domingo, 28 de julho de 2013

COM O ZÉ DAS PAPAS (de Bordallo Pinheiro) 27 e 28 – IN MEMORIAM (de Gabriel Fialho de Évora) + A DIETA MEDITERRÂNICA


O "Zé das Papas", de Raphael Bordallo Pinheiro

COM O ZÉ DAS PAPAS 27 e 28

Gazeta das Caldas, 12 de Julho de 2013
IN MEMORIAM

Gabriel Fialho

Quando se atinge alguma "prática" da vida começa a tornar-se corriqueiro novas da "partida" de alguns, com quem privámos, de quem aprendemos e cujo vazio vamos sentir.

Refiro-me ao Gabriel Fialho, do homónimo restaurante ebo­rense, cozinheiro, gastrónomo de enorme gabarito, pessoa do mais fino trato que tive o privilégio de conhecer e que se lembrou de "abalar" no passado 27 de Maio.

Recuando no tempo:

Em Janeiro de 1973 cheguei a Évora para continuar a cumprir o serviço militar, que era então obrigatório.

Tenho sido, aqui confesso, um homem de sorte. Sou de uma geração, nascida no fim da 2ª Guerra Mundial, que, como tantos, tendo crescido modestamente – era o padrão da época – procurou tirar da vida o melhor partido e apro­veitar, sempre, o que ela no traz de melhor.

E nesse espírito, eis-me, saí­do do Quartel General, atraves­sado o Jardim das Canas, dados os primeiros passos naTavessa das Mascarenhas, ao balcão do Fialho, beberricando um "cana" e comendo uma das suas inigualáveis empadas de galinha.

Foi um contributo decisivo para a minha iniciação dos "comeres", por onde ainda me vou mexendo!

Na época reinava o pai Fialho, o velho "cuco", alcunha cuja ori­gem nunca cuidei de saber, com o seu velho mas espaventoso Mercedes.

Durante o tempo passado em Évora por lá deixei parte signifi­cativa do meu estipêndio, mas com inegável proveito e gozo.

O Gabriel Fialho proporcio­nou-me refeições, cujo delicado sabor sou capaz de recordar sem grande custo.

Petisqueiro convicto, lembro-me bem de aprazar uns miolos panados ou umas costeletinhas também panadas, para a merenda, depois do toque à ordem...

Lá me familiarizei com a me­lhor comida alentejana e por lá fiz conhecimentos e algumas boas amizades.

Depois do meu pai falecer, nos primeiras dias de Janeiro de 1974, pedi transferência para Lisboa e rompi o convívio, quase diário, com o Gabriel, enfiado entre tachos e panelas, mas mais com o Amor, que reinava por trás do balcão.

Voltei aos meus domínios Caparicanos mas fui mantendo contactos, amiúde, com aquela boa gente, que visitava "na linda cidade gastadora do meu dinheiro, mas... bom vinho"

e de quem recebi repetidas gentilezas.

Um dia conto a história da supra citada frase e como vim de Évora com a, então, "vil fama" de comunista pois, quan­do estava de oficial de dia os soldados iam comer ao Quartel General! Isso e como fiz gastar um latão de detergente para lavar a cozinha, no meu primei­ro serviço, o já referido golpe militar... São "peneirices" que vêm do respeito que sempre me mereceu a paparoca dos meus concidadãos.

Como grande divulgador da cozinha alentejana, lembro o afã desenvolvido pelo Gabriel Fialho, quando levou ao Casino Estoril a semana respectiva e o êxito que merecidamente obteve.

Mais recentemente, porque o restaurante fechava, e penso que fecha, à segunda-feira, não era raro ver os Manos Fia­lho e companhia, em gozo de folga, desembarcarem na Rua dos Pescadores, no Capote, na Costa.

Como o Amor vinha da con­sulta do Professor Carrageta a escolha recaía, necessariamen­te, num peixinho...

João Reboredo
joaoreboredo@gmail.com





 

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Gazeta das Caldas, 26 de Julho de 2013

A DIETA MEDITERRÂNICA


Tendo vivido, faz tempo, mo­mentos relevantes da minha vida em San Sebastian, capital de Gui­púzcoa, no país basco espanhol, ainda hoje passo os olhos pelo Diário Vasco.

Declaro, aqui e com grande prazer, que sou fã da cozinha basca. E da forma extraordina­riamente simples que os seus pratos revestem, sustentados na inegável qualidade das matérias primas empregues.

Como sou petisqueiro convicto revejo-me naquela rotina dos "pintxos", que os bascos vão comendo, ao balcão, depois do trabalho, em amena cavaqueira, dispensando as mais das vezes, o jantar tradicional; "pintxos" regados a sidra natural – bebida de maçã tão do seu... e meu agrado – ou a txakoli, um vinho ligeiramente gasoso e ácido, de produção local. Mas confesso que, quando o encontrava, bebia com mais agrado um clarete, vinho também do meu agrado e tão arredio por estas bandas.

Foi no Diário Vasco que li, no final de Maio último, um artigo sobre a dieta mediterrânica, de que repesco as ideias funda­mentais.

É uma dieta que se realiza com os produtos típicos, locais, sem juntar outros, nada bons para a saúde.

Aqueles alimentos fornecem importantes nutrientes, como os antioxidantes (fruta e verduras) e ácidos Omega 3 (peixe azul), benéficos para a saúde e, em particular, para prevenir doenças neurodegenerativas.

Lamentavelmente, é cada vez maior o número destas doenças, e por isso, saber que a dieta medi­terrânica pode ser um bom aliado para combatê-las é importante. Actualmente, são numerosas as investigações em curso para evitar o aumento do nível de prevalência destas patologias.

Por isso, durante as XVII Jor­nadas de Nutrición y VII Congreso Internacional de Nutrición, Ali­mentación y Dietética celebra­das recentemente na Faculdade de Medicina da Universidade Complutense de Madrid, foi abordada, de forma especial, a relação que existe entre certos nutrientes e as doenças neuro­degenerativas.

Um dos investigadores, o dou­tor Pérez de la Cruz assegurou que "uma dieta inadequada é um dos principais factores que faz com que se desenvolva uma doença neurodegenerativa. Várias linhas de investigação procuram ligar, por exemplo, a prevalência e a evolução do Alzheimer com diferentes tipos de nutrientes, como os antioxi­dantes e ácidos omega3".

Os antioxidantes dos vegetais funcionam como anti-inflamatório. Ora a dieta mediterrânica en­globa uma série de nutrientes importantes que podem ajudar a prevenir estas doenças cada vez mais comuns. Mas é preciso continuar os estudos pois, por agora, no há evidências claras da eficácia destes nutrientes.

Outro dos investigadores pre­sente nas citadas jornadas, Ángel Gil, afirmava que "demonstrar a influência dum único nutriente de forma específica é potencialmen­te possível nalgumas doenças, não naquelas (como as neuro­degenerativas) cuja evolução é muito lenta e onde se verificam muitas variáveis interactuando, como os hábitos de vida (activi­dade física, tabagismo...) e na­turalmente, a própria genética".

Mesmo que, para além da ge­nética, existam certos nutrientes que têm poder anti-inflamatório e podem actuar sobre o Alzhei­mer, doença que, desde inicio, se suporta num processo de inflamação associado aos neu­rónios. Para isso, é fundamental a ingestão de alimentos que fun­cionam como anti-inflamatórios, tal e como é o caso dos vegetais, que possuem substâncias antio­xidantes.

João Reboredo
joaoreboredo@gmail.com



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quinta-feira, 25 de julho de 2013

ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI NO KUENTRO (17) – OS BOLETINS #2 E #3 + O TEXTO DE JOSÉ RUY “AMIGOS DO CNBDI” (14)

ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI - 17

OS BOLETINS BD'INFORMAÇÃO #2 e #3

Apresentamos hoje os boletins BD’Informação #2 e #3 – como tratam do XV Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (o primeiro dos dois realizados na Estação do Metro da Amadora-Este) deixamos aqui algumas fotos desse FIBDA (ainda não AmadoraBD) para recordar... Transcrevemos também os testos de introdução/editorial, da então Vereadora da Cultura da CMA, Maria João Bual Salvado.


No ano em que se realiza o 15º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora [FIBDA]. Apraz-nos registar a edição no mês de Julho do segundo número do BD’Informação.

Neste boletim vão estar em destaque diversos temas, nomeadamente, a divulgação da futura zona comercial da estação de metro Amadora-Este, informando sobre o local que acolhe este ano o FIBDA e alguns dados referentes à próxima exposição no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem (CNBDI) do argumentista e escritor Neil Gaiman, que se tem destacado no âmbito da literatura infanto-juvenil [?].

Além disso, são ainda alvo de interesse a sessão de encerramento da exposição BDs de Abril, o 25 de Abril 30 Anos Depois, que contará com a presença da Associação 25 de Abril e de autores de BD que desenharam aquele momento marcante da história nacional, bem como uma matéria relativa às exposições itinerantes do CNBDI, que este ano já passaram ou irão estar presentes em terras espanholas e belgas, correspondendo a mais um sinal das potencialidades da banda desenhada como veículo privilegiado na promoção das linguagens artísticas.

A Vereadora do Pelouro da Cultura
Maria João Bual Salvado


O Boletim nº 3 do Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem (CNBDI) é editado nas vésperas do início de mais uma edição do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora [FIBDA], evento que ano após ano marca indelevelmente o panorama da Banda Desenhada nacional. Nesta 15ª edição, o núcleo central do Festival vai estar localizado na galeria comercial da estação Amadora-Este do Metropolitano, espaço que se distingue pela sua dimensão e capacidade de (re)criar ambientes.

Além de atestar que a festa da banda desenhada nacional resulta do trabalho regular e sustentável que o CNBDI desenvolve ao longo do ano, no qual se destaca o FIBDA, iniciativa que representa o ponto alto da sua actividade, esta publicação confirma ainda a aposta contínua que aquele Centro desenvolve na vertente editorial e no enriquecimento do espólio e arquivo de originais, que foi recentemente dotado com trabalhos de Victor Péon.

A Vereadora do Pelouro da Cultura
Maria João Bual Salvado




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AMIGOS DO CNBDI (14)
José Ruy

Em 2011 a diretora do Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, Drª Cristina Gouveia teve uma ideia, outro sonho, de organizar umas sessões para dinamizar o espaço. Seriam num dia a meio da semana, pois os ligados aos sábados e domingos têm o inconveniente de impedir a presença de quem passa os fins-de-semana fora. Pensou nas quintas-feiras e à noite, pois durante o dia as pessoas interessadas estão a trabalhar ou ocupadas com alguma tarefa, e ao fim da tarde ficava pouco tempo disponível, porque a partir das sete horas está tudo a pensar no jantar, principalmente quem mora em Lisboa ou noutros locais mais afastados da Amadora.

Confesso que embora apoiando a iniciativa que achei muito boa, fiquei receoso quanto ao número de presenças a conseguir; primeiro porque no dia seguinte as pessoas teriam trabalho logo cedo, e segundo, por recearem andar à noite na Amadora, devido à propaganda exagerada que os chamados «órgãos de informação social» têm feito, dando a impressão tratar-se de uma terra de ninguém, sem lei, onde os transeuntes seriam assaltados ao virar de cada esquina e os malfeitores matassem polícias a tiro de hora a hora. Afinal o que acontece praticamente em todas as cidades, parecia que só acontecia na Amadora, ideia até reforçada negativamente por alguns cómicos com programas na Televisão, que para fazer graça gratuita, brincavam com isso. Tenho o maior respeito pelos palhaços, mas detesto as palhaçadas feitas por alguns «fedorentos».

A confirmar o que digo descrevo o que aconteceu com uma descendente de um autor, que fora convidada a estar presente na inauguração de um dos nossos Festivais de BD. Chegada à Amadora saiu do comboio «aterrorizada» porque tinha de atravessar a avenida que separa a estação do edifício da Câmara onde começa sempre o Evento. Tive de a sossegar e mostrar-lhe que essas informações selvagens eram dadas só com o intuito de conseguirem audiências. Ora as televisões deviam informar corretamente o público e não aterroriza-lo. Tratou-se da filha do Ruy Manso, colaborador de O Mosquito que depois pôde verificar como as pessoas andavam descontraídas na rua até tarde, e o ambiente criado (mal criado) pelos tais órgãos «deformativos» era absolutamente descabido.

Mas o facto é que o medo podia impedir a presença dos interessados nas sessões. E fez-se a primeira, com o lançamento de um livro sobre o ilustrador Fernando Bento. A adesão do público interessado ultrapassou todas as espectativas e a sala ficou cheia. Naturalmente que não é uma grande sala, mas comporta na ordem de 40, 50 pessoas. Dadas as circunstâncias foi muito bom. E vieram de Lisboa, de Queluz e das Caldas da Rainha e de Cascais. Fiquei agradavelmente surpreendido.

Estabeleceu a direção do CNBDI que essas sessões funcionassem na última quinta-feira de cada mês, de Fevereiro a Maio, pois a partir de Junho o Centro está ocupado na realização do Festival BD que se efetua em Setembro e Outubro, com um intervalo em Agosto em que pausa para férias.

Os temas escolhidos têm sido de tal maneira felizes que as presenças se têm mantido demonstrando o interesse pelas sessões. Um pormenor importante, quanto a mim, que demonstra bem o êxito é que depois do final das sessões que têm início às 21 horas, no passeio frente à porta, a conversa sempre se prolonga até à uma da manhã, com o acompanhamento amável da Dr.ª Cristina Gouveia, que não fecha a porta enquanto os convidados se mantêm por perto.

Destaco também que o pessoal do CNBDI não recebe horas extraordinárias por estas sessões. Todo esse tempo é voluntário dedicado às Histórias em Quadrinhos, ou Banda Desenhada e aos seus fans.

Em Março desse ano, na segunda sessão, foi lançado outro livro sobre o «Quim e o Manecas», duas personagens criadas por Stuart Carvalhais e o êxito repetiu-se. Stuart esteve também ligado à Amadora, tendo morado um tempo em Queluz, e era amigo íntimo do Cardoso Lopes, o Tiotónio, um dos diretores de O Mosquito. As suas personagens Quim e Manecas foram publicadas nos jornais da época, e até num suplemento infantil do «Cavaleiro Andante».

Nestas sessões, a direção do CNBDI oferece com simpatia um café e uns bolinhos mas estou seguro não ser esse o motivo que levou o público a aderir à ideia e se tem mantido fiel. São os temas, é a maneira como são apresentados e debatidos, é no fundo o convívio agradável e o clima de amizade conseguido. Sentimo-nos ali em família.

No mês seguinte, em Abril…

(continua...)

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quarta-feira, 24 de julho de 2013

XVIII SALÃO INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DE VISEU – O PROGRAMA

XVIII SALÃO INTERNACIONAL
DE BANDA DESENHADA DE VISEU
De 9 de Agosto a 22 de Setembro
Organização GICAV/Expovis

TEXTOS DA RESPONSABILIDADE DA ORGANIZAÇÃO

O PROGRAMA

Ano sim, ano não, fruto das contingências orçamentais e estruturais, realiza-se a festa da banda desenhada em Viseu, pela mão do colectivo GICAV, um projecto sem fins lucrativos e independente. A norte de Lisboa, parece-nos ser este Salão presentemente o único evento de envergadura no panorama da divulgação e promoção da nossa banda desenhada. Em parceria com a Expovis e o Salão de Moura, o Gicav assume a integração do XVIII Salão internacional de Banda Desenhada na programação da Feira de São Mateus, procurando desta forma alcançar outros públicos e dimensionando o Salão ao modelo de exposição bienal.

A compreensão da arte implica o seu usufruto com espírito crítico, numa dialéctica permanente com os agentes criativos. O Salão de Viseu insere-se na política de intervenção cultural do Gicav, procurando numa perspectiva de serviço comunitário estabelecer pontes de diálogo entre os criadores e o público amante da BD, dignificando este género artístico tantas vezes mal amado.

Sem apresentar uma temática fechada, o XVIII Salão pretende destacar o “Universo dos Fanzines de BD” em Portugal, apresentando exposições e autores/editores representativos deste fenómeno editorial, tantas vezes sobrevivendo à margem dos circuitos comerciais livreiros. Geraldes Lino (crítico, editor, coleccionador) é o anfitrião deste Salão no que aos Fanzines diz respeito, distinguido com o Prémio Animarte BD pelo trabalho incessante na divulgação e promoção dos artistas, muito em particular dos jovens artistas. Apresenta em Viseu um estudo de opinião sobre o mundo dos fanzines em Portugal, uma exposição de fanzines da sua colecção particular e a exposição “Corto Maltese no século XXI”, a partir do Fanzine Efeméride, do qual é editor.

João Amaral, artista multifacetado ligado a Viseu desde longa data, é distinguido com outroPrémio Animarte BD pelo conjunto da sua obra artística. O Salão revela em exposição individual alguns dos seus trabalhos mais representativos (A Voz dos Deuses; A História de Manteigas; História de Fornos de Algodres; Vidas; O Fim da Linha; Cinzas da Revolta).

Para além das exposições que derivam da atribuição dos Prémios Animarte BD, outras mostras integram este Salão Internacional:

A Obra de Eça de Queiroz na BD (com Moura)
Homenagem à obra de Will Wandersteen (“)
Humor no Jornal do Exército
Homenagem Póstuma a Sergio Bonelli (TEX)
Nos 50 anos do Spider Man
Grande Plano (sobre alguns álbuns estrangeiros)
Jovens Valores (Joana Afonso – “O Baile”; Pedro Emanuel- Viseu; Dani-Viseu)
Álvaro
Miguel Rebelo (Cartoons)
Rui Lacas – Asteroid Fighters
Corto Maltese no século XXI (Geraldes Lino)
Santos Costa (O Bandarra e outras histórias)
Comés - Homenagem póstuma
Andrea Venturi

A internacionalização do Salão ficou a cargo do José Carlos Francisco (Tex Willer Blog), mais uma vez , no âmbito da apresentação em Viseu de um conjunto de trabalhos originais de artistas de diversos países, em homenagem ao editor italiano do TEX, Sergio Bonelli (falecido recentemente). Andrea Venturi é o artista italiano presente no Salão, no dia 10 de Agosto, para uma sessão de autógrafos onde estarão outros artistas convidados (Santos Costa, Miguel Rebelo, João Amaral, Pedro Emanuel), a partir das 17 horas.

O Gicav e a Expovis agradecem a todos quantos possibilitaram a concretização deste evento em prol da Banda Desenhada.

PRÉMIO ANIMARTE BD 2012 – EXPOSIÇÃO
RETROSPECTIVA – JOÃO AMARAL


Biografia:

João Amaral nasce em Lisboa, em 1966 e publica em 1994, em parceria com Rui Carlos Cunha, uma adaptação de A Voz dos Deuses, o célebre romance de João Aguiar, sob a chancela da Asa.

De lá para cá. Surge nas Selecções BD – 2ª Série, em 1999 com dois episódios de O Que Há de Novo no Império?. Já em 2000, publica na mesma revista O Fim da Linha, um remake do célebre filme O Comboio Apitou Três Vezes. Ganha uma menção na categoria de Novos Valores, no Festival da Sobreda, em 2002, para o qual apresenta uma história de duas páginas, intitulada Game Over. É também um dos autores que participa, em 2003, no álbum Vasco Granja – Uma Vida, 1000 Imagens, com Missão Quase Impossível, uma história feita em parceria com Jorge Magalhães. A mesma dupla elaborou também uma outra curta, intitulada Ok Corral, que é por um lado uma homenagem ao clássico filme de John Sturges e, por outro, uma história de ficção científica (assinando os autores com os pseudónimos de Jhion e Zhion).

Elabora também três álbuns, intitulados: História de Manteigas – No Coração da Estrela, Bernardo Santareno – Fragmentos de uma Vida Breve e História de Fornos de Algodres – Da Memória das Pedras Ao Coração dos Homens, publicados pela Âncora Editores. Mantém, durante dois anos uma colaboração com o jornal Cruz Alta, para onde cria com Isabel Afonso, O Gui, a Nô… E Os Outros, sob o pseudónimo de Joca.

Já em 2012, novamente pelas edições Asa e sob o pseudónimo de Jhion, lança em parceria com Miguel Peres, o álbum Cinzas da Revolta, uma história passada em plena guerra colonial.

Paralelamente foi, ao longo dos anos, desenhador de acções publicitárias, colaborou com a revista A Rua Sésamo, fez vários postais de felicitações e ilustrações para livros.

No seu blogue, entre outros trabalhos que mostra, entre os quais alguns inéditos, publica desde 2010, como Joca, uma tira humorística, intitulada Fred & Companhia.

Blogue: http://joaocamaral.blogspot.pt

PRÉMIO ANIMARTE ESPECIAL BD 2012
GERALDES LINO


Português, natural de Lisboa, tem desenvolvido vasta actividade no seu país no âmbito da banda desenhada.

DIVULGADOR DA BD (Blogue divulgandobd.blogspot.com), INVESTIGADOR E CRÍTICO, COLECCIONADOR, EDITOR …

Autor de textos englobando críticas, entrevistas, actualidades, biografias de autores e personagens.

Colaborador esporádico em diversos jornais: semanário O País, Correio da Manhã, Diário Popular, JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias.

Colaborador eventual em revistas e boletins de Bibliotecas.

Colaborador de revistas de BD: Mundo de Aventuras, Jornal da BD, Selecções BD – 1ª série, Heróis Inesquecíveis, Seleções BD – 2ª série, entre outras publicações.

Comissário de exposições: A História na Banda Desenhada (Museu de Arqueologia, Lisboa); A II Guerra Mundial na Banda Desenhada (Biblioteca-Museu da República e Resistência, Lisboa); Lisboa na Banda Desenhada (Museu da Cidade, Lisboa).

Sócio fundador do Clube Português de Banda Desenhada, em Junho de 1976.

Fundador da Tertúlia BD de Lisboa em Junho de 1985. Mantém-se como dinamizador desta iniciativa bedéfila mensal, que tem por finalidade efetuar atos de homenagem a autores consagrados e outras individualidades ligadas à BD, e atos de incentivo aos novos autores da BD portuguesa.

Editor de fanzines de banda desenhada. : Eros, Tertúlia BDzine, Folha Volante, Autobiografias Ilustradas, Ad Hoc; Preciosidades da BD; Efeméride.

Personagem de várias bandas desenhadas, entre as quais Abdalino do álbum Menatek Hara, de Luís Louro e Tozé Simões e também Capitão Ardina Mango, do álbum As Aventuras de Herb Krox – O Homem de Neandertal de Luís Filipe Diferr.

Co-autor (em parceria com Leonardo De Sá) do livro Dédalo dos Fanzines (1987).

Colaborador dos vários salões e festivais de BD em Portugal; colaborador do Gicav em vários Salões de Banda Desenhada de Viseu. As presentes exposições são apenas uma singela amostra do trabalho desenvolvido por Geraldes Lino enquanto colecionador, crítico e editor de BD (Fanzine Efeméride Corto Maltese no século XXI; O Mundo dos Fanzines).

ARTISTA ESTRANGEIRO CONVIDADO
ANDREA VENTURI


O italiano Andrea Venturi começou a desenhar histórias do Tex no início dos anos 90 (“Almannaco del West “ 1996). Com um estilo muito realista, de desenhos recheados de sombras cheias e perfeição anatómica das figuras, este artista trouxe uma nova frescura ao mundo do Ranger, nomeadamente através do recurso a ambientes circenses, como em “O matador de índios”, onde Venturi desenha um assassino mascarado, e em “Missão em Sierra Vista”, onde nos oferece um desfile de personagens estranhas, ou em “Ópio”, onde evolui uma trupe de actores que se embrenham em relações de ódio e paixão, ganância e crime.

Em certos momentos da sua obra, a arte de A. Venturi faz lembrar alguns dos mestres como John Buscema, Ross Andru ou Jack Kirby.

A. Venturi representa neste salão de Viseu o grupo de artistas que produziram trabalhos propositadamente para a homenagem póstuma a Sergio Bonelli, numa iniciativa do José Carlos Francisco (Tex Willer Blog), dos quais se apresenta em Viseu a esmagadora maioria dos trabalhos oferecidos ao José C. Francisco.

Andrea Venturi apresenta em Viseu um poster original, gentilmente oferecido aos fãs texianos e a todos os amantes da banda desenhada, visitantes do salão de Viseu em dia de inauguração.

O nosso agradecimento ao José Carlos Francisco (que capitaneia o fiel grupo de fãs de Tex Willer em Portugal) e ao Andrea Venturi por esta possibilidade, engrandecendo o Salão de Viseu e o panorama da nossa Banda Desenhada.

EXPOSIÇÃO DE HOMENAGEM A SERGIO BONELLI
Recolha de originais: José Carlos Francisco – Blog TEX WILLER 
Selecção e montagem: GICAV


Sergio Bonelli (Milão, 2 de Dezembro de 1932 – Monza, 26 de Setembro de 2011) também conhecido como Guido Nolitta (seu pseudónimo como escritor de banda desenhada), foi um autor e editor italiano. Filho de Gian Luigi Bonelli (criador de Tex e fundador da editora Audace), e de Tea Bonelli, que desde 1946 tomou as rédeas da editora do ex-marido, entra muito jovem no mundo da banda desenhada, fazendo de tudo na empresa da família: de moço de recados a fiel de armazém, até responder às cartas dos leitores.

Em 1957 assume a editora Cepim, a futura Sergio Bonelli Editore, uma das mais importantes editoras de banda desenhada no panorama italiano, sucedendo na direcção à sua mãe Tea.

Empreende também a faceta de argumentista sob o pseudónimo de Guido Nolitta, escolhido para evitar ser confundido com o seu pai. Em 1961 cria um dos maiores sucessos da editora: Zagor, personagem “híbrida” entre Tarzan e o western, com fortes incursões no fantástico. Catorze anos mais tarde, em 1975, dará vida àquele que sempre considerará o seu filho predilecto: Mister No, um descontraído ex-soldado americano que vive na Manaus (Brasil) dos anos cinquenta.

Em Janeiro de 2007, tomou o lugar de Decio Canzio na direcção geral da Sergio Bonelli Editore e em 2008 o município de Milão galardoou-o com o prestigioso prémio Ambrogino d’Oro. Em Agosto de 2011, quando estava de férias em Provence (França), é acometido por problemas de saúde. Morre em 26 de Setembro de 2011 com a idade de 78 anos na clínica San Gerardo em Monza, poucos dias após ter sido hospitalizado devido a doença.

Sergio Bonelli, o Homem que fez sonhar gerações de leitores de banda desenhada um pouco por todo o mundo, foi o principal artificie da passagem da banda desenhada como simples instrumento de entretenimento popular a produto de dignidade cultural, criando, ao longo da sua carreira de cinquenta anos, uma das mais importantes editoras de banda desenhada no contexto italiano.

Sergio Bonelli fez sonhar gerações de italianos mas também de leitores de muitos outros países, como por exemplo Portugal, por isso nada mais justo que o Salão de Viseu lhe dedique a exposição de homenagem que Sergio Bonelli merece!

EXPOSIÇÕES


A OBRA DE EÇA NA BANDA DESENHADA
ÁLVARO, PAREDE, 1970
HOMEM-ARANHA: 50 ANOS DE AVENTURAS
CORTO MALTESE NO SÉCULO XXI
DIDIER COMÉS
O HUMOR NO JORNAL DO EXÉRCITO
WILLEBRORD JAN FRANS MARIA VANDERSTEEN
GRANDE PLANO
“SANG ROYAL”, DE JODOROWSKY
LA DOUCE – F. SCHUITEN – CASTERMAN
MURENA – DUFAUX e DELABY – DARGAUD
FERNANDO JORGE DOS SANTOS COSTA
EXPOSIÇÃO JOVENS VALORES
MIGUEL REBELO – UM CARTOONISTA DE VISEU
ASTEROID FIGHTERS
A “CRIADA MALCRIADA”

Podem ler-se a totalidade dos textos do programa deste 
XVIII SALÃO INTERNACIONAL DE BD DE VISEU – AQUI

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terça-feira, 23 de julho de 2013

LANÇAMENTO – “BALCÃO TRAUMA” – UMA HILARIANTE BD DE ÁLVARO


“Balcão Trauma”
uma hilariante BD de Álvaro

“Balcão Trauma” é a trágica história de um rapaz com problemas com a mãe que, depois de ter tido uns problemas com a funcionária de um centro de cópias, é levado em braços para o serviço de urgências de um hospital onde é atendido por uma jovem médica que ainda vive com a mãe, com quem tem problemas. Entretanto dá entrada no mesmo serviço hospitalar um segundo desgraçado que tem um problema com um dos seus braços, braço esse que também dá entrada momentos depois. Devido a um problema com a disponibilidade de macas, ambos ficam depositados no chão à espera de serem atendidos pelos membros da equipa de cirurgia que se encontram ocupados com um jogo de futebol, no bar, sentados nas macas.
“Balcão Trauma” é igualmente uma banda desenhada anti-crise. É hilariante e de baixo custo. Faz bem ao fígado, à circulação, tonifica o abdómen, afasta maus olhados e outros problemas mentais.
E é também uma obra para um público adulto, não se recomendando portanto a sua leitura a pessoas com menos de vinte e tal anos e a dirigentes partidários.

  
 

O livro encontra-se à venda na Feira do Livro de Poesia e Banda Desenhada (Guilherme Cossoul de Campolide), Rua Professor Sousa da Câmara, 156, Campolide - Lisboa
Edição electrónica, ebook, em www.livrarialiberdade.tk

AS FOTOS DO LANÇAMENTO
NA GUILHERME COUSSUL DE CAMPOLIDE

Fotos De Cristina Amaral
 


 Geraldes Lino fez a apresentação do livro...










Ver mais fotos AQUI

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domingo, 21 de julho de 2013

A GAZETA DA BD (9) NA GAZETA DAS CALDAS - O CNBDI



A GAZETA DA BD (9) 
NA GAZETA DAS CALDAS

19 de Julho de 2013
Jorge Machado-Dias

O CNBDI 
Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem

O CNBDI – Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem foi criado na Amadora em 2000, pelo então director do Festival Internacional de Banda Desenhada. Em primeiro lugar, para se desenvolverem actividades afectas à banda desenhada entre os Festivais, criando uma continuidade durante todo o ano, que tornasse a cidade da Amadora numa espécie de Angoulême cá do burgo.

A própria designação CNBDI, é uma cópia do seu congénere francês da cidade de Angoulême, onde se organiza o maior Festival do mundo de banda desenhada. Mas vejamos, o Centre National de la Bande Dessinée et de l'Image, foi formado sob a égide do então presidente Mitterrand e a batuta do ministro da Cultura Jack Lang, possuindo uma bedeteca, a mediateca, e o museu de banda desenhada, tendo sido instalado num antigo edifício industrial, entretanto alvo de um projecto arquitectónico notável de recuperação, do arquitecto Roland Castro. Em 2008, o CNBDI de Angoulême foi extinto como tal associando-se ao Laboratoire d'Imagerie Numérique (L.I.N.) – Laboratório de Imagem [impressa] Digitalizada –, à Escola Superior Europeia da Imagem e ao Atelier-Museu do Papel. Deu assim lugar a uma entidade muito mais abrangente, a Cité Internationale de la Bande Dessinée et de l'Image. 

O CNBDI de Angoulême (foto não publicada na Gazeta da BD por falta de espaço)

Bom, nada disto tem a ver com o CNBDI português, como podemos perceber – começando logo pela sua instalação num espaço projectado para o comércio, uma loja. No entanto realizou-se neste o que é possível, e fazer-se alguma coisa neste campo, mesmo com alguns erros de casting à mistura, é algo de muito positivo. O que é preciso é perseverar, corrigir alguns desses erros e avançar. Um Centro deste género é fundamental para preservar o historial da BD portuguesa e também para incentivar as novas gerações à leitura e à prática desta disciplina. No entanto os sucessivos cortes orçamentais, por via dos problemas económico/financeiros que vivemos actualmente, tem vindo a fazer decair a actividade do CNBDI, dependente por inteiro da Câmara Municipal da Amadora, para níveis confrangedores. 

O CNBDI da Amadora - entrada, na Av. do Brasil

Um dos erros de que falamos acima, e que tem dado origem às maiores polémicas: a palavra Imagem, que integra a designação do Centro e, como explicou José Ruy no texto sobre o historial do CNBDI, que temos vindo a publicar no blogue Kuentro, refere-se à fixação da banda desenhada em suportes digitais ou mesmo o desenho animado. Este reparo tem a ver com a errada escolha de temas, por parte do CNBDI/Amadora, em pelo menos dois dos seus programas, que se pretendem tertulianos, intitulados “Às Quintas Falamos de BD”, primeiro aquele que se debruçou sobre “Imagens da Guerra Colonial”, com projecção do documentário de Diana Andringa, “As Duas Faces da Guerra” (31 de Maio de 2012) e o outro sobre “Abril na BD - O Canto de Intervenção em Portugal e no Mundo” (19 de Abril de 2013). Isto, como é lógico, não tem qualquer cabimento, mesmo que se queira falar nestas tertúlias da relação da banda desenhada com “outras coisas”. Por outro lado, a comemoração sistemática do “25 de Abril” pelo Centro, revela uma fixação ideológica que nos parece excessiva numa instituição deste género – a própria Câmara Municipal comemora oficialmente o dia, o que será suficiente.

Contudo, o Centro teve na sua génese desenvolvimentos muito positivos, como a construção do famoso “bunker” (à prova de fogo, inundações e ácaros) para preservar os já cerca de 13.000 originais doados por diversos autores, – não só os clássicos nacionais, como também os modernos –, ou a constituição da bedeteca, abarcando cerca de 30.000 livros de e sobre BD. Juntando-se a isto a actividade editorial e a concepção e montagem de exposições na Galeria do Centro, com a criação da colecção NonArte (sete títulos editados) e os Catálogos das vinte exposições realizadas até agora. Digamos também que a maioria das exposições são organizadas de modo a poderem ser itinerantes e algumas já circularam pelo país e pelo estrangeiro, requisitadas por diversas entidades. Refira-se, já agora, que actualmente está aberta ao público, na Galeria do CNBDI, a exposição “Peregrinação de Fernão Mendes Pinto”, que estará patente até dia 30 de Junho de 2014 – e não de 2013 como estava inicialmente previsto.

Outro dos “lapsos” de organização do Centro é o facto de não ter um site próprio na net – encontrando-se diluído (e sem qualquer informação significativa) na confusão que é o site da própria Câmara Municipal.

Mas a destruição da bedeteca do CNBDI por parte da Biblioteca Municipal da Amadora, com a “requisição” de cerca de vinte mil livros, para completar o acervo de leitura juvenil da biblioteca – que José Ruy relata no texto a que nos referimos acima (in Às Quintas Falamos do CNBDI no Kuentro) –, é completamente inconcebível. Refira-se que muitos desses livros são exemplares únicos, oferecidos pelos visitantes estrangeiros do Festival de BD da Amadora. Um acervo desta natureza, em quantidade e qualidade, não pode nunca ser diluído em salas de uma biblioteca generalista, estando até à disposição do público para ser requisitado e... levado para casa.

O “bunker” onde estão arquivados e conservados 30.000 originais, está instalado no centro da Galeria do CNBDI


Aspecto da exposição “Peregrinação de Fernão Mendes Pinto”

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