quarta-feira, 15 de agosto de 2018

O ÚLTIMO RECREIO DE CARLOS TRILLO E HORACIO ALTUNA

O ÚLTIMO RECREIO 

DE CARLOS TRILLO E HORACIO ALTUNA

Foi distribuído hoje, com o jornal Público o 11º volume da colecção Novela Gráfica IV


O Prefácio, de Antoni Guiral





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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

BDpress #489 – APATIA texto de João Ramalho Santos no JL


BDpress #489 – JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, 1 de Agosto de 2018 

SOBRE A ADAPTAÇÃO PARA BANDA DESENHADA DE

AFIRMA PEREIRA
de Antonio Tabucchi 
Argumento e desenhos de 
PIERRE-HENRY GOMONT

João Ramalho Santos 
APATIA 


Adaptar um romance para banda desenhada é sempre uma tarefa ingrata. Mesmo com descrições detalhadas a componente visual é imaginada no original, em BD há um ponto de partida gráfico que define a interpretação, e do qual não se pode fugir. Perdem-se umas dimensões, ganham-se outras. Na sua premiada adaptação de "Afirma Pereira" (2016) o francês Pierre-Henry Gomont faz um trabalho notável na abordagem do romance homónimo (1994) do escritor italiano Antonio Tabucchi (1943-2012). Não é (bem) o mesmo livro, nem poderia ser, mas é uma obra excelente, muito distinta (atrevo-me a dizer: com menos limitações) da adaptação para cinema (de Roberto Faenza em 1996, com Marcello Mastroianni).

A estreita ligação de Tabucchi a Portugal é bem conhecida, e Afirma Pereira uma visão lúcida da vida no Estado Novo, em 1938. Fugindo um pouco do registo de interrogatório do original, a BD segue a transformação do protagonista, de reservado cronista de cultura num jornal de Lisboa, a questionador ativo da realidade que o rodeia.

Urna realidade feita de opressão, de verdades sonegadas, de pequenos informadores; de apatia medíocre. Mas também das (algo previsíveis) jovens perspetivas de mudança, inflamadas pela Guerra Civil na vizinha Espanha, que, no entanto, parecem oscilar entre o ingénuo e o inconsequente. Até que o equilíbrio é perturbado, alguma ação se torna inevitável, como inevitáveis serão as suas consequências. Atormentado por fantasmas de vidas que não teve, profundamente desiludido por um presente (o corpo, as amizades, a profissão) do qual se aliena refugiando-se em traduções de Balzac ou Daudet, procurando respostas possíveis na religião, literatura, fllosofla, politica ou medicina, Pereira vai-se deixando contaminar por outras visões que, no entanto, não só não entende bem, como não sabe como operacionalizar. No fundo, Tabucchl e Gomont discutem o papel da cultura (e dos intelectuais) em tomar possível uma, aparentemente distante, Revolução.

Pierre-Henry Gomont tem um traço seguro, mas de aparência hesitante, marcado por excelentes cores crepusculares que. exaltando a luminosidade de Usboa, paradoxalmente sublinham, até melhor que o
preto e branco, o "cinzentismo" do período; bem como as angústias do protagonista e o seu evoluir enquanto cidadão. De resto, até a escolha de papel utilizado contribui para o excelente trabalho global da G. Floy Studio, dando ao livro uma qualidade de nostalgia mate. E se o autor arranja soluções
gráficas engenhosas para os diálogos (monólogos) internos de Pereira. define muito bem as restantes personagens, que devem ser vistas, não como entidades em si mesmas, mas enquanto interpretações
do próprio Pereira. Algo que justifica, quando necessário, a caricatura demasiado óbvia, ou mesmo a não-definição (como a que caracteriza a polícia política). Em Afirma Pereira assume-se que grande parte do poder opressivo resulta de resignação e concordância genéricas que ninguém parece saber muito bem como foram definidas; coisas das quais não parece haver libertação, e que todos sabem que sabem.

Tanto do lado dos convictamente a favor, como dos assumidamente contra. Como ainda dos  resignados, distraídos ou ignorantes, que, de vez em quando, acordam e podem fazer tombar balanças. É que por vezes a mudança vem de onde menos se espera; basta não ter medo. De falhar, mas, também, de triunfar. Mesmo que nada aconteça senão o exílio, ao menos tentou-se.

AFIRMA PEREIRA 
Argumento e desenhos  de Pierre-Henry Giomont, adaptando o romance homónimo de Antonio Tabucchí.
G. Floy Studio. 160 pp., 18 Euros




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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

BDpress # 487 – RECORTE DE IMPRENSA SOBRE BD: O JOGO DA VIDA, DE STEFAN ZWEIG a DAVID SALA texto de João Miguel Lameiras

BDpress # 487 
Dado que este livro saiu ontem, reproduzo aqui o recorte de imprensa com o texto de João Miguel Lameiras, publicado no passado dia 4 no Público


Colecção Novela Gráfica IV
10º VOLUME
O JOGADOR DE XADREZ 

Argumento – David Sala (a partir do romance de Stefan Zweig) 
Desenhos – David Sala 

Quarta-feira, 8 de Agosto 


O JOGO DA VIDA, DE STEFAN ZWEIG A DAVID SALA 

Se quiséssemos encontrar um subtítulo para esta quarta série da Colecção Novela Gráfica, que se está a aproximar do fim, Clássicos Ilustrados poderia ser esse subtítulo. Não só pela presença de verdadeiros clássicos incontornáveis da Nona Arte, como Aqui Mesmo, de Tardi e Forrest e O último Recreio, de Altuna e Trillo, mas sobretudo pela adaptação à arte sequencial de clássicos da literatura como Tatuagem, de Manuel Vazquéz Montalbán e, no volume que chega aos quiosques na próxima semana, O Jogador de Xadrez, de Stefan Zweig. Nascido em Viena, Áustria, numa família judaica, Zweig foi um dos mais importantes escritores da segunda metade do século XX, tendo abandonado a sua Áustria natal em 1934, aquando da ascensão de Hitler ao poder, iniciando um exílio que o levou a Inglaterra, Estados Unidos e Brasil, onde se suicidou, juntamente com a sua mulher, em 1942, perante a perspectiva (que chegou a estar em cima da mesa) de a Alemanha invadir o Brasil. Último texto escrito por Stefan Zweig antes de se suicidar, O Jogador de Xadrez é uma denúncia esmagadora e desesperada da barbárie nazi, através da experiência de B., um aristocrata vienense cujo incrível domínio do jogo nasceu do isolamento forçado, durante o dorninio nazi. A história de B. é contada ao anónimo narrador, que descobre, nos tranquilos salões de um paquete em viagem para a Argentina, um homem que, apesar de garantir que já não pegava numa peça de xadrez há mais de 25 anos, se revela um jogador exímio, capaz de derrotar até o campeão do mundo, que viaja nesse mesmo paquete. Levando à letra a designação atribuída ao xadrez, de "o grande jogo", Zweig transforma-o no seu romance no "jogo da vida" através da experiência de B. que através do xadrez se consegue evadir do espaço fechado do seu quarto de hotel transformado em prisão (sobretudo mental).

É essa obra de grande densidade psicológica que o desenhador francês David Sala adapta numa versão que a revista L’Express classificou, com toda a propriedade, como "sumptuosa".

Nascido em Décines, perto de Lyon, em 1973, David Sala não é estranho às adaptações à banda desenhada de obras literárias, pois com a colaboração de Jorge Zentner – com quem assinou também Replay, o seu único trabalho publicado em Portugal até à data – publicou a série Nicolás Eymerich, Inquisidor, uma adaptação de uma novela de Valeria Evangelisti.

Desta vez é o próprio Sala que se encarrega de todas as fases da adaptação, com excelentes resultados, tanto narrativos como gráficos. Abandonando as cores luminosas e o registo impressionista de outros trabalhos, Sala faz aqui uma aproximação à obra de Gustav Klimt e aos pintores da escola de Viena, o que faz todo o sentido, não só em termos simbólicos, mas também históricos, pois eles foram contemporâneos de Zweig e a sua arte simboliza a época em que decorre a acção.

Optando por uma paleta de aguarela pouco óbvia, onde dominam o verde-água e o roxo e explorando, na melhor tradição klimtiana, os padrões luxuosos dos tecidos, David Sala constrói páginas de uma beleza deslumbrante. Páginas que, cumprindo com brilhantismo a sua função estética, são também extraordinárias em termos narrativos, jogando com o leitmotiv do tabuleiro de xadrez, repetido nos ladrilhos do chão, ou dos próprios quadrados que dividem a página.

A forma como a crescente perrurbação de B. é transmitida graficamente também é reveladora do talento narrativo de David Sala, que, além de um talentoso desenhador e um extraordinário aguarelista, mostra ser também um fabuloso narrador.

Para além de ser o mais belo livro desta colecção, O Jogador de Xadrez é também um exemplo perfeito de como pode ser produtivo o diálogo entre a Banda Desenhada e a literatura.

João Mlguel Lamelras


 

O PRÓXIMO LIVRO:


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domingo, 5 de agosto de 2018

410º ENCONTRO DA TERTÚLIA BD DE LISBOA – 7/08/2018 – CONVIDADO ESPECIAL: PEDRO RIBEIRO FERREIRA

410º ENCONTRO 
DA TERTÚLIA BD DE LISBOA 
7/08/2018 

CONVIDADO ESPECIAL: 
PEDRO RIBEIRO FERREIRA


 
 
Nasceu em Lisboa em 1971 e tem muito orgulho em ser alfacinha! Desde pequeno que prefere estar com um lápis na mão a fazer bonecos do que a fazer outra coisa qualquer. A única nota que se destacava na pauta da escola era a de desenho e por aí seguiu o seu caminho. Formou-se em Design Gráfico e é essa a sua profissão oficial. Clandestinamente dedica-se, de alma e coração, ao cartoon, caricatura e à sua grande paixão de infância, a 9ª arte. 

Tem angariado reconhecimento sobretudo como caricaturista, tendo amealhado alguns prémios por concursos e certames, mas tem igualmente publicado cartoons e tiras cómicas. Participou igualmente em vários livros, quer enquanto ilustrador quer enquanto caricaturista. Neste último campo, publicou, em co-autoria, por exemplo, na série Caretas (Euro, Mundial, Sporting, Porto, Benfica, República, Rojatoons, etc.).

Em 2016 publicou um sketchbook de seu nome, Complicado. “Para este livro fui resgatar e redesenhar bonecos antigos, daqueles que fazia nos separadores dos dossiers no liceu, fui ao baú dos desenhos da minha infância, ao meu imaginário de outros tempos e enchi um caderno de bonecos como se não houvesse amanhã, com tudo o que gostava de fazer quando não era obrigado a nada, quando a vida era menos complicada.”

Juntou-se ao The Lisbon Studio em 2012 e é a partir daí que tem tido mais oportunidades para se dedicar à BD, com destaque para as participações nas TLS series com duas histórias de sua autoria. Para breve um álbum de BD a solo, que já está no forno há muito tempo.

Há mais de 20 anos que é um homem do Arco da Velha, empresa da qual é sócio-gerente (arcodavelha.pt).

PRÉMIOS:

2º Prémio Cartoon no Festival BD Amadora 99
Menção Honrosa no IV Salão Luso-Galaico de Caricatura de Vila Real 2000
Prémio Humor Salão Livre - Oeiras 2000
Menção Honrosa no IV Salão Luso-Galaico de Caricatura de Vila Real 2001
Prémio Amadora Cartoon 2008
2º Prémio na III Bienal de Humor Luís d’Oliveira Guimarães - Penela 2012
Menção Honrosa Moura BD 2013
3º Prémio Caricatura Porto Cartoon 2018

COLABORAÇÕES NA IMPRENSA:
Diário de Notícias, MAGAZINE - Grande Informação, O Jogo, Exame Informática,
360º FPF, Calibre 12, Bronkit, Jornal do Sporting, Stern.de, Jazz.pt, Revista Cais,
Do it, entre outros.

LIVROS PUBLICADOS:
Euro de Caretas - com Luís Miguel Pereira / Carlos Laranjeira / Ricardo Galvão
ABC do Sporting - com José Goulão
Caretas do Mundial - com Luís Miguel Pereira / Carlos Laranjeira / Ricardo Galvão
Caretas do Benfica - com Luís Miguel Pereira / Carlos Laranjeira / Ricardo Galvão
Caretas do Porto - com Luís Miguel Pereira / Carlos Laranjeira / Ricardo Galvão
Caretas da República - com Luís Miguel Pereira / Ricardo Galvão
O meu primeiro livro do Sporting - com Pedro Vasco
Rojatoons - com Luís Miguel Pereira / Ricardo Galvão
Caretas do Sporting - com Luís Miguel Pereira
Complicado (El Pep Editores)
Pelo Meu Sporting - com Luís Miguel Pereira
Silêncio (TLS series, Comic Heart / GFloy)
Viagens (TLS series, Comic Heart / GFloy)

EXPOSIÇÕES: Em Portugal por todo o país, Espanha, França, Brasil e Polónia (Varsóvia)
http://www.pedroribeiroferreira.blogspot.com/








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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

A COMIC CON PORTUGAL – ESTE ANO EM LISBOA – DE 6 A 9 DE SETEMBRO 2018


A COMIC CON PORTUGAL
REALIZA-SE ESTE ANO EM LISBOA
NO PASSEIO MARÍTIMO DE ALGÉS
DE 6 A 9 DE SETEMBRO 2018

O UNIVERSO ONDE SE PODE SER O QUE SE QUISER 

Depois de quatro edições na Exponor de Matosinhos (desde 2014), a Comic Con Portugal instala-se em Lisboa!!!

A Comic Con Portugal é uma plataforma fundamental de comunicação e interação, que existe para promover a indústria da Cultura Pop, usando referências e valores do universo “Pop” para nos sentirmos ligados às personagens e narrativas, criando experiências e memórias que mudam e melhoram a nossa perspetiva de vermos o mundo e a nós próprios. Uma vez por ano, todo esse contexto de Cultura Pop é transformado num festival de quatro dias. Realiza-se este ano no Passeio Marítimo de Algés, onde se poderão reunir desde os curiosos de Banda Desenhada a todos os amantes de Cinema, Televisão, Videojogos, Música, New Media, Anime, Manga e Cosplay. A Comic Con Portugal realiza-se nos dias 6, 7, 8 e 9 de Setembro de 2018.

Desde a década de 1930, pessoas de todas as idades passaram horas a ler as suas histórias em banda desenhada favoritas, imaginando-se com a capa do Batman ou lançando a teia do Spider-Man. Seria possível pensar que a imaginação poderia ser usada para ajudar a lidar com as nossas lutas do dia-a-dia? Não importa se as histórias apresentam elementos sobrenaturais ou fantásticos, estamos conectados às personagens e narrativas porque estão fundamentadas na emoção humana. A Cultura Pop faz parte da vida dos indivíduos quer num universo individual ou em grupo através de partilha de histórias, experiências, gostos e estilos de vida provenientes de cinema, televisão, publicações ou videojogos.

A Comic Con Portugal é uma plataforma fundamental de comunicação e interação, que existe para promover a indústria da Cultura Pop, usando referências e valores do universo "Pop”para nos sentirmos ligados às personagens e narrativas, criando experiências e memórias que mudam e melhoram a nossa perspetiva de vermos o mundo e a nos próprios.Uma vez por ano, todo esse contexto de Cultura Pop é transformado num festival de quatro dias.



O EVENTO

No evento, os visitantes podem obter autógrafos, frequentar painéis Q&A, autógrafos e photobooth com artistas nacionais e internacionais do Cinema e da Televisão. Podem também interagir com artistas de Banda Desenhada (em painéis e sessões de autógrafos) assim como encontrar expositores de várias marcas com diversos artigos colecionáveis, figuras de ação e edições especiais de livros.

Na área Literatura, estão presentes escritores de grandes obras e sagas do fantástico, que partilham a sua experiência com os fãs. Na área Gaming, é possível ver e experimentar as grandes novidades das marcas do setor, assistir a apresentações de jogos, participar em torneios, concursos e ganhar prémios. Para os entusiastas de New Media, poderão ter oportunidade de estar em contacto com os seus maiores ídolos do Youtube sendo possível assistir a painéis, tirar fotografias e pedir autógrafos.

Para os mais pequenos, a Comic-Con Kids conta com as séries e conteúdos preferidos dos mesmos, bem como diversas atividades lúdicas especialmente preparadas. A tudo isto, junta-se o Cosplay, que está presente em todo o recinto e ao qual todos os visitantes são convidados a aderir, conferindo uma atmosfera fantástica. O concurso Heróis do Cosplay, que decorre dentro do evento, premeia os melhores fatos.

OS CONVIDADOS DESTE ANO:

CHRIS CLAREMONT

 MAURICIO DE SOUSA

 TONY SANDOVAL

 DAN FOGLER

NICHOLAS HOULT, ATOR DE MAD MAX 

FILIPE MELO 

DOLPH LUNDGREN


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