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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

BDpress #450: LIVROS DE BD E INFANTIS – NO EXPRESSO

LIVROS

 
Expresso – ATUAL, 6 de dezembro de 2014 


LOGlCOMIX
Doxiadis, Papadimitriou, Papadatos e Di Donna
Gradiva, €16
As grandes questões da matemática e da filosofia modernas expostas numa novela gráfica concebida a partir da figura de Bertrand Russell. O recurso à BD é um achado, mas é-o também a forma como os autores organizam a narrativa, surgindo eles próprios como personagens, sem descurar o enquadramento histórico da produção das ideias em causa. A.C.L. (Ana Cristina Leonardo)


A VIAGEM DO ELEFANTE
João Amaral
Porto Editora, €19,90
Resultado de dois anos de trabalho, esta adaptação de um dos romances finais de José Saramago é muito fiel ao original, mas não se limita a oferecer-nos imagens para o périplo do elefante Salomão, entre Lisboa e Viena.
Ao contar a história, convoca o escritor e mostra como ele paira sobre ou dentro da narrativa (veja-se a célebre cena do nevoeiro, metáfora da doença). J.M.S. (José Mário Silva)


A PIOR BANDA DO MUNDO
José Carlos Fernandes
Devir,€22 (cada volume)
A obra-prima de José Carlos Fernandes (n. 1964), agora reunida em dois volumes, segue as desventuras de uma banda sem talento, pretexto para um desfile de personagens entrevistas em vinhetas sépia, satírico-melancólicas, feitas de alusões cultas umas vezes explícitas e outras camufladas. É como se Borges se dedicasse à BD. P.M. (Pedro Mexia)


HABIBI
Craig Thompson
Devir, € 39,99
Depois de "Blankets", Thompson reincidiu nos livros monumentais, confirmando (se preciso fosse) a banda desenhada como uma linguagem capaz de sustentar narrativas complexas. A história de Dodola e Zam, duas crianças escravas, é uma viagem pela herança do Cristianismo e do Islão, marcada por esse gesto básico que ordena o mundo, o gesto de contar histórias. S.F.C. (Sara Figueiredo Costa)


O ESPELHO DE MOGLI
Olivier Schrauwen
Mmmnnnrrrg, €10
Banda desenhada de um autor flamengo dedicado à experimentação em torno desta linguagem, "O Espelho de Mogli" parte de "O Livro da Selva", de R. Kipling, para refletir sobre as teorias do bom selvagem. O cenário genesíaco, o trabalho de composição das pranchas, apenas com recurso à imagem, e uma certa estética retro fazem deste livro um objeto notável. S.F.C. (Sara Figueiredo Costa)


OBCÉNlCA
Hilda Hilst e André da Loba
Orfeu Negro, €21
Mais uma contribuição da Orfeu Negro para acabar com o mito de os livros ilustrados se destinarem às crianças. Aos textos de Hilda Hilst em torno da temática do sexo, da pornografia e da moral juntam-se as ilustrações desbragadas, estilizadas e muito eficazes de André da Loba. Sucesso
garantido (ou taquicardia coletiva) na mesa da Consoada. S.F.C. (Sara Figueiredo Costa)


CACHALOTE
Daniel Galera e Rafael Coutinho
Polvo, €24,99
Cinco narrativas autónomas que partilham um forte tom de desesperança compõem a estreia de Daniel Galera na BD, acompanhado pelo traço nervoso e pungente de Rafael Coutinho. "Cachalote" é o retrato desolado e comovente de uma certa contemporaneidade marcada pelo no future, mesmo que nunca deixe de celebrar o prodígio de estarmos vivos. S.F.C. (Sara Figueiredo Costa)


AS GIRAFAS NÃO DANÇAM
Giles Andreae e Guy Parker-Rees
Jacarandá,€10,90
Uma história em verso que tem como protagonista Geraldo, uma girafa desengonçada para quem o Baile da Selva era um pesadelo anual, até perceber que por vezes basta a música certa. Com ilustrações de cores fortes e traço expressivo e quadras divertidas, pelo criador de "Purple Ronnie", é indicado para crianças a partir dos 4 anos de idade. A.C.L (Ana Cristina Leonardo)

A ÍLIADA DE HOMERO
Adaptação de Frederico Lourenço
Cotovia, €18
Frederico Lourenço já havia assinado uma adaptação da "Odisseia". Reincide agora na tradução e adaptação dos grandes clássicos gregos, com uma versão da "Ilíada", um texto mais amargo que ainda assim encerra uma lição de vida que valerá a pena partilhar com os leitores jovens. Sem desvirtuar a linguagem do original, mas tornando-a mais acessível. A.C.L (Ana Cristina Leonardo)


MIMI E O GRANDE ROBÔ MALVADO
Valerie Thomas e Korky Paul
Gradiva,€13
A carismática Bruxa Mimi torna-se uma aprendiz de Frankenstein ao criar, numa aula de artes plásticas, um suposto' urso que afinal é um robô. Quando este ganha vida própria e maligna, robotizando tudo à sua volta, incluindo feiticeira e a sua casa, instala-se a confusão e só o engenho de Rogério (um gato tão esperto") salva a dona do desastre. J.M.S. (José Mário Silva)

CONVERSAS COM VERSOS
Maria Alberta Menéres
Porto Editora,€14,90
Publicado pela primeira vez em 1968, este livro de poemas para a infância não envelheceu (os seus temas são intemporais: a natureza, a linguagem, a fantasia, o espanto) e convoca agora três gerações da mesma família: os versos de Maria Alberta Menéres são cantados pela filha Eugénia Melo e Castro (num CD com 11temas) e ilustrados pela neta Mariana Melo. J.M.S. (José Mário Silva)


TUDO É SEMPRE OUTRA COISA
João Pedra Mésseder e Rachei Caiano
Caminho, €10,90
No princípio, há um futuro poeta que olha para o outro lado de um muro. Ou seja, o outro lado das coisas. É desse gesto que irradiam aforismos e micro-histórias de um lirismo incisivo, mas delicado. "Para se mergulhar, bem protegido, no mar do sono, veste-se um escafandro que é o pijama." Ou: "O carrossel é urna caixa de música em ponto grande:" J.M.S. (José Mário Silva)

CANCIONEIRO DA BICHARADA
Carlos Garcia
Porto Editora,€10,90
Os animais deste livro tanto nos chegam de poemas assinados por autores canónicos (Bocage, Eugénio de Andrade, Júlio Diniz, Alexandre O'Neill) como dos textos enxutos de Carolina Gaspar. Interessante é o que Carlos Garcia com eles faz (e se pode ouvir no CD): boas canções, já ensinadas em muitas escolas de música. "Partitura solar", chama-lhe Eurico Carrapatoso. J.M.S. (José Mário Silva)


ABZZZ ...
Isabel Minhós Martins e Yara Kono
Planeta Tangerina,
€12,50
Um abecedário ilustrado mais interessado em curar insónias do que em ensinar letras. "ABZZZZ ..." percorre o alfabeto jogando com palavras, sentidos e pequenas narrativas. Pelo caminho, sugere que são horas de dormir: B é de bocejo, o H é de hibernar e o P é de pálpebras. Se tudo falhar, há sempre um botão imaginário para desligar a cabeça. S.F.C. (Sara Figueiredo Costa)


BARRIGA DE BALEIA
António Jorge Gonçalves
Pato Lógico, €13,90
Um álbum onde texto e imagem convergem para contar a história de Sari, uma menina que deixa os pais a dormir e foge para a praia, descobrindo alguns segredos guardados pelo, mar. Homenagem plasticamente muito bela aos tantos livros que, entre ondas, espuma e horizontes longínquos, fundem sonhos e mitos em narrativas marcadas pela universalidade. S.F.C. (Sara Figueiredo Costa)


NA COZINHA DA NOITE
Maurice Sendak
Kalandraka,€14,50
Banda desenhada de um dos grandes autores de livros ditos 'para a infância', aqui se acompanha o percurso onírico de um rapazinho que descobre as maravilhas do fabrico do pão. A homenagem a "Llttle Nemo", de Winsor McCay, é tão notória quanto eficaz, fazendo deste livro uma elegia à memória e ao modo como tantas referências concorrem para lhe dar forma. S.F.C. (Sara Figueiredo Costa)


AMIGOS DO PEITO
Cláudio Thebas e Violeta Lópiz
Bruaá, €13,50
Um álbum que acompanha o quotidiano e as relações de amizade de uma criança com os vizinhos do seu bairro. Se o texto faz desfilar amigos e conhecidos, as imagens – com texturas e volumetrias belíssimas – dão a ver o papel que o espaço público e urbano assume na construção de uma identidade, reforçando a importância dos laços entre lugares e afetos. S.F.C. (Sara Figueiredo Costa)

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

FOI APRESENTADO ONTEM O LIVRO “A VIAGEM DO ELEFANTE” DE JOÃO AMARAL – ADAPTAÇÃO PARA BD DO ROMANCE DE JOSÉ SARAMAGO


FOI APRESENTADO ONTEM O LIVRO 
“A VIAGEM DO ELEFANTE” 
DE JOÃO AMARAL 
(PELA PORTO EDITORA) 
ADAPTAÇÃO PARA BD 
DO ROMANCE DE JOSÉ SARAMAGO 

Publicado em 2008 A Viagem do Elefante, de José Saramago, narra a viagem de uma embaixada portuguesa a Viena, para oferecer ao Arquiduque Maximiliano de Habsburgo um elefante indiano.

O livro narra a viagem desse elefante, que estava em Lisboa, e que tinha vindo da Índia, um elefante asiático, portanto – e que foi oferecido pelo rei D. João III de Portugal ao arquiduque da Áustria (de Habsburgo), Maximiliano (seu primo), antes de este se tornar Imperador do Sacro Império Romano-Germânico (em 1564), como Maximiliano II. Isto passa-se tudo no século XVI, em 1550, 1551, 1552. E o elefante tem de fazer essa caminhada, desde Lisboa até Viena, o que o livro de Saramago conta é isso, é essa viagem...

João Amaral adaptou o texto para o realizar em banda desenhada e, na nossa opinião com excelente resultado. Temos vindo a acompanhar o percurso de João Amaral na BD e, para sermos sinceros, o autor evoluiu substancialmente desde aquela “coisa” inenarrável, intitulada A Voz dos Deuses, adaptada por Rui Carlos Cunha, a partir do romance (também inenarrável, diga-se de passagem), de João Aguiar. Espero que o meu amigo João Amaral não se ofenda com a minha sinceridade, mas a evolução dele como ilustrador de BD, que tenho acompanhado obra a obra, é insofismável. Já As Cinzas da Revolta, que ele assina como “Jhion”, com texto de Miguel Peres, são para mim, o ponto de “viragem” no seu grafismo para um estilo mais moderno e de características superiores. 

Este “Elefante...” confirma o que digo. Parabéns, João, força nessas canetas e pincéis!!!


João Amaral em sessão de autógrafos no Amadora BD

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

BDpress #448: SAGA – VOL. 1 – A FANTASIA CONTRA A VIOLÊNCIA DO MUNDO – PÚBLICO/ ÍPSILON


SAGA – A FANTASIA CONTRA A VIOLÊNCIA DO MUNDO

PÚBLICO – Ípsilon, 05/12/2014 
José Marmeleira 

O primeiro volume da série de BD Saga já tem edição portuguesa. E é uma leitura recomendável

Como escrever hoje sobre uma space-opera em banda desenhada? Ou sobre um livro de ficção científica (e sublinhe-se o substantivo) com clichés e citações previsíveis? Estas perguntas são tanto mais pertinentes quando o cinema de género vai definhando (com pouquíssimas e modestas excepções) e, na banda desenhada, as aventuras já não são o que eram. É neste contexto que chega ao mercado nacional, reunindo num volume os fascículos da primeira série, a aclamada e premiada Saga, de Brian K. Vaughan (texto) e Fiona Staples (desenhos). O título é irónico e eloquente. A acção desta banda desenhada passa-se noutra galáxia, onde abundam naves, caçadores de prémios, soldados com asas e robôs, mas os feitos heróicos não descrevem, propriamente, uma luta do Bem contra o Mal. A saga é mais complexa e prosaica: a de um casal na protecção da filha recém-nascida. É aliás com o nascimento de Hazel que este volume começa.


Saga: Volume Um
Brian K. Vaughan e Fiona Staples
G. Floy Studio

Nas páginas seguintes, contam-se as peripécias dos pais, Alana e Marko que, originários de planetas inimigos, estão em fuga: a sua união é considerada uma ameaça pelas autoridades de Terravista e de Coroa, são traidores, devem ser eliminados. Parece a sinopse de um filme banal de acção ou aventuras, mas as cenas de violência não castigam o leitor; pelo contrário, elipses agilizam a narrativa e os enredos menores que a compõem, oferecendo à leitura um ritmo que só as cores, os fundos e o desenho de Staples se permitem interromper. Os diálogos, pontuados por apontamentos humorísticos, não insultam a inteligência e. apesar das referências à Guerra das Estrelas e a Flash Gordon, não se pode falar de pastiche ou de paródia.

Será tudo isto o suficiente para fazer de Saga um livro mais do que recomendável? Não, o que torna a sua leitura interessante é a guerra a deixar de ser pano de fundo, para se transformar em personagem, acossando o casal, com o poder de os transformar, como aos seus perseguidores, em monstros. Não é difícil supor a influência da actualidade sobre o texto de Brian K. Vaughan. Habitantes do planeta Fenda, os temidos “horrores” são, afinal, fantasmas de crianças que atormentam, com alucinações, o exército invasor. Pisaram minas ou sofreram ferimentos mortais de estilhaços, e vagueiam pelas florestas, iluminados por halos vermelhos. Não se salvaram, como não se salvará a menina refugiada que faz o que os homens quiserem. Sendo um livro assumidamente escapista, Saga, e este volume em particular, reenvia o leitor para o real. E, nesse movimento, desvela a dialéctica que o sustenta: entre a fantasia da ficção e a violência do mundo. É verdade que de forma ligeira, recorrendo a estereótipos, mas com afecto pelas personagens e frases como a que Makro profere antes de destruir a espada que pertencia à sua família: “Quando um homem tem um instrumento de violência com ele, arranja sempre justificações para o usar.”




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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

BDpress #446: APRESENTAÇÃO DA COLECÇÃO XIII NA FÁBRICA 22 – PÚBLICO/ASA

APRESENTAÇÃO 
DA COLECÇÃO XIII NA FÁBRICA 22
COM DIREITO A UM LASER TAG 
A PENSAR EM JASON FLY-STEVE ROWLAND

PÚBLICO, 5 Dezembro, 2014

Da esquerda para a direita: Carlos Pessoa, Vítor Mota (Edições ASA) e Nuno Pacheco (PÚBLICO)

O herói sem identidade pessoal nem memória começou esta semana a sua aventura com o PÚBLICO. São 11 álbuns duplos com 22 episódios, na sua maioria inéditos em Portugal

Quem esteve na segunda-feira à tarde na Fábrica 22 (em Alvalade, Lisboa) para assistir ao lançamento da nova colecção de banda dese­nhada do PÚBLICO, recebeu o pri­meiro álbum da colecção XIII, com as duas últimas aventuras da série (Regresso a Greenfalls e A Mensa­gem do Mártir, esta última lançada mundialmente na semana passada). Mas havia outra prenda associada e essa, sim, inesperada: um par de algemas.


A explicação para esta oferta foi dada depois por Luís Saraiva, das Edições ASA, ao dizer que o desafio da parceria PÚBLICO-ASA é, preci­samente, prender os leitores à co­lecção desde o primeiro ao último álbum: "Queremos que vistam a pele do XIII."

É uma imagem forte para pro­mover a colecção e faz sentido. A própria série, por seu lado, dá uma forte ajuda nesse sentido, pois tem todos os ingredientes para assegu­rar essa ligação duradoura. As in­certezas, enigmas e mistérios em torno da identidade do herói e da sua demanda para compreender quem é e, sobretudo, o que fez no passado, dão forma ao corpo nar­rativo essencial dos diversos episó­dios. Como cada resposta a essas questões é sempre provisória e dei­xa a narrativa em aberto, compre­ende-se facilmente por que razão a série, criada em 1984 por Jean Van Hamme (argumento) e William Van­ee (desenho), é um dos ícones da banda desenhada franco-belga con­temporânea, batendo a cada novo álbum todos os recordes de vendas, que actualmente é da ordem das centenas de milhares de cópias.

Há um terceiro factor que joga a favor desta colecção: é a primeira vez que ela se publica na íntegra em Portugal, o que significa que mais de metade dos 22 episódios que a compõem são inéditos.

Esta iniciativa do PÚBLICO e das Edições ASA vem na linha do que as duas empresas fazem há uma déca­da ao publicarem banda desenhada de qualidade.

Nuno Pacheco, director adjunto do PÚBLICO, evocou os êxitos pas­sados, de Corto Maltese a Astérix, passando por Lucky Luke, Spirou, Blueberry, Blake e Mortimer, Alix, Gaston, Thorgal, Michel Vaillant e outros, que já venderam um acu­mulado de mais de dois milhões de álbuns. Com esta colecção, acres­centou, "é mais um passo que se dá na edição de BD em Portugal". Reafirmou o empenho do PÚBLICO em continuar a divulgar boa ban­da desenhada, garantindo que se quer continuar a "apostar em ideias novas", pois este é "um nicho com gente muito exigente e interessa­da".

Vítor Silva Mota, editor da ASA, disse estar muito orgulhoso da par­ceria mantida com o PÚBLICO para a edição de banda desenhada em Portugal, revelando que há novos projectos em marcha, os quais se­rão oportunamente revelados.

Referiu-se depois à construção desta colecção, que enfrentou ini­cialmente alguma reserva dos de­tentores dos direitos internacionais, por "desconfiarem da nossa capa­cidade de a produzir". A verdade é que, uma vez concretizada, eles foram os primeiros a manifestarem-se muito satisfeitos com o resulta­do: "Deram-nos os parabéns pelo produto final, tanto em termos es­téticos como de colecção."

O jornalista e crítico de BD Carlos Pessoa [ex-colaborador do PÚBLICO] fez a apresentação da série XIII, surgida há um pouco mais de três décadas nas páginas da revista Spirou. Lembrou que o seu êxito no mercado franco-belga contrasta com a até agora pobre carreira da série em Portugal, onde foi publi­cada de forma muito parcial e er­rática. Para isso contribui em gran­de medida, na opinião do crítico, o grande talento de Van Hamme, uma espécie de "rei Midas" do ar­gumento, responsável pelo sucesso de séries tão distintas como Thor­gal, Largo Winch ou XIII.

Inicialmente inspirada num ro­mance de Robert Ludlum, escri­tor norte-americano de thrillers de grande sucesso (o ciclo Jason Bourne, levado ao cinema, é um dos mais conhecidos), XIII descreve a longa, complexa e perigosa saga de um homem que perdeu a memó­ria e a identidade pessoais.

Ao correr atrás da sua própria memória perdida, o herói mergu­lha na zona sombria e muito peri­gosa da história contemporânea dos Estados Unidos. Essa é, por­ventura, uma das chaves para a compreensão do sucesso de XIII, que Vance tão bem soube traduzir em imagens.

A escolha do espaço da Fábrica 22 para apresentar a colecção XIII não foi fruto do acaso, como se constatou no final do lançamento. Os 500 metros quadrados da área de laser tag indoor de que dispõe (um cenário real de guerra com áre­as distintas de labirinto urbano e floresta) permitiram aos presentes no lançamento impregnar-se um pouco, em tempo real, da atmos­fera de acção, aventura, mistério e perigo (este, aqui apenas de forma simbólica) que caracteriza as aven­turas de XIII.

Com menos acção, mas com a mesma "adrenalina", os aprecia­dores de boa banda desenhada po­dem a partir de agora mergulhar no complexo e extraordinário universo de XIII, um herói sem nome, identi­dade e memória. São 22 aventuras em 11 álbuns duplos.

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QUARTA-FEIRA DIA 10 DE DEZEMBRO
LANÇAMENTO COM O JORNAL PÚBLICO


O Dia do Sol Negro - Para onde Val o índio... 
Jean Van-Hamme (argumento) e William Vance (desenho) 
Álbum 1 da colecção XIII Quarta-feira, 
10 de Dezembro Por+ C 7,90

Um casal de refor­mados, Abe e Sally, encontram um jovem náufrago na praia e recolhem-no em sua casa. Particularidades: tem tatuado o número XIII na clavícula e está completamente amné­sico, pois não sabe o seu nome, nem se lem­bra das suas origens. Alguns meses depois o casal é assassinado por dois homens. O herói sem nome, conhecido pela designação de XIII, consegue matar um deles e, revistando-o, encontra uma foto sua ao lado de uma mulher...

Assim começa O Dia do Sol Negro, primeiro episódio da colecção XIII (argumento de Jean Van-Hamme e desenhos de William Vance).

O mesmo álbum, que será distri­buído esta semana com o PÚ­BLICO, inclui Para onde Vai o índio, segundo capítulo da série, assina­do pelos mesmos autores. XIII vai visitar a família do capitão Steve Roland, o ho­mem que supos­tamente ele terá sido, pois tem o seu aspecto físi­co e as suas impressões digi­tais. Mas o pai de Steve, um abastado pro­prietário agrí­cola, é assassinado pela mulher, que cobiça a vasta herança e não hesita em acusar o herói daquele crime.

Detido e condenado, é levado para um estabelecimento prisional de alta segurança.

Vistos à distância de três décadas - a série surgiu pela primeira vez nas páginas da revista de BD Spirou, em Junho de 1984 -, estes primeiros passos já contêm tudo o que fez de XIII um caso muito sério de popu­laridade e mesmo de culto.

O argumento é, desde as primei­ras imagens, muito envolvente, lançando o leitor num turbilhão de peripécias e situações. Alan-XIII-Jake Shelton é, de certa forma, um anti-herói rodeado por uma nuvem de mistério; tudo convida a segui-lo no labirinto em que procura referên­cias biográficas, memórias e pessoas que ajudem a responder à questão fulcral: quem sou eu?

William Vance conta no seu pal­marés uma mão-cheia de obras de grande qualidade (de Howard Flynn a Bruno Brazil, de Ramiro a Bob Morane e Marshal Blueberry) e mostra em XIII todos os seus atributos grá­ficos. O desenho realista da série é muito preciso e detalhado, sem er­ros ou incongruências a assinalar.

Em suma, os dois episódios cons­tituem uma excelente introdução ao universo deste thriler, que combina mistério e acção. Recomenda-se aos leitores que prendam os cintos de segurança...


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