitiu descobrir que eram complementares, ou nas palavras de Tripp, que “um desenhador virtual, que fosse uma mistura dos dois, desenharia com muito mais prazer, sem esforço”. Com efeito, Loisel adora o desenho a lápis e aborrece-se mortalmente na fase de passar a tinta, enquanto que Tripp é exactamente ao contrário e, ao conseguirem que cada um faça apenas aquilo que mais gosta, conseguem produzir a um ritmo nada habitual no mercado francês, de tal modo que em pouco mais de três anos já são cinco os álbuns publicados nesta série, inicialmente pensada como uma trilogia e que, até ver, irá ter pelo menos seis álbuns…

Se em termos de ambiente a coisa funciona muito bem, com os autores a traçarem um conseguido retrato nostálgico da vida no campo nessa época, a verdade é que o ritmo narrativo é contemplativo e bastante lento, apesar das coisas aquecerem um pouco neste 3º volume, com os homens a regressarem à aldeia e a reagirem mal à presença de Serge Brouilet, um estrangeiro vindo de Montreal que abriu um restaurante nas traseiras do Armazém Central. E se a tensão que este novo elemento introduz na relação de Marie com o resto da aldeia, está muito bem explorada, sequências como a do aniversário de Gaetan, o típico tolo da aldeia, em nada contribuem para o avançar da história, nem funcionam tão bem como as brincadeiras entre um cachorro, um gatito e um pato que decorrem em segundo plano, em paralelo à acção principal.

(“Armazém Central 3: Os Homens, de Loisel e Tripp, Edições Asa, pags, 15,50 €)

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LerBD, 20 de Fevereiro de 2011

Pedro Moura

4 LIVROS PORTUGUESES NO SITE DE PAUL GRAVETT

A convite do jornalista, divulgador, crítico de banda desenhada e director do festival Comica, no Reino Unido, Paul Gravett, escrevemos umas breves notas sobre quatro livros portugueses, que poderão ser vistos (sem detrimento de outros muitos trabalhos possíveis de discutir) como alguns dos melhores trabalhos feitos em banda desenhada em Portugal no ano de 2010. For all that it's worth, aqui fica o link directo.


Portugal
Selected by Pedro Moura
Pedro Moura (Lisbon, 1973) teaches, studies and writes about comics, along with other unhealthy habits.



O Amor Infinito que Te Tenho
[The Infinite Love I Have for You]
by Paulo Monteiro
Polvo
A collection of many short stories, both published and unpublished, with genres spanning the fantastic and the autobiographical, and with a black and white work that goes from gentle graphite line drawings to stark chiaroscuros, the main characteristic of Monteiro’s work is the powerful emotions it is able to ellicit and express. Love for family members, his lover and humanity in general are the object of these small pieces, but it’s not as touchy-feely as you might expect. In some respects, one could call these stories love letters addressed to real people that surround Paulo Monteiro’s life, and as we peer into them we also come to engage with what makes us humans: flawed, fragile things who should take joy out of every blissful moment we have in our lives, no matter how small.


O Pénis Assassino
[The Killer Penis]
by Janus
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Janus is a Porto-based brute force of comics and animation-making. Working alone for no glory, mostly in photocopied fanzines, it was only due to an independent and maniac publisher that his work would be compiled and published in book form. He is mostly known for a previous project, somewhat autobiographical, in which all the characters were depicted as ugly monkeys. This is a book that he did years ago but only now found an opportunity to have published. It is the portrait of a young man who discovers that every time he ejaculates, he kills the women he’s with. He tries to avoid it and is consumed by guilt, but strange twists and turns, under the influence of what one could call a witch, lead him always to terrifying deeds. In many aspects, as in his previous work, there is quite probably a very strong yet disguised autobiographical penchant. Catholic upbringing, sexual experiences and too many comics bring into formation this weird tale (Binky Brown meets The Killer Condom, perhaps).


Hans: O Cavalo Inteligente
[Hans, The Intelligent Horse]
by Miguel Rocha
Polvo

Based on a play by contemporary stage director Francisco Campos, based in turn on the real-life case known as ‘Der kluge Hans’ or ‘Clever Hans’, a horse owned and presented by phrenologist W. von Osten, this books brings up questions of wishful thinking, the boundaries and similarities between humans and animals, the limitations of intelligence and emotionality, at the same time as presenting an incredible complex family saga. Miguel Rocha is one of Portugal’s most accomplished artists in the comics medium, and a rare case of being able to put out at least one graphic novel a year (sometimes more). His works are always very distinct from each other, searching for specific ways of being tuned in to its specific purpose and ambience, changing tools and forms in order for the best expression possible. Rocha works mainly with digital means today, and this book is made up of black and white, somewhat static images presenting its characters in full-length shots, as if pretending to be as close as possible to both early 20th century group photography and theatre. This does not mean that Rocha’s customary experimental page compositions, free explorations and many exercises in tressage or braiding (mostly using symbols, abstract marks, graphic details that are used over and over), are absent, but Hans does indeed aim for a subdued atmosphere, the better to explore the unspoken yet intense feelings thundering inside the protagonist’s soul.


A Fórmula da Felicidade 2
[The Formula for Happiness Vol 2]
by Nuno Duarte & Osvaldo Medina
Kingpin Books

This is perhaps the most commercial project in this list, although it issues from a smaller platform with limited runs. Written by a professional scriptwriter and drawn by a respected animator, this is something that attempts to mimic professional, international modes of comics creation, and it attains the same level of quality, without forgetting local lore and culture. Using anthropomorphised animals as characters, and a strange mix of casual yet legible line work and suave colouring, this is the story of Victor, a school teacher prone to failed relationships, who comes up with a mathematical formula, which, when read, brings about an ineffable feeling of happiness to those who hear it. This will bring him the status of a guru, providing him with a momentary, artificial sense of accomplishment and happiness too, but it’s all too fleeting when he faces a deeper, truer part of his being. Ascension, fall, redemption. All the ingredients for a universal tale, disguised in furry forms.
Posted: February 13, 2011

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Para terminar aqui fica o cartaz da Exposição "Banda Desenhada e Ilustração - Carlos Páscoa" que inaugurou ontem na Bedeteca de Beja - Casa da Cultura.

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quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2011

BDpress #229: Pedro Cleto no Jornal de Notícias - OS 75 ANOS DO FANTASMA E TRUE GRIT EM COMICS


Jornal de Notícias, 17 de Fevereiro de 2010

FANTASMA, O ESPÍRITO QUE CAMINHA HÁ 75 ANOS

F. Cleto e Pina

Passam hoje 75 anos sobre a estreia no New Yorker American Journal das tiras diárias de The Phantom, popularizado em Portugal como Fantasma. Seria no entanto necessário aguardar uma semana para conhecer o primeiro herói dos quadradinhos com identidade secreta, oculta por uma máscara nos olhos, um fato justo de cor roxa e as cuecas por fora.

Apesar disso, o Fantasma não tinha super-poderes, que entrariam na BD apenas um par de anos mais tarde com o Superman, servindo-se da força, da agilidade física e do seu aspecto amedrontador para derrotar gangsters e tiranos, que marcava para sempre com o seu anel da caveira. E ainda da lenda que o afirmava imortal, contando mais de 400 anos, sendo por isso conhecido como “o espírito que caminha” ou “o homem que nunca morre”.

Na verdade, este Fantasma inicial era apenas o 21º de uma longa linha sucessória, iniciada em 1526 por um aristocrata inglês que, naufragado na costa africana na sequência de um ataque de piratas Singh, jurou consagrar a sua vida e a dos seus descendentes a combatê-los.

Imaginado por Lee Falk, que dois anos antes criara o mágico Mandrake, o Fantasma inicialmente foi desenhado por Ray Moore, sucedendo-lhe Wilson McCoy e Sy Barry. À tira diária juntar-se-ia uma prancha dominical colorida, em Maio de 1939, ano em que também se estreou em revista autónoma. Actualmente, as tiras diárias são escritas por DePaul e desenhadas por Paul Ryan.

Na sua primeira aparição o Fantasma salvava de apuros a bela Diana Palmer, que seria sua noiva durante mais de meio século, até finalmente casarem, em 1977. Guran, chefe dos pigmeus Bandar, Diabo, o cão-lobo, Herói, o cavalo branco e a Patrulha da Selva, são outras personagens recorrentes desta banda desenhada.

O Fantasma habita a Caverna da Caveira, na fictícia selva de Bengala, de onde parte para os mais exóticos destinos para combater o crime e a opressão, tendo mesmo participado na II Guerra Mundial, contra invasores japoneses.

O sucesso da BD, fez com que fosse levada ao cinema em 1943, com Tom Tyler como protagonista, papel que coube a Billy Zane, num filme de má memória de 1996. Na televisão apareceu em 1986, numa série animada futurista, integrando os Defensores da Terra, juntamente com Flash Gordon, Mandrake e os respectivos filhos (!). No ano passado, uma mini-série interpretada por Ryan Carnes, narrou a iniciação do 22º Fantasma.

Em Portugal, a estreia do herói deu-se em 1952, na revista Condor, tendo depois passado pelo Mundo de Aventuras, Audácia, Jornal do Cuto e até por títulos próprios. A título de curiosidade, refira-se que foi desenhado pelo português Eliseu Gouveia (Zeu), nos números #20 e #26 da edição da Moonstone Books, em 2007/08.

Nota do Kuentro: Este texto (um pouco mais alargado) pode ser lido no blogue do autor: As Leituras do Pedro onde se mostram também imagens diferentes das que apresentamos abaixo. Confiram!


Prancha dominical de The Phantom desenhada por Ray Moore (28 Maio 1939)

Prancha de Paul Ryan, com argumento de Tony DePaul (2010)

Capas da DC Comics (1989) e da Moonstone Books (2003)
Cartaz e foto promocional do filme de 1943, com Tom Tyler

Cartaz e fotos do filme de 1996, com Billy Zane


Capas de edições portuguesas

Capas do #20 e do #26 desenhadas por Eliseu Gouveia (Zeu). De referir que a capa do #26 é diferente  da que Pedro Cleto apresenta no seu blogue As Leituras do Pedro, que é, aliás, bem melhor que esta. Comparem!
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Jornal de Notícias, 17 de Fevereiro de 2011

TRUE GRIT, A BANDA DESENHADA

F. Cleto e Pina

A tempo da estreia europeia, a Paramount disponibilizou há dias uma banda desenhada promocional inspirada numa das cenas-chave da película dirigida pelos irmãos Cohen, que introduz o universo do filme, em particular dando a conhecer o carácter do Marshall Rooster Cogburn (Jeff Bridges).

O seu autor é o britânico Christian Wildgoose, que revelou que tudo começou quando editou no seu blog um sketch da personagem de Bridges, feito após o visionamento do trailler do filme. De alguma forma a imagem chegou às mãos de um responsável da Paramount que o convidou para fazer a BD.

Agora, estão disponíveis online (http://www.truegritmovie.com/intl/uk/dimenovel/ ) duas dúzias de pranchas, apenas a preto e branco (e cinzento para realçar os volumes), nas quais Cogburn narra em tribunal como encontrou duas vítimas dos irmãos Wharton e partiu em sua perseguição. O traço de Wildgoose, duro e agreste, é ideal para o tom duro e violento da trama e para retratar o cenário em que ela decorre, deixando sem dúvida o leitor desejoso de conhecer o resto da história…

Apesar de “incompleta”, esta BD encontra-se nomeada para os Eagle Awards, nas categorias de Melhor BD Britânica a Preto e Branco e Melhor Legendagem.

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Imagens da responsabilidade do Kuentro
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NOTA DO EDITOR DO KUENTRO: LEIAM AQUI EM BAIXO OS COMENTÁRIOS DE LEONARDO DE SÁ EM RELAÇÃO AO RECORTE SOBRE O "FANTASMA"!!! 
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