quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

TERTÚLIA BD DE LISBOA – 341º ENCONTRO – ANO XXVII - 4 de DEZEMBRO 2012


Andreia Rechena espreitou para dentro da máquina...

TERTÚLIA BD DE LISBOA – 341º ENCONTRO – ANO XXVII
4 DE DEZEMBRO 2012

A Tertúlia BD de Lisboa está bem e recomenda-se. Depois de quatro meses de ausência, encontrei as coisas mais ou menos na mesma, embora seja de referir a capacidade de renovação de tertulianos – com muita gente nova a aderir aos Encontros. 

Vejamos então os materiais distribuidos e as fotos. 


Convidado Especial: JORGE BARROS

Autobiografia

Breve Curriculum Vitae ao correr da pena, e sem dar caso a datas precisas como mandam as regras da boa convivência.

Jorge Emanuel Dauphinet Barros (Lisboa, 1971), este que redige para vocês, iniciou a sua actividade de desenhador a tempo inteiro e com intenções de se bastar economicamente (!), em 1987, no Suplemento do Correio da Manhã "Chico Omelete", na companhia de alguns ilustres e mais ou menos conhecidos desenhadores como Vasco Cordovil, um talento perdido para outras lides (casou-se e não havia tempo a perder com palermices, segundo a namorada cheia de razão), e José Bandeira, que agora goza o seu pratinho e ainda bem, a desenhar "Cravo e Ferradura" para o DN.

Depois disto, e sem cura à vista, foi sempre a aviar pãezinhos, sobretudo a fazer story boards para produtoras e algumas vezes, contam-se pelos dedos das mãos, para cinema com uma ou outra breve passagem pela BD, participando durante algum tempo nas tiras (*) para o "Pantufa", um sucesso claro, nas páginas de outro suplemento, agora no jornal DN.

O futuro a Deus pertence, mas a ideia é fazer mesmo a tal bd que o mundo vai acolher e aclamar como a quinta essência, finalmente dada à luz para júbilo de todos...

... continuamos uma criança...

Caricatura de Jorge Barros, por Vasco Cordovil

Prancha de "As Aventuras do Pantufa"  (de Jorge Barros)

Rakam (de Jorge Barros) para Suplemento do Correio da Manhã

O TERTÚLIA BDzine #172

CONTOS D'HORROR E OUTRAS QUINQUILHARIAS
Cátia Alves (arg.) e João Sequeira "JAS" (des)

Lista de presenças neste 341º Encontro da TBDL 

(Lista elaborada a posteriori e susceptível de ter falhas; por isso agradeço que quem notar alguma, envie comentário): 

1. Afonso 
2. Álvaro 
3. Amorim, Paulo 
4. Ana Saúde 
5. Ana Sena 
6. António Isidro 
7. Cátia Alves 
8. Clara Queiroz 
9. Falcato 
10. Gastão Travado 
11. Geraldes Lino 
12. Helder Jotta 
13. Hugo Moreira 
14. Inês Ramos 
15. Isabel Viçoso 
16. Joana Coelho 
17. João Sequeira 
18. Jorge Dauphinet Barros - Convidado Especial 
19. Jorge Coelho 
20. José Abrantes 
21. José Lopes 
22. Machado-Dias 
23. Miguel Ferreira 
24. Moreno 
25. Milhano 
26. Nuno Amado "Bongop" 
27. Nuno Duarte "Outro Nuno" 
28. Olivier 
29. Paulo Marques 
30. Pedro Bouça "Hunter" 
31. Rechena "Dona Zarzanga" 
32. Rui Domingues 
33. Sá-Chaves, João Paulo 
34. Sandra Oliveira 
35. Sónia Oliveira 

PRANCHA DO COMIC JAM 

Os seis autores da bd, escolhidos sem qualquer critério preconcebido, foram os seguintes: 
1. Jorge Dauphinet Barros (autor de BD Convidado Especial) 
2. Pepedelrey 
3. J.Coelho 
4. Paulo Marques 
5. José Lopes 
6. José Abrantes

AS FOTOS

Gastão Travado começou por apresentar um documentário sobre fanzines...







O Convidado Especial Jorge Barros com Pepedelrey

Pepedelrey e a família - atenção que o júnior vai dar que falar, desenha que se farta






Cátia Alves, sempre bem disposta distribuiu o TBDZ # 172


Foto de Nuno Amado (Bongop)


E pronto, levem fruta, que no próximo dia 21 (Dezembro claro) vai haver novo Encontro 
uma TERTÚLIA DO FIM-DO-MUNDO
para comemorar o dito - com brindes antes da meia-noite!!!


Informações adicionais e algumas imagens recolhidas no blogue de Geraldes Lino divulgando banda desenhada

____________________________________________________________________

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

MORREU JOAQUIM BENITE – O TEATRO PORTUGUÊS ESTÁ DE LUTO



MORREU JOAQUIM BENITE
O TEATRO PORTUGUÊS ESTÁ DE LUTO

Joaquim Benite esteve, de modo ligeiro, mas muito interessado, ligado à fundação da Pedranocharco Publicações. Não sendo um homem da banda desenhada, mas visceralmente do teatro como todos sabemos, sentia alguma empatia com a BD. Aceitou o meu pedido para apresentar o primeiro e segundo livros da Pedranocharco, As Aventuras de Paio Peres (O Espião e Missão em Al-Mahadan), onde ele é retratado na pele de um judeu que habitava a Al-Mahadan (Almada) moura, nos tempos da conquista de Lisboa por Afonso Henriques. Dei o nome de Yoachim Ben-Hytte à personagem, o que o divertiu imenso. Na apresentação dos livros falou longamente sobre o entrosamento de todas as culturas mediterrânicas (árabe-judaica-latina-grega) – tema que lhe era muito caro. Da última vez em que nos vimos, em 31 de Dezembro de 2010, ainda falámos de Paio Peres e de Yoachim Ben-Hytte...

Aqui fica o texto da Lusa divulgado hoje, que retrata bem Joaquim Benite. Mais abaixo ficam as páginas de As Aventuras de Paio Peres - Missão em Al-Mahadan, em que aparece a personagem Yoachim Ben-Hytte e de seguida as fotos da apresentação dos livros, na Oficina da Cultura de Almada em Outubro de 1995.
___________________________________________________

O encenador Joaquim Benite morreu nesta quarta-feira aos 69 anos. 

Ficará para a história como o fundador de uma das maiores companhias teatrais do país e de um dos mais importantes festivais de teatro da Europa.

Nascido em 1943, filho de um empresário do teatro, Joaquim Benite foi actor quando tinha 17 anos, antes de perceber que “não tinha jeito nenhum”, e depois jornalista e crítico de teatro, com passagem pelas redações de vários diários, antes de fundar, em 1970, o Grupo de Campolide.

Abandonou a crítica - porque “não tinha muito sentido escrever sobre o teatro dos outros. Se uma pessoa gosta, é fazê-lo”, defendeu, numa entrevista ao jornal i, em Julho deste ano. E foi isso mesmo que fez: estreou-se na encenação com a peça O Avançado-Centro Morreu ao Amanhecer, de Agustin Cuzzani. Sete anos depois, em 1977, o Grupo de Campolide profissionalizou-se e instalou-se no Teatro da Trindade.

No ano seguinte, saiu de Lisboa e mudou-se para Almada. Achou que “era bom ir para a periferia” por “uma razão estética e uma cívica”. Começou a fazer teatro com a utópica esperança de ver os trabalhadores da Lisnave a subirem a Avenida 25 de Abril, de marmitas vazias, para se virem alimentar ao velho, e hoje antigo, Teatro de Almada, explicou ao Ípsilon em 2010. Mas cedo percebeu que essa defesa de um teatro capaz de mobilizar as massas era pouco condizente com as condições em que as pessoas viviam.

Em Almada estreou-se com Aventuras de Till Eulenspiegel, de Charles de Coster e Virgílio Martinho. A designação de Companhia de Teatro de Almada (CTA) viria mais tarde.

Em 1987, inaugurou, com a peça de García Lorca Dona Rosinha, a Solteira, o Teatro Municipal de Almada (desde 2005 instalado no Teatro Azul, edifício da autoria dos arquitectos Manuel Graça Dias, Egas José Vieira e Gonçalo Afonso Dias).

Ao longo de 40 anos de carreira, Benite encenou textos de Molière, Brecht, Lorca, Pushkin, Beckett, Shakespeare, Gogol, Eugene O’Neill, Mikhail Bulgakov, Camus, Edward Albee, Thomas Bernard, Pablo Neruda, Peter Shaffer, Nick Dear, Victor Haim, Sanchis Sinisterra, Marguerite Duras e Antonio Skármeta, entre outros.

Deu igualmente a conhecer, em estreia, autores portugueses como José Saramago, Virgílio Martinho, Fonseca e Lobo e, mais recentemente, Rodrigo Francisco, além de ter também encenado textos de outros autores nacionais, como António José da Silva e Almeida Garrett.

É autor de diversos textos para teatro, bem como de conferências e ensaios e leccionou muitos cursos de teatro. Dirigiu, até morrer, a revista de teatro Cadernos e a coleção de “Textos d’Almada”.

Criou, em 1984, e dirigiu sempre o Festival de Almada, um certame de teatro internacional que se tornou o maior acontecimento teatral realizado em Portugal, pela qualidade e quantidade de espetáculos de teatro de companhias nacionais e estrangeiras que todos os anos nele se apresentam.

Várias encenações suas receberam prémios da crítica e outros e ele próprio foi distinguido com a Medalha de Ouro de Mérito Cultural do Concelho de Almada e a Medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura, além de ter sido condecorado pelo Governo francês com o grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras e pelo rei de Espanha com a comenda da Ordem de Mérito Civil.

Quando lhe perguntaram se achava que ficaria na história, respondeu assim: “Os encenadores nunca ficam na história. Só os escritores, como o Shakespeare. Sabe, acho que vale a pena viver para nos divertirmos. Lutar por coisas, para cumprir missões, não. O teatro é um sinal de civilização que está na origem da sociedade. Até nos animais. Quando chego a casa, o meu cão faz uma dança que parece egípcia, pá. São rituais de representação. Mas o teatro não tem missão nenhuma. É uma coisa que as pessoas fazem porque gostam e as outras vêem porque lhes dá prazer”.
_____________________________________________________________






Para ler os textos clicar em cima da ilustração e depois desta aberta clicar de novo, com o botão direito do rato e depois em "abrir a imagem num novo separador" onde poderá usar a lupa.

Romeu Correia, Jorge Machado-Dias, Joaquim Benite, Louro Artur, Simões Raposo e Victor Borges.

Romeu Correia, Joaquim Benite, Maria Emília de Sousa (Presidente da Câmara Municipal de Almada), Jorge Machado-Dias, Louro Artur, Simões Raposo e Victor Borges.

______________________________________________________________




segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

JOBAT NO LOULETANO — 9ª ARTE — MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA (LXXIV e LXXV) — EDUARDO TEIXEIRA COELHO – 1 e 2





NONA ARTE 
MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA 
(LXXIV – LXXV) 


Após as apresentações relativas ao XXIII Amadora BD, durante o último mês, retomamos a republicação da página de Jobat n’O Louletano

O Louletano, 4 de Outubro de 2005 

Conforme noticiamos em 7 de Junho passado, aquando da morte de Eduardo Teixeira Coelho, temos o grato prazer de iniciar a publicação da série "O Defundo", baseada num texto de Eça de Queiroz, ilustrada por esse artista [autor] e publicada no Jornal "O Mos­quito" entre os números 1157(26/07/1950) e 1187 (08/11/1950). Esta historia, num total de 29 páginas, mostra-nos – em nossa opinião –, um ET Coelho no zénite da sua pujança criadora, onde os claros-escuros, concebidos com a maestria que lhe era justamente reconhe­cida, revelam enquadramentos e vinhetas de rara beleza.

Dar a conhecer esta obra, (reposta apocrifamente em Portugal em três edições sem a autorização do autor, conforme sua indicação pessoal) e revelando-a a leitores que, na sua grande maioria, porven­tura a ignorem, foi o meio por nós escolhido para homenagear a memória do autor há meses falecido em Florença, local onde residia.

A magnificiência dos seus desenhos, melhor que os elogios que lhes possamos tecer, demonstram cabalmente o nível artístico daque­le que fortemente inspirou a geração contemporânea dos aspirantes a ilustradores de HQ desse período.

Que os apreciem, tal como nós, são os nossos sinceros votos dada a profunda admiração que nutrimos pelo artista [autor] ausente, mas vivo e presente, através da sua obra. Boa leitura.

MEMÓRIAS – EDUARDO TEIXEIRA COELHO.
Por Leonardo De Sá e António Dias de Deus (1) 

Artista de enorme influência a partir de meados da década de 1940, nasceu nos Açores, na cidade de Angra do Heroísmo (Ilha Terceira), a 4 de Janeiro de 1919. Eduardo Teixeira Coelho veio para Lisboa aos 11 anos de idade, para frequentar um curso comercial. Em 16 de Abril de 1936, foi publicado o seu primeiro trabalho uma sequência cómica em quatro vinhetas com balões - no Sempre Fixe (n" 517).

Nesse mesmo jornal, continuou com pequenas anedotas ingénuas nos anos 1936 e1937. Trabalhou em pequenos reclamos publicitá­rios, distribuídos na Costa da Caparica, na margem Sul do rio Tejo, e cartazes na praia. Como assistente do desenhador Álvaro Duarte de Almeida, ilustrou parte de um curso "Dickson de Arte Comercial" por correspondência, além de bilhetes postais e reclamos na impren­sa. Evoluindo muito rapidamente, produziu ilustrações de bom nível em Foco cm 1941, usando já a famosa sigla ETC. A seu lado encon­tramos desenhos dos artistas [autores] que talvez o tenham apoiado (e assis­tido) no início de carreira - Álvaro Duarte de Almeida e João Rodrigues Alves. A partir de 1942, está presente em O Senhor Doutor, Engenhocas e Coisas Práticas, Filmagem e Colecção de Aventuras (estas três últimas pertencentes às Edições 'O Mosqui­to'). Voltou a apresentar pequenas tiras de sequência narrativa, de intenção didáctica, nas revistas Engenhocas e Coisas Práticas e Filmagem. Foi, contudo, a partir de 1943, na mais famosa revista infantil portuguesa – O Mosquito –, que E. T. Coelho alcançou a mestria total nas ilustração de novelas com carácter histórico, moderno ou fantástico. Por esta altura, começou a colaborar na revista espanhola Chicos, para a qual produziu duas histórias aos quadradinhos de aventuras ("El Hecicero de los Matabeles", impressa entre 2 de Fevereiro e 15 de Março de 1944, e "Un Jinete del Oeste", entre 5 de Julho e 11 de Outubro de 1944). Só viriam a aparecer em O Mosquito dois anos mais tarde (respectivamente com os títulos "O Feitiço do Homem Branco" e "O Grande Rifle Branco"), depois de o formato duplicar. Para além das histórias publicadas no Chicos, sobre­viveu ainda o começo de "El Dios de la Montafia", uma aventura passada lá para os lados do Turquestão, que o artista não concluiria.

O BDjornal #3 (Junho de 2005) noticiou o falecimento de Eduardo Teixeira Coelho no editorial e publicou a sua biografia nas páginas 3 e 4 (excertos do mesmo texto publicado n'O Louletano e proveniente de ETCOELHO - A ARTE E A VIDA, de Leonardo De Sá e António Dias de Deus, edições Época de Ouro, 1998)


________________________________________________________

O Louletano, 11 de Outubro de 2005 

MEMÓRIAS – EDUARDO TEIXEIRA COELHO.
Por Leonardo De Sá e António Dias de Deus (2) 

A primeira HQ de E.T. Coelho a ser publicada em O Mos­quito foi "Os Guerreiros do Largo Verde", a partir de 28 de Março de 1945. O seu argumentista era José Padinha, grande novelista e grande amigo do desenhador. Até ao final desta revista, em 1953, E.T.Coelho foi o seu principal colaborador artístico. Em O Mosquito apresentou algumas obras-primas,

como "Falcão Negro", "O Caminho do Oriente", "A Lei da Selva", "A Trilogia das Mouras" (três novelas de títulos distintos em que intervêm mouras encantadas), além de ver­sões ilustradas de contos do escritor Eça de Queiroz.

A elaboração dos argumentos ou a sua redacção foi, na maior parte, da autoria de Raul Correia. Algu­mas das histó­rias, ilustrações e capas de ETC eram reedita­das, a curta dis­tância, nas re­vistas espa­nholas Chicos e El Gran Chicos. Outras ca­pas foram ex­pressamente fei­tas para Espa­nha e nunca foram vistas em revistas portu­guesas. Publicou também desenhos em jornais diários, como O Século, Diário de Notícias, em revistas como Eva (1946), Olá (1948), Auditorium (1948), Portugal Ilustrado (1953), em li­vros como Caminho da Terra Santa, diversos volumes de Lições de Ginástica Infantil, A Nossa Pátria, e capas de volumes da Bi­blioteca dos Rapazes, Bibli­oteca das Rapa­rigas, Almanaque de O Sécu­lo e Almanaque Alentejano (1948) e ilustra­ções de livros, principalmente da Portugália, Editorial Sécu­lo, Mocidade Portuguesa, para lá dos re­clamos comer­ciais nos principais jornais – Diário de Notí­cias, Diário de Lisboa e O Século. Fez ainda a capa e algumas ilustrações da novela em fascículos A Volta ao mundo (1946) de Henri de la Vaulx e Arnould Galopin.

________________________________________________________



O DEFUNTO
1 e 2 

Baseado no conto de Eça de Queiroz 
Desenhos de Eduardo Teixeira Coelho


________________________________________________________

domingo, 2 de dezembro de 2012

ZÉ DAS PAPAS (5 e 6) – ERVAS AROMÁTICAS E TEMPÊROS - AS “NOVAS” REALIDADES: COMPETÊNCIAS DO CHEFE DE COZINHA E DO DIRECTOR DE FOOD & BEVERAGE




ZÉ DAS PAPAS
(5 e 6)

ERVAS AROMÁTICAS E TEMPÊROS 

Publicado a 31 de Agosto de 2012 

Nesta “coisa” das papas as ervas aromáticas são tema fulcral.

Muito antes de surgir a escrita o homem já usava ervas para fins alimentares e medicinais.
Nas suas experiências descobriu as qualidades de cada uma: alimento, medicamento, veneno, alucinógeno e outras.

Ainda hoje sacerdotes de sociedades não letradas usam determinadas plantas para provocar alucinações ou para curar o paciente.

O documento médico mais antigo que refere as propriedades medicinais das plantas é um tratado datado de 3.700 AC, da China, escrito por Shen Wung um imperador sábio que fazia experiências com as plantas. Nele escreveu que para cada enfermidade havia uma planta que seria um remédio natural. Conforme a lenda, ele podia observar os efeitos de seus preparados no organismo por ter o abdomen transparente.

Seguiram-se os egípcios, que deixaram papiros preciosos. Neles podemos ver que utilizavam ervas aromáticas na medicina, cosmética, culinária e, sobretudo, na sua técnica, nunca superada, de embalsamento. Eram de uso comum plantar as ainda hoje conhecidas e usadas: tomilho, anis, coentro, cominho, papoula, alho, cebola e outros.

Mas vamos por partes e com (algum…) sistema.

Carl von Linné, Lineu, como é mais conhecido (1707 1778), naturalista sueco, médico do rei, professor universitário, desenvolveu o sistema binário de classificação botânica das plantas que rapidamente se impôs no mundo inteiro. Hoje os nomes dos vegetais estão identificados em latim.

Começo com o Açafrão.

Ao que se diz Zeus, Rei dos deuses da Grécia antiga, dominado por insaciáveis apetites sexuais, chegou a dormir num colchão forrado com açafrão, na esperança de que a odorífera planta, cujas virtudes corriam o Olimpo, lhe exaltasse as paixões.

O «crocus sativus», a bela planta bulbosa da família das iridáceas, também designada por açafroeira ou açaflor, de flor lilás, cujos estigmas, finíssimos e de cor vermelha, e parte dos estiletes dão uma especiaria preciosa – a mais cara do mundo – de perfume e sabor requintados, utilizada também, desde tempos remotos, como remédio e pigmento.



O nome científico da planta deve-se à aldeia de Krokos, situada na Macedónia Ocidental, na Grécia, origem de um dos maiores volumes de produção no Ocidente.

Originário da Ásia, este tempero é muito usado na Europa, na Índia e em países árabes. Por ser muito caro, o seu uso é um pouco restrito. O açafrão é obtido dos pistilos de uma planta e enriquece os pratos com sua cor e sabor característicos. Pode ser vendido em pistilos desidratados ou em pó.

Por cá, confunde-se frequentemente açafrão com curcuma, conhecida por açafrão-das-Índias, produto que se popularizou nos últimos 30 anos. Nos Açores usa-se ainda um outro produto de baixa qualidade: a açafroa ou cártamo, da qual também é extraído um óleo.


 Curcuma

Cártamo

Se se pensar que são necessárias cerca de 100 mil flores para se obter 1 kg de açafrão e que a colheita, efectuada entre Outubro e Novembro, é inteiramente feita à mão, o mesmo acontecendo com a monda (operação que consiste em separar os estigmas da flor), percebe-se por que motivo os preços do açafrão são muitas vezes comparados aos do ouro.

João Reboredo
________________________________________________

AS “NOVAS” REALIDADES: COMPETÊNCIAS DO CHEFE DE COZINHA E DO DIRECTOR DE FOOD & BEVERAGE 

Publicado a 14 de Setembro de 2012 

Vou abordar, de forma ligeira, a questão das capacidades técnicas e comportamentais da função de chefe de cozinha ou cozinheiro com funções de chefia ou liderança de processos.

Sigo, de perto e com a devida vénia, artigo publicado na Portugal Gastronómico, revista da especialidade e cuja revisão me esteve cometida.

Nos melhores restaurantes, sobretudo na Europa, encontramos um chefe restaurador, e isto porque os chefes de cozinha conseguiram criar competências onde o negócio de restauração tem de ser gerido como um todo: não existem diferenças entre a decoração do espaço, o funcionamento da sala ou da cozinha, os conhecimentos de marketing, a capacidade de lidar com os clientes, as noções de gestão.

Nas grandes e médias estruturas faz todo o sentido que seja o líder a definir a sua estratégia, as suas metas e objectivos: planear e orçamentar, gerir rácios, quer sejam os de matéria-prima quer sejam os de pessoal, etc.

Organiza e preenche as funções de cada membro da equipa de trabalho, que vai desde o secretariado que vende eventos, passando pela telefonista que atende o telefone, o barman que serve um aperitivo, o escanção que concilia o menu com os vinhos até ao cozinheiro que executa a sua visão culinária e o “planchard” que trata de manter toda uma bateria de trabalho incólume. Cada vez mais, o chefe de cozinha é visto como um director de F&B ou existe uma ligação muito estreita com.

É necessário criar competências aos nossos chefes para que eles possam desempenhar um papel fundamental nas suas estruturas e ai temos que, mais uma vez, ver o que hoje consideramos como chefe de cozinha e quem tem competências para os formar.

Há casos de grande sucesso de chefes portugueses que podem ombrear com os melhores chefes de cozinha do mundo mas, infelizmente, isso não é regra. É fundamental pôr cobro a um sem número de situações que se passam com os chefes mas, acima de tudo, na hotelaria, em geral e na restauração, em concreto.

Neste sector todos podem entrar, quer tenham formação própria quer não e depois tudo é colocado no mesmo saco sem se ter noções das consequências nefastas que isso traz, não só à área da hotelaria mas, sobretudo, à imagem de Portugal e dos seus profissionais.

Temos uma área de serviços ligado à hotelaria e restauração, com um peso considerável no nosso PIB, e não podemos parar. Para isso é fundamental regular o mercado a fim de criar condições de excelência para uma área tão vital como a hotelaria e só com quadros altamente competentes poderemos aspirar a objectivos com esse peso.

Ao chefe de cozinha hoje já é pedido que crie os seus objectivos, as suas receitas, os seus custos, os seus proveitos, o seu produto e meio envolvente. Já não é somente um gestor de custos, é essencialmente um gestor de proveitos que tem de ter a capacidade de criar mais valias para a sua área.

João Reboredo


___________________________________________________

sábado, 1 de dezembro de 2012

BDpress #382: JOSÉ VILHENA – UM CAVALHEIRO RESPEITÁVEL – JORGE SILVA NO PÚBLICO “REVISTA 2”



UM CAVALHEIRO RESPEITÁVEL 

As taras das suas personagens [Vilhena] mantêm uma imagem indelével da sordidez política e moral lusitana 

Público, revista 2, 18 Novembro 2012 

Jorge Silva 

Com a censura, o Estado Novo bem cedo re­legou o desenho de humor impresso para estafadas piadas de maridos enganados, sogras detestáveis e mulheres ninfomaníacas. Pelos anos 1960, o regime apodrecia lentamente e José Vilhena (Figueira de Cas­telo Rodrigo, 1927) fixava nas suas novelas auto-editadas um retrato cru da sociedade portuguesa: a igreja corrupta e manhosa; a alta burguesia lúbrica e abichadora de tachos, os latifundiários boçais e marialvas. O povo não saía melhor no retrato: alarve, servil e invejoso. Toda a pirâmide social unida, enfim, na ganância do lucro e da carne. Mas o lápis azul não dormia e Vilhena e os seus livros eram clientes assíduos da DGS [Direcção Geral de Segurança, desde 24 de Novembro de 1969 - atá essa data era denominada PIDE, Polícia Internacional e de Defesa do Estado], apesar da distribui­ção quase clandestina por quiosques e botequins. No seu livro A Cama, de 1971, o autor queixava-se com suprema ironia:

"Desgraçadamente, sabeis, porém, como venho sendo contrariado quando pretendo realizar-me artisticamente... Por tudo e por nada, a censura cai-me em cima, não me perdoando a mais ínfima liberalidade, encontrando o mal onde não havia senão inocên­cia e atribuindo-me intenções equívocas que jamais aflora­ram o meu espírito."

Vilhena publicou 52 livros entre 1960 e 1974, saturados de sexo e recheados de suges­tivas ilustrações nas capas e no interior. Por estes livros passam os narizes masculinos mais escrofulosos, as carnes femininas mais tentadoras, as fatiotas e cenários capazes de condensar, num detalhe, toda uma época. Vilhena, se não tinha o traço erudito de um Abel Manta, tinha um re­quintado preciosismo gráfico, enganadoramente popular. E, obviamente, mais diver­tido. A licenciosidade visual estava afinada com os ventos da libertação sexual que assolavam a Europa conservadora e com as Blanche Éphiphanie e Paulette de Georges Pichard, ilustrador e banda-desenhista francês. O Portugal dos seus livros parecia assim uma versão pelintra da França rançosa da época. Vilhena alinhou no regabofe geral pós-25 de Abril com as piratarias fotográficas da Gaiola Aberta, mas a sua produção ilustrada saiu razoavelmente incólume da porno-chachada geral. O traço simplificou-se até um discutí­vel kitsch digital, mas a virulência do humor e as ta­ras das suas pe­sonagens mantêm uma imagem in­delével da sordi­dez política e mo­ral lusitana, e que ganha agora um inquietante revivalismo.

http://almanaquesilva.wordpress.com/









______________________________________________________________

BIOGRAFIA

José Alfredo Vilhena Rodrigues (Figueira de Castelo Rodrigo, 7 de Julho de 1927) é um escritor, pintor, cartoonista e humorista português. Frequentou a Escola de Belas-Artes do Porto, mas não chegou a concluir o curso de arquitectura.

Filho de uma professora primária e de um proprietário agrícola, passa a sua infância na aldeia de Freixedas, concelho de Pinhel. Aos dez anos de idade foi estudar para Lisboa, indo no meio da adolescência para o Porto, onde realizou um ano de tropa. Cursa arquitectura na Escola de Belas-Artes do Porto, mas fica pelo quarto ano, já que começa a desenhar para jornais.

Fixa-se em Lisboa, na zona do Bairro Alto, onde desenha cartoons para os jornais "Diário de Lisboa", "Cara Alegre" e "O Mundo Ri" (de que foi co-fundador) durante os anos 50. Publica em 1956 Este Mundo e o Outro, a sua primeira colectânea de cartoons, e em 1959 Manual de Etiqueta, livro de textos humorísticos.

Durante os anos 60 a sua actividade de escritor desenvolve-se. Com o fim da revista "O Mundo Ri", publica uma grande quantidade de livros com textos humorísticos. Esses seus mesmos livros e desenhos, muitos deles usando a Censura como tema de paródia, provocaram-lhe problemas com a polícia, mais concretamente com a PIDE, que lhe apreendeu constantemente escritos e lhe causou três estadias na prisão, em 1962, 1964 e 1966. Isso tornou-o muito popular na época. Até ao 25 de Abril de 1974 Vilhena redigiu cerca de 70 livros.

Em 1973, Vilhena inicia a publicação, em fascículos, da Grande Enciclopédia Vilhena, que virá a interromper após a Revolução dos Cravos, em 1974, para dar início à publicação da revista Gaiola Aberta, cujo primeiro número sai logo a 15 de Maio desse ano. Esta revista de textos e cartoons humorísticos foi mantida por ele durante vários anos, satirizando a sociedade da época o que o levou a ser perseguido e a responder várias vezes em tribunal tendo ficado quase na banca rota.

Um interregno de quatro anos ocorreu depois devido a uma fotomontagem que envolvia a princesa Carolina Grimaldi [do Mónaco], da qual foi alvo de um processo judicial de que se defendeu com sucesso.

Vilhena volta assim com O Fala Barato, numa primeira edição em forma de jornal e mais tarde em revista. Depois de deixar de ser publicada seguiu-se O Cavaco e mais recentemente O Moralista.

in Wikipédia

Ver AQUI O Universo de José Vilhena

Cartaz da Conferência Comemorativa dos 85 anos de José Vilhena, em 7 de Julho de 2012

__________________________________________________________

 
Locations of visitors to this page