quinta-feira, 15 de maio de 2014

EXPOSIÇÃO “FERNANDO RELVAS E A REVISTA TINTIN” – INAUGURA-SE AMANHÃ (dia 16 ÀS 19H00) NO CNBDI – FOTOS DA MONTAGEM DA EXPOSIÇÃO


FERNANDO RELVAS E A REVISTA TINTIN


Inaugura-se amanhã, dia 16 ÀS 19H00, a exposição 
FERNANDO RELVAS E A REVISTA TINTIN

Esta mostra assinala a entrada da obra de Fernando Relvas – Prémio Nacional AmadoraBD 2012 – na colecção de originais da CMA/CNBDI e apresenta o trabalho do autor na revista Tintin, esta exposição estará em exibição até 27 de junho.

CNBDI – Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem
Av. do Brasi, n°52 - A. 2700-134 Amadora

OS BLOGUES DE FERNANDO RELVAS:

http://hardline-relvas.blogspot.pt/ – Repositório dos principais trabalhos (desde Setembro de 2006)
http://urso-relvas.blogspot.pt/ – Work in progress (desde Janeiro de 2010)

FOTOS DA MONTAGEM DA EXPOSIÇÃO 
REALIZADAS HOJE 
(dia 15 de Maio) 


VEJA OS ORIGINAIS 
(em formato A3) 
DAS PRANCHAS ABAIXO NA EXPOSIÇÃO





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VER AMANHÃ AQUI NO KUENTRO
A "BIOBIBLIOGRAFIA DE FERNANDO RELVAS"
PUBLICADA NO BDjornal #27

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segunda-feira, 12 de maio de 2014

JOBAT NO LOULETANO — MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA (169-170) — JESUS BLASCO — CUTO – HERÓI DE UMA GERAÇÃO (6 e 7) por Jorge Magalhães



MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA 
(169-170)

O Louletano, 27 | Abril | 2009 


Além do Mago Branco e da sua esposa, prematuramen­te assassinados pelos esbirros do coronel Wei, as­pirante à sucessão daquele império do mal, Blasco criou nesta aven­tura — em que Cuto perde a sua primitiva inocên­cia, raciocinando e agindo como um herói adulto — outras personagens intensamente dramáticas: o infortunado engenheiro, irmão de Mary, inventor dos canhões de grande poder destrutivo; o valente e leal Kha-I, único amigo e aliado que Cuto encontra na fortaleza; o pobre e heróico "Imbecil", um humilde camponês tibetano que pega em armas para vingar a destruição da sua aldeia, bombardeada pela aviação do Mago Branco.

As cenas finais de "Tragédia no Oriente" são páginas de antologia, que subjugam e empolgam pelo seu impressionante realismo: o extermínio dos prisioneiros da fortaleza, meticulosamente arquitectado (a que não é alheia a experiência de Jesús Blas­co durante a Guerra Civil espanhola); a morte de Wei, o usurpador, às mãos de Kha-I, símbolo dos heróicos re­sistentes que actuavam na clandestinidade; a destruição dos temíveis canhões, num arrojo de valentia (quase suici­da) de Cuto; e a revolta dos tibetanos chefiados por "Imbecil", cuja morte, ao cair no forno crematório, com os bolsos pejados de granadas, provoca um cataclis­mo de proporções dantescas, uma espécie de purificação pelo fogo que destrói todos os vestígios da fortaleza.

Mas Cuto, que nunca esteve tão perto da morte, escapando por um triz ao mesmo destino de "Imbecil", consegue mais uma vez sair vitorioso, sem uma beliscadura, nem sequer psicológica, de uma tragédia em que a hecatombe é geral.

A corajosa abnegação de Cuto, o espírito de sacrifício de Mary (sua noiva oficial, que ele conhece durante o prólogo humorístico desta aventura), a luta de "Imbecil" e dos seus amigos contra a opressão e a tirania, transcendem o mero plano da "historieta", para um público juvenil ávido de emoções fortes, compondo uma obra de grande vigor épico e rara qualidade formal, que constitui, como referiu o crítico Javier Coma, uma "implícita denúncia do fascismo e do imperialismo", sem paralelo na BD espanhola da época franquista.

A NOVA FACETA DE CUTO

Depois de escapar da sinistra fortaleza de Tok Saloung, Cuto prepara-se para viver outra grande aventura, em que Jesús Blasco se mostra no apogeu do seu talento. Mas antes vamos encontrá-lo numa espécie de castelo assombrado, onde vagueiam vultos espectrais e as armadilhas surgem a cada passo. »»

Capa da revista CUTO, n° 6 - 1ª de 2 partes — de "TRAGÉDIA EN ORIENTE", publicada em Espanha em 1965, por "Ediciones Vertice". 

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O Louletano, 11 | Maio | 2009 


O nosso herói chega a ser encerrado num caixão, que mãos misteriosas (de supostos fantasmas) empurram para uma cave prestes a ser inundada. Cuto salva-se graças ao seu extraordinário sangue-frio, mas não ganha para o susto... apesar das almas do outro mundo serem tão falsas como o disfarce utilizado pelos habitantes do castelo, uma quadrilha de ladrões de bancos, cuja nefasta carreira acaba num san­grento ajuste de contas.

"Cuto no Castelo do Terror" é uma história de tran­sição — que cronologicamente antecede de alguns meses "Tragédia no Oriente", embora n'O Mosquito tenha sido publicada logo a seguir a esta aventura, entre os n°s 766 e 773 —, o que explica o tratamento ainda semi-caricatural dado por Jesús Blasco à figura de Cuto, que só nas aventuras seguintes começa a amadurecer, sem perder a sua valentia, o seu espírito de decisão, a sua alegre vivacidade.

Aliás, a evolução de Cuto foi constante. A partir de "O Mundo Perdido", Blasco abandonou certa estilização dos cenários e das personagens, enveredando por um grafismo mais realista, principalmente em relação às figuras secun­dárias. Cuto, esse permaneceu fiel ao modelo primitivo: menos caricatural, mas ainda com um ar agarotado e travesso.

Foi só em "Tragédia no Oriente" que ele apareceu com outro aspecto físico, mais adulto, que se consolidou em "Nos Domínios dos Sioux" e nas aventuras seguintes: "Cuto em Nápoles" e "O Caso dos Rapazes Desaparecidos", ambas publicadas n'O Gafanhoto.

Outra faceta de Cuto surge nas pá­ginas cómicas que O Mosquito divul­gou durante alguns números, a partir do 774, com o título genérico "Coisas de Cuto". Desejoso de humanizar o seu herói, Blasco deu vida e expressão gráfica a outro Cuto, mais divertido e fantasista, despido da "aura" heróica e aventureira, conseguindo que os leitores se identificassem também com ele.

E chegou a altura de falarmos de outra obra-prima de Jesús Blasco, a maior (e, para muitos, também a me­lhor) aventura de Cuto.

UMA EPOPEIA DO OESTE

Publicada n'O Mosquito, entre os n°s 796 e 892, poucos meses depois do extraordinário êxito alcançado por "Tragédia no Oriente", "Nos Domínios dos Sioux" é uma história de um realismo gráfico notável, um "western" de grande beleza ilustrativa, que O Mosquito, então a atravessar uma das suas melhores fases, soube realçar, apresentando os primeiros episódios em grande formato, nas pá­ginas centrais, como nunca se viu no próprio Chicos. »»




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—  2 e 3 — 

(Continua...)

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domingo, 11 de maio de 2014

ZÉ DAS PAPAS (31-32) – NA GAZETA DAS CALDAS – As Cavacas e o Bife à Marrare – Por João Reboredo

ZÉ DAS PAPAS (31-32)

Gazeta das Caldas, 18 de Abril, 2014

ADOÇAR A BOCA 


As coisas chegaram a um ponto, com a vida da maioria a andar para trás, que o melhor é, ao menos por palavras, tentar afastar os amargos de boca do dia a dia.

Doces são as cavacas e as mais famosas, as das Caldas da Rainha. Em plena época pascal começo pelos primos: os Cavacórios de S. Lázaro, arautos da chegada deste pe­ríodo na região de Vila Real. Os cavacórios passaram, muitas vezes a encerrar uma refeição especial. Os cavacórios servem de copo para "vinho fino" ou Vinho do Porto, para os brindes. Apontam-se várias origens para as cavacas, doces secos em forma de concha, de diferentes tamanhos sendo sempre os cavacórios de uma dimensão maior, mas todos da mesma família.

O S. Lázaro, dos Cavacórios, é celebrado no Domingo anterior ao de Ramos e representa uma parábola da Bíblia, simbolizan­do o S. Lázaro como protector dos pobres, e a figura que repre­senta o bem em contraponto à ostentação dos ricos.

Não há documentação sobre esta tradição para além de um estudo publicado por Juvenal Cardápio, citado por Virgílio Gomes, muito mais autor do que eu desta crónica...

São tradições que nos vêem por via oral, sucessivamente alterada. Exemplificam a doça­ria popular, outrora confeccio­nada em conventos, mas que não viram a luz em ambiente conventual. A sua forma côn­cava parece sugerir uma mão estendida à caridade, como fez S. Lázaro, o da parábola.

É uma especialidade doceira, com muitas variantes no país, que deve acompanhar com Vinho do Porto, vinho fino, ou simplesmente um café.

Doçaria popular, regional, está associada às grandes festas e romarias, muitas de origem religiosa. O maior nú­mero das diferentes cavacas provem das Beiras.

A composição das massas e a sua cozedura distinguem-nas umas das outras: em Viseu te­mos as de Romaria. Também na Beira Alta temos as da Zona do Alto. E há as da Guarda e as de Envendos, como as do Juncal do Campo, Castelo Branco.

Voltemos às das Caldas da Rainha. A massa é simples. Batem-se os ovos com farinha à qual se junta manteiga der­retida, que faz a diferença em relação às outras massas. A massa vai cozer no forno em forminhas semelhantes às das dos queques. Para a cobertura usa-se açúcar em ponto de es­trada, que se bate fora do lume, até obter uma massa opaca e na qual se mergulham as cavacas, que depois irão secar.


Mais a sul, no Alentejo, en­contramos Cavacas em Avis, Portalegre.

Nos Açores, confeccionam cavacas na Ilha de Santa Maria, com uma forma de preparação bem diferente das anteriores. Põe-se o azeite ao lume até ferver, e depois junta-se a fa­rinha batendo bem até obter uma massa uniforme e então juntam-se ovos um a um. Por fim junta-se um poco de água. Deita-se a massa em formas de queques previamente untadas com manteiga e polvilhadas com farinha. Enquanto cozem no forno prepara-se açúcar em ponto de bola que se bate para ficar opaco. Cobrem-se as cavacas com este açúcar e deixa-se secar.

Mas há mais cavacas em Portugal: em Sabrosa, Aveiro, Sernancelhe, Coimbra, Santa Clara em Amarante, e há as de Resende que, de cavacas, só têm o nome - é doce delicado, tipo pão de ló.

João Reboredo


Cavacas de Resende

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Gazeta das Caldas, 2 de Maio, 2014

COINCIDÊNCIAS
(O BIFE À MARRARE)


Aqui há atrasado vi-me publi­cado, na mesma página, ao lado de um colaborador antigo da Gazeta, de quem não conheço mais do que o nome e o "fácies" estampado. Por coincidência, naquele número, versava um livro sobre o tema de que me ocupo - a culinária. Curioso, fui espreitar o artigo. Nele se referia a figura de António Marrare e o seu bife. E como a informação constante do artigo não coincidia com a que guardo, fui rever a matéria.

Como declaração de inte­resses começo por declarar que as minhas escrevidelas gazeteiras são exercício egoísta para a minha cabeça, com vista a tentar sistematizar conheci­mentos e afastar o alemão, dito Alzheimer.

Visto isto, ataque-se o bife. O dito Marrare seria, para alguns, galego de refinado bom gosto que abriu em Lisboa vários esta­belecimentos com o seu nome. Para outros, categoria em que me incluo, era napolitano e veio para Portugal servir o Marquês de Abrantes, como copeiro. A "má língua"refere que, por o dito nobre ter deixado de lhe pagar, veio abrir os tais restau­rantes. A biografia "oficial", tal como a conheço é a seguinte:

"Marrare - nome do café localizado na Rua Garrett, ao Chiado, que deu brado na Lisboa da Regeneração; em verdade, nome de vários cafés fundados pelo napolitano António Marra­re - empresário do Teatro S. Car­los entre 1825 e 1828 - e de que os mais célebres foram o "Mar­rare de S. Carlos" (1801-1844), na esquina da Rua Anchieta com a Rua Capelo, o "Marrare do Cais de Sodré" (1809-1827) na Travessa dos Remolares, o "Marrare da Rua do Bandeira", o Marrare das Sete Portas 1804-?) na esquina da Rua de Sta. Justa com a Rua dos Sapateiros - que se celebrizou por ter sido aí que se apresentou ao público o famoso bife à Marrare - e, o primeiramente citado e o mais famoso, "Marrare do polimen­to" (1819 - 1866), assim conhe­cido em virtude de ser forrado de madeira polida e que, após a morte do proprietário fechou as suas portas. O prestígio do Mar­rare era imenso como, aliás, Jú­lio César Machado documenta ao localizar no café o primeiro capítulo de "A Vida em Lisboa - Romance-contemporâneo ia. ed, 1857".

O topo do Chiado na época do Romantismo, no tempo de Garrett e do Marrare do Polimento. Chamava-se ainda Rua das Portas de Santa Catarina. Reparem na estátua do chafariz. O mesmo Neptuno que, depois de passar pela Praça do Chile, está agora no Largo de D. Estefânia.


No que todos coincidem é na excelência do dito bife, do pojadouro (150/200 grs.), na receita conhecida como original - ca­pitação, que os nutricionistas, hoje, consideram um exagero.

Mandava a mesma derreter duas colheres de sopa de man­teiga numa frigideira de ferro, e colocar o bife a alourar dos dois lados, operação que deverá ser bastante rápida para que os sucos da carne não saiam. A seguir temperar com sal grosso e pimenta moída. Escorrer a gordura em que o bife fritou, conservando o bife na frigideira e juntar a restante manteiga. Reduzir o lume e adicionar as natas até engrossar o molho, agitando sempre a frigideira. Servir acompanhado com ba­tatas fritas aos palitos.

O local de nascimento deste bife, um café, foi o "respon­sável" pelo nome de outro semelhante, cuja designação se deve ao local onde era tradicio­nalmente servido - o chamado bife à café.

No Bife à Café, o molho é feito, não com natas mas com leite, e leva um pouco de mos­tarda e limão.

Também sobre as seme­lhanças há divergências...

João Reboredo


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sábado, 10 de maio de 2014

REPORTAGEM – TERTÚLIA BD DE LISBOA – 359º ENCONTRO – ANO XXVIII – 6 DE MAIO 2014

REPORTAGEM
TERTÚLIA BD DE LISBOA
359º ENCONTRO – ANO XXVIII 
6 DE MAIO 2014

CONVIDADO ESPECIAL 
JOSÉ SMITH VARGAS 

José Smith Vargas

[n. 1981. Lisboa] Frequentou durante o ano de 2000 um curso de Banda Desenhada Fundação Calouste Gulbenkian e licenciou-se em 2007 em pintura na Escola Superior de Arte e Design nas Caldas da Rainha. A partir daí distanciou-se do universo das artes plásticas (leia-se arte contemporânea) para operar em terrenos mais transversais e comunicativos como o cartaz, a ilustração, a BD, o mural e o design. Publicou banda desenhada nas edições da Associação Chili com Carne: Mutate and Survive, Crica Ilustrada, Mesinha de Cabeceira, Destruição e Zona de Desconforto; nas revistas Buraco e Alambique; e publica uma prancha regular no jornal Mapa. Em 2011 integra a pequena produtora Associação Terapêutica do Ruído onde produz cartazes para concertos e outros materiais gráficos. Desenvolve oficinas na área da banda desenhada. Tem em preparação um álbum sobre a Mouraria e uma adaptação de reportagens do escritor Raul Brandão.

José Smith Vargas vai estar também este ano no X Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, com uma exposição sobre o seu trabalho.



TERTULIANOS PRESENTES 

Abandonando “Versailles” e voltando à sala mais rasca... 

1. Álvaro 
2. Ana Saúde 
3. Ana Vidazinha 
4. Andrea Rechena 
5. António Isidro 
6. Filipe Duarte 
7. Gabriel Martins 
8. Geraldes Lino 
9. Helder Jotta 
10. Hugo Moreira 
11. Hugo Teixeira 
12. Hugo Tiago 
13. Inês Ramos 
14. João Vidigal 
15. José Abrantes 
16. José Lopes 
17. José Smith Vargas 
18. Manuel Valente 
19. Miguel Costa Ferreira 
20. Miguel Matos 
21. Moreno 
22. Paulo Costa 
23. Policarpo 
24. Rui Domingues 
25. Sá Chaves 
26. Simões dos Santos 
27. Sónia Oliveira 
28. Victor Jesus 
29. Vilela 
30. Vítor Nascimento 

COMIC JAM 


OS AUTORES PARTICIPANTES: 

1 - José Smith Vargas
2 - João Sá-Chaves
3 - Filipe Duarte
4 - Hugo Teixeira
5 - Sónia Oliveira
6 - Andreia Rechena

AS FOTOS 
(Por Álvaro)


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