segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

BDpress #446: APRESENTAÇÃO DA COLECÇÃO XIII NA FÁBRICA 22 – PÚBLICO/ASA

APRESENTAÇÃO 
DA COLECÇÃO XIII NA FÁBRICA 22
COM DIREITO A UM LASER TAG 
A PENSAR EM JASON FLY-STEVE ROWLAND

PÚBLICO, 5 Dezembro, 2014

Da esquerda para a direita: Carlos Pessoa, Vítor Mota (Edições ASA) e Nuno Pacheco (PÚBLICO)

O herói sem identidade pessoal nem memória começou esta semana a sua aventura com o PÚBLICO. São 11 álbuns duplos com 22 episódios, na sua maioria inéditos em Portugal

Quem esteve na segunda-feira à tarde na Fábrica 22 (em Alvalade, Lisboa) para assistir ao lançamento da nova colecção de banda dese­nhada do PÚBLICO, recebeu o pri­meiro álbum da colecção XIII, com as duas últimas aventuras da série (Regresso a Greenfalls e A Mensa­gem do Mártir, esta última lançada mundialmente na semana passada). Mas havia outra prenda associada e essa, sim, inesperada: um par de algemas.


A explicação para esta oferta foi dada depois por Luís Saraiva, das Edições ASA, ao dizer que o desafio da parceria PÚBLICO-ASA é, preci­samente, prender os leitores à co­lecção desde o primeiro ao último álbum: "Queremos que vistam a pele do XIII."

É uma imagem forte para pro­mover a colecção e faz sentido. A própria série, por seu lado, dá uma forte ajuda nesse sentido, pois tem todos os ingredientes para assegu­rar essa ligação duradoura. As in­certezas, enigmas e mistérios em torno da identidade do herói e da sua demanda para compreender quem é e, sobretudo, o que fez no passado, dão forma ao corpo nar­rativo essencial dos diversos episó­dios. Como cada resposta a essas questões é sempre provisória e dei­xa a narrativa em aberto, compre­ende-se facilmente por que razão a série, criada em 1984 por Jean Van Hamme (argumento) e William Van­ee (desenho), é um dos ícones da banda desenhada franco-belga con­temporânea, batendo a cada novo álbum todos os recordes de vendas, que actualmente é da ordem das centenas de milhares de cópias.

Há um terceiro factor que joga a favor desta colecção: é a primeira vez que ela se publica na íntegra em Portugal, o que significa que mais de metade dos 22 episódios que a compõem são inéditos.

Esta iniciativa do PÚBLICO e das Edições ASA vem na linha do que as duas empresas fazem há uma déca­da ao publicarem banda desenhada de qualidade.

Nuno Pacheco, director adjunto do PÚBLICO, evocou os êxitos pas­sados, de Corto Maltese a Astérix, passando por Lucky Luke, Spirou, Blueberry, Blake e Mortimer, Alix, Gaston, Thorgal, Michel Vaillant e outros, que já venderam um acu­mulado de mais de dois milhões de álbuns. Com esta colecção, acres­centou, "é mais um passo que se dá na edição de BD em Portugal". Reafirmou o empenho do PÚBLICO em continuar a divulgar boa ban­da desenhada, garantindo que se quer continuar a "apostar em ideias novas", pois este é "um nicho com gente muito exigente e interessa­da".

Vítor Silva Mota, editor da ASA, disse estar muito orgulhoso da par­ceria mantida com o PÚBLICO para a edição de banda desenhada em Portugal, revelando que há novos projectos em marcha, os quais se­rão oportunamente revelados.

Referiu-se depois à construção desta colecção, que enfrentou ini­cialmente alguma reserva dos de­tentores dos direitos internacionais, por "desconfiarem da nossa capa­cidade de a produzir". A verdade é que, uma vez concretizada, eles foram os primeiros a manifestarem-se muito satisfeitos com o resulta­do: "Deram-nos os parabéns pelo produto final, tanto em termos es­téticos como de colecção."

O jornalista e crítico de BD Carlos Pessoa [ex-colaborador do PÚBLICO] fez a apresentação da série XIII, surgida há um pouco mais de três décadas nas páginas da revista Spirou. Lembrou que o seu êxito no mercado franco-belga contrasta com a até agora pobre carreira da série em Portugal, onde foi publi­cada de forma muito parcial e er­rática. Para isso contribui em gran­de medida, na opinião do crítico, o grande talento de Van Hamme, uma espécie de "rei Midas" do ar­gumento, responsável pelo sucesso de séries tão distintas como Thor­gal, Largo Winch ou XIII.

Inicialmente inspirada num ro­mance de Robert Ludlum, escri­tor norte-americano de thrillers de grande sucesso (o ciclo Jason Bourne, levado ao cinema, é um dos mais conhecidos), XIII descreve a longa, complexa e perigosa saga de um homem que perdeu a memó­ria e a identidade pessoais.

Ao correr atrás da sua própria memória perdida, o herói mergu­lha na zona sombria e muito peri­gosa da história contemporânea dos Estados Unidos. Essa é, por­ventura, uma das chaves para a compreensão do sucesso de XIII, que Vance tão bem soube traduzir em imagens.

A escolha do espaço da Fábrica 22 para apresentar a colecção XIII não foi fruto do acaso, como se constatou no final do lançamento. Os 500 metros quadrados da área de laser tag indoor de que dispõe (um cenário real de guerra com áre­as distintas de labirinto urbano e floresta) permitiram aos presentes no lançamento impregnar-se um pouco, em tempo real, da atmos­fera de acção, aventura, mistério e perigo (este, aqui apenas de forma simbólica) que caracteriza as aven­turas de XIII.

Com menos acção, mas com a mesma "adrenalina", os aprecia­dores de boa banda desenhada po­dem a partir de agora mergulhar no complexo e extraordinário universo de XIII, um herói sem nome, identi­dade e memória. São 22 aventuras em 11 álbuns duplos.

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QUARTA-FEIRA DIA 10 DE DEZEMBRO
LANÇAMENTO COM O JORNAL PÚBLICO


O Dia do Sol Negro - Para onde Val o índio... 
Jean Van-Hamme (argumento) e William Vance (desenho) 
Álbum 1 da colecção XIII Quarta-feira, 
10 de Dezembro Por+ C 7,90

Um casal de refor­mados, Abe e Sally, encontram um jovem náufrago na praia e recolhem-no em sua casa. Particularidades: tem tatuado o número XIII na clavícula e está completamente amné­sico, pois não sabe o seu nome, nem se lem­bra das suas origens. Alguns meses depois o casal é assassinado por dois homens. O herói sem nome, conhecido pela designação de XIII, consegue matar um deles e, revistando-o, encontra uma foto sua ao lado de uma mulher...

Assim começa O Dia do Sol Negro, primeiro episódio da colecção XIII (argumento de Jean Van-Hamme e desenhos de William Vance).

O mesmo álbum, que será distri­buído esta semana com o PÚ­BLICO, inclui Para onde Vai o índio, segundo capítulo da série, assina­do pelos mesmos autores. XIII vai visitar a família do capitão Steve Roland, o ho­mem que supos­tamente ele terá sido, pois tem o seu aspecto físi­co e as suas impressões digi­tais. Mas o pai de Steve, um abastado pro­prietário agrí­cola, é assassinado pela mulher, que cobiça a vasta herança e não hesita em acusar o herói daquele crime.

Detido e condenado, é levado para um estabelecimento prisional de alta segurança.

Vistos à distância de três décadas - a série surgiu pela primeira vez nas páginas da revista de BD Spirou, em Junho de 1984 -, estes primeiros passos já contêm tudo o que fez de XIII um caso muito sério de popu­laridade e mesmo de culto.

O argumento é, desde as primei­ras imagens, muito envolvente, lançando o leitor num turbilhão de peripécias e situações. Alan-XIII-Jake Shelton é, de certa forma, um anti-herói rodeado por uma nuvem de mistério; tudo convida a segui-lo no labirinto em que procura referên­cias biográficas, memórias e pessoas que ajudem a responder à questão fulcral: quem sou eu?

William Vance conta no seu pal­marés uma mão-cheia de obras de grande qualidade (de Howard Flynn a Bruno Brazil, de Ramiro a Bob Morane e Marshal Blueberry) e mostra em XIII todos os seus atributos grá­ficos. O desenho realista da série é muito preciso e detalhado, sem er­ros ou incongruências a assinalar.

Em suma, os dois episódios cons­tituem uma excelente introdução ao universo deste thriler, que combina mistério e acção. Recomenda-se aos leitores que prendam os cintos de segurança...


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domingo, 7 de dezembro de 2014

A REPORTAGEM – 366º ENCONTRO DA TERTÚLIA BD DE LISBOA – 2 DE DEZEMBRO DE 2014 – CONVIADO ESPECIAL: PEDRO CRUZ

366º ENCONTRO 
DA TERTÚLIA BD DE LISBOA
ANO XXIX
2 DE DEZEMBRO DE 2014


CONVIADO ESPECIAL – PEDRO CRUZ


Nasci e cresci numa época em que os quiosques ainda tinham paredes inteiras repletas de revistas com “histórias aos quadradinhos” a preços relativamente acessíveis. Tio Patinhas, Pato Donald, Rato Mickey, Petzi, Luluzinha, Riquinho, Gasparzinho, Brazinha, Turma da Mónica, Pelézinho, Astérix, Lucky Luke, Os Estrumpfes, Spirou, Mafalda, Valérian, Fantasma, Mandrake, Flash Gordon, Príncipe Valente, Super-Homem, Batman, Capitão América, Homem-Aranha, O Incrível Hulk, O Poderoso Thor … foram algumas das muitas personagens de banda-desenhada que povoaram o meu imaginário infantil. Paralelamente, também a televisão e o cinema desempenharam um papel importante na minha formação. Os velhos desenhos animados da Warner Brothers, de realizadores como Chuck Jones, Tex Avery ou Friz Freleng, as séries da Hanna-Barbera com design de Alex Toth, as animações japonesas da Nippon Animation, com realização de Isao Takahata ou Hayao Miyazaki, os fantoches de Jim Henson e os filmes da Walt Disney, de Steven Spielberg e George Lucas foram igualmente fulcrais na fertilização da minha mente, imaginação e sensibilidade visual.

Enquanto filho único, passava horas a fio desenhando personagens e aventuras imaginadas ou copiadas das minhas bd’s e/ou séries de animação favoritas, num estilo que tentava reproduzir a mesma estética de todo esse manancial visual que se me apresentava. Os meus pais, com ou sem consciência, alimentavam o fascínio por esse universo, dando-me folhas brancas, cadernos e canetas. Deste modo, o gosto pelo desenho, filtrado pelas experiências da leitura de bd e dos desenhos animados tornou-se uma paixão. Lia muita bd, devorando e colecionando de tudo, presente e passado, europeu, americano e japonês, de um modo muito eclético e voraz. Rapidamente, passei além do interesse pelas personagens ou séries, comecei a seguir autores e a ler revistas de crítica e notícias da bd. Já não me bastavam as ficções, queria descobrir os bastidores, os processos de criação e os modos de fazer.

Já jovem adulto, iniciei a licenciatura em arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa. Na altura, pareceu-me uma escolha adequada porque tinha as notas necessárias para entrar no curso, porque parecia ter como saída uma profissão interessante e ainda me permitiria desenhar e aprender disciplinas relacionadas com arte. No entanto, nunca me senti plenamente integrado e realizado nesse meio, o qual comecei a considerar um tanto ou quanto snob e adverso, de um modo geral, à bd, e aos seus autores e leitores. Ainda durante os meus anos na faculdade, trabalhei profissionalmente em animação, um sonho antigo, que acabou por se revelar uma desilusão. A animação apresentou-se-me como uma autêntica galera romana, uma máquina onde o indivíduo é reduzido a uma rosca na engrenagem, sem margem para a expressão pessoal, muitas vezes tratado com desrespeito e mal pago. Abandonei esse caminho, concluí a licenciatura, dediquei-me ao ensino, fazendo o mestrado profissionalizante como professor do ensino básico e continuei a desenhar nos meus tempos livres, procurando evoluir e continuando a aprender, lendo e analisando obras dos mais variados autores de bd.

Ganhei dois prémios na modalidade de cartoon do concurso do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora em 2000 e 2003. Colaborei no fanzine Nimbus da FAUTL.

Tive ilustrações publicadas no XL Magazine da Associação de Estudantes do ISEL.
Participei com ilustrações, cartoons e bd’s no DN Jovem.
Desenhei dois capítulos da bd Guard Dogs, escrita por Jason Quinn para o fanzine britânico Starscape.
Desenhei a bd Helljacket escrita por Steve Zegers e publicada na norte-americana Ronin Illustrated #2 .
Auto-publiquei Pedro Cruz: Selected Sketches, uma coleção de desenhos e esboços.
Desenhei o primeiro e único número de The Kirby Martin Inquest e uma bd curta The Semite, com argumentos de Mike Hasselhoff para o selo australiano Nitelite Theatre.
Colaborei regularmente com ilustrações para a editora norte-americana Airship 27, tendo ilustrado os seguintes livros de pulp fiction: Jim Anthony Super Detective, Season of Madness, Jim Anthony Super Detective – The Hunters, Dr. Watson’s American Adventure, Three Against the Stars e Zeppelin Tales.
Participei com a comunicação “Fanzine de bd e literacia visual” nas 3ªs Conferências de Banda Desenhada em Portugal, baseada na minha tese de mestrado.
Desde Julho de 2006, publico semanalmente o meu blogue www.pedro-cruz.blogspot.com, onde tenho colocado textos, desenhos e bandas-desenhadas, destacando-se a este nível, Grace (com argumento de Arya Ponto), Cosmopolis (inacabada), WHYM, Metanoia e The Mighty Enlil. Esta última bd também foi serializada no site norte-americano comicrelated.com, tendo sido publicada em papel pelo selo editorial norte-americano Redbud Studios e pela El Pep em Portugal. A edição nacional deste livro foi nomeada para os prémios do Festival de BD da Amadora 2014 na categoria de Melhor álbum de autor português em língua estrangeira.
No último ano, colaborei com o argumentista André Oliveira em duas bd’s publicadas na revista CAIS, O Inominável Homem-Sapo e O Inominável Homem-Sapo parte II. Também fiz 4 bd’s para o fanzine Efeméride nº6 de Geraldes Lino, desenhando as personagens Conan o bárbaro, Flash Gordon, Homem-Aranha e Watchmen.

Recentemente, criei a bd Young Enlil goes to Hell, uma prequela/sequela de The Mighty Enlil, publicada na antologia CRUMBS da Kingpin Books.

Para o futuro próximo, estão planeadas colaborações com os argumentistas André Oliveira e Fernando Dordio e mais um trabalho a solo.

Posso ser contactado via e-mail através de pedrocruzcomics@gmail.com

Nomeado para o Prémio Nacional de Banda Desenhada – Melhor Álbum de Autor Português em Língua Estrangeira 


The Mighty Enlil, de Pedro Cruz (El Pep)

TERTULIANOS PRESENTES:

1. Adelina Menaia
2. Álvaro
3. Ana Oliveira
4. Ana Saúde
5. Andreia Rechena
6. António Isidro
7. Bruno Caetano
8. Bruno Carmelo
9. Catarina Cruz
10. Cristina Costa Amaral
11. Falcato
12. Fernando Dordia
13. FIL
14. Filipe Duarte
15. Gabriel Martins
16. Geraldes Lino
17. Helder Jotta
18. Inês Ramos
19. João Amaral
20. João Monsanto
21. João Tavares
22. João Vidigal
23. José Maria Pimentel
24. Manuel Valente
25. Miguel Costa Ferreira
26. Miguel Santos
27. Milhano
28. Moreno
29. Paulo Costa
30. Pedro Bouça
31. Pedro Cruz
32. Pedro Manaças
33. Policarpo
34. Rui Domingues
35. Sá Chaves
36. Sérgio Santos
37. Simões dos Santos
38. Victor Jesus
39. Vítor Nascimento

COMIC JAM


Autores participantes:
1 – Pedro Cruz 
2 – Andreia Rechena
3 – Ana Saúde 
4 – Miguel Santos 
5 – FIL 
6 – Filipe Duarte (Des.) e Álvaro (Arg.)

AS FOTOS

Nota: À excepção da panorâmica habitual (Álvaro), as outras fotos são da autoria do Pedro Manaças. Incluindo aquelas em que ele aparece.



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sábado, 6 de dezembro de 2014

BDpress #445: SARA FIGUEIREDO COSTA SOBRE “JIM CURIOSO” (POLVO EDIÇÕES) – NO EXPRESSO


ACTUAL – EXPRESSO, 29 Novembro 2014

JIM CURIOSO
Matthias Picard

Polvo Edições, 2014, trad. de Miguel Nunes, 52 págs., €16,50 Banda desenhada

Os escaparates estão cheios de livros que recorrem a artifícios visuais apenas para criar diversão, "Jim Curioso" não se enquadra nesse gesto, apesar da tridimensionalidade e dos óculos para leitura adequada no encarte. A narrativa sem palavras que acompanha Jim numa viagem que começa e termina à porta de sua casa, não sem antes atravessar as profundezas do oceano, é uma banda desenhada cujas vinhetas se compõem num preto e branco riscado a tinta e bisturi. As três dimensões configuram uma camada de leitura essencial, elemento que acrescenta profundidade à geografia submarina e tempo à viagem de Jim, num universo visual fulgurante. O Imaginário de Picard deve tanto às gravuras que integraram as primeiras edições de Júlio Verne como ao trabalho dos irmãos Wllllamson que, em 1916, realizaram a primeira adaptação cinematográfica de "As 20,000 Léguas Submarinas", captando imagens do fundo do mar com um complexo sistema de tubos, vidros e espelhos.. A viagem de Jim é também temporal, dimensão essencial nesta narrativa, começando no lixo acumulado do presente e vogando em direção a um passado que inclui destroços da II Guerra, um galeão talvez afundado por piratas, as ruínas perdidas de uma hipotética Atlântida. Recuando ainda mais no tempo à medida que progride no espaço, Jim acabará vogando num labirinto onde se percebem os traços moleculares das primeiras formas de vida, aquela espécie de sopa primordial de onde teremos vindo, e é desse passado remoto que Jim salta para o regresso ao seu presente. Poucas pranchas têm sabido abarcar a vida e os seus abismos de um modo tão beio e tão ilusoriamente singelo.

Sara Figueiredo Costa



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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A COMIC CON PORTUGAL COMEÇOU HOJE EM MATOSINHOS E ENCERRA NO DOMINGO

Por absoluta falta de tempo, não tenho mantido activiadade no Kuentro nos últimos dias, mas não quis deixar de assinalar aqui a realização da Comic Con Portugal, através de um texto de Geraldes Lino, publicado no seu blogue Divulgando Banda Desenhada (http://divulgandobd.blogspot.pt/) e com autorização do próprio, que, neste momento já está em Matosinhos, a curtir o evento. Segue-se também, de seguida, a transcrição de uma nota de imprensa da agência Lusa.


Geraldes Lino em Divulgando Banda Desenhada (http://divulgandobd.blogspot.pt/):

Na Europa, a banda desenhada tem os seus momentos de notoriedade, em termos de visibilidade enquanto mostra pública, através de eventos denominados Festivais ou Salões de BD, ao passo que nos Estados Unidos da América ela é encaixada nos chamados ComicCon, ou seja, Comic Convention.

É esse conceito, ligeiramente diferente, colocando mais em destaque as componentes espectaculares e comerciais da BD, que é agora importado para o nosso país, dando azo à realização emMatosinhos, mais concretamente na Exponor, da 1ª edição do ComicCon Portugal, que ali vai decorrer nos dias de 6ª feira, Sábado e Domingo, 5, 6 e 7 de Dezembro de 2014.

O programa do evento apresenta-se variado e com muito interesse para abranger públicos diversificados, considerando que além de ter uma componente de diversão e espectáculo jovem como é o caso do cosplay, dá considerável destaque à Banda Desenhada, através da presença de autores de BD, portugueses e estrangeiros.

Nesta vertente, a que interessa fundamentalmente a este bloguista e aos visitantes meus amigos (e não só), poderei citar uns tantos nomes, apenas como exemplo.

Entre os portugueses: André Lima Araújo, Jorge Coelho, Ricardo Venâncio, Ricardo Tércio, Nuno Plati (estes na área "Portugal Internacional"; e noutras áreas, Joana Afonso, Pedro Brito, Rui Lacas, Ricardo Cabral, Nuno Lourenço, Filipe Melo(argumentista).

Nos estrangeiros ressaltam os nomes de Miguelanxo Prado e Juan Cavia, bem conhecidos pessoalmente entre nós; mas bem importantes sãoCarlos Pacheco, Javier Rodriguez, Brian Vaugham(argumentista), Marcos Martin, Pia Guerra, entre outros.

Um aspecto muito interessante tem a ver com o facto de os autores poderem participar, se quiserem (o Jorge Coelho disse-me que será um dos participantes), na venda directa ao público de pranchas originais suas, para o que lhes será facultado espaço individual na secção Artist' Alley.

Uma ideia muitíssimo interessante.

Para os eventuais interessados em estar presentes na 1ª edição deste evento (eu conto estar lá), aqui registo o programa, por copy paste do da organização (claro que para se poder lê-lo é necessário clicar-lhe duas vezes em cima, peço desculpa a quem está farto de saber isto):

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NOTA DE IMPRENSA (Lusa):

A primeira Comic Con em Portugal abre hoje, em Matosinhos, e vai contar com múltiplos convidados de áreas que vão do cinema à banda desenhada e à televisão.

A actriz Morena Baccarin ("Homeland" e "Firefly"), Seth Gilliam ("The Walking Dead"), Natalie Dormer (Margaery Tyrell, em "Guerra de Tronos") e vários membros do elenco de "Da Vinci's Demons", como Tom Riley, Blake Ritson e Elliot Cowan, são presenças confirmadas em Matosinhos, a partir de hoje, até ao próximo domingo.

A organização da primeira Comic Con em Portugal tem planos para a continuidade do evento até, pelo menos, 2018, segundo o coordenador da convenção, Paulo Cardoso, que, na apresentação de iniciativa, na passada terça-feira, afirmou que já tinham sido vendidas perto de 20 mil entradas.

Na conferência de imprensa no Cineteatro Constantino Nery, em Matosinhos, Paulo Cardoso, que se considerou o mais cauteloso da organização, em termos de estimativas de visitantes, disse que mantém a expectativa de um número na casa dos 20 mil, para a primeira edição, cumprindo o objectivo expectável para o primeiro ano.

Paulo Cardoso afirmou que o orçamento do evento se trata de um "investimento astronómico", sem querer concretizar valores, mas realçou a organização da Comic Con como algo plurianual e não pontual para 2014.

No campo da banda desenhada, para esta primeira edição, estão confirmadas as presenças do argumentista de "Saga", "Y: The Last Man" e coargumentista de "Perdidos", Brian K. Vaughan, da ilustradora Pia Guerra, além do editor associado da Vertigo, Gregory Lockard, entre muitos outros.

O evento, que encerra no domingo, vai ter ainda um espaço para crianças e várias oficinas.

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

AMANHÃ – 366º ENCONTRO DA TERTÚLIA BD DE LISBOA – CONVIDADO ESPECIAL: PEDRO CRUZ



Nasci e cresci numa época em que os quiosques ainda tinham paredes inteiras repletas de revistas com “histórias aos quadradinhos” a preços relativamente acessíveis. Tio Patinhas, Pato Donald, Rato Mickey, Petzi, Luluzinha, Riquinho, Gasparzinho, Brazinha, Turma da Mónica, Pelézinho, Astérix, Lucky Luke, Os Estrumpfes, Spirou, Mafalda, Valérian, Fantasma, Mandrake, Flash Gordon, Príncipe Valente, Super-Homem, Batman, Capitão América, Homem-Aranha, O Incrível Hulk, O Poderoso Thor … foram algumas das muitas personagens de banda-desenhada que povoaram o meu imaginário infantil. Paralelamente, também a televisão e o cinema desempenharam um papel importante na minha formação. Os velhos desenhos animados da Warner Brothers, de realizadores como Chuck Jones, Tex Avery ou Friz Freleng, as séries da Hanna-Barbera com design de Alex Toth, as animações japonesas da Nippon Animation, com realização de Isao Takahata ou Hayao Miyazaki, os fantoches de Jim Henson e os filmes da Walt Disney, de Steven Spielberg e George Lucas foram igualmente fulcrais na fertilização da minha mente, imaginação e sensibilidade visual.

Enquanto filho único, passava horas a fio desenhando personagens e aventuras imaginadas ou copiadas das minhas bd’s e/ou séries de animação favoritas, num estilo que tentava reproduzir a mesma estética de todo esse manancial visual que se me apresentava. Os meus pais, com ou sem consciência, alimentavam o fascínio por esse universo, dando-me folhas brancas, cadernos e canetas. Deste modo, o gosto pelo desenho, filtrado pelas experiências da leitura de bd e dos desenhos animados tornou-se uma paixão. Lia muita bd, devorando e colecionando de tudo, presente e passado, europeu, americano e japonês, de um modo muito eclético e voraz. Rapidamente, passei além do interesse pelas personagens ou séries, comecei a seguir autores e a ler revistas de crítica e notícias da bd. Já não me bastavam as ficções, queria descobrir os bastidores, os processos de criação e os modos de fazer.

Já jovem adulto, iniciei a licenciatura em arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa. Na altura, pareceu-me uma escolha adequada porque tinha as notas necessárias para entrar no curso, porque parecia ter como saída uma profissão interessante e ainda me permitiria desenhar e aprender disciplinas relacionadas com arte. No entanto, nunca me senti plenamente integrado e realizado nesse meio, o qual comecei a considerar um tanto ou quanto snob e adverso, de um modo geral, à bd, e aos seus autores e leitores. Ainda durante os meus anos na faculdade, trabalhei profissionalmente em animação, um sonho antigo, que acabou por se revelar uma desilusão. A animação apresentou-se-me como uma autêntica galera romana, uma máquina onde o indivíduo é reduzido a uma rosca na engrenagem, sem margem para a expressão pessoal, muitas vezes tratado com desrespeito e mal pago. Abandonei esse caminho, concluí a licenciatura, dediquei-me ao ensino, fazendo o mestrado profissionalizante como professor do ensino básico e continuei a desenhar nos meus tempos livres, procurando evoluir e continuando a aprender, lendo e analisando obras dos mais variados autores de bd.

Ganhei dois prémios na modalidade de cartoon do concurso do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora em 2000 e 2003. Colaborei no fanzine Nimbus da FAUTL.

Tive ilustrações publicadas no XL Magazine da Associação de Estudantes do ISEL.
Participei com ilustrações, cartoons e bd’s no DN Jovem.
Desenhei dois capítulos da bd Guard Dogs, escrita por Jason Quinn para o fanzine britânico Starscape.
Desenhei a bd Helljacket escrita por Steve Zegers e publicada na norte-americana Ronin Illustrated #2 .
Auto-publiquei Pedro Cruz: Selected Sketches, uma coleção de desenhos e esboços.
Desenhei o primeiro e único número de The Kirby Martin Inquest e uma bd curta The Semite, com argumentos de Mike Hasselhoff para o selo australiano Nitelite Theatre.
Colaborei regularmente com ilustrações para a editora norte-americana Airship 27, tendo ilustrado os seguintes livros de pulp fiction: Jim Anthony Super Detective, Season of Madness, Jim Anthony Super Detective – The Hunters, Dr. Watson’s American Adventure, Three Against the Stars e Zeppelin Tales.
Participei com a comunicação “Fanzine de bd e literacia visual” nas 3ªs Conferências de Banda Desenhada em Portugal, baseada na minha tese de mestrado.

Desde Julho de 2006, publico semanalmente o meu blogue www.pedro-cruz.blogspot.com, onde tenho colocado textos, desenhos e bandas-desenhadas, destacando-se a este nível, Grace (com argumento de Arya Ponto), Cosmopolis (inacabada), WHYM, Metanoia e The Mighty Enlil. Esta última bd também foi serializada no site norte-americano comicrelated.com, tendo sido publicada em papel pelo selo editorial norte-americano Redbud Studios e pela El Pep em Portugal. A edição nacional deste livro foi nomeada para os prémios do Festival de BD da Amadora 2014 na categoria de Melhor álbum de autor português em língua estrangeira.

No último ano, colaborei com o argumentista André Oliveira em duas bd’s publicadas na revista CAIS, O Inominável Homem-Sapo e O Inominável Homem-Sapo parte II. Também fiz 4 bd’s para o fanzine Efeméride nº6 de Geraldes Lino, desenhando as personagens Conan o bárbaro, Flash Gordon, Homem-Aranha e Watchmen.
Recentemente, criei a bd Young Enlil goes to Hell, uma prequela/sequela de The Mighty Enlil, publicada na antologia CRUMBS da Kingpin Books.

Para o futuro próximo, estão planeadas colaborações com os argumentistas André Oliveira e Fernando Dordio e mais um trabalho a solo.

Posso ser contactado via e-mail através de pedrocruzcomics@gmail.com


Nomeado para o Prémio Nacional de Banda Desenhada – Melhor Álbum de Autor Português em Língua Estrangeira 

The Mighty Enlil, de Pedro Cruz (El Pep):


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