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segunda-feira, 12 de maio de 2014

JOBAT NO LOULETANO — MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA (169-170) — JESUS BLASCO — CUTO – HERÓI DE UMA GERAÇÃO (6 e 7) por Jorge Magalhães



MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA 
(169-170)

O Louletano, 27 | Abril | 2009 


Além do Mago Branco e da sua esposa, prematuramen­te assassinados pelos esbirros do coronel Wei, as­pirante à sucessão daquele império do mal, Blasco criou nesta aven­tura — em que Cuto perde a sua primitiva inocên­cia, raciocinando e agindo como um herói adulto — outras personagens intensamente dramáticas: o infortunado engenheiro, irmão de Mary, inventor dos canhões de grande poder destrutivo; o valente e leal Kha-I, único amigo e aliado que Cuto encontra na fortaleza; o pobre e heróico "Imbecil", um humilde camponês tibetano que pega em armas para vingar a destruição da sua aldeia, bombardeada pela aviação do Mago Branco.

As cenas finais de "Tragédia no Oriente" são páginas de antologia, que subjugam e empolgam pelo seu impressionante realismo: o extermínio dos prisioneiros da fortaleza, meticulosamente arquitectado (a que não é alheia a experiência de Jesús Blas­co durante a Guerra Civil espanhola); a morte de Wei, o usurpador, às mãos de Kha-I, símbolo dos heróicos re­sistentes que actuavam na clandestinidade; a destruição dos temíveis canhões, num arrojo de valentia (quase suici­da) de Cuto; e a revolta dos tibetanos chefiados por "Imbecil", cuja morte, ao cair no forno crematório, com os bolsos pejados de granadas, provoca um cataclis­mo de proporções dantescas, uma espécie de purificação pelo fogo que destrói todos os vestígios da fortaleza.

Mas Cuto, que nunca esteve tão perto da morte, escapando por um triz ao mesmo destino de "Imbecil", consegue mais uma vez sair vitorioso, sem uma beliscadura, nem sequer psicológica, de uma tragédia em que a hecatombe é geral.

A corajosa abnegação de Cuto, o espírito de sacrifício de Mary (sua noiva oficial, que ele conhece durante o prólogo humorístico desta aventura), a luta de "Imbecil" e dos seus amigos contra a opressão e a tirania, transcendem o mero plano da "historieta", para um público juvenil ávido de emoções fortes, compondo uma obra de grande vigor épico e rara qualidade formal, que constitui, como referiu o crítico Javier Coma, uma "implícita denúncia do fascismo e do imperialismo", sem paralelo na BD espanhola da época franquista.

A NOVA FACETA DE CUTO

Depois de escapar da sinistra fortaleza de Tok Saloung, Cuto prepara-se para viver outra grande aventura, em que Jesús Blasco se mostra no apogeu do seu talento. Mas antes vamos encontrá-lo numa espécie de castelo assombrado, onde vagueiam vultos espectrais e as armadilhas surgem a cada passo. »»

Capa da revista CUTO, n° 6 - 1ª de 2 partes — de "TRAGÉDIA EN ORIENTE", publicada em Espanha em 1965, por "Ediciones Vertice". 

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O Louletano, 11 | Maio | 2009 


O nosso herói chega a ser encerrado num caixão, que mãos misteriosas (de supostos fantasmas) empurram para uma cave prestes a ser inundada. Cuto salva-se graças ao seu extraordinário sangue-frio, mas não ganha para o susto... apesar das almas do outro mundo serem tão falsas como o disfarce utilizado pelos habitantes do castelo, uma quadrilha de ladrões de bancos, cuja nefasta carreira acaba num san­grento ajuste de contas.

"Cuto no Castelo do Terror" é uma história de tran­sição — que cronologicamente antecede de alguns meses "Tragédia no Oriente", embora n'O Mosquito tenha sido publicada logo a seguir a esta aventura, entre os n°s 766 e 773 —, o que explica o tratamento ainda semi-caricatural dado por Jesús Blasco à figura de Cuto, que só nas aventuras seguintes começa a amadurecer, sem perder a sua valentia, o seu espírito de decisão, a sua alegre vivacidade.

Aliás, a evolução de Cuto foi constante. A partir de "O Mundo Perdido", Blasco abandonou certa estilização dos cenários e das personagens, enveredando por um grafismo mais realista, principalmente em relação às figuras secun­dárias. Cuto, esse permaneceu fiel ao modelo primitivo: menos caricatural, mas ainda com um ar agarotado e travesso.

Foi só em "Tragédia no Oriente" que ele apareceu com outro aspecto físico, mais adulto, que se consolidou em "Nos Domínios dos Sioux" e nas aventuras seguintes: "Cuto em Nápoles" e "O Caso dos Rapazes Desaparecidos", ambas publicadas n'O Gafanhoto.

Outra faceta de Cuto surge nas pá­ginas cómicas que O Mosquito divul­gou durante alguns números, a partir do 774, com o título genérico "Coisas de Cuto". Desejoso de humanizar o seu herói, Blasco deu vida e expressão gráfica a outro Cuto, mais divertido e fantasista, despido da "aura" heróica e aventureira, conseguindo que os leitores se identificassem também com ele.

E chegou a altura de falarmos de outra obra-prima de Jesús Blasco, a maior (e, para muitos, também a me­lhor) aventura de Cuto.

UMA EPOPEIA DO OESTE

Publicada n'O Mosquito, entre os n°s 796 e 892, poucos meses depois do extraordinário êxito alcançado por "Tragédia no Oriente", "Nos Domínios dos Sioux" é uma história de um realismo gráfico notável, um "western" de grande beleza ilustrativa, que O Mosquito, então a atravessar uma das suas melhores fases, soube realçar, apresentando os primeiros episódios em grande formato, nas pá­ginas centrais, como nunca se viu no próprio Chicos. »»




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—  2 e 3 — 

(Continua...)

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terça-feira, 6 de maio de 2014

JOBAT NO LOULETANO — MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA (167-168) — JESUS BLASCO — CUTO – HERÓI DE UMA GERAÇÃO (4 e 5) por Jorge Magalhães



MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA (167-168) 

O Louletano, 16 de Março ou 30 de Abril de 2009 (a página que temos não está datada)


Encontro com o passado

Blasco também gostava de desenterrar civilizações de­saparecidas, como ilustra "O Mundo Perdido", aventura em que Cuto, na companhia do egiptólogo Santiago Sanz (Pedro de Lencastre, na versão portuguesa), visita algumas ruínas do velho Egipto, sem saber que está à beira de um encontro fantástico com o passado.

"O Mundo Perdido" (Mosquito n°s 576 a 633) é a primeira história da época de ouro de Jesus Blasco. Encon­tram-se já nela recursos narrativos e gráficos apreciáveis, que anunciam a evolução para um estilo muito pessoal, como, por exemplo, a cena em que a mão de Pedro de Lencastre emerge das areias movediças, agitando-se num espasmo de agonia antes de desaparecer, tragada pelo horrível sorvedouro.

O mesmo destino está reservado a Cuto, mas tanto este como o seu companheiro "ressuscitam" miraculosamente num mundo subterrâneo, onde vivem os últimos descendentes de uma dinastia egípcia governada pelo cruel Faraó Sefuris. Com a ajuda de Pedro de Lencastre e dos escravos revol­tados, Cuto combate a tirania do Faraó, trazendo a justiça e a liberdade àquele reino escondido.

Apartir desta aventura, Cuto nunca está sozinho: além dos maus, dos vilões — cuja tipificação é cada vez mais perfeita, num estilo realista que, tal como o das outras personagens, contrasta com o aspecto caricatural do nosso herói —, há sempre ao seu lado um parceiro e uma parceira simpáticos, que partilham com ele as honras do vencedor. Em "O Mundo Per­dido", esse par romântico é formado por Pedro de Lencastre e pela filha de Sefu­ris, os quais, apesar de pertencerem a épocas e a civilizações diferentes, acabam por casar, como é da praxe, tornando-se os herdeiros do Faraó.

Mas, antes de regressar ao seu mundo, Cuto tem ainda de atravessar o deserto, torturado pelo calor, pela fome e pela sede e perseguido por um bando de salte­adores árabes.

A aventura seguinte, "O Rapto de Juanita", publicada após um longo intervalo, do n° 674 ao n° 679, mostra Cuto num cenário bem diferente: o rancho de um milionário argentino, onde goza umas merecidas férias. Com a ajuda do seu cavalo "Campeche", o valente rapaz vai salvar a filha do milionário, a bela Juanita, das mãos dos seus raptores e de um incêndio que devasta a floresta.

Encerra-se, assim, o primeiro ciclo das aventuras de Cuto, coincidindo com a mudança de formato d'O Mosquito, a partir de Janeiro de 1946. Daqui em diante, começam a brotar as obras-primas que tornaram Jesús Blasco, a par de Emilio Freixas, o maior desenhador espanhol da sua geração. »»




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O Louletano, 13 | Abril | 2009


O império do mal

A luta de Cuto contra os seus perigosos adversários, de envergadura muito superior à dos habituais vilões das histórias aos quadradinhos, assemelha-se a um novo combate entre David e Golias, combate que assume proporções épicas em "Tragédia no Oriente", sem sombra de dúvida uma das maio­res criações de Jesús Blasco, que nela combina uma técnica perfeita com uma acção primorosamente encadeada, em que avultam as reminiscências da 2a Guerra Mundial e dos cam­pos de con­centração nazis.

Na pele de um jo­vem repór­ter de um di­ário de São Francisco, nos EUA, Cuto tenta descobrir o paradeiro de alguns aviadores misteriosa­mente desa­parecidos, entre os quais figu­ra o irmão da sua ami­ga Mary. É nesta grande aventura, publicada entre os n°s 692 e 765 d'O Mos­quito, que Cuto consolida definitivamente a sua reputação, pois não hesita em recorrer aos meios mais radicais — como apoderar-se de um avião de caça, cujos comandos manobra

como um piloto expe­rimentado — para se­guir a pista dos rapto­res. Quase por acaso, C u t o e Mary che­gam a Tok Saloung, ignota re­gião do Tibete, cercada por altas montanhas, onde descobrem a fortaleza do Mago Branco, um tirano megalómano que se veste como um general de opereta e usa o pomposo título de Imperador. Arrogante, cruel, vaidoso, ciumento e sem escrúpulos, o Mago Branco, casado com a bela e erótica Grande Senhora, é uma daquelas figuras arquetípicas e metonímicas (como Ming, o figadal inimigo de Flash Gordon) cuja perversidade exerce um estranho fascínio.

Aprisionados pelos ocupantes da fortaleza — soldados asiáticos que usam uniformes e símbolos de inspiração nazi —, os dois jovens são obrigados a servir o tirano e a sua esposa, mas Cuto não desiste de destruir os poderosos canhões com que o Mago Branco sonha dominar o mundo e nessa tentativa vive os momentos mais emotivos e dramáticos de toda a sua carreira.

Desafiando a censura do governo fascista do Generalíssimo Franco, Blasco compôs em "Tragédia no Oriente" uma autêntica sinfo­nia da morte, cujo pano de fundo é a sinistra fortaleza de Tok-Saloung, ambiente concentracionário onde parece reviver o pesadelo de Auschwitz: torturas, fuzilamentos, genocídios, fornos crematórios, são lugares comuns nesta saga fúnebre e sangrenta em que a obsessão de Blasco pelo horror e a crueldade, a violência e a morte — como forma de exor­cismo contra a ditadura —, está bem patente. »»

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Cuto em O Lago da Morte, Almanaque O Mosquito, 1985

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CUTO EM NÁPOLES (Final)


CUTO em O LAGO DA MORTE (1)


(Continua...)

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segunda-feira, 28 de abril de 2014

JOBAT NO LOULETANO – MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA (165-166) – JESUS BLASCO – CUTO – HERÓI DE UMA GERAÇÃO (2 e 3)


MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA (165-166)

O Louletano, 16 | Fevereiro | 2009 


No país dos "gangsters"

Na sua primeira aventura realista, "O Ardina Detective", Cuto — the portuguese kid, como foi baptizado n'O Mos­quito — era um vendedor de jornais, sem família nem lar, vivendo pelos seus próprios meios em Nova Iorque, onde enfrentava sozinho uma quadrilha de gangsters chefiada pelo impiedoso Bracon.

Vinheta de Cuto, "O Ardina Detective" 

O desenho de Blasco, ainda de pendor caricatural, agradou imediatamente aos leitores. Apesar de incipiente e imperfeito, revelava já, nalguns enquadramentos felizes e no emprego das sombras, o embrião de uma técnica que havia de distinguir o seu autor e torná-lo conhecido no estrangeiro, como vaticinou certa vez ao pai de Blasco o editor da revista Boliche.

Outro acerto do desenhador barcelonês consistiu na impecá­vel construção dos seus guiões, que renovaram o estilo e a dinâ­mica das histórias da época — em contraste com as HQ inglesas que se publicavam n'O Mosquito —, influenciando grande número de desenhadores espanhóis, entre os quais os seus irmãos mais no­vos Alejandro, Adriano, Pilar e Augusto, que com ele colaboraram assiduamente, sobretudo os dois primeiros.

A atmosfera de policial negro e violento de "O Ardina Detective" — com um Cuto que se esquiva às balas, pulando de telhado em telhado, invulnerável e ágil como um gato — já funcionava como metáfora das obsessões do seu autor pela violência e a morte, temas que Jesús Blasco exploraria de forma metódica nas histórias seguintes.

A ilha do Grande Senhor

A partir da segunda aventura de Cuto, "Sem Rumo" (publicada entre os n°s 524 e 565 d'O Mosquito), acentua-se a predilecção de Blasco pelas intrigas extraordinárias, a acção épica (cujo expoente mais alto é "Tragédia no Oriente"), os ambientes exóticos e as personagens enigmáticas, que aparecem e desaparecem como fumo.

Depois de ter vencido, num alarde de agilidade e coragem, o bando de Bracon e recuperado os planos de uma arma secreta — feito que lhe valeu uma recompensa de 10.000 dólares, oferecida pelo município de Nova Iorque — Cuto regressa a Portugal. Mas, após um breve descanso, ei-lo que embarca, ao encontro de novas aventuras, num velho cargueiro, cujo coman­dante é uma espécie de louco furioso. A tripulação amotina-se e abandona o navio. Escapando por um triz à fúria homicida do capitão, Cuto e umajovem passageira fogem também, num bote de borracha, e vão parar a uma remota ilha do Pacífico, onde vivem uma experiência aterradora à mercê do Grande Senhor, um estranho e diabólico vilão de aparência oriental, que usa um grande ponto de interrogação sobre o peitilho en­gomado da sua camisa e, tal como o Dr. Moreau (personagem de um célebre livro de H.G. Wells), faz da sua ilha palco de manipulações genéticas. »»

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O Louletano, 02 | Março | 2009 


Cuto é atacado por animais selvagens, combate com hin­dus belicosos e, nas entranhas do misterioso covil do Grande Senhor, assiste a um morticínio provocado por uma horda de monstruosos humanóides (numa magistral elipse de Blasco, que descreve todo o horror da cena através somente do ar apavorado de Cuto).

O cata­clismo final de "Sem Rumo" — o primeiro de muitos com que Jesús Blasco re­mata as "his­torietas" de Cuto —, um maremoto que arrasa a ilha e sepul­ta o Grande Senhor e os seus acólitos no fundo do oceano, representa o fim de um pesadelo que, nas aventuras seguintes, continuará a assumir novas formas. Mas o nosso herói, sempre bem-humorado, graceja que, se a ilha não tivesse sido tragada pelo mar, ele ficaria conhecido para a posteridade como "Cuto, o descobridor..."

O Grande Senhor faz parte de uma curiosa galeria de génios do mal, que Blasco retrata magistralmente ao longo das aventuras de Cuto — aristocrática linhagem de personagens cabalísticas, cujo carácter e inteligência (satânicos) refinam o paladar da intriga—e que culmina numa antológica figura de vilão: o Mago Branco, de "Tragédia no Oriente".

De desportista a herói da aviação

Seguidamente, vamos encontrar Cuto envolvido em peripécias menos dramáticas, que metem tramóias com corridas de cavalos e uma amazona furibunda que o ameaça com um chicote, porque a sua presença lhe pareceu suspei­ta. A aventura, publicada do n° 566 ao 575 d'O Mosquito, intitulava-se "Bandidos e Cavalos" e, tal como "Cuto Desportista", ou Cuto amante dos desportos de Inverno, dada à estampa no Almanaque O Mosquito e A Formiga — a grande novidade do Natal de 1944 —, era apenas o pró­logo de uma aventura maior e melhor. Em "El Pájaro Azul" (aventura publicada apenas em Espanha, em forma de álbum, com 46 páginas), Cuto, transformado num "ás" da aviação, trava conhe­cimento com o Dr. F. Moreno, inventor de um avião de raio de acção ilimitado, cujos planos são cobiçados por uma potência estrangeira, vagamente oriental. Graças a Cuto, o Dr. Moreno consegue levar a cabo o seu inven­to e triunfar dos espiões que raptaram a sua noiva e pretendiam destruir o seu avião, o aero­dinâmico Pássaro Azul. »»

Vinheta de Cuto na série "El Pájaro Azul" 



Capa do álbum "El Pájaro Azul", série não publicada em Portugal


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CUTO EM NÁPOLES (6 e 7)


(Continua...)

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terça-feira, 22 de abril de 2014

JOBAT NO LOULETANO – MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA (163-164) – JESUS BLASCO – O PAI DE “CUTO” (4) + CUTO – HERÓI DE UMA GERAÇÃO (1)


O Louletano, 2 | Fevereiro | 2009

O PAI DE CUTO - 4
Por José Batista

Em "Tragédia no Orien­te" uma aventura de Cuto, Blasco retrata um regime autoritário e faz uma subtil alusão ao bombardeamento da aldeia de Guernica, pela aviação nazi, a pedido de Franco, exterminando deze­nas de habitantes, incluindo mulheres e crianças. A censura fascista não se apercebeu da subtil referência...

Também em Espanha faltaram duas páginas do Flash Gordon, em publicação no semanário Leyendas.

Jesus Blasco foi solicita­do a colmatar a falha, o que fez nos números 160 e 161, concluindo o episódio, com o seu reconhecido profissionalismo, embora não fosse Alex Raymond a sua referência, no que respeitava às histórias aos quadradinhos.

Livro didáctico ilustrado por Jesús Blasco, do qual houve, em 1974, uma edição em português (Brasil), que teve distribuição em Portugal - apenas em Lisboa. A informação sobre esta edição portuguesa foi-nos fornecida por Leonardo De Sá já depois deste post ter sido editado. 

O seu modelo foi Milton Caniff, o genial criador de "Terry e os Piratas" e "Steve Canyon" (sem esquecer "Miss Lace") que, com a cumplicidade de outro talentoso cria­dor, Noel Sickles (autor de "Scorchy Smith") introduziu nos "quadra­dinhos" processos narra­tivos inspirados nas téc­nicas cinematográficas, tais como a variação de planos, caracterização e expressão dos persona­gens e no desenho um maior realismo, com a introdução de sombras e silhuetas e a valoração do tratamento em claro-escuro.

Cuto em "O Caso dos Rapazes Desaparecidos" 

A INTERNACIONALIZAÇÃO

Em 1954, Jesus Blasco iniciou a sua colaboração com a editora inglesa Fleetway. Buffalo Bill, Billy the Kid, Robin Hood, Dick Turpin e Rob Riley foram alguns dos personagens que desenhou, além de clássicos da literatura e histórias curtas.

O maior sucesso só chegou com " Garra deAço" (The Steel Claw), a história de um vilão convertido em herói, publicada na revista Valiant de 1962 a 1973, com argumentos de Tom Tully.

Os editores ingleses raramente permitiam que os artistas assinassem os seus trabalhos, no entanto, para Jesus Blasco, abriram uma excepção, aceitando que, nos seus desenhos, o artista incluísse a sua assinatura.

Outra demonstração do apreço que lhe dedicavam é o facto de que, quando o catalão se deslocava a Londres, para reuniões com os editores, estes enviavam um luxuoso Rolls-Royce, com motorista fardado, recolhê-lo no aeroporto, para o conduzir à Fleetway House, em Farringdon Street.

CHARLAS & COPAS

Nos anos 80 do século passado, Jesus Blasco foi, por várias vezes, presidente da comissão organizadora do Salón del Cómic de Barcelona.

O mestre catalão era um anfitrião caloroso para os "peregrinos" portugueses: artistas, argumentistas, coleccionadores, fans e cronistas que se deslocavam ao festival, eram depois acolhidos na privacidade da mítica torre dos Blasco, ocasião ideal para animadas charlas e reconfortantes copas. »»

 
Cuto em "Tragédia no Oriente" 

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O Louletano, 9 | Fevereiro | 2009


Quando eu tinha os meus cinco anos, já lia (ou melhor, soletrava) jornais infantis. Nesse tempo, publicava-se em Portu­gal um jornal de pequeno formato, O Mosquito, que, devido ao módico preço de capa (cinco tos­tões) e às aventuras que inseria, se tornara bas­tante popular. Com uma tiragem semanal capaz de fazer inveja à dos seus confrades mais recen­tes (60.000 exemplares, aproximadamente), O Mosquito ocupava uma posição privilegiada entre as publicações da época, apesar do seu reduzido número de páginas e da fraca qualidade do papel em que era impresso.

Essa popularidade atingiu o auge quando começou a publicar, no n° 508, de 6/5/1944, as aventuras de Cuto, um pequeno herói de cabelo ruivo e rosto cheio de sardas, corajoso, perspicaz e ágil como um gato. Cuto era uma criação do jovem artista espanhol Jesús Blasco, que iniciou a sua carreira aos 14 anos — como já foi referido nesta rubrica —, depois de ter sido premiado num concurso de desenhos organizado pela revista Mickey.

Pequeno, desenvolto, inteligente, com um agudo sentido de observação e reflexos prontos como o raio, Cuto não tar­dou a tornar-se o maior ídolo dos rapazes portugueses desse tempo, que vibravam com as suas aventuras e desejavam em segredo imitá-lo, identificando-se facilmente com aquele rapaz tão humano, tão pare­cido com eles, que nada tinha de um super-herói, "um rapaz como qual­quer outro (como escreveu o críti­co espanhol Luis Gasca), embora vivesse aventuras excepcionais e experiências que normalmente es­tavam vedadas aos rapazes da sua idade, conduzindo com mão segura lanchas a motor, aviões e velozes automóveis desportivos".

Capa de "O Mosqui­to" n° 508, início das historietas do Cuto

Mais popular ainda do que Tintin — que, ao tempo, se publicava n'O Papagaio —, Cuto foi o ídolo, o herói indiscutível de uma geração, que ainda hoje o recorda com emoção e saudade. Após um eclipse que durou vários anos — entretanto, Blasco começou a trabalhar para Inglaterra, criando outras personagens que lhe deram mais fama e dinheiro, como o misógino Garra de Aço —, Cuto voltou a ressurgir em Portugal, numa revista que herdou até o seu nome: o Jornal do Cuto, meritória iniciativa de Roussado Pinto, homem a quem a história da Banda Desenhada no nosso país muito deve.

Exemplo de vocação precoce, Blasco tomou para modelo de Cuto o seu irmão Alejandro, a quem todos em família tratavam por essa carinhosa alcunha. Cuto e os seus amigos Gurripata y Camarilla formavam uma pandilha de garotos travessos que apareceu pela primeira vez nas páginas de uma pu­blicação chamada Boliche. Mais tarde, abandonando a faceta cómica, Blasco iniciou uma nova etapa da sua carreira no semanário Chicos, editado em San Sebastian, do qual viria a tornar-se, ao longo dos anos, um dos mais apreciados colaboradores. »»

Capa do 1° número do "Jornal do Cuto" 

  


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CUTO EM NÁPOLES (4 e 5)


(Continua..)

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