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quarta-feira, 26 de julho de 2017

CORTO MALTESE FEZ 50 ANOS


CORTO MALTESE FEZ 50 ANOS
FOI PUBLICADO PELA PRIMEIRA VEZ 
NA REVISTA SGT. KIRK EM 10 DE JULHO DE 1967


Para ser sincero, não me lembrei que Corto Maltese começou a ser publicado exactamente há 50 anos na revista Sgt. Kirk com a mítica história Una Ballata del Mare Salato (Uma Balada do Mar Salgado) iniciada nessa revista a 10 de Julho de 1967. Foi graças a um post de Geraldes Lino no seu blogue “divulgando banda desenhada” (http://divulgandobd.blogspot.pt/) que me recordei dessa data e o próprio Lino também, graças a um artigo de Francisco Louçã, no jornal Público. Fica aqui a transcrição do texto de Louçã:

18 de Julho de 2017 
Por Francisco Louçã

Corto Maltese, 50 anos depois 

Parece que Mitterrand, perguntado sobre que personagens o impressionavam ou o seduziam, apontava para Corto Maltese. Matreirice, seria uma imitação mais elegante, mas escassamente menos narcísica, de um De Gaulle que afirmava que só temia a concorrência da popularidade de Tintin. Cada um vinha do seu tempo e, se ambos sobreviveram com um “perfume de lenda”, como escreve Umberto Eco sobre Corto, o facto é que foi Hugo Pratt quem marcou a imaginação que trespassa as fronteiras do espaço e da imaginação. Por isso, Corto Maltese é o herói moderno que sobrevive à sua contemporaneidade.

Talvez as pistas sobre este marinheiro maltês, filho de uma cigana de Sevilha e de outro marinheiro perdido, que nasceria em 1887 e cresceria no bairro judeu de Córdoba, ou seja, sem pátria, assistindo depois às guerras inaugurais do novo século, estejam por aí espalhadas: Italo Calvino participara na preparação de um guião de um filme, “Tikoyo e o tubarão” (1962, Folao Quilici), sobre uma criança que fala com o seu amigo tubarão, e horizontes oníricos desse tipo foram sendo explorados por muitos autores (veja-se a “Balada” ou “Mu”); e, evidentemente, a literatura de viagens aventurosas, de Rimbaud a Jack London, povoara a juventude de Hugo Pratt. Pratt, aliás, cresceu na Etiópia, viveu em Buenos Aires e Veneza, e sobretudo, percorreu as fábulas em que se mistura com Corto, a que dá forma no dia 10 de julho de 1967, com “A Balada do Mar Salgado” – fez agora cinquenta anos.

O maravilhamento de algumas figuras cimeiras da literatura com a banda desenhada, mesmo que a vissem como género menor, também não é de hoje e não se inventou certamente com Pratt. Steinbeck, que não era modesto, adivinhava provocatoriamente um Nobel para Al Capp, pela força do seu Li’l Abner, a representação encantatória do mundo rural norte-americano (e de uma simplicidade desarmante que levava a água ao seu moinho). Umberto Eco dedicou-se aos Peanuts e a Charlie Brown num livro, “Apocalípticos e Integrados” (edição portuguesa na Relógio d’Água), em que descreve os enquadramentos de cinema na tira do desenho.

Pode-se perguntar então de onde vem o ciúme ou a curiosidade que escritores de mérito têm da banda desenhada. No caso do sucesso de Pratt, percebe-se de onde vem essa sensação: é que Corto Maltese é mesmo um romance em forma de apresentação gráfica. Aliás, Pratt explora decididamente esse vínculo e pisca o olho à literatura clássica: Pandora lê Melville, Slutter lê Rilke e Shelley, Corto cita Conrad e a “Utopia” de More e, ao atravessar as mitologias (célticas, etiópicas, caribenhas, argentinas, venezianas, o vodoo ou o que lhe apetece), ao escolher com que se cruza (Butch Cassidy, o Barão Vermelho, Tiro Fixo, mas também Hemingway, Hesse, Joyce), vive aventuras que transcendem os limites do tempo. Nenhum romance pode pedir mais, se os traços são marcados, se as personagens vivem a sua vida, se nos surpreende, então é a melhor literatura. É certo que, sendo desenho, deciframos melhor nessas páginas alguma coisa do autor (Eco conta que a sua filha pequena, apresentada a Pratt, disse que ele era Corto), e portanto a mentira da literatura é vivida à nossa vista.

Mas Pratt morreu há vinte e dois anos. Corto, que é mais teimoso, continua agora com o desenho dos espanhóis Juan Diaz Canales (Blacksad) e Rubén Pellejero, em “Sob o Sol da Meia Noite”, já editado em Portugal (Arte de Autor, 2017), anunciando-se um segundo livro desta dupla, “Equatoria”. Discutir-se-á se outro escritor pode continuar “Os Maias” ou “A Guerra e Paz” e dir-se-á que não pode. Mas, neste atrevimento, Corto cruza-se com Jack London, encontra rebeldes irlandeses, sonha com Rasputine, destrói uma rede de tráfico de mulheres, percorre o Yucon – e nós imaginamos o resto e aceitamos a aventura.
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Obviamente a próxima Gazeta da BD será sobre Corto Maltese...

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

50 ANOS DA MAFALDA – PEDRO CLETO NA FNAC


50 ANOS DA MAFALDA
PEDRO CLETO NA FNAC DO GAIA SHOPPING
26 DE SETEMBRO, ÀS 22 HORAS

Os 50 anos da Mafalda, que se estreou em 1964 no semanário Primera Plana, em Buenos Aires, e o seu percurso de 10 anos nos quadradinhos, cujo impacto ainda se faz sentir nos nossos dias, são o tema de duas apresentações que Pedro Cleto, crítico e divulgador de banda desenhada e autor do blog As Leituras do Pedro (http://asleiturasdopedro.blogspot.pt/) vai levar a efeito este mês de Setembro, a convite da FNAC.

Oportunidade para recordar ou descobrir a mais conhecida contestatária da BD, as suas bandeiras e os seus ódios de estimação, os seus amigos e o seu autor, Quino, e para uma pequena espreitadela à edição comemorativa dos 50 anos da Mafalda, a lançar brevemente pela Verbo, em Portugal.

As duas sessões terão lugar na FNAC do Norte Shopping - dia 21 de Setembro, às 17 horas – e na FNAC do Gaia Shopping – 26 de Setembro, às 22 horas.

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Possui um espírito crítico fora do normal e uma língua afiada. Supostamente tem apenas 6 anos, mas a verdade é que a pequena Mafalda, a menina das tiras criadas pelo argentino Quino, faz este mês 50 anos – começou a ser publicada no hebdomadário Primera Plana a 29 de Setembro de 1964.

As suas primeiras três ‘tiras’ foram publicadas em Setembro, na revista Leoplán. A partir de 29 de Setembro começou a ser publicada duas vezes por semana na Primera Plana. A última ‘aparição’ de Mafalda foi a 23 de Outubro de 2009, no jornal italiano La Repubblica, para criticar as declarações misóginas do então primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

Joaquin Salvador Lavado, mais conhecido por Quino, é o autor destas tiras. Tem hoje 82 anos de idade.

Ao longo dos anos, Mafalda e os seus companheiros – Felipe, Susaninha, Manelinho, entre outros - abordaram questão ‘demasiado sérias’ para crianças da sua idade, como conflitos armados entre nações e o papel da mulher na sociedade moderna. Foram as suas saídas acutilantes e as questões pertinentes que colocavam que fizeram desta personagem um ícone da banda desenhada mundial.

Traduzida para mais de 30 línguas, Mafalda já não está apenas nos ‘quadradinhos’: Tem desenhos animados, um site e até uma aplicação para smartphones. Mesmo sem estar presente nos jornais, continuam a usar outros meios para lutar pelos direitos das crianças… e a fugir de casa quando chega a hora da sopa.


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sábado, 25 de janeiro de 2014

78º ANIVERSÁRIO D’O MOSQUITO – ALMOÇO COMEMORATIVO – FOTO REPORTAGEM


78º ANIVERSÁRIO D’O MOSQUITO
ALMOÇO COMEMORATIVO
E TERTÚLIA DE JOSÉ RUY 
NA LIVRARIA BARATA

FOTO REPORTAGEM 


Celebrou-se no passado sábado, dia 18 de Janeiro o 78º aniversário do lançamento da revista O Mosquito, com o já habitual almoço no Restaurante Pessoa, em Lisboa. A que se seguiu, na Livraria Barata, na avenida de Roma, uma Tertúlia de José Ruy, onde o autor mostrou aos presentes o percurso d’O Mosquito e também como era feita a revista.


Lista quase completa dos presentes (mais alguns convivas cujos nomes não fixámos):

Américo Coelho, António Amaral, António Gomes de Almeida, António Manuel Lopes Carvalho, Aurélio Lousada, Carlos Gonçalves, Catarina Lima, Dâmaso Afonso, Diogo Rabasquinho, Fernanda Amaral, Fernando Cardoso, Geraldes Lino, Helder Jotta, Hermínio Rabasquinho, Jacqueline Lima, João Artur Mamede, João Manuel Mimoso, João Pedro Costa Carvalho, João Reis, Joaquim Talhé,
Joel Lima, Jorge Machado-Dias, Jorge Silva, José Manuel Vilela, José Menezes, José Pires, José Ruy, 
Leonardo De Sá, Luciano Neves, Luís Valadas, Maria Augusta Gandra Medenha, 
Maria da Conceição Cardoso Lopes, Marina Teixeira Coelho, Mário Correia, Máximo Ribeiro, 
Paulo Duarte, Romeu Pinto da Silva, Rui Bana e Costa, Vítor da Silva, Zé Manel.

(Listagem de Leonardo De Sá)
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A habitual reportagem fotográfica.
(fotos de Jorge Machado-Dias, de Dâmaso Afonso e de Catarina Lima)



FOTOS DE DÂMASO AFONSO:

 


FOTOS DE CATARINA LIMA:



TERTÚLIA NA BARATA
JOSÉ RUY MOSTRA O PERCURSO D'O MOSQUITO E COMO ERA FEITO 

Foto de Dâmaso Afonso







Foto de Dâmaso Afonso
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