segunda-feira, 14 de novembro de 2016

GAZETA DA BD #63 – A REVISTA TINTIN NASCEU HÁ 70 ANOS

Gazeta da BD #63 
na Gazeta das Caldas
11 de Novembro de 2016


A REVISTA TINTIN NASCEU HÁ 70 ANOS
A saga de uma publicação 
para jovens dos sete aos setenta e sete anos...

Em 1944 André Sinave, Albert Debaty e Raymond Leblanc fundam as Edições Yes, ocupando um escritório no nº 55 da Rua du Lombard em Bruxelas. Talentosos nas letras mas sem queda para as contas, Sinave e Debaty confiam a contabilidade da editora a Leblanc (22 de Maio de 1915 – 21 de Março de 2008). Este tinha sido funcionário do Ministério das Finanças, na Alfândega belga, como auditor e fora, durante a II Grande Guerra, oficial de reserva num dos exérctios de Montgomery em Hanovre.

Sinavre era um homem cheio de projectos e ideias. Pensou criar uma revista para jovens a exemplo do Le Petit Vingtiéme, suplemento juvenil do jornal Le Vingtième Siècle. Aquele suplemento havia sido criado em 1928 e depois de atingir os 599 números de publicação foi extinto em Maio de 1940, quando a Bélgica foi invadida pelas tropas alemãs. O redactor-em-chefe do Petit Vingtiéme era Georges Remi, criador de Tintin e que assinava R.G., as iniciais invertidas do seu nome o que daria Hergé, criando a maior parte dos heróis que alimentavam a publicação. Mas a sua personagem mais conhecida era Tintin, o repórter ficcional do Petit Vingtiéme. Com o fecho do jornal Hergé passou para o sumplemento juvenil do Le Soir, um jornal fundado em Outubro de 1940 pelos alemães que ocupavam a Bélgica. Daí ter-se propalado o colaboracionismo de Hergé com os nazis, o que foi desmentido por ele mais tarde...


Mas André Sinave estava focado no modelo do Petit Vingtiéme, embora reformulado e modernizado. Quando apresentou o seu projecto de um semanário juvenil, com Tintin como vedeta, Debaty e Leblanc ficaram cépticos. Como convencer Hergé, nesse período de pós guerra difícil, como “desenterrar” o papel para imprimir essa revista, como arranjar capitais?

Mas Sinave era considerado um homem engenhoso. Conseguiu obter papel graças à boa relação com Raoul Tack, um político liberal belga que se tornara senador e que compartilhara a infelicidade de Sinave nos calabouços do forte de Huy durante a guerra. Sem problemas, obteve papel para o projecto do seu amigo editor.

Mas outra questão se colocava: como encontrar Hergé na confusão do pós guerra? Sinave, quando era jovem escrevia pequenas histórias para Le petit Vingtième e conhecera Hergé. Mas como o encontrar? Foi aí que interveio Pierre Ugeux, um antigo colaborador daquele suplemento juvenil e que conhecia bem Hergé, prontificando-se a escrever-lhe uma carta, a 10 de Setembro de 1945:

“Meu caro Georges,

Recebi a visita de um amigo que pretende utilizar a fórmula do “Petit Vigtième”, mas modernizada, para uma revista nova. Ele gostaria de contar com a sua colaboração e convidou-me a estudar consigo essa possibilidade. Como espero ser desmobilizado em breve e me interessa retomar o serviço no ramo editorial, poderá você fixar um encontro em data que melhor lhe convenha?

Pierre Ugeux”

André Sinave, Pierre Ugeux e Raymond Leblanc encontram-se então com Hergè em Boisfort no Outono de 1945. O autor de Tintin mostrou-se muito receptivo à ideia do projecto que lhe foi apresentado.

Restava o problema do financiamento ser resolvido, uma vez que para lançar tal projecto seriam necessários capitais. Mais uma vez André Sinave moveu montanhas. As suas relações no meio cinematográfico permitiram-lhe encontrar um interlocutor de primeiro plano: George Lallemand. Este juntou-se ao grupo para ajudar a financiar o projecto, em troca de uma participação de 40% na sociedade. Pelo seu lado Raymond Leblanc consegue obter 50% e Hergé 10%. Perante este cenário, André Sinave (que não contaria com a proposta de Lallemand) e Albert Debaty ficam literalmente “de mãos a abanar”. Deste modo o autor da ideia do Journal de Tintin, que moveu montanhas para a sua concretização, é posto literalmente fora do projecto.

A 8 de Agosto de 1946 nascem Les Éditions du Lombard, fundada por Leblanc e Lallemand. Por outro lado Sinave e Debaty criam as Éditions du Nervian, destinadas a desenvolver outras publicações da Yes, que é extinta neste processo.

Paul Cuvelier, Raymond Leblanc, Hergé e E.P. Jacobs, no lançamento do Tintin #1


A 26 de setembro de 1946 as edições du Lombard lançavam, na Bélgica, o número 1 do semanário Le Journal de Tintin – Le journal des jeunes de 7 à 77 ans, uma publicação de 12 páginas, com as primeiras pranchas de “O Templo do Sol", uma nova aventura de Tintin por Hergé, "A Extraordinária Odisseia de Corentin", de Paul Cuvier, "La Légende des Quatre Fils Aymon" de Jaques Laudy e "O Segredo do Espadão", a aventura inaugural da dupla Blake & Mortimer, criada por Edgar P. Jacobs.

A revista seria extinta em Novembro de 1988, ao fim de ceca de 2100 números editados.


 

Le Journal de Tintin foi também distribuída no Canadá e existiu simultâneamente a versão em neerlandês, com o nome Kuifje. Em 28 de Outubro de 1948 a revista conheceu a sua primeira expressão internacional com a edição francesa (também distribuida na Suiça) editada pelas Éditions Dargaud e que terminou no nº 690, de 8 de Novembro 1988. A versão castelhana existiu entre 1967 e 1969. A portuguesa – que adoptou a grafia Tintin, em vez de Tintim, com que todos os álbuns do herói foram publicados em Portugal – foi editada entre 1968 e 1982, pela Bertrand.

Setenta anos depois, o nascimento da revista que tomou por nome a mais célebre das criações de Hergé, é pretexto não só para exposições, programações especiais e uma série de lançamentos editoriais, entre os quais um múmero especial da revista Paris Match – sob o título "La Saga du Journal Tintin".

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NOTA


Devido a uma série de complicações por questões de saúde, não enviei este número da Gazeta da BD a tempo de ser publicada perto do aniversário da data da fundação da revista Tintin como tinha programado, daí que tenha saído na Gazeta das Caldas apenas no passado dia 11 de Novembro.

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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

REPORTAGEM – 389º ENCONTRO DA TERTÚLIA BD DE LISBOA – 1 DE NOVEMBRO 2016

REPORTAGEM
389º ENCONTRO 
DA TERTÚLIA BD DE LISBOA
1 DE NOVEMBRO 2016 

HOMENAGEADO
NELSON DONA

CONVIDADO ESPECIAL
MIGUEL PERES


  
Nelson Dona nasceu em Lisboa em 1970. Estudou em Lisboa, na Escola António Arroio e na Faculdade de Arquitectura. É pós-graduado em Gestão Cultural e membro da Associação de Gestão Cultural Portuguesa.

É Director do AmadoraBD – Festival Internacional de Banda Desenhada desde 1999, trabalhando na Câmara Municipal da Amadora desde 1987.

O AmadoraBD – Festival Internacional de Banda Desenhada é o maior acontecimento dedicado à banda desenhada em Portugal e que marca todos os anos o calendário nacional desta actividade, sendo também um dos maiores eventos na Europa dedicados à ”nona arte”.

Em Portugal, Nelson Dona trabalha também na produção e organização de exposições de Artes Visuais e Fotografia, no Festival de Poesia Visual, Encontros de Performance, na Bienal de Escultura de Ar Livre e na Bienal de Gravação. Foi consultor da Expo 98 – Exposição Universal de Lisboa para o musical “O Rapaz de Papel” durante o Festival dos 100 Dias.

Organizou ou foi curador de uma série de exposições e participações de diversos autores em eventos de banda desenhada em todo o mundo, como Angoulême, Audincourt e Paris (França), Bruxelas (Bélgica), Lodz (Polónia), Nápoles (Itália), Piracicaba e Recife (Brasil) e Hong Kong, Macau e Shangai (China). Como autor participou nos Meetings de Arte, de Córdova e Lagos.

Nelson Dona fez também parte de júris internacionais nos Festivais de Bolonha, Espinho, Lausana e Piracicaba.
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Miguel Peres, setubalense genuíno desde 1987 e alfacinha falsificado desde 2011.

Em criança lia “banha desenhada”, hoje tenta escrevê-la sem erros e muita imaginação. Nas estantes de casa, heróis como Astérix, Lucky Luke ou Tintin iam inspirando e criando o gosto pela banda desenhada. Hoje, nomes como Jeff Lemire, Grant Morrison ou Simon Spurrier são enormes influências no seu trabalho.

Em 2010, decidiu deixar-se levar pela paixão de escrever e inscreveu-se no workshop “Argumento para BD” de André Oliveira, argumentista que considera seu mentor e que o ensinou praticamente tudo o que sabe sobre esta arte.

Em 2011, juntou-se a André Oliveira e Fil como co-editor da antologia “Zona BD”, um projeto que aposta em jovens autores portugueses e brasileiros. A partir daí teve várias colaborações com desenhadores como Luís Figueiredo (Shutter na Zona Gráfica 3 e Desenhar Direito por Linhas Tortas na Zona Desenha), Miguel Mendonça (O que nos divide), Filipe Coelho (O Desejado vs. Cavalum, 2º Lugar no Portusaki).

Em 2012, lançou o seu primeiro álbum de BD Cinzas da Revolta, das Edições ASA, com desenhos de João Amaral. O livro levou-o a ser um dos nomeados para Melhor Argumentista do Ano na 1ª Edição dos Prémios Profissionais de BD em 2013 e a obra vai ser alvo de análise para o projeto europeu MEMOIRS – Children of Empires and European Postmemories em 2017.

Em 2016 criou a chancela editorial Bicho Carpinteiro com o argumentista português e amigo de longa data André Morgado, lançando o seu segundo álbum de BD Cemitério dos Sonhos com desenhos dos brasileiros Rodrigo Martins dos Santos, Marília Feldhues, Rômulo de Oliveira e Cinthia Fujii. Todo este tempo é dividido com o seu trabalho como criador de conteúdos e locutor da edpON Rádio, rádio corporativa da EDP, mas está sempre irrequieto a escrever novos projetos.

COMIC JAM
Nestre Encontro foram realizados 2 Comic Jam
Autores participantes:

1 - Nelson Dona 
2 - João Paulo Sá-Chaves 
3 - Filipe Duarte 
4 - Paulo Vicente 
5 - Joana Duarte 
6 - Melissa Correia

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1 - Miguel Peres
2 - Maria João Cardoso
3 - Ana Saúde
4 - João Amaral
5 - Fábio Veras
6 - Mariana Serra

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FOTOS
(Álvaro)



 






























 


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