sexta-feira, 5 de abril de 2013

BDpress #359: O AMOR NOS TEMPOS DA SIDA - COMPRIMIDOS AZUIS - J.M.Lameiras no Diário As Beiras


Frederik Peeters - autorretrato

O AMOR NOS TEMPOS DA SIDA 

 Capa original e sobrecapa da Devir...

Diário As Beiras, 23 Março 2013 

João Miguel Lameiras 

Depois da verdadeira pedrada no charco que foi a edição portuguesa de “Blankets”, de Craig Thompson, a Devir enriquece a coleção “Biblioteca de Alice”, com mais uma excelente novela gráfica, “Comprimidos Azuis”, de Frederick Peeters.

Nascido em Geneve em 1974, Peeters é um desenhador e ilustrador suíço, com uma obra relativamente vasta publicada no mercado franco-belga, tanto a solo como em colaboração com diferentes argumentistas, mas este “Comprimidos Azuis”, publicado em 2001, foi o livro que lhe valeu maior prestígio, traduzido no Prémio Topffer, atribuído pela cidade de Geneve, em 2001 e na nomeação para o Alph’Art de Melhor álbum no Festival de Angoulême em 2002, prémio que acabaria por perder para “Isac, O Pirata”, de Cristophe Blain.

História autobiográfica, centrada na vida de Peeters com a sua companheira e o filho dela, que são seropositivos (os comprimidos azuis do título, são os retrovirais que eles têm que tomar para impedir que a doença ataque o seu sistema imunitário), “Comprimidos Azuis” é o relato do quotidiano de uma família, que tenta viver uma vida normal, apesar da ameaça da doença. Um relato simples e extremamente humano, com momentos de humor e outros de angústia, tratados com um traço propositadamente simples e quase esboçado, que busca uma espontaneidade total, longe do aprumo gráfico de outro trabalhos de Peeters, como “Pachiderme”, ou “Chateau de Sable”.

Como refere o próprio Peeters, numa entrevista a Thiery Bellefroid: “o livro foi feito com a maior inconsciência. A ideia não era fazer um livro, mas sim um diário de uma relação. Impus-me como limitação não redesenhar ou reescrever nenhuma página. As soluções técnicas também foram voluntariamente simples, para ir directo ao essencial: papel de fotocópia A4, caneta preta para o texto e caneta-pincel para o desenho. A ideia do livro só surgiu ao fim de 35 páginas, quando dei a ler o começo a Daniel Pellegrino, o editor da Atrabile, para saber a opinião dele.”

Mais de uma dezena de anos depois, mais de cinquenta mil livros vendidos, entre uma dezena de edições e outras tantas traduções, o livro chega finalmente às livrarias portuguesas, onde já se encontram outros títulos representativos da autobiografia em BD, como o já citado “Blankets”, mas também “Persepolis”, de Marjane Satrapi, ou “Fun Home”, de Alison Bechdel. Sem a carga literária (nem o pretensiosismo) de “Fun Home”, nem a relevância histórica de “Persepolis”, “Pílulas Azuis” é bastante superior em termos gráficos a estes dois títulos, pois, mesmo optando por um registo mais esboçado, Peeters é muito melhor desenhador, do que Satrapi ou Bechdel alguma vez serão, e as soluções visuais que encontra, como o rinoceronte que o segue, ou o mar que embala o sofá, enquanto conversam, são muito bem conseguidas.

Quanto à edição da Devir, bem impressa e de capa dura, tem o ligeiro senão de (tal como já acontecia com o “Blankets”) ter uma sobrecapa bastante menos conseguida do que a capa original que esconde.

(“Comprimidos Azuis”, de Frederik Peeters, Devir/Biblioteca de Alice, 198 pags, 24,99 €)

 
 

Recordamos que já havíamos republicado aqui a opinião se José Mário Silva, sobre este livro, publicada originalmente no Expresso - ver AQUI.

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quinta-feira, 4 de abril de 2013

ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI NO KUENTRO (1)


CNBDI
CENTRO NACIONAL
DE BANDA DESENHADA E IMAGEM


O Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem (CNBDI) foi inaugurado em Setembro de 2000, com objectivo central da promoção da banda desenhada e das artes que lhe são próximas: ilustração, cinema de animação e outras.

Além de uma biblioteca especializada, centro de edição e pesquisa e arquivo de originais, o CNBDI dispõe, ainda, de uma galeria onde realiza exposições que traduzem as diversas tendências da BD e Imagem. Nesta galeria continuará a exposição Encontro Imaginário com Fernão Mendes Pinto, ao que julgamos até 2014.

Os objectivos da constituição deste fundo de originais são o seu tratamento e futura disponibilização para estudo, bem como a sua utilização em exposições no País e no estrangeiro.

 
 
 

Actividades

O CNBDI proporciona aos mais novos actividades de animação e formação. As exposições que produz são organizadas tendo em conta, também, um público mais jovem. Assim, organiza actividades de animação e visitas guiadas para as escolas que visitam as diversas exposições, mediante marcação prévia.

Durante o ano lectivo, e nas férias também, organiza iniciativas para que os mais jovens possam, com os colegas ou mesmo com os professores, participar em acções de formação: ateliês de banda desenhada, de escrita criativa, faz fanzines e iniciação à banda desenhada.

Para um público mais adulto, o CNBDI organiza há mais de um ano o encontro mensal Às Quintas Falamos de BD - sempre na última quinta feira do mês, tendo sido no encontro de dia 28 de Fevereiro, que inaugurou a exposição que destacamos acima.

Colecção

A colecção do CNBDI tem mais de dez mil livros e obras de referência, mais de mil títulos diferentes de publicações periódicas e fanzines. A biblioteca especializada tem capacidade de resposta para as mais variadas solicitações, desde o público escolar – alunos e professores – até aos especialistas de banda desenhada, jornalistas, críticos e editores.

Valioso património de originais, o acervo do CNBDI – único no País – conta já com mais de 15 mil originais de pranchas e esboços dos autores Artur Correia, Augusto Trigo, José Ruy, Eduardo Teixeira Coelho, José Garcês, Victor Péon, José Carlos Fernandes, Luís Louro, João Fazenda, Nuno Saraiva, Miguel Rocha, Pedro Mota e Jorge Mateus.

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AMIGOS DO CNBDI (1) 

Amizade é o sentimento que liga e afeiçoa uma pessoa a outra. Mas podemo-nos afeiçoar e criar amizade com um objeto ou até por uma instituição. Foi assim que fiquei amigo do CNBDI, Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, da Amadora. Isto porque tive o privilégio de estar ligado ao seu nascimento.

Em 1996 o Dr. Luís Vargas, então a dirigir o Festival de BD da Amadora que ia no seu sexto ano, anunciou-me a criação de um Centro de BD que organizasse iniciativas durante o período entre dois Festivais, para evitar o hiato então existente. Tinham já uma instalação própria na base de um prédio de habitação, que não sendo a ideal dava para começar. Estava previsto montar um arquivo só para pranchas de BD e descreveu-me o seu apetrechamento, os armários em aço, o material «PH neutro» para preservar os originais de ácaros e humidades, os dispositivos para bombear água numa possível cheia, com três níveis e um dínamo que entraria em funcionamento no caso da corrente elétrica ser cortada e, claro, a defesa contra incêndio e também com uma ligação direta ao quartel dos bombeiros.

O arquivo ficaria dentro de um «bunker» a construir no meio do espaço «menos um» e no andar de cima, o térreo, seriam instalados os escritórios e uma biblioteca para o que já possuíam alguns livros oferecidos por autores portugueses e estrangeiros, estes convidados a estarem presentes nos Festivais.

Como é do conhecimento geral estive também ligado à criação do Salão de Homenagem ao Tiotónio, em 1990, que pelo seu êxito se transformou em Festival a partir do ano imediato. Por isso encarei esse novo projeto com grande satisfação pelo que ia representar para a Banda desenhada e para a Amadora em especial.

Disponibilizei-me logo incondicionalmente para colaborar no que o diretor do Festival achasse conveniente e estivesse nas minhas competências. O Dr. Luís Vargas sabia que a oferta era sincera, pois eu já dedicava a minha colaboração nos Festivais, não apenas emprestando pranchas desenhadas para exposição, mas pintando painéis, por vezes muito grandes ou, por exemplo, construindo a maqueta de uma nau para os carpinteiros executarem em tamanho natural. Tudo isto sem prejuízo dos prazos que a Editora ASA me exigia, pois na altura fazia parte dos quadros da Empresa, mas conseguindo sempre um tempo para ajudar, mesmo com sacrifício de horas de sono.

A instalação do CNBDI foi tomando forma e muito antes de entrar em funcionamento, tinha já a minha amizade.

José Ruy 

(continua...)

João Paiva Boléo, José Ruy e Osvaldo Macedo de Sousa, na biblioteca do CNBDI

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E porque o CNBDI é importante, criámos no Facebook uma página de amigos do
CNBDI - CENTRO NACIONAL DE BANDA DESENHADA E IMAGEM
https://www.facebook.com/amigosdoCNBDI

Adira a esta página!!!

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quarta-feira, 3 de abril de 2013

BDpress #358: VIDA DE STEVE JOBS EM VERSÃO MANGA e (última hora): MORREU FRED



VIDA DE STEVE JOBS 
EM VERSÃO MANGÁ 

Público online, 25/03/2013 

Uma revista japonesa começou a publicar, em capítulos, a história da vida de Steve Jobs em formato mangá, a banda desenhada típica do Japão.

A banda desenhada é uma adaptação da biografia autorizada escrita pelo americano Walter Isaacson e a narrativa arranca do ponto de vista do biógrafo.

O primeiro capítulo chegou nesta segunda-feira às lojas, na edição de Abril da revista Kiss (que, apesar do nome, é escrita em japonês). Mas as primeiras páginas foram também colocadas AQUI online. Mostram Isaacson a falar com Jobs enquanto caminham (as longas caminhadas para conversas eram uma das características do fundador da Apple descritas na biografia oficial) e o empresário lhe pede para que seja o seu biógrafo.

Depois das reticências iniciais, Isaacson acaba por aceitar escrever o livro e a narrativa recua para os tempos de infância de Jobs, em que este se debate com a questão de ter sido adoptado, avançando depois rapidamente para o período da faculdade em que o protagonista conhece o outro fundador da Apple, Steve Wozniak.

A Kiss, que traz uma chamada de capa para a banda desenhada, é uma revista mensal destinada ao público jovem feminino.





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___________________ ÚLTIMA HORA ___________________

MORREU O AUTOR FRANCÊS 
DE BANDA DESENHADA FRED
CRIADOR DE "PHILÉMON" 

Frédéric Othon Aristidès "Fred" (1931-2013)

Sol online, 3 de Abril, 2013 

O autor francês de banda desenhada Fred, um dos nomes da BD franco-belga, criador da série "Philémon", morreu na terça-feira, aos 82 anos, anunciou hoje a editora Dargaud. 

Fred, nome artístico de Frédéric Othon Aristidès, de ascendência grega, nasceu em Paris, em 1931, e estreou-se no desenho humorístico numa publicação para crianças, mantendo, durante vários anos, colaborações com vários jornais franceses. 

En 1966, René Goscinny, então editor na revista Pilote, publicou "La Clairière des trois hiboux", o primeiro episódio protagonizado por uma das personagens mais conhecidas criadas por Fred, Philémon. 

Entre as obras publicadas, além da série Philémon - da qual está editada um volume em Portugal - contam-se, por exemplo, "Le Petit Cirque", "A história do corvo de ténis", "A história do contador eléctrico" e "O diário de Jules Renard lido por Fred", títulos também editados no mercado nacional. 

Fred foi um dos poucos autores de banda desenhada a ser duas vezes premiado no festival de Angoulême, em 1980 e em 1994, ano em que foi distinguido com o álbum "A história do corvo de ténis". 

Em Portugal foi premiado como o melhor autor estrangeiro, no Festival de Banda Desenhada da Amadora, em 1995 e 1997. 

O autor francês também trabalhou em televisão e em cinema. Foi conselheiro do Governo francês para a área da banda desenhada.




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terça-feira, 2 de abril de 2013

JOBAT NO LOULETANO — 9ª ARTE — MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA (C e CI) — JOSÉ RUY SOBRE EDUARDO TEIXEIRA COELHO (21 e 22)




NONA ARTE 
MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA 
(C - CI)

O Louletano, 23 de Julho de 2007 

(...Continuação)

O ARTISTA, O MESTRE, O COMPANHEIRO, O AMIGO - 21 
Recordações de Tertúlia confidenciadas por José Ruy 

» Uns anos mais tarde, já o meu amigo Coelho estava radi­cado em França, consegui com o E. Carradinha finalmente editar «O Mosquito» em 2ª série.

Mas os tempos eram ainda mais difíceis então. E ao fim de 30 números tive de interromper a sua publicação... e ficar anos a pagar o dinheiro que entretanto me tinham emprestado para o empreendimento. Pobrezinho mas honesto.

Capa do N° 1 de "O Mosquito", segunda série, volume 1, saído em 16 de Novembro de 1960, publicado por José Ruy, autor destas memórias

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Em fins de 1950, num dia gélido em que o E.T. Coelho - sentia mais frio por dentro do que por fora, resolveu angariar um trabalho de publicidade.

Claro, que podia ir a uma agência da especialidade e habi­litar-se a executar uns anúncios nos moldes tradicionais, mas o Coelho já naquela época não era um vulgar profissional. Passou então a vista pelas empresas que poderiam dar publicidade, debruçou-se na «Companhia de Cervejas», na altura sem concorrência, e pensou na melhor maneira de aplicar o seu potencial artístico numa publicidade até aí inédita em Portu­gal. Fez umas ilustrações a tinta da China (melhor, uns quadros à pena) e apresentou-se na direcção da Companhia, sugerindo a publicação nos jornais diários de uma sequência contando a história da cer­veja através dos tempos... dos egípcios até aos nossos dias. Recebido primeiro na rotina dos an­gariadores que sistematicamente os assediavam, os respon­sáveis debruçaram-se imediatamente no trabalho do artista. A despedida, teve honras de acompanhamento até à porta, demonstrando sem retraimento o quanto estavam gratos por ele se ter lembrado primeiro daquela Empresa.

- Sabe - disseram-lhe - todos os dias nos chegam publicistas com ideias e ofertas que não chegam a concretizar, ou que no final não correspondem em nível ao resultado prometido. O senhor pelo contrário, apresenta-nos já um trabalho pronto e uma ideia completamente inédita.

Pouco tempo depois, uma antiga marca de licores solici­tava do Coelho uma série de anúncios nos mesmos moldes, contando a história dos licores no decorrer dos tempos. Esse trabalho resultou em verdadeiras obras-primas, pequenos tratados de desenho à pena. Conseguiu o mesmo volume, o mesmo poder de expressão, o mesmo movimento e compo­sição dos grandes mestres da pintura nas suas telas a óleo. Isso apenas com um aparo, tinta da China e um papel barato de desenho, de fabrico português; bons tempos quando nós, os ilustradores portugueses, tínhamos um papel nacional que aguentava tinta da China. Agora tem de ser importado. »»

Desenho publicitário executado por E.T. Coelho para uma conhecida marca de cervejas

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O Louletano, 30 de Julho de 2007 

O ARTISTA, O MESTRE, O COMPANHEIRO, O AMIGO - 22 
Recordações de Tertúlia confidenciadas por José Ruy 

» Estas iniciativas, a par do seu saber, provam mais uma vez que Eduardo Teixeira Coelho é realmente um génio. O verdadeiro génio é o que consegue pôr o ovo em pé pela primeira vez, como Cristóvão Colombo. Todos os outros que vêm a seguir fazer o mesmo, só depois de terem visto como é, não passam de «partidores de ovos». O Coelho chamava-lhes «académicos», aos que sempre seguem as pisadas... de um Da Vinci, de um Rubens, de um Picasso. Fazem obras à maneira dos outros, no mesmo estilo e com a mesma técnica, mas sem personalidade própria. E quantas vezes esses seguidores se tomam mais conhecidos do que o verdadeiro Mestre, até que o tempo faça a sua justiça.

Pois o Coelho pôs alguns «ovos em pé» para que muitos vissem como se fazia.

Criou uma técnica, um estilo e todo um processo, que motivou na Península Ibérica uma lufada de ar fresco, quase uma corrente de ar. Podemos observar nos seus primeiros desenhos publicados na «Colecção Aventuras» e no «Engenhocas» das Edições «O Mosquito», uma preocupação maior em apresentar um bom desenho do que uma técnica «bonita», podemos rever essa época do artista. Usava pincel, nem sempre novo e a «fazer bico», pois até com material em mau estado ele tirava efeitos convenientes. Nessa altura, que abrange as ilustrações das novelas «Suniana, o rebelde» e «Jim West», no «Mosquito», vemo-lo com uma técnica segura e viril, como um Matt Clark, ilustrador americano.

O mestre Rodrigues Alves frequentava a Sociedade Nacional de Belas Artes, na Rua Barata Salgueiro, em Lisboa, onde praticava desenho nas aulas noc­turnas. Travou aí conhe­cimento e mais tarde uma grande amizade com um rapaz que também queria aperfeiçoar o seu dese­nho. Logo de inicio esse rapaz se evidenciou, e o professor achou que nada mais lhe podia ensinar. Tratava-se do Coelho. O mestre Alves levou-o a sua casa e mostrou-lhe as ilustrações dos jornais americanos. O nosso ami­go Coelho tomou con­tacto com processos de execução a preto e branco de artistas novos para si, como um Matt Clark, um Milton Caniff, Fred Harman, Rex Maxon, ou um Alex Raymond e Harold Foster. Os primeiros trabalhando a pincel, e os dois últimos com aparos metálicos utilizando o pincel apenas como apoio.

O mundo estava em guerra e os materiais de desenho, como outros importados eram de difícil aquisição. Os pincéis de Marta rareavam e eram muito caros, estragando-se rapida­mente com a tinta da China; isto levou o Coelho a trocá-los pelos aparos metálicos. Então, nas zonas de desenho que até aí ele resolvia com manchas arrojadas de negro, repre­sentando sombras, passou a trabalhá-las à ponta de aparo, preocupando-se em conseguir as meias-tintas existentes dentro das sombras, até nas mais densas. Os seus desenhos começaram a ter um aspecto diferente, devido ao material usado, o aparo, fazendo lembrar o Alex Raymond ou o Hal Foster, mas a sua base de desenho nada tinha a ver com esses desenhadores, nem mesmo a sua técnica.

Quem conhece os suplementos dominicais dos jornais americanos, de grande formato, pode verificar o encanto pro­duzido pelas páginas do Foster, que continham apenas sete ou oito desenhos, o que permitia que cada um tivesse dimensão suficiente para se apresen­tar como um quadro, rico de pormenores.

Alex Raymond, Cani­ff e outros, dispunham só de meia página ao baixo, onde incluíam cerca de 9 ou 10 desenhos. O Coelho que só conhecia 88 repro­duções já coloridas dos jornais, resolveu passar a tinta da China uma página, para ver o seu efeito a preto e branco.

Em 1948, já nos era possível ver provas a preto, impressas em papel Couche, enviadas pela «King Features Sundicate» para a Europa. Há uma grande diferença entre o ver como outro artista resolve certos problemas e aproveitar essas soluções como suas. Por influência do Coelho, tenho preterido fazer tantas vezes desenhos imperfeitos, mas conseguidos só com o meu esforço, estudando directamente os elementos.

Há 37 anos que estudo a natureza, os animais, a figura humana, e hoje continuo a usar modelos vivos para as his­tórias que faço, sem receituário.

Usar uma técnica «à Coelho» ou «à qualquer outro», é como que vestir o fato de outra pessoa, com as mangas curtas e as calças a cair...

Desenho publicitário executado por E.T.Coelho para uma conhecida marca de licores

(Continua...)

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27 e 28

Baseado no conto de Eça de Queiroz 
Desenhos de Eduardo Teixeira Coelho

 

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segunda-feira, 1 de abril de 2013

O AMOR INFINITO QUE TE TENHO DE PAULO MONTEIRO EDITADO NA POLÓNIA


O AMOR INFINITO QUE TE TENHO
DE PAULO MONTEIRO
EDITADO NA POLÓNIA


Instituto Camões online, 22 Março 2013 

O álbum de banda desenhada O amor infinito que te tenho e outras histórias, da autoria do português Paulo Monteiro, acaba de ser editado na Polónia, noticia o boletim electrónico do Camões, IP em Varsóvia.

O livro, editado em Portugal em finais de 2010, foi traduzido por Jakub Jankowski e dado à estampa pela editora "timof comics".

Esta extraordinária colectânea de contos de tom poético, que estavam dispersos por fanzines e outras publicações antes de reunidos e editados pela editora Polvo em Portugal, é o quinto livro de BD portuguesa a ser editado na Polónia, segundo o boletim electrónico do Camões, IP de Varsóvia. 


Paulo Monteiro é um autor português de BD e, desde 2005, director do Festival de Banda Desenhada de Beja. Em 2011, o álbum agora publicado na Polónia foi galardoado com o prémio para o melhor álbum de banda desenhada, no Festival Internacional Amadora BD. Em 2012, Paulo Monteiro foi o autor em destaque na 23.ª edição do mesmo festival.


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