domingo, 15 de outubro de 2017

O “GOLPE DAS CALDAS” – 16 de Março do 1974 VAI SER PASSADO POR JOSÉ RUY A BANDA DESENHADA


O “GOLPE DAS CALDAS” – 16 de Março do 1974 
VAI SER PASSADO POR JOSÉ RUY 
A BANDA DESENHADA
como novo capítulo do livro 
Nascida das Águas - a História de Caldas da Rainha

A SER EDITADO EM 16 DE MARÇO DE 2018

Texto de Natacha Narciso publicado na Gazeta das Caldas, em 13 de Outubro 2017.

O desenhador José Ruy visitou o quartel das Caldas da Rainha no 4 de Outubro para preparar um novo capítulo do seu livro Nascida das Águas, dedicado ao 16 de Março e que estará pronto em 2018.

A Gazeta das Caldas está a acompanhar a feitura deste novo capítulo e apresenta os primeiros esboços do autor sobre o Golpe das Caldas, agora contado em banda desenhada.

José Ruy, 87 anos, decano da banda desenhada portuguesa, deslocou-se de propósito às Caldas para efectuar uma visita à Escola de Sargentos do Exército. Munido de uma máquina de filmar e de papel e lápis, o autor, perspicaz e de olhar atento, foi registando vários pormenores dos locais (ver rodapé) para poder desenhar e contar com maior realismo os episódios do 16 de Março.

José Ruy foi recebido pelo comandante da Escola de Sargentos do Exército, Pedro Sardinha, mas foi do coronel Silva Carvalho - um dos protagonistas do 16 de Março que à data era um jovem tenente - que ouviu as memórias dos acontecimentos daqueles dias precursores de grandes mudanças.

O 16 de Março aconteceu numa sexta-feira à noite. "Só cá estavam os recrutas do Norte que se encontravam a finalizar o seu curso", disse Silva Carvalho acrescentando que naquela noite só estava no então RI5, "apenas um terço da companhia operacional".

Na opinião do militar, "era uma força que se organizou naquela noite - para corresponder a um pedido que não chegou de lado nenhum..."

Enquanto ouvia o relato de Silva Carvalho, o desenhador ia visitando o gabinete do comandante, a biblioteca, a cantina, a central telefónica e registava pormenores do mobiliário e dos edifícios, quer através de desenhos, quer através de uma máquina de filmar.

Entre as casernas da Escola de Sargentos do Exército há algumas que ainda têm o mesmo tipo de mobiliário que era usado em 1974. As camas dos soldados, organizadas em beliches, foram desenhadas no momento por José Ruy. O autor da BD em seguida pediu informações específicas sobre o paiol da ESE, onde então eram guardadas as munições da unidade, tendo tido a oportunidade de o desenhar no local.

"Foi uma visita importante pois eu precisava de ver os locais para os poder desenhar na história", disse José Ruy, explicando que foram igualmente úteis as "vivas memórias" de Silva Carvalho em relação aos acontecimentos vividos.

Com estes elementos recolhidos no quartel caldense o desenhador pode agora "reajustar as vinhetas na história, quando os miIitares são acordados a meio da noite para partirem. sobre Lisboa". A pesquisa veio possibilitar ainda ao mestre da BD completar as cenas em que "os comandantes são retidos nos gabinetes pelo então tenente Vltor Carvalho".

Elementos fundamentais para recriar os acontecimentos são também o trabalho de investigação académica de Joana Tornada e os vários artigos da Gazeta das Caldas sobre o 16 de Março.

"Reencontros são uma das felicidades desta profissão"

Joaquim Oliveira Silva é professor de História e de História Militar. Está na Escola de Sargentos do Exército desde 2010 e é da Amadora. Qual não foi o seu espanto quando viu José Ruy, autor de banda desenhada da sua terra natal, no quartel das Caldas registando pormenores dos vários espaços. Fez questão de o cumprimentar e contou-lhe que jamais se esquecerá de quando tinha 16 ou 17 anos e decidiu ir a casa de José Ruy, com o seu amigo Rodrigo Dias, para lhe mostrar umas pranchas que ambos faziam.

"Ele achou que era um bom trabalho e Incentivou-nos a continuar aquele nosso passatempo", disse o agora professor de História. O seu amigo, hoje um conhecido artista plástico da Amadora, ocupava-se dos desenhos da BD, que era então um dos passa-tempos favoritos dos dois jovens.

Apesar de não se recordar deste encontro especifico, José Ruy comentou que estes "reencontros são uma das felicidades desta profissão".

Natacha Narciso
nnarciso@gazetacaldas.com

Capa, ainda em esboço, mas já aprovada, fornecida pelo autor para ser divulgada no Kuentro

Esboço de uma das pranchas

O coronel Silva Carvalho e José Ruy, durante a visita

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