segunda-feira, 22 de novembro de 2010

21º FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DA AMADORA / AMADORABD (11): EXPOSIÇÕES (7) – CRISTINA SAMPAIO: CANTA O GALO GORDO – KORKY PAUL: A BRUXA MIMI + OS ESPAÇOS BD JUNIOR

Se ninguém consegue inventar uma maneira de convencer as crianças de hoje a ler banda desenhada, o fim absoluto da banda desenhada pode muito bem prever-se para quando estas crianças forem adolescentes e adultos.

Por isso acho meritório todo o espaço que o Festival da Amadora dedique às crianças. Mas já agora, seria mais meritório com banda desenhada para crianças!!! Infelizmente ninguém se lembrou de fazer uma exposição de Pedro Leitão – actualmente o único autor português a trabalhar para crianças – mas felizmente, ele próprio teve um importante trabalho neste 21º Amadora BD, que foi o teatro para crianças… com desenhos.

E se bem que a Bruxa Mimi (Winnie the Witch, no original) não seja banda desenhada, possui aquela qualidade impar que é o desenho abrangente de Korky Paul, que até aos adultos deslumbra.

Posso mesmo dizer que, se Cristo tivesse sido um autor de livros para crianças, poderia muito bem ter dito a frase: Deixai vir a mim as criancinhas, que delas é o reino da Bruxa Mimi!!!


CRISTINA SAMPAIO: CANTA O GALO GORDO
PRÉMIO NACIONAL DE BANDA DESENHADA 2009
MELHOR ILUSTRAÇÃO PARA LIVRO INFANTIL
(aqui está uma das contradições que é preciso resolver nesta questão dos Prémios Nacionais de Banda Desenhada: Ilustração NÃO é Banda Desenhada)

Execução da Cenografia: Carlos Farinha, Eduardo Nunes e Gilberto Gaspar.



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KORKY PAUL: A BRUXA MIMI
(faltou ficar escrito que a autora dos textos da Mimi é Valerie Thomas porque, se calhar, a bruxa Mimi não existia se não fossem os textos dela – é sempre um crime de lesa BD, ou lesa Ilustração, quando não se cita o autor dos textos, mesmo que este seja o desenhador/ilustrador, o que não é o caso)


Projecto de Cenografia: Nuno Quá, Susana Lanceiro e Susana Vicente.
Execução da Cenografia: Carlos Cunha, João Gouveia, Nuno Quá, Susana Lanceiro e Susana Vicente.

Korky Paul em sessão de autógrafos, no 20º Amadora BD 2009




Stand da Gradiva, de vendas dos livros da Bruxa Mimi


ESPAÇOS JUNIOR


Lá descobriram um espaço apropriado para colocar o "carro eléctrico", que em 2008 atazanou a vida aos autores, que dentro dele tiveram que dar autógrafos, que atazanou a vida aos livreiros e editores em 2009, por tornar a zona comercial intransitável e... finalmente, onde a criançada pôde brincar, em 2010!

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sábado, 20 de novembro de 2010

21º FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DA AMADORA / AMADORABD (10): EXPOSIÇÕES (6) – SCHUITEN E PEETERS, A TEORIA DO GRÃO DE AREIA + BDpress #197: João Ramalho Santos no JL, SOBRE A TEORIA DO GRÃO DE AREIA

Juntando dois em um. Ou seja mostramos a, quanto a nós, melhor exposição do 21º Amadora BD 2010, dedicada à obra A TEORIA DO GRÃO DE AREIA de François SCHUITEN e Benoït PEETERS, cujo 1º volume (editado em Maio de 2009) ganhou no ano passado o Prémio Nacional de BD para o Melhor Álbum Estrangeiro e (vá-se lá saber porquê) o Prémio Juventude. O 2º volume seria editado em Maio de 2010. Ao mesmo tempo, fica também aqui o recorte do texto do JL (PERPLEXIDADE) em que João Ramalho Santos escreve sobre esta obra.

SCHUITEN E PEETERS, A TEORIA DO GRÃO DE AREIA

Projecto e execução de cenografia: BLEU LUMIÈRE, Yves Marechal & Dominique Briand


Fotos da exposição, com a iluminação do flash.
Nota: todo o pavimento desta exposição estava coberto de areia!!!

Foto da esquerda, ainda com flash e o mesmo ângulo, mas sem flash - o que transmite melhor o ambiente criado pelos cenógrafos. As fotos seguintes foram obtidas sem flash.





O aspecto "desfocado" destas duas fotos, deve-se à rede que envolvia os objectos...

As pranchas originais (como se pode ver na foto da direita), no livro são apresentadas em duas partes, como se pode ver nas imagens em baixo - a mesma prancha, tal como está no livro (tomo 2, páginas 98 e 99).
Isto porque os autores decidiram usar o formato italiano - ao baixo - para esta obra.
  


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JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, de 17 de Novembro 2010

PERPLEXIDADE

João Ramalho Santos

Nunca tendo tido em Portugal edição coerente, As Cidades Obscuras é um bom exemplo de BD que chama primeiro a atenção pelo desenho, para depois surpreender com argumentos surreais que questionam as coordenadas (estéticas, políticas, culturais, sociais) de um mundo ligeiramente desfasado do nosso. As Cidades Obscuras é uma obra notável que vive, não tanto de histórias, mas da implementação dos Conceitos que lhes servem de ponto de partida, como as dualidades Fachada/Substância, Ordem/Caos, Inovação/Tradição.

Focadas por um desenho limpo e operático (referenciando os séculos XIX-XX) que opõe a vertigem monumental de diferentes arquitecturas às interrogações (pessoais e civilizacionais) do argumento. Os autores definem meticulosamente cada Cidade Obscura enquanto catalizador para diferentes reflexões, e muitas vezes as personagens parecem perdidas e tipificadas no seu simbolismo, com a Cidade a garantir a densidade de caracterização, não como um palco, mas no sentido de verdadeiro ator.

No entanto, como muitas séries marcantes, As Cidades Obscuras sofreu com o seu próprio sucesso e, curiosamente, com o facto de, após álbuns isolados unidos por uma filosofia gráfica e narrativa, se ter tornado uma verdadeira série, com auto-referências e personagens recorrentes (quer humanas, quer Cidades). A vontade clara dos autores em usarem a sua voz para tratar temas mais identificáveis e vistos como "úteis" factuais e em usar cidades demasiado "reconhecíveis" (Pâhry, Brüsel) sem perder o cunho surreal tem sido também motivo para um equilíbrio instável nos últimos álbuns.

No mais recente A Teoria do Grão de Areia (díptico completado recentemente pela ASA) o Tema é a relação Oriente-Ocidente (Conhecido/Desconhecido, se se quiser), e o modo como um pequeno incidente causado por um misto de exploração-desrespeito provoca o desabar de um caos inexplicado sobre Brüsel/Bruxelas, um caos que se alimenta de si mesmo, escalando até ao limiar do colapso.

Se o simbolismo do deserto invasor é por demais óbvio, os autores tentam aliviar esse desequilíbrio global com desequilíbrios mais individuais e narrativas paralelas onde cruzam outros projectos, como a homenagem ao arquitecto Victor Horta e à sua Maison Autrique.

O desenho a preto sobre fundo creme de Schuiten, liberta o branco "puro" para pontuar a invasão do quotidiano pela estranheza, mas' é a inteligente opção pelo formato italiano ("deitado") que constrange uma tendência natural do autor: os edifícios tentam libertar-se em altura, mas chocam nos limites da página, vincando a sensação de claustrofobia.

A abordagem Ocidental ao Oriente em BD é balizada pela presença ou ausência de aberturas, no limite entre a empatia com a causa palestiniana (por exemplo em Palestine e Footnotes in Gaza de Joe Sacco), e o distanciamento mais frio e "prático" (por exemplo na série Léna, de Pierre Christin e André Juillard). No anterior díptico de Schuiten e Peeters (A Fronteira Invisível, onde a cartografia e a dualidade Mapa/Território era um pretexto para glosar os Balcãs) a abordagem surgia ancorada numa estranheza com um cunho de Conhecível, porque Europeia.

Em A Teoria do Grão de Areia Schuiten e Peeters ficam-se pela perplexidade ingénua e superficial, a (boa) vontade de compreender por entre o inexplicável. A relação desfasada entre o mundo das Cidades Obscuras e o seu espelho "mundo real" é, de resto, abertamente sugerida como um paralelismo da relação Oriente-Ocidente, uma metáfora sobre as metáforas.

Mais evidente é a homenagem de pureza branca ao invasor, mas que simultaneamente o transforma em caos a controlar. Mantendo as devidas distâncias com o Desconhecido a partir do momento em que, como sucede aqui, este deixa de ser apenas decorativo e folclórico.

Benoit Peeters, argumento
François Schuiten, desenhos
A TEORIA DO GRÃO DE AREIA (2 volumes)
ASA, 120 pp., 17,50 euros

Capas das caixas (ao alto) em que se apresentam os álbuns.

Capas dos álbuns (ao baixo - formato italiano)

Nota: se não sabe o que é o formato italiano, está à espera de quê para adquirir o DICIONÁRIO UNIVERSAL DA BANDA DESENHADA - pequeno léxico disléxico, de Leonardo De Sá, edição Pedranocharco Publicações?!?

Ver AQUI, referência ao DICIONÁRIO... em Itália!!!
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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

21º FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DA AMADORA / AMADORABD (9): EXPOSIÇÕES (5) – E TUDO FERNANDO BENTO SONHOU + O ANÚNCIO DA EXPOSIÇÃO DO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE FERNANDO BENTO NA BEDETECA DE BEJA

E faz-se assim o pleno: depois de exposições em Moura (Salão MouraBD), da Sobreda (Salão de BD da Sobreda), Viseu (Salão de BD de Viseu) e 21º Amadora BD, O CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE FERNANDO BENTO vai agora ter também exposição a ele dedicada na Bedeteca de Beja, que inaugura amanhã, dia 19 de Novembro e estará patente até 31 de Dezembro.

Mas antes do material relacionado com este evento, fiquemos com algumas fotos da exposição que o 21º Amadora BD 2010 dedicou a este autor, nascido no mesmo ano e no mesmo mês (só que no dia 26) em que se deu a implantação da República.

E TUDO FERNANDO BENTO SONHOU

Investigação e pesquisa documental: João Paulo de Paiva Boléo
Comissários: João Paulo de Paiva Boléo e Nelson Dona
Apoio de Produção: Mariana Caetano
Projecto e execução de Cenografia: Maria do Carmo Rolo e Nuno Fonseca


Atenção o efeito "zigue-zague" na foto de cima, deve-se à montagem fotográfica: na verdade a esquina que se vê ao centro, não existia...







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CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE FERNANDO BENTO NA BEDETECA DE BEJA
BAILADOS DE PAPEL
1910 - 2010

Exposição de Banda Desenhada e Ilustração
De 19 de Novembro a 31 de Dezembro
Galeria de Exposições Temporárias da Bedeteca de Beja (1º andar da Casa da Cultura)
De 2ª a 6ª feira das 9h00 às 23h00 / Sábados das 14h00 às 20h00

Quando Fernando Bento desenhou o cabeçalho de um prospecto do Coliseu dos Recreios, em 1931, não adivinhava certamente que viria a ser um dos artistas mais significativos no contexto da banda desenhada portuguesa dos anos 40 e 50. Bento nasceu em Lisboa, em 1910. Desde muito pequeno que começou a contactar de perto com a magia contagiante do espectáculo, quer se tratasse do circo, da ópera, do musical ou do teatro. O pai trabalhava com o artista Ricardo Covões, o que permitiu ao jovem Fernando Bento o acesso aos bastidores do Coliseu e aos seus segredos. Aos poucos, naturalmente, Bento foi desenhando cenários, figurinos e cartazes, chegando a atingir grande sucesso em meados da década de 30. A crítica, através do Diário de Lisboa, do Diário de Notícias e d’O Século, entre outros periódicos, teceu enormes elogios ao seu trabalho de cenógrafo e figurinista. Parecia natural que Bento seguisse este percurso… Tinha então 25 anos e o mundo à espera. E na verdade foi o mundo que encontrou, mas o mundo das histórias aos quadradinhos, como então se chamava à banda desenhada…

Fernando Bento começou então a fazer banda desenhada para o jornal República, em 1938. A princípio as suas histórias não excediam algumas vinhetas, mas à medida que a linguagem dos quadradinhos se lhe tornava mais próxima foi enveredando por narrativas mais longas, dando-lhes maior consistência. Desenhou depois no Pim Pam Pum, no Diabrete, no Cavaleiro Andante e noutras publicações, deslumbrando centenas de jovens com as suas esguias figuras.

O traço de Bento é estilizado, a fazer lembrar, por vezes, o desenho de figurinista. Não é de estranhar por isso que os seus desenhos atinjam uma elegância que o torna, talvez, o desenhador mais original da sua geração… Algumas das sequências que desenhou lembram verdadeiros bailados de papel.

Bento, à semelhança da enorme maioria dos autores portugueses de banda desenhada, nunca criou uma personagem central para as suas histórias, como é costume entre muitos artistas do resto da Europa ou dos Estados Unidos. Preferiu perder-se pelos caminhos aventurosos do mundo seguindo a pena de Verne, Melville, Stevenson, Walter Scott ou, claro, Adolfo Simões Muller…

A exposição que agora se mostra, organizada pela Câmara Municipal de Moura, pelo Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu, e pelo Grupo Bedéfilo Sobredense, assinala o centenário do nascimento de Fernando Bento, deixando descobrir o percurso ímpar de um artista incontornável para a história da banda desenhada portuguesa. Sem querer deixar de contribuir para a exposição, a Bedeteca de Beja juntou-lhe várias publicações (algumas de grande raridade) onde se pode apreciar o traço do Mestre…

Imagem: Sequência tempestuosa de Fernando Bento em Beau Geste, de Percival C. Wren, história publicada em 1952 no Cavaleiro Andante, e em 1982 na colecção Antologia da Banda Desenhada Portuguesa, da Editorial Futura.

Organização:
Câmara Municipal de Moura
Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu
Grupo Bedéfilo Sobredense

Apoio:
Câmara Municipal de Beja - Bedeteca de Beja


Contactos:
bedetecadebeja@yahoo.com


Cadernos editados com as exposições realizadas em Moura, Sobreda e Viseu (não teria sido mau de todo, se os formatos tivessem sido homogeneizados)
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

21º FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DA AMADORA / AMADORABD (8): EXPOSIÇÕES (4) – O MENINO TRISTE: PUNK REDUX – DOG MENDONÇA E PIZZA BOY – CITY STORIES

Regressemos então às exposições do 21º Amadora BD 2010, mas não sem que antes aconselhe todos os leitores a lerem AQUI, o importante texto de João Ramalho Santos sobre o Festival, “O que eu achei do 21º AMADORABD 2010”. Importante porque, devido à grande profusão de pontos de concordância, prenuncia um pouco o meu próprio texto final sobre o Festival de BD da Amadora – não só o deste ano – que terá, em si, linhas programáticas para a renovação que se deseja do mais importante Festival de Banda Desenhada realizado neste país.

As fotos que se seguem, são apontamentos das exposições O MENINO TRISTE: PUNK REDUXDOG MENDONÇA E PIZZA BOY e CITY STORIES.

O MENINO TRISTE: PUNK REDUX

Prenunciando o novo álbum de “O Menino Triste” de João Mascarenhas (que acabou por não sair durante este Amadora BD), esta exposição, tal como a seguinte, DOG MENDONÇA E PIZZA BOY, não tem ficha técnica no Catálogo Geral, não se sabendo portanto de quem foram as cenografias.



 DOG MENDONÇA E PIZZA BOY:



CITY STORIES

Parceria com o Festival de BD de Lodz (Polónia), teve projecto e execução da cenografia de Cláudia Gaudêncio e Rui Mecha. Tratando-se de um projecto do Festival de banda desenhada polaco da cidade de Lodz, segundo uma ideia de Adam Radon já na sua sexta edição, reúne os autores polacos Michal Sledzinski, Bartoz Sztybor e Balbina Bruszewska e os portugueses Filipe Andrade, Filipe Pina, Rui Lacas e Ricardo Cabral.







O desenho inconfundível de Ricardo Cabral (in Catálogo Geral do 21º Amadora BD 2010), em parceria com Balbina Bruszewska nesta história: "Lágrimas de Elefante"

Rui Lacas, na loja Dr. Kartoon, no 21º Amadora BD 2010, com Rui Brito (Polvo)

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