domingo, 9 de novembro de 2014

A REPORTAGEM - 365º ENCONTRO TERTÚLIA BD DE LISBOA - CONVIDADO ESPECIAL MARC PARCHOW

365º ENCONTRO 
TERTÚLIA BD DE LISBOA
ANO XXIX
4 NOVEMBRO 2014

Para ser franco, não sei de quem é esta foto (mas é muito fixe)...

Encontro em que foi Convidado Especial Marc Parshow e em que estiveram presentes os autores angolanos Carnot Junior, Lindomar de Sousa e Tché Gourgel, depois de terem estado no Amadora BD 2014, no fim-de-semana anterior, para o lançamento do fanzine BDLP #4.

 

BDLP #4 - ilustração da capa, de Tché Gourgel

TERTULIANOS PRESENTES

1. Adelina Menais
2. Álvaro
3. Ana Oliveira
4. André Oliveira
5. Bruno Caetano
6. Carnot Junior
7. Cristina Costa Amaral
8. Diogo Carvalho
9. FIL
10. Filipe Duarte
11. Geraldes Lino
12. Helder Jotta
13. Hugo Tiago
14. Inês Ramos
15. Isabel Viçoso
16. Joana Vantache
17. João Amaral
18. João Figueiredo
19. João Mascarenhas
20. Lindomar de Sousa
21. Marc Parchow
22. Miguel Gabriel
23. Miguel Peres
24. Moreno
25. Raja Litwinoff
26. Rui Domingues
27. Sá Chaves
28. Simões dos Santos
29. Tché Gourgel
30. Victor Jesus

COMIC JAM


Autores participantes:

1 - Marc Parchow
2 - Tche Gourgel
3 - Carnot Junior
4 - Lindomar De Sousa
5 - Ana Oliveira
6 - Álvaro Santos

AS FOTOS
(de Álvaro)























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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

BDpress #441: ENTREVISTA COM RAFAEL COUTINHO – ILUSTRADOR DA BD “CACHALOTE” EDITADA PELA POLVO E LANÇADA NO AMADORA BD 2014


ENTREVISTA COM RAFAEL COUTINHO
ILUSTRADOR DA BD “CACHALOTE” 
POLVO
OBRA LANÇADA NO AMADORA BD 2014 


UM CACHALOTE INVADE 
A BD NACIONAL

Diário Digital, 6 de Novembro de 2014 
Por Pedro Justino Alves

Rafael Coutinho

A banda desenhada «Cachalote», do escritor Daniel Galera e do artista plástico Rafael Coutinho, ambos brasileiros, foi editada em Portugal pela editora independente Polvo, quatro anos depois da sua edição no Brasil. Uma iniciativa que merece um sonoro aplauso por parte do leitor português, que aguarda que esta diligência de publicar o melhor da BD brasileira continue a dar os seus passos.

«Cachalote» reúne cinco histórias, mais uma que serve de introdução e desfecho da BD. Cinco (ou seis…) histórias independentes entre si, cinco histórias sem início nem fim. Ao leitor é apresentado fragmentos de vidas de personagens que buscam algum sentido para as suas vidas. O ilustrador Rafael Coutinho esteve entre nós na passada semana, onde participou em mais uma edição da BD da Amadora. Oportunidade para falar com o brasileiro, que apresenta um trabalho em «Cachalote» realmente deslumbrante.

Apesar de «Cachalote» reunir histórias independentes, acredita haver alguma unidade entre elas? Talvez a aceitação do destino...
Não acho que seja aceitação. Na minha opinião é algo mais relacionado com a própria busca por uma saída. Ou o fato de que estão eles todos a passar por algum tipo de mudança. Todos estão incomodados, procuram mudar. Cada um a seu modo, evitam aceitar que estão em um lugar de desconforto. E todos encararão esse fato, queiram ou não.

As histórias parecem que não têm início e fim, são fragmentos da vida dos personagens, que têm passado e futuro, todos desconhecidos do leitor. Este é o principal fator “inovador” da trama?
Não sei dizer. Não miramos por nenhuma inovação. Era um dispositivo criativo que nos agradava na época, fazia sentido com o que buscávamos em nossas histórias, individualmente. A maior parte das decisões foram muito intuitivas, contávamos um ao outro essas histórias e criávamos os enredos delas partindo de pressupostos em comum. O "gosto" pelo meio da história saiu naturalmente, não foi uma manobra com um objetivo concreto.

Porque a primeira e a última história não têm sequência no segundo capítulo, como as restantes?
Elas são como o prólogo e o epílogo do livro, um momento poético que surgiu no caminho. Era uma história que queríamos muito contar e que acabou por ficar divertida. Foi muito interessante vê-la existir no livro. Deveria ser uma sexta história, mas nunca conseguimos desenvolvê-la como as demais. Então funcionou bem assim, como introdução e conclusão do todo. Para mim ela reforça o registo insólito e fantástico do livro, deixa claro essa intenção para o leitor. A intenção é dizer: «Não estamos inteiramente a falar de realidade aqui.»

Todas as personagens atravessam algum tipo de provação emocional, provação que coloca em causa as suas convicções. Como isso influi no seu trabalho gráfico?
Boa pergunta. Foram dois anos muito focados no livro. Lembro que procurei algumas coisas diferentes, mas foi na definição de regras gráficas bem determinadas que encontrei um caminho de condução. O que chamamos de “grid” das páginas, que são diferentes em cada história, ajudou a conduzir essas emoções. Quando terminava uma parte do Chinês e entrava na história do Tulio e Vita, lembro que me enchia de energia saber que agora a regra era aquele formato, o plano fixo. E que o ritmo da história deles teria que ser conduzido por aí. Foi como me conectei com os personagens, com essas definições formais. Mas, em cada definição, havia em si a quebra da regra, encontrar a sutileza e as saídas. Enfim, parece insignificante, mas foram restrições que abalizaram o livro. Isso ajudou a ir atrás das emoções.


Apesar de apresentar histórias bastante realistas, há espaço para o surrealismo, o lado onírico. Qual o motivo dessa escolha?
Não houve motivo. Como disse, foi algo muito intuitivo. Gostamos imediatamente, logo nas primeiras linhas que lemos um ao outro. Surgiu de livros anteriores, de filmes, de discos. Trocámos muito material durante o processo. A verdade é que fomos nos conhecendo à medida que trabalhávamos, não nos conhecíamos antes. Tudo aconteceu da vontade de apresentar ao outro uma ideia, um conceito, e achar os pontos em comum. Esse lado onírico, surrealista foi rapidamente um deles.

A verdade é que apresenta uma linguagem bastante cinematográfica em «Cachalote». Em determinados momentos parece que estamos a ver storyboards de filmes.
Gosto muito de cinema, sou muito inspirado por filmes, com determinadas cenas de algumas obras. A verdade é que já falaram dessa aproximação. Mas sou “quadrinista”, desenhista, e não me canso de encontrar novos caminhos no meio. Sempre que acho que esgotei as minhas possibilidades, encontro algum desgraçado genial que mostra algo absolutamente novo e inspirador. Aí tudo recomeça... Na época de «Cachalote» estava muito apaixonado pelos irmãos Dardenne e lembro de rever alguns dos seus filmes, de pensar como seria fazer aquilo em “quadrinhos”. Mas não é um storyboard. BD é BD.

Quais das histórias mais gostou? Em termos de conteúdo e de desenhar?
Cada um tinha um desafio. Gostei muito de entrar no mundo do Tulio e da Vita. Mas acho que o mais cheio de elementos e loucura foi o do playboy. Muitas viagens, muitos lugares diferentes, foi sempre um banho de referências. E o personagem era muito instigante porque é um oposto muito distante à mim, um garoto horrível.

Tem alguma tira que guarde com especial recordação, aquela que gosta de rever sempre que reabre o livro?
Não! Procuro não ver o livro, não me agrada. Gosto e me sinto muito orgulhoso, mas o desenho é muito distante do que eu gostaria que fosse. Ainda chego lá, com calma. Mas, para mim, é como ficar a olhar no espelho. Lá pelas tantas acho que é um exercício de egolatria e vaidade muito descabido. Gosto de desenhar e contar histórias, não de me adorar.

Ficou surpreso quando leu os agradecimentos de Galera, exclusivos a si?
Ri bastante. Ele é um grande amigo e sou muito grato por ter feito este livro com ele. Um grande escritor também, tenho muita admiração por ele. Quero ser o Galera quando crescer.

Como foi trabalhar com o Galera? Poderia falar sobre o processo criativo entre os dois em «Cachalote»?
Ele é muito focado e disciplinado e tem muitos recursos no jogo de contar história. Em algum momento percebes que a história é grande demais e estás perdido. Tudo parece possível e se todos os personagens viajarem para Marte ou morrerem, quem é você pra dizer que não? O Galera foi um norte para mim, alguém que sabia como aquilo chegaria ao fim, sem pressa e desespero. E, embora pareça um cara sério e duro, é muito engraçado e leve. Foram dois anos e meio a desenhar sem parar. Precisas parar às vezes e rir de tudo aquilo.

Penso que é a primeira vez que trabalha com um escritor de ficção. Que diferença encontrou em relação aos seus trabalhos anteriores?
Eu era muito cru até então. Tinha feito muita coisa, mas foi o meu primeiro projeto realmente longo. Tudo é diferente. Mas, como disse, o Galera foi um norte muito importante. Ensinou-me muito.

Prefere trabalhar sozinho ou acompanhado?
Faço sempre muita coisa ao mesmo tempo. Nunca estou só a desenhar ou a escrever. Ou seja, sempre estou só e acompanhado. Gosto de sair de um para o outro, acho que é esse o meu equilíbrio. Mas preciso que estejam os dois lados minimamente equilibrados. Sempre!

Quais as diferenças entre trabalhar sozinho ou acompanhado? Apenas o total controlo da obra?
Um é social e o outro é solitário. Um é conversa e o outro é silêncio. Gosto de ambos.

O Galera é um escritor com uma voz ouvida na literatura brasileira. Você é reconhecido também pelos seus traços e voz autoral, com trabalhos próprios. Como vocês encontraram o equilíbrio para «Cachalote»?
Longas conversas… E o desejo mútuo de andar para frente, de chegar ao fim do processo e de conduzi-lo com nossos melhores esforços. Não sei explicar direito, mas houve isso, um pacto silencioso de profissionalismo e foco. E muita sensibilidade de ambos os lados para deixar o outro criar, ir até o fim de uma ideia, aceitar a visão do outro para algo específico. Desenhei coisas que eu não entendia bem, em nome de uma ideia que o Galera teve, e ele fez o mesmo por mim. Mas abandonamos muitas ideias, forçamos caminhos que depois eram confusos para história. Não foi um equilíbrio perfeito e harmônico com borboletas ao nosso redor.

Como definiria o seu traço?
Não sei dizer. Prefiro não saber.

O que pretendeu mostrar com o seu trabalho gráfico em «Cachalote»?
Não faço ideia. Nada, creio. Queria testar-me em histórias longas, era uma obsessão. Gostei. Encontrei-me!

Sentiu alguma mudança significativa entre o desenho de «Cachalote» e o que tinha feito até então?
Sim. Fui atrás de um desenho que eu ainda não tinha, acho eu. Histórias longas são difíceis porque, em algum momento, você quer mudar o traço e não pode. Encontrei um caminho nessa ambição meio irreal de ir atrás do que havia de mais difícil para mim na época. Por isso é mais difícil esgotar e secar aquele poço.

Consegue definir a importância de «Cachalote» para a sua carreira?
Sim, foi fundamental. Tudo mudou. Virei um contador de histórias longas e um desenhista com relevância, que é chamado para projetos mais complexos do que antes. Sinto que virei adulto com o livro, olho para trás e vejo um garoto cheio de energia. Agora o jogo é outro, envolve um tanto mais de sabedoria e controlo, de esforço focado. «Cachalote» foi um expurgo gráfico, precisava muito de o fazer.

Acredita que já encontrou o seu estilo, algo sempre procurado pelos artistas?
Sim. O que não significa que esteja satisfeito. Mas encontrei.

Ficou surpreso com a edição do livro em Portugal? Acredita que «Cachalote» poderá abrir portas para os seus livros?
Espero que sim e encontrei na Polvo uma editora muito familiar ao que fazemos no Brasil atualmente. Um misto de projetos artísticos, experimentais e comerciais. O projeto gráfico está lindo e tudo foi feito com pouquíssimo tempo. Não achei que seria possível, também fiquei muito impressionado com a qualidade gráfica. E porque edito e publico livros no Brasil, fico identificado com editores como o Rui Brito, um cara meio “do-it-your-self” que não espera as coisas acontecerem ou melhorarem. É uma pessoa que está envolvido na construção da cena e da cultura de uma BD de autor, forte, desde sempre.

Conhece algo da BD portuguesa? Se sim, qual a sua opinião?
Não conheço muito, mas do pouco que vi, achei muito bom. Os “quadrinhos” portugueses fazem parte de uma tradição visível (principalmente para quem é de fora), algo "franco/belga/espanhol". Estou a colocar muita coisa diferente num pote só, mas acredito que, para quem não conhece, entra bem “certinho” ali no meio de um Miquelanxo Prado, um Muñoz, um Asterix e um Moebius. Mas há um novo momento para todos nós, onde o design, a animação e o cinema entraram no jogo. Recursos digitais que parecem estar a fazer bem para todo mundo. Adoro as coisas da Chili com Carne e ElPep e identifico-me com aquela onda mais “autoral-fora-do-padrão-estranha”, mas também fico muito impressionado de ver uma Joana Afonso na livraria.

Por último, o que significa o cachalote do livro?
Não há um significado. Se eu definisse um estaria a tirar do leitor todo o envolvimento. Para mim é um símbolo de algo profundo e antigo, algo emocional. Mas vou parar por aqui...


Daniel Galera e Rafael Coutinho

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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

BDpress #440: DESTAQUE NO “i” – ZONA DE DESCONFORTO – DEZ DOCUMENTÁRIOS À MÃO FAZEM O ÁLBUM DO ANO


ZONA DE DESCONFORTO
DEZ DOCUMENTÁRIOS À MÃO 
FAZEM O ÁLBUM DO ANO

OS PRÉMIOS DO FESTIVAL AMADORABD 2014 
FORAM REVELADOS ESTE FIM DE SEMANA. 
O ÁLBUM EDITADO PELA CHILI COM CARNE 
FOI O GRANDE VENCEDOR

Jornal "i", 3 de Novembro de 2014
Tiago Pereira

A história do estudante que em Barce­lona se perdia entre o castelhano e o catalão, ao menos tinha uma cerveja gelada, menos mal; da portuguesa nas­cida nos EUA, viajada até à Holanda, mais a sua bicicleta com vida própria; o ano de voluntariado na Guiné-Bissau, as casas de tapas de Amesterdão e os mercados turcos de Berlim. E há mais em "Zona de Desconforto", uma espé­cie de diário em banda desenhada fei­to na primeira pessoa, com dez histó­rias de outros tantos autores. Tudo a sério, tudo em carne e osso, não há como ficar indiferente a isto.

Contas feitas, o livro que foi lançado em Abril passado (com o carimbo da Chili Com Carne) fez-se álbum de BD do ano, distinção entregue este fim-de-semana no Festi­val da Amadora.

Outra vez os números: dez autores, dez histórias. André Coelho, Christina Casnellie, David Campos, José Smith Vargas, Ondina Pires, Francisco Sousa Lobo, Amanda Baeza, Tiago Baptista, Júlia Tovar e Daniel Lopes. Os contos verdadeiros narrados neste compêndio foram todos gerados entre 2006 e 2013, depois levados ao papel de acordo com o traço e o relato de cada um dos pro­tagonistas.

A única organização que "Zona de Des­conforto" segue é a cronologia dos acon­tecimentos. Marcos Farrajota, da Chili Com Carne, coordenou toda a edição: "O que aconteceu é que comecei a ver amigos e conhecidos a desaparecerem de vista porque foram trabalhar - ou será sobreviver? - para fora. Esta anto­logia foi uma forma de catarse sobre este fenómeno. De resto conhecia mais do que 10 autores que tinham emigra­do ou tiveram experiências do tipo. Alguns não puderam entrar porque não tiveram tempo por estarem estafados a trabalhar numa fábrica, por exemplo. Infelizmente, a antologia é mais bur­guesa que proletária."

Todas as histórias são pessoais, umas com finais mais felizes do que outras, sem qualquer vontade evangelizadora. "Zona de Desconforto" é um documen­tário aos quadradinhos, uma dezena deles.

Para a Chili com Carne, Marcos Far­rajota diz que não haverá "mudança especial" com este prémio: "Não quere­mos nada nunca, preferimos oferecer ideias para o mundo. Talvez percebam que a BD que se deveria divulgar não é sobre patos sem cuecas ou musculados com cuecas de fora, ou a que preço foi vendido mais um original do betinho do Tintin. Talvez agora percebam que existe alguma BD séria, adulta, artísti­ca e empenhada em Portugal."

PREMIADOS

As restantes distinções da 25." edição do AmadoraBD ficaram com André Oliveira, por "Hawk" (melhor argumento português), Pedro Massano, melhor desenho português em "A Bata­lha de 14 de Agosto de 1385", "Safe Place", de André Pereira e Paula Almeida (álbum em língua estrangeira por auto­res portugueses), "As Serpentes de Água", de Tony Sandoval (álbum estrangeiro), a reedição em volume único de "Maus" (clássicos da 9ª arte).

Na categoria humor, o melhor álbum de tiras foi "No Presépio", de Álvaro e José Pinto Carneiro, quanto à ilustra­ção infantil, ganhou Vera Tavares, com "Lôá Perdida no Paraíso".

O melhor fanzine foi "Espaço Marginal", de Marco Silva. Carlos Baptista Mendes recebeu o troféu de honra deste ano. Na galeria dos Paços do Concelho na Amadora con­tinua a exposição Portugueses na Gran­de Guerra.

O festival continua até ao próximo domingo, dia 9, no Fórum Luís de Camões, na Brandoa.

01 David Campos. Cap Skirring, 2007
02 Francisco Sousa Lobo, London Falling, 2010-2013
03 José Smith Vargas, Majos y Majas em Amesterdão, 2007

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terça-feira, 4 de novembro de 2014

BDpress #439: DESTAQUE NO “DIÁRIO DE NOTÍCIAS” PARA O PRÉMIO NACIONAL DE BD DO AMADORA BD – ZONA DE DESCONFORTO


DESTAQUE NO “DIÁRIO DE NOTÍCIAS” PARA 
O PRÉMIO NACIONAL DE BD DO AMADORA BD
ZONA DE DESCONFORTO

O Diário de Notícias e o jornal “i” deram o merecido destaque ao livro da Chili com Carne – Zona de Desconforto – que ganhou o Prémio Nacional de BD deste ano no Amadora BD. Devo dizer que já era tempo da Chili (e do Marcos Farrajota) ganharem um prémio destes. Não só porque, se não me engano, é a primeira vez que uma editora underground (não mainstream portanto) ganha um prémio Nacional de BD no Festival da Amadora, como me parece que, pela primeira vez os jurados do concurso foram sensíveis a um tipo de banda desenhada que não é muito conhecida do público em geral. Isto, mesmo que haja gente por aí a reclamar, por ter sido atribuído este Prémio a um álbum colectivo – como se isso fosse pertinente para essa atribuição: um prémio para o melhor álbum, é para o objecto em si – o álbum, seja de autoria individual ou colectiva. São a estas mentalidades (um bocadinho retrógradas, diga-se de passagem) que é preciso mostrar que a BD não é uma “escrita” exclusiva dos álbuns “bem-desenhadinhos”, bem coloridos, convencionais (mainstream) e que este prémio vem a propósito, para afrontar esses gostos meio incultos, de larga maioria do público português. Sempre vendi (e não tão mal como possa parecer) os livros/álbuns da Chili enquanto tive stand no AmadoraBD – eventualmente não terei mais – tarefa essa que foi passada ao stand da Polvo este ano, onde estão os livros da Editora/Associação à venda. Estou portanto muito satisfeito com este resultado, mostrando que “àgua mole em pedra dura...” e só tenho relativa pena de não ter stand, para poder exibir no meu próprio espaço o livro premidado. Um abraço, Marcos, se bem que eu saiba que isto, para ti, é tudo muito relativo.

Fica então aqui o recorte de imprensa do texto do Diário de Notícias e amanhã o do Jornal “i”.

HISTÓRIAS AOS QUADRADINHOS DE QUEM TEVE DE EMIGRAR

Marcos Farrajota coordenou o álbum A Zona de Desconforto, histórias de dez auto­res portugueses de BD que saíram de Portugal, vencedor do Prémio Nacional de Banda Desenhada da Amadora. "Foi uma forma de catarse sobre este fenómeno"

Diário de Notícias, 3 de Novembro de 2014

Lina Santos

Tentar contactar Marcos Farrajo­ta foi logo o primeiro sinal de que não seria convencional. "Não tem telemóvel", disse a assessoria de imprensa do Festival de Banda Desenhada da Amadora, onde um álbum coordenado por ele, A Zona de Desconforto, antologia (cronológica) dos trabalhos de dez autores que emigraram, ven­ceu no sábado o Prémio Nacional de Banda Desenhada.

A importância do prémio me­rece-lhe um "não sei - não respon­de", por e-mail "Acho que os pré­mios da Amadora são uma confu­são total, vítima da pouca e pobre produção editorial portuguesa e da própria incoerência progra­mática do festival. Mas pelos vis­tos já deu nesta entrevista algu­ma histeria por aí. Se vendermos mais livros por causa disso, viva! Senão, a minha opinião será pior do que a de indiferença. Saberei isso para a semana quando olhar para os resultados", diz Marcos, de 41 anos, fundador do fanzine de BD Mesinha-de-Cabeceira e fun­cionário da Bedeteca de Lisboa.

Christina Casnellie, David Cam­pos, Francisco Sousa Lobo, Júlia Tovar, Ondina Pires, Tiago Baptis­ta, Daniel Lopes e José Smith Var­gas são os autores que contam as suas experiências em Barcelona, Lon­dres, Amesterdão, e outras cidades. "Co­mecei a ver amigos e conhecidos a de­saparecer de vista porque foram tra­balhar (ou será so­breviver?) para fora. Esta morte do tecido social – que não acontece só no meu círculo de amigos mas com todos nós portugueses nos últimos anos – é horrível e chocante. Esta antolo­gia foi uma forma de catarse so­bre este fenómeno", diz, sobre a ideia inicial, debatida com a dire­ção da Chili com Carne, uma associação não lucra­tiva que reúne auto­res de BD. "Na essência são ami­gos e conhecidos, alguns não entra­ram porque não ti­veram tempo para produzir BD por­que andam estafa­dos da vida que levam. Na reali­dade, esta antologia ficou aquém do que queria. Ficou mais bur­guesa que lumpen. E, como sabemos, há de tudo nestes fluxos mi­gratórios, tanto são doutoramen­tos como pessoas a trabalhar no duro numa fábrica naquele nojo de país chamado Inglaterra."

O título presta-se a várias leitu­ras. "O chavão é óbvio: zona de conforto. Sair dessa zona é desconforto, como é óbvio, e funcio­na como um título para um livro, por mais burguesas que tenham sido algumas saídas ou experiên­cias para o exterior de alguns au­tores da antologia.

Alguns prefe­riram contar pequenas curiosi­dades mundanas, outros expuse­ram-se de forma bastante íntima – o que também pode ser um des­conforto para quem lê...", escreve.

João Fazenda fez a capa do álbum que venceu na Amadora


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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

AMANHÃ 365º ENCONTRO TERTÚLIA BD DE LISBOA - CONVIDADO ESPECIAL MARC PARCHOW

AMANHà
4 de Novembro de 2014
365º ENCONTRO 
TERTÚLIA BD DE LISBOA
CONVIDADO ESPECIAL MARC PARCHOW

NA CASA DO ALENTEJO


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