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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI NO KUENTRO (56) – O FIM DO CNBDI – TEXTO DE JOSÉ RUY

ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI NO KUENTRO (56)

O FIM DO CNBDI

Quando já existe a certeza do fim do CNBDI, recebemos o 27º texto de José Ruy sobre o assunto. Noticiámos aqui a inauguração da Bedeteca da Amadora, no dia 3 deste mês, assim como a “visita guiada” às novas instalações pela Presidente da Câmara da Amadora, no dia 13.

Aqui fica então o texto de José Ruy. 
Esperamos fazer pessoalmente uma visita à nova Bedeteca, para reportagem fotográfica, durante o mês de Março.
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TEXTO DE JOSÉ RUY 

«CNBDI»
Centro Nacional de Banda desenhada e Imagem 
ou
«CBDI»
Casa da Banda Desenhada e da Imagem

Em setembro de 2013, escrevi no 26º artigo sob este título o texto abaixo reproduzido, resultante dos rumores alarmantes para todos nós, que amamos e defendemos a Banda desenhada, principalmente a portuguesa.

«Há boatos (e desejo que não passem disso) de quererem integrar o espólio do CNBDI na Biblioteca Municipal, sem condições para o receber nem manter, pois não é essa a sua especificidade pondo assim em risco o ambicioso projeto do Centro, alicerçado durante tantos anos e com tanto trabalho investido. Será que iremos assistir à destruição desta obra por mão desqualificada de alguém (desconheço de quem se trata) que ignora e despreza o verdadeiro valor ali reunido?

É grande o reconhecimento da importância deste Centro por parte de muitas pessoas que constantemente o contactam para doar coleções de revistas sobre BD e obras originais, que instituições em outras Autarquias muito gostariam de possuir. Por isso é preciso que os órgãos do poder apoiem e deem condições adequadas para que seja possível à equipa do CNBDI levar a bom termo o objetivo do seu projeto, de trabalhar esse importante acervo com as escolas e junto do grande público, sempre interessado. Porque esse espólio não pode ficar embalsamado dentro de armários num qualquer armazém.

Deste espaço concedido pelo «Kuentro», prolongamento digital do «BDJornal», dirijo um apelo pessoal e muito particular ao Dr. Luís Vargas, amigo de já longa data, que considero ser o garante da continuidade e defesa do CNBDI criado por si em boa hora, para que impeça que os «boatos» que correm por aí à rédea solta se concretizem.

A verdade é que TODOS seremos responsáveis se nada fizermos para apoiar a estoica direção do CNBDI, que voluntária e graciosamente mantém estas tertúlias na última quinta-feira de cada mês, de fevereiro a maio, todos os anos, das 21 horas até de madrugada.

E é uma madrugada promissora que espero venha a seguir às sombrias noites sugeridas pelos tais boatos.

Aqui deixo o meu apoio incondicional, com a mesma força que sempre dei desde a criação do CNBDI às pessoas competentes e de boa vontade.

José Ruy
Setembro 2013»


Em 13 de fevereiro de 2015 A Senhora Presidente da Câmara Municipal da Amadora, Dr.ª Carla Tavares, e o Senhor Vereador da Cultura, Dr. António Moreira convocaram todos os autores doadores de material que se encontra guardado no Bunker do CNBDI para anunciar a transferência do seu conteúdo para o novo Bunker construído no edifício da Biblioteca Municipal «Fernando Piteira Santos» uma notável figura das letras, natural da Amadora e que também doou todo o seu espólio literário a esta instituição.

Descreverei mais adiante como decorreu essa reunião que culminou num almoço de confraternização.

Mas em novembro de 2014 o Dr. Luís Vargas fez-me um convite para visitar e verificar as instalações preparadas para receber o acervo guardado no Bunker da Avenida do Brasil 52 A, na Amadora.

Percorri os diversos pisos do novo edifício da Biblioteca Municipal guiado pelos responsáveis de cada sector.

Foi-me dado observar, perguntar e testar as condições de segurança do imóvel, que tendo sido construído contra sismos, tem todas as condições para numa situação dessas se manter realmente imóvel, ou ao mover-se não pôr em perigo o seu recheio.

O edifício tem três pisos abaixo no nível do solo do lado da entrada principal, pois a rua detrás tem um desnível considerável. Os dois últimos pisos «menos dois e menos três» são ocupados com o estacionamento de viaturas, uma vantagem para quem precisa de utilizar a Biblioteca e tem dificuldade em arrumar o carro.

Sob a placa do último piso está instalado um sistema de drenagem constante que equilibra o volume dos cursos de água subterrâneos existentes no subsolo da Amadora. Para o caso de uma situação de cheia, existe um tanque a todo o tamanho do edifício com capacidade para muitos milhares de metros cúbicos de água, caso o caudal exceda o volume habitual, isto no caso de haver algum corte de corrente que interrompa o funcionamento desse sistema de escoamento. Serão precisas bastantes horas para que esse tanque fique cheio.

Além disso, se por uma remota hipótese o tanque transbordar, há o último piso inferior para receber alguns centímetros de água que corresponderá a uns milhares de litros.

Todas as portas são de corta-fogo, e em caso de incêndio este será combatido por meio de pó e não com água, como o sistema montado na Avenida do Brasil, 52A.

O novo Bunker está instalado no piso menos um, com espaço suficiente para receber os armários de aço com o acervo do CNBDI, além dos novos que já lá se encontram preparados para receber muito mais material.

A temperatura é estabilizada em todo o edifício, para proteção dos livros e dos originais, preservados igualmente em bolsas de «PH Neutro».

O piso zero é um dos polos de leitura e tem um auditório que há bastante tempo funciona como sala de exposições, lançamentos de livros, exibição de filmes e representação de peças teatrais.

O piso «mais um» é dedicado também à leitura, e o «mais dois» totalmente ocupado com a Bedeteca inaugurada em novembro de 2014, durante o 25º Festival de Banda desenhada da Amadora.

O espaço desta Bedeteca foi, quanto a mim, inteligentemente estudado e muito bem conseguido. Tem ótimas condições não só de leitura como também da possibilidade de expor material e proporcionar eventos, como o lançamento de livros. Para os mais pequenos tem um recanto «do Conto» e uma instalação condigna para «Fanzines». Tem já a notável doação de mais de 2000 fanzines doados pelo Geraldes lino, num local com possibilidade de fazer projeções, em casos pontuais, e que recebeu o nome deste nosso estimado amigo.

Além disso todo o espaço é versátil, podendo em qualquer altura transformar-se em sala de audiência, como no primeiro lançamento ali realizado do meu livro «O Juiz de Soajo» assinalando a segunda edição, 19 anos depois da primeira.

Vão-se aperfeiçoando arestas com a experiência do dia-a-dia e compete a todos nós, profissionais de BD, acarinhar e ajudar a melhorar todo esse espaço, afinal de contas a nós dedicado.

O edifício tem ainda um piso acima que poderá ser utilizado quando for oportuno.

Tudo isto foi-me mostrado pelo Dr. Luís Vargas, e agora também aos meus colegas e amigos pela Senhora Presidente Dr.ª Carla Tavares, e pelo Senhor Vereador Dr. António Moreira, acompanhados pelos responsáveis da Biblioteca, Dr.ª Vanda, Dr.ª Ângela, e pela Bedeteca Dr.ª Cândida e o Arquiteto Nelson Dona.

Foi oficialmente garantido que o Festival de BD é para continuar, pelo menos durante todo o período de mandato da Presidente.

Quanto ao nome «Centro» de Banda Desenhada e Imagem sofre uma modificação pois fica integrado na Bedeteca.

No entanto, alvitro que continue a chamar-se CBDI correspondendo a «Casa da Banda desenhada e Imagem». Para mim, esse espaço e pelo acervo que contém é mesmo a Casa da Banda Desenhada.

Neste local os originais vão ser digitalizados com aparelhagem já adquirida, catalogados e deste modo ficando à disposição de quem quiser consultar e usar para artigos ou estudo.

As exposições itinerantes poderão circular com mais facilidade utilizando provas digitais, preservando os originais para eventos especiais, alcançando assim uma maior divulgação.

Na Biblioteca há pessoal competente e em número suficiente, que trabalhando em equipa conseguirá melhores resultados. Há ao serviço 22 funcionárias/os com especialização.

Considero pelo que observei minuciosamente que o nosso material ali existente vai ganhar muito com isso. Da minha parte há ainda originais que não têm sido recebidos por falta de apoio logístico, pois o contrato de doação que combinei com a Autarquia foi que à medida que for fazendo novos trabalhos, depois de impressos, os originais entrarão no Bunker.

Neste novo núcleo, desejo e espero, que se realizem eventos como aconteciam na velha instalação na Avenida do Brasil 52 A, provisória desde o primeiro dia, e que tão grande prestígio conseguiram alcançar.

A estrada está livre e depende agora de todos nós, que a caminhada a continuar seja conseguida sem esforço mas com determinação.

José Ruy

Biblioteca Mnicipal Fernando Piteira Santos - Amadora

Dois aspectos de um lançamento de livro de banda desenhada efectuado no espaço da Bedeteca no dia 3 de Fevereiro de 2015. Os espaços são versáteis e adaptam-se a vários géneros de eventos. 


Exemplo de uma exposição sobre Aristides de Sousa Mendes, com um debate depois da exibição de um filme de António Cunha dedicado ao Cônsul, que teve a presença e participação dos netos do Cônsul e do Embaixador do Luxemburgo, na sala do piso zero da Biblioteca.

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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

ÁS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI NO KUENTRO: JOSÉ RUY – A ARTE E O OFÍCIO DA BD


Mais um regresso, aqui no Kuentro: o Às Quintas Falamos do CNBDI no Kuentro. E que melhor regresso poderia ser, senão evocando a Exposição Comemorativa dos 70 anos de Actividade de José Ruy, integrada na programação do AmadoraBD 2014 e que esteve patente no CNBDI?




JOSÉ RUY – A ARTE E O OFÍCIO DA BD
EXPOSIÇÃO COMEMORATIVA DOS 70 ANOS 
DE ACTIVIDADE DE JOSÉ RUY

José Ruy (1930), é um dos autores portugue­ses com mais abra publicada na área da ban­da desenhada e da ilustração. Começou em O Papagaio, em 1944 e, desde então, poucos foram os jornais, revistas e fanzines em que não colaborou. Tem mais de meia centena de álbuns publicados, alguns em outras línguas. Os livros que ilustrou contam-se na ordem das largas dezenas e foram mais de duas mil as capas que produziu no período em que dirigiu a sala de desenho das Publicações Europa-América.

Com um percurso de vida bastante singular, José Ruy não é apenos um autor, desenhador e argumentista de banda desenhada. A sua formação no curso de desenhador litógrafo na então Escola de Artes Decorativas António Arroio, dar-lhe-ia ferramentas e competên­cias na área das artes gráficos, que lhe pro­porcionariam um conhecimento suplementar no processo de reprodução mecânica da sua arte. Um saber fazer que se revelaria funda­mental nas diversas etapas do seu trabalho e, mais recentemente, no tratamento digital das suas pranchas e ilustrações.

A exposição A Arte e o Ofício da BD, comemorotiva dos 70 anos de atividade profissio­nal de José Ruy, é uma abordogem breve e sucinta da sua grande obra, uma obra artís­tica é certo, mas onde a banda desenhada é também sentida e entendida como um ofí­cio na dupla aceção do palavra, o de mes­ter, exercido com mestria, mas também a de sacerdócio, a BD militantemente trabalhada, promovida e divulgada.

A obra de José Ruy resulta assim da combinação e do cruzamento de saberes vários apresentados nesta mostra em quatro dimensões essenciais, a saber: enquanto autor, nas vertentes de dese­nhador e argumentista, como gráfico, profundo conhecedor de todos os processos desde o lito­gráfico ao digital, também como editor onde se salienta o experiência de O Mosquito e, certa­mente, não em último lugar, o incansável divul­gador, animador de tertúlias, debates, sessões em escolas, centros culturais, museus e biblio­tecas, em todo o país e também no estrangeiro.

Reportagem fotográfica realizada por Dâmaso Afonso no CNBDI, em 25/10/2014:






  

 

  



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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

FOTOS – A IV BIENAL DE HUMOR LUÍS D'OLIVEIRA GUIMARÃES NO CNBDI



A IV BIENAL DE HUMOR 
LUÍS D'OLIVEIRA GUIMARÃES 
NO CNBDI

FOTOS

Como noticiámos aqui na passada semana, foi inaugurada, dia 25 de Setembro, no CNBDI a exposição IV Bienal de Humor Luís d’Oliveira Guimarães – Penela 2014. Aqui ficam algumas das fotos que nos foram enviadas por Dâmaso Afonso.


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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

INAUGURA AMANHÃ A IV BIENAL DE HUMOR LUÍS D'OLIVEIRA GUIMARÃES NO CNBDI



INAUGURA AMANHà
A IV BIENAL DE HUMOR 
LUÍS D'OLIVEIRA GUIMARÃES 
NO CNBDI

Amanhã, dia 25 de Setembro, pelas 19h00, inaugura no CNBDI a exposição IV Bienal de Humor Luís d’Oliveira Guimarães – Penela 2014.

Criada em 2008, em homenagem ao jurista, jornalista e dramaturgo Luiz d’Oliveira Guimarães (1900-1998), natural de Penela e membro do Grupo dos Humoristas entre 1938-40, a Bienal é organizada pela Humorgrafe, Câmara Municipal de Penela e Junta de Freguesia do Espinhal.

Na sua quarta edição associa-se às comemorações dos 40 Anos da Revolução de Abril, adoptando a Liberdade como tema central do concurso que contou com participação de 336 artistas, em representação de 62 países, num total de 950 trabalhos.

Após o encerramento da mostra em Penela é a vez da sua apresentação na Amadora, na sala de exposições temporárias do CNBDI, onde será possível visitar, até 17 de Outubro, uma selecção de 180 cartoons, de 126 artistas, de 43 países.

Na IV Bienal de Humor Luiz d’Oliveira Guimarães foram atribuídos o primeiro prémio a Agim Sulaj, da Albânia, e o segundo lugar ficou para o russo Mikhail Zlatkovsky. O terceiro troféu e o prémio especial ficaram em Portugal com os cartoonistas Henrique e Vasco Gargalo, respectivamente.


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sexta-feira, 16 de maio de 2014

FERNANDO RELVAS – PARA UMA BIOBIBLIOGRAFIA – PUBLICADA NO BDjornal #27 (Maio de 2011)



Dado que se inaugura hoje a exposição de originais de Fernando Relvas no CNBDI – RELVAS E A REVISTA TINTIN – resolvemos republicar aqui a Biobibliografia realizada em 2010/2011, publicada no BDjornal #27, em que o “prato forte” foi a grande entrevista com o autor. Estamos a trabalhar na actualização desta Biobibliografia, porque obviamente Relvas não ficou parado em 2010 e muita coisa falta acrescentar até à sua nova produção NAU NEGRA de que, ao que parece já está pronto o primeiro capítulo.

Capa do BDjornal #27 (Maio de 2011) realizada por Fernando Relvas com o pormenor de uma vinheta da história Li Moonface, que seria editada em livro nesse mesmo ano pela Pedranocharco Publicações 

FERNANDO RELVAS
PARA UMA BIOBIBLIOGRAFIA
Jorge Machado-Dias

João Paulo Cotrim, escreveu na introdução do catálogo da exposição Relvas – À Queima Roupa, organizada pela Bedeteca de Lisboa em 1997, o seguinte: “Há uma sindroma Relvas: o talentoso boémio indisciplinado e irrascível que não consegue cumprir um prazo, acabar uma história, fixar-se num estilo, publicar um álbum. Uma espécie de metáfora da banda desenhada em Portugal, que, com pequenas alterações, vai funcionando como álibi para justificar o Estado das Coisas. Como na maioria das ideias feitas, a parte de verdade senão está morta moribundou-se.

O mito dá jeito, e, de vez em quando, talvez até ao próprio, mas não resiste a uma reflexão.

Vão cumpridos mais de vinte anos de produção profissional (e convém que sejam estas palavras frias de operário) que acumulou uma impressionante quantidade de pranchas, caricaturas, cartoons, tiras cómicas e... personagens que vivem na memória de muita e diferente gente. Alguém pode achar que tamanha produtividade ao longo de tanto tempo se pode encaixar no molde apertado da síndroma Relvas?”

Catorze anos depois deste texto escrito e cumpridos trinta e sete anos de carreira de Relvas, basta ler a cronologia abaixo, muito provavelmente ainda incompleta, para nos apercebermos de que a síndroma indicada por Cotrim, é mais um mito do que outra coisa. Mito esse acalentado em muitas conversas, no típico “diz que disse” português, especialmente alimentadas pela ausência do autor durante quase seis anos, “auto-exilado”, como costumo escrever – firmando conscientemente o mito –, em Zagreb. Até porque o autor, no tal “auto-exílio”, perante a negação sistematicamente picuinhas dos editores portugueses (de periódicos ou de livros), encontrou formas de se publicar, provando que o tal mito é mesmo... um mito!

Senão, vejamos:

Fernando Relvas, Lisboa, 1954. Autor de banda desenhada, cartonista, caricaturista e ilustrador português, autor de storyboards de animação, publicidade e de ilustrações de livros escolares e infantis.

1975

Jan. – Participa no Jornal/Fanzine O Estripador, director Duarte Boavida, com Melo Relvas (Relvas assinava assim), Delfim Miranda e Bruno Scoriels. Diz Fernando Relvas: “O Estripador não se considerava um fanzine, mas um jornal, talvez aquilo que muito mais tarde o Julio Pinto classificaria como um "calhário", e que não passou do número 0, que foi feito em 1974 mas só saiu em Janeiro de 1975 (problemas de gráficas), levávamos a coisa a sério n’O Estripador, cheguei a ir fazer reportagem a comícios e tudo, já em 75, que nunca foram aproveitados para o número 1. Mas em boa verdade, 1974 foi o ano em que produzi a primeira coisa organizada”.


Dez. – Realiza e produz o fanzine O Gorgulho nº1 e, em Jan. de 1976, o nº2.


1976

Abr./Nov. – No jornal Gazeta da Semana: Chico. Alguns dos cartoon e bandas publicadas na "Gazeta da Semana" deram, no final dos anos 70, lugar a um livro, editado pela Água Mole, Sociedade Cooperativa, SCARL, designado "Gazeta do cartoon - de Zé d'Almeida / Gazeta da banda - de Fernando Relvas". A capa da "Gazeta da banda" era simultâneamente contracapa da "Gazeta do cartoon", ou vice-versa.

1977

Na revista Fungagá da Bicharada, de Júlio Isidro, publica Uki, o Pequeno Esquimó, Espaço 99 1/2 e Chin Lung, o Justiceiro do Rio Amarelo.

1979

Revista Tintin – O Espião Acácio.


1980

Fev. – Na revista Mundo de Aventuras, nº 332 (2ª fase), em separata: O Controlador Louco (11 pranchas + capa da revista).

Set. – Revista Mundo de Aventuras, nº 362 (2ª fase): O Povo de Ferro (1 prancha).

Revista Tintin – Viagem ao Centro da Terra.

Revista Tintin – Rosa Delta Sem Saída.

Compilação das histórias publicadas na revista Tintin (Polvo, Novembro 2013)

1981
Revista Tintin – L123.

L123 SEGUIDO DE CEVADILHA SPEED (compilação editada pesa Associação do Salão Internacional de BD do Porto, Fevreiro de 1999)

Revista Tintin – Cevadilha Speed.

1981/83

Revista Pão ComManteiga: Os Planetas Mostram-lhe o Misterioso Mundo da Astrologia.

1982

Revista Tintin – Slow Motion.

Última colaboração na revista Tintin, que entretanto deixou de se publicar, com Kriz 3.

Início da colaboração com o jornal Se7e: Concerto para Oito Infantes e Um Bastardo.

1983

Jornal Se7e – Niuiork.

Jornal Se7e – Sabina.

Jornal Se7e – Ai, Este Chavalo Seria Tão Barilo Se...

1984

Jornal Se7e – Herbie de Best.

Jornal Se7e – Sangue Violeta.

Compilação editada pela Elpep, Maio 2012

Jornal Se7e – Tax Diver.

Jornal Se7e – Karlos Starkiller.

Jun. – Revista O Mosquito nº 2 (5ª série): história de 4 páginas com capa – Vast. Inclui entrevista de Geraldes Lino com o autor. Nessa entrevista ficou a saber-se que Relvas havia sido convidado, durante o Festival de Angoulême desse ano, por Jean-Pierre Dionet (co-fundador da mítica revista Metal Hurlant, com Moebius e Druilet), para colaborar na Metal Hurlant Aventure. Mas esta revista acabaria por deixar de ser editada, pelo que não chegou a haver colaboração alguma.

1985

Participou no Cadavre Exquis As Fantásticas Aventuras de Godofredo Leitefresco feita no programa da RTP “Arroz Doce”, de Júlio Isidro, que reuniu diversos autores da BD portuguesa da altura, tais como Jorge Colombo, Fernando Relvas, Carlos Zíngaro, Pedro Massano, Duart, Pedro Morais, entre outros, para a produção in loco das pranchas, que decorria semanalmente durante o programa. Publicado na revista Pau de Canela, do referido programa.

Publicou também (em datas a descobrir) no jornal desportivo Record, e na publicação ecologista A Urtiga, a série As Cabras de Isaac.

Jornal Se7e – A Sombra de Xizhakt Rabin.

1986

Exposição individual no II Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto.

Jornal Se7e – Nunca Beijes a Sombra do Teu Destino – primeira história a cores.

Jornal Se7e – A Noite das Estrelas / Soviet Sex.

Jornal Se7e – O Diabo à Beira da Piscina.

1987

Jornal Se7e – O Mistério da Travessa dos Meninos de Deus.

Jornal Se7e – El Papagaio. Esta história foi iniciada com o título A Costa do Marisco – mas, esclarece o autor: “o Papagaio tornou-se independente e substituiu definitivamente A Costa... logo nas semanas a seguir, por isso considero só o Papagaio”.

Jornal Se7e – A Perversa Sobranceria do Hermetismo no Saber.

1988

Jornal Se7e – O Atraente Estranho, que inclui A Missão.

Jornal Se7e – O Umbral Luminoso. Diz o autor: “Foi de facto esta a última história começada no Se7e, mas a minha colaboração foi dispensada ao fim de muito pouco tempo, por acordo das partes – ou seja, o novo director do jornal, que alcunhei de Cebolinha e de quem esqueci o nome, e eu chegámos à conclusão que já estávamos fartos um do outro, eu fiquei no desemprego e a história ficou-se pelo início, em parte ainda veio a influenciar a criação do Pela Honra da Nossa Prima, storyboard de animação apresentado a concurso de curtas do ICAM em 2002, e que mais tarde, em Maio de 2009, traduzida para inglês como Guncina at the Stake, foi posta no blog.”

1989

Revista Sábado – O Rei dos Búzios, cuja publicação seria interrompida por decisão editorial.

Set. – Exposição Colectiva – BD Portuguesa Hoje. Catálogo editado pelo Comicarte, patrocinado pelas Edições Asa no V Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto..

1990

Nov. – No Programa da peça de Teatro “Aos Crocodilos Mete-se-lhes um Pau na Boca” a partir “Le Bouder” de Enzo Corman, no Teatro Nacional D. Maria II: 6 pranchas de banda desenhada.

Ganha o 1º prémio do Concurso “Navegadores Portugueses”, do Centro Nacional de Cultura, com a história Em Desgraça.

1991

Fev. – Revista LX Comics nº 3, com Gulf Stream, 4 pranchas.

1993

Publicação do àlbum, Em Desgraça, pelas Edições Asa. Revista de informação televisiva TV Mais (nesta, talvez em 1993) e revista Ler (1993)


1994

No jornal O Inimigo, de Júlio Pinto – Testos Torres Contra Cara Dread.

Jornal O Inimigo – Cacilda, O Regresso do Hipopótamo.

Out. – É incluído em Exposição colectiva, onde se mostrava a temática dos descobrimentos portugueses na banda desenhada no V Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora.

1995

Publicação do àlbum O Nosso Primo em Bruxelas, por edições Livros Horizonte, e que deveria ter sido editado anteriormente pelas edições Asa, que o encomendou em 1993.


Out. – Exposição individual onde apresenta as pranchas de Çufo, no VI Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (foi aqui que eu e o Relvas nos conhecemos). Expõe também estudos e esboços de pranchas para a história A Rainha Jinga, ainda no ambito do apoio do Grupo de Trabalho do Ministério da Educação para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, mas que nunca chegou a ser realizada.

Nov. – Revista Quadrado nº 2 (2ª série), da Associação Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto, com Testos Torres Contra Cara Dread (remontada em 4 pranchas) – Episódio de Karlos Starkiller. Com texto de apresentação de João Miguel Lameiras.

Nov. – Exposição individual comemorativa dos vinte anos de carreira, comissariada por Júlio Moreira e lançamento do álbum Çufo, editado pelo Grupo de Trabalho do Ministério da Educação para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, no VIII Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto. 


Em fanzine, auto-edição – O Ananás que Ri.

1997

Publicação do àlbum Karlos Starkiller, pelas Edições Baleia Azul/Bedeteca de Lisboa.


Mar. – Relvas, À Queima Roupa. Exposição individual comissariada por João Paulo Cotrim, na Bedeteca de Lisboa. Textos do Catálogo, de João Paulo Cotrim, João Miguel Lameiras, Jorge Colombo e entrevista de Viriato Teles com o autor.

1998

Publicação do álbum, L123, pela Edição da Associação do Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto.

Jan. Exposição colectiva comissariada por João Paulo Cotrim, Carlos Pessoa e Júlio Moreira, Perdidos no Oceano – 17 Autores Portugueses no Festival International de la Bande Dessinée D’angoulême, onde Relvas participa com uma prancha realizada de propósito para esta exposição: Malubambu.

No jornal GrandAmadora – série de cartoons Chez Marreco.

Set./Out. – Exposição individual nos Recreios da Amadora, Relvas: Banda Desenhada.

1999

Por ocasião dos 25 anos da revolução de 1974, participou com uma curta história, Pai, pisa?, na exposição Uma Revolução Desenhada: o 25 de Abril e a BD, organizada pela Bedeteca de Lisboa, pelo Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra e pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

Publicação de O Rei dos Búzios em CD-rom, editado por Boa Memória – Produções Multimédia, que acompanhou a revista Biblioteca de Setembro de 1999, publicada pela Câmara Municipal de Lisboa. Este CD-ROM inclui uma entrevista ao autor, antigos trabalhos e textos de alguns especialistas, comemorando desta forma 25 anos de carreira do autor.


Conclui, no final do ano, Iva Jau e o Dr. Manga, destinada a ser publicada numa revista portuguesa de banda desenhada. Deveria ter sido publicada em capítulos, à medida que fossem sendo executados, de tal modo que, no início de 2000, deveria ter sido o fim da publicação da história. Contudo a sua publicação foi sendo adiada (provavelmente, diz o autor, devido às cenas eróticas), até que a revista deixou mesmo de se editar em 2002.

2000

Fev. – Incluido na Exposição Colectiva, na Fundação Calouste Gulbenkian – Centro de Arte Moderna: Banda Desenhada Portuguesa Anos 40 – Anos 80 (A Grande Aventura) – Comissariada por João Paiva Boleo e Carlos Bandeiras Pinhero.

Mai. – Incluido na Exposição Colectiva Portugal e a BD: Das Conferências do Casino à Filosofia de Ponta: Panorama Histórico da Banda Desenhada Portuguesa, organizada pela Bedeteca de Lisboa e comissariada por João Paiva Boléo e Carlos Bandeiras Pinheiro, no Centre Belge de la Bande Dessinée, em Bruxelas.

Set. – Na revista Selecções BD, nº23 (2ª série). História “muda” de seis pranchas, tendo como introdução o texto “O Regresso de Fernando Relvas”, de João Miguel Lameiras. Esta história foi realizada para o monumental volume de 2000 páginas de BD, o Comix 2000, que foi a forma encontrada pela editora francesa L'Association de comemorar o seu 10.° aniversário e o novo milénio. Trata-se de um álbum de histórias mudas (a ausência de texto é justificada por razões comerciais, pois deste modo o Comix 2000 é facilmente compreensível em qualquer parte do mundo), feitas por 324 autores de 29 países diferentes, entre os quais os portugueses Filipe Abronches e Mimi, que funciona como um testemunho do século que finda. Relvas foi um dos 12 mil autores de BD contactados e, embora tenha aceite o desafio, a história publicada nas Selecções BD não chegou a ser incluída nessa publicação por ter sido enviada fora do prazo.

2001

Jul./Ago. – No Phylactère, newsletter da Livraria Dr.Kartoon, de Fanny Denayer, republica uma selecção de cartoons anteriormente publicados no GrandAmadora, com o título O Regresso do Marreco, e escreve também alguns textos sobre outros autores de banda desenhada.

Mar/Abr – Exposição individual, Relvas – Desenhos, na Galeria Municipal Artur Bual, Amadora.

2002

Casa-se com a artista plástica Nina Govedarica e partem, em Dezembro de 2003, para Espanha (Málaga), de onde seguem para a Croácia.

2003

Jan. – Na revista Comix nº 5 (e último), da Devir – Jaca, versão restaurada de Concerto para Oito Infantes e Um Bastardo e dividida em duas partes, a segunda parte não chegou a ser publicada devido ao encerramento da revista.

2005

Exposição em conjunto com Nina Govedarica no Samoborski Muzej, Samobor, Croácia, em que participa, entre outras obras, com os originais de Iva Jau e o Dr. Manga.

Exposição colectiva no Espaço Delfim Guimarães, Amadora, em que participa com os originais de Iva Jau e o Dr. Manga.

2006

Depois de ter experimentado publicar várias coisas na internet, criando diversos blogues, como o Peixe Cru que eram, nas palavras do autor uma espécie de blocos de apontamentos e de treino para a escrita. Mas desagradado com os adiamentos de publicação por parte de um jornal português, resolve criar o blogue The Hard Line Approach (http://hardline-approach.blogspot.com), que actualmente não existe, onde publica o material destinado ao referido jornal e outras coisas avulsas.

2007

Em 2006, Relvas fez algumas alterações à história Iva Jau e o Dr. Manga remontou-a, passou o texto para inglês e publicou-a no sistema print-on-demand, no site www.lulu.com com o título Palmyra, onde ainda se encontra à venda.

Publica em print-on-demand em lulu.com o livro Ink Flow. Diz o autor: “Todas as histórias deste livro têm poucas palavras e muita tinta, e foram feitas sem qualquer esboço de preparação ou planeamento. A melhor maneira de olhar para eles é manter as palavras como batida de fundo e seguir o fluxo da tinta. Estes contos fazem parte de uma série de pequenos cadernos cosidos à mão (16,25 cm x 12,5 cm), feitos entre 2001 e 2003. Todos eles pertencem agora a colecionadores particulares. Como o suporte publicado na Lulu é diferente, as histórias foram ligeiramente alteradas. O texto em inglês está, em muitas partes, diferente do original português e a sequência dos desenhos não corresponde exatamente ao conteúdo dos cadernos”.


Publica no sistema print-on-demand, no site www.lulu.com, a sua primeira e até agora única novela, O Urso Vai a Espanha. Diz o autor no seu blogue: “Acabado de escrever em 2005, é a minha primeira experiência no campo da novela. Fui por terreno conhecido, e inspirei-me no ambiente de uma banda desenhada feita cinco anos antes. Quem leu “Palmyra” há-de pelo menos reconhecer duas personagens, os funcionários que perseguem o Urso, frescos e a saltar, dessa vez atrás de Jau. A história tem os mesmos elementos de movimento e rapidez duma banda desenhada. As personagens, para além dos portugueses uma chinesa, um angolano, um croata e um russo, são apenas esboçadas. No centro da história, um simples mas estranho mistério envolvendo um frete marítimo. É para ser lida entre dois pontos de uma viagem. A história, que originalmente se chamava “Trottoir”, foi imaginada ainda em Lisboa mas escrita já depois duma estadia por terras de Andalusia. Daí que “O Urso vai a Espanha” seja uma mistura de argumento de banda desenhada com crónica de viagem”.


Jun./Ago. – Publica a revista Costa, de que sairam apenas dois números, com a história The Green Fish, em três capítulos: The Hanging Man, Gospodin Sofer e Skarpina, que foram publicados em print-on-demand no lulu.com, onde estão à venda, e que depois tiveram lugar num blog de curta duração com o mesmo nome da revista.

2008

Cria outro blogue Chinese Master Spy (http://chinesemasterspy.blogspot.com), que também já não existe, onde inicia como webcomics semanais, as histórias The Chinese Master Spy, The Persian Ambassador e as tiras de Kriks, The Perfect Worker, estas em parceria com Nina Govedarica.

Out. – É incluido na Exposição colectiva Tecnologia e Ficção Científica na BD Portuguesa, no XIX Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora.

2010

Publica em print-on-demand em lulu.com as histórias The Chinese Master Spy e The Persian Ambassador, reunidas no livro Li Moonface, que também pode ser lido (em inglês) no yudu.com.

LI MOONFACE - Edição original e a versão portuguesa publicada pela Pedranocharco Publicações em Maio de 2011

O projecto de curta-metragem animada Fado na Noite, de autoria e realização de Fernando Relvas é seleccionado para o apoio à produção no concurso de curtas-metragens de animação de 2010 do ICA (Instituto do Cinema e do Audiovisual). 

Cartaz de Fado na Noite, estreado em Julho de 2012 e exibido no AmadoraBD desse ano

19 Set. Regressa a Lisboa.

20 Set. – Inicia a publicação da webcomic The World of Miss Li, suspenso em Dezembro de 2010, uma vez que o autor decidiu que vai modificar a história e remontá-la.

A evolução do seu trabalho pode ser acompanhada em http://urso-relvas.blogspot.com, para onde o autor transportou grande parte do material publicado nos blogues acima referenciados.
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Para a elaboração deste esboço bio-bibliografico de Fernando Relvas, contribuiram, obviamente as informações do autor, mas também informações de Leonardo De Sá e de Geraldes Lino.

In BDjornal #27, Maio de 2011

A nova obra de Fernando Relvas Nau Negra, que pode ser seguida AQUI: http://hardline-relvas.blogspot.pt/


Geraldes Lino, Fernando Relvas e o editor deste blogue, no AmadoraBD 2010

Nina Govedraica e Fernando Relvas durante a apresentação do Dicionário Universal da Banda Desenhada, de Leonardo De Sá, no AmadoraBD 2010


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