Mostrar mensagens com a etiqueta EFEMÉRIDES. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta EFEMÉRIDES. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 23 de julho de 2014

BDpress #422 – HOJE É O “DIA BATMAN” – O NOSSO MONSTRO HÁ 75 ANOS

 

HOJE É O “DIA BATMAN”
O NOSSO MONSTRO HÁ 75 ANOS

Público, 23/07/2014 

Joana Amaral Cardoso 

"Trabalhou" com Tim Burton, Neil Gaiman, Frank Miller, Christopher Nolan ou Alan Moore e é o super-herói mais filmado e mais analisado no divã. Esta quarta-feira é o Dia Batman.

O mais filmado de todos os super-heróis, best-seller nas lojas de comics e também o justiceiro mais analisado por psiquiatras e psicólogos. Esta quarta-feira é o Dia Batman e há 75 anos nascia uma criança milionária, que sofreria um trauma universal e se transformaria num vigilante à margem da lei, superando-se e agarrando gerações pelo caminho. Do pós-guerra ao camp dos anos 1960, passando pela acidez dos anos 1980 que parece envolver para sempre a cidade fictícia de Gotham, o apelo de Batman é o do super-herói que não o é, do ser humano moral e imoralmente superlativo. Hoje é dia de festa, cantam as nossas torturadas almas, para o menino Batman, lá no cimo de prédios cinzentos, uma salva de balas?

Muitas encarnações, séries e linhas narrativas depois, Batman é celebrado nesta quarta-feira um pouco por todo o mundo, com várias bibliotecas, livrarias e lojas de comics a fazer a festa com uma reedição especial (e gratuita) do número 27 da Detective Comics de 30 de Março de 1939 – o livro em que aparece pela primeira vez o homem-morcego. Em Portugal, será a BD Mania, no Chiado lisboeta, a receber por estes dias um número limitado destes originais – entre 50 e cem, estima um dos proprietários, Pedro Silva, que explica que definirá um critério para a sua distribuição – além de exemplares das edições deste mês dos comics regulares da “família Batman” com capas alternativas, que serão ainda em menor número.

Num ano em que há uma exposição-Batman nos estúdios Warner em Los Angeles, em que a série de TV dos anos 1960 vai estrear-se no home video, que o Batman de Tim Burton será reeditado no Outono e em que há novo videojogo, o alter ego nocturno do milionário Bruce Wayne é constantemente “um dos mais procurados” e “neste momento é o best-seller da loja”, atesta Vasco Lopes, livreiro da BD Mania que cresceu com Batman à cabeceira. Há mais de 15 anos a comercializar e distribuir banda-desenhada e material associado, a BD Mania tem no seu perfil de Facebook um Santo António com máscara negra na cara e um menino vestido de Robin ao colo. Há o deputado-Batman, o manifestante vestido de Batman para lutar pelos direitos dos pais, toda uma cultura popular embebida em morcegos e ideias de justiça ou falta dela. “Batman é um modo de vida”, resume Jim Lee, ilustrador e editor na empresa DC Comics.

Relógio parado em 1986

Nas últimas semanas, duas figuras centrais do universo Marvel (o outro gigante da edição de comics mundial) mudaram. Thor vai ser uma mulher, o Capitão América vai ser um negro. Há cinco anos, era a Batwoman que vivia a sua homossexualidade, há dois a Marvel celebrou o seu primeiro casamento gay, o Super-Homem já morreu inúmeras vezes e Bruce Wayne também…“Estas inflexões narrativas são um golpe duplo: tira-se o fôlego aos fãs com a mudança drástica e reconquistam-se os seus corações um ano depois devolvendo tudo à ‘normalidade’”, contextualiza João Lemos, ilustrador e autor de BD português que já colaborou com a Marvel. Apesar de, lembra, Batman também já ter tido outras vidas nos chamados universos alternativos da DC (do Japão medieval a uma Gotham vitoriana, exemplifica), o ilustrador considera: “À noite, todas as silhuetas icónicas são pardas mas, a longo prazo, a história requer elementos como a duplicidade de um semidiurno Bruce Wayne para se sustentar”. Ou seja, a essência do homem-morcego será menos permeável a estes mecanismos de diversificação e mercado das editoras. Mas uma dessas séries de histórias independentes mudou o morcego para sempre.

Recuemos no tempo. Batman nasceu em 1939 pelas mãos do ilustrador Bob Kane e do argumentista Bill Finger como uma encomenda da DC para que se juntasse mais um super-herói ao rol encabeçado naquela casa pelo muito bem-sucedido Super-Homem. No ano seguinte saía a primeira revista Batman, já com outras duas personagens que ajudaram a definir, como imagens no espelho, o cavaleiro das trevas – Joker e Catwoman. A primeira era de Batman foi escura, tortuosa. Nos anos 1950 e 60 tornou-se sorridente, quase paternal, além de irreprimivelmente camp na série televisiva protagonizada por Adam West. Depois veio a loucura do vigilante em busca de vingança e do storytelling mais rico e inovador, as tensões dos anos 1970 plasmadas em quadradinhos. E o relógio pára em 1986.

The Dark Knight Returns foi Frank Miller (Sin City, 300) a reescrever e redesenhar com Klaus Janson a história de Batman numa minissérie em que o herói estava mais velho (55 anos), Gotham cheia de crime e o Estado e Super-Homem em modo de perseguição ao homem-morcego saído da reforma. A Guerra Fria e o fosso da luta de classes era, tal como para outra importante série que despontava nesse ano na DC – a novela gráfica Os Guardiões, de Alan Moore e Dave Gibbons – o pano de fundo perfeito dentro e fora dos quadradinhos para uma visão densa da sociedade. Muitas outras histórias e momentos ajudaram a definir o morcego, mas “o que o Frank Miller fez é agora inseparável do ADN da personagem, que se tornou assim o contraponto lunar do solar Super-Homem”, postula João Lemos. E Vasco Lopes, rodeado de comics, heróis e vilões, não hesita em definir esta visão em quatro livros como a sua preferida. Leu-a aos 13 anos – “foi talvez a história mais adulta que li na altura” – e prendeu-o o facto de ser “um Batman mais velho, muito Clint Eastwood, que muda a nossa percepção do que é hoje” a personagem. “Batman torna-se mais ‘fascista’ com essa história, mais cruel, mais sádico.”

THE BATMAN EXHIBIT

A WARNER BROS STUDIOS COMEMORA 
O 75º ANIVERSÁRIO DE BATMAN 
COM UMA MEGA EXPOSIÇÃO EM LOS ANGELES















_______________________________________

terça-feira, 1 de abril de 2014

BDpress #413: JIJÉ – O MESTRE DA BD APAIXONADO PELA PINTURA

Diário de Notícias, sábado, 22 de Março de 2014

JIJÉ
O MESTRE DA BD
APAIXONADO PELA PINTURA
por Eurico de Barros

Assinala-se este ano o centenário do nascimento de Jijé (Joseph Gillain), criador de Jerry Spring, esteio da revista Spirou, gigante da BD e grande mas pouco conhecido pintor. A Bedeteca de Beja dedicou-lhe uma exposição, que incluiu um quadro pintado em Portugal nos anos 60.

Nos anos 30 e 40, Jijé, aliás Joseph Gillain, era um muito sério rival de Hergé, e o seu talento de desenhador era comparado ao do criador de Tintin, e até mesmo considerado superior a este por alguns. Um dos esteios históricos da revista Spirou, fundada alguns anos antes da sua rival Tintin, Jíjé já pedia meças a Hergé quando este publicava as aventuras de Tintin no Petit Vingtième, o suplemento juvenil do diário belga Le Vingtième Siècle, e ambos os títulos eram dirigidos à significativa comunidade católica da Bélgica.

Hergé e Jijé corporizam também as duas grandes escolas rivais de banda desenhada (BD) belga, respetivamente a escola de Bruxelas, formada por aquele e pelos seus colegas e discípulos da revista Tintin (Jacobs, Cuvelier, Laudy, Le Rallic, Vandersteen, Martin, etc.), mais tarde classificados como cultores da "linha clara", e a escola de Marcinelle (1), representada pela revista Spirou, onde militavam Jijé, um grande admirador de Milton Caniff, e os seus amigos e seguidores (Franquin, Morris, Will, Peyo, Roba, Paape, Jidéhem, etc.), graficamente mais individualizada e dada ao humor e à fantasia.

Mas se Hergé decidiu concentrar-se em Tintin e transformá-lo num herói e numa marca universal, investindo com inteligência na edição de álbuns das suas histórias, Jijé, além de ter criado Jerry Spring, a primeira grande série western realista da BD europeia, e de ter "dado" a Spirou o seu amigo e companheiro de aventuras Fantasio, ficou conhecido por criar ou desenvolver personagens e passá-las depois a outros (Spirou a Franquin, após o ter por sua vez herdado do seu criador, Rob-Vel, Jean Valhardi a Paape, ou Lourinho e Escarumba a Hubinon, por exemplo), por retomar séries já existentes (Tanguy e Laverdure, Barba-Ruiva), por se dividir calmamente entre o desenho realista e humorista e dedicar-se não só à banda desenhada mas também à pintura (o seu grande amor), à escultura ou à ilustração (era formado em Belas Artes, tendo sido aluno do pintor neo-impressionista Alexandre Daoust).

Esta dispersão do seu talento – e mesmo apesar do sucesso de Jerry Spring, o seu herói de referência e um clássico da banda desenhada – impediu-o de se tomar num autor tão conhecido e celebrado como Hergé (não que o hiperativo Jijé se importasse muito com isso).

O ano de 2014 marca o centenário do nascimento de Jijé (1914-1980), que está a ser assinalado com a publicação integral e cronológica da sua obra em Tout Jijé (18 volumes), com a reedição das aventuras de Jerry Spring a preto e branco (cinco volumes) e a publicação de Quand Gillan Raconte Jijé, uma compilação de entrevistas dadas ao longo de vários anos pelo autor a François Deneyer, especialista do autor, ilustrada com pranchas, desenhos, pinturas, ilustrações e esboços.

Portugal, onde a obra de Jijé, em especial as histórias de Jerry Spring, foram publicadas no Cavaleiro Andante, Zorro, Mundo de Aventuras, Spirou e Jornal da BD, e editadas em álbum pelas desaparecidas edições 70 (2), não ficou alheio à efeméride. Até dia 27, pôde ser visitada na Bedeteca de Beja a exposição "Jijé Nasceu Há 100 Anos", que, entre outro material, incluiu a reprodução de um quadro pintado por Jijé na Nazaré, nos anos 60, quando o autor visitou o nosso país, cedido pelo seu neto Romain Gillain.

Além do seu génio gráfico diverso e do profundo apego aos valores estéticos e éticos tradicionais em que foi educado, e que exibiu não só nas séries mencionadas mas também em biografias didáticas como as de São João Bosco (que salvou da falência a Editorial Dupuis na Segunda Guerra Mundial), Cristóvão Colombo, Jesus Cristo e Baden Powell, nas séries americanas .que retomou durante a ocupação alemã (Red Ryder e Super-Homem), nos Enquêtes du Comissaire Major ou em histórias soltas como Blanc Casque, Bernadette ou El Senserenico, entre vários outros, Jijé distinguiu-se ainda como mentor e catalisador de inúmeros dos maiores talentos da sua geração, reunidos na revista Spirou e na Dupuis, e como figura influente dos membros de uma geração. seguinte, nomeadamente Hermann, Derib e Giraud, que foi seu aluno e cujo Tenente Blueberry muito lhe deve. Tal como o Comanche, de Hermann, e o Buddy Longway, de Derib estão em estilo e espírito marcados por Jerry Spring.

Jijé trabalhou ainda com argumentistas e desenhadores como Goscinny, Rosy, Mouminoux, Charlier, Lob ou o seu filho Philippe Gillain, chegando até a colaborar com outro dos seus filhos, Benoît, o mais velho, numa série de míni-histórias promocionais e educativas patrocinadas por uma grande marca belga de detergentes.

A seguir ao nome de Jijé lê-se muitas vezes "o pai da banda desenhada belga". Um pai que deixou numerosa e variadíssima prole, que gostava de se definir antes de tudo como pintor e nunca deixou de se dedicar à pintura e à escultura paralelamente à BD. É uma faceta que continua ainda bastante desconhecida dos que admiram e celebram Jijé pela sua obra na Nona Arte.

(1) A "Escola de Marcinelle" é assim chamada por ser nesta cidade belga que está instalada a Editorial Dupuis, que publica- a revista Spirou.

(2) Nota do Kuentro: as Edições 70 não desapareceram, foram simplesmente compradas pelo Grupo Almedina, juntando-se ao grupo.
__________________________________________________

Jijé Nasceu Há 100 Anos
Exposição [que esteve] patente na Bedeteca de Beja
até dia 27 de Março

Joseph Gillain, óleo de 1946 
(atenção: não foi esta a pintura exposta na Bedeteca - o quadro acima 
veio do blogue BD no Sótão - daqui: http://bd-no-sotao.blogspot.pt/2014/03/blog-post_2070.html)

Tout Jijé 
18volumes
Dupuis
19,48 euros cada na amazon.fr


Jerry Spring - L'Intégrale en noir et blanc
5 volumes
Dupuis
22,80 euros cada na amazon.fr


Quand Gillain raconte Jijé
François Deneyer /Jijé
Dupuis
400 páginas
42,75 euros na amazon.fr

_______________________________________________________

  
Homenagem de Derib, Giraud e Hermann a Jijé

Joseph (a trabalhar numa escultura), Annie e Benoît Gillain em Bouvignes (1938)

Joseph Gillain em 1965


___________________________________________________________



sábado, 15 de março de 2014

REPORTAGEM FOTOGRÁFICA DO LANÇAMENTO DO LIVRO “JOÃO DE DEUS – A MAGIA DAS LETRAS”, de José Ruy



REPORTAGEM FOTOGRÁFICA DO LANÇAMENTO DO LIVRO 
“JOÃO DE DEUS – A MAGIA DAS LETRAS”
de José Ruy 

Tal como noticiámos aqui, no domingo passado, foi lançado o livro João de Deus – A Magia das Letras de José Ruy, na segunda-feira dia 10, na Casa Museu João de Deus, assinalando o 184º aniversário do poeta. A Apresentação do livro foi feita pelo Dr. Guilherme de Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas e do Centro Nacional de Cultura. Interveio também, como não podia deixar de ser o Dr. António de Deus Ramos Ponces de Carvalho (bisneto do poeta e Presidente da Direcção da Associação de Jardins-Escolas João de Deus). Intervieram também o editor Dr. Baptista Lopes, o tradutor para mirandês da edição nessa língua, Dr. Amadeu José Ferreira, vice-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e presidente da Associaçon de Lhéngua Mirandesa, e o autor.

Seguiu-se, após a intervenção de José Ruy, uma animada sessão de autógrafos.

Complementando o post de dia 9 passado, aqui ficam algumas fotos, de Dâmaso Afonso e de Filipe Branco.

As Fotos de Dâmaso Afonso:

José Ruy e o Dr. Guilherme de Oliveira Martins

A apresentação do Dr. Guilherme de Oliveira Martins


As fotos de Filipe Branco: 


A apresentação do Dr. Guilherme de Oliveira Martins


Na mesa, da esquerda para a direita: Dr. Batista Lopes (editor), Dr. Guilherme de Oliveira Martins, Dr. António de Deus Ramos Ponces de Carvalho, José Ruy e o Dr. Amadeu José Ferreira

 


Intervenção do Dr. António de Deus Ramos Ponces de Carvalho

O original oferecido por José Ruy ao Museu João de Deus.

___________________________________________________

 
Locations of visitors to this page