segunda-feira, 11 de abril de 2016

NOVOS ÁLBUNS DE JOSÉ RUY

NOVOS ÁLBUNS DE JOSÉ RUY 

HISTÓRIAS DE VALDEVEZ
e
A ILHA DO CORVO QUE VENCEU OS PIRATAS

José Ruy, com oitenta e seis anos, continua a trabalhar intensamente na Banda Desenhada. Prepara mais dois álbuns – Histórias de Valdevez e A Ilha do Corvo, que venceu os Piratas. Deixamos aqui um seu depoimento sobre estes álbuns e algumas pranchas ainda inéditas: 

Os títulos: «Histórias de Valdevez». «A Ilha do Corvo, que venceu os Piratas».

“Este último título poderá ainda levar um «acerto», mas está praticamente aprovado.

Junto para seu conhecimento três pranchas da primeira parte de «Arcos de Valdevez», que é dedicada ao bafordo acontecido entre Afonso Henriques e Afonso Raimundes no século XII. Aqui procurei o mais possível afastar-me dos ângulos criados por ETCoelho nas suas belas recriações de torneios medievais.

Conforme o prometido, aqui vai a prancha acabada ontem. De vez em quando faço umas gracinhas, incluindo mesmo documentos verdadeiros, e neste caso, a escultura do José Rodrigues. Ainda vai ser retocada quando meter cor na página.

Junto também uma prancha do Corvo, que fiz à cabeça, para que a população que colaborou comigo quando lá estive em janeiro passado, não pensasse que eu me tinha esquecido deles, para sentirem que o trabalho está vivo, e também para verem a diferença entre os rudimentares esboços que faço previamente de toda a história e os originais finais.

As personagens (menos o vigário) são modelos que desenhei no Corvo, pois a população aderiu à ideia e voluntariamente deixou-se desenhar para a história. Também foi em «assembleia» que escolheram os nomes para essas personagens.

Tenho um arqueólogo, um historiador e um linguístico, todos da Universidade dos Açores, a colaborarem comigo, fornecendo-me material e acompanhando o que vou fazendo.

Só por isso merece a pena fazer a história, pois quanto ao rendimento só começarei a ter resultados um ano após a publicação, e apenas dos exemplares vendidos (e recebidos das livrarias). Só por-amor-à-arte. Mas sinto-me vivo e a respirar, em vez de embalsamado como vejo colegas meus. Mas há quem lute e se mantenha teimosamente no ativo, como o José Pires”.






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Já agora, recordo que perfazem, por esta altura, trinta anos desde que conheci José Ruy numa exposição da Galeria da Livraria Barata, na Avenida de Roma em Lisboa – 1986. Na foto: José Garcez, Baptista Mendes, José Ruy, Augusto Trigo, Victor Mesquita, Eugénio Silva e eu.

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domingo, 3 de abril de 2016

382º ENCONTRO DA TERTÚLIA BD DE LISBOA – 5 DE ABRIL 2016 – CONVIDADO ESPECIAL: NUNO LOURENÇO RODRIGUES



382º ENCONTRO 
DA TERTÚLIA BD DE LISBOA
5 DE ABRIL 2016
CONVIDADO ESPECIAL: 
NUNO LOURENÇO RODRIGUES
 

Nuno Lourenço Rodrigues aka FUSÃO, Lisboa 1989. Sou ilustrador e designer freelancer. Residente no The Lisbon Studio desde 2014.

Grande parte do meu trabalho tem sido desenvolvido na área de Design Gráfico, criando imagens para eventos principalmente. No entanto procuro cada vez mais trabalhar e ser reconhecido como ilustrador. Desde sempre que a minha busca e ambição foi evoluir em desenho, neste momento estou à procura de oportunidades e de conquistar o meu lugar ao sol.

Julgo que o que gosto mesmo é de desenhar monstros. Esta é uma temática que nunca desilude pois há milhões de histórias que se podem contar e também tenho a liberdade para desenhar qualquer coisa.

Tenho participado em antologias de banda desenhada mas o objectivo é lançar as minhas próprias histórias que habitam o meu imaginário desde miúdo. O sonho é um dia poder partilhá-las com o mundo através de uma grande editora.

Projectos para o futuro já os há (alguns) mas como o segredo é a alma do negócio…espero ter novidades e poder partilhar o meu trabalho para breve!

A Banda Desenhada é uma constante na minha vida. Sou acima de tudo um fã desta arte e dos seus protagonistas. Tudo começou como qualquer um, com os clássicos Turma da Mônica e BD Disney, desenhos nos cadernos, etc…mas a verdadeira revolução foi aos 11 quando fui introduzido a Calvin & Hobbes, ao FIBDA e ao fórum Central Comics (onde fiquei conhecido por Nuno Rodriguezzzz)… na mesma altura João Fazenda foi convidado para dar um workshop de BD à minha turma, foi o meu primeiro contacto com um autor de BD. Desde então tive um grande apetite por conhecer mais e estar ligado ao meio.

As minhas influências são em grande parte de pessoas com quem tive oportunidade de me cruzar e histórias de sucesso que de uma forma ou de outra me inspiram e fazem-me querer acompanhar e não perder o comboio.

Desde os colegas de escola\universidade Mike Aymes, André Moraes, Carina Julião, João Leal Pereira, Ricardo Bessa, Wooz Beinstein com os quais sempre gostei de ter uma competição saudável.
A artistas que tenho a felicidade de conhecer (e muitos partilhar estúdio) - Derradé (primeiro autografo), Filipe Andrade, Daniel Maia, Pedro Brito, Ricardo Cabral, Jorge Coelho, Joana Afonso, Ricardo Reis, Ricardo Drumond.

E claro as grandes referências - Jamie Hewllet (Gorillaz, Tank Girl), Akira Toryama (Dragon Ball), Humberto Ramos, Dave Mckean, JungGi Kim, Pascal Campio, Cinema e Filmes de Animação (todos).

Publicações

Antologias:
2005 - Volta a Portugal em BD (com João Leal Pereira - IPJ)
2006 - Café e Cigarros (Argumento Ana Carina - Bedeteca Beja)
2015 - Cadavre Exquisito (Central Comics)
2015 - Portugal 2055 (Argumento Bruno Pinto)
2015 - Casulo (Argumento André Oliveira - KP Books)

A solo:
2015 - The Square World (Arte e argumento - El Pep Books)
Formação:
Licenciatura - Design de Comunicação - Faculdade de Belas Artes de Lisboa - 2007 - 2010
Licenciatura - Design Gráfico - University of East London - 2009 / 2010
Mestrado - Animação e Ilustração - Kingston University - 2011 - 2012
Designer Gráfico e Ilustrador freelancer desde 2010
Designer Gráfico - Jardim Botânico da Ajuda entre 2012 e 2014



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domingo, 27 de março de 2016

GAZETA DA BD #56 NA GAZETA DAS CALDAS – OS ARGUMENTISTAS DA BD PORTUGUESA (4) – JORGE MAGALHÃES



GAZETA DA BD #56 NA GAZETA DAS CALDAS
OS ARGUMENTISTAS 
DA BD PORTUGUESA (4)
JORGE MAGALHÃES
O Homem de quase todos os ofícios na BD

Gazeta das Caldas, 25 de Março 2016

Jorge Machado-Dias

Geraldes Lino tem dito e escrito, muitas vezes, que em Portugal o argumentista é a avis rara da BD.

No entanto penso que Lino chama “aves raras” aos argumentistas portugueses, não só por terem sido em menor número que os desenhadores, mas sobretudo por serem muito menos conhecidos. São referenciados algumas dezenas de nomes de argumentistas em Portugal, desde Raul Correia – que já aqui referimos como argumentista de “Os Doze de Inglaterra” desenhado por Eduardo Teixeira Coelho –, Adolfo Simões Müller e Roussado Pinto (que assinava Edgar Caygill), até aos actuais David Soares, André Oliveira (ambos também desenhadores) e Nuno Duarte, que foram já tema de anteriores Gazetas da BD. Contudo, a proliferação de argumentistas na BD portuguesa deu-se especialmente enquanto durou o período dourado das revistas periódicas de banda desenhada, desde sobretudo de “O Mosquito”, iniciado em Janeiro de 1936, até ao último título, da periódica “Selecções BD”, que terminou a sua publicação no nº 31, em Maio de 2001. Depois desta data deixaram de se publicar revistas periódicas de Banda Desenhada, passando as apostas editorias a valorizar o álbum.

E foi precisamente nas “Selecções BD”, que pontificou aquele que consideramos o “último” e o mais prolífico dos grandes argumentistas da BD portuguesa desse período das revistas periódicas: Jorge Magalhães.

Jorge Arnaldo Sacadura Cabral de Magalhães nasceu no Porto, na Rua de Cedofeita, a 22 de Março de 1938. Uma vez concluído o antigo Curso Liceal e, antes de partir para Angola, publicou contos nas revistas juvenis Mundo de Aventuras e O Mosquito (II série), em 1959 e 1960. Em Angola foi funcionário público, trabalhando no Instituto do Café de Angola. Aí viveu entre 1961 e 1973, em Luanda, Novo Redondo e Porto Amboim. Durante a sua permanência em Angola, colaborou activamente em periódicos locais como o Comércio de Luanda, onde coordenou a página juvenil, Trópico e n’A Província de Angola, sem esquecer a sua passagem pela rádio e pelo Teatro. Mesmo longe de Lisboa, publicou artigos sobre BD no jornal República, na revista Pisca-Pisca e outras publicações.

“A paixão pelas histórias aos quadradinhos nasceu, por assim dizer, logo que aprendi a soletrar. Nesse tempo, com cinco anos, já gostava de folhear o “Mosquito“, que me ajudou bastante a decifrar as primeiras letras. Fui sempre um leitor assíduo de revistas infanto-juvenis e, depois do “Mosquito” e do “Diabrete“, comecei a coleccionar o “Cavaleiro Andante” e o “Mundo de Aventuras“. Não houve praticamente revista de BD que não me tivesse passado pelas mãos.” Refere Jorge Magalhães em entrevista ao Blogue do Tex, conduzida por José Carlos Francisco.

Regressado a Portugal em 1973, trabalhou na Agência Portuguesa de Revistas, tornando-se em 1974 coordenador da célebre revista de BD Mundo de Aventuras (II série), entre outros títulos da editora (Mundo de Aventuras Especial e Seleções), traduzindo bandas desenhadas e escrevendo artigos e contos. Em 1976 foi um dos sócios fundadores do Clube Português de Banda Desenhada, onde chegou a ser membro da direção, sendo esse ano marcado também pelo início da sua atividade como argumentista de BD, com "A Lenda de Gaia", desenhada por Batista Mendes para o Mundo de Aventuras.

A partir de 1976, a sua actividade como argumentista de BD ganhou fôlego, no Mundo de Aventuras e depois em Quadradinhos (2ª série), Tintin, O Mosquito (5ª série), Jornal da BD, Jornal do Exército, BDN (suplemento do Diário de Notícias), etc. Trabalhou com os desenhadores Augusto Trigo (desenhador com quem mais colaborou), António Carichas, Chaterine Labey (sua esposa), José Abrantes, Vítor Péon, Zénetto, Eugénio Silva, Fernando Bento, José Garcês, Ricardo Cabrita, João Mendonça, Carlos Alberto Santos, Rui Lacas, etc... Os seus textos abarcam os temas históricos, passam por aventuras em África e, sobretudo westerns (o seu tema preferido). Em algumas histórias, como na do nº 369 (2ª série), de 6-11-1980 do Mundo de Avenuras, com o título “A Sombra do Gavião“, desenhada por Augusto Trigo, Jorge Magalhães assinou o argumento com o pseudónimo de Roy West.

Foi coordenador da totalidade da produção da Editorial Futura, incluindo O Mosquito (5ª série), dirigido por José Chaves Pereira, assim como dos excelentes Cadernos de Banda Desenhada. Editou, durante alguns anos, vários fanzines especializados: Fandaventuras, Fandwestern, e outros. Assinou, como argumentista, mais de duas dezenas de álbuns editados, desde 1985. Publicou artigos sobre banda desenhada em diversos fanzines, bem como no Especial Quadradinhos (de A Capital) e outras secções especializadas em jornais, assim como nas publicações de sua responsabilidade. Colaborou com textos para as Edições Época de Ouro, tendo assegurado a coordenação de O Mosquito – 60º Aniversário (1996). Para as Edições Rodrigues Chaveiro coordenou a revista de reedições americanas Heróis Inesquecíveis, em 1997. Foi redactor-chefe e coordenador da revista Selecções BD, da Meribérica Liber, desde o início da revista em 1998 até ao seu final em 2001. Editou, pelo Salão de BD de Moura, os cadernos “O Western na BD portuguesa”, “Victor Péon e os Western”, “Banda Desenhada e Ficção Científica” e “ Franco Caprioli – no Centenário do Desenhador Poeta”.

Actualmente, como sócio do Clube Tex Portugal, escreve para a revista do Clube e mantém o seu blogue, “O Gato Alfarrabista – na sua Loja de Papel”: https://ogatoalfarrabista.wordpress.com/.

Fontes principais: Leonardo De Sá, “Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal” (edições NonArte/CNBDI, 1999) e Entrevista para o Blogue do Tex, conduzida por José Carlos Francisco, em http://texwillerblog.com/wordpress/?p=6659.

Jorge Magalhães com o seu inseparável boné, que quase nunca tira da cabeça, nem mesmo à mesa, durante os convívios bedéfilos almoçarados (ou ajantarados).

A Sombra do Gavião (1980), com argumento de Roy West (Jorge Magalhães) e desenhos de Augusto Trigo. 

Dama Pé de Cabra (1989), também ilustrado por Augusto Trigo.

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quarta-feira, 23 de março de 2016

BANDA DESENHADA – PARA A TERCEIRA IDADE – COM A REVISTA “VISÃO”



BANDA DESENHADA
para a terceira idade
COM A REVISTA “VISÃO”

Começou hoje (23-03-2016), a ser distribuida gratuitamente com a revista Visão (ou seja por €3,00 porque quem só quer a reprodução das revistas tem que pagar a própria Visão), depois de grande campanha de divulgação, uma colecção de reimpressões de seis antigas revistas de BD – agora no formato da própria revista Visão: 19 x 26 cm – revistas de que só os mais velhos adeptos bedéfilos se lembram – dos anos de 1970, ou seja de há 40 anos! Portanto o título correcto para esta coisa é mesmo o que escrevi acima: Banda Desenhada para a terceira idade (na qual me incluo, obviamente).

Mas vamos por partes, as revistas a distribuir com a revista são, O Falcão nº 577, de 1971, dimensões originais: 13 x 18 cm (que saiu hoje), Mundo de Aventuras, de 1974, o original tinha 21 x 28 cm, O Jornal do Cuto, de 1975, 19 x 27 cm, Cavaleiro Andante, de 1961, 21 x 29,5 cm, Colecção Galo nº 1, de 1977 e O Mosquito, de 1975, 17 x 24 cm.

Esta edição de reproduções das revistas mencionadas é feita em colaboração com o Clube Português de Banda Desenhada, segundo nota da Visão.

Para não estar a esticar-me em “críticas” ao CPBD, até poque não sei qual foi o envolvimento do Clube nesta edição, aconselho a leitura da opinião de Pedro Cleto em: http://asleiturasdopedro.blogspot.pt/2016/03/coleccao-banda-desenhada-com-visao.html

Deixo aqui apenas as imagens da capa d’O Falcão nº 577 – Major Alvega e a reprodução do material que foi lançado hoje com a Visão. Obviamente, quem fez a digitalização das páginas não percebe patavina do que está a fazer, nem sabe sequer trabalhar as imagens para eventualmente suprimir o efeito de transparências da impressão original que, como todos (os da terceira idade) sabemos, era “rasca”.

Como foi publicado. São óbvias as transparências de páginas anteriores e seguintes e...

... mais ou menos como deveria ter sido publicado.


Próximos "Capítulos":

  
  

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domingo, 20 de março de 2016

CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA – EXPOSIÇÃO DOS 80 ANOS D’O MOSQUITO NA BIBLIOTECA NACIONAL – DEBATE SOBRE O CPBD



CLUBE PORTUGUÊS DE BANDA DESENHADA
EXPOSIÇÃO DOS 80 ANOS D’O MOSQUITO NA BIBLIOTECA NACIONAL
DEBATE SOBRE O CPBD

Só hoje me foi possível colocar aqui esta matéria. As minhas desculpas.

Retomando a questão do Clube Português de Banda Desenhada e aproveitando para deixar aqui algumas fotos da Exposição dos 80 anos d’O Mosquito na Biblioteca Nacional, publico também as respostas de José Ruy e de Pedro Magalhães Mota (actual presidente do CPBD) às minhas opiniões acerca da exposição sobre os oitenta anos d’O Mosquito na sede do CPBD.

Os textos de José Ruy e de Pedro Mota, não respondem nunca a questões primordiais que já coloquei aqui há uns tempos: qual é o objectivo do CPBD neste seu ressurgimento (ou seja, para que serve o Clube?) e quais as estratégias para atingir esse objectivo, se é que existe objectivo.

Não quero, contudo, prosseguir na linha das opiniões que tenho aqui deixado, porque já entendi que não vale a pena prosseguir por aí. Outros ventos virão, ou não.

Deixo só duas ou três “coisinhas”:

Só para dar um pequeno exemplo, porque é que não se coloca um cartaz à entrada da sede a anunciar que existe lá dentro uma exposição a visitar? Era basicamente o que o CNBDI já fazia.

Uma coisa deste género seria muito chamativa e nem era preciso mudar a tela (à direita) com o logotipo do CPBD (onde o CNBDI colocava os seus cartazes), uma vez que do modo que mostro seria mais barato e reutilizável. 

Quanto à crítica de José Ruy sobre o meu comentário à foto da sede, eu referia-me à responsabilidade da Câmara da Amadora em ter os espaços públicos limpos, não ao CPBD. Mas se calhar expliquei-me mal.

Já a resposta do Pedro Mota (O CPBD e a BD para Malta Jovem, em http://www.acalopsia.com/bd-para-malta-jovem/), não refere nada daquilo que considero necessário. Portanto não vou comentar, não por desconsideração para com o Pedro Mota, mas porque ele escreve quase o mesmo que José Ruy.

Contudo devo referir que este “debate”, que envolve José Ruy e Pedro Mota, de uma forma retórica e civilizada, não belisca minimamente a nossa amizade. Só que, cada um diz o que pensa sobre determinadas matérias (neste caso o CPBD) e a mais não é obrigado. Portanto, as minhas saudações cordiais a ambos, agradecendo o contributo para o debate sobre o tema neste espaço.

Em breve estarão aqui também as opiniões de Santos Costa e respectiva resposta de Geraldes Lino.

Entretanto informo que o Clube Português de Banda Desenhada já tem página no Facebook, aqui: https://www.facebook.com/clubeportuguesbandadesenhada/?fref=ts

AS FOTOS DA EXPOSIÇÃO NA BIBLIOTECA NACIONAL
(Fotos de Dâmaso Afonso)

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A RESPOSTA DE JOSÉ RUY AOS ÚLTIMOS POSTS 
NO KUENTRO SOBRE O CPBD

Meu caro amigo Machado Dias

Abraço.

Eu entendo a amizade como um sentimento que vai para além dos «com-licenças» e de estarmos sempre de acordo com tudo, «ratando» por vezes nas costas, para evitar confrontar o amigo para que ele não se ofenda.

É dever dos Amigos verdadeiros chamar a atenção do que achamos estar mal, mas olhos nos olhos, sem ser preciso usar o megafone para que todo o mundo oiça; o «Kuentro» ouve-se em todo o mundo, tenho prova disso. [Devo, neste aspecto chamar a atenção de José Ruy que este assunto não é uma questão particular – se o fosse eu nunca a publicaria no Kuentro – mas sim um "debate" público, uma vez que considero o CPBD como um Clube de eventual utilidade pública, digamos assim. Os posts sobre o CPBD no Kuentro têm tido afluências de mais de quinhentos visualizadores e só não deixam lá os seus comentários porque tenho uma qualquer avaria no Blogger, que ainda não consegui corrigir e que não deixa publicar comentários (nem os meus). Contudo, como coloco sempre uma entrada no Facebook com chamadas aos posts do Kuentro, essas entradas no Facebook (https://www.facebook.com/jorgemachadodias) têm tido algumas discussões públicas sobre o CPBD, o que revela o interesse geral pelo Clube.]

E depois deste preâmbulo vamos ao assunto:

A sua última crítica ao CPBD e ao modo como apresenta as suas exposições na nova sede na Amadora.

Começa o meu amigo por chamar a atenção para umas réguas tortas por sobre a fachada, que se encontram assim há anos, responsabilidade do condomínio (a CMA só é proprietária da instalação térrea) e da relva a nascer entre as pedras da calçada. Faltou destacar o mau aspeto de algum papel que ande pelo chão, levado pelo vento de algum caixote do lixo mal tapado.

Já agora, talvez o pó acumulado sobre os automóveis estacionados em frente da porta dê má aparência e os voluntários do CPBD tenham de lhe puxar o lustro para não serem criticados.

[Há aqui, talvez, um lapso de interpretação e exagero de José Ruy: eu chamei a atenção para o que a Câmara deveria fazer, como proprietária. Não critiquei o CPBD por esses aspectos, dos quais não tem culpa alguma, a não ser chamar a atenção da Câmara para o facto.]

Depois dá a sua opinião de que é degradante mostrar reproduções e que só deveriam ser expostos originais mesmo, se o CPBD quer aliciar os «jovens» a irem ver as suas exposições.

Fiz uma exposição dos meus originais do livro «Aristides de Sousa Mendes» no Consolado Geral de Portugal em Paris, em 2014, montados em cartolinas pretas e protegidos com acetato, onde foi inaugurado com a presença de um dos netos do Cônsul que vive em França e do corpo diplomático do Consulado, e depois de duas semanas passou para outros organismos em França e não houve um único queixume pelo facto de não ter molduras «dignas» com vidro verdadeiro. Eu e um membro da direção do «Círculo Artístico e Cultural Artur Bual», promotor do evento, levámos esse material no avião connosco, sem o perigo de estilhaçar os vidros, mesmo se fossem em acrílico, dentro do peso estipulado para a bagagem e sem mais essas despesas.

E a exposição foi visitada por muitos jovens, e até numa das itinerâncias, esteve num colégio.
O meu amigo divulgou com imagens este evento.

A Bedeteca da Amadora tem exposto originais meus e de outros autores montados da mesma maneira, e não tem havido reclamações, pelo facto de estarem «indignamente» apresentados.

Os visitantes de todas as idades não deixaram de ir por não terem molduras.

No dia 17 de fevereiro de 2016 inaugurou-se uma exposição sobre a edição, agora em livro, da história de ETCoelho, «Os Doze de Inglaterra» na Bedeteca da Amadora, e foram expostos originais deste artista, muito pouco conhecidos, o que foi previamente anunciado.

Como poderá ver pelas fotos que oportunamente lhe enviarei, não estiveram presentes jovens.
Porque talvez não se interessem por este tipo de trabalho, e isso levar-nos-á para outro debate.

Portanto não é pelo facto de se mostrarem originais verdadeiros que alicia os iniciados (nesta arte) a interromperem os seus jogos nas tabletes para se deslocarem às exposições que não tenham trabalhos seus.

O facto do fotógrafo ocasional ter tirado fotos ao material exposto (reproduções) sem o cuidado de escolher o ângulo para não receber reflexos, não é culpa dos expositores. [A máquina fotográfica capta exactamente o mesmo que o olho humano vê, portanto o público tem que andar a “escolher o ângulo” certo?...]
As boas reproduções expostas, foi a maneira possível de mostrar esse material sem o CPBD ter de pagar um seguro proibitivo e montar um sistema de alta segurança durante o período de exposição, exigido (e muito bem) por quem detém esse precioso material. [Aqui estou de acordo com o que José Ruy refere!]
O CPBD está a renascer de um longo letargo e não tem ainda posses para essas fantasias. Será que para começar temos de primeiro fazer um investimento principesco para que a crítica fique satisfeita?

Lembro-me de um rapaz, até familiar, que mostrava alguma habilidade e gostava de ser pintor e desenhador. Compraram-lhe um belo estirador de sala, caixas com tintas aguarela e a óleo, papeis «qb», pinceis e todo o material de qualidade.

Esqueceram-se de lhe comprar outra coisa indispensável: o talento. Todo esse equipamento de nada lhe serviu.

O Coelho começou a trabalhar numa prancheta sobre os joelhos, no quarto que partilhava com o seu irmão.

Os jovens de que fala, se forem à sede do CPBD podem aprender como com materiais baratos e simples, se pode começar a apresentar os trabalhos.

Mas só se quiserem, pois ninguém pode obrigar seja quem for a participar nestes eventos.

Além disso, o que é exposto é para ser visto ao vivo, e o facto de serem reproduções, boas reproduções de provas originais, torna-se secundário.

E o que está exposto foi fruto de muitas horas de trabalho exemplar, voluntário e gracioso, de membros da direção do CPBD.

Temos, todos nós, a responsabilidade de dar a conhecer aos jovens, que para conseguirmos crescer precisamos de construir, sem esperar que tudo ou quase tudo apareça feito e pronto a usar.

Para o público que não pode ir à Amadora, as fotografias de conjunto podem mostrar todos os reflexos (como em tantas exposições de gabarito) mas para verem em pormenor, basta que os órgãos de informação e divulgação peçam os ficheiros digitalizados para serem reproduzidos nos seus blogues ou edições em papel em boas condições.

Esse público que se remedeia em ver as imagens no monitor, tanto lhes faz serem originais ou não, o que precisa é de ver essas imagens com qualidade.

Esta é a minha opinião, pois sempre me atirei para a frente para fazer coisas com apenas as condições possíveis no momento, ultrapassando os escolhos, e só ao longo de décadas fui melhorando essas condições de trabalho. Se estivesse à espera do ótimo para começar, ainda não tinha feito nada.

Além disso, o único responsável pelo processo que o CPBD adotou para realizar as suas exposições na nova sede, sou eu. Fui eu quem propus esse material, pois tenho experiência de o usar, sem grandes despesas e problemas de conservação e deslocação.

Quem não tem cão caça com gato. O que interessa é caçar. [Caçar o quê, amigo José Ruy?]
Não dei esta resposta no próprio Kuentro, por ser longa e para lhe dar a oportunidade de recusar publica-la. Numa altura em que a coesão é primordial, qualquer polémica pode dar a impressão a quem passa ao largo, que estamos desunidos e em guerras de alecrim e manjerona.

Por isso aqui vai desta forma.
No entanto vou dar conhecimento à família CPBD.
O mesmo abraço
De admiração e a mesma amizade

José Ruy
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TEXTO DE PEDRO MAGALHÃES MOTA (PRESIDENTE DO CPBD) SOBRE O MESMO ASSUNTO

AELIPSE, DESTAQUE Fevereiro 20, 2016

BD Para Malta Jovem

Num “post” no blogue Kuentro, Machado-Dias critica as mais recentes exposições que têm sido promovidas pelo Clube Português de Banda Desenhada (CPBD) nos seguintes termos: “Não é com “exposições deste género – mesmo com originais ou reproduções impressas, mas muitas vezes e o pior de tudo com fotocópias, afixados em cartolinas pretas e com um acetato por cima – que atrai novas gerações. A malta nova está habituada a exposições montadas profissionalmente (ou não) com outro requinte, seja de emolduramento ou outros enquadramentos expositivos. Enquanto o CPBD não perceber isto, o resultado será sempre a “excelente afluência de jovens” nas suas iniciativas.”

Tenho tantos reparos a este comentário, que resolvi escrever uma crónica só sobre o assunto.

Em primeiro lugar, há a afirmação sobre o requinte com que se tem habituado a “malta nova”. Julgava eu que o requinte é o mesmo com que se tem habituado a malta menos nova, mas falta a indicação de qualquer fonte ou razão de ciência que sustente a afirmação crítica. Partindo da minha experiência pessoal, há dois eventos que têm promovido uma nova forma (mais profissional ou requintada) de apresentar uma exposição de banda desenhada: o AmadoraBD e o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja (sem esquecer a experiência do CNBDI). Mas são eventos cujos meios, por disponibilidade orçamental ou por competência em áreas como a carpintaria, permite outro tipo de aposta. De qualquer forma, são eventos criticados por pessoas como Machado-Dias pela sua incapacidade para… renovar o seu público e trazerem a tal malta nova.

No entanto, em segundo lugar, Machado-Dias faz notar que esta é a questão, e que o que falta ao CPBD não é o orçamento do AmadoraBD ou os carpinteiros e outros trabalhadores da Câmara Municipal de Beja, mas apenas “perceber isto”.

Em terceiro lugar, afirma que o resultado de o CPBD não perceber isto é a falta de malta jovem nas iniciativas do Clube.

Tenho muito respeito pelo Machado-Dias e pela sua (nem sempre fundamentada) voz crítica, mas não me parece que a questão seja tão simples como está enunciada. De resto, da forma como a questão está colocada, até parece que a malta nova só se move pela forma e nunca pelo conteúdo, o que não me parece ser o caso. E isto, partindo do princípio de que a crítica é pertinente. Fará sentido criticar a falta de malta menos jovem numa iniciativa como o Anicomics? Não me parece.

A verdade é que as exposições de banda desenhada não contribuem muito para a afluência da malta nova, que se move mais por outro tipo de coisas (mesmo nos eventos de BD, move-se sobretudo pela presença de autores, ou pelos desfiles e concursos de cosplay, por exemplo).

De resto, não me parece que uma exposição sobre os 80 anos d’O Mosquito, apresentada na sede do CPBD tivesse mais malta nova, se fosse apresentada com maior requinte (e igual dignidade e dedicação). Será uma questão a avaliar quando o Clube desenvolver uma iniciativa especialmente vocacionada para os mais novos, mas não agora.

Para já, aquilo que me parece que justificava ser destacado (e não foi), é a enorme afluência da malta menos jovem (que se interessa por um bom conteúdo independentemente da forma), e o interesse manifestado pela comunicação social. E se queremos ser críticos em relação aos meios (mesmo no caso de desconhecermos as limitações expositivas da nova sede do CPBD), podemos sempre desejar que o Clube disponha de maior orçamento ou apoio na sua atividade.

O Clube deve procurar sempre ter um cada vez maior número de associados, e renovar o seu público numa perspetiva de continuidade da sua atividade, mas o fator que se procura atrair não está ligado à idade. Liga-se antes ao interesse, retorno e participação. Só faz falta quem está. E, contrariando a crítica de Machado-Dias, o Clube Português de Banda Desenhada vai continuar a dar prioridade ao conteúdo sobre a forma.
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