terça-feira, 6 de maio de 2014

JOBAT NO LOULETANO — MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA (167-168) — JESUS BLASCO — CUTO – HERÓI DE UMA GERAÇÃO (4 e 5) por Jorge Magalhães



MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA (167-168) 

O Louletano, 16 de Março ou 30 de Abril de 2009 (a página que temos não está datada)


Encontro com o passado

Blasco também gostava de desenterrar civilizações de­saparecidas, como ilustra "O Mundo Perdido", aventura em que Cuto, na companhia do egiptólogo Santiago Sanz (Pedro de Lencastre, na versão portuguesa), visita algumas ruínas do velho Egipto, sem saber que está à beira de um encontro fantástico com o passado.

"O Mundo Perdido" (Mosquito n°s 576 a 633) é a primeira história da época de ouro de Jesus Blasco. Encon­tram-se já nela recursos narrativos e gráficos apreciáveis, que anunciam a evolução para um estilo muito pessoal, como, por exemplo, a cena em que a mão de Pedro de Lencastre emerge das areias movediças, agitando-se num espasmo de agonia antes de desaparecer, tragada pelo horrível sorvedouro.

O mesmo destino está reservado a Cuto, mas tanto este como o seu companheiro "ressuscitam" miraculosamente num mundo subterrâneo, onde vivem os últimos descendentes de uma dinastia egípcia governada pelo cruel Faraó Sefuris. Com a ajuda de Pedro de Lencastre e dos escravos revol­tados, Cuto combate a tirania do Faraó, trazendo a justiça e a liberdade àquele reino escondido.

Apartir desta aventura, Cuto nunca está sozinho: além dos maus, dos vilões — cuja tipificação é cada vez mais perfeita, num estilo realista que, tal como o das outras personagens, contrasta com o aspecto caricatural do nosso herói —, há sempre ao seu lado um parceiro e uma parceira simpáticos, que partilham com ele as honras do vencedor. Em "O Mundo Per­dido", esse par romântico é formado por Pedro de Lencastre e pela filha de Sefu­ris, os quais, apesar de pertencerem a épocas e a civilizações diferentes, acabam por casar, como é da praxe, tornando-se os herdeiros do Faraó.

Mas, antes de regressar ao seu mundo, Cuto tem ainda de atravessar o deserto, torturado pelo calor, pela fome e pela sede e perseguido por um bando de salte­adores árabes.

A aventura seguinte, "O Rapto de Juanita", publicada após um longo intervalo, do n° 674 ao n° 679, mostra Cuto num cenário bem diferente: o rancho de um milionário argentino, onde goza umas merecidas férias. Com a ajuda do seu cavalo "Campeche", o valente rapaz vai salvar a filha do milionário, a bela Juanita, das mãos dos seus raptores e de um incêndio que devasta a floresta.

Encerra-se, assim, o primeiro ciclo das aventuras de Cuto, coincidindo com a mudança de formato d'O Mosquito, a partir de Janeiro de 1946. Daqui em diante, começam a brotar as obras-primas que tornaram Jesús Blasco, a par de Emilio Freixas, o maior desenhador espanhol da sua geração. »»




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O Louletano, 13 | Abril | 2009


O império do mal

A luta de Cuto contra os seus perigosos adversários, de envergadura muito superior à dos habituais vilões das histórias aos quadradinhos, assemelha-se a um novo combate entre David e Golias, combate que assume proporções épicas em "Tragédia no Oriente", sem sombra de dúvida uma das maio­res criações de Jesús Blasco, que nela combina uma técnica perfeita com uma acção primorosamente encadeada, em que avultam as reminiscências da 2a Guerra Mundial e dos cam­pos de con­centração nazis.

Na pele de um jo­vem repór­ter de um di­ário de São Francisco, nos EUA, Cuto tenta descobrir o paradeiro de alguns aviadores misteriosa­mente desa­parecidos, entre os quais figu­ra o irmão da sua ami­ga Mary. É nesta grande aventura, publicada entre os n°s 692 e 765 d'O Mos­quito, que Cuto consolida definitivamente a sua reputação, pois não hesita em recorrer aos meios mais radicais — como apoderar-se de um avião de caça, cujos comandos manobra

como um piloto expe­rimentado — para se­guir a pista dos rapto­res. Quase por acaso, C u t o e Mary che­gam a Tok Saloung, ignota re­gião do Tibete, cercada por altas montanhas, onde descobrem a fortaleza do Mago Branco, um tirano megalómano que se veste como um general de opereta e usa o pomposo título de Imperador. Arrogante, cruel, vaidoso, ciumento e sem escrúpulos, o Mago Branco, casado com a bela e erótica Grande Senhora, é uma daquelas figuras arquetípicas e metonímicas (como Ming, o figadal inimigo de Flash Gordon) cuja perversidade exerce um estranho fascínio.

Aprisionados pelos ocupantes da fortaleza — soldados asiáticos que usam uniformes e símbolos de inspiração nazi —, os dois jovens são obrigados a servir o tirano e a sua esposa, mas Cuto não desiste de destruir os poderosos canhões com que o Mago Branco sonha dominar o mundo e nessa tentativa vive os momentos mais emotivos e dramáticos de toda a sua carreira.

Desafiando a censura do governo fascista do Generalíssimo Franco, Blasco compôs em "Tragédia no Oriente" uma autêntica sinfo­nia da morte, cujo pano de fundo é a sinistra fortaleza de Tok-Saloung, ambiente concentracionário onde parece reviver o pesadelo de Auschwitz: torturas, fuzilamentos, genocídios, fornos crematórios, são lugares comuns nesta saga fúnebre e sangrenta em que a obsessão de Blasco pelo horror e a crueldade, a violência e a morte — como forma de exor­cismo contra a ditadura —, está bem patente. »»

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Cuto em O Lago da Morte, Almanaque O Mosquito, 1985

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CUTO EM NÁPOLES (Final)


CUTO em O LAGO DA MORTE (1)


(Continua...)

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segunda-feira, 5 de maio de 2014

AMANHÃ – 6 DE MAIO 2014 – O 359º ENCONTRO DA TERTÚLIA BD DE LISBOA – CONVIDADO ESPECIAL JOSÉ SMITH VARGAS


AMANHÃ – 6 DE MAIO 2014
O 359º ENCONTRO 
DA TERTÚLIA BD DE LISBOA
ANO XXVIII
CONVIDADO ESPECIAL
JOSÉ SMITH VARGAS
NA CASA DO ALENTEJO 


Entram, sobem as escadas, chegam ao hall e sobem as escadas. 
Se não nos encontrarem lá em cima, devemos estar cá em baixo na sala inicial ao lado do pátio.

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domingo, 4 de maio de 2014

GAZETA DA BD (24) NA GAZETA DAS CALDAS – OS ARGUMENTISTAS NA BANDA DESENHADA PORTUGUESA (3) – ANDRÉ OLIVEIRA



GAZETA DA BD (24) 
NA GAZETA DAS CALDAS

OS ARGUMENTISTAS NA BANDA DESENHADA PORTUGUESA (3) 
ANDRÉ OLIVEIRA

Por Jorge Machado-Dias

Gazeta das Caldas, 2 de Maio de 2014

André Oliveira nasceu em 1982 em S. João do Estoril. É licenciado em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa, mas a sua carreira tem sido, em grande parte, dedicada à escrita e ao ensino (com um lugar especial para a banda desenhada). Foi Formador na Escola Digital (Grupo Rumos) de disciplinas ligadas ao Argumento e criatividade desde 2012, professor da disciplina de Argumento no Instituto Politécnico de Beja em 2011, Formador em cursos de Argumento para banda desenhada e Oficinas de BD na escola Escreverescrever em Lisboa desde 2008 e orienta workshops de Argumento para banda desenhada e Oficinas de BD em regime freelance, tendo efectuado cursos em vários pontos do país (Lisboa, Fundão, Odemira, Oeiras, Cascais).

Na Faculdade de Belas Artes foi presidente do núcleo académico de BD e ilustração da FBAUL e editor de banda desenhada do Fazedores de Letras, jornal da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras, entre 2006 e 2007. Foi depois Editor de BD da revista Freestyle em 2009, Vice-presidente da Associação Tentáculo, colectivo cultural sem fins lucrativos desde 2010, Co-editor da antologia de BD nacional Zona de 2007 a 2012 (publicação que ao longo dos anos editou e promoveu cerca de uma centena de autores), foi co-fundador dos Prémios Profissionais de Banda Desenhada, é membro do colectivo The Lisbon Studio (do qual fazem parte alguns dos melhores autores/ilustradores portugueses ligados à BD) desde 2012, foi ainda Comissário para a área de banda desenhada da Trienal Movimento Desenho de 2011 a 2012 e organizador do evento “BD ao Forte” integrado na Trienal Movimento Desenho, no Forte do Bom Sucesso em Belém, que contou a participação de dezenas de autores nacionais de BD (2012).

André Oliveira conta, para já, com dois títulos em Banda Desenhada, de que foi o criador dos argumentos: os álbuns de BD “Há Sempre um Eléctrico que espera por mim”, ilustrado por Maria João Careto, editado pela Bedeteca de Beja (2010) e “Hawk”, ilustrado por Osvaldo Medina e Inês Falcão Ferreira, pela Kingpin Books (2014).

Para poder editar projectos mais pessoais, criou em 2013, com a designer Sofia Mota, a chancela editorial Ave Rara (designação herdada de um blog onde publicou diversas entrevistas com autores e editores de BD), com a qual já deu início à publicação de uma série de mini-comis, “Living Will” (#1 em 2013 e #2 em 2014), ilustrada por Joana Afonso e criou também uma revista online “Feathers” (Penas), para editar histórias curtas auto-conclusivas, ou teasers para projetos maiores. No primeiro número da revista (http://issuu.com/averaracomics/docs/feathers_1) editou uma história ilustrada por Pepedelrey, “Last Supper” (Última Ceia), prequela para o álbum "Doomed Place" (Lugar Maldito), uma história de terror passada algures no interior português e que no final terá 80 páginas. Note-se que tanto “Living Will” como “Last Supper” foram publicadas em inglês. Trata-se de uma estratégia para tentar chegar a um público mais alargado que as poucas centenas de leitores potenciais no nosso país.

André Oliveira publicou ainda alguns livros de criação literária (não BD): “Senhora Nossa Mãe”, conto de terror com ilustrações de Ruth Ferreira, pela Papiro Editora (2009); “Chili Habanero Bang Bang”, livro de bolso escrito segundo o jogo surrealista de “cadavre exquis” com o copywriter Rui Simões, pela Associação Tentáculo (2011) e “Hora do Saguim – O Livro”, livro de textos humorísticos que agrega as melhores publicações no blog com o mesmo nome e material original, pela El Pep (2013).

Com argumentos seus, estão a ser desenhados “Tiras do Baralho!”, álbum de BD ilustrado por Pedro Carvalho, a ser editado pela editora El Pep; “Living Will #3” e “Gentleman”, mini-comic de BD ilustrado por Ricardo Reis, pela Ave Rara-

Entre outros projectos de banda desenhada em desenvolvimento: “Dust Bowl” com Pedro Brito; “Vil” com Heguinil Mendes e “Volta – O Segredo do Vale das Sombras” com André Caetano. Ao longo dos anos, teve também bandas desenhadas curtas publicadas em dezenas de publicações (Mundo Universitário, revista Underworld, Zona, Tertúlia BDzine, revista Peste, CAIS, Café Espacial, Rejectzine, Funzip, Celacanto, entre outros).





 Detendo-nos um pouco em “Living Will”, digamos apenas – e por agora, pois voltaremos a esta obra mais tarde – que se trata da história de um velho, Will, que se apercebe da inexorável proximidade da morte e, no momento em que se sente tocado pelas suas raias, resolve dar início ao que adivinhamos ser uma pequena grande odisseia em que resolverá as pontas soltas da sua vida no tempo que lhe resta. Adivinhamos que cada número publicado se centrará numa das tarefas a que mete ombros, e que elas lhe permitirão a um só tempo regressar a momentos anteriores da sua vida, mas também libertar-se da sua canga para poder partir mais leve.

Digamos também que “Living Will” é realizado a duas cores, o preto e outra cor. Sendo que a outra cor no #1 foi o vermelho e no #2 o azul. O significado das diferentes cores será analisado quando falarmos aqui nesta história com mais pormenor.
IMAGENS QUE NÃO COUBERAM NO ESPAÇO IMPRESSO:


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sábado, 3 de maio de 2014

OS 75 ANOS DE BATMAN – PEDRO CLETO AMANHÃ NA FNAC

 
OS 75 ANOS DE BATMAN
PEDRO CLETO AMANHÃ NA FNAC - NO GAIASHOPPING

O Homem-Morcego faz 75 anos e, para celebrar o seu aniversário, a FNAC convidou Pedro Cleto, crítico e divulgador de banda desenhada, para uma conversa sobre as aventuras do icónico super-herói, criado pelo autor norte-americano Bob Kane.

Será uma oportunidade para revisitar a estreia de Batman na revista Detective Comics #27, em Maio de 1939 e a forma como a sua mitologia se desenvolveu ao longo dos anos bem como para descobrir algumas curiosidades a ele associadas.


Os autores que mais contribuíram para fazer do justiceiro de Gotham um dos pilares da DC Comics e as obras mais marcantes destes 75 anos serão outros aspectos a abordar numa sessão que se pretende aberta à participação de todos os que queiram comparecer.

É já amanhã, domingo, dia 4 de Maio, às 17h00, na FNAC do GaiaShopping. 



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quinta-feira, 1 de maio de 2014

20 ANOS DA MORTE DE AYRTON SENNA

Ayrton Senna da Silva (São Paulo, 21 de Março de 1960 — Bolonha, 1 de Maio de 1994)

20 ANOS DA MORTE DE AYRTON SENNA

Eu já via algumas corridas de Formula 1, transmitidas na TV. Mas quando se deu o fenómeno Ayrton Senna da Silva, de quem vi uma vez uma corrida ao vivo num Grande Prémio de Portugal no Autódromo do Estoril, passei a ver todos os Grandes Prémios na televisão.

E vi o último de Ayrton Senna, a terceira corrida dessa temporada, o Grande Prémio de San Marino, no circuito italiano de Imola a 1 de maio de 1994, fazem hoje 20 anos. O piloto brasileiro morreu nessa corrida, quando o seu Williams-Renault embateu violentamente contra os muros da curva Tamburello.

Senna tinha conquistado mais uma vez a pole position, mas o fim de semana não seria tão fácil. Ele estava particularmente preocupado com dois acontecimentos. Um deles, deu-se na sexta-feira, durante a sessão de qualificação da tarde, o piloto brasileiro Rubens Barrichello, envolveu-se num grave acidente perdendo o controle do seu Jordan nº14, passou por cima de uma zebra e voou da pista, chocando violentamente contra uma barreira de pneus.

Felizmente, Barrichello saiu desse acidente com pequenas escoriações e o nariz partido, ferimento suficiente para impedi-lo de correr no domingo. Senna visitou o seu amigo no hospital – ele saltou um muro depois de ter sido impedido pelos médicos de visitar Barrichello – e ficou convencido de que as normas de segurança do circuito deveriam ser revistas.

O segundo ocorreu no sábado, durante os treinos livres, quando o austríaco Roland Ratzenberger bateu violentamente, na curva Villeneuve, num acidente que começou a formar-se na fatídica curva Tamburello, quando a asa traseira de seu carro se soltou, fazendo-o perder o controle do veículo. Levado para o Hospital Maggiore de Bolonha, Ratzenberger morreu 8 minutos depois. Essa foi a primeira morte de um piloto em pista ao fim de dez anos – desde que a FIA tinha adoptado sérias medidas de segurança –. Senna convenceu os oficiais de pista a levá-lo ao local do acidente para ver ele mesmo o que poderia ter acontecido e isso custou-lhe mais uma advertência e algum desgaste na sua atribulada relação com a FIA.

Senna passou o final da manhã reunido com outros pilotos, determinado em recriar a antiga Comissão de Segurança dos Pilotos, a fim de melhorar a segurança na F1. Como um dos pilotos mais velhos, ofereceu-se para estar à frente desses esforços.

Apesar de tudo, Senna e todos os outros pilotos concordaram em correr. Ele saiu em primeiro, mas J.J. Lehto deixou ir abaixo o seu Benetton, fazendo os outros pilotos desviarem-se dele. Porém o português Pedro Lamy, da Lotus-Mugen, bateu na parte traseira de Lehto, o que levou o safety car à pista durante cinco voltas.


Na sexta volta a corrida foi reiniciada e na abertura da sétima volta Senna fez rapidamente a terceira melhor volta da corrida, seguido por Schumacher. Senna iniciara o que seria a sua última volta, quando entrou na curva Tamburello perdeu o controle do carro, seguindo a direito e chocando violentamente contra o muro de betão. A telemetria mostrou que Senna, ao notar o descontrolo do carro, ainda conseguiu, nessa fração de segundo, reduzir a velocidade de cerca de 300 km/h para cerca de 200 km/h. Os oficiais de pista chegaram à cena do acidente e, ao perceberem a gravidade do estado do piloto, só puderam esperar pela equipa médica, da qual Senna recebeu os primeiros socorros ainda na pista, ao lado de seu carro destruído, sendo de seguida levado de helicóptero para o Hospital Maggiore de Bolonha onde, poucas horas depois, foi dado como morto.

 

Michael Schumacher conquistaria nesse ano o seu primeiro título de campeão mundial de Formula 1. Por estranha coincidencia do destino, Schumacher, há tempos afastado das corridas de F1, veio a chocar em alta velocidade contra uma rocha, mas enquanto esquiava nos Alpes franceses, em 29 de Dezembro de 2013, entrando em coma, estado em que ainda se encontra...

Depois da morte de Senna, mal sabia eu que iria desenhá-lo...

Um ano depois de eu ter parado de desenhar Os Maias de Eça de Queiroz, devido à Asa ter canelado o projecto por ter desistido de editar BD, fui de novo contactado pela editora. Queriam regressar à BD e, diziam, queriam compensar-me por terem desistido do projecto d'Os Maias. A proposta era agora a actualização do álbum História da Formula 1, com um caderno especial sobre Ayrton Sena que tinha morrido, como descrevi acima, nesse ano (1994) em plena corrida. Nunca na vida tinha desenhado carros de que espécie fosse. Mas aceitei – ia a todas! Recolhi quilos de material – incluindo os Anuários de Formula 1 e por via disso, o editor destes Anuários – o jornalista de automobilismo Franciso Santos –, encomendou-me uma ilustração de Ayrton Sena, para um livro que ia editar sobre o piloto brasileiro. Depois de realizar essa encomenda, passei ao desenho do caderno de BD sobre Senna, montes de esboços e quatro pranchas a preto, tendo colorido a primeira – só entreguei as pranchas a preto, que foram pagas, diga-se – quando a Asa voltou a cancelar o projecto, anunciando que renunciava de vez à publicação de BD (só voltaria a editar BD já em 2002, com a Maria José Pereira aos comandos). O original da prancha a cores foi-me comprado, mais tarde, por Geraldes Lino que... não sabe onde a coisa está guardada.

O que me restou desse trabalho foi um dos originais (de dois) que fiz para a capa do livro de Francisco Santos, que acabou por ir parar à contracapa e, para mais, como o meu nome adulterado para Jorge Machado Vaz...

Aqui fica esse trabalho como singela homenagem a Ayrton Senna da Silva, por quem todos os portugueses (penso eu) nutriram um especial carinho.

Contracapa e capa do livro de Francisco Santos...
  
O original com que fiquei


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