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sábado, 9 de junho de 2012

CIRANDARA – EXPOSIÇÃO DE SÓNIA OLIVEIRA NO ESPAÇO ESTÚDIO – EM NISA – DE 9 DE JUNHO A 31 DE AGOSTO




CIRANDARA
EXPOSIÇÃO DE SÓNIA OLIVEIRA 
NO ESPAÇO ESTÚDIO – EM NISA
DE 9 DE JUNHO A 31 DE AGOSTO 

Entre 9 de junho e 31 de agosto, vai estar patente ao público no Espaço Estúdio, em Nisa, uma exposição de originais de banda de desenhada de Sónia Oliveira, intitulada “Cirandara”.

Natural de Lisboa, onde vive e trabalha, Sónia Oliveira tem desenvolvido ilustração e banda desenhada desde 2004, com colaborações nas edições Nelson de Matos, (realizando para esta editora as ilustrações de capas de autores como José Cardoso Pires e Pepetela), revista Inútil e panfleto cultural Migalhas. Durante uma estadia de dois anos em Glasgow, desenvolveu a sua linha de trabalho actual e algumas das suas bandas desenhadas mais importantes, tendo sido premiada e seleccionada em diversos concursos e contando com participações regulares em vários fanzines e revistas.

A exposição que Sónia Oliveira traz agora a Nisa é inaugurada no dia 9 de junho, às 17 horas, no Espaço Estúdio do atelier do arquitecto João Sequeira, no n.º 122 e 123 da Praça da República, onde pode ser vista até ao final de Agosto.

 Sónia Oliveira no 335º Encontro da Tertúlia BD de Lisboa, de Junho de 2012



prémios*  

Nomeação para Melhor Obra Curta Nomeações IX Troféus Central Comics 2011
Prémio de Menção honrosa no Concurso de BD de Moura [Moura, 2011]
Finalista nos Prémios de Edição para Melhor Projecto Gráfico de literatura com a capa do "Lavagante" da NM [2009]
Selecção para a Aesthetica Creative Works Annual 2009
2º lugar na categoria de amadores do Festival Internacional de BD MFK19 [Łódź 2009]
Menção Honrosa no Concurso de BD Jovens Talentos [Pinhal Novo, 2006]
Menção Honrosa no Concurso de BD de Moura [Moura, 2007]


exposições*  

Pranchas de BD do Concurso de BD de Moura [Moura, 2011]
Pranchas de BD do Concurso de BD Łódź 20MFKiG [Polónia 2009]
Colectiva All-Girlz Galore - XVI Xorñadas de Banda Desenãda de Ourense [Galiza 2009]
Colectiva All-Girlz Galore - 5º FIBDB [Beja 2009]
Pranchas de BD do Concurso Fumetto International Comix [Suíça 2009]
Pranchas de BD do Concurso de BD Łódź MFK19 [Polónia 2008]
Pranchas de BD do Concurso de BD de Moura [Moura, 2007]
Concurso Ilustra_outros Etic [Lisboa 2006]
Pranchas de BD do Concurso de BD do 16º FIBDA [Amadora 2005]


concursos*  

Concurso de BD de Moura [Moura, 2011]
Łódź 20MFKiG [Polónia 2009]
Bolzano Comics [Itália 2009]
Fumetto International Comix [Suíça 2009]
Łódź MFK19 [Polónia 2008]
Concurso de BD de Moura [Moura, 2007]
Concurso Internacional de Ilustração Figures Futur 2006 [França 2006]
Concurso Ilustra_outros Etic [Lisboa 2006]
Concurso de BD Jovens Talentos [Pinhal Novo 2006]
Fumetto International Comix [Suíça 2006]
Prémios AQA [Espanha 2005]
16º FIBDA [Amadora 2005]
Ilustrarte 2005 [Barreiro 2005]

(*) Segundo listagem em Divulgando Banda Desenhada

 Espaço Estúdio do atelier do arquitecto João Sequeira






Com ilustração de Sónia Oliveira

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sexta-feira, 25 de maio de 2012

ANTEVISÃO DA EXPOSIÇÃO JULIO SHIMAMOTO – O SAMURAI DOS QUADRINHOS (2) – NO VIII FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DE BEJA 2012

Imagem de O Ogro - filme em apresentação no Festival de Beja

KEN no MICHI
Trilha da Espada

BDjornaleco #3

O número 1 do BDjornal foi lançado precisamente no primeiro Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, em 2005 – portanto não há volta a dar-lhe, estamos umbilicalmente ligados ao festival de Beja.

No entanto, por motivos vários, este ano o BDjornal – o #29, neste caso e que deveria sair agora no 8º Festival de Beja –, está irremediavelmente atrasado (devido sobretudo à extensão da matéria de homenagem a Jean Giraud – Moebius) e não poderá, pela primeira vez, ser lançado em Beja.

Contudo, dadas as circunstâncias da malfadada “crise” económico-financeira em curso neste país – que levou a que o 8º FIBDB tivesse que ser realizado a partir de um orçamento na base dos quase zero euros –, mas para o qual a organização conseguiu arregimentar diversas bases de apoio de fãs da banda desenhada para o concretizar, foi possível organizar uma exposição nesta edição do Festival, dedicada a Julio Shimamoto, justamente mencionado como o “samurai dos quadrinhos”.

Ora o mestre Shima (como também é conhecido no Brasil), nasceu em 1939, em Borborema (localidadezinha do estado de São Paulo), tem portanto 73 vetustos anos. No entanto, depois de um percurso que o tornou parte integrante da história da banda desenhada brasileira, continua a trabalhar, animado por uma espécie de 4ª juventude, que o leva a experimentar técnicas cada vez mais arrojadas em matéria de desenho. A última das quais é precisamente a “raspagem de fuligem” – ou seja, cobre azulejos com o chamado negro de fumo e depois, a golpes de estilete, raspa a fuligem até ter o desenho pretendido. Trabalha portanto em negativo. Por outro lado, quando realiza desenhos a cores (muitas vezes utilizando tintas de pintar paredes, como o latex) aproveita como suporte materiais que recicla, como páginas de jornais ou de revistas. Daí que o seu estúdio seja conhecido como “a oficina”.

Especializado desde longa data na temática do terror, Shima voltou-se, em determinada altura, para temas da sua ancestral terra – talvez levado a isso pela cada vez mais visibilidade da mangá – abordando desde há uns anos as histórias de samurais.

O BDjornal #28, cujas miniaturas se podem ver aqui ao lado, tem como matéria principal, um texto (delicioso) autobiográfico de mestre Shimamoto, complementado com dez pranchas da história Musashi – baseada na legendária vida de Miyamoto Musashi, (1584-1645), conhecido como o mais famoso samurai de todos os Musashi Sensei e que lutou em mais de 60 duelos sem ser derrotado –, publicada no Brasil em formato álbum, em 2003.

A Pedranocharco Publicações, em parceria com a WMS Editora, do Rio de Janeiro, está a preparar um álbum de Julio Shimamoto, com a história de Musashi – KEN-no-MICHI (Trilha da Espada), a ser lançado em Outubro deste ano, como homenagem a um dos grandes mestres da banda desenhada de língua portuguesa.

E deixamos aqui algumas imagens de KEN no MICHI (Trilha da Espada)








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E vemo-nos amanhã em Beja!!!

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domingo, 15 de abril de 2012

SUSA MONTEIRO – EXPOSIÇÃO EM NISA ATÉ 1 DE JUNHO e PRÉMIO STUART 2011


SUSA MONTEIRO
EXPOSIÇÃO EM NISA

Até 1 de Junho vai estar patente ao público no Espaço Estúdio JS, na Praça da República, em Nisa, uma exposição de ilustração e banda desenhada de Susa Monteiro.

A exposição foi inaugurada a 31 de Março e pode ser vista até 1 de Junho no espaço de exposições temporárias do atelier do arquitecto João Sequeira, no n.º 122 e 123 da Praça da República, em Nisa.
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Susana Philipp Baiôa Monteiro, nasceu em Beja, em Outubro de 1979.

Tem o Bacharelato em Realização Plástica do Espectáculo pela Escola Superior de Teatro e Cinema; Curso de Cinema de Animação do Centro de Imagem e Técnicas Narrativas do Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian e trabalhou em teatro como figurinista e cenógrafa.

Realizou todos os cartazes das sete edições (até agora) do Festival Internacional de BD de Beja (FIBDB) e diversos grafismos para o evento. O FIBDB publicou a sua história A Carga, colecção Toupeira nº4. Realizou em banda desenhada a biografia de cantor/compositor Jorge Palma, para o volume respectivo, que integra a colecção BD Pop-Rock Português. É iustradora no jornal Diário do Alentejo e tem ilustrações e bandas desenhadas nas revistas "Mais Alentejo", "Rodapé", no fanzine "Venham+5" e numa série de outros fanzines e álbuns colectivos. Realiza as ilustrações para a crónica semanal de António Lobo Antunes na revista Visão. Participou no álbum colectivo Sérgio Godinho e as 40 Ilustrações. Realizou também a história Sete Palmos de Terra, com argumento de José Carlos Fernandes, para a colecção Black Box Stories, que ainda não foi publicada.

Susa Monteiro foi a grande vencedora, na categoria de Ilustração, do Prémio Stuart de Desenho de Imprensa 2011, que representa a maior distinção portuguesa na área do desenho de imprensa. Já agora, Luís Veloso venceu na categoria de Tira Cómica e André Carrilho arrebatou o Grande Prémio.

Entrega dos Prémios Stuart de Desenho de Imprensa 2011. Susa Monteiro, André Carrilho e Luís Veloso.

Trabalho de Susa Monteiro premidado: ilustração para a Capa do Diário do Alentejo

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Fomos buscar ao arquivo do Kuentro1, (ao Recortes 33 – ainda não lhes chamava BDpress – de 15 de Março de 2009) um texto de Carlos Pessoa na revista Pública (do Público), sobre Susa Monteiro, que aqui fica de novo:


SUSA MONTEIRO TROCOU O TEATRO PELA BD

Revista Pública, 15 Março 2009

Mudou-se para Beja e tem tido a sorte de publicar com regularidade. Mas sabe que está próximo o momento de abandonar a história curta para se aventurar por obras de maior fôlego. Formula um desejo: contar uma história a que os leitores se deixem prender.

Texto Carlos Pessoa. Fotografia Enric Vives-Rubio

O que faz alguém mandar às urtigas a formação em teatro e um ano de trabalho para se entregar de corpo e alma à banda desenhada? No caso de Susa Monteiro, a resposta é curta e directa: "Sempre desenhei e fiz ilustração, mas o corte aconteceu com a vinda para Beja e a minha entrada no colectivo Toupeira". Ainda pensou em ir para o estrangeiro, mas afastar-se de Beja era-lhe impossível.

O regresso à cidade onde nasceu, sim, podia ser – "Gosto muito do campo e de uma vida tranquila". Assim aconteceu depois de ter estado três anos em Lisboa mas com o fito em Beja, para onde sempre quis voltar. A decisão seguinte foi a entrada, em 2002, no atelier de banda desenhada Toupeira existente desde 1997, que esteve na origem do núcleo que hoje anima a Bedeteca de Beja e realiza o importante festival de BD na mesma cidade.

Susa Monteiro ainda não o sabia, mas foi nesse momento que o seu destino ficou traçado.

Viver no interior alentejano não a preocupa. Estar fora dos grandes centros habitacionais, onde, aparentemente, pouco ou nada acontece em termos culturais, não é problema para esta jovem autora de banda desenhada. "O acesso mais fácil à cultura nos grandes centros não é sinónimo de melhor qualidade de vida", diz. E, sempre que o deseja, Lisboa ou outro qualquer destino nem sequer estão assim tão longe.

O mais paradoxal é que Susa Monteiro não gostava de banda desenhada e não conhecia nada do universo das histórias aos quadradinhos. Mas havia as pessoas, que achou "muito mais interessantes, sinceras e simples", e que estavam em sintonia com aquilo que ela própria pretendia fazer na vida. É claro que a criação de histórias aos quadradinhos é um processo solitário, mas como gosta de trabalhar em equipa – é um dos elementos mais activos do núcleo que realiza anualmente o Festival Internacional de Beja, na Primavera –, o Toupeira proporciona-lhe a oportunidade de partilhar "sonhos, vontades e esforços".

Não fazia a mínima ideia do que se podia fazer na BD. "Aprendi literalmente com eles a contar histórias, desenhar sequências, incluir balões, em suma, a fazer bandas desenhadas", diz.

Susa Monteiro não tem qualquer problema em assumir-se como autodidacta e acha que isso, no seu caso, até foi uma "vantagem", pois pôde começar a fazer o seu próprio percurso sem "nenhuma ambição especial". E depois há a referir as surpresas agradáveis ligadas à descoberta dos grandes nomes da BD.

Para Susa, eles chamam-se David B, Sfar, Christophe Blain e, sobretudo, Gipi: "O trabalho que eu gostaria de fazer algum dia é o de Gipi. Gosto imenso dos seus desenhos, das suas histórias do quotidiano com elementos de surrealismo e de sonho".

Desde que publicou a sua primeira história, no número inaugural do fanzine Venham+5, em 2005, Susa Monteiro tem tido facilidade em publicar.

A palavra "facilidade" é da própria autora, que se considera "muito sortuda": "As pessoas gostaram, desde sempre, do meu trabalho e nunca precisei de ir às editoras apresentar as minhas bandas desenhadas".

Histórias curtas e a preto e branco são a matriz dominante na bibliografia da criadora alentejana, dadas à estampa em publicações portuguesas, mas também da Galiza. Razões? É o formato em que se sente mais à vontade, pois não exige planificação. Além disso, é de mais fácil publicação. A aguarela preta constitui a sua opção gráfica favorita, porque lhe permite "um domínio total sobre o que está a fazer": "Sinto que é o que mais se adequa ao que eu prefiro fazer. Consigo realizar histórias luminosas ou escuras através do preto e branco". Já a cor ("só em computador") é mais complicada, pois a artista não se sente com capacidade técnica suficiente para produzir trabalho de qualidade com esse meio. Ainda assim, é de referir a realização de uma biografia de Jorge Palma (Biografias BD Pop Rock Português, edição Tugaland, já este ano), enquanto ultima um volume do projecto Black Box Stories, de José Carlos Fernandes.

Com o tempo dividido entre a organização do festival e a resposta aos pedidos de colaboração, está ciente de que mais cedo ou mais tarde terá de abandonar o casulo da história curta ("ainda não consegui dedicar-me a um projecto próprio") e aventurar-se pelos territórios da obra de maior fôlego. Para isso, terá de deixar de lado a improvisação que tem caracterizado o seu método de trabalho ("habitualmente, começo a desenhar sem nenhuma ideia, faço uma vinheta e depois vou avançando") e encontrar a futura história a contar. Pressente-se alguma apreensão e ansiedade quando Susa Monteiro fala disso, sobretudo porque é visível a dificuldade para explicitar aquilo que pretende fazer num futuro próximo:

"Gostaria de fazer uma história de contornos poéticos que prendesse o leitor, não exclusivamente realista, mas sonhadora. A realidade pode ser o ponto de partida, mas o mais importante para mim é que fosse algo que causasse surpresa aos leitores, que estes se deixassem prender e levar pelo que é contado. Sei o que me interessa a mim contar, mas não sei se serei capaz de pôr as pessoas a pensar. Confrontá-las com isso, sim."

Susa Monteiro tem mais facilidade em dizer o que fará quando tiver a história pronta: "Vou procurar editor, começando por aquele de quem gosto mais."





Ilustração para Sérgio Godinho e as 40 Ilustrações






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Imagens da responsabilidade do Kuentro


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domingo, 1 de abril de 2012

PAULO MONTEIRO VAI SER EDITADO NA GRÃ-BRETANHA – THE INFINITE LOVE I HAVE FOR YOU AND OTHER STORIES



Não, não é por ser dia das mentiras. 
É mesmo verdade!!! 

The Infinite Love I Have For You And Other Stories, de Paulo Monteiro 

vai mesmo ser editado e distribuído na Grã-Bretanha. A capa que aqui se mostra é a da última edição portuguesa, traduzida, mas não é a que vai ser utilizada – o Paulo já está a trabalhar nela. Recebemos, na semana passada, esta mensagem do autor:

Queridos amigos: Bem sei que isto é pura vaidade, mas não consigo ficar calado! “O Amor Infinito que te tenho” vai ser publicado pela Blank Slate Books, e distribuído no Reino Unido e na Irlanda! O lançamento será dia 14 de Fevereiro de 2013, em Londres! Estou muito feliz (e a trabalhar na nova capa) Um abraço a todos!

Parabéns, Paulo!!!


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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

AUTORES PORTUGUESES DE BANDA DESENHADA #2 – JOSÉ PIRES (2) – “A MORTE DO LIDADOR”, José Pires (des.), M. Tecedeiro (arg. Baseado num conto de Alexandre Herculano)

Vinheta da prancha 8

 A prancha 5 de La Mort du Batailleur, na revista Tintin, 1987 e de A Morte do Lidador, 2010 

A MORTE DO LIDADOR
José Pires (des.) e M. Tecedeiro (arg. baseado num conto de Alexandre Herculano)











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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

AUTORES PORTUGUESES DE BANDA DESENHADA #1 – JOSÉ PIRES (1) – PARA UMA BIO-BIBLIOGRAFIA

Iniciamos hoje uma nova rúbrica no Kuentro: Autores Portugueses de Banda Desenhada, onde pretendemos, não só apresentar as biografias dos ditos autores como, pelo menos, uma obra completa (não álbuns, obviamente) que queiram disponibilizar para o efeito. A ideia é fazer um “retrato” de autores portugueses, alguns deles veteranos, à mistura com outros mais jovens. Começamos por José Pires porque a ideia nos ocorreu enquanto fomos seguindo a sua história A Morte do Lidador, de dez pranchas, no jornal Alentejo Popular. Começamos por apresentar a biografia do autor, tendo em apêndice uma lista das histórias realizadas e dos livros editados, tão exaustiva quanto possível – na linha do que fizemos no BDjornal para Diniz Conefrey e Fernando Relvas – seguindo-se um outro post com a história disponibilizada pelo autor.

A história de José Pires que vamos publicar aqui amanhã na íntegra, será exactamente A Morte do Lidador, com argumento de M. Tecedeiro, baseado num conto de Alexandre Herculano (em Lendas e Narrativas, vol. 2) e que foi inicalmente publicada no Tintin belga, com o título La mort du batailleur (em 1987), depois, já recolorida em computador, no jornal Alentejo Popular e presentemente também em publicação no Jornal do Exército. Acrescente-se que já havia um versão de “A Morte do Lidador”, de Eduardo Teixeira Coelho, publicada em O Mosquito em 1950.

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QUEM É JOSÉ PIRES

Jorge Magalhães, Geraldes Lino, José Pires e Nuno Simões Nunes - Salão MouraBD 2000

Nascido em Elvas, a 10 de Outubro de 1935, José Augusto Direitinho Pires começou a trabalhar na Gráfica do Ultramar aos catorze anos, tendo passado a sua infância no Monte Estoril e depois em Lisboa. Estreou-se no final do Cavaleiro Andante, em 1961, com duas histórias assinadas simplesmente "Zé", tendo feito também capas para essa revista e para aquela que a continuou, o Zorro (1962). Só voltaria a aparecer na BD na 5a série do Mundo de Aventuras, em 1980. A partir de 1985 começou a colaborar com o argumentista Jean Dufaux, e depois com Benoit Despas elaborando várias histórias para o Tintin francófono – iniciando-se com a série Irigo, com texto de Dufaux –, para o Kuifje flamengo, assim como para Hello Bédé (1993), de dominantes western ou medieval. Em 1988 teve pequenas histórias no fanzine Eros e no Almada B.D. Fanzine. Desde 1989, constitui a equipa Serafim & Malacuéco, Inc., juntamente com o argumentista Jorge Magalhães e a desenhadora Catherine Labey, editando diversos fanzines temáticos: Fandaventuras (1989), Fandwestem (1995), A Máquina do Tempo (1996). A personagem Will Shanon, que já aparecera em francês na série "Irigo", foi publicado pela Editorial Futura, juntamente com outro álbum de Homens do Oeste (1989). Com argumento de Despas, as Éditions du Lombard publicaram de José Pires o álbum Les Templiers: Le Sang et la Gloire, que também teve edição flamenga (De Tempeliers: Bloed en Glorie) com cores de Catherine Labey (1991). Para o Grupo de Trabalho do Ministério da Educação para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, executou os álbuns Gil Eanes e o Bojador: As Portas do Mito (1997) e A Viagem de Pedro Álvares Cabral: Ventos de Glória – Marés de Infortúnio (1998), este com edição da Terramar e com argumento de Nuno Calado. Em 1999, participou no livro-catálogo Uma Revolução Desenhada: O 25 de Abril e a BD. Fez colecções de cromos, carteiras de fósforos, capas e ilustrações de livros. Está ligado a uma agência de publicidade.

Biografia de José Pires, em Dicionário dos Autores de Banda Desenha e Cartoon em Portugal, de Leonardo De Sá e António Dias de Deus, NonArte – Cadernos do Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, Novembro de 1999.
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Entretanto pedimos ao autor para completar a sua bio-bibliografia desde 1999, pelo que nos enviou o texto que se segue:

1999 marca o fim da minha forma antiga de fazer as coisas, onde eu era obrigado a desenhar com as canetas Rotring. Como estas tinham um traço regular: não afinavam nas pontas, como acontece com um aparo ou com um pincél, eu terminava os traços com uma série de pontinhos, para dar o fadding out exigido. Por causa deste pormenor do pontilhado não tardaram a surgir os «chicos experts» da nossa praça, que logo me ligaram ao Franco Capriolli, que até não fazia nada daquilo, embora usasse um pontilhado aleatório, à maneira dos antigos desenhadores litógrafos para obter a modelação. E este pontilhado esteve na base da asneira... Aqui, pelo nosso burgo, um gajo quando aparece a ofazer alguma coisa teve de certeza de copiar um qualquer mestre estrangeiro, pois os portugas não têm «gabarito nem estatura» para navegarem por si próprios!

Marca também a minha entrada no uso dos computadores, forçado pela coloração páginas, que era, na época, o grande problema dos autores. Na Lombard eu via esse problema resolvido com os «bleus» que eles me mandavam, que eram as minhas páginas impressas sobre cartolina de aguarela, em tons azul pálido, onde se metia a cor. E foram perto de 200!

Mas em Portugal eu não dispunha de nada disso. No álbum sobre o Gil Eanes - As Portas do Mito - para o M.E.N., (1997) tratei de imprimir as minhas páginas sobre papel cavalinho, em azul claro. Quem meteu as cores foi a Catherine Labey, que já me vinha a fazer esse serviço para a Lombard, pois as mulheres conseguem sempre uma suavidade cromática superior à dos homens. Mas agora em vez de cartão de aguarela, ela tinha papel cavalinho! Como ela coloria as páginas com recurso a "aguadas", o papel cavalinho ficou todo tão alterado como uma batata frita! Resultado: os desgraçados da gráfica tiveram de fazer as selecções das páginas vinheta a vinheta! Um bico de obra!

Foi este «desastre» que me fez virar para os computadores, com os quais eu começava a familiarizar-me na agência de Publicidade, onde trabalhava desde 1964. O primeiro álbum colorido por este processo foi o primeiro Pedro Álvares Cabral - Ventos de Glória, Marés de Infortúnio (1998). Mas os tipos da gráfica onde o álbum fora impresso não estavam familiarizados com o processo digital e o resultado não foi o melhor: ficou uma bela bosta!

Nessa altura, a Âncora Editora - por influência do meu amigo José Ruy - contactou-me para eu fazer mais um álbum sobre o Pedro Álvares Cabral, com o patrocínio da Região de Turismo da Serra da Estrela. Por isso o álbum tinha como sub-título Da Serra da Estrela à Costa do Descobrimento (1999). Este álbum foi também colorido por processo digital, mas o resultado foi ainda mais catastrófico! A gráfica encarregada da produção meteu os pés pelas mãos e estragou-me os efeitos todos! Protestei mas como a coisa já estava impressa, não é?...

Seguiu-se a História de Gouveia (2001) - com o mesmo patrocínio e editada pela Âncora. Aqui, como as gráficas «trabalhavam mal», eu vi-me forçado a mudar de processos para ver se elas «trabalhavam bem». Mais um desastre, maestro, pois os tipos continuavam a fazer asneira. E como eu não controlava a impressão...

Depois, com a História de Celorico da Beira (2004) (com os mesmos parceiros) voltei a mudar de processos e a coisa já saiu um pouco melhor. Mas antes as Selecções BD publicavam As Asas da Coragem (2002). Como a gráfica deles estava acostumada a receber o material que vinha de França, a impressão já saiu bem melhor.

Depois tive uma experiência falhada com um tal Patrick Lizé, um francês que estava em Portugal e trabalhava para a Glenat. Contactou-me e eu comecei a fazer um álbum sobre Piratas que ele escrevera.

Mas o tipo tinha «a mania» e até era um bocado inexperiente, pois a história alongava-se quase até às 80 páginas! Como o formato standard dos álbuns francófonos, por razões económicas, tinham apenas 46, eu re-escrevi a história, fazendo dois álbuns de 46 páginas em vez de um único. O director da Glenat concordou com a minha versão e eu estava já na página 44 do primeiro álbum, quando o Lizé me aparece com nada menos de uma dúzia de páginas já executadas, alteradas a seu bel-prazer, sem que se vislumbrassem melhoras nenhumas! Como as alterações que ele pretendia me obrigavam a refazer tudo – em informática trabalha-se com pixeis – 300 por polegada quadrada – de maneira que não se podem fazer nenhumas dramáticas mudanças de formato! Chateei-me com o Lizé de tal forma que resolvi abandonar o trabalho que até já fora anunciado pela Glenat. A Glenat até me pediu uma declaração onde eu declarava que não tinha nenhuma reclamação de carácter financeiro a fazer à maison d'edition. Mas fiquei mal visto por ali, claro!

Tive um período curto de inactividade mas logo me surgiu a encomenda para fazer um álbum sobre o pai do Alexandre Dumas – Le Diable Noir – para as Editions Orphie, de França, (2009) com guião do meu velho amigo e conhecido Benoit Despas. Fiz o álbum relativamente depressa, pois a minha destreza com os computadores não cessara de aumentar. Ficou o meu álbum mais bem impresso até à data, pois era sobre papel couché e tudo. Ficou uma verdadeira maravilha - a impressão, já se vê. Mas aquela editora é uma daquelas que só se dedica a personalidades francófonas «d’autre-mer». Ainda me fez uma segunda proposta mas depressa desistiu porque a tal personagem não era tão impecável como eles imaginavam.

Entretanto surgiu a encomenda para a Batalha do Bussaco, (2010) por ocasião do seu 200º aniversário, com patrocínio da Câmara da Mealhada e edição da Âncora. Eu supervisionei a selecção de cores e a impressão – a Multitipo, passe a publicidade (são excepcionais!) e ficou o meu melhor álbum publicado em Portugal. Encontra-se completamente esgotado.

Agora estou a tentar BD comercial mas para o mercado estrangeiro, pois por aqui não há hipótese! Trata-se de uma série western à maneira do Tex, mas que nada tem a ver com esta famosa personagem. A série é «interminável» e os albuns vão pegando nos argumentos uns dos outros, acabando ainda não sei como. Serão álbuns de 50 páginas impressas a sépia – para tornar a edição mais acessivel – e três álbuns anuais, o que dará 150 páginas anuais, se encontrar editor interessado, claro. Será uma escravatura, mas quem quer bolota, trepa, não há safa!

Entretanto ainda colaborei num álbum colectivo, editado pela Câmara de Moura, sobre a lenda da moura Salúquia, a figura emblemática da cidade. Por acaso até ficou muitissimo bem impressa, pois o Carlos Rico é um rapaz que sabe como fazer as coisas. Isto para além de uma versão de A Morte do Lidador, história que publiquei em fins dos anos 80 no falecido Tintin (o belga, claro) que o Jornal do Exército esta a publicar.

Tenho em carteira e quase a sair um álbum sobre a história de A Portuguesa - o Hino Nacional - integrado no primeiro centenário da república e uma nova versão colorida a computador do álbum sobre o Gil Eanes, O Herói de Lagos, que a Âncora vai também editar, oportunamente.

E é tudo, so far. Vou fazer em breve 76 anos mas não me apetece parar ainda. Acho que vou ficar por cá a mexer por mais uns tempos. On va voir!

No almoço do 80º aniversário de José Rui - Maio 2010:
José Pires, Luís Diferr, José Ruy e João Amaral

No Salão MouraBD 2011: Victor Mesquita, José Pires e José Ruy

BIBLIOGRAFIA SUMÁRIA DE JOSÉ PIRES
Texto em construção

Irigo, revista Tintin (belga), 1985 a 1987
La mort du batailleur, com argumento de M. Tecedeiro, Tintin, 1988
Will Shannon, O Poço da Morte, Editorial Futura, 1989
Homens do Oeste, Editorial Futura, 1989
Les Templiers: Le Sang et la Gloire, argumento de Benoit Despas, Éditions du Lombard, 1991
Gil Eanes e o Bojador: As Portas do Mito, Grupo de Trabalho do Ministério da Educação para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses,1997
A Viagem de Pedro Álvares Cabral: Ventos de Glória – Marés de Infortúnio, argumento de Nuno Calado, Grupo de Trabalho do Ministério da Educação para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, Edições Terramar, 1998
Pedro Álvares Cabral – Da Serra da Estrela à Costa do Descobrimento, Âncora Editora, 1999
As Asas da Coragem, revista Selecções BD, 2000
História de Gouveia – A Princesa da Serra, Âncora Editora, 2001
História de Celorico da Beira – Terra de Granito e Férrea Vontade, Âncora Editora, 2007
Alexandre Dumas – Le Diable Noir, Benoite Despas (arg) e José Pires (des), Éditions Orphie, 2009
A Batalha do Bussaco – A Derrota Fatal dos Marechais de Napoleão, Câmara Municipal da Mealhada e Edições Âncora, 2011
A Portuguesa – História de um Hino, Âncora Editora, (a editar)
Gil Eanes – O Herói de Lagos, Âncora Editora, (a editar)


Prancha de Fumo de Pólvora em Gallows Crossing - Cavaleiro Andante, 1962

 Capa da revista Tintin (belga) e prancha de Irigo - Le jeu du Pecher, Tintin, 1985 

Irigo - L'or des McGlide, Tintin, 1986

 La Mort du Batailleur, Tintin, 1987

Bertrand du Guesclin, Kuifje, 1988



 Prancha de Les Templiers - Le Sang et la Gloire, Éditions du Lombard, 1991


Prancha inicial de As Asas da Coragem, Selecções BD, 2000


Saluk Hiah, in A Lenda da Moura Salúquia, Câmara Municipal de Moura, 2009



 Prancha de A Batalha do Bussaco, Âncora Editora, 2011

Capas dos álbuns ainda não editados...

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Agradecemos ao autor, a paciência que teve para nos aturar
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