Mostrar mensagens com a etiqueta DIVERSOS. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta DIVERSOS. Mostrar todas as mensagens

domingo, 28 de julho de 2019

TÁGIDE BD - Webcomic OSSADAS DO OFÍCIO


Webcomic 
OSSADAS DO OFÍCIO

A banda desenhada colectiva Ossadas do Ofício, realizada pelos autores do mais recente colectivo de BD do país, Tágide, é uma narrativa sequencial feita em sistema cadavre exquis, que o grupo tem partilhado no seu blogue.

Esta iniciativa, que visa ser mais um propósito para os frequentadores colaborarem entre si nos encontros, realizados quinzenalmente na sala multiuso na Quinta do Pátio d'Água (Montijo), ainda está no começo mas reúne as improvisações sequenciais de talentos como António Coelho, Daniel Maia, Jorge Rodrigues, Maria João Fanica, Mário André, Nuno Dias, Patrícia Costa, Rui Serra e Moura, Shania Santos e Susana Resende, e aguarda-se a participação por mais talentos, entre os quase trinta membros do colectivo.

A BD, que se quer insólita e experimental, pede 1/2 página A4 por autor, fundindo as intervenções gráficas em pranchas que são depois carregadas no blogue, em jeito de webcomic. Podem ler as páginas já carregadas (pg 1-3 e pg 4-5) em tagidebd.blogspot.com.

https://tagidebd.blogspot.com/2019/07/ossadas-do-oficio-i.html
https://tagidebd.blogspot.com/2019/07/ossadas-do-oficio-ii.html





Encontro da Tágide – 16 de Junho 2019

Na sexta-feira de 16 de Junho, aconteceu mais um encontro Tágide, o primeiro desde a apresentação do projecto no XV Festival Internacional de BD de Beja, o que resultou em casa cheia. Fora a presença dos frequentadores mais habituais e a visita por alguns menos regulares, o colectivo recebeu também estreantes no encontro vindos de diversos pontos da margem sul: Henrique e Duarte Gandum, criadores da série Congo, que nos apresentaram o 2º volume e materiais promocionais, filmados ao vivo e animados; Jorge “Rod” Rodrigues, desenhador de BDs e ilustrador humorístico, que colaborou em várias antologias (e.g. Zona, ModaFoca, Venham +5); João Raz, ilustrador e coordenador do canal Desenhos, Inks & Rabiscos e salão Barreiro IlustraBD; Pedro Cruz, autor de The Mighty Enlil, com um novo álbum de BD previsto para 2019, e ainda Sérgio Santos, autor e editor da revista antológica H-Alt.




sábado, 29 de junho de 2019

COLOMBO NÃO DESCOBRIU AMÉRICA NENHUMA!!!


DE UMA VEZ POR TODAS:
 COLOMBO 
NÃO DESCOBRIU A AMÉRICA!!!
Não consigo compreender porque razão se continua a referir sistematicamente o nome de Cristóvão Colombo na questão da descoberta “da América”. Ainda hoje li um artigo na revista da National Geographic sobre a comemoração do V Centenário de Leonardo Da Vinci, que começa exactamente assim: “No ano em que Colombo descobriu a América...”
De uma vez por todas: CRISTÓVÃO COLOMBO NÃO DESCOBRIU AMÉRICA NENHUMA!!! – Descobriu ilhas daquilo que considerava serem as Índias, mais concretamente a ilha de Cipangu (o Japão de Toscanelli)! E morreu absolutamente convencido disso mesmo! Mais tarde, passaram-se até a designar durante algum tempo as ilhas das Caraíbas e das Bahamas, como “Índias Ocidentais”, mas os indígenas americanos ficaram, para todo o sempre a ser designados como “índios” ("indians" – indianos, em inglês) devido a esse erro!!!

Mapa de Toscanelli (1474), mostrando a ilha de Cipangu - o Japão - em cima do actual México.

Mapa mostrando as quatro viagens de Colombo, onde se pode ver que nas últimas duas, o genovês tocou o continente Americano (América do Sul) e do Centro (América Central), ficando convencido de que se tratava de grandes ilhas.

Pormenor do mapa de Waldseemüller de 1507 onde pela primeira vez foi escrito o nome América para nomear o continente que Vespúcio designou como Novus Mundus.
Quem descobriu na verdade o continente americano foi Américo Vespúcio (Amerigo Vespucciquando viajou ao longo da costa do Brasil em 1501 e ao perceber que aquele continente não podia fazer parte da Ásia (ainda não se conhecia o oceano Pacífico) designou-o como Novo Mundo. Mais tarde seria atribuído a esse continente o nome América, como tributo ao seu verdadeiro descobridor: Américo Vespúcio.

Deixo aqui um pequeno excerto do meu livro (em fase de revisões) Sob o Signo do Pelicano
no qual, obviamente tenho que referir Colombo:

(...) Contudo, ainda em Junho de 1483, o genovês Cristoforo Colon foi ao encontro do rei João II na igreja da Luz, em Carnide, para lhe apresentar o seu projecto de chegar às Índias, navegando para ocidente no oceano Atlântico e que o conselho do rei viria a rejeitar. O genovês baseava-se no mapa de Paolo dal Pozzo Toscanelli (de 1474) sobre o qual escrevemos mais atrás, em que aquele geógrafo italiano colocava a ilha de Cipangu – o Japão – na zona do actual México. Ninguém conhecia nessa época a existência do oceano Pacífico, bem entendido.

Mas é preciso dizer-se que este Cristoforo Colon, ou Cristóvão Colombo, ou Colón, é a personagem histórica mais controversa e fugidia que conhecemos na história portuguesa e que se prestou já a uma série de livros e artigos, de pelo menos sete autores, publicados na imprensa e na internet, conjecturais e discutíveis sobre a sua nacionalidade de origem. De italiano de Génova a português, passando por galego ou catalão, não há quem não meta uma colherada no assunto da sua nacionalidade. O próprio contribuiu para a confusão ao não querer que se conhecesse o local onde nascera, tal como escreveu na sua biografia oficial, o seu filho bastardo Fernando Colombo, nascido do enlace com Beatriz Enriquez enquanto viveu em Castela. Até o seu apelido aparece grafado em pelo menos quatro versões, acrescentando-se-lhes a versão em latim, como Colombo, Colomo, Colon, Colón, Columbus...


Para complicar as coisas, num documento da corte de Castela é designado como "portugués" e nas palavras do próprio quando, escrevendo aos reis de Castela, se refere a Portugal como "mi tierra".

Contudo, os documentos históricos dizem, por outro lado, que Colombo seria genovês e se estabeleceu em Lisboa em 1476, não tendo rompido os seus laços com Génova, nomeadamente porque ficou a trabalhar como agente da casa comercial Centurione. Sabe-se também que vivia na ilha da Madeira em 1479, casando com Filipa Moniz, filha de Bartolomeu Perestrelo, cavaleiro da casa do duque de Viseu, o infante Henrique, o Navegador. Daquele casamento nasceu o único filho legítimo de Colombo, Diogo. Mas neste aspecto, as coisas também não são muito lineares, uma vez que Bartolomeu Perestrelo era um nobre e não era possível, nessa época, a filha de um homem da nobreza casar com um plebeu.

E, para terminar esta questão dúbia, faço notar que a abreviatura Xpoval Colon, consta de um documento do rei João II para Colombo, em que Xpoval será a abreviatura de Crispoval?

Para atrapalhar ainda mais a biografia do homem, começou a aparecer uma facção de “historiadores”, que afirmam a pés juntos e com centenas de páginas publicadas em livros, que Colombo era português e mesmo um espião do rei João II. 

Escrito isto, diga-se que a resposta do rei à proposta do genovês para chegar às Índias viajando para ocidente,  foi convencer o navegador a ir apresentar essa mesma proposta aos reis católicos, de Castela e Aragão... Isto talvez para, na minha modesta opinião, baralhar as cartas sobre a questão das explorações marítimas e afastar os castelhanos das terras africanas que vinham sendo descobertas pelos portugueses. 

Toda esta polémica envolveu, a certa altura uma carta de João II ao navegador, quando este já estava em Castela, tratando-o por “Nosso especial amigo em Sevilha”(...)





terça-feira, 9 de abril de 2019

AS CORES DO TÚMULO DE JOÃO I


NÃO É BANDA DESENHADA, 
MAS QUASE QUE PODIA SER... 

No nº180 da revista História, da National Geographic deste mês (edição castelhana) encontrei um artigo interessante sobre o projecto Policromia Monumental, para devolver a cor original do Panteão do Mosteiro de Santa Maria da Victória, mais conhecido por Mosteiro da Batalha, mais especificamente da Capela do Fundador. No entanto transcrevo e republico aqui o texto e as fotos de António Luís Campos, referentes a este assunto, publicado no site da National Geographic. O assunto não tem a ver com banda desenhada... mas quase.

Na Capela do Fundador, no Mosteiro da Batalha estão sepultados os reis e infantes da Dinastia de Avis, João I; Filipa de Lencastre; o rei Duarte I; o infante Henrique, o Navegador e duque de Viseu; o infante João, Condestável de Portugal; Isabel, duquesa de Borgonha; Fernando, o Infante Santo; o rei Afonso V; o rei João II; e também, o Soldado Desconhecido, este talvez como homenagem a todos os soldados portugueses mortos em combates vários.

Nota: Optei, nesta introdução por, à maneira europeia, omitir o tratamento arcaico habitual dado aos reis, príncipes e infantes portugueses, não precedendo os seus nomes pelo pronome de tratamento Dom, que nem os castelhanos já usam muito. Contudo respeitei na íntegra o texto de António Luís Campos, que republico em baixo.


AS CORES DO TÚMULO 
DE JOÃO I DE PORTUGAL

Habituados à configuração com que os mais conhecidos monumentos nacionais chegaram aos nossos dias, nem sempre nos lembramos de que a arte é efémera. Um inovador projecto científico procura detectar as cores e as texturas de um dos mais emblemáticos túmulos da história de Portugal.

Texto e fotografias de António Luís Campos

Enquadrada pelo inconfundível rendilhado da pedra calcária, a porta de entrada contrasta pela sobriedade, de madeira avermelhada, implícita recordação de um emblemático episódio histórico que todos os portugueses conhecem e a que devem a sua condição enquanto tal. A porta tanto esconde como antecipa o cenário resguardado para lá da ombreira: ladeando a enorme nave central, alinham-se, como um garboso exército, elegantes colunas de pedra, apontadas ao céu, coloridas por instantes pela luz fraca de Inverno, coada pelos vitrais multicolores.

A escala é avassaladora. O frio que se entranha na pele tem tanto de meteorológico como de psicológico perante o símbolo da nacionalidade que é, simultaneamente, um dos maiores monumentos de Portugal: o Mosteiro da Batalha. Foi a obra de vida do Mestre de Avis, Dom João I, o rei que derrotou o exército castelhano em Aljubarrota, devolvendo a independência a Portugal e que, em 1386, mandou erguer o complexo em cumprimento de uma promessa feita, na véspera da batalha, à Virgem Maria.

Quase seiscentos anos após a sua fundação, uma nova perspectiva começa a ser revelada num dos elementos mais nobres do edifício: a Capela do Fundador, onde estão sepultados Dom João I, a rainha Filipa de Lencastre e a maioria dos seus filhos, que Camões apodaria mais tarde de Ínclita Geração: Dom Duarte, rei; Dom Pedro, regente do reino; Dom Henrique, o Navegador; Dom João e Dom Fernando, morto no Norte de África.

Hoje, o calcário apresenta-se nu, mas nem sempre foi assim. Uma equipa multidisciplinar, composta por arqueólogos, historiadores de arte, especialistas em heráldica, químicos e designers, parte em busca dos vestígios de cor neste cenário, com o objectivo de saber como era originalmente, conhecendo e interpretando melhor a sua mensagem histórica.

O objectivo do projecto Policromia Monumental , co-financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, é compreender melhor a extensão, significado simbólico e material da cor no plano religioso, familiar e político, num monumento tão relevante quanto este.

Joana Ramôa, investigadora do Instituto de História de Arte e responsável científica do projecto, explica que “a análise da policromia abre um novo campo de estudo – é um ‘tubo de ensaio patrimonial!’ É a primeira vez que é conduzida em Portugal em arquitectura e escultura medieval, com o ensaio de novas técnicas e metodologias de trabalho. A história também se materializa nas estruturas, na sua cor, nos pigmentos utilizados!”

A equipa do projecto é igualmente constituída pelo Laboratório Hercules, pelo Instituto Português de Heráldica e pelo Instituto Politécnico de Leiria, agregados no trabalho de campo no Mosteiro da Batalha. “Apesar de aparentemente desprovida de cor, a pedra natural na Capela encerra vestígios de policromia que só um olhar atento detecta, especialmente em pequenos interstícios da pedra, onde o acesso é difícil”, prossegue Joana Ramôa. Estudos como este são particularmente dispendiosos, pois a recolha de pigmentos é difícil e atreita a erro: num ponto preciso, podem restar resquícios de cor e 2 milímetros ao lado não existir já qualquer indício disso. É por isso que a análise da arquitectura se torna igualmente importante, como comenta a cientista espanhola Begoña Farre, cuja presença na equipa é bem expressiva de como mudaram as relações entre os dois países ibéricos desde Aljubarrota!

Quando Dom João I lançou a obra da Capela, esta não estava inicialmente prevista no plano monástico do complexo, acabando por se tornar o primeiro panteão régio português. Coube a Dom Duarte, o seu filho primogénito, a sua conclusão em 1434, reencenando então as exéquias dos pais, um ano após a morte do Mestre de Avis, e sublinhando a ideia de família perfeita, unida até na morte.

A este respeito ocorreu um episódio histórico curioso e pouco conhecido do público, contado por Miguel Seixas, historiador e presidente do Instituto Português de Heráldica. Encontramo-nos agora noutro cenário apropriado: o Convento do Carmo, em Lisboa, “monumento-irmão” da Batalha, por ter sido fundado por Dom Nuno Álvares Pereira com o mesmo intuito: agradecer a intervenção da Virgem na vitória de Aljubarrota.

“Dom João I morreu em 13 de Agosto de 1433, mas a notícia da sua morte só foi divulgada um dia depois, a 14, intencionalmente, para a fazer coincidir com a data da comemoração da vitória em Aljubarrota e apresentar o facto como um sinal divino”, narra o especialista em heráldica. “A propaganda não é exclusiva dos tempos modernos!”

Sob os arcos do convento, de chapéu e gabardina, Miguel Seixas confessa que este projecto o surpreendeu pela positiva: “Há um grande preconceito da comunidade científica face à heráldica, pois crê--se que ela está exclusivamente ligada à nobreza e à causa monárquica. Na verdade, é um código visual de comunicação, importante para a identificação e datação de informação histórica e para melhor compreensão de uma obra. E esta equipa reconheceu-o. Sabe-se que cores eram usadas por Dom João I. Agora, queremos saber como eram usadas.”

Ver o texto original em: https://nationalgeographic.sapo.pt/historia/grandes-reportagens/1744-a-cor-da-capela-do-fundador?start=1



quinta-feira, 17 de maio de 2018

SOBRE JOSÉ CARLOS FERNANDES... NA REVISTA TIME OUT

Caríssimos/as amigos/as, nova interrupção no Kuentro devido a novo internamento hospitalar (a que já chamo “Férias em Sta. Maria” - às vezes é preciso brincar com as adversidades).

Retomo hoje as lides, com uma referência ao trabalho actual, semanal, de José Carlos Fernandes (e isto desde que deixou de realizar BD) na revista Time Out sobre música Clássica e Jazz que esporadicamente acompanho.

SOBRE JOSÉ CARLOS FERNANDES...

NA REVISTA TIME OUT
16 DE MAIO 2018


Jazz&Clássica
Cristãos, mouros e judeus

A história do Reino de Granada é contada através de música por Jordi Savall, com La Capella Reial de Catalunya e Hesperion XX.

José Carlos Fernandes convida a uma viagem no tempo ao al-Andaluz* das "Três Culturas".

Para lamentar as manifestações de intolerância religiosa do nosso tempo, há quem evoque a idílica convivência entre diferentes credos e culturas no al-Andaluz da Idade Média. Porém, se é verdade que os conquistadores islâmicos permitiram que cristãos e judeus mantivessem as suas religiões e o auto-governo das suas comunidades, é excessivo imaginar que os governantes do al-Andaluz eram multiculturalistas na acepção moderna, ou que entre as três crenças não havia atritos.

Nem sequer no seio de cada crença reinava a harmonia: foram as dissensões internas que, em 1009, levaram à desagregação do Califado de Córdova em múltiplas entidades políticas – as taifa. Uma das mais importantes foi o reino de Granada, fundado em 1013 e que conheceu um período de florescimento nas artes, ciências e ideias, interrompido em 1090 pelos Almorávidas.

Os reinos taifa, enfraquecidos por incessantes quezílias, tinham pedido auxílio a estes Berberes do Norte de África para fazer face às hostes cristãs, mas, após suster o avanço de castelhanos e aragoneses, os Almorávidas acabaram por subjugar aqueles que tinham vindo ajudar, a pretexto de estes se terem afastado da fé islâmica.

Os Almorávidas instauraram um regime fundamentalista que seria suplantado pelos Almóadas, também berberes e adeptos de uma interpretação estrita do Islão.

Granada caiu nas suas mãos em 1157 e o acréscimo da intolerância trazido pela sua governação fez muitos cristãos e judeus buscar refúgio nos (pouco tolerantes) reinos cristãos.

A pressão cristã acabou por causar a desintegração do Califado Almóada, permitindo que em 1230 surgisse o Emirado de Granada, governado pela dinastia Nasrida, que iria ver o seu território encolher gradualmente até à capitulação final perante os Reis Católicos em 1492. Savall poderia ter fechado aqui o arco da sua narrativa, mas, nos primeiros anos sob os Reis Católicos, os mouros de Granada foram tratados com benevolência, podendo manter credo, tradições e propriedades e reger-se pela lei
islâmica.

Só em 1499 se iniciaram as perseguições, que culminaram em 1502 com a imposição aos granadinos de escolher entre a conversão à fé cristã e a expulsão – e foi esta a data que o maestro catalão escolheu para termo do fascinante CD Granada 1013-1502 (Aiia Vox), em que se mesclam tradições cristãs, islâmicas e judaicas, maginativamente recriadas por La Capella Reial de Catalunya e pelo Hesperion XX e pelos músicos do Norte de África e Médio Oriente que têm vindo a participar nos projectos transculturais de Savall a mesma equipa olímpica que agora se apresenta na cidade que já se chamou al-Ushbuna**. •

* al-Andaluz: a Península Ibérica sob ocupação moura (islâmica/mauritana) – nota do Kuentro.
** al-Ushbuna: a Lisboa moura – nota do Kuentro.

____________________________________________________

Adams, Holst, Strauss

As trips pelo espaço sideral estão mais associadas ao rock psicadélico, à kosrnische e ao trance, mas desta vez poderá experimentar-se a sensação de imponderabilidade e de viagem astral no ambiente mais formal do Grande Auditório da Fundação Gulbenkian e com o concurso da orquestra da casa. "Uma Odisseia em HD", programa com direcção de Robert Ziegler, articula duas peças com conotações cósmicas, directas - a suíte sinfónica Os Planetas, de Gustav Holst – e indirectas – o poema sinfónico Assim Falava Zaratustra, de Richard Strauss, que foi usado por Kubrick na banda sonora de 2001: Odisseia no Espaço. Os Planetas foi composta em 1916, o que explica que tenha só sete andamentos: a Terra não conta e Plutão só seria descoberto em 1930 (de qualquer modo, seria despromovido a planeta-anão em 2006).

A música é complementada pela projecção de imagens da Terra vista do espaço e o programa inclui ainda Short Rideina Fast Machine, composto em 1986 por John Adams, que, não possuindo vinculas espaciais, merece ser ouvida e cuja exuberância e brilho orquestral combina com as duas obras de Holst e Strauss. • JCF

Fundação Gulbenkian. Sex 21.00h, Sáb 19.00h, 15·30€.

___________________________________________________________

sábado, 31 de março de 2018

CONVITE DE NUNO SARAIVA PARA WORKSHOP DE DESENHO BURLESCO – 3 DE ABRIL

CONVITE DE NUNO SARAIVA 
PARA WORKSHOP 
DE DESENHO BURLESCO
3 DE ABRIL 

Aqui fica o CONVITE para participarem na última sessão do Workshop de desenho Burlesco Ar.Co Xabregas, uma AULA ABERTA que será apresentada no Teatro Ibérico, rua de Xabregas, 54, um espaço único, na antiga capela do Convento de São Francisco.

Próxima Terça 3 de Abril entre as 18h15 e as 20h45 (Entrada Livre)

São 2 horas de desenho ao vivo com a modelo burlesco Lucky Lu a partir de figurinos Mata-Hari, Vaudeville e anos 20.

Materiais a trazer: Livre. Bloco papel ou caderno tipo molesquine. Cores (canetas, lapis ou aguarelas, pincel de depósito, etc).

A aula será documentada por uma equipa de alunos do Departamento de cinema.

Lucky Lu, dançarina burlesco com especialidade no charleston, é historiadora de formação e diretora artística do Immoral Babylon Productions (IBP), grupo de artistas de várias nacionalidades que trabalham actualmente no espectáculo do Vaudeville em Berlim.

Lucky Lu: http://luciamvicente.wordpress.com/vaudeville-performance/





_______________________________________

quinta-feira, 27 de abril de 2017


O BOMBARDEAMENTO DE GUERNICA FEZ ONTEM 80 ANOS!!!

Não quis deixar de assinalar aqui a data do bombardeamento de Guernica - em números redondos, 80 anos - até porque mete também um pouco de BD.

A 26 de abril de 1937 um ataque aéreo de aviões alemães da Legião Condor durante a guerra de “Espanha”,  comandado por Wolfram von Richthofen e com apoio do Corpo Truppe Volontarie, destruiu a maior parte da cidade de Guernica, no País Basco, com cerca de 5 000 a 7 000 habitantes, tendo causado centenas de vítimas. Foi considerado um ataque criminoso na altura e usado como propaganda nazi amplamente difundida no Ocidente, levando a acusações de "atentado terrorista" e noticiando-se de que 1 654 pessoas tinham sido massacradas. No entanto estimativas modernas avaliaram o número de mortos em cerca de 300 a 400. Outros estudos recentes, no entanto, limitam a cerca de 160 o número de mortos. No entanto a cidade ficou quase completamente destruída.

O ataque, que serviu também para testar os aviões de guerra da Luftwaffe e ganhar experiência no combate aéreo alemão, apoiou as forças do general Francisco Franco, que invadiram a cidade poucos dias depois do bombardeamento.

O painel Guernica, pintado por Pablo Picasso em 1937, é normalmente um ícone representativo do bombardeio sofrido pela cidade de Guernica.








________________________________________________________


terça-feira, 25 de abril de 2017

O MEU 25 DE ABRIL – Tal como o descrevo no livro Últimos no Leste de Angola – Na Retirada do Exército Português em 1975

O MEU 25 DE ABRIL

Tal como o descrevo no livro 
Últimos no Leste de Angola 
Na Retirada do Exército Português em 1975

“(...) Nessa noite de dia 24, por volta das três e tal da manhã, começámos a ouvir um barulho persistente e em crescendo, vindo da rua que contornava o Destacamento. Fomos percebendo que eram sons de motores de carros pesados, ruídos metálicos e algumas vozes, que se tornavam mais identificáveis à medida em que se iam aproximando do nosso quartel. Um dos instruendos da caserna conseguiu trepar até uma das janelas – que se abriam no topo das paredes – e relatou para todos nós o que via: “C’um caraças, pá (não foi bem “caraças” que ele disse), é uma porrada de carros de combate daqueles com canhão à frente e camiões (Berliet) cheios de malta armada pela rua fora. Parece que vão para a estrada de Lisboa...” Pensámos que seria um qualquer exercício nocturno da EPC (Escola Prática de Cavalaria) e aconchegámo-nos de novo nos beliches.

Contudo, minutos depois, o sargento de dia entrou na caserna e berrou: “Está toda a gente a vestir-se à civil e a dirigir-se à secretaria para tratar dos passaportes e ir para casa! Estamos em guerra!”

Ficámos perplexos, associando aquele “estamos em guerra” com a descrição dos carros de combate e homens armados em direcção a Lisboa. Mas vestimo-nos num ápice, passámos pela secretaria para recolher o passaporte (até segunda-feira, dia 29) e, quando chegávamos à Porta de Armas, o cabo miliciano que lá estava dava-nos ordem para “corrermos em ziquezague atá à estação”! Claro que ninguém se preocupou com o “ziguezague” e descemos todos em cavalgada épica até à estação de caminhos de ferro de Santarém.

Achei estranho que no comboio estivesse toda a gente a ouvir marchas militares em rádios transistores que, todos ao mesmo tempo e no mesmo posto, me permitam ouvir o que transmitiam. Mas não consegui perceber muito do que se passava. Mentalmente só congeminava naquela oportunidade inopinada de poder “ir namorar”, mais nada. Cheguei já dia claro aos “cacilheiros” para Almada, no Terreiro do Paço, sem me dar conta sequer da multidão que estava naquela praça – só mais tarde veria na televisão o que se tinha passado, ali a dois passos de mim...

Em Cacilhas apanhei o autocarro, saí na Praça S. João Baptista e dirigi-me para casa, a pé. Ao atravessar uma rua cruzei-me inesperadamente com... o meu pai. Ele vinha de carro pela rua fora e quando eu ia atravessar essa rua, parou o carro. Abriu a janela do lado do passageiro e perguntou-me: “Eh pá! Desertaste?” Respondi: “Não! Mandaram-nos para casa! Porquê? O que é que se passa?”. “Eh pá! Houve um golpe de estado, pá! Não sabes?” Fiquei abismado! E depois de uma troca de banalidades sem importância, fui imediatamente, não para minha casa, mas para casa do Carlos Guerreiro, o tal amigo com quem estava no Grupo Coral da Incrível Almadense e que morava mesmo ao meu lado. Estivemos a ver os acontecimentos na televisão e a ouvir os comunicados do “Movimento das Forças Armadas”, a trocar comentários, até que resolvi ir a casa tomar um duche, seguindo depois para o Monte de Caparica, para casa da Mena.

Passámos o tempo todo a ver as coisas pela TV, já quando as tropas do capitão Salgueiro Maia (que veio de Santarém com as tropas que ouvíramos na caserna) estavam a cercar o quartel da GNR do Carmo, onde se encontrava Marcello Caetano refugiado. Aquilo durou a tarde quase toda, com a minha futura sogra a comer azeitonas atrás umas das outras e a choramingar de vez em quando, “Ai meu Deus! Mas o que é que vão fazer ao homem?” Enquanto o meu futuro sogro passeava pelo corredor, a fumar os “mata-ratos” de enrolar habituais, a rir-se silenciosamente, com o ar mais feliz da vida, como nunca lhe vira antes. Ainda sugeriu que fossemos para Lisboa, participar na “Festa”. Mas eu respondi que não gostava de me misturar em multidões e, sobretudo, porque no meio daquela trapalhada toda, nunca saberia o que se estava a passar. Só na televisão podia ter uma visão dos acontecimentos em todos os lados, uma vez que estavam a transmitir várias informações e imagens filmadas, não só em Lisboa, como do resto no País.

Em suma, acabei por não namorar quase nada, e nesses dias de “licença” estive absolutamente concentrado no Golpe de Estado que deitou abaixo aquele Regime com quase cinquenta anos de poder absoluto. A sessão de reportagens televisivas, com os “comunicados do MFA” pelo meio das imagens em directo, sobretudo do Largo do Carmo apinhado de gente, durou até por volta das oito da noite quando Marcello Caetano e outros membros do Regime apeados do poder foram transportados numa “Chaimite” para o posto de Comando do MFA na Pontinha. Comemos então umas coisas improvisadas e voltámos para a frente da pantalha televisiva, esperando que a anunciada Junta de Salvação Nacional se apresentasse a público, o que só aconteceu quase às duas da manhã. Ficámos naquilo quase toda a noite, com a minha futura sogra sempre a lamentar o destino do Marcello e... a comer desalmadamente azeitonas, desta vez acompanhadas com rodelas de chouriço. Acabei por dormir algumas horas no sofá da sala – sozinho, claro (...)”




Na recruta, no Destacamento da Escola Prática de Cavalaria, Santarém...

Capa e contracapa do livro, a sair no final de Maio

______________________________________________________

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

UM BOM NATALIS INVICTI SOLIS PARA TODOS


UM BOM NATALIS INVICTI SOLIS 
PARA TODOS!!!

Vale sempre a pena escrever o que já aqui escrevemos tantas vezes: originalmente destinada a celebrar o nascimento anual do Deus Sol dos romanos, no solstício de inverno (natalis invicti Solis), a festividade de 25 de Dezembro foi reconfigurada pela Igreja Católica no século III para estimular a conversão dos povos pagãos sob o domínio do Império Romano e então passou a comemorar o nascimento do hebreu Yeshua, o Cristo (ou Khristós, o “ungido”).

E deixamos, mais uma vez algumas páginas de “No Presépio…” de José Pinto Carneiro e Álvaro, porque não encontramos melhor para assinalar a data…







_____________________________________________________________

 
Locations of visitors to this page