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quarta-feira, 4 de março de 2020

COIMBRA BD 2020 MOSTRA INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DA CIDADE DE COIMBRA 5 a 8 de Março

COIMBRA BD 2020 

MOSTRA INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA 
DA CIDADE DE COIMBRA

5 a 8 de Março 


A Mostra Internacional de Banda Desenhada da cidade de Coimbra, decorre entre 5 e 8 de Março de 2020, na Casa da Cultura de Coimbra. O cartaz  foi desenhado por Ricardo Ferrand, com design de Nuno Lourenço Rodrigues.

O tema deste ano será A Banda Desenhada e o 25 de Abril – com debate às 21:00h de dia 5, na Casa da Cultura de Coimbra, com João Miguel Lameiras, Carlos Zíngaro e Pedro Réquio.

Haverá convidados nacionais e estrangeiros, exposições, sessões de cinema de animação e lançamentos de algumas das mais conhecidas editoras portuguesas.

A 5.ª edição da mostra vai contar com a presença de 12 autores nacionais e um internacional, para além de editores e livreiros especializados da área, refere a Câmara de Coimbra, em nota de imprensa enviada à agência Lusa.

O programa conta com uma dezena de exposições e oficinas, bem como com uma conferência sobre o "25 de Abril e a Banda Desenhada", que decorre no primeiro dia do Coimbra BD.

Sessões de autógrafo com autores de banda desenhada, apresentações de livros, jogos de tabuleiro, sessões de desenho ao vivo, exibição de curtas e longas-metragens e um desfile e concurso de 'cosplay' são outras das propostas da iniciativa.

Presente na mostra estará o escritor e desenhador italiano Carlo Ambrosini, que apresenta o seu último livro Dylan Dog: O Imenso Adeus, marcando presença também na mostra 12 autores nacionais: Álvaro Santos, André Oliveira, Bernardo Majer, Carlos Zíngaro, Fernando Dordio, Filipe Abranches, Luís Louro, Mário Freitas, Miguel Jorge, Paulo Monteiro, Pedro Cruz e Zé Burnay.

"Percebemos que vem público do país inteiro, que frequenta outras iniciativas do género e, desde que foi criada a Coimbra BD, passou também a integrar este evento na sua agenda, sejam pessoas que procuram livros e contacto com os autores ou o público do 'cosplay'", disse à agência Lusa a vereadora da Câmara de Coimbra, Carina Gomes.

A vereadora salienta que a programação alia "várias disciplinas", considerando que o evento tem conseguido "fidelizar público e entrar na agenda nacional".

"Há até alguma dificuldade, nos últimos anos, de encaixar todas as iniciativas na Casa Municipal da Cultura", realçou.

A iniciativa, organizada pela Câmara de Coimbra, é de entrada livre.

Entre quinta-feira e sábado, a mostra pode ser visitada entre as 10:00 e as 22:00 e, ao domingo, entre as 10h00 e as 18h00.


LANÇAMENTO DO LIVRO DYLAN DOG
O IMENSO ADEUS 
EDITADO PELA SEITA



ASPECTOS DE EDIÇÕES ANTERIORES DO COIMBRA BD:






quarta-feira, 16 de outubro de 2019

A SEITA da bd - NOVA EDITORA DE BD EM PORTUGAL

A SEITA da bd 
NOVA EDITORA DE BD EM PORTUGAL
UMA NOTIFICAÇÃO DE JOSÉ DE FREITAS
(já com alguns dias...) 

Queremos apresentar um novo projecto, A Seita, uma nova editora de Banda Desenhada em Portugal, nascida da intenção e devoção de um grupo de amantes da BD, alguns nomes já conhecidos, outros que se estreiam profissionalmente.

Nascemos como uma cooperativa, cuja missão é trazer o que de melhor a nona arte tem para oferecer. Prometemos caçar catálogos do mundo inteiro, sem limites ou preconceitos, e encontrar o que irá enriquecer as estantes por esse país fora.

Fazem parte desta “Seita” olhos novos no mundo da edição, mas também alguns que já andam nestas andanças há algum tempo. A Comic Heart abrilhanta-nos com a sua presença, tal como a sempre inovadora Bicho Carpinteiro e a maravilhosa colecção Aleph, ex-selo da G. Floy, que também nos lega muita da sua experiência, como nossa editora "quase irmã".

Não queremos estar circunscritos a fronteiras ou linguagens, e tentaremos trazer BD de toda a inspiração, desde Franco-Belga, a Comics, Mangá, Fumetti. E, claro, sempre com a sublinhada intenção de acalentar e incentivar o que é produzido em Portugal por autores portugueses.

Além desta missão, temos também um sonho. Queremos que a BD seja lida por todas as idades, por todos os géneros, por todos os perfis, porque a BD é, acima de tudo, uma arte onde se contam histórias. Como o Cinema, como a Prosa, como a Poesia.

Iremos começar a corrida em passo acelerado. Enviamos com este email a nota de lançamento do nosso primeiro título, no selo Aleph, um novo Dylan Dog, "Trevas Profundas", escrito pelo cineasta Dario Argento, Este livro já se encontra em bancas há alguns dias e chegará em breve a livrarias várias, Fnac, etc...

Para além disso...

A Seita irá congregar algumas das iniciativas editoriais da G.Floy/Comic Heart que envolvem autores portugueses, e já anunciámos o próximo álbum, "A Assembleia das Mulheres", de Zé Nuno Fraga, que
adapta a comédia grega antiga de Aristófanes, e que terá uma exposição (e lançamento) na Amadora BD. E outro álbum português ainda por anunciar...

Também com lançamento agendado para a Amadora está o segundo volume da Aleph, "Dampyr: O Suicídio de Aleister Crowley", uma divertida aventura passada no nosso país com a participação especial de Fernando Pessoa! O desenhador do livro estará presente no festival, e terá uma exposição do seu trabalho lá patente.

E, claro, ainda teremos muitas novidades, sendo que lançaremos em inícios de 2020 um projecto de grande vulto da BD Franco-Belga, que anunciaremos brevemente.

Visitem a nossa página em https://www.facebook.com/aseitadabd/ para todas as novidades.


Assembleia das Mulheres uma das onze peças sobreviventes do prolífico autor de comédia antiga grega Aristófanes (447 a.C. - 385 a.C.), agora adaptada em banda desenhada pelo autor Zé Nuno Fraga.

Presente na colecção Comic Heart, a nossa chancela de autores Portugueses, irá também marcar presença no festival AMADORA BD não só através do seu lançamento, como através de uma exposição onde poderão comprovar o traço hábil deste genial autor!

Uma sátira inteligente à "guerra dos sexos", que põe em cena uma hipotética ditadura das mulheres, que logo declaram um regime comunista e utópico, não só na divisão dos bens mas... do sexo (!!), e que permitiu a Aristófanes tornar-se num dos mais temidos críticos e comentadores da realidade política em Atenas na época.

 

Em próximo post: matéria sobre o Dylan Dog encontrarão um link para baixar imagens da capa e do interior do livro.




quarta-feira, 21 de agosto de 2019

PEDRO MOURA ABRIU NA MADRAGOA UMA NOVA LOJA DE BANDA DESENHADA - TINTA NOS NERVOS



PEDRO MOURA ABRIU NA MADRAGOA 
UMA NOVA LOJA DE BANDA DESENHADA 
TINTA NOS NERVOS 

Bdpress #508 – Texto de José Marmeleira sobre banda desenhada no Público – 20 de Agosto de 2019 

BANDA DESENHADA

Uma livraria-galeria em que a arte do desenho é uma experiência


Descobrir com prazer, sem pedir desculpa, os trânsitos do desenho nas obras e entre as obras: eis o lema da Tinta nos Nervos, o novo espaço de Lisboa onde cabem a arte, a banda desenhada e a ilustração. Numa constelação de livros, álbuns, fanzines e exposições.

José Marmeleira

20 de Agosto de 2019

Em Lisboa, à Madragoa, nasceu recentemente a livraria-galeria Tinta nos Nervos, um espaço novo. Perguntará o leitor: novo? O que oferece à cidade que esta antes não tinha? Uma pista: em simultâneo, publicações de manga, fanzines, obras do artista (plástico) William Kentridge (artista plástico sul-africano mais conhecido pelas suas gravuras, desenhos e filmes de animação), livros da Planeta Tangerina, álbuns de banda desenhada francesa. Mais uma achega: uma confluência livre, com o prazer da descoberta, das artes do desenho. Na cafetaria da Tinta nos Nervos, o crítico e académico Pedro Moura, um dos fundadores, concorda: “Este é um projecto assinado por pessoas com percursos diferentes mas com um interesse genuíno por disciplinas que, por sua vez, se unem pelo desenho.”


Uma livraria especializada avessa a especializações, eis um lema que não lhe ficaria mal. Com Pedro Moura estão Ana Ruivo, Vanessa Alfaro, Luiz Azeredo, Anabela Almeida e Frederico Duarte, seis personalidades sensíveis a uma realidade que se vai manifestando. “Conhecemos muitos praticantes do desenho que cultivam várias disciplinas, mas isso nem sempre foi ou é reconhecido”, reflecte. “Ora, sentimos que há uma maior apetência em ver esses diálogos, afinidades, intervalos, ponto de contacto. Não diria que estejamos a colmatar falhas, mas a colocar no mesmo local uma oferta que existe separadamente.” O académico recorda que existem, no país, outras livrarias de banda desenhada, de ilustração para a infância, de artes gráficas. “Nesse contexto, queremos que a [Tinta nos Nervos] seja um ponto de convergência, um lugar onde uma área possa alimentar a outra.”

A influência de exemplos internacionais não é despicienda, mas o projecto não nasce, em termos locais, num vácuo histórico: “A experiência que queremos replicar não é muito diferente da que conhecemos de outros espaços galerísticos de outros países, ou mesmo de livrarias, onde esse tipo de cruzamento é corrente e reconhecido. Mas ainda há espaços, entre nós, onde algumas dessas experiências vão acontecendo.” Pedro Moura dá o exemplo, em Lisboa, da galeria Passevite, e no Porto, da Dama Aflita e da Mundo Fantasma. E no contexto da arte contemporânea, menciona o caso da Quadrum, que apresentou, ao lado de outras obras, em edição fac-similada, Le lait de la voie lactée, uma banda desenhada do desenhador português Manuel Zimbro. “O facto de se ter mostrado nesse contexto uma obra que até então permanecia inédita pode indiciar já uma abertura a esse diálogo. Não por acaso, vamos organizar um evento dedicado ao livro.” Ou seja, a Tinta nos Nervos quer tirar da obscuridade esses trânsitos, materializados em obras (livros ou não), o que significa falar sobre eles.


A natureza híbrida e plural da livraria-galeria também se exprime nas exposições: “Começámos com uma colectiva que ilustra o trabalho que queremos fazer no futuro. Com artistas internacionais e nacionais, mais consagrados ou emergentes. Mais ligados às galerias e aos museus ou aos circuitos independentes. Não haverá divisões.”


Fio da Navalha, a exposição inaugural do espaço, que se despedirá das paredes da galeria a 30 de Agosto, sustenta essa máxima: podem ali ser contemplados desenhos inéditos de Pedro Proença (Lubango, 1962), trabalhos de Ema Gaspar (Almada, 1993), autora de banda desenhada e ilustração, fotografias manipuladas de José Cardoso (Fafe, 1984) e filmes de animação de William Kentridge (Joanesburgo, 1955), que no ano passado foi objecto de uma grande exposição no Museu Reina Sofía, em Madrid. “Interessou-nos abrir com a diversidade, daí a o cariz colectivo, mas as próximas exposições serão, na sua maioria, individuais de longa duração, interrompidas por outras mais curtas, associadas a lançamentos editoriais”, explica Pedro Moura.


Livraria-galeria, a Tinta nos Nervos inscreve-se numa história prévia, numa tradição. “Temos essa consciência. Recordo a actividade da Buchholz, da Galeria 111, da Livraria Barata e, agora mais recentemente, da Abysmo. Não se trata de uma experiência inédita”, enfatiza o responsável, “mas, e apesar de num aparente contraciclo, dado que há muitas livrarias a fechar, tentamos ser um espaço independente com uma oferta especializada”.

Definir um público-modelo será talvez precipitado, mas a abertura que está na base do projecto e a convicção de que existem leitores tão interessados numa obra de banda desenhada como num livro de artista deixam antever um horizonte promissor. Entretanto, entra na galeria um grupo de turistas, que, depois de observar as prateleiras, onde se encontram livros em pop-up e outros objectos, e os desenhos expostos, vai fazendo perguntas – ocasião oportuna para trazer à conversa o tema da localização. “Quando pensámos no projecto, esta zona não estava assim. Há um processo de gentrificação. Não apenas por causa do turismo e dos efeitos do Airbnb. A Embaixada de França e a sua mediateca estão aqui e abriu recentemente a Galeria Acervo. Isso reflecte-se positivamente na presença de um público estrangeiro que fica surpreendido. Tem um poder de compra diferente, mas nem sempre entra”, ressalva Pedro Moura.


Públicos à parte, uma das finalidades da Tinta nos Nervos é proporcionar o prazer de descobrir coisas, de perceber, sem desculpas, diálogos e influências, mesmo reconhecendo a existência de categorias e formas que delimitam, quando não separam. “Temos aqui autores que vivem em fronteiras muito porosas entre o livro de artista e o álbum ilustrado, livros que podem ser lidos por uma criança e apreciados por um adulto. Há aqui objectos que mostram, por si mesmos, os territórios que pretendemos explorar, mas também gostamos de pôr lado a lado, em diálogo, coisas diferentes.”


Pedimos a Pedro Moura que sugira livros representativos do espírito Tinta nos Nervos. Serão todos mas, após a nossa insistência, aponta para colecção Les Cahiers Dessinées, onde se incluem, entre outros, Courbet, Buzelli, Ungerer, mostra os objectos produzidos por Fábio Zimbres, autor brasileiro de banda desenhada, abre o maravilhoso livro L'année de la comète, de Clément Vuillier, folheia o álbum de banda desenhada Xibalba, de Simon Roussin, menciona os fanzines, feitos em risografia, da artista Ana Humana. Todas são experiências de um desenho que se expande, se desdobra, em histórias, cores, referências, imaginários. Com tinta nos nervos.


PODE VER-SE TAMBÉM EM:

https://www.facebook.com/TintanosNervos/
https://tintanosnervos.com/Livraria
https://hucilluc.blog/a-conversa-com-pedro-vieira-de-moura-o-projeto-tinta-nos-nervos/

TINTA NOS NERVOS
Endereço: Rua da Esperança 39, 1200-655 Lisboa
Telefone: 21 395 1179





quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

PORQUE FOI RETIRADO DO KUENTRO O POST SOBRE O “REGRESSO DE LOURO & SIMÕES”... + NOVOS TEXTOS E MAIS PRANCHAS DO PRIMEIRO ÁLBUM DE JIM DEL MONACO


PORQUE FOI RETIRADO DO KUENTRO O POST 
SOBRE O “REGRESSO DE LOURO & SIMÕES”... 

NOVOS TEXTOS E MAIS PRANCHAS DO PRIMEIRO ÁLBUM DE JIM DEL MONACO 

Como muita gente saberá, não costumo responder a ataques pessoais – mesmo os mais ofensivos. Contudo devo uma explicação aos leitores do Kuentro pela retirada do post com o texto O Regresso de Luís Louro, de Pedro Mota (republicado no Kuentro no passado dia 15 como BDpress – Recortes de Imprensa, embora verdadeiramente não fosse de Imprensa), originalmente publicado no blogue aCalopsia, de um qualquer Grunho (parece que Campos, ou coisa no género) de que não me recordo de conhecer, de todo.

As alarvidades que o editor daquele blogue veio a publicar no Facebook ofensivamente a meu respeito, por causa desse post republicado no Kuentro, com intenções de divulgação – assinalando a origem do texto e com o respectivo link para o original –, levou-me a retirar o referido post do Kuentro e apagar o seu link no Facebook. Há coisas assim, feitas com boas intenções, mas que por vezes não correm bem.

Mas aqui fica, o novo post com a notícia do regresso de Luís Louro e Tózé Simões, ou melhor, de Jim Del Monaco. Mais as pranchas das duas primeira histórias do primeiro álbum, editado pela Editorial Futura em 1985 (data do Depósito Legal) ou já em 1986 (data do Copyright).

Contudo devo voltar à definição do que é a rubrica BDpress, que parece fazer confusão a alguns grunhos bedéfilos deste País:

Em 2004, tendo percebido que era publicada na imprensa escrita muita matéria sobre BD, de que muita gente não tinha conhecimento nos meios bedéfilos, uma vez que são poucos os apreciadores da chamada “Nona Arte” que lêem a imprensa, resolvi fazer o fanzine (impresso em fotocópia) a que chamei BDpress – Recortes de Imprensa sobre BD – e que editei durante 15 meses. Nunca cobrei pelo BDpress impresso mais do que o preço das fotocópias! Embora tivesse que comprar todos os jornais em que saiam textos sobre BD, durante os meses em que fiz esse trabalho e depois montar os recortes nas 15 ou 20 páginas do fanzine. Quando iniciei a publicação do BDjornal em 2005, a edição do fanzine BDpress ainda coincidiu com os 3 primeiros números do BDj, mas resolvi, dada a sobrecarga de trabalho a que as duas actividades me obrigavam, continuar o BDpress no Kuentro (blogue que iniciei em 2003), sempre com a imagem do recorte da página, mas com muito menos recortes que na versão impressa. Actualmente existem mesmo vários amigos que me enviam recortes de imprensa sobre BD para esse fim.

As capas dos 15 fanzines BDpress...

Refiro também, que os recortes são digitalizados, seguindo-se o processo de cópia de texto em OCR, para que sejam mais legíveis e para eventuais correcções de erros que os escribas cometem por vezes. Os recortes nunca são colocados no Kuentro no próprio dia em que são publicados, mas nos dias subsquentes.

Devo referir, já agora, que o ex-jornalista do Público, Carlos Pessoa, autor de muitos dos textos de recortes que coloquei no BDpress – tanto na fase fanzinesca como no Kuentro – se referia a esta minha actividade como um verdadeiro “serviço público”.

O REGRESSO DE JIM DEL MONACO

 
Luís Louro e Tozé Simões - com 30 anos de intervalo...

Em 1985 surgiu um novo herói na banda desenhada portuguesa. Da autoria da dupla Tózé Simões (António Simões) argumento e desenho de Luís Louro, este herói fez a sua estreia nas páginas de um jornal, na secção Tablóide do "Sábado Popular", suplemento do desaparecido Diário Popular.

Jim Del Monaco, apresentava-se como um heróico aventureiro português, cujas aventuras se passavam em plena selva africana. Completando um quadro caricatural, fazia-se sempre acompanhar por um bela loira de nome Gina, a sua eterna apaixonada, e por Tião, o criado negro, ou melhor, a sombra negra de Jim.

As aventuras, divididas em curtas histórias recheadas de situações rocambolescas e de um humor delicioso, tiveram um rápido sucesso que levou a que fossem editadas em álbum. Entre 1986 e 1993, através das editoras Futura e depois da ASA, foram publicados um total de 11 álbuns, correspondentes a sete originais e quatro reedições.

Depois do afastamento de Tozé Simões, o Jim del Monaco desapareceu até que no inicio deste mês foi criada a página Jim del Monaco no Facebook (https://www.facebook.com/louroesimoes), em que mais de que partilhar o passado, se anuncia o futuro, e este passa aparentemente por um 8º álbum. Pelos menos é o que deixa entender a intercepção de uma mensagem de correio electrónico dos autores em que surge a foto de uma página da nova aventura. Anuncia-se assim um regresso em 2015.


#1 Jim del Monaco, Futura, 1986
Argumento: Tózé Simões - Desenho: Luís Lour

#2 Menatek Hara, Futura, 1987
Argumento: Tózé Simões - Desenho: Luís Louro

#3 O Dragão Vermelho, Futura, 1988
Argumento: Tózé Simões - Desenho: Luís Louro

#4 Em Busca das Minas de Salomão, Futura, 1989
Argumento: Tózé Simões - Desenho: Luís Louro

Jim del Monaco - 2ª Série (capa dura, cores)

#1 A Criatura da Lagoa Negra, Edições ASA, 1991
Argumento: Tózé Simões - Desenho: Luís Louro

#2 Menatek Hara, Edições ASA, 1992 (reedição)
Argumento: Tózé Simões - Desenho: Luís Louro

#3 A Grande Ópera Sideral, Edições ASA, 1991
Argumento: Tózé Simões - Desenho: Luís Louro

#4 O Elixir do Amor, Edições ASA, 1992 (reedição)
Argumento: Tózé Simões - Desenho: Luís Louro

#5 O Dragão Vermelho, Edições ASA, 1992 (reedição)
Argumento: Tózé Simões - Desenho: Luís Louro

#6 Em Busca das Minas de Salomão, Edições ASA, 1993 (reedição)
Argumento: Tózé Simões - Desenho: Luís Louro

#7 Baja Áfrika, Edições ASA, 1993
Argumento: Tózé Simões - Desenho: Luís Louro
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JIM DEL MÓNACO

Carlos Pessoa 
Público, 18/12/2000

No princípio, e ainda a preto e branco, há as seis pranchas de "O 'souvenir'". É uma curta história que ocorre no regresso a África do europeu Jim del Mónaco, que se faz acompanhar pelo seu criado negro Tião e pela escultural Gina, uma loura um pouco fútil que não perde a menor oportunidade de se atirar ao explorador. Na melhor tradição colonial, o herói vai arbitrar um conflito de interesses entre a tribo dos bugalus e o antropólogo branco John Whitetorp, que se deixou enredar infantilmente num ritual de acasalamento com... o chefe tribal. Na fuga, o estudioso choca violentamente com Gina, e são ambos surpreendidos por Jim del Mónaco em contacto físico menos convencional. A beleza da jovem rapidamente faz empalidecer aos olhos do chefe africano a subtil aura de androginia que emanava do antropólogo. Assim fica resolvido o problema matricial da história sem praticamente qualquer intervenção do herói. Mas como uma desgraça nunca vem só, Gina torna-se o fruto da cobiça instintiva do africano, desígnio a que o nosso herói se opõe com determinação. A senda da guerra parece inevitável, mas Tião surge dos bastidores para propor a solução salvadora, sob a forma de uma boneca insuflável que ele trouxera como lembrança para um primo obscuro.Tudo acaba bem: o antropólogo salva a pele, o chefe tribal leva a mulher "ideal" - não fala, não chateia e pode fazer tudo com ela... - e Tião só tem que protestar a sua inocência perante as acusações de "taradice sexual" do seu "buana". Gina alimenta redobradas esperanças que Jim perceba que não há necessidade de introduzir bonecas insufláveis na sua vida enquanto ela estiver por perto. E quanto a Jim del Mónaco, portador de um conservadorismo ingénuo e infantil que terá oportunidade de manifestarem outras ocasiões, é o único a reagir com menos bonomia ao insólito desenlace da estória, desabafando de uma forma que não deixa margem de incerteza: "Vocês não passam todos de uns depravados, infraccionários da moral e dos bons costumes!". Deixando de lado o episódico atropelo linguístico do herói - infraccionários por infractores -, certamente imputável à perturbação irritada com que regressa ao acampamento com os companheiros a reboque, o que importa realçar é a maturidade gráfica desta primeira curta história da série, com a qual o desenhador Luís Louro e o argumentista Tozé Simões iniciam uma fecunda colaboração que durará quase uma década.Vistas em retrospectiva, as sucessivas histórias, que darão lugar à publicação de sete álbuns entre 1986 e 1994 (primeiro a preto e branco na Editorial Futura, e a partir de 1990 nas Edições ASA, a cores), permitem observar a rápida evolução gráfica de Louro. De um traço inicial anguloso e ainda "duro", o desenhador transita para uma expressão mais plástica e flexível, marcada pelos inequívocos sinais de uma riqueza de detalhes e de uma composição de personagens e cenários, ainda mal esboçados nos primeiros episódios. Depois, comprovar-se-á que os autores vão ganhando fôlego e confiança, atrevendo-se a ultrapassar a fronteira da história curta rumo a episódios mais longos e, por fim, a histórias de álbum inteiro, inclusivamente fora do "habitat" natural do herói (caso de "A grande ópera sideral"). Durante esses anos de colaboração estreita, em que Louro se firmou como um dos mais produtivos e representativos criadores dos anos 80 - Tozé Simões afastou-se irreversivelmente da BD quando terminou a colaboração com Louro -, a mesma dupla estará ocupada com outros projectos, e em especial a série realista e fantástica Roques & Folques. No entanto, é inquestionável que a imagem de marca dos dois autores está sobretudo ligada ao pendor satírico e humorístico de Jim del Mónaco, construindo com pinceladas breves paródias que não poupam sequer os próprios protagonistas, como se nem autores nem heróis levassem demasiado a sério os respectivos papéis.Todas as características já apontadas à obra permitem estabelecer uma identificação "portuguesa" para os personagens - nada explícita na construção de Louro e Simões -, que se manifesta pelos caminhos de uma ironia com "laivos de erotismo" (como sublinhou João Paiva Boléo) e um tudo nada brejeira, graças à qual a série obteve uma apreciável popularidade. Outras referências à BD, ao cinema e à literatura ajudam a compor um quadro coerente e substancial, pouco frequente no pequeno mundo dos quadradinhos portugueses. Tão substancial que levou o desenhador a encerrar, não se sabe se definitivamente, o desenvolvimento da série, para se aventurar em terrenos mais pessoais como autor integral das suas histórias, que dão pelo nome de "O Corvo", "Alice" ou "Coração de papel". Mas a verdade é que nada pode apagar o pequeno mundo que Louro e Simões inventaram juntos em Jim del Mónaco.
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