quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

BAZAR NO MERCADO FORNO DO TIJOLO & FEIRA LAICA (DIAS 10, 11 e 12)

DA CHILI COM CARNE RECEBEMOS O SEGUINTE COMUNICADO:


Convidamo-vos a conhecer uma festa num bairro tradicional de Lisboa: O Bazar no Mercado Forno do Tijolo (Anjos). Vai cruzar a venda tradicional de Praça (frutas, legumes, peixe) com exposições, venda de edições independentes e livros em 2ª mão (garantidas pela Feira Laica), artigos manufacturados (o denominado artesanato urbano), contadores de histórias, demonstrações de serigrafia e tipografia da Associação Oficina do Cego, concertos, leitura inesperada de poesia, mostra de cinema de animação e documentários, aulas abertas e demonstrações de ioga, artes circenses, teatro para jovens e dança criativa coordenadas pelo espaço SOU (associação sedeada na freguesia dos Anjos) e ainda gastronomia do mundo confeccionada por uma equipa da associação Solidariedade Imigrante.

Desafiamos também o público a conhecer o espaço encantador deste mercado lisboeta, entretanto esquecido como tantos outros, organizado como uma autêntica cidade ostentando traços arquitectónicos que remetem para os anos 50.

A entrada é livre e cá vos esperamos nos dias 10, 11 e 12 de Dezembro.
Sexta-feira: 18h-24h
Sábado: 10h-24h
Domingo: 10 - 21h

(Concertos confirmados de Márcia, Minta, Eitr (Clean Feed), Felipe Felizardo,
Irmãos Collyer, Pedro Esteves. Mas há mais).

Informações:
Uma organização da Junta de Freguesia dos Anjos
chilicomcarne
Solidarieedade Imigrante

Entrevistas e dúvidas:
Hugo da Nóbrega
968 871 425


A Feira Laica irá acontecer entre 10 a 12 de Dezembro no Mercado do Forno do Tijolo, nos Anjos.

A Chili Com Carne convidou editores independentes portugueses e estrangeiros, a saber, o francês Albert Foolmoon e o sueco Mattias Elftorp.

O primeiro, Foolmoon, é um verdadeiro activista da cena independente: é ilustrador (ver resenha de um livro seu aqui), editor sob o nome Lézard Actif, promove as acções do DIY internacional através do site DIYzines, o evento Salon Fai-le Toi-même e a livraria / galeria Super Cagibi. Para completar este ramalhete, Foolmoon adora Lisboa, tanto que em 2008 quando nos visitou pela primeira vez até fez um livro sobre a street-art portuguesa (ver aqui).

Elftorp é o artista / escritor anarquista da série pós-apocalíptica e cyberpunk Piracy is Liberation e parte do duo Wormgod. Faz exposições sobre os horrores da sociedade capitalista, foi um dos fundadores e editores da revista / colectivo C'est Bon Anthology, sendo responsável actualmente pela colecção Dystopia.

Recentemente organizou o festival de bd Alt Com, em Malmö, dedicado ao tema "Sexo & Guerra".

Ambos terão exposições individuais!

De resto, as incrições para Feira Laica AINDA estão abertas, estando já confirmados:

A Mula + Arara
Associação Chili Com Carne
Averno
Clean Feed
Blam Blam
Contraprova
zine É fartar Vilanagem!
El Pep
Filipe Felizardo
Imprensa Canalha
Kriture
Leote Records
Lézard Actif (França)
Mariposa Azual
Mike Goes West
MMMNNNRRRG
Mosca
Oficina do Cego
Opuntia Books
Paracetamol + Mariana a miserável
Reject'zine
Soft Porn Coloring Book
Thisco
Ediciones Valientes + revista Argh! (Espanha)
Tiago Baptista
Wormgod + C'est Bon Anthology (Suécia)
zine Znok

Novidades editoriais:
- An Intrusive Black Circle, de André Lemos (Opuntia Books)
- Cleópatra #5, zine de Tiago Baptista
- É o Diabo!, serigrafia de Miguel Carneiro (Arara)
- Iceberg, de José Feitor (Imprensa Canalha)
- Jungle Machine, de Dayana Lucas (Arara)
- Mike Goes North, portfólio com André Cruz, Ana Torrie, Célia Esteves, Júlio Dolbeth, Marco Mendes, Nuno Sousa e Rui Vitorino Santos (Mike Goes West)
- More Songs About: Melómanos Arquivistas e Rouxinois, CD-R de Presidente Drógado (Leote Records)
- O Morto foi ao Baile - compilação de capas da colecção Grandes Mistérios, Grandes Aventuras : 1940-1960 (Imprensa Canalha)
- Oficina do Cego #2, v/a
- Subsídios para MMMNNNRRRG #1, v/a
- Talento Local, de Marcos Farrajota (Chili Com Carne)
- Znok #5 (nova versão), de Filipe Duarte




Frankenstein encore, 2009, filme de animação, 32', 16mm e video


Realização de Alex Baladi e Isabelle Nouzha.

Em francês com legendas em inglês

Adaptação da bd homónima (Atrabile; 2001) de Alex Baladi, autor suiço de bd com dois livros editados em Portugal, pela Polvo.

Estreia nacional: dia 12 de Dezembro, às 23h na Feira Laica.



E AINDA, nesse mesmo dia:

Clay Pigeon (7', 2005)
Hair (3,5', 2005)
Spitted by kiss (11', 2007)
de
Milos Tomic (Sérvia)


 
Ana Biscaia

Fechamos a programação da Feira Laica - com a feira per se, filmes de animação e os convidados estrangeiros e respectivas exposições. Mas há sempre situações de última hora! Temos mais uns convidados especiais, nomeadamente uma exposição de Ana Biscaia e ainda a vinda do peruano/espanhol Martin Lopez.

Biscaia (1978) é ilustradora e designer gráfica. Estudou design de comunicação na U. Aveiro, ilustração na Konstfack University College of Arts, Crafts and Design (Estocolmo). Em 2010 foi distinguida pelo júri do Prémio Nacional de Ilustração pelo livro "Poesia de Camões para todos". Tem colaborado com diversas editoras portuguesas e suecas. O livro "O Carnaval dos Animais" foi seleccionado pelo júri do prémio TITAN Illustration in Design.

Este ano participou na nova antologia da Chili Com Carne, Destruição ou bandas desenhadas sobre como foi horrível viver entre 2001 e 2010 e ainda no jornal alemão Jungle World.

Como o Martin atrasou-se a confirmar a visita e não poderá ter uma exposição embora isso não seja um problema porque virá cheio de material! De Valência, cidade onde vive trará a excelente revista Argh! e edições do seu projecto Gráfica Valiente, que desde o Inverno de 2006 tenta destruir o mundo destabilizando a economia europeia com os seus zines e serigrafias caseiras e, eventualmente, com exposicões. Edita o zine El Temerario, dedicado à ilustração, e Kovra, dedicado à bd com o segundo número ainda quentinho, além de apoiar outras auto-publicações como Usted de Esteban Hernandez e Buen Dolor de Álvaro Nofuentes. Do seu país natal, o Peru, trará ainda produção desse hemisfério...

Conhecemo-lo na tournê europeia da CCC, foi o responsável pelo mini-zine Combate (entre autores da CCC e autores espanhóis) e irá participar no livro da tournê - mas terão de esperar para depois da Feira Laica porque ainda está a ser feito...


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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

TERTÚLIA DE NATAL 2010 – TERTÚLIA BD DE LISBOA – ANO XXV – 317º ENCONTRO – 7 DEZEMBRO



Este Encontro de Natal da Tertúlia BD de Lisboa, decorreu no Restaurante Jardim da Luz, tal como o do 25º Aniversário, a 1 de Junho passado, mas agora numa sala diferente. Devo dizer desde já que, pelo que me lembro, a ementa de 1 de Junho foi muito superior a esta, tanto em qualidade como em quantidades. Nem sequer a montra das iguarias (ver fotos) apresentava nada parecido com aquela magnífica cabeça de peixe que reproduzi aqui na altura. Esta aparente magreza do cardápio aconteceu, eventualmente, devido à famosa crise económico/financeira que grassa neste país, uma vez que o Restaurante Jardim da Luz estava completamente a abarrotar de gente, com pessoas à espera de mesa junto à porta e tudo…


Quanto à ementa, uma açorda de camarões selvagens (tão selvagens como aqueles que se compram no Continente, no Pingo Doce ou no Mini-Preço, em saquetas) e picanha fatiada (meia crua no interior, como se diz que deve ser e como eu detesto), com meia dúzia de batatas fritas e arroz de pimentos, mais uma pequena tigela de feijão preto que passava de mão em mão. Tudo isto (excepto o feijão preto) em pequenas travessas para cada duas pessoas.
Preço pago por cada tertuliano: € 20,00 (e não 20€00, como Geraldes Lino escreveu no Programa), ou seja, mais € 1,00 do que em 1 de Junho.
Abençoada Gina!!!



O arquitecto Vasco Câmara Pestana (primo de Teresa Câmara Pestana) instalou-se na poltrona de topo de uma das mesas e a seu lado ficou João Antunes - dois novatos nestas coisas.
E o Vasco falou e falou... e falou...


A dada altura, apareceu entre as prendas (oferta de Luís Salvado) um álbum de AS AVENTURAS DE PAIO PERES #2, que fui logo verificar e tratava-se de um daqueles raros exemplares em que a Câmara Municipal de Almada (que subsidiou este segundo álbum) inseriu um texto de apresentação.
Nem eu tenho um destes!!!






Pedro Bouça distribuíu o número duplo 157-158 do Tertúlia BDzine (8 páginas), com a sua História do Mangá, que foi objecto de uma intervenção do autor numa das últimas Tertúlias.


Á direita, a mesa com as ofertas/presentes. Cada Tertuliano traz uma prenda, que será oferecida a outro Tertúliano, em rifa. Devo dizer, que (caso raro) eu tirei uma rifa com o meu nome, para rifar a minha própria prenda, pelo que tive de repetir a coisa.

Maria José Pereira fez as honras do sorteio.
À Ana Vidazinha, saíu a prenda oferecida pela Joana Afonso.

A dada altura, Vasco Câmara Pestana quis declamar (em voz tonitruante, que se ouvia até no jardim fronteiro ao restaurante), um poema seu, incluído no fanzine Gambuzine #2, editado pela sua prima Teresa.
Eis senão quando, cometeu o pecado capital: "Nesta fanzina...."

O que motivou uma estrondosa salva de palmas e a intervenção imediata de Geraldes Lino: "Que diabo, estou farto de dizer que é UM FANZINE!! É masculino, porra!!!" perante o ar siderado de Vasco...

Acabei por ganhar a prenda oferecida pelo Milhano: PARAÍSO PERDIDO, de Inferno, Ange, Varanda e Lyse, editado pela VitaminaBD em 2002:


Milhano ainda pregou um susto de morte ao Vasco...

E para fim de festa...

Nem vos conto a odisseia de Geraldes Lino e Milhano até conseguirem enfiar Vasco da Câmara Pestana em casa, quase às três da manhã... Geraldes Lino que vos conte, eh, eh, eh...

LISTA DOS PARTICIPANTES, neste Encontro de Natal, que consta do blogue Divulgando Banda Desenhada, de Geraldes Lino:

Participantes previstos para este 317º Encontro, por ordem alfabética:

1. Abílio Pereira
2. Álvaro
3. Ana Maria Baptista
4. Ana Saúde
5. André Cardia Moreno
6. André Oliveira
7. António Isidro
8. Clara Botelho
9. David Ribeiro
10.Dulce Ribeiro
11.Falcato
12.Fernando Andrade
13.FIL-Luís Filipe Lopes
14.Gabriel Martins "Loot"
15.Gastão Travado
16.Geraldes Lino
17.Hélder Jotta
18.Hugo Teixeira
19.Inês Mendes
20.Joana Afonso
21.João Ataíde
22.João Antunes
23.José Abrantes
24.Luís Salvado
25.Luís Valente
26.Machado-Dias
27.Manuel Valente
28.Maria José Magalhães Pereira
29.Mariana Perry
30.Miguel Ferreira
31.Miguel Gabriel
32.Miguel Marreiros "Mima"
33.Milhano
34.Moreno
35.Nuno Amado "Bongop"
36.Nuno Duarte "O outro Nuno"
37.Pedro Bouça
38.Rechena
39.Ricardo Correia
40.Rui Domingues
41.Rui Rolo
42.Sandra Rosa
43.Simões dos Santos
44.Sofia Mota
45.Teresa Cardia
46.Tiago Pimentel
47.Vasco Câmara Pestana
48.Victor de Jesus
49.Vidazinha
50.Virgínia Soares

Nota: a vermelho, os que faltaram

PARA O ANO HÁ MAIS!!!

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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

BDpress #199: Pedro Cleto no Jornal de Notícias - THE WALKING DEAD + Gazeta das Caldas - HUGO TEIXEIRA PROMOVEU BANDA DESENHADA NAS CALDAS DA RAINHA




Jornal de Notícias, 29 Novembro 2010

THE WALKING DEAD: MORTOS ANDANTES VIERAM PARA FICAR

F. Cleto e Pina

Com apenas dois episódios exibidos, a nova série televisiva The Walking Dead é já um enorme sucesso. Com audiências próximas dos 5 milhões de espectadores nos Estados Unidos, as maiores de sempre em canais por cabo, apesar de apenas terem sido exibidos até agora dois episódios, segundo o canal AMC está já garantida uma 2ª temporada que terá pelo menos 13 episódios, mais 7 que a actual.

Protagonizada pelo actor britânico Andrew Lincoln, que encarna o ajudante de xerife Rick Grimes, conta como na sequência de um acontecimento cujas origens e contornos para já se desconhecem, os mortos ressucitaram e passaram a alimentar-se dos vivos, só morrendo se o seu cérebro for desfeito. Desta forma, estes zombies predominam por toda a parte, restando poucos humanos em alguns focos de resistência.

No episódio inicial, exibido em Portugal no canal Fox, apenas dois dias depois da estreia nos EUA - embora numa versão mais curta 12 minutos do que a original - Grimes acorda de um coma provocado por um ferimento de bala recebdio durante uma perseguição policial e constata que o mundo tal como o conhecia desapareceu. Parte então em busca da mulher Lori (Sarah Wayne Callies) e do filho Carl (Chandler Riggs), que encontrá no segundo episódio, também já exibido entre nós. Só que, a situação mudou, e entre os dois surge agora Shane (Jon Bernthal), antigo colega de Grimes e líder de um grupo de quase duas dzenas de pessoas.

Aliás, embora os momentos fortes da série sejam os confrontos com os “mortos andantes”, extremanente bem conseguidos graças aos efeitos especiais empregues, na base da história está a exploração das reacções (e das relações) humanas em situações extremas, conseguida em televisão pela forma pausada e com muitos momentos de suspense como a trama é desenvolvida.

Maioritariamente passada na região de Atalanta, The Walking Dead, dirigida por Frank Darabont, baseia-se na banda desenhada homónima que começou a ser publicada em 2003 pela Image Comics. Escrita por Robert Kirkman e desenhada por Tony Moore e Charlie Adlard, tornou-se uma revista mensal de grande sucesso, contando até ao momento 78 números, apesar de ser a preto e branco e ocupar um nicho de mercado, o da BD de terror, normalmente sem grande expressividade.

Em Portugal, aproveitando a estreia televisiva e a forte campanha promocional criada ao seu redor, a Devir acaba de editar o primeiro volume de The Walking Dead, “Dias Passados”, correspondente aos seis primeiros números do comicbook, cuja leitura permite constatar a fidelidade da série ao original e (re)descobrir as imagens fortes de Moore e a história forte e impactante, desenvolvida em bom ritmo por Kirkman.

Aliás, talvez alavancada pelo sucesso televisivo, um exemplar de The Walking Dead #1, classificado como 9,9 pelo CGC - Certified Collectibles Group - Comics Guaranty, a entidade que classifica o grau de preservação das revistas, segundo uma tabela cujo máximo é 10, acaba de ser vendido em leilão por 1825 dólares (cerca de 1325 euros), o que não deixa de ser surpreendente para uma revista com apenas 7 anos que custava 2,95 US$.




Capa da edição da Devir - The Walking Dead - Dias Passados
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Gazeta das Caldas, 3 de Dezembro 2010

HUGO TEIXEIRA PROMOVEU BANDA DESENHADA NAS CALDAS

O autor partilhou com os estudantes o seu gosto pela BD

O artista plástico Hugo Teixeira, que se dedica à Banda Desenhada, esteve nas Caldas da Rainha a 23 de Novembro para partilhar a sua experiência com alunos da EBI Santo Onofre.

Hugo Teixeira foi o primeiro autor a lançar um livro de Manga (BD em estilo japonês) original feito em Portugal. A BD Bang Bang é uma das favoritas entre os apreciadores mais jovens da nona arte.

Durante a tarde realizou-se na Biblioteca Municipal uma palestra com o criador de BD, que foi aberta ao público em geral. Pretendeu-se com a conversa cativar os alunos para a leitura e para a criação de BD, tendo-se registado grande interacção entre autor e estudantes.

Esta foi uma iniciativa da Biblioteca do Agrupamento de Escolas de Santo Onofre em parceria com o Centro de Artes.

N.N.






Aproveitamos para esclarecer que o BANG BANG ULTIMATE 1, de Hugo Teixeira,
lançado no 20º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora 2009,
já não se encontra no mercado.

Quem quiser adquirir o livro terá de o pedir para o email bdjornal@gmail.com.
O preço é de € 5,00 (preço de feira) e os portes de envio são grátis.
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Fotos de Hugo Teixeira,
fornecidas pela Equipa da Biblioteca do Agrupamento de Escolas de Santo Onofre.

Restantes imagens da responsabilidade do Kuentro.

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

BANDA DESENHADA - PORQUÊ "NONA ARTE"? (2)

A minha intenção, com o post sobre o porquê de se chamar à banda desenhada a “nona arte”, era meramente elucidativo. No entanto, nos comentários que fez (ver comentários no final do post de ontem), o Álvaro, ao contestar a “classificação das artes”, leva a coisa para outro plano. Mas ele não entende o contexto do “Manifesto das Sete Artes”, para isso bastava ler o texto de Ricciotto Canudo (que era crítico de cinema), para perceber que tudo aquilo tinha apenas a intenção de definir o cinema como a “sétima arte”, por isso nem sequer lá colocou a fotografia (sem ela não haveria cinema e até a própria banda desenhada é anterior à fotografia) e fez desaparecer da classificação a arquitectura. Se seguisse a lógica que começou a definir esta “classificação das artes”, em meados do século XIX, o cinema seria a 9ª ou 10ª arte e não a detentora do “mágico” número 7. Claro que estas classificações não tinham qualquer intenção crítica, nem grande lógica. Canudo queria apenas que o cinema fosse elevado ao estatuto de arte e não de mera indústria, como era (e ainda é) considerado.

Mas esta “fúria” classificativa das artes, no séc. XIX, tem a ver com a emergência do estatuto de artista, que sempre foi muito diluído ao longo dos tempos. Basta perceber que na Grécia antiga, as artes plásticas tinham, basicamente, duas funções: decorar a arquitectura e pedir ou agradecer aos deuses. A pintura e a escultura eram executadas por artesãos, não por “artistas”. E a palavra “artesão” significava técnica, habilidade, uma espécie de conhecimento técnico e estava associado ao trabalho, à profissão. E a mesma palavra era utilizada para o trabalho na olaria e na joalharia. Além disso, muitas esculturas tinham finalidades meramente religiosas. Não eram vistas como obras de arte. Os relevos eram utilizados para decorar templos e altares com o objectivo de narrar mitos. O mesmo valia para as ânforas (jarras ou vasos), que poderiam trazer nas suas pinturas cenas mitológicas ou do quotidiano.

Para os gregos antigos, a música e a poesia eram classificados noutra categoria de actividades, com uma definição mais próxima do que consideramos hoje em dia como arte. Tratavam-se de actividades que não resultavam apenas de uma habilidade aprendida, mas de talento pessoal.

Aliás, tudo isto está muito melhor explicado no DICIONÁRIO UNIVERSAL DA BANDA DESENHADA – pequeno léxico disléxico, de Leonardo De Sá, embora eu não concorde com algumas coisas que ele escreve na entrada sobre “Nona Arte”, nomeadamente no que os gregos antigos “pensavam” sobre estas coisas…

Mas por outro lado, o Álvaro está enganado quanto à definição do Erotismo como forma de arte. É preciso explicar, para não armar confusão, que o Erotismo/Pornografia é um tema transversal a todas as formas de arte e não é, ele próprio, uma forma de arte.

Quanto ao Design, aconselho o Álvaro a dizer aos discípulos de Bruno Munari, que o Design é uma forma de arte e verá a roda que leva…

A escultura, na antiguidade, era coisa de artesãos (bem alimentados ou não)…


A ilustração serve só para dar cor ao alerta do Facebook…

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

BANDA DESENHADA - PORQUÊ "NONA ARTE"?

Usamos a designação "nona arte" para a banda desenhada, mas, muita gente não saberá porquê. Deve-se tudo ao Manifesto das Sete Artes, do italiano Ricciotto Canudo, publicado em 1923:

MANIFESTO DAS SETE ARTES

O termo sétima arte para designar o cinema foi dado por Ricciotto Canudo* no Manifesto das Sete Artes, em 1911 (publicado apenas em 1923). Essa referência é apenas indicativa, cada uma das artes é caracterizada pelos elementos básicos que formatam a sua linguagem e classificadas da seguinte forma:

• 1ª Arte - Música (som);
• 2ª Arte - Dança/Coreografia (movimento);
• 3ª Arte - Pintura (cor);
• 4ª Arte - Escultura (volume);
• 5ª Arte - Teatro (representação);
• 6ª Arte - Literatura (palavra);
• 7ª Arte - Cinema (integra os elementos das artes anteriores mais a 8ª e no cinema de animação a 9ª).

Há uma certa dúvida se a ordem colocada estaria correcta, porém um maior número de pessoas concorda com a ordem encontrada, apenas criando uma grande dúvida na posição do teatro e da literatura.
Outras formas expressivas também consideradas artes foram posteriormente adicionadas ao manifesto:

• 8ª Arte - Fotografia (imagem);
• 9ª Arte - Banda desenhada (cor, palavra, imagem);
• 10ª Arte - Jogos de Computador e de Vídeo (alguns jogos integram elementos de todas as artes anteriores somado a 11ª, porém no mínimo, ele integra as 1ª, 3ª, 4ª, 6ª, 9ª arte somadas a 11ª desde a Terceira Geração dos Videojogos);
• 11ª Arte - Arte digital (integra artes gráficas computorizadas 2D, 3D e programação).

Banda desenhada, BD, história aos quadradinhos ou história em quadradinhos, quadrinhos, gibi, HQ, comics, tebeos, historietas, fumetti, mangá, manhwa, etc... é uma forma de arte que conjuga texto e imagens com o objetivo de narrar histórias dos mais variados géneros e estilos. São, em geral, publicadas no formato de revistas, livros, ou em tiras publicadas em revistas e jornais. Também é conhecida por arte sequencial, definição atribuida por Will Eisner (ver em DICIONÁRIO UNIVERSAL DA BANDA DESENHADA - pequeno léxico disléxico, de Leonardo De Sá).

A banda desenhada é portanto, chamada "Nona Arte" dando sequência à classificação de Ricciotto Canudo. O termo "arte sequencial" (traduzido do original sequential art), criado pelo autor norte americano Will Eisner com o fim de definir "o arranjo de fotos ou imagens e palavras para narrar uma história ou dramatizar uma ideia", é comummente utilizado para definir a linguagem usada nesta forma de representação. Uma fotonovela e um infográfico jornalístico também podem ser considerados formas de arte sequencial.

A banda desenhada é conhecida por comics nos Estados Unidos, bande dessinée em França, fumetti na Itália, tebeos em Espanha, historietas na Argentina, muñequitos em Cuba, mangás no Japão, manhwas na Coréia do Sul, manhuas na China e por outras várias designações pelo mundo fora.

(*) Ricciotto Canudo, [Gioia del Colle (Itália), 1877 – Paris, 10 de novembro de 1923] foi um teórico e crítico de cinema pertencente ao futurismo italiano. Estudou no «Instituto Tecnico Superiore de Bari», onde se licenciou em física e depois línguas orientais e estudos bíblicos, na Universidade de Florença.



Papagaio nº122 - Tim-Tim no Oriente (1937/08/12)

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