Mostrar mensagens com a etiqueta ETCOELHO HOMENAGEM CENTENÁRIO. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ETCOELHO HOMENAGEM CENTENÁRIO. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

CENTENÁRIO DE EDUARDO TEIXEIRA COELHO III

O KUENTRO NO CENTENÁRIO 
DE EDUARDO TEIXEIRA COELHO 
(4-jan-1919 – 2019)

ETCOELHO
A ARTE PARA ALÉM DA VIDA
(parte 2) 
Texto deJosé Ruy – no BDjornal #22 (Jan-Fev 2008)

Pedro Massano, José Ruy e Eduardo Teixeira Coelho.
No lançamento do livro A Arte de bem navegar: Navios europeus do Séc. XIV., de E.T.C. no Padrão dos Descobrimentos, durante o FIBDA de 1999.
Última presença do mestre no Festival da Amadora.

Eduardo Teixeira Coelho, além de várias bandas desenhadas completas inéditas, deixou algumas sem texto escrito mas contando uma história que quase não precisa de palavras. Foi fascinante para essa descoberta.

Sempre assisti aos seus esboços a lápis para a construção das pranchas, em traços muito ligeiros e suaves, parecendo que a grafite mal tocava no papel, deixando a definição dos detalhes para quando os cobria a tinta-da-china. Estes últimos originais estão tratados com um lápis vigoroso, completo, como que prescindindo da tinta tradicional, que mesmo assim aplicou pontualmente numa vinheta ou
outra. Algumas pranchas encontram-se cobertas a nanquim e completam uma história, ou noutros casos a narrativa ficou sem a parte final.

Mas o que mais me sensibilizou foi uma prova da sua humildade, da sua vontade de procurar fazer melhor, mesmo acima do muito bom. Considero uma sua última lição dirigida às novas gerações. Permito-me contar um episódio passado nos finais da década de 1940, que me parece definir melhor esta minha opinião.

E. T. Coelho, desde que começou a desenhar para as Edições O Mosquito, no início da sua carreira, não se poupava a esforços para melhorar sempre o que fazia. Muitos eram os desenhos que rasgava para recomeçar, numa constante busca. Isto apesar da vertiginosa produção a que era obrigado, pela saída do jornal duas vezes por semana.

Nessa época, muitos rapazes acorriam à mítica redacção do jornal para mostrarem, como eu, os seus incipientes desenhos e colherem um conselho. Certa vez, o ETC  fez um reparo para um erro no desenho acabado, da autoria de um jovem que por  sinal já publicava. Mas o rapaz retorquiu que, como aquele desenho já estava pronto, ia seguir assim. De futuro teria em atenção não repetir o 
erro. A partir daí, o jovem nunca mais apareceu. Ficara com certeza ofendido. 

O que encontrámos, eu e a Drª Cristina Gouveia, foi uma prova do espírito de ETC na busca da perfeição levado até ao extremo, mesmo no final da sua carreira. Em algumas dessas histórias que deixou em preparação, inéditas portanto, desenhou a primeira prancha duas vezes, contando o mesmo assunto com composições diferentes. Mas quaisquer delas estão boas, as cenas perfeitamente contadas, a sequência equilibrada e os desenhos perfeitos. Na prancha seguinte realizou três repetições, aproveitando uma ou mais vinhetas, mas redesenhando-as totalmente. 

E aí por diante. Ora quando um Artista da categoria de Teixeira Coelho, depois de ter atingido um nível de perfeição que todos reconhecemos, se dá ao trabalho de voltar atrás e repetir a mesma obra por duas ou três vezes, mesmo depois de acabada, é quanto a mim espantoso. 

Deixou uma história de ficção científica espacial iniciada. Tem apenas duas pranchas. Os centauros, expressivos e truculentos, raptando matronas, estão contemplados na sua selecção de temas, com estudos, muitos e vigorosos estudos. Outras são de carácter erótico, como as que desenhou sobre o Decameron, publicadas em Portugal pela Editorial Futura. 



Uma história com lobos ficou sem texto escrito. O método de trabalho do Mestre era peculiar. Idealizava uma história e esboçava-a em pequenos papéis, normalmente a lápis. Partilhava depois a ideia com a sua esposa, que por vezes ajudava com achegas, e transmitia-a então ao seu grande guionista em França, Jean Ollivier, que a partir daí elaborava um enredo, definindo as cenas e escrevendo o texto depois, em face aos desenhos já acabados. Era a mesma técnica que usava em Portugal, no jornal O Mosquito, com Raúl Correia. O trabalho não poderá ser completado, pois Jean Ollivier também faleceu entretanto. 

É sabido que uma História Quadrinhos precisa de um texto para poder ser publicada da, principalmente quando o autor deixou espaço em cada vinheta para o incluir. Em face ao ar pesaroso de Cristina Teixeira Coelho, lamentando já não ser possível reconstituir a história, ofereci-me para fazer um texto para aquele original. Tantos anos a acompanhar a obra de ETC, permitem-me poder fazer isso. Vejo o seu traço mesmo esboçado e entendo o que ele quer transmitir. 


Do mesmo modo como identifico a data de um seu original pelo suporte de papel que usou, a tinta que foi empregue ou o estilo de traço e técnica. Além disso sei do gosto que ETC sempre teve pelas histórias com lobos, como deixou escrito: 


À primeira vista poderá parecer que a maior parte desse espólio não terá possibilidade de publicação. Primeiro, porque as pranchas existentes não estão todas cobertas a nanquim. Segundo, pelo facto de algumas dessas histórias não estarem terminadas, já nem falando da falta do texto escrito. Mas um editor com vistas inteligentemente largas, pode tirar partido do estado em que essa obra se encontra. 

O lápis é suficientemente pujante para ser bem reproduzido, e esses originais reunidos em vários álbuns ou num único, acompanhados de um texto elaborado por um especialista no assunto, estou a pensar no Jorge Magalhães, em Leonardo De Sá, em Paiva Boléo ou em Dias de Deus, pode ter êxito junto do público. Será a edição póstuma de um grande autor que continua a deslumbrar os seus leitores, para além da vida. 

Do conjunto de obras que se encontram por ver a luz da estampa, estão duas que considero geniais. O texto é de sua esposa Gilda Reindl Teixeira Coelho. A primeira é sobre a História dos Dias da Semana, pois cada país nomeia-os de maneira sempre diferente. É o resultado de um trabalho de pesquisa de vários anos. Esse original está magnificamente ilustrado por E. T. Coelho, no seu melhor traço, com o texto escrito em francês. 


O facto de os desenhos serem realizados a preto e branco também facilita os custos da edição. Esta obra interessará a diversos países, e tem todas as condições para se fazer uma publicação conjunta e simultânea. 

Consultados uns editores na Itália, França e creio que na Grã-Bretanha, cada um foi dizendo que alinhavam na edição, desde que primeiro um outro desse o arranque. 

Teixeira Coelho e Gilda tentaram em Portugal. Telmo Protásio propôs-se logo editá-lo na Meribérica/Liber, mas esta, como se sabe, ficou um tempo depois sem condições de poder fazê-lo. A pedido dos autores, meus grandes amigos, fiquei fiel depositário dessa preciosidade e eu próprio fui consultando aqui outros editores. Depois de muito tempo de espera com respostas sempre adiadas indefinidamente, cheguei à conclusão que os editores têm pouco tempo disponível ou têm pouca visão. 

A outra obra é As Lendas dos Cavalos. Conta a história do equídeo através dos tempos, como símbolo, como componente de guerra e como ajuda de força e de locomoção ao ser humano. 
Para esta obra ficaram muitas notas escritas por Gilda Teixeira Coelho de onde se pode construir um texto e bastantes ilustrações de ETC. 


Nesta carta, refere-se o Artista às actividades de sua esposa Gilda: Acho pois importante dar a conhecer ao mundo este fabuloso espólio, através de exposições, dando oportunidade aos editores de se alertarem e publicarem o seu trabalho, não só o que já foi dado à estampa há muito tempo, mas principalmente este que fomos encontrar no santuário do seu ateliê em Bagno a Ripoli. 


A poucos quilómetros de Florença fica Lucca, a chamada Cidade da BD, que lhe atribuiu o célebre troféu Yellow Kid para melhor desenhador estrangeiro em 1973.  Tive também a oportunidade de visitar o Museu de BD de Lucca inaugurado há dois anos, com Cristina Teixeira Coelho, Giulio Benuzzi e a Drª Cristina Gouveia. Como é possível não haver aí uma exposição permanente de alguma prancha de E. T. Coelho? Ou em Angoulême, na França? Ou na Inglaterra, na Alemanha ou mesmo em Espanha, países para onde o Artista trabalhou durante tantos anos? 

Caberá ao Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora avançar sozinho com esse importante projecto? Para isso, é necessária a colaboração da família do autor, cedendo material inédito e objectos pessoais do artista que enriquecerá a mostra, e serão precisas verbas não recuperáveis, pelo menos directamente, pois os eventos desta Autarquia nunca têm fins lucrativos. 

A nossa deslocação permitiu tomar conhecimento do muito que ETC deixou de bom e importante nos seus últimos anos. Verificámos no local as suas relíquias que o mundo precisa de conhecer, como foi sempre o desejo expresso do Artista. As condições estão criadas. Falta o arranque. 

Depende de todos nós, pessoas de boa vontade e admiradores da obra de Eduardo Teixeira Coelho, e também de quem tem poder de decisão, não permitirmos que todo esse último acervo fique inerte e afundado num armário, sem condições de conservação, como num mausoléu. Pelo menos, os cerca de quatro mil originais de ETC que se encontram no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, na Amadora, estão bem tratados e protegidos contra ácaros, inundações, incêndios, humidade e a degradação produzida pela inércia dos humanos. E podem ser expostos ao público e observados por especialistas, num desejo expresso pelo autor, Eduardo Teixeira Coelho, em documento assinado por si.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

CENTENÁRIO DE EDUARDO TEIXEIRA COELHO II

O KUENTRO NO CENTENÁRIO 
DE EDUARDO TEIXEIRA COELHO 
(4-jan-1919 – 2019)

Depois do post anterior, de dia 16, com o Programa do Clube Português de Banda Desenhada para o Centenário do autor, o Kuentro prossegue, com o inicio de uma série de matérias, associando-se a esta iniciativa para comemoração da data.

Eduardo Teixeira Coelho
Óleo de Gilda Teixeira Coelho

ETCOELHO 
A ARTE PARA ALÉM DA VIDA

Por José Ruy 
no BDjornal #22 (Jan-Fev 2008)

A pedido do meu amigo Jorge Machado-Dias – e os seus pedidos são irrecusáveis para mim –, estou a apresentar as impressões colhidas do meu encontro no último ateliê de Eduardo Teixeira Coelho, com as suas derradeiras obras. Considero uma honra e um privilégio ter sido escolhido para esse efeito, acompanhando a Drª Cristina Gouveia, Directora do Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem (CNBDI), a Itália, e sublinho o acolhimento afectuoso da filha do artista, Cristina Teixeira Coelho e de Giulio Benuzzi. O título que dou a estas linhas foi inspirado no que o Arqº. Leonardo De Sá e o Dr. António Dias de Deus deram à monografia E. T. Coelho: A Vida e a Obra, e a cujos autores solicitei a devida autorização. Fico honrado também pela disponibilidade do Leonardo De Sá em rever tão amavelmente este artigo. Impõe-se assinalar que algumas imagens reproduzidas junto a este artigo são fotogramas extraídos de um vídeo que realizei no estúdio de E. T. Coelho, e por isso com fraca definição. Ficam aqui como documento.


É sabida a minha admiração pela Arte de Eduardo Teixeira Coelho, desde que a luz dos seus desenhos iluminou as capas e as páginas do jornal O Mosquito. Toda a minha geração, ou uma grande parte dela, apreciou o seu traço, as suas composições, os cabeçalhos ilustrados das novelas e o movimento que sempre soube dar às figuras, tanto humanas como de animais. Eu, que garatujava uns rabiscos desde que me lembro, acabei por ser encaminhado até ao Grande Mestre para receber indicações de como fazer esse trabalho que me fascinava: as Histórias em Quadrinhos (expressão brasileira mas que prefiro à designação de Histórias em Quadradinhos, por se tratarem realmente de pequenos quadros em sequência).

Não foram apenas indicações o que recebi de Eduardo Teixeira Coelho, foi um abrir de caminhos até aí invisíveis para mim. Eram muitos os colegas da Escola António Arroyo (na grafia da época) que sonhavam, como eu, vir a colaborar n'O Mosquito e conhecer o ETC. Poucos o conseguiram. Nós, os que frequentávamos na Escola o curso de Litografia (Artes Gráficas), tínhamos o privilégio de visitar pontualmente a mítica redacção desse jornal infanto-juvenil, ver os originais das fantásticas ilustrações criadas ao dobro do formato da publicação e ensaiar um desenhito numa chapa de zinco Offset, que permitia a cada um ficar com uma prova tirada no prelo, para recordação.

Também o Mestre João Rodrigues Alves, grande amigo do Artista, proporcionava a ida de E. T. Coelho à sala de aula na saudosa Escola. Dizia-me há pouco o meu amigo e colega José ·Baptista, que desenvolveu parte da sua obra de Ilustração e Histórias em Quadrinhos sob o pseudónimo de «Jobat», que ainda hoje recorda com emoção uma dessas visitas, em que o ETC desenhou rapidamente uns cavalos que pareciam saltar do papel, deixando esbugalhados os olhos da rapaziada.

E por magia do destino, talvez pelo facto de eu cumprir à risca os ensinamentos do virtuoso Artista e dedicar todas as horas possíveis à prática do desenho do natural, fui bafejado com a sua amizade firme e duradoura, chegando a partilhar os seus ateliês e até mais tarde ser também seu associado em vários que tivemos em Lisboa.

Quando se esgotaram as condições em Portugal para que E. T. Coelho pudesse desenvolver a sua Arte, o Artista procuro além-fronteiras o seu espaço, «a ver como era» como ele próprio afirmava. E por lá ficou, abrilhantando as publicações onde colaborou quase por toda a Europa. O seu estúdio volante resumia-se a uma simples prancheta de madeira, formato A1, que já usava em Portugal, enegrecida pela grafite e pingos de tinta-da-china, onde desenhava, mesmo num canto do quarto de hotel quando da sua peregrinação por diversos países.

Por vezes demorava-se num sítio e então alugava casa por uns tempos. De onde quer que estivesse, a sua colaboração para o jornal francês Vaillant nunca falhava, enviada pelo correio.

Foi portanto com grande emoção que penetrei no seu derradeiro ateliê em Bagno a Ripoli, na Toscânia, num reencontro, como se ainda estivesse a partilhar a sua presença e o seu conselho, como aconteceu desde que o conheci.

Eduardo Teixeira Coelho sempre se fez acompanhar por gatos, primeiro siameses e depois da raça que calhava, quando minúsculos ainda, os recolhia do abandono do mundo agreste onde iriam sossobrar. É o caso do enorme e terno gato preto manchado de branco, como pintura, que levara para casa, ainda cabendo numa mão, dentro de um bolso para o aquecer. E é comovente ver esse seu amigo dedicado, cheirar e deitar-se ainda sobre os pertences do Artista, como a chamá-lo à vida para ser afagado.

E foram muitos os desenhos em que esses felinos serviram de modelo: enroscados em si, ronronando, saltando na tentativa de apanhar um pássaro, espreguiçando-se ou olhando atentos o movimento da mão que os desenhava. Sempre que Teixeira Coelho me escrevia fazia uma referência aos seus bichanos. Falava-me de uma gata branca com uma cauda felpuda e malhada. Um dia enviou-me o seu retrato... em desenho, claro.




Eduardo Teixeira Coelho amava todos os seres vivos. Não era capaz de matar uma aranha nem uma formiga e muito menos uma mosca. Eram, para ele, seres com direito à vida.

A sua segunda filha, Cristina Teixeira Coelho, recorda com ternura quando em Florença, na «Festa dos Grilos», cuja tradição mandava as pessoas adquirirem pequeninas gaiolas com esse insecto ortóptero, que cantava alegrando a casa com a sua tristeza de estar preso. ETC ia com a esposa e filha comprar quantas gaiolas comportava o carro. Depois, chegado ao campo, abria as pequenas prisões para os libertar evolvendo-os ao seu ambiente natural. Era uma alegria para os três e logicamente também para os grilos.

O seu ateliê estava instalado na Colina de Ripoli, numa casa onde chegou a morar Galileu Galilei, hoje sabiamente transformada turisticamente por Giulio Benuzzi e a filha do Artista. Mais acima, perto, uma casa habitada por Miguel Angelo. Estava destinado que E. T. Coelho também ali trabalhasse.

Da janela aberta sobre um modesto mas cuidado jardim, por entre as árvores desfolhadas e os vasos envoltos em plástico transparente para proteger as plantas e flores do frio deste Inverno, na linha do horizonte observa-se Florença, a bela, onde ETC também teve mais de um ateliê.


E foi em Florença que nos voltámos a encontrar depois da sua partida de Portugal, ainda no século passado. Reatámos então, num longo serão, as conversas intermináveis em que costumávamos mergulhar até de madrugada.

No interior aquecido do ateliê em Ripoli, a velha prancheta repousa no tampo da mesade trabalho e sobre ela a caixa de aparos «A. Sommerville & Cº.» da Birmincham, marca que usava já em Portugal, e que eu também ainda utilizo, as canetas e os apetrechos para as gravuras em madeira e linóleo, tudo parecendo esperar a todo o momento uma ordem para entrar em acção. Placas de linóleo ainda virgem espreitam as goivas arrumadas na caixa de madeira. Outras, com desenhos bem sulcados na sua superfície, mostram vestígios das provas a que foram submetidas. Uma catedral, uma figura em contraluz ou um retrato de alguma figura célebre da Renascença.

Gravura em linóleo

Muitos quadros sobre as Armas Brancas e Armaduras da Itália, do século XII ao século XV, fruto de elaborada pesquisa durante dezenas de anos, pendem das grossas paredes. Este material teve uma honrosa exposição na Igreja de San Domenico, em 2005. Eduardo Teixeira Coelho dedicou-a à memória de sua amada esposa e também distinta Artista, Gilda Reindl Teixeira Coelho.

O desenhador empenhou-se dedicadamente a este evento. Escreveu-me a dar nota de ter rejeitado outros locais anteriormente disponibilizados, por não terem os requisitos necessários. Por fim conseguiu aquele espaço nobre e a exposição foi um êxito. O curioso é que o Artista falava sempre das suas Histórias em Quadrinhos, como os seus «bonecos», mas quando se referia ao trabalho das Armas e Armaduras, com vários e valiosos livros publicados, os seus olhos brilhavam de modo especial. Era uma paixão. E poderíamos pensar que menosprezava as suas bandas desenhadas. Puro engano.


Capa do Catálogo da exposição na igreja de San Domenico, em 2005.

Numa carta que me enviou em Março de 2005, pouco antes de falecer, pediu-me para procurar em Portugal uma história sua que não chegara a ser publicada e lhe enviasse os originais. Era passada na época do Rei Artur.

A carta de Março de 2005 - frente e verso

Explicava-me que planeava voltar a apresentar a exposição das Armas, mas desta vez com uma inovação. Palavras suas: «A ideia é mostrar ao público o que são histórias de BD, mas só a preto e branco é pobre e daí pensar completar com cinzento. É uma ideia fixa que tenho e que espero possa servir para qualquer coisa ... Creio que exposições sejam úteis para interessar o público. Veremos o que sai daqui!»

Fica aqui bem claro que ele pretendia sensibilizar o público específico que afluía a admirar o seu trabalho das Armas, para o campo das Histórias Ilustradas. E não deixa dúvidas da sua intenção em expor os originais das Histórias em Quadrinhos, reconhecendo a sua importância para a divulgação das mesmas. Ainda bem que o CNBDI tem nos seus arquivos na Amadora grande parte da sua Obra, bem preservada, promovendo mostras para admiração das novas gerações. Estou certo de que o meu grande Amigo ficará feliz, onde estiver, sempre que alguém observe o seu talentoso trabalho.

Em 2005, Cristina Teixeira Coelho ofereceu à Autarquia da Amadora um valioso quadro pintado a óleo por sua mãe, Gilda Teixeira Coelho, representando ETC a desenhar na sua banca de trabalho. É uma preciosidade que a Amadora se orgulha de possuir.

Continua ...


domingo, 16 de dezembro de 2018

CENTENÁRIO DE EDUARDO TEIXEIRA COELHO I

CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA 

PROGRAMA PARA O CENTENÁRIO 
DE EDUARDO TEIXEIRA COELHO 

Pedro Massano e José Ruy com Eduardo Teixeira Coealho, Amadora 1998

Proposta de programação especial do Clube Português de Banda Desenhada para o ano de 2019, celebrando do centenário do nascimento do Artista.


1. EXPOSIÇÕES A APRESENTAR NA SEDE DO CPBD (sujeito a alterações):

Janeiro (com inauguração no dia 4 de janeiro, data do centenário) 

– ETCOELHO INÉDITO 

Fevereiro 

– OS ANIMAIS NA OBRA DE ETCOELHO 
Março 

- ETCOELHO E A FIGURA HUMANA 
Abril 

– AS ÁGUAS NA OBRA DE ETCOELHO 
Maio 

– ETCOELHO ERÓTICO 
Junho 

– HISTÓRIA E LITERATURA NA OBRA DE ETCOELHO 
Julho – agosto 

– A FLORA NA OBRA DE ETCOELHO 

– ETCOELHO E O WESTERN 
Setembro 
– PUBLICIDADE E POSTAIS ILUSTRADOS NA OBRA DE ETCOELHO 
– ESTILIZAÇÃO E ETC 
Outubro 
– GRAFISMO E ETC 
– ARMAS NA OBRA DE ETCOELHO 
Novembro 
– ETCOELHO EM CONSTRUÇÕES DE ARMAR 
– PUBLICAÇÕES ESTRANGEIRAS 
Dezembro 

– OUTRAS DIMENSÕES NO TRABALHO DE ETCOELHO: 
O INFANTIL 
O RELIGIOSO 
FANTASIA 
MITOLOGIA 

2. PALESTRAS E DEBATES A APRESENTAR NA SEDE DO CPBD (sujeito a alterações):
Além de sábado, 5 de janeiro, em que seria feita a apresentação da programação especial, e haveria uma palestra sobre a exposição ETCOELHO INÉDITO, haveria quatro sábados em que a programação seria dedicada ao centenário do nascimento de ETCoelho, integrando palestras e debates, adequados aos temas expostos (presentes e passados) e a outros temas que as exposições não particularizam.

Abril – painel com as seguintes intervenções:
– OS ANIMAIS NA OBRA DE ETCOELHO
– LEI DA SELVA, por José Ruy – ETCOELHO E A FIGURA HUMANA – WANGO E AS ÁGUAS NA OBRA DE ETCOELHO, por Pedro Mota
Julho – Painel com as seguintes intervenções:
– ETCOELHO ERÓTICO – HISTÓRIA E LITERATURA NA OBRA DE ETCOELHO – A FLORA NA OBRA DE ETCOELHO – ETCOELHO E O WESTERN
Outubro – painel com intervenções sobre:
– PUBLICIDADE E POSTAIS ILUSTRADOS NA OBRA DE ETCOELHO
– ESTILIZAÇÃO E GRAFISMO
– ARMAS NA OBRA DE ETCOELHO
– (a definir)

Dezembro – painel com intervenções sobre:
– ETC E JOSÉ PADIÑA, por José Ruy
– O INFANTIL
– O RELIGIOSO
- FANTASIA E MITOLOGIA


A lista completa dos palestrantes será apresentada oportunamente.

3. PROGRAMAÇÃO EM PARCERIA:

A sede do Clube não esgota a programação especial. Sabendo-se que outras entidades, como os municípios da Amadora e de Beja, preparam comemorações, e que a Amadora já expressou, inclusivamente, o desejo de estabelecer uma parceria com o Clube para a concretização de um projeto comemorativo do centenário do nascimento do Artista (na Bedeteca), o Clube estará disponível para trabalhar em parceria com estas entidades, em projetos que envolvem originais de ETCoelho.

Mantém-se a possibilidade de, em parceria com o Instituto Camões, conceber uma exposição digital, destinada à internacionalização.

Mantém-se, também, a possibilidade de organizar uma exposição (com originais) na Biblioteca Nacional de Portugal.

4. EDIÇÃO:

O Clube estará disponível para apoiar a edição de trabalho monográfico sobre ETCoelho, ou, não conseguindo este objetivo, para apoiar uma edição de algum trabalho do Artista no ano do centenário do seu nascimento.

Dezembro de 2018

FOTOS DE EDUARDO TEIXEIRA COELHO
EXPOSIÇÃO NA CÂMARA MUNICIPAL DA AMADORA
FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DA AMADORA 




Exposição de originais de Eduardo Teixeira Coelho na Galeria Municipal da Amadora, durante o Festival de BD de 1998. Na edição anterior do FIBDA tinha-lhe sido atribuido o Troféu de Honra. Esta exposição foi organizada por Leonardo De Sá e António Dias de Deus.


 
Locations of visitors to this page