sexta-feira, 10 de novembro de 2017

REPORTAGEM DO 401º ENCONTRO DA TERTÚLIA BD DE LISBOA – 7 NOVEMBRO 2017


REPORTAGEM 
DO 401º ENCONTRO 
DA TERTÚLIA BD DE LISBOA
7 NOVEMBRO 2017
APRESENTAÇÃO DE LIVROS 

 
 
 
 
 
 
 

COMIC JAMS
Autores participantes no comic jam 2017-11-07 a:
1 - Inês Garcia 
2 - Miguel Santos 
3 - Pedro Correia 
4 - Joana Geraldes 
5 - Sofia Pereira 
6 - Filipe Duarte

Autores participantes comic jam 2017-11-07 b:
1 - Ricardo Cabral
2 - Darsy Fernandes
3 - Nuno Rodrigues
4 - Pedro Ribeiro Ferreira
5 - Marta Teives
6 - Joana Afonso

 

FOTOS
(de Álvaro)










































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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

BDpress #484

ENTREVISTA COM NUNO SARAIVA 
NO JORNAL PÚBLICO 
Público • Segunda-feira, 6 de Novembro de 2017

A dupla página do Público de 6 de Novembro de 2017, com uma apreciação sobre o Amadora BD 2017 e entrevista com Nuno Saraiva.

A palavra fado está hoje ligada ao infortúnio, à perda, à saudade ou à má sorte, mas na verdade a sua origem é outra. Significa 'destino', e o destino não tem de ser mau, [também] pode ser bom.


Nuno Saraiva - "Continuo a desenhar o mesmo: os amores, as mulheres, as minhas paixões"

Entrevista - Rodrigo Nogueira
Foto de Vitorino Coragem

Nuno Saraiva, vencedor do prémio de Melhor Álbum Português nos Prémios Nacionais
de Banda Desenhada do Amadora BD de 2016
, é homenageado na edição deste ano com uma retrospectiva das três décadas de trabalho de ilustração e banda desenhada. Tudo isto é Fado é, além do título da exposição, o título de um álbum e de uma série de tiras suas.


A organização do Festival de BD da Amadora optou por chamar à minha exposição Tudo isto é Fado porque, à partida, como acontece com outros livros que são premiados e dão uma exposição, o autor expõe os originais do livro destacado do ano passado. Sendo essa a ideia que me foi apresentada, comecei a vasculhar uma série de desenhos, ilustrações e bandas 'desenhadas que tinha no baú. De repente, dou por mim a descobrir umas páginas publicadas em 1987, o meu primeiro trabalho pago e publicado. Feitas as contas, fazia 30 anos.

Nunca tinha pensado nisso?

Não. Fiquei surpreendido, porque pensava que não tinha sido há tanto tempo, pensava que tinha sido, sei lá, quase há 25 anos. Dá um número redondo. Foi uma banda desenhada que foi publicada após vencer um concurso para jovens. Tinha na altura 16-17 anos, salvo erro. Venci o primeiro prémio, que dava direito a um cheque e à publicação numa revista que na altura era a mais lida de banda desenhada, o jornal da BD. Eu e o cenógrafo [da exposição] lembrámo-nos de fazer qualquer coisa que tivesse a ver, por um lado, com o meu passado e, por outro, com. o meu presente, muito ligado às Festas de Lisboa, aos arraiais, ao fado. Então mantiveram o nome Tudo Isto é Fado, não por causa do título do livro, mas porque tudo isto é um fado, é um destino. A palavra "fado" está hoje ligada ao infortúnio, à perda, à saudade ou à má sorte, mas na verdade a sua origem é outra. Significa "destino", e o destino não tem de ser mau, [também] pode ser bom.

Como era essa primeira banda desenhada?

Chama-se Ted Sponja. Era a história de um detective privado nova-iorquino dos anos 40-50, uma espécie de detective meio gangster, que estava sempre embriagado, muito inspirado nos romances policiais da época, tipo Raymond Chandler, por exemplo, ou Dashiell Hammett. Era um anti-herói.

Então, se não fosse este convite, se não tivesse ido pesquisar nos seus arquivos, nunca se teria dado conta de que fazia 30 anos de carreira?

De modo algum. Teria deixado passar. Como, de resto, tenho deixado passar tudo o que é efemérides. Não ligo muito a isso. É o tipo de coisa que me faz sentir um bocado velho.

Nunca tinha olhado para trás desta maneira?

Não, não.

Tirou algumas conclusões ou guardou algumas datas para festejar no futuro?
As datas mais importantes que desejo festejar em plenitude e sempre são as datas de aniversário da minha filha. A verdade é que ao longo de 30 anos de carreira eu posso ter evoluído, o meu traço ou o meu raciocínio podem estar mais apurados, mas houve uma única coisa que não mudou - a enormíssima dificuldade que um ilustrador, um artista plástico ligado à ilustração e à banda desenhada, tem em chegar ao último dia do mês com dinheiro suficiente para pagar uma renda e as despesas.

Desde que ganhei a independência dos meus pais, sensivelmente aos 22 anos [hoje tem 48], a verdade é que nunca falhei o pagamento no final do mês, mas é uma batalha constante. Até agora ainda não consegui chegar a um momento em que venha o dia 25 e me sinta aliviado. De certa forma, toda esta insegurança e estes desequilíbrios do ponto de vista financeiro alimentam a vontade de estar continuamente a trabalhar com força, com energia. E acho que consegui atingir algo que é muito raro um autor atingir, seja aqui ou lá fora, que é criar uma identidade própria.

Mas em termos de abordagem mudou alguma coisa? O mundo mudou muito em 30 anos.

Se olharmos para trás, para as grandes obras clássicas da antiga Grécia, da antiga Roma, chegamos à conclusão que, ao fim e ao cabo, as nossas preocupações são sempre as mesmas. É o amor, é a auto-estima, é o sucesso, é a autoconfiança. No meu caso, acho que desde que comecei a trabalhar continuo a desenhar o mesmo: os amores, as mulheres, as minhas paixões. Se calhar o traço mudou, mas as intenções são as mesmas.

Além da exposição, desenhou várias figuras da Amadora para o cartaz do festival. Como foi essa pesquisa? 
Propus uma investigação sobre a Amadora, sobre as gentes da Amadora, dentro do tema reportagem. Fui às bibliotecas, às associações recreativas, fazer um bocadinho de trabalho de arqueologia, e tentar saber quem são as·figuras que fizeram aquele território. Todos nós conhecemos relativamente bem a história das grandes cidades.

Só que as cidades da periferia são muito marginalizadas. Se calhar essa preocupação vem-me por também ser um suburbano, um filho de Almada... Mas sempre me entusiasmaram as histórias das cidades de periferia, porque são locais de abandono, de fuga, em que as pessoas procuram fugir ao barulho e ao caos de uma [grande] cidade.

Parte da exposição de Nuno Saraiva no Amadora BD deste ano - mais tarde haverá um post dedicado ao Festival...


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domingo, 5 de novembro de 2017

401 ENCONTRO DA TERTÚLIA BD DE LISBOA – 7 NOVEMBRO 2017 APRESENTAÇÃO DE LIVROS



401 ENCONTRO 
DA TERTÚLIA BD DE LISBOA
7 NOVEMBRO 2017

APRESENTAÇÃO DE LIVROS

  
  
  

SINtra 

SINtra é um livro de banda desenhada que resulta de um projeto com cerca de um ano e meio, nascido do argumento de Tiago Cruz e da arte de Inês Garcia.
Esta é uma banda desenhada de terror, publicada pela editora Escorpião Azul e baseada num mito/lenda da zona de Sintra e Azenhas do Mar/Praia das Maçãs.

Sinopse

Em SINtra nem tudo é o que parece. 
Quando um jovem casal de namorados decide acampar na serra de Sintra envolve-se num estranho acidente, acabando por descobrir que não estão sozinhos…
Quem habita na misteriosa serra? Talvez existam SEGREDOS que nunca devam ser revelados.
Esta é uma história sobre mistério e terror numa das serras mais mágicas de Portugal, baseada em pequenas lendas e mitos locais e com um universo repleto de criaturas fantásticas à mistura que vai colocar Alice e Daniel à prova no que parece ser a noite mais longa das suas vidas.

Tiago Cruz

Nascido em Lisboa, 1989. Licenciado em Comunicação e Artes. Desde pequeno que sempre mostrou interesse na banda desenhada, área que juntamente com os videojogos ocupou maior parte da sua adolescência e tempos livres. 
A esses gostos, mais tarde, juntaram-se também o gosto pelo Black, Doom e Death Metal, a escrita, a poesia e o terror. Actualmente trabalha como argumentista freelancer e é estagiário no Serviço Educativo da Culturgest.

Inês Garcia

Nasceu em Lisboa, em 1990. Licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, Mestre em Anatomia Artística e actualmente a frequentar o segundo ano do Doutoramento em Belas-Artes na mesma instituição. É também bolseira por parte da FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia.
Em termos profissionais é professora assistente na Escola Superior de Educação de Lisboa, lecionando uma disciplina que explora o universo das criaturas fantásticas e do concept art. 
A temática dos monstros, bem como o universo do sobrenatural e do terror são grandes interesses que pretende explorar em termos académicos e profissionais.


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O TLS Series é uma colecção criada pelos membros presentes do The Lisbon Studio, marcando o regresso deste colectivo ao mundo da edição, depois da publicação da Mag#1 – The Lisbon Studio em 2010 e de 10 números da WebMag publicados online no Issue entre 2013 e 2016. 
Com mais de uma década de existência, o The Lisbon Studio surgiu como um espaço partilhado por autores que têm em comum a dedicação pela banda desenhada. Apesar da constituição dos membros do TLS se ter alterado ao longo dos anos, não só se sente a herança dos seus fundadores como a marca deixada por todos os que por aqui passaram. 

Arquitectura da memória

O retrato mais vívido do que é uma cidade acontece na banda desenhada. O paralelo estabelece-se à primeira vista: prédios com janelas, páginas com quadrados. Na relação única que se cria entre o texto e a imagem, surgem ligações em tudo semelhantes ao que sucede entre uma cidade e quem a vive, em permanência ou de passagem. 
As cidades são palcos de histórias, nem sempre passadas nas suas ruas e avenidas, becos e estradas; às vezes, acontecem dentro da cabeça dos que lá vivem, dos que a visitam, e esse interior é diferente do que seria se existisse noutra cidade. Scott McCloud ilustra assim a coisa: para além do que conseguimos observar espreitando pelas janelas dos prédios, há todo um entretanto que se desenrola no espaço entre elas. Igual na BD: se num quadrado temos um machado sobre uma cabeça, e no seguinte temos um corpo decapitado, é o observador que tira as suas conclusões. As cidades, como as histórias, não são nada sem a cumplicidade de quem supõe esses entretantos. 
É lícito dizer que as histórias são feitas da mesma substância que as cidades: há uma arquitectura de memórias trazidas para o papel, estruturas de fundações mais profundas que as dos prédios. A cidade está em constante mutação, e as memórias, aparentemen- te fixas em tinta, mudam de acordo com quem as lê, quem as interpreta. Uma história passada numa cidade muda tantas vezes quantas as que é contada, sendo que é contada de cada vez que é lida. 
O Princípio da Incerteza de Heisenberg, usado para descrever a relação subatómica entre o observador e as partículas observadas, é tão ou mais verdadeiro na relação do Homem com a Cidade. Existe uma super simetria gritante, em que as cidades são o que delas fazemos, e nós somos o que as cidades fazem de nós. Uma circularidade de causa e efeito, ovo que gera galinha que gera ovo. Da distância (esse entretanto) que vai dos homens que as construíram aos que nelas vivem, nascem as histórias. 
As cidades podem ser do tamanho de um T0 ou do céu que as sustenta (sim, as cidades começam por ser sustentadas pelo céu, e só depois pelo terreno em que assentam), como na Muralha do Filipe Andrade. A mais íntima das relações que com elas se estabelece pode surgir na sequência da descoberta serena de um quotidiano, como nas 24 Horas da Dileydi Florez. O Rasto do Fantasma, da Marta Teives e do Pedro Moura, revela a cidade como palco de avanços e retrocessos, de reencontros e despedidas adiadas. Um labirinto cheio desses becos sem saída que são os arrependimentos, como no Quiosque da Joana Afonso; uma rotunda em que todas as saídas conduzem a si própria, como em Oumun The Revenge, do João Tércio (ou não fosse esta uma história de vingança). 
É no contraste entre a vivência nocturna, dionísiaca e excessiva, e a responsabilidade imposta e diurna, que a Cid Hades do Gonçalo Duarte descobre o absurdo da dita normalidade. E Os Muros de Terrea do Ricardo Cabral ilustram de forma impiedosa o vazio da cidade que se fecha em si mesma em virtude do medo. 
Todas estas cidades, reais e imaginárias, são tão verdadeiras como as feitas de metal e betão. Existem no espaço entre os autores e os leitores, são histórias que vivem nesses entretantos. Memórias partilhadas, que se transformam com a partilha; exorcismos e celebrações, janelas para o interior de cada um de nós, porque as cidades – e a banda desenhada – também são espelhos que reflectem a distância entre o que somos e o que gostaríamos de ser, entre o que fomos e o que podemos vir a transformar-nos. 
Neste livro, todas as esquinas trazem memórias de um futuro possível. 

Filipe Homem Fonseca

Falar sobre o silêncio...

Quando o próprio universo conhecido é uma máquina que vibra na sua particular frequência ininterrupta, qual cósmica lira monocórdica.

É engraçado, e historicamente compreensível, que tal palavra tenha eclodido no sítio mais barulhento do universo conhecido. 

No princípio não era o verbo.

É provável que a invenção de tal palavra tenho ganho uma especial ênfase aquando da invenção de um algarismo de nome “Zero”. A participação de um número que representa a ausência de números na grande festa da matemática trouxe qualquer coisa de místico para a grande rambóia da inteligência humana. O grande silêncio de Deus que, multiplicado por todos os que o escutaram e escutam, resulta de novo em Zero, foi e é a fonte de inúmeras interpretações, das mais doces às mais selváticas, poéticas, serenas, sangrentas. 

É, de facto, um conceito muito barulhento. Qualquer coisa como “Much ado about nothing”.

Daí que seja bom trazer o conceito para uma acepção menos absoluta e mais relativa: que é o que muito boa gente tem feito com os conceitos que se referem, no fundo, a coisas com revestimentos metafísicos, nos últimos 500 anos.

A grande e inabalável ausência de ruído, podemos supôr, é a total ausência de percepção, o desmanchar da máquina dos sentidos, a morte. Assim, onde o silêncio está, nós não estamos.

E é precisamente sob este aspecto que ele entra fulgurante nas nossas vidas!

Para nós, bichos, a ausência de respostas ou de sinais que sirvam as nossas necessidades, transforma-se numa espécie de silêncio particular: o medo. Sendo o medo a movimentação inaudível de toda a espécie de predadores e ameaças que cresce dentro de nós. E o amor é... (oh! Finalmente a resposta certa para ganhar o peluche gigante!) a ausência do medo. 

Para nós, aqui na Terra, há o silêncio do medo e o silêncio da paz. 
Para cada um, o silêncio da sua sorte. 

JP Simões

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