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sexta-feira, 13 de julho de 2012

MATT MARRIOTT – A ARTE ÍMPAR DE TONY WEARE – POR JOSÉ PIRES


Imagem no blogue The Crib Sheet, de Domingos Isabelinho

A ARTE ÍMPAR DE TONY WEARE 

Um autor inglês, de génio, que merece ser observado e compreendido por quem gosta de BD 

Por José Pires 

Quando mostrámos este projecto a um grupo de amigos nossos, houve alguém entre eles que opinou: "eu prefiro a tira original". Nada temos contra. Até eu preferia o formato original, a tira, pois esta série foi projectada e realizada para ser publicada num vespertino britâ­nico, o Evening News, e nos jornais, já se sabe, ou se publicam tiras diárias ou páginas dominicais. E no caso de Matt Marriott era a tira. Mas isso traria para nós um problema de resolução impossível. É que para publicarmos as tiras no seu for­mato original, a nossa publicação teria de aparecer em formato A3, e isso estragáva­-nos toda a nossa estratégia de publica­ção, que é o formato A4! Podíamos apre­sentar a coisa neste formato, claro, mas assim os esplêndidos desenhos de Tony Weare iriam aparecer muito mais reduzi­dos, diminuindo na mesma proporção a capacidade dos nossos leitores para ürarem todo o proveito da maestria deste génio da BD.

No entanto, para todos aqueles que prefe­rem Matt Marriott no esplendor das tiras originais, recomendo a edição italiana da Ed C. Conti*, que respeita a série, tal como ela apareceu no vespertino inglês. O problema é que, para além de aparecerem com textos em italiano, o formato é o A3 (só podia!), o que torna números algo incómodos para se arrumarem numa estante. Lá terá de haver uma prate­leira especial.

Mas para pu­ristas, como aquele nosso amigo, não conheço nada melhor. A Ed. C Conti tem uma colecção de Matt Marriott muito completa e bem cuidada, que fará as delícias dos apreciadores do western de qualidade. É que as his­tórias de Matt Marriott, por terem sido publicadas em jomal, também possuíam, por isso mesmo, conteúdos mais adultos, diferentes em quase tudo das histórias de álbuns, cujo público consumidor é maioritariamente o juvenil. Esta série foi publicada em Portugal, na sua esmaga­dora maioria, no Mundo de Aventuras, formato A5! Ora aqui, para que os paginado­res conseguissem encai­xar as vinhetas de Tony Weare num formato tão re­duzido, desenhos havia que eram pura e simplesmente obliterados. E na sua quase totalidade surgiam ou ampoutados ou acrescentados de forma atroz, para preencherem páginas minúsculas, para as quais não haviam sido dimensionadas, roubando assim toda a magia dos maravilhosos enquadramentos que o seu autor usava para explanar as histórias de Matt Marriott! Era o exemplo mais acabado do velho ditado, “meter o Rossio na rua da Betesgal” Mas não obstante, a série obteve um sucesso notável, arregimentando uma verdadeira legião de admiradores, entre os quais eu próprio!

Só quando Jorge Magalhães tomou conta da coordenação das publicações da Agência Portuguesa de Revistas, é que Matt Marriott surgiu no seu formato original, a tira, mas mesmo assim, em tamanho A4. Sempre era melhor do que a solução anterior, mas tinha um senão: os desenhos apareciam em forma­to bem mais reduzido do que os da versão original!

Eis porque não nos restou outra solução que desmontar a tira e publicar os de­senhos num formato maior do que a ver­são do Evening News. Se é certo que se perde o detalhe da técnica narrativa da tira diária (que é diferente da publica­ção em álbum), ganha-se na superior observação que se oferece dos desenhos de Tony Weare. Quem perca um pouco de tempo a observar a maneira como ele resolvia os mais pequenos problemas de realização, vai aperceber-se da extraor­dinária genialidade do seu autor. E ga­ranto-vos que isso será um verdadeiro prazer para quem for um autêntico apre­ciador de BD. Da boa, claro, como é o caso deste western de eleição, para mim o melhor que até hoje se fez no género. Já mostrei numa intervenção anterior que Tony Weare se servia de referências foto­gráficas, inevitavelmente de fotogramas de cinema. É que aqueles enquadramentos, aquele espantoso jogo de sombras, aquelas atmosferas quase hiper-realistas são quase impossíveis de se conceberem de memória E Tony Weare tinha de esgalhar nada menos de três, diariamente, sába­dos e domingos incluí­dos! E durante mais de um quarto de século! Mas para melhor enten­derem aquilo que digo, reparem na vinheta ao lado. Os contornos do ca­valeiro em primeiro plano não existem, sendo a figura recortada pelos segundos planos, aqui, na sua maioria, o próprio céu. O mais espantoso é que, não obstante a atmosfera estar coberta de traços a toda a lar­gura, a imagem surge-nos impregnada de uma luminosidade quase ofuscante! Agora repa­rem bem na figura do cowboy em segundo pla­no: a chapada de luz que lhe bate nas costas é recortada pelas sombras intensas do lado não iluminado. Reparem na cabeça do respectivo cavalo Também ali não há linha de contorno, sendo este fornecido pelo contraste luz/sombra. Ora para obter efeitos como estes, tornava-se necessário um sério estudo prévio do que se pretendia fazer. E fazer isto com a regularidade com que Tony Weare fazia, é uma coisa de estarrecer! Não acham? Observem atenta­mente, então, os desenhos do resto da história.








Não quisemos deixar de publicar aqui o texto de José Pires que apareceu num dos Fandaventuras dedicado a Matt Marriott ainda em formato A4 (A Pista de Chisolm), de Junho de 2008, assim como duas pranchas do mesmo. Todo este material (a transcrição do texto é nossa), assim como o do nº 6 – Série Especial – com o episódio As Culpas dos Pais, de Outubro de 2009, já em formato italiano, foi “pescado” no blogue de Geraldes Lino “Fanzines de Banda Desenhada”.

Original de Tony Weare, da colecção de Domingos Isabelinho, em exposição no VIII Festival Internacional de BD de Beja'2012.

O mesmo desenho no blogue The Crib Sheet, de Domingos Isabelinho


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BIOGRAFIA DE TONY WEARE

Tony Weare (1912 - 1994)

David Ashford Tony Weare nasceu em Wincanton, Somerset, em 1 de Janeiro de 1912. Weare recordou mais tarde, que esteve sempre “entre o desejo de uma vida de acção e a cedência à sua dedicação artística”.

Fez um curso de Arte durante três anos e trabalhou, de seguida, na indústria do tabaco. Antes da guerra, publicou trabalhos nos magazines Britania, John Bull, Nash's, Pearson's, Strand and Windsor. Durante a II Grande Guerra serviu no exército como operador comunicações e depois de ter sido desmobilizado, Waere focou-se na criação de comics vomeçando a trabalhar para a Mickey Mouse Weekly, em séries como Pride of the Circus, Savage Splendour, Robin Alone e, a notável Billy Brave. Ao mesmo tempo aparece nas publicações Comet, Cow Boy Comics, The Daily Mirror e no Daily Express.

Em meados da década de 1950 foi contactado pela Agência Associated Newspaper, para iniciar uma série de western, com o argumentista Jim Edgar. O resultado foi a série Matt Marriott, publicada em tiras diárias no jornal London Evening News e que terminaria em 1977 quando Tony Weare teve de ser hospitalizado.

Tony Weare criou também comics com as biografias de Billy The Kid, Jesse James e Jack The Ripper para a Tornado, assim como realizou a adaptação de um conto de Rockwood para a Look & Learn, chegando a desenhar algumas sequências para V for Vendetta, de Alan Moore e David Lloyd, convidado por este último, por ser um grande admirador do seu trabalho.

Weare retirou-se nos anos 1980 e dedicou-se à pintura, mas incapaz de enfrentar a imobilidade crescente, suicidou-se, saltando de um cais em Porthleven, Cornwall, em 2 de Dezembro de 1994, um mês antes de completar 83 anos. Deixou um cartoon de despedida, mostrando os seus pès a aparecerem fora da água...




Originais de Tony Weare

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quinta-feira, 12 de julho de 2012

MATT MARRIOTT – A ARTE ÍMPAR DE TONY WEARE – TODOS OS EPISÓDIOS A PUBLICAR NO FANDAVENTURAS EDITADO POR JOSÉ PIRES



MATT MARRIOTT
A ARTE ÍMPAR DE TONY WEARE
TODOS OS EPISÓDIOS A PUBLICAR
NO FANDAVENTURAS EDITADO POR JOSÉ PIRES

Para desfazer algumas dúvidas – que nos têm sido colocadas – acerca da colecção do Fanzine Fandaventuras dedicada a Matt Marriott, (com argumentos de Jim Edgar e desenhos de Tony Weare), enviámos um email ao José Pires, editor deste fanzine, que nos respondeu o seguinte: 
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Já editei quase uma dúzia de episódios do Matt Marriott, a maioria deles ainda colocados na loja do falecido Castanheira da Silveira. Mas acontece que parte deles ainda eram montados no formato A4! Ora para isso ser possivel, tive de desmontar as tiras originais e alterar os formatos das vinhetas. Por isso agora estou a reeditar tudo outra vez, mas no formato italiano, que é o único compativel com o formato de tira diária original, pois o Matt Marriott – o melhor western em versão ilustrada de todos os tempos, na minha e na opinião de muitos! – foi publicado em tiras ilustradas diárias em Inglaterra e não só.

Tenho em carteira - prontos a editar – nada menos de perto de 37 episódios da série, três dos quais absolutamente inéditos entre nós! E a certeza de obter mais vinte, o que se aproximará da totalidade da série, e que será um facto único em todo o mundo. Os ingleses – compatriotas do génio autor da série - Tony Weare - fizeram um levantamento exaustivo, mas quedaram-se apenas pelos dez primeiros episódios! Assim, nem o Mundo de Aventuras, que foi a revista que em todo o mundo mais episódios da série publicou, vai atingir o nosso montante!

Os títulos que eu lhes dei são necessariamente diferentes dos originais ingleses, e dos portugueses nem é bom falar, pois como a APR [Agência Portuguesa de Revistas] pagava mal aos tradutores, os títulos acompanham essa deficiência. Mas com a ajuda prestigiosa do Jorge Magalhães – que está a investigar profundamente a série – julgo que teremos títulos em boas condições de aceitação.

Aí vai uma lista provisória dos nossos títulos, em formato italiano, com os episódios ordenados cronologicamente:

1 – A GUERRA DO GADO
2 – ÍNDIOS, BÚFALOS E CARRIS
3 – A FILHA DE BELLE BENSON
4 – DUELO DE FOGO EM DODGE CITY
5 – GIL GATLIN'S GANG
6 – KANSAS RAILROAD
7 – A HOSPITALIDADE DE URSO NEGRO
8 – AS NASCENTES DA MORTE
9 – A PISTA DE CHISOLM
10 – A CIDADE FANTASMA
11 – DAKOTA RAILROAD
12 – CONFRONTO EM DUCHESNE
13 – O GRANDE TYCOON
14 – A TRILHA PARA GILA
15 – TERRAS BRAVIAS
16 – JUSTIÇA DE SIOUX
17 – SHANNON, O GUNSLINGER
18 – AS CULPAS DOS PAIS
19 – O XERIFE DE FIREWEED
20 – NÚPCIAS DE FOGO
21 – RIVER BOAT
22 – O PEQUENO HOMEM DE NEGRO
23 – OS FORA-DA-LEI
24 – O SENHOR LAST STRIKE
25 – UMA NOTA DE DEZ DÓLARES
26 – A ÚLTIMA CAÇADA
27 – O JUIZ ENFORCADOR
28 – HANNIBAL KANE
29 – SOB FALSA ACUSAÇÃO
30 – HORIZONTE LONGÍNQUO
31 – O PODER E A GLÓRIA
32 – RECEITA DE BRUXA
33 – A HISTÓRIA DE WILLIE HORN
34 – A LEI DE LINCH
35 – CALAMITY JANE
36 – OCHRE FLATT
37 – MONTANA

E o que que ainda falta recolher... Mais cerca de 20 episódios.

Preço de capa: € 10,00 
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Acontece que a edição dos fanzines desta série, começou por não respeitar a ordem cronológica da edição original no jornal London Evening News, pelo que a maioria das capas provisórias divulgadas apresentam outra numeração.

Não quisemos deixar de publicar aqui (NO POST DE AMANHÃ) o texto de José Pires que apareceu num dos Fandaventuras dedicado a Matt Marriott ainda em formato A4 (A Pista de Chisolm), de Junho de 2008, assim como duas pranchas do mesmo. Este material, assim como o do nº 6 – Série Especial – com o episódio As Culpas dos Pais, de Outubro de 2009, já em formato italiano, foi “pescado” no blogue de Geraldes Lino “Fanzines de Banda Desenhada”, como se pode ver AQUI.

O texto a que nos referimos acima será acompanhado de uma biografia de Tony Weare.



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NOTA: Os links sublinhados são da responsabilidade do Blogger/Google.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

BDpress #367: ENTREVISTA COM JORGE MAGALHÃES – CONDUZIDA POR JOSÉ CARLOS FRANCISCO NO TEX WILLER BLOG



ENTREVISTA COM JORGE MAGALHÃES
CONDUZIDA POR JOSÉ CARLOS FRANCISCO
NO TEX WILLER BLOG

Republicamos aqui hoje, uma entrevista de José Carlos Francisco com Jorge Magalhães, publicada no Tex Willer Blog em 9, Dezembro, 2007.


Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? 

Nasci na nobre cidade do Porto, rua de Cedofeita, em 22 de Março de 1938. Tive vários empregos, nomeadamente na função pública, antes de enveredar pela Banda Desenhada, em 1974, quando comecei a coordenar o “Mundo de Aventuras” da Agência Portuguesa de Revistas, função que exerci durante 12 anos, passando depois a colaborar com outras editoras, como a Futura, a Distri, a Meribérica e a Asa. Em suma, mais de 30 anos dedicados profissionalmente à 9ª Arte, com muitos obstáculos pelo caminho mas sem nunca me arrepender da opção que tomei quando, após o 25 de Abril, decidi não voltar a Angola, onde era funcionário do Instituto do Café. Actualmente, estou reformado mas ainda escrevo de quando em quando e faço traduções, além de ler muita BD (risos…). 


Quando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex? 

A paixão pelas histórias aos quadradinhos nasceu, por assim dizer, logo que aprendi a soletrar. Nesse tempo, com cinco anos, já gostava de folhear o “Mosquito“, que me ajudou bastante a decifrar as primeiras letras. Fui sempre um leitor assíduo de revistas infanto-juvenis e, depois do “Mosquito” e do “Diabrete“, comecei a coleccionar o “Cavaleiro Andante” e o “Mundo de Aventuras“. Não houve praticamente revista de BD que não me tivesse passado pelas mãos.


Quando fui para Angola, em 1961, desfiz-me de muitas delas, mas ao regressar a Portugal, alguns anos depois, voltei a sentir a febre do coleccionador e o resultado foi a colecção enorme que hoje possuo e que me rouba muito espaço em casa.

O meu interesse pelo Tex surgiu mais tarde, como é evidente, pois as edições brasileiras só começaram a circular entre nós nos anos 70. Mas a série não me agarrou logo. Só quando descobri nas bancas os primeiros números com histórias desenhadas por Jesús Blasco, comecei a procurar a revista. Esse primeiro passo levou-me a comprar também o Tex Coleção, desde o 1º número (mas infelizmente com algumas faltas pelo meio), e a partir daí todas as séries de Tex editadas no Brasil.


Porquê o Tex e não outra personagem? 

Bem, no meu caso, a paixão pelo Tex não é exclusiva, pois (e cingindo-me só ao campo do ‘western’) coleccionei também a “Epopeia-Tri” — com a magnífica História do Oeste criada por Gino d’António, Renzo Calegari, Sergio Tarquinio e outros — e Ken Parker, um dos ‘westerns’ que mais admiro e que me agrada tanto como Tex, por ser uma série diferente, que trata os temas do Oeste numa dimensão simultaneamente realista, psicológica e poética.

Mas como sou desde miúdo um adorador fanático do ‘western’, as minhas referências na BD vão muito mais além e devorei montes de histórias com personagens das mais variadas origens, como Jerry Spring, Comanche, Mac Coy, Jonathan Cartland, Buddy Longway, Sunday, Matt Marriott, Matt Dillon, Wes Slade, Cisco Kid… sem esquecer naturalmente Blueberry.

Aproveito a oportunidade para relembrar alguns dos ‘westerns’ italianos que li no “Cavaleiro Andante“, como “Lobo Branco” e “Forte Laramie“, de Renato Polese, “Dakota Jim“, de Caprioli, “O Forte do Huron“, de Gino D’Antonio, e “Pocahontas, a Princesa Pele-Vermelha“, de Sergio Tarquinio, que me revelaram essa magnífica escola nascida nas páginas da célebre revista “Il Vittorioso” e com ligações também à editora Bonelli.

E por que não referir, já agora, as inolvidáveis criações da ‘prata da casa’ no “Mosquito” e no “Mundo de Aventuras“, como Falcão Negro, de E.T. Coelho, e Tomahawk Tom, de Vítor Péon, dois grandes e saudosos mestres da BD portuguesa, que tive a honra e o privilégio de conhecer pessoalmente.


O que Tex representa para si? 

De certa forma, um regresso ao passado, quando as histórias de ‘cowboys’ estavam na moda, uma viagem nostálgica por um tempo em que a BD ainda era uma forma de entretenimento sem pretensões intelectuais, tal como os ‘westerns’ de série B que nos atraíam ao cinema, muitos deles rotulados hoje de clássicos que moldaram o género.

Qual o total de revistas de Tex que tem na sua colecção? E qual a mais importante para si? 

Nunca cheguei a contabilizar os exemplares que possuo, mas já devem rondar as quatro centenas, pelo menos, contando com todas as colecções paralelas de Tex. Quando as revistas da Mythos chegaram às bancas, também comprei Zagor, Mister No, Martin Mystère, Dylan Dog, Mágico Vento, Júlia e outras, mas infelizmente a distribuição desses títulos tornou-se tão irregular, a partir de certa altura, que me fui desinteressando.

É difícil escolher a revista de Tex com mais significado para mim, porque já me proporcionaram muitas horas de emocionante leitura, mas simbolicamente e por uma razão sentimental elejo a primeira que chamou a minha atenção, aquele nº 214 com o início da grande aventura “A Volta da Mão Vermelha“, desenhada pelos irmãos Blasco.


Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem? 

Até hoje, só livros e revistas. Já não tenho espaço para mais, mas continuo à procura dos números que me faltam, cada vez mais difíceis de encontrar, sobretudo em bom estado. Há alguns meses, na Feira do Livro de Cascais, tive a sorte de comprar, por um preço bastante razoável, um pequeno lote que incluía o nº 100! Também possuo algumas edições estrangeiras, especialmente monografias, porque há tanta coisa a aprender sobre Tex… e eu só sei que ainda sei muito pouco (risos…).

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?

Também não é fácil responder a esta pergunta, pois são muitas as histórias de Tex que me deixaram uma recordação indelével, como tantos ‘westerns’ do passado. Do saudoso Galep, cito a aventura “A Lança de Fogo“, publicada no nº 200, com uma montagem dinâmica de planos, pouco vulgar nas edições normais de Tex, por causa do formato mais pequeno. Não sei se em Itália ela foi publicada noutro formato, mas foi a primeira vez que pude admirar a arte de Galep liberta da regra tirânica das três tiras por página. Nesse episódio, ele constrói a página como uma unidade, usando os mais variados recursos estilísticos para embelezar a composição, como vinhetas circulares, imagens grandes e tiras que se entrecruzam, à maneira de uma ‘graphic novel‘.


Outra história que especialmente aprecio é “O Vale do Terror“, de Nizzi e Magnus, que pelo seu ineditismo gráfico e pelo recorte humano e psicológica das personagens ficou certamente na memória de muitos, embora o estilo de Magnus, na minha opinião, seja completamente anti-Tex e anti-‘western’, o que não diminui o seu impacto estético.

Outro grande nome da BD italiana que passou fugazmente por Tex, mas deixando uma marca inconfundível, foi Guido Buzzelli, com a aventura escrita por Nizzi “Tex, o Grande“, que tive a ventura de ler numa das primeiras Edições Gigantes da Globo, comemorativa dos 40 anos do Ranger.

À parte estes exemplos, e num contexto mais genérico, a aventura de Tex que mais me empolgou e que aguardei com mais impaciência, foi incontestavelmente “O Cavaleiro Solitário“, publicada pela Mythos no Tex Gigante nº 9. Ou não fosse eu um grande admirador do Joe Kubert!… A propósito: alguém me pode informar se esta aventura foi publicada integralmente nos Estados Unidos pela Dark Horse? É uma teima que tenho há já algum tempo com o José Carlos Francisco (risos…).


Mas em relação aos desenhadores de Tex, não há dúvida que, desde que descobri Civitelli, o seu estilo límpido e harmonioso, de uma elegância que, de certa forma, me faz lembrar a de Caprioli e Giardino (dois dos maiores mestres da BD italiana), se impôs ao de todos os outros. E isto sem desprimor para artistas de tão grande calibre como Ticci, Villa, Fusco, Repetto, Ortiz, Font, De la Fuente, Ambrosini e outros, que igualmente muito admiro.

No tocante aos argumentos, destaco o trabalho e as ideias renovadoras de Mauro Boselli, mas também aprecio bastante a obra de Claudio Nizzi, numa abordagem mais convencional do universo de Tex… sem esquecer, é claro, o seu fundador, o grande Giovanni Luigi Bonelli, que criou, dentro da série, personagens tão carismáticas como o próprio Tex, feito que mais nenhum argumentista conseguiu ainda igualar. É claro que Bonelli imaginou Tex numa época diferente, em que as histórias de ‘cowboys’ eram mais elementares, em que a acção e a forma importavam mais do que o fundo, mas os seus extraordinários dotes de novelista revestiram-no de uma aura especial, que captou rapidamente a adesão dos leitores. Tex, como muita gente sabe, foi mesmo um herói que, para surpresa do próprio autor, não tardou a ultrapassar todas as suas outras criações.

E o facto de G.L. Bonelli ter sido o primeiro, em histórias do Faroeste, a criar cenários transcendentes, explorando temas como a magia negra e o fantástico, contribuiu largamente para essa carreira de sucesso.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? 

Para mim, Tex é o autêntico ‘homem do Oeste’, cujo padrão não foi corrompido pelo tempo nem pelas transformações da cultura popular, que quase ditaram o fim do ‘western’, nos moldes em que o conhecemos. Felizmente que em Itália ainda existe um editor como Sergio Bonelli, que não se deixa manietar pela ditadura da crítica moderna – pouco receptiva, na sua maioria, a este género de histórias -, e um público fiel, que de geração em geração continua a apreciar a personagem e o seu modelo original, fenómeno que era quase impossível acontecer noutro sitio, pois fora de Itália as séries do Oeste, com excepção de Blueberry, têm definhado uma a uma. Nem mesmo Tintin, noutra vertente, escapou a essa morte súbita e hoje é uma espécie de ‘cadáver‘ de que uma multidão de biógrafos se aproveita, dissecando-o de todas as formas e feitios.

A cadeia de produção criada por Bonelli pai e mantida até hoje, com inegável ‘savoir faire’, permitiu que o Tex de Galep não envelhecesse nem morresse com os seus criadores, tornando-se uma personagem intemporal. Tex está vivo e de boa saúde e todos os críticos e estudiosos que multiplicam também as suas análises sobre ele, sabem que o futuro será tão aliciante como o passado. É um dos raros exemplos em que o método de criação americano foi aplicado com sucesso na Europa, mas continuando a permitir aos autores a expressão da sua individualidade artística (o que nem sempre acontece quando há dois ou mais desenhadores a fazer o mesmo trabalho, como na indústria dos ‘comic books’).

Quanto à característica de Tex que menos me agrada, talvez o seu exagerado conservadorismo nas relações com as mulheres, que na fase actual já devia ter sido ultrapassado. Quando Jordi Bernet desenhou “O Homem de Atlanta” (quem já se esqueceu da insinuante Lola Dixieland?), esperava-se que o seu exemplo pudesse abrir um pouco mais o véu da censura que ainda pesa sobre o Ranger, apesar da galeria feminina da série ser vasta e variada. Mas as expectativas não se confirmaram…


Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que ele é? 

Precisamente a fidelidade à matriz original, aos mitos do Velho Oeste que enformaram a sua criação, embora, nalguns aspectos, tenha evoluído com o tempo, sem perder as suas características primitivas. Tex representa para muitos leitores a personificação de valores éticos e morais como a coragem, a nobreza, a justiça e a lealdade, que definem – ainda que idealmente, na tradição romântica e folclórica do ‘western’ – os pioneiros da nova fronteira, os aventureiros que desbravaram o Oeste americano.

Mas os fãs de Tex, da velha e da nova guarda, apreciam também a estrutura clássica das narrativas e a escola realista implantada por mestres como Galleppini, Nicolò, Muzzi, Letteri e outros, cujos parâmetros, em linhas gerais, se têm mantido até hoje. A meu ver, o principal segredo da longevidade de Tex reside nesse conceito básico, que todos os continuadores de Giovanni Bonelli e Aurelio Galleppini — incluindo Guido Nolitta (Bonelli filho) — nunca esqueceram: embora evoluindo e modificando-se graficamente, a figura do Águia da Noite permanece, no âmago literário, igual a si própria.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger? 

Promissor, considerando o batalhão de novos desenhadores – alguns deles autênticas revelações – que já se preparam para substituir os veteranos. Mesmo que os sinais de esclerose pareçam, por vezes, imperceptíveis, os heróis de ficção têm a tendência de envelhecer como os autores que lhes dão vida. Com Tex está garantido que isso nunca acontecerá. E acredito que, apesar da relutância de Sergio Bonelli, a sua personalidade possa sofrer gradualmente alguns retoques, sobretudo na abertura a um relacionamento mais adulto com o belo sexo… O que não contraria a minha afirmação anterior, pois para que um herói com 60 anos de existência continue a manter a sua popularidade impõe-se que haja algumas transformações subtis, em sintonia com a mentalidade dos próprios leitores, que não é imune à evolução dos costumes e da sociedade. Nessa lógica, e por ilusório que pareça, o cenário mítico do Faroeste só ‘fisicamente‘ é um espaço imutável. Mas os mitos consolidam-se e reforçam-se com o seu crescimento interior, como o próprio Tex… 

Prezado pard Jorge Magalhães, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.


 
Os quatro títulos da Colecão J.M. (de Jorge Magalhães) editados pelo Salão Moura BD

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segunda-feira, 9 de abril de 2012

JOBAT NO LOULETANO – 9ª ARTE - MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA (XXXV) – O IMPÉRIO EDITORIAL DA AGÊNCIA PORTUGUESA DE REVISTAS 1.13


9ª ARTE
MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA
(XXXV)

O Louletano, 23 a 29 de Novembro 2004

O IMPÉRIO EDITORIAL DA AGÊNCIA PORTUGUESA DE REVISTAS – 1.13

Com o n.° 511, terminava a 3ª fase de "O Mundo de Aventuras" MA, chegara ao fim a publicação dc BD's em continuidade nas edições da APR.

O n.° 512 (15/06/59), inicia a quarta e última fase da primeira série, com 32 páginas interiores, a preto e branco, capa envernizada em quadricomia, formato 14,00 x 21,50 cm, com somente histórias completas, ao preço de 2,50, sendo essa série uma das mais longas da história do M.A. A partir do n.° 845 (02/12/65), seria acrescido de mais oito páginas – 40 no total – mantendo o mesmo preço de capa (2$50), o qual só depois do n.° 1148 (23/09/71) passou para 3$00. Formato e preço manter-se-iam, até ao n.° 1252 (20/09/73), porém a minha permanência na APR já havia terminado em meados de 1972.

Referimos, na passada semana, os nomes de Júlio Amaro, António Martins, Zé Neto e Afonso Tomás, como desenhadores, gráficos e capistas, os quais integraram a redacção em meados da década de sessenta. O primeiro, no término da sua colaboração com a APR perto dos anos 70, abriu uma galeria em Portimão onde se revelou um explêndido aguarelista e pintor. António Martins enveredou pelo grafismo e ilustração em jornais e revistas do grupo Expresso. Foi, na APR, autor de inúmeras capas na área da BD e do livro, onde cabalmente demonstrou as suas capacidade e versatilidade artísticas. Zé Neto, jovem ainda, revelou excepcionais qualidades no campo da ilustração, só não integralmente evidenciadas por entretanto a APR, como editora, ter encerrado as suas portas. Sem editor que lhe publique os originais, nenhum autor de texto ou ilustração tem possibilidade de se afirmar, por melhor que seja.

A.Tomás ilustrou, na redacção da APR, inúmeras capas para livros de diversas colecções que a editora publicava. E por último, embora não fazendo parte dos colaboradores internos, uma referência a José Manuel Soares, pintor e aguarelista de renome, várias vezes medalhado pela Sociedade Nacional de Belas-Artes, hoje retirado por doença. Foi autor de inúmeras capas do MA, Salgari, Tigre e de outras publicações, e também dos originais das "Aventuras do Zeca", de parceria com Raul de Oliveira Cosme, autor do argumento.

Embora inserindo apenas histórias completas, esta 4ª fase atravessou alguns períodos difíceis, que não propriamente, a meu ver, provocados pela pouca qualidade dos personagens publicados – o melhor da King e de outros fornecedores –, mas da sintética tradução a que eram sujeitos. Números havia, do MA, em que a leitura oferecida em 40 páginas não excederia os 5 minutos, decepcionando os leitores. Em muitas das suas páginas as legendas eram, pela escassez de texto, apenas um "Toma!", "Já vais ver!"; "Eu já te arranjo!"; "Ai! Não queres mais?", além de outras na mesma extensão e género, – perfeitamente dispensáveis e nada acrescentando à ilustração.

Como coordenador do material a ser publicado, o fracasso desse semanário, também me atingia, mas longe estava de sugerir que o mesmo se devia a uma minguada e adulterada tradução, área alheia às minhas responsabilidades. Inquieto com a quebra do volume de vendas, ou melhor, com o aumento das sobras, Mário de Aguiar, (MdA) chamou os que, em seu entender, seriam responsáveis por tal desacerto: eu, coordenador, e José de Oliveira Cosme (JOC), director e tradutor. Este bem tentou advertir que talvez a causa estivesse no material seleccionado, ao que MdA de pronto ripostou: – Eu creio que não, Cosme. Então O Cisco Kid, O Mandrake, O Fantasma – e enunciou outros mais – sempre foram personagens vendáveis, agora é que deixaram de o ser? O problema não reside aí, Cosme!

Sem que tivesse dito palavra, a minha posição estava resguardada. Bem que sabia onde o gato ia às filhoses, mas só em último caso o revelaria, pois que JOC tinha um ascendente enorme sobre Mário de Aguiar por fazer parte da comissão que supervisionava a literatura em BD, para menores, proposta pela Comissão de Censura. Então, uma ideia peregrina foi proposta por J.O.C., como salvadora da situação: – Oh Mário! Se o texto para ler é curto, porque é que ao lado da história de bonecos não sai, numa coluna, a mesma, em texto corrido? Isso já resolvia o problema, não achas?

O absurdo do "remendo" apanhou-nos a ambos, MdA e eu, sem escapadela. Para este, se o problema era a minguada leitura, a proposta sugerida parecia uma solução. Para mim, o cerne da questão era o já atrás referido. Mas como dizê-lo sem concitar perigosas reacções? Sem uma ideia formada e querendo resolver o assunto. MdA atirou-me à queima roupa: – O que é que achas da ideia?

Dois pares de olhos ansiosos, cada um por razões diferentes, colocaram-me numa das mais difíceis situações vividas na APR. Concordar, era dar o aval a uma ideia absurda, que de todo condenava, pois não era essa a solução natural do problema. Sugerir que a falha era da tradução, era como desatar um saco de vespas, sem máscara protectora! Após um momento de hesitação, sem de modo algum me querer atraiçoar, exclamei: – Nunca tal aconteceu em todo o mundo, em publicações de histórias aos quadradinhos!

A resposta, clara e ambígua quanto baste, pareceu agradar aos dois. MdA. habituado a ousadias editoriais, viu na sugestão apenas mais uma a utilizar. JOC, talvez a ouvisse com um elogio que quadrava bem com a hipótese de mais uns cobres por mais texto escrito. Para mim. salva a honra do convento, esperaria que os leitores reclamassem contra essa rematada tolice, a qual teve início no n.º 747 do M.A. E assim foi. Passados alguns meses a coluna de texto desapareceu, e as histórias do "Mundo dc Aventuras" passaram a ter um novo tradutor, o "velho" Raul Correia, o Avôzinho de "O Mosquito". Não sei por quantos números. Mas lá que o M.A. recuperou, foi um facto.

A publicação durante longo lapso de tempo de apenas histórias de cow-boys, nessa 4a fase do M.A., ficou a dever-se a dois ponderáveis factores: 1º – que as referidas histórias, na sua maioria com óptimo material Cisco Kid, Matt Dillon, Matt Marriott, Buck Jones, Kansas Kid, Dick Daring, Garrett, Lance, Gringo, Sunday, Kit Carson, etc, etc, – eram as mais vendáveis; 2º – os demais personagens eram publicados nas revistas "Selecções", "Policial" e "Espaço", com periodicidade mensal.

Como já anteriormente expresso nesta coluna, MdA e António Dias terminaram a parceria na APR, ficando apenas o segundo como seu sócio maioritário no início da década de setenta. Creio que três factores – entre outros – contribuíram para uma separação que desde 1949 se mantinha coesa: o cansaço, próprio de tantos anos à frente da empresa; os surdos conflitos entre os descendentes de ambos, mormente os genros, e o desfasamento cada vez mais acentuado, talvez por ausência de inovação nas revistas há muito publi¬cadas. Após a separação, erros houve, crassos, por ingerência dos novos accionistas, inexperientes, em áreas de decisão.

Um dos mais flagrantes e notórios – raiando o absurdo pela insensatez – foi o de a numeração do MA, revista com um capital de longevidade de trinta e um anos, reiniciar a numeração a partir do número um, ignorando os 1522 publicados até aí. Dislates desta natureza, além de outros igualmente graves a nível de direcção e planificação, cavaram inexoravelmente o fosso onde a APR submergiria.

Há muito que a empresa fechou as suas portas. Até o amplo edifício – local onde os melhores anos da minha juventude, e talvez de tantos outros – transcorreram, foi derrubado. Evito passar no ex-beco 207 da Saraiva de Carvalho, pois não é impunemente que o faço. Continua porém existindo onde nenhum férreo camartelo o pode destruir. Os apontamentos expressos sobre a APR nestas colunas foram coligidos nesse diário gravado, não escrito, que vez por outra folheio. ■

Legendas das ilustrações:
'Mundo de Aventuras" da terceira fase, primeira série
Quarta e última fase da primeira série

'Mundo de Aventuras" da terceira fase, primeira série

 Quarta e última fase da primeira série série

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sábado, 2 de junho de 2012

REPORTAGEM – VIII FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DE BEJA’2012 (6)



AFINAL HAVIA OUTRA... 
EXPOSIÇÃO (claro)


REPORTAGEM
VIII FESTIVAL INTERNACIONAL 
DE BANDA DESENHADA DE BEJA’2012 (6)

EXPOSIÇÕES (IV)

TRAÇOS COMUNS
DESENHOS ORIGINAIS DA COLECÇÃO DE DOMINGOS ISABELINHO



 Bud Fisher (1925)

 Chester Brown (1998)

 Arturo del Castillo

 Guido Buzzelli

 Tony Weare - James Edgar: MATT MARRIOTT

 Hal Foster – TARZAN (1935)

Hal Foster – TARZAN (1936)

Eddie Campbell - Alan Moore: FROM HELL (1995)

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E agora é mesmo o final destas reportagens sobre o VIII FIBDBeja'2012

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