domingo, 13 de março de 2016

Bdpress #468: A LIGA DOS AFRICANOS EXTRAORDINÁRIOS


Bdpress #468
A LIGA 
DOS AFRICANOS EXTRAORDINÁRIOS

Devido à influência dos filmes de super-heróis, estão a surgir álbuns de banda desenhada dedicados a Super-heróis de origem africana. 
O sucesso tem sido tanto que estas BDs estão a chegar a outros continentes.

SUPER-HERÓIS DE ORIGEM AFRICANA


Courrier internacional, Nº 241, Março 2016
QUARTZ – Nova Iorque – 04/01/2016 – Autora: Lily Kuo – Tradutora: Mariana Passos de Sousa

A Comic Repúblic, uma start-up sedeada em Lagos (Nigéria) e fundada em 2013, está a criar um universo de super-heróis para os leitores africanos espalhados pelo mundo. O elenco das personagens é já designado “Vingadores de África” pelos seus fãs.

Entre as personagens, destacam-se Guardian Prime, um estilista de moda nigeriano de 25 anos, que utiliza a sua força extraordinária para lutar pelo pais; Hilda Avonomeni Moses, uma mulher de uma aldeia remota no estado de Edo, que vê espiritos; e Marcus Chigozie, um adolescente privilegiado, mas revoltado, que se desloca a velocidades supersónicas.

"Lembrei - me de quando era mais novo e de como fazia para tomar decisões: No meu lugar, que faria o Super-Homem? E o Batman? Então, pensei: Porque não super- heróis africanos?", explica o fundador da empresa, Jide Martin. O seu lema é: "Qualquer um pode ser um herói".

Super-heróis, de África para o mundo.

Esta start-up pode ser um sinal de que a banda desenhada está a ganhar protagonismo no continente e num mercado que, dizia-se, não tinha interesse em personagens inspiradas em africanos. A equipa de nove pessoas da Comic Republic tem visto a popularidade dos seus álbuns crescer, de duas centenas de exemplares descarregados gratuitamente em 2013, para 25 mil no seu último lançamento, em Dezembro de 2015. Como os álbuns estão disponiveis gratuitamente no site da empresa, a Comic Republic tenciona angariar patrocinadores e publicidade para ganhar dinheiro.

Algumas empresas já pediram à Comic Republic para criar álbuns de banda desenhada sobre os seus produtos e houve organizações não-governamentais que lhes pediram ajuda para campanhas de divulgação contra riscos de saúde, como o paludismo.

O responsável do maior grupo de comércio eletrónico do país pediu-lhes um retrato seu como super-herói. A história de uma das personagens, Aje - que quer dizer "bruxa" em yoruba - poderá ser adaptada em filme por um cineasta local; recentemente, foi lançada mais uma edição das aventuras de Guardian Prime.

A Comic Republic faz parte daquilo a que alguns se referem como o "renascimento do made in África", em que a música, literatura e arte africanas começam a ter impacto para lá do continente. Mais de metade dos downloads dos álbuns foram feitos a partir dos Estados Unidos, do Reino Unido e de alguns outros paises, como o Brasil e Filipinas.

Segundo Martin, 30% dos downloads são provenientes da Nigéria. Em Lagos, todos os anos há uma conferência Comic Con, onde participam representantes da indústria da banda desenhada e do entretenimento. No Quénia, a primeira Comic Con decorreu em 2015.

Martin afirma que a indústria dos álbuns de banda desenhada tem potencial em África, em parte devido à popularidade dos filmes de super-heróis. A empresa lançou-se com as aventuras de Guardian Prime, "um Super-Homem negro", explica Martin no mesmo dia em que estreou, em 2013, o filme Homem de Aço.

Entretanto, surgiram outras personagens africanas. O designer e ilustrador Loyiso Mkize criou uma popular banda desenhada, intitulada Kwezi - ou estrela, em xhosa e zulu - que conta as aventuras de um super-herói adolescente em Gold City, urna metrópole inspirada em Joanesburgo. Esta banda desenhada, que incorpora o jargão e a cultura locais, é uma história sobre a transição para a idade adulta e sobre a descoberta das raízes, segundo explica Mkize. A novela grafica E.X.O.: The Legend of Wale Williams, lançada em Agosto do ano passado por Roye Okupe [director de animação e fundador do YouNeek Studios], tem como objetivo "pôr a Africa no mapa, no que diz respeito a histórias de super-heróis", segundo o autor.

Modelos de conduta

O universo de heróis da Comic Republic difere dos seus pares ocidentais também de outras formas. Das nove personagens criadas pela start-up, quatro são mulheres. Martin é de opinião que isso espelha o facto de as mulheres terem um papel activo na politica e nos negócios. "Hoje em dia, na Nigéria, a questão do género não é importante. Não diria que se trata de uma decisão estratégica. É apenas a nossa forma de vida".

Para lá de combater o mal e de ganhar o dia, o objetivo destas bandas desenhadas é mostrar como os indivíduos se podem unir para criar uma "África melhor e mais segura", explicou o adminstrador da Comic Republic, Tobe Ezeogu.

A mensagem parece ter chegado a alguns dos leitores. Um fã escreveu o seguinte, na página de Facebook da Comic Republic, sobre Guardian Prime: "A minha frase preferida dele: 'Para o mal triunfar basta os bons homens não fazerem nada. Não aceito isso, porque sou nigeriano'. Eu não sou nigeriano mas os super-heróis vão ajudar a juventude e estimular o patriotismo".

O fundador da Comic Republic, Jide Martin, a trabalhar numa prancha, na sede da Comic Republic em Lagos – 8 de Janeiro de 2016.


  





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segunda-feira, 7 de março de 2016

REPORTAGEM - 381º ENCONTRO DA TERTÚLIA BD DE LISBOA – 1 DE MARÇO DE 2016 – CONVIDADO ESPECIAL TIAGO BULHA



REPORTAGEM
381º ENCONTRO 
DA TERTÚLIA BD DE LISBOA
1 DE MARÇO DE 2016
CONVIDADO ESPECIAL TIAGO BULHA 


O meu nome é Tiago Bulha. Nasci em 1984 e sou natural de Faro. Desde pequeno que adoro o mundo fantástico do cinema, banda desenhada e videojogos. Adoro também ler, ouvir música e viajar sendo estas umas das minhas grandes fontes de inspiração.

Não me considero um ilustrador, ou um escritor, ou outro título qualquer que seja mais específico. Gosto de fazer um pouco de tudo, escrever, desenhar, fotografar, realizar vídeos, já experimentei mesmo até compor musica e anotar melodias que me vêm à mente. No fundo adoro todos os elementos criativos que possam contribuir para criar uma boa história e como temáticas gosto sobretudo de ficção, aventura, fantasia e acção.

Comecei desde tenra idade como brincadeira a desenhar várias bandas desenhadas e a escrever histórias, e chegando mesmo a criar alguns jogos de computador por diversão. Sendo autodidacta por natureza e tendo um gosto por aprender em geral levou-me a ir experimentando diversas áreas desde estudos de música, ciências, desenho e ilustração, fotografia e vídeo, e até mesmo desporto e danças. Estudei arquitectura no Instituto Superior Técnico mas sempre com o intuito de um dia vir a ter tempo de poder trabalhar nas minhas próprias histórias. Mais tarde estudei 3D e animação, tendo mesmo estagiado nesta área e continuando até hoje em dia a realizar trabalhos como freelancer.

Recentemente tenho trabalhado em colaboração com Marta Patalão, tendo escrito as histórias Ikarya e The Opal Flame, tendo esta ultima sido publicada na revista italiana Nuname #3 e lançada no Lucca Comics and Games 2015. Encontro-me de momento a continuar a trabalhar em equipa num novo capítulo do mundo de Opal Flame e outras histórias que já comecei a criar há uns anos e a visionar mundos fictícios e fantásticos.

Contacto: Kwenronart@gmail.com
Websites: Kwenronart.wix.com/kwenronartworks - facebook.com/kwenronart -tapastic.com/TeaplusCoffee/
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COMIC JAM


Autores participantes:
1 - Tiago Bulha
2 - Mitsu
3 - Sérgio Santos
4 - Paulo Vicente
5 - Edgar Ascensão
6 - Marta Patalão


AS FOTOS
(de Álvaro)
























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sábado, 5 de março de 2016

GAZETA DA BD #55 – NA GAZETA DAS CALDAS – CARICATURA E CARTOON – A PROPÓSITO DA EXPOSIÇÃO DE BRUNO PRATES

GAZETA DA BD #55 
NA GAZETA DAS CALDAS 

A Propósito da Exposição “Caldastoon” 
de Bruno Prates
Falemos um pouco de Caricatura e de Cartoon

Gazeta da BD #55 - Na Gazeta das Caldas - 26 de Fevereiro de 2016
Jorge Machado-Dias

Correspondendo ao convite de Bruno Prates para falar sobre caricatura e cartoon, na inauguração da sua exposição “Caldastoon” no passado dia 17 de Fevereiro – com os cartoons que publicou na Gazeta das Caldas em 2015 – escrevi um texto sobre o tema. Contudo, uma vez na inauguração e verificando o número de convidados preparados para falar na ocasião, resolvi não ler o texto previamente escrito, mas improvisar sobre o tema, reduzindo o tempo de intervenção, para não dar cabo da paciência do público. Decidi então publicar aqui na Gazeta da BD um resumo do referido texto (para caber neste espaço) e acrescentando ilustrações a propósito. Aqui fica o resultado.

A verdadeira caricatura, no sentido mais moderno, é dificilmente reconhecível antes do final do século XVI, quando surgiu principalmente através de Annibale Carracci (1560-1609), nos esboços que fazia dos seus amigos. A palavra caricatura só surge como tal durante o século XVII, em Itália, aparecendo escrita pela primeira vez na colectânea Diverse Figure (1646) de Mosini. O termo deriva do verbo italiano caricare, ou seja carregar, indicando que o desenho caricatural sobrecarregava os traços particulares de uma pessoa. No entanto este tipo de desenhos já eram utilizados pelos antigos egípcios, havendo notícia de que por volta de 1200 a.C., circulavam em papiros criticando os costumes da época, aparecendo mais tarde igualmente em certas tabulae romanas, no primeiro século a.C. Alguns manuscritos medievais continham representações de caras grotescas e cenas exageradas da vida quotidiana. Mas a caricatura puramente gráfica desenvolveu-se particularmente em Itália (daí a sua designação) com obras de pintores como Leonardo da Vinci, e também outros países tiveram os seus cultores – Albrecht Dürer, ou mais tarde o flamengo Pieter Brueghel o Velho assim como o seu contemporâneo Hieronymus Bosch.

A locução caricature foi introduzida em França pelo escultor e arquitecto italiano Giovanni Lorenzo Bernini, na viagem que realizou a esse país em 1665. O rei francês Louis XIV foi alvo da primeira campanha moderna realizada em larga escala através de cartoons, com gravuras de baixo preço, executadas na Holanda por um grupo de artistas plásticos liderados por Romeyn de Hooghe.

O cartoon surge como um sucedâneo da caricatura, sendo uma cena satírica, política ou humorística, completa e auto-suficiente, quase sempre desenhada num só quadro, muitas vezes acompanhada de uma legenda – distinguindo-se por isso da caricatura. O termo inglês referia inicialmente um desenho preparatório para a pintura, tal como era prática tradicional desde a Renascença.

Em 15 Julho de 1843, a revista britânica Punch publicou no seu nº 105 o primeiro de uma série de seis “Punch’s Cartoons” assinados por John Leech, expondo publicamente ao ridículo a pobreza dos resultados de um concurso de pintura para decorar o novo Palácio de Westminster, tendo os projectos sido apresentados em suportes de cartão. Assim, o cartoon (carton em francês, derivando do original italiano cartone) surge na sequência dos esboços em cartões, como já referimos, que os artistas plásticos utilizavam para esboçar os desenhos do que iriam pintar ou esculpir.

O sucesso do cartoon deve-se sobretudo à sua publicação em jornais e revistas desde que estes meios de comunicação apareceram no século XVIII. Por vezes os cartoons surgem em três ou quatro vinhetas e não apenas numa única imagem como é mais tradicional. Estes cartoons que comportam várias cenas com os mesmos personagens ou uma única temática, apresentando portanto alguma sequência narrativa, mas que não chegam a contar uma história, designam-se cartoons desdobrados. Certas folhas de A Berlinda (1870-71), de Raphael Bordallo Pinheiro, possuíam uma ténue continuidade sequencial, aproximando-se portanto das histórias aos quadradinhos, mas tratava-se na realidade de meros cartoons desdobrados.

Em Portugal realizam-se actualmente dois Salões de Cartoon. O Portocartoon, no Museu da Imprensa e o World Press Cartoon, sedeado tradicionalmente em Sintra até 2014 e que a partir deste ano se realiza na Cidadela de Cascais.

Depois do dia 7 de Janeiro de 2015, quando jihadistas muçulmanos entraram nas instalações do jornal satírico Charlie Hebdo em Paris, matando a tiro doze pessoas e ferindo cinco, ou seja, atingindo quase todo o conselho redactorial do jornal, o cartoon voltou a estar sob os holofotes do mundo inteiro, tendo-se mesmo usado profusamente a frase provocatória “je suis Charlie” como retaliação figurada.

Fonte principal: Dicionário Universal da Banda Desenhada de Leonardo De Sá, edição Pedranocharco, 2010.

Cartoons de Leal da Câmara 1899

Cartoon de  André Carrilho sobre o Ébola - Prémio World Press Cartoon 2015

"Cinderela" de André Carrilho, Editorial Cartoon de André Carrilho, Outubro de 2015

Rodrigo de Matos (sobre futebol e a crise económica portuguesa), Expresso, Novembro de 2013.

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE BRUNO PRATES CALDASTOON, NO CENTRO CULTURAL DAS CALDAS - 17 DE FEVEREIRO DE 2016


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