sábado, 11 de fevereiro de 2012

ENTREVISTA COM CARLA RODRIGUES, ILUSTRADORA E AUTORA DE BANDA DESENHADA


ENTREVISTA PUBLICADA NA ZONA GRÁFICA VOLUME 1, REVISTA DE BANDA DESENHADA E ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA DO PROJECTO ZONA.

Conduzida por André Oliveira

Embora seja ainda muito jovem e faça banda desenhada há relativamente pouco tempo, Carla Rodrigues é uma das autoras mais prolíficas e talentosas da nova geração da BD nacional.

Nos últimos anos, além de ter participado em várias publicações e colaborado em muitos outros projectos não só de BD mas também de ilustração, tem vindo a confirmar as expectativas que nela se depositaram desde os primeiros passos numa das suas grandes paixões: a fan art.

Actualmente, a série “A Garagem de Kubrick”, uma rubrica cómica sobre cinema com argumento de JB Martins publicada na revista Total Films, e a nomeação para a Melhor Obra Curta dos Troféus Central Comics com a BD “Empregado Precisa-se” (publicada na Zona Negra 2, também com argumento de JB) são as notícias de maior destaque no percurso da jovem autora.

Mas ninguém melhor do que ela própria para nos contar um pouco mais…

Nas tuas palavras, e para quem não te conhece, quem é a Carla Rodrigues?

Sou uma ilustradora e uma apaixonada (e desenhadora) da banda desenhada. Nasci no Porto, em 1984 (viva os anos 80) e desde que consigo pegar num lápis que rabisco em qualquer sítio: de papel a toalhas de mesa, vale tudo!

Por diversas razões, acabei por não seguir Artes na escola secundária e por isso fui aterrar no curso de Biologia.

Isso não me fez parar de desenhar, pelo contrário, fez crescer a minha paixão pelo desenho e a minha sede de aprender – comecei a brincar com a pintura digital, e com isso fui evoluindo.

Tenho sido muito autodidacta, vou estudando métodos diferentes, experimentando, e aprendendo com os erros. Também gosto de brincar com métodos tradicionais, utilizando aguarelas, acrílicos, marcadores… o que puder usar para pintar, uso!

Desde o primeiro esboço ao produto final, como é o teu processo de trabalho?

Começo por esboçar de forma muito solta as ideias que me vão ocorrendo. Depois, noutra folha, aperfeiçoo as linhas – que faço utilizando um lápis ou porta-minas – guiando-me pelo esboço, e depois passo a tinta (geralmente uso canetas de diferentes pontas, de 0.1 a 0.8mm., mas tenho estado a experimentar utilizar brush pens).

A seguir quem faz o trabalho é o scanner, e a partir daqui é tudo digital. No computador, limpo e aperfeiçoo as linhas, e depois é só colorir.

Há alguns anos comprei uma pequena tablet, o que facilita muito o processo de colorir – antes trabalhava só com o rato, e era uma pequena dor de cabeça.


Dirias que os filmes de terror série B são as tuas maiores referências? Aonde mais vais buscar inspiração?

Os filmes de terror são sem dúvida uma grande influência! Não só os filmes, como aquele tipo de histórias assustadoras que se contam de noite, lendas urbanas, literatura de terror…

Gosto muito desse tipo de material, então invariavelmente acaba por inspirar algumas das minhas ilustrações e BD’s. Mas o cinema de terror série B tem um apelo muito próprio.

Acho esses filmes muito divertidos, e como gosto sempre de injectar humor nos meus trabalhos, acabam por ser uma influência especial. Os diálogos cheesy, os efeitos especiais que deixam algo a desejar, tudo isso me entretém e inspira de uma forma que se provavelmente não resulta para muitas outras pessoas.

Quanto a outras fontes de inspiração, existem várias… Cultura pop, da música aos livros, da BD ao cinema, de acontecimentos do quotidiano aos desenhos animados… desde que algo me marque ou me faça reagir emocionalmente, acabará por me influenciar de uma maneira ou de outra.

Como ilustradora / desenhadora de BD, qual é o teu maior objectivo?

O meu maior objectivo é criar trabalhos que me agradem a mim, e que agradem a quem os vê! Que consigam inspirar, entreter e divertir o público.

Era bom também conseguir criar trabalhos que tivessem cada vez mais exposição – é para isso que continuo a aprender e a evoluir – e conseguir que a ilustração fosse a minha actividade profissional principal.

Se pudesses recomendar três obras de banda desenhada a todos os amantes da 9ª arte, quais escolherias?

Pergunta difícil, mas para primeira recomendação há um nome que me salta logo à cabeça: “Blankets”, de Craig Thompson. Não só é uma história incrivelmente bem escrita, madura e tocante, como a arte é simplesmente maravilhosa.

Acho que não consigo dizer o quão fantástica é esta obra, por isso resta-me indicá-la e esperar que quem nunca leu, vá ler! Vale a pena, e é um livro que devia estar na biblioteca de todos os amantes da banda desenhada.

Depois, posso referir “The Walking Dead”. Atenção, não é só porque tem zombies: é uma BD incrivelmente viciante que segue as vidas de um grupo de sobreviventes de um apocalipse zombie.

Foca-se muito mais no elemento humano do que nos mortos-vivos, e garanto que se começarem a ler, não conseguem parar. Curiosamente, vai ser adaptada a uma série de TV, e esperemos que esteja à altura da BD, que é muito boa.

Por último… bem… há muita coisa excelente que poderia recomendar, portanto é complicado. Mas vou escolher “Umbrella Academy”. É uma série com uma visão bastante original de uma equipa de super heróis que é quase uma família disfuncional. Além disto, a arte é excelente, por isso merece uma recomendação.

Mas havia muitas outras obras que gostaria de recomendar… Podia ainda referir “Invincible”, “Scott Pilgrim”… Felizmente o mundo da BD é riquíssimo e tem coisas fantásticas.

Para saber mais acerca do trabalho da Carla Rodrigues, consulte os seguintes links:

http://www.coroflot.com/carlarodrigues
http://cool-slayer.daportfolio.com/
http://carlarodriguesart.blogspot.com/
http://cineblog.blogs.sapo.pt/tag/a+garagem+de+kubrick

André Oliveira

P.S.: Entretanto, há a acrescentar que de facto sempre se fez uma série de TV a partir da BD “The Walking Dead” e vai já na segunda temporada…


 Carla Rodrigues e Fil, no lançamento de um dos volumes da revista Zona 



Esta entrevista também pode ser vista em Ave Rara

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

JOBAT NO LOULETANO – 9ª ARTE - MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA (XXIII e XXIV) –O IMPÉRIO EDITORIAL DA AGÊNCIA PORTUGUESA DE REVISTAS 1.2 e 1.3

Retomamos hoje a republicação das páginas de 9ª Arte - Memórias da Banda Desenhada, por Jobat, publicadas no jornal O Louletano


9ª ARTE
MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA 
(XXIII - XXIV)


O Louletano, 31 de Agosto a 6 de Setembro de 2004

O Império Editorial 
da Agência Portuguesa de Revistas - 1.2


Levado à presença de Mário de Aguiar, este recebeu-me afável e chamou Alfredo Silva, o coordenador, na altura, d' "O Mundo de Aventuras" e de outras publicações de H.Q., para me explicar qual a tarefa da qual me ocuparia. Se pudesse, disse-me, que viesse, no dia seguinte. Não teria renumeração mensal, tipo ordenado - pois nenhum colaborador o tinha - cumpriria o horário comum da casa, mas poderia fazer a quantidade de trabalho que quisesse e pudesse, o qual era razoavelmente bem renumerado. Aceites a s condições, no dia seguinte iniciei uma colaboração de quase vinte anos.

Nessa altura, 1954, o n.° 207 da Rua Saraiva de Carvalho era um beco, sem saída, de talvez 150 metros de comprimento. A letra P, a seguir ao n.° 207, referia-se à ordem sequencial das das portas existentes nesse beco. Ladeavam-no, junto à Saraiva de Carvalho, dois amplos estabelecimentos, tipicos de bairro e alguma antiguidade: à esquerda uma mercearia; e à direita uma casa funerária. A primeira, há muito passou por diversos ramos de comércio, a casa funerária, como que a atestar que o que vende continua a ser artigo de primeira necessidade, ainda hoje mantém o mesmo ramo.

O armazém, enorme, para onde Agência Portuguesa de Revistas (APR) se tinha mudado, no início desse ano, ficava ao fundo, à direita, do respectivo beco, e ocupava todo o rés-do-chão. O pé direito do edíficio era bastante alto, e com amplas janelas, tanto no piso térreo, ao nível do beco, como no suposto primeiro andar. A entrada para a APR fazia-se por um largo portão, do lado direito do edíficio, havendo outro idêntico, à esquerda, utilizada como entrada para a cave, dado o desnível de terreno, e onde funcionava "A Textil Sedeira", a qual naquele tempo era apenas uma tinturia. O aquecimento das instalações da APR, no inverno, era fornecido pelo vapor das caldeiras da cave, através de uma instalação com serpentinas, em cada gabinete.

Creio que foi Mário de Aguiar, quem mandou fazer algumas divisões, tipo salas de escritório, em madeira, aquando da mudança para esse local, no rés-do-cão. O primeiro andar servia como desafogo e arquivo, utilizando-se o espaço por cima dos escritórios. Estes ocupavam, inicialmente, toda a frente do edíficio, numa extensão de talvez 30 metros.

Um amplo "hall" de entrada, com duas portas basculantes, com o logo da APR pintado em cada vidro, servia de corta-vento em relação ao beco. À esquerda, nesse "hall", num pequeno guichet, também em vidro, atendiam-se os clientes. O acesso ao interior fazia-se através de duas grandes meias-portas, em madeira, mesmo frente ao portão da entrada.

Uma vez transposto o "hall" para o interior, logo à esquerda, a todo o com¬primento da frente do edíficio, ficavam quatro escritórios, a saber: o primeiro, o do "guichet", dava serventia ao atendimento; no segundo funcionava a contabilidade; o seguinte, era ocupado pela redacção das publicações da altura e, por último, o da direcção, onde Mário de Aguiar e António Dias tinham cada um a sua secretária. A redacção de todas as publicações da APR, nesse tempo, era comum para todas elas, pois as divisões eram relativamente amplas.

Legendas as Imagens:

Primeira página do "Tomahawk" Tom, publicada no N° 62 de "O Mundo de Aventuras", em 19/10/1950, criação de Vítor Péon


Ângulo lateral esquerdo do edifício da APR, nos anos 60, já com saída ao fundo do beco. Veêm-se as escadinhas em primeiro plano, no lado direito da foto


Primeira página do "Tomahawk" Tom, publicada no N° 62 de "O Mundo de Aventuras", em 19/10/1950, criação de Vítor Péon.
A imagem pode ser vista no blogue As Leituras do Pedro.

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O Louletano, 7 a 13 de Setembro de 2004

O Império Editorial 
da Agência Portuguesa de Revistas - 1.3

O início da minha colaboração com a APR deve ter acontecido entre a 2a metade de Agosto e a 1a de Setembro de 1954 e, isto pela seguinte razão: na manhã do dia em que lá fui mostrar os desenhos, tinha ido à praia, junto à Torre de Belém, ainda a areia a cercava, com um antigo colega da António Arroio, o António Rodrigues Victorino, que há perto de quatro décadas não vejo. Já levava os desenhos comigo. A deslocação, junto à citada torre, foi mais para arranjar coragem, para me decidir a ir à APR do que para ir tomar banho, pois não era, já nessa altura, praia que para isso servisse.

Recordo que resguardei os desenhos - umas 20 e tal páginas A4, de cavalinho nacional - sob uma porção de areia para me permitir aproximar da água sem o perigo de as molhar. No local, éramos praticamente apenas os dois. Distantes e distraidos, quase à beira-mar, uma súbita rajada de vento pôs a descoberto os desenhos, espalhando-os por largas dezenas de metros. Felizmente a direcção do vento empurrou-os para terra, mas nem por isso deixou de ser uma tarefa penosa andar atrás daquelas endemoninhadas folhas. Quando chegávamos junto delas, como que se levantavam, e voa¬vam para mais longe!

Uma vez reunidas - com alguma canseira - resolvi dirigir-me à Saraiva de Carvalho. É pelo tempo que na altura fazia, um dia solarengo, tal como pelas pistas que encontro n "O Mundo de Aventuras" (MA) e no "Condor Mensal", que me permito concluir o início da colaboração com a APR na data acima expressa.

Os elementos que compunham a redacção, na terceira sala à esquerda, transposta a meia porta que dava acesso ao interior do grande armazém, eram o Luís Miranda, homem ligado ao cinema, talvez coordenador da revista "Plateia" e "Colecção Cinema"; Fernando Esteves e Rolo Duarte, também colaboradores dessas revistas, e do MA; Santos Neves, tradutor de material de BD e autor de novelas de texto, publicadas no MA, e que assinava com o pseudó-nimo de Peter Adams; Filipe Figueiredo, ilustrador, e Alfredo Silva, na altura coordenador das revistas de BD, e gráfico da "Plateia" e "Colecção Cinema". A redacção contava com dois miúdos de recados, o Custódio Chaveiro e o Ulisses.

Carlos Alberto, colaborador desde o primeiro número do M.A., fazia, nessa época, parte do atelier de José David , sócio da Fotogra-vura Nacional, razão porque a história de "João dos Mares" saiu com o logo dessa empresa, a qual foi publicada com indicação de Augusto Barbosa, como autor.

Só apenas cinco anos depois, este autor ilustraria a sua segunda história de BD, "Ousadia Triunfante", nas páginas desse semanário Juvenil.

Legendas das imagens:

Capa do Mundo de Aventuras n° 284, da autoria de Carlos Alberto


Primeira página de "Ousadia Triunfante", publicada nas páginas centrais do M.A. n° 284, de 20 de Janeiro de 1955


Capa do Mundo de Aventuras n° 284, da autoria de Carlos Alberto

Primeira página de "Ousadia Triunfante", publicada nas páginas centrais do M.A. n° 284, de 20 de Janeiro de 1955.
Pode ver-se a capa referida acima e a história completa no blogue Mania dos Quadradinhos.

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ULISSES (XX e XXI)
Texto e desenhos de Jobat



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ATENÇÃO: AS IMAGENS PODEM SER VISTAS EM FORMATO MAIOR, CLICANDO EM CIMA DELAS COM O BOTÃO DIREITO DO RATO E FAZER "ABRIR IMAGEM NUM NOVO SEPARADOR"


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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

MAB INVICTA FESTIVAL INTERNACIONAL DE MULTIMÉDIA, ARTES E BD (5) – NOTA DE IMPRENSA – ALTERAÇÕES DE ÚLTIMA HORA


A nível de autores surgiram alterações de última hora, pelo que passamos a descrever as mesmas:



Autores Ingleses:
David Hine
Melinda Gebbie

Autores Alemães:
Anke Feuchtenberger
Ulf K
Kai Pfeiffer
Lars Henkel

Autores Belgas:
Dominique Goblet
Olivier Deprez
Denis Deprez

Itália:
Fabio Civitelli

Portugueses:
Regina Pessoa
Pedro Serrazina
Filipe Abranches
Filipe Melo
Ricardo Cabral
João Mascarenhas
Rui Sena
Derradé e Geral
Hugo Teixeira

Agradecemos a vossa disponibilidade e comunico á comunidade bedéfila que já sairam artigos sobre o Mab nos Jornais: JN, Publico e A voz de Ermesinde (que sejam do nosso conhecimento).

Comunico ainda que o Museu Nacional da Imprensa irá associar-se ao MAB com uma exposição de jornais de época com ilustrações de Stuart de Carvalhais. Depois comunico a programação completa e definitiva.

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

ENTREVISTA COM FILIPE ANDRADE, AUTOR DE BANDA-DESENHADA


ENTREVISTA COM FILIPE ANDRADE

Entrevista publicada na Zona Monstra, revista de banda desenhada e ilustração portuguesa do projecto ZONA.

Conduzida por André Oliveira

Filipe Andrade é um caso raro de sucesso na actualidade da banda desenhada portuguesa e um dos maiores embaixadores desta expressão artística no mercado internacional.

É certo e sabido que no nosso país contamos com uma diversidade invulgar de estilos e de correntes criativas, muito potencial mas nem sempre uma expressão de negócio adjacente (o que se compreende dada a pequena dimensão do nosso mercado).

Filipe Andrade é uma das excepções à regra, com colaboração regular com uma das maiores editoras mundiais, a Marvel, e obras publicadas não só em Portugal (“BRK”, pela ASA em 2009) como no estrangeiro (“City Stories Lodz” em 2010).

Recentemente, além de ter sido o autor em destaque no último Festival Internacional de BD da Amadora, foi colaborador e autor da BD promocional do jogo para PS3 “Under Siege” (o primeiro a ser desenvolvido exclusivamente em Portugal, por intermédio da Seed Studios) e foi o desenhador das mini-séries da Marvel: “John Carter: a Princess of Mars” e “Onslaught Unleashed”.

A entrevista que se segue ocorreu alguns meses antes do lançamento destas últimas obras:

Embora breve, a tua carreira é já recheada de êxitos e prometedora de muitos mais. O que te fez optar por ser ilustrador?

Eu decidi o que queria fazer na vida quando tinha 12 anos, depois de tirar um curso de BD leccionado pelo António Valjean. Mais tarde e mesmo tirando a licenciatura de Escultura na FBAUL, sempre me mantive perto da BD e foi nessa mesma altura que fiz o BRK.

Após o curso, a opção pela ilustração/BD foi natural, pois foi o tipo de trabalho que me foi aparecendo, um atrás do outro até a ilustração/BD ser a minha actividade principal.

Quais foram os momentos-chave que te definiram como o profissional que és hoje?

Não houve um momento-chave mas vários no caminho da minha profissionalização. Desses posso definir dois. O primeiro foi quando conheci o Cb Cebulsky, por ter sido a primeira vez que mostrei o meu portfolio a alguém influente no mercado bem como pela forma caricata como tudo aconteceu.

Tive somente meia hora para arranjar o portfolio e ir para Lisboa após uma chamada dum amigo meu a dizer que tinha lido num periódico que alguém da Marvel estava em Lisboa. Isto aconteceu em 2007.

O segundo momento-chave foi concretizar a ideia de ir estudar para um mercado influente bem como ter melhorado o meu nível de inglês. Isto foi ainda há relativamente pouco tempo, no verão de 2009, quando fui estudar para a Gnomon School em LA.

Para os mais desatentos, o que tens feito desde o lançamento do BRK?

Estou a colaborar com a Marvel regularmente desde Dezembro de 2009. Desenhei títulos já publicados como X-23, com Nuno Plati – outro português –, Iron Man, Ant-man e alguns projectos de publicidade com personagens como os Avengers.

Recentemente finalizei a minha última curta de 7 de Nomad, a sair em back up no livro do Capitan America desde o #608 ao #614.

Recentemente fui convidado pela Marvel a fazer outro outro título, Onslaugth Unleashed, com script de Sean Mckeever e cor de Ricardo Tercio. Neste caso serão 4 números totalmente desenhados por mim. O primeiro saiu em Fevereiro de 2010.

Integrei, também, a equipa portuguesa que foi convidado a colaborar com projecto City Stories para o Festival de Lodz, na Polónia, para o qual desenvolvi duas curtas com história de Filipe Pina em Saudade e Bartozs Sztybor em Blind Max.

Colaborei, para esta mesma publicação, com uma curta escrita pelo André Oliveira, ‘Uma história de Lobisomens’. Também estive em festivais como o de Angouleme, Lodz e NewYorkComicCon.

Sendo que hoje te movimentas maioritariamente no circuito internacional, qual a tua percepção dos universos da BD e da ilustração em Portugal?

É estranho estar a responder esta pergunta pois a minha actividade como profissional é ainda recente. Mesmo assim, posso afirmar que em Portugal existe muito talento e muita criatividade. Não só em Bd e ilustração mas como em todas as áreas criativas.

Existem mesmo muitos portugueses, pouco divulgados cá, mas que trabalham e ocupam cargos importantes nas mais diversas áreas e empresas no estrangeiro. Relativamente ao mercado nacional, são diversas as dificuldades como as insuficientes plataformas de divulgação bem como leitores para incentivar o comércio.

Isto, no entanto, não pode servir de desculpa para a desistência pois hoje em dia existem muitas outras oportunidades. Através da internet, o mercado tornou-se global. Sinto também que existem algumas rivalidades pouco produtivas e o bota abaixo continua a ser implacável quando alguém tenta fazer algo.

Acho que a nossa geração pode dar um chuto em tudo isso e dessa forma ser comum ver mais coisas publicadas em português não só cá como no estrangeiro.

E projectos para o Futuro?

Projectos são muitos e passam pela intenção de entrar no mundo do cinema e animação, mas isso não para já. No ano de 2011 posso adiantar que tenho como intenção acabar o segundo livro do BRK, tendo em mãos, até Abril, como referi atrás, o projecto do Onslauth Unleashed.

É minha intenção, também, estar presente no máximo de convenções internacionais possível para mostrar o meu trabalho e receber feedback e assim, poder alargar e diversificar os meus contactos. A primeira para a qual fui contactado é já em Fevereiro, a Miami Wizard Con.

Para saber mais acerca do trabalho do Filipe Andrade, visite o blogue do autor.

Esta entrevista também pode ser lida em Ave Rara

Filipe Andrade no Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja de 2011...



 

BRK começou a ser pré-publicada no BDjornal #14 (Agosto 2006)

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Imagens da responsabilidade do Kuentro

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

BDpress #321: OS SESSENTA ANOS DE MARSUPILAMI – PEDRO CLETO NO JORNAL DE NOTÍCIAS


Jornal de Notícias, 31 de Janeiro de 2012

60 ANOS E UMA LONGA CAUDA

O MARSUPILAMI, 
UM DOS MAIS EXÓTICOS ANIMAIS DOS QUADRADINHOS, 
NASCEU HÁ SEIS DÉCADAS

F. Cleto e Pina

Há 60 anos, os leitores da revista belga Spirou, descobriam pela primeira vez um dos mais exóticos, inteligentes e simpáticos animais que a banda desenhada já conheceu: o Marsupilami.

A sua estreia deu-se na prancha 49 de “Spirou e os Herdeiros”, primeiro como silhueta furtiva na segunda tira, depois exibindo já algumas das suas características únicas (ver caixa).

A sua criação deve-se ao genial André Franquin (1924-1997, igualmente “pai” do trapalhão Gaston Lagaffe), e a sua descoberta a Spirou e Fantásio. Encontrá-lo era a última de três provas que este último tinha de superar para, numa disputa com o seu primo Zantáfio, receber uma herança que se haveria de revelar… inexistente!
Depois de o capturarem na selva palombiana, Spirou e Fantásio entregaram-no a um jardim zoológico de onde, na aventura seguinte, acabariam por o libertar para o devolver ao seu habitat natural. Só que então o exótico animal decidiu segui-los de volta à civilização, grato pela sua amizade… ou porque Franquin decidiu mantê-lo nas suas histórias devido ao sucesso que o Marsupilami granjeou junto dos leitores.

Por isso, marcou presença na capa de álbuns como “Spirou e os herdeiros”, “Os ladrões do Marsupilami” ou “O ninho dos Marsupilami”, e protagonizou, a solo, relatos curtos, a partir de 1955.

O simpático animal, temível quando zangado, acompanharia o groom e o seu amigo repórter até 1968, quando Franquin abandonou a série, levando-o consigo e aos seus direitos, tendo nos anos seguintes marcado apenas presença esporádica em histórias de poucas páginas.

Em 1987 (re)apareceu numa editora apropriadamente chamada Marsu Productions, como protagonista de uma nova série com o seu nome, sob a égide de Franquin que fez apenas alguns esboços, sendo o desenho confiado ao estreante Batem, tendo-se sucedido nos argumentos Greg, Yann ou Fauche.

Poucos anos depois, a Walt Disney France estreou-o em curtas-metragens animadas, de qualidade bem inferior à série mais popular, que a Marathon e o Canal J desenvolveram a partir do ano 2000.

Em Portugal, se Spirou e Fantásio – que chegaram a ser Serafim (ou Clarim) e Flausino – já eram conhecidos desde 1959, quando se estrearam na revista Camarada, a banda desenhada que apresentou o Marsupilami ao mundo apenas foi publicada em 1975, directamente em álbum, pela Arcádia, embora o animalzinho já tivesse aparecido por cá anteriormente. Os álbuns com as suas aventuras a solo seriam lançados a partir de 2004, pela Meribérica, tendo a ASA, actualmente, uma vintena deles no seu catálogo.

(caixa)
O que é um Marsupilami?

O Marsupilami é um mamífero ovíparo, natural da selva de Palômbia, uma conturbada república da América latina.

O seu pêlo é geralmente amarelo com manchas pretas – tal como o do jaguar que o teme – mas conhecem-se casos de animais desta espécie completamente negros.

Dotado de grande inteligência, curiosidade e sentido de humor, revela também uma enorme força. A sua agilidade evoca a dos chimpanzés, a cuja estatura se assemelha, mas tem como característica distintiva uma longa cauda, que pode ultrapassar os 20 metros, e que utiliza para se deslocar, pescar, defender e atacar.

Alimenta-se de pulgas, nozes e piranhas, utiliza ferramentas e constrói enormes ninhos suspensos, onde se reveza com a companheira na guarda e alimentação das crias.

Pode nadar, correr ou deslocar-se nas árvores, consegue imitar a fala humana mas o seu som característico é um sonoro “houba”.

Fora da banda desenhada, poucos são aqueles que se orgulham de ter visto um, mas, em 1988, o IV Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto orgulhou-se de exibir um espécimen com cerca de 4 metros de altura e uma longa cauda… todo em peluche!






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Imagens da responsabilidade do Kuentro

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