sábado, 10 de agosto de 2019

REVISTA #10 DO CLUBE TEX PORTUGAL - A SAIR!

REVISTA #10 DO CLUBE TEX PORTUGAL A SAIR!

Entrou já na gráfica a revista do Clube Tex Portugal #10. Deixo aqui algumas imagens de páginas e das capas – oficial e alternativa. Como se sabe, a revista com a capa oficial é distribuida gratuitamente aos sócios do clube, que tenham as quotas em dia, podendo os mesmos adquirir também a revista com a capa alternativa, pelo preço de 10,00€.

A ilustração original a preto e branco de Giacomo Danubio e as nove fases de aplicação das cores, por Sérgio Streiechen, para a capa principal desta revista nº 10 do Clube Tex Portugal, podem ser vistas aqui em http://texwillerblog.com/wordpress/?p=83614. Divirtam-se!!!

ÍNDICE REVISTA DO CLUBE TEX PORTUGAL #10
4 – GIACOMO DANUBIO – Mario João Marques
13 – A OUTRA FACE – Sérgio Maderia de Sousa
21 – COMANCHE, UMA HEROÍNA NO OESTE – Rui Cunha
29 – O MURRO DE TEX A CARSON CENSURADO – José Carlos Francisco
31 – A MENSAGEM DOS DAKOTAS – Jesus Nabor Ferreira
37 – A CENSURA NOS QUADRINHOS – João Marin
40 – UM COZINHEIRO NA CORTE BONELLI – Júlio Schneider
42 – EL MORISCO – Moreno Burattini
46 – OS DESENHADORES DE TEX – ENSAIOS BIOGRÁFICOS – AURELIO GALLEPPINI – Jorge Machado-Dias
50 – GALERIA TOYBROKER – Ricardo Leite

  
  
  
  
  

 
 A capa alternativa

 Capa principal

Versos da capa e da contracapa


quinta-feira, 8 de agosto de 2019

NOVELA GRÁFICA V com o jornal Público – Volume 6 – GORAZDE SONA DE SEGURANÇA – de JOE SACCO

NOVELA GRÁFICA V 
com o jornal Público
Volume 6

GORAZDE ZONA DE SEGURANÇA
de JOE SACCO 

TEXTO DE INTRODUÇÃO DE RUI CARTAXO


BDpress #506 - Recorte de imprensa sobre BD - no jornal Público 

CERCADOS EM GORADZE

Novela Gráfica V - Vol. 6
Gorazde: Zona de Segurança
Argumento e Desenhos- Joe Sacco
Quinta-feira, 8 de Agosto
Por+10,90€

O próximo volume da colecção Novela Gráfica assinala o regresso de Joe Sacco, um dos nomes maiores da reportagem de guerra em banda desenhada, género que praticamente inventou com Palestina, a sua novela gráfica de estreia, publicada em Portugal no início deste século XXI.

Nascido na ilha de Malta, mas residente em Nova Iorque, Sacco é acima de tudo um repórter que escolheu a linguagem da BD para transmitir aquilo que viu. A meio caminho entre a novela (autobio) gráfica e a reportagem pura e dura, as suas obras têm como fio condutor o próprio Joe Sacco.

Ele é o narrador participante, por vezes irónico, por vezes distante, mas cuja presença se apaga gradualmente face à força dramática dos testemunhos que relata. Sacco não chega a grandes conclusões, nem apresenta soluções, limita-se a relatar o que viu. E o que viu não é nada bonito. Um retrato sem concessões, mas cheio de humanidade, dos horrores da guerra e das vidas das gentes que procuram sobreviver e encontrar alguma aparência de normalidade no meio do caos.

No cerne deste livro estão as quatro viagens que o autor fez a Gorazde, entre o final de 1995 e o início de 1996. Um pequeno enclave muçulmano em território sérvio, Goradze foi designado pela ONU como área segura durante a guerra da Bósnia. Uma designação optimista, pois a cidade, cercada pelas forças sérvias da Bósnia, esteve à beira da destruição durante três anos e meio, com o povo de Gorazde a sofrer severas privações para manter sua cidade, enquanto o resto do Leste da Bósnia era brutalmente "purificado" de sua população não sérvia pelas tropas de Slobodan Milosevic.

Após a morte do marechal Tito eclodiu um conflito armado na ex-Jugoslávia. A mão de ferro do marechal conseguira manter artificialmente unida durante quase três décadas a então República Federal Socialista da Jugoslávia, que acabaria, porém, por se dividir numa série de pequenas repúblicas, correspondentes às diferentes comunidades étnicas e religiosas de croatas, sérvios e muçulmanos. O assunto tem sido bastante tratado na BD, mas esses relatos centram-se sempre na cidade de Sarajevo.

Basta pensar em Fax de Sarajevo, de Joe Kubert, publicado na colecção de 2016, ou em Sarajevo-Tango, de Hermann, ainda inédito em português. Esse dado vem tomar mais pertinente o esforço de Sacco, que permitiu alertar o grande público para o drama vivido em Goradze. Para além da força dos relatos e da profunda humanidade com que Sacco os transmite, o livro vive do traço detalhado e expressionista do desenhador.


Um estilo a meio caminho entre o realista e o caricatural, feito de milhares de pequenos traços, numa técnica que se aproxima da gravura e que se revela extremamente eficaz nas cenas de conjunto. Além de um traço muito trabalhado, Sacco é também senhor de uma boa técnica narrativa, patente na forma dinâmica como o texto se espalha pelas páginas, ou como a planificação se vai alterando de acordo com as necessidades de cada capítulo. Desde que foi publicado pela primeira vez em 2000, Gorazde: Zona de Segurança ganhou o Eisner de Melhor Novela Gráfica em 2001 e foi reconhecido como um dos clássicos absolutos da novela gráfica de reportagem. Um clássico que, quase 20 anos depois, chega finalmente a Portugal.

João Miguel Lameiras


Joe Sacco nasceu em Malta em 1960, mas passou grande parte da sua infância na Austrália e a adolescência nos Estados Unidos. Em 1981 graduou-se em jornalismo pela Universidade do Oregón, e dois anos depois voltou para Malta, onde publicou os seus primeiros desenhos. Posteriormente estabeleceu-se em Portland (EUA), onde co-editava e co-publicava uma revista mensal de banda desenhada. Em 1986 mudou-se para Los Angeles, onde começou a sua colaboração para a Editora Fantagraphics Books.

A partir de 1988 se dedicou a viajar pelo mundo, e logo publicou seu primeiro livro de banda desenhada, Yahoo, que abordava diversos temas. De 1993 até 1995 trabalhou no livro Palestina, onde passou para o papel as suas próprias experiências em territórios ocupados na Palestina. Em 1996, Sacco foi muito noticiado devido a esse livro, sendo premiado com o American Book Awards. Em 2000 publicou outra obra prima Área de Segurança: Gorazde, sobre a guerra civil na Bósnia Oriental, e foi premiado pela Fundação Guggenheim. Em 2003, continuando o trabalho anterior publicou O Mediador novamente centrado no conflito da antiga Jugoslávia.

A Guerra da Bósnia durou entre março de 1992 e novembro de 1995, Sarajevo tornou-se o alvo de jornalistas pela tragédia ocorrida lá. Mas a parte oriental do país foi esquecida, o povo muçulmana era vítima de crueldade pelo exército da Sérvia, visto isso a ONU criou as "Área de Segurança" mas estas áreas eram constantemente cercadas e atacadas pelo exército. Sacco contou esta história com muito detalhe nos desenhos e mostrando uma das áreas de segurança. Goražde teve mais de 2.600 pessoas civis mortas de uma população de 37.000 habitantes.

 







segunda-feira, 5 de agosto de 2019

AMANHÃ – 423º ENCONTRO DA TERTÚLIA BD DE LISBOA – CONVIDADA ESPECIAL: LÍGIA MACEDO



AMANHÃ

423º ENCONTRO DA TERTÚLIA BD DE LISBOA
CONVIDADA ESPECIAL

LÍGIA MACEDO 



Cresci rodeada por BD e aprendi a ler com BD: os meus irmãos mais velhos, todos tinham o seu tipo preferido: francófonos, comics americanos e quadrinhos brasileiros e ensinavam-me a ler com os balões nas histórias; o marido da melhor amiga da minha mãe era um colecionador de BD que tinha um quarto cheio de álbuns para eu descobrir; e o meu pai tinha gosto em me dar para as mãos os romances de aventuras daquelas coleções para jovens do Antigo Regime em que as páginas com o romance propriamente dito eram intercaladas com a história em BD: eu lia primeiro a BD e depois o romance.

Enquanto crescia nunca deixei de ler BD e fui descobrindo novas personagens, autores e tipos de BD, mas não sou nenhuma entendida, simplesmente gosto de ler.

Comecei a trabalhar no Festival em Maio de 2001, sem ter experiência em produção ou organização de eventos culturais. Assumi a responsabilidade das Relações Internacionais e fui aprendendo sob orientação do Nelson Dona. O Problema é que foi o ano da queda das Torres e todas as exposições americanas caíram… que eram uma grande parte da programação expositiva do festival. Tivemos que refazer a programação quase toda em poucas semanas. Ao mesmo tempo no inicio de setembro a CMA tinha decidido que o Festival já não seria na Fábrica da Cultura mas sim na Escola Intercultural e o Nelson estava completamente assolado de trabalho a tentar fazer a conversão do projecto para um edifício completamente diferente, pelo que deixei de poder contar com o apoio dele. Com essa experiência aprendi quase tudo o que realmente interessa sobre o trabalho RI
e produção de exposições estrangeiras, mas foi um caos!

Trabalhei no festival enquanto responsável pelas RI até finais de 2017 e escolhi sair nesse ano.

Em Maio de 2018 fui para a Bedeteca da Amadora enquanto coordenadora; produzi a exposição comemorativa dos 90 anos de José Garcês; a exposição “O Boletim”, a exposição “50 anos da revista Tintin”, acabei a produção da Fanzineteca Geraldes Lino, e a última exposição que produzi na bedeteca foi a dedicada ao centenário de Eduardo Teixeira Coelho “ETC - Mestre da BD portuguesa” que inaugurou em Junho passado e estará estará patente até final de Novembro.

Em Fevereiro deste ano assumi a direcção do festival.

Quanto aos festivais futuros... primeiro tenho que conseguir produzir este! O processo de aprendizagem quase se compara com o de setembro/outubro de 2001…

Casa do Alentejo - Lisboa


sábado, 3 de agosto de 2019

NOVELA GRÁFICA V (2019) - MONIKA

NOVELA GRÁFICA V (2019)
MONIKA
THILDE BARBONI (argumento) 
GUILLEM MARCH (desenho)

com o jornal PÚBLICO 
(1/8/2019) 

Monika, uma artista visual e performer, concorda em esconder Theo, um brilhante inventor prestes a construir um cobiçado androide. Com a ajuda do seu amigo hacker, Monika investiga o desaparecimento da sua irmã. Ela é então arrastada para o submundo dos “bailes mascarados”, onde conhece e seduz Christian Epson, um carismático político que foi o último homem a ver Erika, a irmã desaparecida, cujo envolvimento com um grupo terrorista vai colocar em perigo a vida de Monika.

Um thriller movimentado e sensual, escrito por Thilde Barboni e magnificamente ilustrado por Guillem March.

OS AUTORES 

Guillem March e Thilde Barboni

Thilde Barboni, psicóloga clínica de formação, é autora de numerosos contos e obras de ficção, incluindo quase uma dezena de romances publicados na Bélgica, França e Suíça, alguns dos quais traduzidos para alemão e coreano. Em Monika, Thilde tece um suspense erótico que proporciona a Guillem March uma oportunidade perfeita para mostrar um registo e uma paleta de cores extremadamente sensuais…

“Queria agradecer muito em particular a Sergio Honorez, que teve a intuição de confiar a realização gráfica de Monika a Guillem March. Obrigado. Sergio, pelo teu entusiasmo, por me ouvires, e pelos teus conselhos tão sábios.

Obrigado a ti, Guillem. O teu talento maravilhou-me.
Foi uma alegria trabalhar contigo!
E obrigado também à equipa da Dupuis: Louis-Antoine, Manon, Julie. Laurence, Franck ... Obrigado a todos os que, de perto ou de longe, contribuíram para fazer deste álbum o que ele é!”

Guillem March, nasceu em Maiorca, em 1979, construiu uma extensa carreira no mercado americano como ilustrador da DC Comics, onde se estreou com uma história que os leitores portugueses conhecem do volume Asilo do Joker, no capítulo sobre a Hera Venenosa (na colecção No Coração das Trevas DC, editado em 2017 pela Levoir e pelo Público). Antes de entrar no mercado americano, March já tinha trabalho publicado como autor completo em Espanha, com obras como a trilogia Sofia, Ana y Victoria, pré-publicada entre 2001 e 2004 no suplemento dominical do Jornal de Mallorca, e Laura, livro de 2006 que encerra esse ciclo feminino e que foi realizado entre a publicação do primeiro e do segundo volume de Monika.

“Quero agradecer infinitamente à Thilde, ao Sergio e ao Louis-Antoine pelo imenso apoio que me deram, e pela sua paciência. E acreditem, "imenso" não é uma palavra vã!
Desenhar é a minha paixão, e os sacrifícios que tenho de fazer não me importam a mim, mas por vezes, outras pessoas sofrem com o meu modo de vida de eremita.
Obrigado a elas por me tentarem trazer para a luz de tempos a tempos.
edico este álbum à minha família, aos meus amigos, e sobretudo, à Marga.”



MONIKA 

Excerto do texto de introdução de Rui Cartaxo: 

Um policial, um thriller político, um livro de ficção científica, Monika é, afinal, o quê? Monika é um pouco dos três. Situa-se algures num tempo futuro mais ou menos próximo e num qualquer espaço, possivelmente a Bélgica, o país da argumentista, a consagrada escritora Thilde Barboni. Os nomes das personagens são quase universais: Monika, Théo, Erika, Christian. Mas ao invés de Rose d'Ellsabethville, publicado uns anos antes pelo selo de novelas gráficas da mesma editora, a Dupuis, naquela que foi a estreia de Thilde em banda desenhada, com um thriller político assumido e voltado para o passado da sua terra natal, esta não é uma BD virada para o passado, mas sim para o futuro. Ao thriller político-policial anterior, junta-se agora uma forte sensualidade, com um toque de mistério e uma dose q.b. de antecipação científica. Os encontros fazem-se em armazéns, não há cafés, ruas, gente a passar, há um mundo mais frio e já algo cibernético.

Os ingredientes básicos do enredo são, no entanto, semelhantes à BD de estreia: a política, os malfeitores, os bons de um lado, e os maus do outro, o sexo, a culpa, a redenção. Barboni não esconde a sua simpatia pela esquerda, mas desta vez, matiza as personagens políticas da história, isto é, Christian Epsow, com contradições, devaneios, deslizes. Centra-se na vontade, bondade e tenacidade dos indivíduos, como Monika sacrificando-se para encontrar a irmã, Théo fazendo avançar a tecnologia para construir um ser, mais ou menos humano, que fará um mundo melhor, ou Christian, perseguindo o seu ideal de uma esquerda unida e inspirada pela ecologia.

E quando falamos de Monika, referimo-nos ao primeiro capítulo, Os Bailes de Máscaras, ou ao último, Vanilla Dogs? Ou ao capítulo "não publicado", ao intermezzo, à longa elipse que separa um primeiro capítulo prenhe de mistério, de sensualidade e libertinagem, de jogo com a tentação e a excitação carnal, de um segundo capítulo mais formal, que segue a linha mais tradicional de um jogo de polícias e ladrões, na sua versão mais recente da luta entre um sistema político em crise, a que opõe o populismo e a deriva terrorista, tão ao sabor do nosso air du temps?(...)

ALGUMAS PÁGINAS DA HISTÓRIA E DOS ANEXOS












 
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