segunda-feira, 16 de junho de 2014

X FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA 2014 (13) – LANÇAMENTOS EDITORIAIS

X FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA 2014 (13)

LANÇAMENTOS EDITORIAIS 

OK! Hoje levámos 4 secos da Alemanha - nada a que não estejamos habituados - não há-de ser nada: ganhamos aos EUA e aos outros (?) e pronto, seguimos em frente! Não fiquemos chateados - futebol é isto mesmo, nada a fazer. Vamos ao que interessa:

Foram apresentados na Bedeteca de Beja, durante o X Festival Internacional de Banda Desenhada de 2014, 15 novidades editoriais (12 novos títulos de livros, um fanzine e duas compilações de livros antigos), o que me parece, se não estiver em erro, um recorde absoluto em matéria editorial de banda desenhada lançada em festivais. Claro que, dadas as características do Festival deste ano – com o seu “entrelaçar de mãos” com autores sul americanos (sobretudo brasileiros, a que se juntou um mexicano) – três dos títulos, lançados por editores portugueses, reflectem esse panorama. Contudo não tem sido norma esta profusão de lançamentos nos últimos anos – se é que alguma vez houve tal profusão em anos anteriores. 

Como esta matéria vai ser motivo da nossa próxima rubrica na Gazeta da BD desta semana (na Gazeta das Caldas), deixamos aqui apenas a listagem dos títulos, as fotos de apresentações e respectivas imagens das capas.

7 VIDAS – DIÁRIO DE VIDAS PASSADAS, André Diniz e Antonio Eder - Polvo


AS SERPENTES DA ÁGUA, Tony Sandoval – Kingpin Books



TIRAS DO BARALHO, André Oliveira, Pedro Carvalho – El Pep


TERMINAL TOWER, Manuel Neto, André Coelho – Chili com Carne


YESHUAH – ONDE TUDO ESTÁ, Laudo Ferreira Jr. e Omar Viñole – Devir/Portugal


LIVING WILL #2, André Oliveira, Joana Afonso – Ave Rara


OBSCURUM NOCTURNUS, Diogo Carvalho – edição de autor


HÁ PIORES #3, Geral e Derradé – Polvo


SAFE PLACE, André Pereira – Kingpin Books


THE MIGTH ENLIL, Pedro Cruz – El Pep


EFEMÉRIDE #6 (PARTE 2 DE 4) – Vários Autores – Geraldes Lino


F(R)ICÇÕES, Nuno Duarte e João Sequeira – El Pep


CIDADE SUSPENSA, Penim Loureiro - Polvo


A PIOR BANDA DO MUNDO #1 e #2, José Carlos Fernandes – Devir/Portugal. Edição em capa dura da compilação dos seis livros de José Carlos Fernandes com o mesmo título genérico, editados entre 2002 e 2007.

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domingo, 15 de junho de 2014

X FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA 2014 (12) – AS EXPOSIÇÕES (11): GUIDO CREPAX + ENCERRAMENTO


HOJE 
ENCERRAMENTO 
DO X FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DE BEJA

Quisemos fazer coincidir toda a reportagem sobre as Exposições do X Festival Internaconal de BD de Beja, aqui no Kuentro, com a duração do próprio Festival. Terminamos assim - hoje, dia de Encerramento do X FIBDB - a referida reportagem. Contudo amanhã e terça-feira, teremos ainda dois posts referentes a acontecimentos durante o X FIBDB: os livros lançados durante o Festival e os vencedores dos Prémios Profissionais de BD 2014, apresentados na Bedeteca de Beja, no primeiro fim-de-semana.

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MUSEU REGIONAL DE BEJA – NÚCLEO DOS INFANTES – GUIDO CREPAX – Itália


OS DEVANEIOS DE UM AUTOR ÚNICO
Manuel Espírito Santo

Escrever sobre Guido Crepax é mais que uma mera incursão pelos caminhos insondáveis da lascívia, erotismo, sonho e fantasia. Sou suspeito ao escrever sobre este autor dado o meu gosto pessoal pela sua obra e de outros autores intemporais que foram amigos do mesmo; casos de Hugo Pratt, Dino Bataglia e Sergio Toppi que na minha opinião fazem parte de um lote restrito na nona arte como dos melhores de sempre. Lembro-me de me ter deparado com as estórias oniricas dos mundos de "Valentina", "Anita", "Belinda" e de "Bianca" nos finais dos anos 80, princípios dos 90 na revista Linus e posteriormente na Charlie Mensuel. Sempre tentei fazer um paralelismo da arte deste autor com o cinema e provavelmente com o meu período favorito do cinema: o neo-realismo italiano com os filmes de Visconti, Antonioni, Rossellini, De Sica, Fellini e perdido nas minhas memórias lembro-me de num qualquer puzzle criado na minha mente fazer algumas ligações da obra de Crepax ao fabuloso mundo deste último. Penso que pode ser um pouco leviano reduzir a estética deste autor ao seu lado erótico dado o detalhe que colocava num qualquer desenho que criava e ao qual atribuía muito da sua essência e do seu peculiar mundo interior.

Crepax construiu não meras personagens (cujo expoente máximo foi "Valentina" personagem inspirada na sua mulher), mas sim toda uma cultura Pop que revolucionou o modo como os leitores viam a banda desenhada, quer com as suas incursões pelo mundo cinematográfico quer com as suas incursões à cultura Pop e mesmo à literatura através de adaptações de escritores como: Sacher Masoch, Marquês de Sade, Pauline Reage, Edgar Allan Poe e Franz Kafka, e onde se notava que os seus desenhos não eram meramente estáticos e continham um movimento fora do comum nesta arte.

Quadradinhos perdidos e libertos numa página em branco, Crepax dava liberdade de espaço aos seus personagens e às suas obras ficando o leitor com a mente completamente liberta das "amarras" de ler vinheta a vinheta, quadradinho a quadradinho. Crepax criou um estilo muito próprio nesta arte, sendo um inovador na mesma onde o sonho/realidade eram mais que meros lugares comuns e eram fundidos sem uma ordem cronológica específica (como se o tempo de repente ficasse parado e voltasse a andar descontinuadamente sem uma ordem específica).

Escrever sobre este autor é escrever sobre a nona arte como um dos máximos expoentes de todas as artes numa só e basta olhar para a sua obra para nos abstrairmos de todo um mundo demasiado fechado que parece envolto numa caixa para absorvermos toda a liberdade mental que este autor nos proporciona.

Beja irá ter este ano uma exposição dedicada a este autor e o que mais me impressionou foi o modo como os seus filhos viam o seu pai enquanto este era vivo. Crepax não era somente um bom contador de estórias ou um bom desenhista, mas sim uma pessoa que inovava na nona arte e na vida e ainda hoje os seus filhos têm a perfeita noção do que ele trouxe para esta arte. Deixem-se surpreender pela belíssima arte deste autor na exposição do Festival Internacional de BD de Beja deste ano, e se puderem tentem comparecer a uma conversa/debate com a presença dos seus filhos: Caterina e Antonio neste festival, com o maior conhecedor de banda desenhada do mundo: Paul Gravett, o autor de BD brasileiro do momento: Eduardo Filipe Sama e comigo, sem qualquer tipo de moderação e com o máximo de liberdade e interacção possível, tal e qual como as obras criadas por Crepax.

De notar ainda que irão existir homenagens feitas por autores nacionais à personagem "Valentina" por Derradé, Osvaldo Medina, Ricardo Drumond, Tiago Araújo e pelo artista brasileiro: Eduardo Filipe Sama.

Beja será este ano um dos principais pontos de passagem a nível internacional no que à banda desenhada diz respeito com esta e outras exposições onde um mero quadradinho pode ter toda a liberdade do mundo.


TRIBUTO A CREPAX 


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Nota: Segundo informação de Manuel Espírito Santo, a exposição de originais de Guido Crepax no X FIBDB teve a colaboração e apoio da Invicta Indie Arts, que ajudou o Festival a ter em exposição 18 originais de Crepax (e não uns 10 como dizemos no texto), assim como os tributos feitos á Valentina de Crepax por autores nacionais e estrangeiros.

Pode ser visto aqui: http://invictaindiearts.blogspot.pt/2014/06/exhibition-of-iconic-comics-character.html o post do blogue da Invicta Indie Arts dedicado à exposição e fotos dos filhos de Crepax em Beja.

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sábado, 14 de junho de 2014

X FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA 2014 (11) – AS EXPOSIÇÕES (10): BDLP + ROMANOS NA BANDA DESENHADA



MUSEU REGIONAL DE BEJA – CONVENTO DA CONCEIÇÃO | BDLP | Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal

Com Alexandre Soares (Brasil), Altino Chindele (Angola), Álvaro (Portugal), Ana Saúde (Portugal), André Barroso (Brasil), Andreia Rechena (Portugal), Bocolo (Angola), Carlos Rocha (Portugal), Carnott Júnior (Angola), Fábio Moon (Brasil), GEvan (Portugal), Gildo (Angola), Inês Freitas (Portugal), Joana Afonso (Portugal), João Mascarenhas (Portugal), Júlio Pinto (Angola), l.indomar de Sousa (Angola), Marcelo d'Salete (Brasil), Marta Patalão (Portugal), Miguel Mendes (Portugal), Nelo Tumbula (Angola), Olímpio de Sousa (Angola), Paulo Monteiro (Portugal), Rita Vilela (Portugal), Sai Rodrigues (Cabo Verde), Tiago Abrantes (Angola), Wander Antunes (Brasil) e Zorito Chiwanga (Moçambique).


BDLP
João Mascarenhas

BDLP. Banda Desenhada de Língua Portuguesa. O fanzine que surgiu de uma ideia gerada aquando da realização do Festival de Luanda de 2010. Numa conversa de amigos, Olímpio e Lindomar de Sousa e João Mascarenhas, em breves "traços" definiram o perfil do fanzine: autores lusófonos e escrito em português. O português tão igual e tão diferente, falado e escrito nos quatro cantos do mundo. Aquilo que nos diferencia é exactamente aquilo que nos une. Esta diversidade da própria língua portuguesa é bem patente no BDLP #2, onde participam autores de cinco países da CPLP. E o resultado é fantástico, com as pequenas grandes variações da língua, projectadas através da Banda Desenhada de autores angolanos, brasileiros, portugueses ou moçambicanos. A participação de Cabo Verde foi apenas gráfica, sem texto. É a festa da diversidade das palavras aliadas às imagens criadas em cada continente onde a língua é falada, escrita e desenhada.

E o BDLP nasceu. Editado em conjunto pelo Olindomar Estúdio de Angola e pelo Grupo Extractus de Portugal. O primeiro número viu a luz em 2011 e desde então é editado um todos os anos. Nesta breve vida, já permitiu aos editores orgulharem-se do trabalho dos cerca de trinta autores de cinco dos países da CPLP que participaram nos três primeiros números até agora editados. Trabalho aliás reconhecido em Portugal, onde o fanzine venceu o Prémio Nacional de Banda Desenhada do Festival AmadoraBD'2013, na categoria "Fanzine", e em França, onde foi nomeado para o Prémio da BD Alternativa do Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême 2014.

Além da edição impressa, os editores decidiram disponibilizar uma versão digital, que pode ser acedida através do blog do fanzine: http://bdlp.blogs.sapo.pt. Assim, aquando da saída de um novo número, o anterior é disponibilizado neste endereço electrónico. O intercâmbio que este projecto tem permitido entre autores de Banda Desenhada de alguns dos países da CPLP, fazem com que os editores estejam já a preparar novos e diferentes voos futuros. Estes, a concretizarem-se como esperamos, permitirão um maior enriquecimento aos autores participantes, quer a nível artístico, quer humano, permitindo no final a todos uma experiência inolvidável. Ao nível da Banda Desenhada, ao nível da Língua e à escala planetária.


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MUSEU REGIONAL DE BEJA IGREJA DE SANTO AMARO | ROMANOS NA BANDA DESENHADA | Argentina, Bélgica, Canadá, Estados Unidos da América, França, Itália e Portugal.

Exposição bibliográfica com álbuns e revistas de Alberto Salinas (Argentina), Blutch (França), Clarence Gray / William Ritt (Estados Unidos da América), David B. (França), Eduardo Teixeira Coelho / José Carlos Teixeira (Portugal), Filipe Abranches / A. H. de Oliveira Marques (Portugal), Franz / Vernal (Bélgica), Harold Foster (Canadá), Hermann / Laymilie (Bélgica), Jacques Martin (França), José Salomão / Vitor Belém (Portugal), Milo Manara (Itália), Philippe Delaby / Jean Dufaux (Bélgica), Uderzo / Goscinny (França) e Victor Mesquita (Portugal).


BEJA - A PAX JULIA ROMANA
Francisco Paixão

A cidade de Beja foi muito importante durante a romanização do actual território português.

Denominada Pax Julia foi capital de Conventus Juridicus (circunscrição jurídica) juntamente com Scallabis Julia (Santarém) e Emerita Augusta (Merida), esta última capital da Lusitânia. Foi colónia romana – os seus cidadãos tinham o mesmo estatuto dos cidadãos de Roma –, e por aqui passava uma importante via romana (estradas vitais para a sobrevivência do império romano). Sendo capital de Conventus, administrou juridicamente umas das regiões da Lusitânia (todos os problemas jurídicos a sul do Tejo eram aqui resolvidos), estava administrativamente acima de Felicitas Julia (Lisboa) ou de Ebora (Évora). Assim, a cidade possuía um conjunto de edifícios públicos de relevo, com destaque para um templo de enormes dimensões e um grande Fórum, situados muito perto da actual Praça da República. Infelizmente, devido às demolições ocorridas durante séculos, não foram encontrados vestígios de outros edifícios característicos da urbe romana como, por exemplo, o teatro e o anfiteatro.

Escavações arqueológicas recentemente efectuadas puseram a descoberto as estruturas do templo romano e encontrou-se aquele que é, até agora, o maior templo da Península Ibérica, com cerca de trinta metros de comprimento e vinte de altura, rodeado por um grande tanque, semelhante aos encontrados nas cidade de Sevilha e Barcelona.

A colónia Pax Julia, elevada a cerca de 260 metros ao nível das águas do mar, dominou todo um vasto território rico em recursos mineiros, como por exemplo as minas de Vipasca (Aljustrel), e em recursos agrícolas. À volta da cidade encontram-se, ainda hoje, os famosos "barros de Beja", terras das mais férteis do país. Por conseguinte, foi nesta região que se desenvolveram importantes explorações agrícolas – as Villae – que correspondem, grosso modo, aos actuais montes alentejanos. A villa romana de Pisões era uma dessas explorações agrícolas que rodeavam a cidade romana. Escavações arqueológicas descobriram uma enorme villa do século I e abandonada no século IV. Estas escavações permitiram pôr a descoberto uma vasta área residencial, com mais de 40 salas, um conjunto balneário composto por piscinas aquecidas através de um complexo hipocausto, e recolher um vasto espólio formado por cerâmica comum, terra sigillata, mosaicos, objectos em ferro, bronze, osso, moedas, material arquitectónico e lapidar.

Actualmente, podemos encontrar no Museu Regional de Beja alguns dos testemunhos deste período da nossa História: os imponentes capitéis romanos com paralelo na cidade de Roma, capital do império, e um vasto espólio composto por lápides, aras votivas, diversos elementos arquitectónicos, mosaicos, vidros, frescos, cerâmicas, e um sem número de objectos do quotidiano que testemunham o esplendor daquela civilização, que também é a nossa, e da qual podemos encontrar, hoje, testemunhos na língua que falamos, no traçado das ruas de cidades e estradas, nas fachadas dos edifícios e, ainda, no Direito e na Lei. Os autores patentes nesta exposição remetem-nos para o imaginário deste período. Através das suas pranchas, de matriz histórica, não se limitam a desenvolver um conjunto de histórias em torno das suas personagens e aventuras, mas dão-lhe também toda uma dimensão trágica e/ou cómica no desenvolvimento relacional das suas personagens com o mundo e a sociedade em que vivem e, ao mesmo tempo, um rigor ao nível do desenho clássico, na reconstituição fiel das cidades, da arquitectura, dos trajes, dos objectos, das armas, etc. Vejam-se, por exemplo, as pranchas de Jacques Martin, na série Alix e de Uderzo e Goscinny, nas aventuras de Astérix o gaulês...


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