domingo, 5 de fevereiro de 2012

KOFI BREIKE #2: COMO SERIA PORTUGAL SE NÃO TIVESSE HAVIDO O 1º DE DEZEMBRO...



Conversa de café, aos domingos...

O QUE TERIA ACONTECIDO A PORTUGAL SE NÃO TIVESSE HAVIDO O GOLPE DE 1 DE DEZEMBRO DE 1640 E A SUBSEQUENTE GUERRA DA INDEPENDÊNCIA

Apesar de não considerar importante a questão dos feriados ditos nacionais ou religiosos – pois penso que as datas podem ser sempre comemoradas mesmo sem serem “feriados” – gostaria de sublinhar a importância do “1º de Dezembro de 1640” em detrimento do 5 de Outubro, uma vez que este assinala apenas uma mudança de regime. Penso que estariamos mais ou menos na mesma hoje em dia, como país, se não tivesse havido essa mudança de regime – teríamos um rei em vez de um presidente e pouco mais. Mas estariamos decerto muitíssimo diferentes se não tivesse havido o “1º de Dezembro de 1640” - alguns diriam mesmo que estaríamos muito melhor...

Aliás, em matéria de feriados, já que falamos deles, não entendo qual é a relevância do “1º de Maio” ou do “10 de Junho”. Gostaria que alguém me explicasse por que razão se comemora o Dia do Trabalhador, com o dito trabalhador em casa, a gozar um feriado e não a trabalhar como lhe competiria. Quanto ao "10 de Junho", comemora-se exactamente o quê afinal?

Mas vejamos então o que seria Portugal, hoje, se não tivesse havido o 1º de Dezembro de 1640.

Os reinos ibéricos tentaram sempre apoderar-se uns dos outros, devido à memória do reino visigótico que ocupara toda a Península Ibérica entre 450 e 711 (reconstituindo a Hispania romana) antes da invasão árabe. O sonho de reinar sobre toda a Hispânia, que durante cerca de 800 anos fora uma unidade política, desde 100 a.C. com a conquista romana, até 711 com a invasão árabe, levou a inúmeras guerras e manobras políticas, com casamentos constantes entre casas reinantes – a certa altura já consanguíneos, devido à cada vez maior mistura das famílias, etc...

A união política do Reino de Portugal com o Reino de Castela, poderia ter acontecido em 1383, quando Juan I de Castela, casado com Beatriz de Portugal reivindicou o trono português após a morte do sogro Fernando I de Portugal; ou a favor do filho de D. João II, o príncipe D. Afonso, casado com Isabel de Aragão, herdeira de Castela e Aragão, se o príncipe não tivesse morrido em 1491; ou quando D. Manuel I, casando com a mesma Isabel de Aragão, teve dela um filho, D. Miguel, que chegou a ser jurado herdeiro de Portugal, Castela e Aragão, mas este futuro rei da Hispânia unida, morreu com apenas 21 meses. Aconteceu finalmente com o Habsburgo Filipe II rei de Castela, Aragão, Navarra e etc... que “herdou, pagou e conquistou” o trono português em 1580.

Contudo, os três Filipes, nunca assumiram o título de “Reis de Espanha”, uma vez que se consideravam reis das quatro coroas hispânicas, independentes entre si. Nem Filipe IV (III de Portugal) aceitou a proposta do seu valido Conde Duque de Olivares, ao dizer que “Vossa Alteza devia era intitular-se Rei de Espanha e nada mais...” porque não considerava existir uma Espanha, mas quatro Reinos juridica e politicamente independentes, governados pelo mesmo Rei. Isto embora na prática as coisas não fossem bem assim, uma vez que todos os reinos ibéricos tiveram sempre de se submeter às políticas da Monarquia de Madrid como, só para citar o exemplo mais conhecido, no célebre caso da "Invencível" Armada, que incorporou toda a frota portuguesa e que... deu no que deu.


Brasão da Monarquia Hispânica dos Habsburgos (ou Austrias) Filipe II, Filipe III, Filipe IV e Carlos II, apesar deste último já não ter sido Rei de Portugal...

Ora, quando se verificou a mudança de dinastia em Madrid, por morte do último Habsburgo, Carlos II em 1700, quem veio a herdar a coroa “Hispânica” foi um neto de Luís XIV de França, o Bourbon Filipe de Anjou (Filipe V), que não tinha nada a ver com as heranças dos tronos ibéricos dos Habsburgos. Para ele os reinos ibéricos que herdava formavam um Estado único e procedeu em conformidade, unificando administrativamente todos os Reinos num único (devido ao 1º de Dezembro de 1649, Portugal já não fazia parte da Monarquia Hispânica, senão teria tido o mesmo destino), à maneira da França. Passou a intitular-se Rei de Espanha, apesar de apenas com a constituição de 1812, se adoptar a designação oficial de As Espanhas para a nova monarquia unitária e só com a constituição de 1876 se ter adoptado pela primeira vez oficialmente a designação de Espanha.

Mas vejam-se os Decretos da Nova Planta (Organização) da Coroa de Espanha, de Filipe V em 1707, referentes à “antiga” Coroa de Aragão e dos territórios autónomos da Coroa de Castela, para se perceber o que teria acontecido a Portugal se não tivesse havido o tal “1º de Dezembro de 1640”:

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Os Decretos de Nova Planta na Coroa de Aragão

Foram promulgados pelo rei Filipe V de Espanha, o primeiro rei da Monarquia de Madrid assim intitulado (embora não oficialmente), após a sua vitória na Guerra de Sucessão sobre o Arquiduque Carlos, pretendente da Casa de Habsburgo e impõem a organização político-administrativa de Castela nos territórios da antiga coroa de Aragão. A sua promulgação, mais do que uma medida inovadora surgida das conjunturas da guerra, pode ser vista como a evolução de projectos anteriores que fracassaram, como o do Conde Duque de Olivares, por causa das guerras de 1640 (contra Portugal e Catalunha).

Quase todos os territórios da Coroa de Aragão foram partidários do pretendente Carlos de Habsburgo (Portugal também, já agora). Os Decretos de Nova Planta tiveram a finalidade e o efeito de retaliar aos que se aliaram contra Filipe V, aludindo o "direito de conquista" como se cita no primeiro dos Decretos.

Aboliram todos os antigos foros e instituições próprias dos reinos e condados da Coroa de Aragão (exceto no vale Aran) e estenderam uma nova organização político-administrativa baseada na de Castela para todos os seus domínios e impuseram o uso do castelhano como língua administrativa a todas as instituições que não a usavam, seguindo o modelo centralista que a monarquia absolutista francesa adotara desde o reinado de Francisco I.

Dentro dos avanços e retrocessos da contenda publicaram-se a 29 de Junho de 1707 os decretos para os "antigos" Reinos de Aragão e Valência, tendo como resultado a abolição de todo o sistema legislativo e institucional de ambos os reinos.

A 13 de Abril de 1711 foi ditado um segundo decreto no qual era restabelecido parte do direito aragonês, outorgando uma nova planta (organização) à Audiência de Saragoça. No caso de Aragão a assimilação castelhana foi menos traumática, pois o idioma próprio, o aragonês, já fora substituído na administração pelo castelhano, através da influência da dinastia castelhana dos Trastâmara que ocupara o trono aragonês, de 1412 até 1516, prosseguindo a sua influência nos reinados seguintes até à morte de Carlos II de Habsburgo, em 1700 sem descendência.

O terceiro, de 1715, o de Maiorca foi publicado a 28 de Novembro de 1715, sendo mais complacente e fruto de uma atitude mais negociadora.

O quarto decreto, que afectava somente à Catalunha, foi ditado a 9 de Outubro de 1715, despachado por Real Cédula com data de 16 de Janeiro de 1716.

Abolia a Generalitat de Catalunha, as Cortes Catalãs e o Conselho de Cento.

Além disso, o vice-rei era substituído por um capitão-general, assim como no restante dos reinos da Coroa de Aragão e ficando a Catalunha dividida em doze corregedorias, como Castela, em vez das tradicionais veguerias. Foram também proibidos os somaténs (as milícias populares da Catalunha).

O catalão foi substituído como língua administrativa pelo castelhano, passando este a ser obrigatório desde então nas escolas e nos julgados.

Também se fecharam as universidades catalãs que apoiaram o arquiduque Carlos, mantendo-se apenas a de Cervera, que fora fiel a Filipe V.

O decreto mantinha o direito civil, penal e processal, assim como o Consulado do Mar e a jurisdição que este exercia, e não afetou o regime político-administrativo do vale Aran pelo qual este não foi incorporado aos novos corregimentos em que foi dividido o Condado da Catalunha.

Em resumo, como resultado dos decretos, os antigos reinos da Coroa de Aragão (reino de Aragão, Condado da Catalunha e reino de Valência), perderam as suas instituições político-administrativas embora, salvo Valência, mantivessem o seu direito privado próprio. As cortes de cada reino foram dissolvidas e foi concedida a algumas populações o direito de assistir às cortes castelhanas, que se tornaram as cortes da toda a Espanha, salvo do Reino de Navarra. Em 1709 assistiram às Cortes representantes de Aragão e Valência, e às de 1724, também assistiram representantes da Catalunha.

Modificaram-se os mecanismos de eleição dos governos municipais, adaptando-os às normas de Castela. Os municípios importantes passaram a ser regidos por um corregedor, e os cabidos locais por um regedor, que em Aragão passaram a ser hereditários.
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Quase todas estas medidas foram também aplicadas ao Reino de Navarra e às regiões do Reino de Castela com características autónomas, como os antigos Reinos da Galiza, de Leão, de Granada, etc...

E teriam sido aplicadas ao Reino de Portugal, caso não tivesse havido o 1º de Dezembro de 1640. Hoje falariamos castelhano (ou “espanhol”), o governo e o parlamento estariam em Madrid, e tinhamos um rei Bourbon – de ascendência francesa. Isto para não falar nos actuais “PALOPs”, sobretudo o Brasil – uma vez que não teria havido um D. João VI, nem a independência do Brasil, nem os subsequentes 200 milhões de falantes de português, mas sim a divisão do Brasil em mais uns tantos países hispano-americanos a falarem castelhano. Portanto o português seria uma língua quase residual, como hoje o são o asturiano, o catalão, o basco, o galego e o leonês.

Vejam a sequência de mapas abaixo, mostrando como o castelhano foi apagando as outras línguas ibéricas por via das imposições da Monarquia de Madrid (designando-se como o tal “espanhol”, que não é nenhuma língua, mas um disfarce do castelhano) – com especial interesse no mapa do ano 1600.

Para ver a sequência clicar em cima do mapa.

 Os reinos ibéricos dos Habsburgos.

Como seria a Hispânia hoje, se não tivesse havido o 1º de Dezembro de 1640...

sábado, 4 de fevereiro de 2012

BDpress #320: OS SUPER-HERÓIS CONTRA A FOME NO CORNO DE ÁFRICA – DANIEL CEREJO NO PÚBLICO ONLINE


A FOME É O PRÓXIMO ADVERSÁRIO 
DOS SUPER-HERÓIS

OS SUPER-HERÓIS DA LIGA DA JUSTIÇA, DA DC COMICS, 
SÃO A CARA DA CAMPANHA “WE CAN BE HEROES”, 
CONTRA A FOME NO CORNO DE ÁFRICA

Público online, 29 Janeiro 2012 
Texto de Daniel Cerejo

Perante um dos maiores males do universo, nada mais acertado do que convocar os seres mais fortes do universo para combatê-lo. A DC Entertainment e a Warner Bros. uniram-se e enviaram para o Corno de África Super-Homem, Lanterna Verde, Aquaman, Batman, Wonder Woman, Flash e Cyborg.

Os membros da Liga da Justiça da América, da DC Comics, são os principais embaixadores da campanha “We Can Be Heroes”, que se propõe a lutar contra a fome que grassa na Etiópia, Somália e Quénia. Para tal, um dos super-poderes utilizados será, obviamente, o dinheiro.

Desta forma, qualquer pessoa pode doar dinheiro e ser um herói no combate àquela que é, segundo a DC Entertainment, a maior seca e a maior fome, na região, em mais de 60 anos. “13 milhões [de pessoas] precisam de assistência urgente e 250 mil estão privadas de comida, só na Somália”, diz o comunicado de imprensa da DC Entertainment.

Para começar a fazer face a tudo isto, a Warner Bros. e a DC decidiram doar, pelo menos, dois milhões de dólares (1,5 milhões de euros) ao longo dos próximos dois anos, a três organizações de ajuda humanitária que estão a trabalhar no continente africano: Save the Children, International Rescue Committee e Mercy Corps.

Mas a DC – não fosse a casa de alguns dos maiores super-heróis da banda-desenhada – não fica por aqui: promete igualar sempre qualquer outro donativo que for feito, desde que não exceda um milhão de dólares. Esses donativos podem ser feitos através do site “We Can Be Heroes”, onde também é possível comprar “merchandising”, com a certeza de que metade do seu valor reverte para a campanha.

A liga mais forte do universo

A Liga da Justiça surgiu pela primeira vez nos anos 60, com apenas uma diferença em relação à equipa actual. Isto é, ao lado de todos os outros, em vez de Cyborg, estava Martian Manhunter (um alien de Marte com poderes muito semelhantes aos de Super-Homem). Contudo, o grupo teve várias entradas e saídas ao longo dos anos.

“A dedicação [da Liga da Justiça] para com a justiça social e o compromisso em unirem-se para ajudar os indefesos, relaciona-se totalmente com os ideais da campanha”, disse Diane Nelson, presidente da DC Entertainment.

A DC que já tinha participado numa acção de solidariedade parecida quando, em 1986, publicou “Heroes Against Hunger”, um “comic book” que retratava a luta dos super-heróis contra a fome e cujas receitas das vendas ajudaram a Etiópia.


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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

BDpress #319: BLANKETS – CARLOS PESSOA NO ÍPSILON – JOÃO MIGUEL LAMEIRAS NO DIÁRIO AS BEIRAS


 Público, suplemento Ípsilon, 20 Janeiro 2012

AMÉRICA NO DIVÃ

"Blankets" é, simultaneamente, o relato de uma iniciação e um mergulho na América profunda, com as suas aterradoras zonas de sombra.

Carlos Pessoa

Blankets
Craig Thompson (Trad. Devir), edição Devir

Oito anos depois de ter sido publicado nos Estados Unidos, "Blankets" tem a sua primeira edição portuguesa. É um longo romance gráfico (quase 600 páginas) assinado por Craig Thompson, artista americano nascido em 1975 no estado do Michigan. A obra, muito premiada na Europa e na América, filia-se no género autobiográfico, que caracteriza uma geração de jovens autores, nomeadamente do universo anglo-saxónico, discorrendo na primeira pessoa sobre a infância e adolescência das personagens. O editor francês deste livro apresenta-a, com justiça, como "a história de um jovem adolescente preso na armadilha da sua infância, da qual tenta desembaraçar-se para entrar no mundo adulto".

Publicar em Portugal um livro como este, volumoso e necessariamente caro, é um acto de coragem editorial que se saúda. Mas quem o adquirir não tem motivos para se arrepender, pois a edição é muito cuidada e está muito bem impressa.

A atmosfera familiar e social do protagonista edo seu irmão Phil está saturada de religião - no Wisconsin profundo, onde decorre a acção, é predominante o movimento religioso de inspiração evangélica "Bom Again Christians", que o próprio Thompson caracteriza como "fundamentalista de direita". A propagação da fé e a defesa da ordem estabelecida vão a par da condenação da sexualidade antes do casamento e da estigmatização da Homossexualidade, que são traços marcantes de uma sociedade opressiva e intolerante.

À descrição, serena e distanciada, desse ambiente envolvente, marcado pela ausência de intimidade, presença tutelar dos pais, acção moralizante da escola e práticas aviltantes dos colegas, Thompson contrapõe a pulsão libertadora do desejo e a descoberta tacteante do amor por parte do protagonista e de Raina, também ela oriunda de uma família branca e cristã, em desagregação. Mas quando ele diz que o conhecimento do outro é "excitante" e que há "tanto por descobrir", ela contrapõe: "Tudo degenera, desaba, então porquê, logo à partida, nos incomodarmos a começar?"

Apesar dos diferentes estádios de entendimento e de maturidade, os dois jovens descobrem juntos o poder transformador das situações fusionais por que passam, tornando-lhes possível a experiência da unidade sublime de todas as coisas. Escreve Thompson: "Ambos sabíamos que nada existia para nós forado momento."

Poderia dizer-se que nada do que o autor descreve está fora da dimensão "terapêutica" do seu próprio percurso individual, partilhado com os leitores nesta obra. Essa aventura única e irrepetível desenvolve-se entre a explicitação dos terrores infantis e a vivência da magia dos lugares e objectos, e também entre as cumplicidades solidárias e profundamente afectivas e a descoberta controladamente exaltada do primeiro amor adolescente.

Já não seria pouco, mas há muito mais do que o mero voo sobre a vida dos dois jovens. "Blankets" é, para lá da exploração diligente dos terrenos da subjectividade, um magnífico exercício de observação, perspicaz, lúcida e sensível, da América profunda, com as suas zonas de sombra e monstruosidades aterradoras.

No final da viagem em direcção À idade adulta, Craig é alguém que cresceu, e muito, capaz de olhar com outros olhos para o que o rodeia, a começar pelo próprio irmão. A ruptura com o quadro educacional e existencial de referência é dolorosa, mas necessária. O distanciamento em relação aos pais é inexorável e a sua relação com Raina termina. Ames de seguir em frente, o jovem queima tudo o que ela lhe tinha dado, sugerindo assim que só o fogo purificador pode eliminar as memórias fantasmáticas, esse resíduo letal da existência humana. Um manto de neve cai então sobre o protagonista, as árvores e a terra na última imagem da história.

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Diário As Beiras, 28 Janeiro 2012

BLANKETS FINALMENTE EM PORTUGUÊS

João Miguel Lameiras

Quase ao mesmo tempo que “Habibi“, o seu último livro saia nos EstadosUnidos, chegava finalmente às livrarias nacionais, a edição de “Blankets”, a obra que deu fama a Craig Thompson, aquando da sua publicação original em 2003.

Como mais vale tarde do que nunca, Blankets aqui está em português, numa bela edição em capa dura da Devir, que assim abre da melhor maneira a colecção “Biblioteca de Alice”, dedicada à Banda Desenhada de Autor.

Belíssimo livro de quase 600 páginas, “Blankets” é uma história de amor e um relato autobiográfico sincero de uma infância vivida no Wisconsin, no seio de uma família fundamentalista cristã, em que o peso da religião e a noção de pecado estão sempre presentes, condicionando a vocação artística do autor, que chegou a queimar todos os seus desenhos de infância, por achar que a sua arte o afastava de Deus e da salvação…

Mas, mais do que a infância de Thompson num meio ultra-conservador, na América profunda, “Blankets” gira em torno da sua história de amor com Raina, uma rapariga que conheceu numa colónia de férias e que lhe oferece a manta de retalhos (blanket) dá nome ao livro. É esse primeiro amor, sempre inesquecível, que Thompson recorda em belíssimas sequências, muito bem contadas e magnificamente desenhadas. Mais do que um grande narrador, Thompson é um formidável desenhador, que alterna com elegância entre os registos realista e caricatural, explorando muito bem todas as potencialidades do preto e branco, através de um traço de grande dinâmica e elegância.

A vontade de homenagear Deus e as suas criações (pois como bem lembra, Roger Vadim, num filme com Brigitte Bardot, “Deus criou a mulher”…) fazem com que Thompson gaste quase 600 páginas a contar uma história que podia perfeitamente contada em menos de 100, caso se abdicasse do ritmo contemplativo e da hábil gestão dos silêncios que ajuda a que nos concentremos na contemplação do desenho.

E a verdade é que estas quase 600 páginas se lêem de um fôlego e com grande prazer!

Vencedor de vários Prémios Eisner e Harvey nos Estados Unidos, aquando da sua publicação original, “Blankets” é, (a par com “Emigrantes”, de Shaun Tan) o melhor livro de BD publicado em Portugal em 2011 e, naturalmente, um livro altamente recomendável para todos os leitores.

(“Blankets”, de Craig Thompson, Devir, 594 pags, 35 €)


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 Craig Thompson

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

PORTUSAKI’12 – NOVO EVENTO DE ANIMAÇÃO – BANDA DESENHADA – JOGOS E CULTURA JAPONESA NO HARD CLUB - PORTO

PORTUSAKI‘12


25 e 26 de Fevereiro – Hard Club (Porto)

EVENTO DE ANIMAÇÃO, BANDA DESENHADA, 
JOGOS E CULTURA JAPONESA

O evento

Este evento celebra a banda desenhada, a animação, os videojogos, a música e a cultura japonesa, que têm ganho cada vez mais adeptos entre jovens e adultos portugueses.
Para este evento foram criadas as mais variadas actividades, para todos os gostos, e que preenchem os dois dias.

Actividades:

Concurso de Ilustração

Envia o teu desenho ou ilustração com o tema “Esperança” para:
Hard Club
A/c Portusaki
Mercado Ferreira Borges
4050-252 Porto
Ou digitalizado, com boa qualidade (mínimo 150 dpis), para o e-mail: portusaki@gmail.com
As entradas a concurso só serão válidas se vierem assinadas com nome, e-mail, número de telefone, idade e e-mail, de forma compreensiva. Os dados são obrigatórios e a falha deles é factor eliminatório.
Os dois melhores serão premiados.
As inscrições terão de ser feitas até ao dia 22 de Fevereiro.

Quiz Geek

Prepara-te para o concurso de cultura geek mais louco de sempre. Se achas que sabes tudo sobre manga, anime, comics, cinema e séries de televisão, então isto é para ti! Inscreve-te já, pois há apenas 6 felizardos que poderão concorrer e ganhar o fabuloso prémio que temos para oferecer. A inscrição é gratuita e terá de ser feita pelo e-mail portusaki@gmail.com. Os 6 concorrentes serão sorteados e terão de confirmar a sua presença no local meia-hora antes do início do concurso. 4 serão sorteados de entre quem adquirir o bilhete com antecedência e os restantes 2 das inscrições do dia.

Quiz Musical

Os amantes de animação que passam os dias agarrados ao ecrã a ver séries poderão aqui provar que as conhecem a partir de apenas uma música da sua banda sonora.
Inscreve-te já, pois há apenas 6 participantes que poderão concorrer e ganhar o fabuloso prémio que temos para oferecer. A inscrição é gratuita e terá de ser feita pelo e-mail portusaki@gmail.com. Os 6 concorrentes serão sorteados e terão de confirmar a sua presença no local meia-hora antes do início do concurso. 4 serão sorteados de entre quem adquirir o bilhete com antecedência e os restantes 2 das inscrições do dia.

Concurso Ramenmania

Gostas de Ramen? Achas que és o mais rápido a devorar uma pratada desta massa tão popular no oriente? Então isto é para ti. Se fores o mais rápido a comer a tigela de ramen que temos para te dar, sem pauzinhos e sem mãos (usando apenas a boca), serás o vencedor e terás um prémio.
A inscrição é gratuita e terá de ser feita pelo e-mail portusaki@gmail.com. Os 8 concorrentes finalistas serão sorteados e terão de confirmar a sua presença no local meia-hora antes do início do concurso. 6 serão sorteados de entre quem adquirir o bilhete com antecedência e os restantes 2 das inscrições do dia.

Concurso de Dança Parapara

Prepara-te para a mais animada actividade do Portusaki. Combina com um amigo(a) ou amigos(as) e encena a mais louca coreografia de Parapara que conseguires. Poderás usar skit na tua actuação. O melhor grupo recebe prémio. A inscrição é gratuita e terá de ser feita pelo e-mail portusaki@gmail.com. Os grupos terão de ser compostos no mínimo por 2 pessoas e a performance não deverá ter mais do que 3 minutos de duração. Se usares skit, terás de nos enviar previamente o clip de vídeo. A organização só dará prémio caso haja mais do que 4 equipas a participar. As inscrições terão de ser feitas até ao dia 22 de Fevereiro.

Concurso de vídeo lip dub

Faz um vídeo musical em lipdub com a tua música favorita. Poderás fazê-lo sozinha(o) ou com amigos. O tempo máximo é de 4 minutos. Todos os vídeos irão passar nos dois dias do evento, na Sala 2. A organização só dará prémio caso haja mais do que 4 videos a concurso. Sê criativo! O video vencedor é premiado. Inscreve-te em portusaki@gmail.com. As inscrições terão de ser feitas até ao dia 22 de Fevereiro.
Damos este fantástico video canadiano como exemplo: http://www.youtube.com/watch?v=-zcOFN_VBVo

Torneio de Cartas Yu-Gi-Oh

Data: 26/02/2012
Pré-inscrições até ao dia 22 de Fevereiro
Inscrições no local até às 12h do dia 26 de Fevereiro
Início do Torneio: 14h
N.º de rodadas: Depende do número de participantes
Sets válidos: Todos
Valor da inscrição + Entrada de 1 dia:
Com antecedência: 6€
Próprio dia: 8€
Valor da inscrição + Entrada de 2 dias:
Com antecedência: 8€
Próprio dia: 10€
Premios: Os 3 primeiros receberão um prémio em material (a definir)
Haverá mais 2 prémios sorteados entre os restantes participantes

Torneio de Cartas Magic The Gathering

Data: 25/02/2012
Pré-iscrições até ao dia 22 de Fevereiro
Inscrições no local até às 12h do dia 25 de Fevereiro
Início do Torneio: 14h
N.º de rodadas: Depende do número de participantes
Sets válidos: Todos
Valor da inscrição + Entrada de 1 dia:
Com antecedência: 6€
Próprio dia: 8€
Valor da inscrição + Entrada de 2 dias:
Com antecedência: 8€
Próprio dia: 10€
Premios: Os 3 primeiros receberão um prémio em material (a definir)
Haverá mais 2 prémios sorteados entre os restantes participantes

Convidados:
- DJ Xhard traz-nos muita e boa música para dançar – ao som dos teus animes favoritos.

Outras actividades (mais detalhes em breve):

- Oficinas
- Projecção de Filmes de Animação.
- Karaoke
- Torneios de Videojogos

Outros:

- Zona Comercial
- Praça de Alimentação
- Mural de Arte


Objectivos do evento

- Este evento de cultura e entretenimento irá atrair centenas de pessoas de todo o país e tornar o distrito do Porto num local previlegiado para convenções do género.
- Contribuirá para a divulgação da banda desenhada, animação, videojogos, cinema, televisão e outro tipo de entretenimento e artes, angariando público de diversas faixas etárias e estratos sociais, num evento multifacetado e capaz de atrair um leque abrangente de visitantes.

- O Horário

Das 10h às 20h.

- Bilheteiras
1 dia – 3€
2 dias – 5€

Inscrições:
Torneio Yu-Gi-Oh 5 €
Torneio Magic 5 €
Pré-inscrição + bilhete de 1 dia 6 €
Pré-inscrição + bilhete de 2 dia 8 €

+ Info:

- Os vencedores dos concursos serão anunciados às 19h30 do respectivo dia.
- Nos torneios de Magic The Gathering e Yu-Gi-Oh haverá bons prémios para os 3 primeiros. No Torneio de Yu-Gi-Oh serão ainda sorteados 2 playmats por entre os restantes participantes.

Stands já confirmados:
- O Lobo Mau (www.olobomau.com)
- Kuri Kuri Shop (www.kurikurishop.com)

Apoios:
O Lobo Mau (www.olobomau.com)
Edições ASA (www.asa.pt)
Mab Invicta (http://www.facebook.com/MABInvicta)
Bedeteca de Beja (http://www.facebook.com/bedetecabeja)
Ncreatures (http://www.ncreatures.com)

Parceiros Media:
Anime Clube (http://www.animeclube.com.br)


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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

PROGRAMAÇÃO DA BEDETECA DE BEJA - FEVEREIRO 2012



ESTE MÊS, NA BEDETECA

FEVEREIRO HORRÍVEL
MÊS DO TERROR
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EXPOSIÇÕES
De 1 a 29 de fevereiro
VAMPIROS NA BD
Exposição de Banda Desenhada, com reproduções de
pranchas de alguns dos maiores mestres da banda
desenhada mundial: Guido Crepax, Hermann, Hippolyte,
Joann Sfar e muitos outros…
Local: Sala de Vidro (rés-do-chão).
Organização: CMB (Bedeteca de Beja).

De 4 a 29 de fevereiro
ZAKARELLA – UMA REVISTA QUE MARCOU UMA ÉPOCA
Exposição de Banda Desenhada com reproduções de
pranchas realizadas por Al Williamson, Esteban Maroto,
Frank Frazetta e muitos outros…
Local: Galeria da Bedeteca (1º andar, ala esquerda).
Organização: CMB (Bedeteca de Beja) / Zakarella Portugal.
Nota: a exposição inaugura dia 4, às 18h30.

De 4 a 29 de fevereiro
O FANTÁSTICO CARLOS ALBERTO SANTOS
Exposição Bibliográfica com as capas da revista
Zakarella e com reproduções de algumas das ilustrações
interiores realizadas por Carlos Alberto Santos.
Local: Galeria Principal (1º andar, centro).
Organização: CMB (Bedeteca de Beja) / Zakarella Portugal.
Nota: a exposição inaugura dia 4, às 18h30.


De 4 a 29 de fevereiro
ZAKARELLA VISTA POR VÁRIOS AUTORES
Mostra colectiva de Desenho.
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Organização: CMB (Bedeteca de Beja) / Zakarella Portugal.
Nota: a exposição inaugura dia 4, às 18h30.




FEIRA DO LIVRO
De 4 a 25 de Fevereiro
LIVROS TENEBROSOS PARA LEITORES MEDONHOS
Bram Stoker, David Soares, Edgar Allan Poe, Lovecraft,
Stephen King…
Quem é que se arrisca a levá-los para casa?
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Organização: Livraria Contracapa.
Apoio: CMB (Bedeteca de Beja).

CINEMA
10 de fevereiro, sexta-feira, às 22h00
ANTOLOGIA DO TERROR JAPONÊS 
A filmografia japonesa em torno do Terror tem-se
afirmado pela originalidade e diferença. Uma bela
ocasião para ver em que universos se movem os autores
do país do “Sol Nascente”.
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Entrada livre.
Organização: CMB (Bedeteca de Beja) / Unimundos.

17 de fevereiro, sexta-feira, às 22h00
PLANETA TERROR, de Robert Rodriguez.
Uma obra alucinante e excessiva, na qual Rodrigues
presta tributo aos filmes de zumbis (com muito sangue à
mistura, claro).
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Entrada livre.
Organização: CMB (Bedeteca de Beja) / Prisvídeo.



24 de fevereiro, sexta-feira, às 22h00
CURTAS DE TERROR, de vários realizadores
portugueses.
O Terror está bem vivo em Portugal. A prová-lo uma
série de curtas de fazer medo aos mais corajosos…
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Entrada livre.
Organização: CMB (Bedeteca de Beja).


LIVROS DO MÊS NA BEDETECA

CONDE DRÁCULA, de Guido Crepax
Fabulosa adaptação do clássico de Bram Stoker, onde
surgem Klaus Kinski e Max Schereck, actores que
interpretam o conde nos filmes de Herzog e Murnau.




FRANKENSTEIN, de Denis Deprez
Adaptação livre do romance gótico de Mary Shelley
feita por um dos mais talentosos autores de banda
desenhada da actualidade…





CLUBES

Ao longo de todo o ano
LEMON STUDIO – CLUBE DE MANGÁ
Horário: sextas-feiras, das 16h00 às 18h30.
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Entrada livre.
Organização: CMB (Bedeteca de Beja) / Lemon Studio.




ATELIÊS

ATELIÊ DE ILUSTRAÇÃO CIENTÍFICA
Com Ana Lopes.
Horário: terças e quintas-feiras, das 19h30 às 21h15.
Local: Sala de Desenho (1º andar, ala direita).
Organização: Associação Pegada no Futuro.
Parceria: CMB (Bedeteca de Beja).




OURIÇO-DO-MAR – ATELIÊ DE BANDA DESENHADA
Com Paulo Monteiro.
Dos 8 aos 12 anos.
Horário: todas as terças-feiras, das 18h30 às 20h00.
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Organização: CMB (Bedeteca de Beja).









TOUPEIRA – ATELIÊ DE BANDA DESENHADA
Com Paulo Monteiro.
A partir dos 13 anos.
Horário: todas as quintas-feiras, das 18h30 às 20h00.
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Organização: CMB (Bedeteca de Beja).










WORKSHOPS
Dias 2, 9, 16 e 23 de fevereiro, das 18h30 às 20h00
WORKSHOP DE TÉCNICAS DIGITAIS
APLICADAS À ILUSTRAÇÃO E À BANDA
DESENHADA
Com Nuno Góis.
Horário: quintas-feiras, das 18h30 às 20h00.
Local: Bedeteca de Beja (1º andar, ala esquerda).
Preço: 7,00 euros por sessão (4 sessões).
Organização: CMB (Bedeteca de Beja) / Nuno Góis.

ESTRADA FORA
A BEDETECA NAS ESCOLAS
Dias 3 e 14 de fevereiro a Bedeteca estará na Escola
Diogo de Gouveia, em Beja, para falar da História da
Banda Desenhada e de algumas características
próprias desta Arte. No dia 13 iremos até Portimão,
à Escola D. Martinho Castelo Branco, para falar no
mesmo assunto.

OUTROS SERVIÇOS

CEDÊNCIA DE ESPAÇO PARA ATIVIDADES
Apoio e cedência de espaços, a escolas e outras instituições, para a realização de reuniões e eventos na
área da banda desenhada ou da ilustração.

APOIO A ALUNOS E PROFESSORES
Apoio a alunos e professores para a realização de exposições ou outros projectos específicos na área da
banda desenhada e ilustração.

CONTACTOS E HORÁRIOS

BEDETECA DE BEJA
Edifício da Casa da Cultura
Rua Luís de Camões
7800 – 508 Beja
Telefone: 284 313 318
Telemóvel: 969 660 234
E-mail: bedetecadebeja@cm-beja.pt
Horário: de terça a sexta-feira, das 14h00 às 23h00. Sábados das 14h00 às 20h00.

PARCEIROS

APOIOS E PARCEIROS PARA A PROGRAMAÇÃO
Associação para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja / Associação Pegada no Futuro / Lemon Studio / Livraria Contracapa / Museu Regional de Beja / NCreatures / Prisvídeo / Unimundos

PARCEIROS PARA A DIVULGAÇÃO NA NET

AS LEITURAS DO PEDRO, CENTRAL COMICS, DRMAKETE, KUENTRO2, LEITURAS DE BD e NOTAS BEDÉFILAS


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