terça-feira, 8 de junho de 2010

BDpress #129 - BD NACIONAL À MARGEM DAS GRANDES EDITORAS, Pedro Cleto, no Jornal de Notícias de hoje.

O assunto da edição de banda desenhada, dita às vezes “independente” (edições de autor, fanzines e outros zines), ou de pequenas editoras (de livros e revistas com tiragens quase nunca superiores a 500 exemplares), começou a ser debatido, primeiro timidamente, depois com um pouco mais de veemência, sendo mesmo objecto dos encontros mensais “Pequeno é bom! Encontros sobre edição independente”, organizados pela Chili Com Carne, chegando agora às páginas do Jornal de Notícias, pela mão de Pedro Cleto.

BD NACIONAL À MARGEM DAS GRANDES EDITORAS

Jornal de Notícias, 8 de Junho 2010

F. Cleto e Pina

O lançamento de uma dezena de títulos durante o VI Festival de BD de Beja, em pequenas editoras ou edições de autor, veio reforçar uma evidência dos últimos anos: a vitalidade da 9.ª arte nacional faz-se fora das grandes editoras.

Essa era já a tese defendida por Paulo Monteiro, director do festival que decorre até domingo, ao definir ao JN "a BD portuguesa como um fabuloso caldeirão de estilos e tendências em que os autores fervilham de criatividade e todos os anos surgem projectos assombrosos!", embora lamentando que "muitos não consigam a visibilidade merecida".

Exemplo paradigmático é "A fórmula da felicidade" (Kingpin Books), aplaudido pela crítica, mas cuja tiragem do tomo 2 não chega a 500 exemplares. Nuno Duarte, das Produções Fictícias, o seu argumentista, afirma que "não havendo"grandes" editoras de BD em Portugal, as "pequenas" são uma alternativa interessante, pela liberdade temática, estilística e de formato que permitem", corroborado por Miguel Rocha, que em Beja lançou "Hans, o cavalo cansado" (Polvo), ao dizer que assim tem "maior controlo sobre o processo".

Já João Tércio, autor de "Março Anormal" (El Pep), acredita que "as grandes editoras preferem editar clássicos e talentos já confirmados", avançando David Soares, argumentista e romancista ("Mucha", "O Evangelho do Enforcado") que "tal não acontece apenas no mercado de BD".

Herdeiros dos antigos fanzines policopiados (no espírito, não na forma), "Zona Gráfica", "Venham +5" (Bedeteca de Beja) ou "Seitan Seitan Scum" (El Pep+Chili Com Carne), face à inexistência de revistas especializadas, querem ser uma montra para os "mais novos ou inexperientes, mas com trabalhos de qualidade e boa margem de progressão" revela Fil, um dos responsáveis pela Zona, que nas suas páginas acolhe também Filipe Andrade, actualmente a trabalhar para a Marvel. Nestes casos, completa Monteiro, "a edição constitui um incentivo à produção".

E se Tércio vê o futuro "dos autores de BD, negro, como é habitual", apontando "o Brasil como um mercado a explorar", Miguel Rocha considera "interessantes os novos formatos de distribuição electrónicos", que Nuno Duarte aponta como "possibilidade para as pequenas editoras se implementarem mais", pensando David Soares que vai aumentar o número dos "que publicam directamente lá fora".

Em jeito de conclusão, Paulo Monteiro defende que só "uma visão estratégica global, que congregue mais gente em torno da BD" e "estabeleça um plano de divulgação e leitura" lhe permitirá crescer para além do seu nicho habitual.

Em extra-texto, Pedro Cleto acrescenta:

Dentro de dias vou postar uma versão alargada no meu blog, As Leituras do Pedro: http://asleiturasdopedro.blogspot.com/ (ver lista de blogues aqui na coluna da direita).





Imagens da responsabilidade do Kuentro.
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sábado, 5 de junho de 2010

O VI FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DE BEJA (3): AS EXPOSIÇÕES

Niko Henrichon, Exposição e autógrafos.




Exposições de João Fazenda e Regina Pessoa.

Foto da Exposição de Miguel Rocha, Capa e páginas do livro.






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quinta-feira, 3 de junho de 2010

O VI FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DE BEJA (2): MAIS FOTOS





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ATENÇÃO: OS ÍNDICES DO BDjornal ESTÃO A SER COLOCADOS
NO TOPO DA COLUNA DA DIREITA!!!

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quarta-feira, 2 de junho de 2010

E A TERTÚLIA BD DE LISBOA FEZ 25 ANOS – AO 311º ENCONTRO – 01 DE JUNHO 2010 – ENCONTRO ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO RESTAURANTE JARDIM DA LUZ

Pois, a Tertúlia BD de Lisboa celebrou as “bodas de prata” em Encontro Especial de Aniversário (como sempre, na primeira terça-feira de Junho), em restaurante diferente do habitual, tendo sido o “Jardim da Luz” o escolhido por Geraldes Lino para o Encontro.





Foram distribuídas as Folhas Volantes #250…


… e #251


O Tertúlia BDzine teve distribuição de dois números, o #149:


…com banda desenhada de João Batista (arg., des. e cor) e Mariana Perry (arte-final). E José Abrantes distribuiu o TBDz #150 com uma BD sua: PROZACH, parodiando o celebérrimo ARZAC (ou ARZACH, ou ARZAK, ou HARZACH, ou…) de Moébius…



…que inclui uma separata onde o autor se explica sobre esta paródia – e dado o interesse, para quem não conhece HARZACH, ou José Abrantes, fica aqui a reprodução integral da dita separata:


Dada a data comemorativa, os editores Pedro Mota e Álvaro, Lda., resolveram publicar um Tertúlia BDLino – Uma fanzine comemorativa – número extra, onde publicam o Diário da República, 1ª série – nº94 – 1 de Julho de 2010, págs. 1488 e 1489. A saber:




E aqui fica também a habitual reportagem fotográfica do Kuentro:








E com esta imagem nos despedimos dos amáveis e pacientes tele-espectadores, com respeitosas saudações, até dia 6 de Julho próximo, no restaurante... habitual.
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NO PRÓXIMO POST CONTINUAREMOS COM AS FOTOS DE BEJA!!!
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O BDjornal #25 JÁ SE ENCONTRA À VENDA NO PORTO (Central Comics), COIMBRA (Livraria Dr. Kartoon) e CALDAS DA RAINHA (Papelarias Vogal e Alex).
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terça-feira, 1 de junho de 2010

EXPOSIÇÃO A 1ª REPÚBLICA E A GÉNESE DA BD – NO C.N.B.D.I. + BDpress #128 – Pedro Cleto no Jornal de Notícias sobre a BD e a República


Cartaz de Henrique Cayatte Design para a CNCCR, a partir de desenho de Stuart de Carvalhais

"A Primeira República na Génese da Banda Desenhada e no Olhar do Século XXI”
Inaugura na próxima quarta-feira
2 de Junho, 19h00, Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem

A reconstituição do mais antigo filme de animação português, bem como alguns dos desenhos e publicações nacionais de banda desenhada originais mais antigos, vão ser apresentados na exposição “A Primeira República na Génese da Banda Desenhada e no olhar do Século XXI”, que inaugura na próxima quarta-feira, dia 2 de Junho (véspera de Feriado), às 19h00, no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem.

Esta exposição é promovida em parceria entre a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República e a Câmara Municipal da Amadora e estará patente até dia 5 de Outubro de 2010 no Centro Nacional de BD e Imagem, na Av. do Brasil, 52-A (ao Bairro do Bosque) - Falagueira - Amadora.

É constituída por cinco núcleos:
“A 1ª República e a Amadora”,
“A Caricatura Modernista e a Primeira República”,
“A Génese da Moderna BD Portuguesa”
“A Primeira República na BD Contemporânea”
“O Primeiro Filme de Animação Português”

Reúne peças das colecções de instituições como a Biblioteca Nacional de Portugal, o Museu da Presidência da República, o Museu Nacional de Cerâmica, a Biblioteca Pública do Porto, a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, a Câmara Municipal da Amadora, entre outras, e de diversas colecções particulares.

Muitas dessas peças – desenhos originais de artistas e publicações das décadas de 1910 e 1920, assim como pranchas de BD de autores contemporâneos – são expostas em Portugal pela primeira vez e, dado o seu estado frágil de conservação, não poderão, nos próximos anos, “ver a luz” fora dos arquivos.

A exposição apresenta ainda a reconstituição do mais antigo filme de animação português, “O Pesadelo de António Maria”, realizada recentemente por Paulo Cambraia, com base nos 159 desenhos originais de 1923, da autoria do realizador da pelicula original Joaquim Guerreiro, que desapareceu.

NOTA DO KUENTRO: Já agora vide BDjornal #23 - O AUTOR DO 1º DESENHAO ANIMADO PORTUGUÊS: JOAQUIM GUERREIRO E A SUA VERDADEIRA BIOGRAFIA, de Leonardo De Sá.
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Jornal de Notícias de 23 de Maio de 2010


A BD E A REPÚBLICA - Quadradinhos nacionais retratam a revolução de 1910

F. Cleto e Pina

Se os autores portugueses de BD foram muitas vezes empurrados para o nicho dos relatos históricos – quer por força das limitações que a censura impôs, quer por ser uma área onde a concorrência estrangeira não se fazia sentir – raras são as abordagens feitas na época contemporânea. Por isso, períodos com grande potencial para relatos ficcionais de base histórica, como o 25 de Abril ou a resistência ao fascismo, são quase inexistentes nos quadradinhos. O mesmo se passa também com o período conturbado que levou à proclamação da República, em 1910. E para a qual a BD e, principalmente a caricatura e o cartoon, também contribuíram, através das críticas desenhadas por Celso Hermínio, Leal da Câmara ou Francisco Valença.

Alguns álbuns, no entanto, narram os acontecimentos que antecederam o 5 de Outubro de há um século atrás, numa perspectiva histórica, como é o caso da “História de Portugal em B.D. – 4. A revolução da Liberdade” (Edições ASA, 1989), de Carmo Reis e José Garcês, que lhe dedica algumas pranchas num estilo realista e rigoroso.

O mesmo fazem Oliveira Marques e Filipe Abranches na sua “História de Lisboa (II) 1580-1974” (Assírio & Alvim e C.M. Lisboa, 2000), num estilo mais moderno e arrojado, em que a legibilidade das imagens predomina sobre o texto, reduzido ao mínimo para enquadrar os acontecimentos, mais mostrados na sua crueza do que relatados.

Mas, sem dúvida, a obra mais significativa é “Mataram o Rei!... Viva a República” (reedição da Âncora Editora em 2008), que abarca o período de 1880 a 1910. Assinado pelo veterano José Ruy, com mais de 60 anos dedicados à BD, assenta na habitual pesquisa documental, rigorosa e exigente, traduzida depois na representação de edifícios, veículos e indumentárias e numa pormenorizada descrição dos factos. IO que acaba por secundarizar um pouco a base do enredo, que parte de três jovens – João, republicano, Madalena, a sua irmã, e Manuel, monárquico, - para a descrição dos eventos, onde participarão de forma activa, o primeiro por convicção e o último por despeito, motivado pela relação ilícita de Madalena, sua namorada, com o rei D. Carlos.
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Jornal de Notícias, 31 de Maio de 2010

BD COMEMORA 100 ANOS DA REPÚBLICA

Pedro Cleto

Os presidentes da C.M. da Amadora, Joaquim Raposo, e da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, Artur Santos Silva, vão assinar hoje, pelas 10 horas, nos Recreios da Amadora, um Protocolo de Colaboração com vista à realização da programação de BD no âmbito daquelas comemorações.

Na altura serão divulgados os eventos previstas, entre as quais se destaca a exposição "A primeira república na génese da BD e no olhar do século XXI", a inaugurar no Centro Nacional de BD e da Imagem a 2 de Junho, composta por cinco núcleos: "A 1ª República e a Amadora", "A Caricatura Modernista e a 1ª República", "O primeiro filme de animação português", "A Génese da Moderna BD Portuguesa" e "A 1ª República na BD portuguesa contemporânea".

O Amadora BD '11, a decorrer entre 22 de Outubro e 7 de Novembro, terá o mesmo mote e acolherá a mostra "É de Noite que Faço as Perguntas", baseada no álbum homónimo escrito por David Soares e desenhado por Richard Câmara, André Coelho, Daniel Silvestre, João Maio Pinto e Jorge Coelho, a lançar durante o certame, tal como uma reedição das "Aventuras de Quim e Manecas", de Stuart Carvalhais, publicadas entre 1915 e 1918, no "Século Cómico".
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