domingo, 25 de janeiro de 2015

A (ABANDONADA) TORRE DE S.SEBASTIÃO DE CAPARICA

A "Torre Velha" - assinalada pelo círculo a vermelho - vista da Torre de Belém ...

A "Torre Velha" - o que se vê do Rio Tejo...

A (ABANDONADA) 
TORRE DE S.SEBASTIÃO DE CAPARICA
A TORRE VELHA...

É, para mim, completamente incompreensível que a Câmara Municipal de Almada não tome em mãos a reconstrução da Torre de S. Sebastião de Caparica (também conhecida por Fortaleza da Torre Velha – em contraponto com a Torre Nova, a de Belém, mesmo em frente, do outro lado do Rio), ali no morro entre o Porto Brandão e a Praia agora ocupada por depósitos de combustível – ao lado do antigo Lazareto do Porto Brandão (chamado depois Asilo 28 de Maio).

Esta fortaleza é um dos mais importantes exemplares da arquitectura militar renascentista no país, uma vez que foi dos primeiros sistemas de artilharia integrando a defesa da barra do rio Tejo, juntamente com a Torre de Santo António de Cascais e a Torre de São Vicente de Belém. Foi mandada edificar pelo Rei D. João II, por volta de 1481, tendo já programada a edificação de outra fortaleza do outro lado do Tejo, para com ela fazer “fogo cruzado” sobre navios que pretendessem atacar a cidade de Lisboa. Essa outra fortaleza só seria mandada construir (em 1514) pelo Rei D. Manuel I – a famosa Torre (de S. Vicente) de Belém. No local da Torre de S. Sebastião terá existido anteriormente uma bateria de artilharia mandada erguer por D, João I.

Nos trinta anos em que vivi em Almada, sempre me interessei pela localização da “Torre Velha”, mas nunca, nem com as conversas que tive com Raul Pereira de Sousa (funcionário da Câmara de Almada e estudioso das fortificações militares do Concelho), consegui localizar o raio da Torre. Só desde há uns dois ou três anos, com o livro de mestrado em História de Arte do arquitecto Pedro Aboim Inglês Cid – A Torre de S. Sebastião de Caparica e a Arquitectura Militar do tempo de D. João II – prefaciado pelo Prof. Rafael Moreira, é que (recuperando o meu velho interesse pela fortaleza) consegui identificar onde está localizada a Torre de S. Sebastião e... o estado em que está.

Não fui ainda visitar o sítio pessoalmente, mas o que vejo por fotografias (o estado de abandono é lamentável!!!) e mesmo pelo Google Maps, faz-me pensar que a Câmara de Almada está completamente alheada do património histórico que o Concelho possui. Aquela Torre (e mesmo o Lazareto) depois de desmatada a sua periferia (e o seu interior) reconstruída e promovida, seria um local de grande interesse turístico a contrapor à Torre de Belém – mesmo em frente, na margem Norte do Rio.



Mesmo no Google Maps é difícil, com todo este matagal, perceber onde fica a Torre de S. Sebastião de Caparica (a "Torre Velha") - a construção arruinada em forma de ferradura à direita, nas duas fotos iniciais, é o antigo Lazareto...




EXCERTO DO PREFÁCIO DO PROF. RAFAEL MOREIRA 

“(...) Uma obra-prima ao abandono...

A primeira vez que visitei a Torre Velha de Porto Brandão, como é vul­garmente conhecida, foi em 1975 pela mão amiga do sr. Raul Pereira de Sou­sa, funcionário da Câmara Municipal de Almada e amante da arquitectura militar do seu concelho. Lembro-me como se fosse hoje. Deixada a estrada de Porto Brandão, subimos um caminho de terra atravessando, não sem medo, a mole semi-derruída do Lazareto (construido em 1867) então ocupada por retornados [das ex-colónias]; passá­mos grades e galgámos muros; atravessámos uma vasta zona de mata quase amazónica (sinal da humidade retida no fosso aquático que rodeava por terra a fortaleza...); passámos pela frente abaluartada feita em 1571 por Áfonso Alva­res – como eu sabia por textos, mas que nunca vira – com o seu belo portal de pedra almofadada e ponte levadiça, entrando no pátio onde estão os restos setecentistas do Palácio do Governador e as ruínas da capela de São Sebas­tião; para então, ao fim de uma larga esplanada tendo Lisboa como pano de fundo, vê-la erguer-se: a Torre.

O "Portal" da frente abaluartada do séc. XVI  (1571) envolto no matagal - parece que estamos perante ruínas na Amazónia, de facto...

A primeira impressão é, devo confessá-lo, de alguma decepção. A torre é um edifício simples, rectangular sobre o alto, sem traço de decoração: arqui­tectura em estado puro. Mas depois de rodeá-la e examinar as suas paredes nuas, de descobrir nos cantos ao pé do chão seteiras cruzetadas de belo traça­do quatrocentista, outras no andar de cima para tiro vertical; de ver a porta de origem – no piso superior como nas torres medievais, mas de verga recta – com um brasão liso (de D. João II gasto pelo tempo ou dos Távoras, senhores de Caparica, picado por ordem de Pombal?); de galgar a larga escadaria bar­roca até ao enorme vazio interno, a que falta grande parte do piso em madeira; de observar a magnífica abóbada de berço sem uma fissura apesar dos seus 530 anos de idade – pois uma das conclusões deste trabalho foi datá-la sem erro de 1481 – e de subir a escada a um canto na parede, com frestas para ilu­minação, vigia e tiro, que conduz sem falha ao amplo terraço do alto, de onde se goza de uma vista soberba sobre a foz do Tejo, o efeito muda por completo. É numa grande obra de arquitectura militar – e da arquitectura tout court – do último quartel do século XV que nos encontramos, realçado pela euforia de "fazer uma descoberta". (...)”

Nota: O Prof. Rafael Moreira, foi o orientador da tese de Mestrado em História de Arte do Arq. Pedro Aboim Inglez Cid, em 1998.



Vista do terraço da "Torre" cimeira - pode ver-se ao fundo a Torre de Belém...

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sábado, 24 de janeiro de 2015

BDpress #452: MUSEU HERGÉ CANCELA HOMENAGEM AO CHARLIE HEBDO





MUSEU HERGÉ 
CANCELA HOMENAGEM 
AO CHARLIE HEBDO

Público, 23 Janeiro 2015

Luís Miguel Queirós

Para não colocar em risco os funcionários da casa e os habitantes de Lovaina-a-Nova, director do museu suspendeu homenagem

O Museu Hergé, na povoação belga de Lovaina-a-Nova, decidiu cancelar uma exposição de homenagem ao jornal satírico francês Charlie Heb­do, cuja inauguração estava previs­ta para ontem. O director do museu dedicado ao criador de Tintin, Nick Rodwell, esclarece que a decisão foi tomada por razões de segurança, e admite que a exposição poderá ainda vir a abrir, "se o nível de alerta dimi­nuir nos próximos dias ou semanas".


O anúncio do cancelamento foi feito na sequência de uma reunião de Rodwell com o presidente da Câ­mara de Lovaina-a-Nova, Jean-Luc Roland, e responsáveis da polícia, que expuseram as medidas de segurança excepcionais que seria necessário pôr em mar­cha se a exposição abrisse na data prevista, e que alertaram ainda para os riscos que o pes­soal do museu e os próprios muní­cipes correriam.

Já depois do ataque de dia 7 ao Charlie Hebdo, que fez 12 mortos, as forças de segurança belgas des­mantelaram no dia 15 uma célula jihadista (sem ligação conhecida aos irmãos Kouachi, autores do atenta­do em França), que incluía alguns elementos acabados de regressar da Síria e que pretenderia cometer vários atentados no país. A operação policial decorreu simultaneamente em Bruxelas e noutras localidades belgas, designadamente Verviers, onde dois jihadistas foram mortos num confronto com a polícia.

A ideia de fazer esta exposição, "uma homenagem de Hergé, que foi também caricaturista, aos ca­ricaturistas assassinados", surgiu "espontaneamente", conta Rodell, logo após o massacre de 7 de Janeiro. Mas o director do museu reconhece agora que foi "um pouco ingénuo" e agradece à polícia e ao autarca de Lo­vaina-a-Nova que o tenham alertado para os perigos que a exposição po­deria implicar. "O Museu Hergé não existe para atiçar o fogo", diz Rodell, acrescentando que "seria inconcebí­vel expor ao mínimo risco" tanto os funcionários da instituição como os habitantes de Lovaina-a-Nova.

Um desenhador que estaria repre­sentado na exposição, Nicolas Vadot, concorda que houve "precipitação" do museu e que este "não escolheu o melhor momento", quando o pa­ís acabara de aumentar o nível de alerta. Mas também acha que, não existindo uma ameaça concreta, a solução agora encontrada pode comprometer a imagem do museu. "Uma exposição contra a censura que se autocensura quando não exis­tia uma ameaça é problemático", diz Vadot, concluindo: "Isto quer dizer que os terroristas ganharam". É bem possível que Tintin, o jovem e valente repórter criado por Her­gé, sempre pronto a meter-se em arriscadas aventuras para defender a causa da justiça, tendesse a concor­dar com Vadot.


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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

MUSEU NACIONAL DA IMPRENSA (PORTO) – VIAGEM PELO CHARLIE HEBDO E HOMENAGEM A WOLINSKI




MUSEU NACIONAL DA IMPRENSA (PORTO) 
VIAGEM PELO CHARLIE HEBDO
E HOMENAGEM A WOLINSKI

Diário de Notícias, 17 de janeiro de 2015

O Museu Nacional da Imprensa organizou em tempo recorde a exposição Wolinski-Hebdo, que abriu hoje portas, para honrar o nome do desenhador francês que durante a última década ajudou a transformar o Porto em capital internacional do cartoon e que sonhou acabar os seus dias neste "pais despretensioso". O diretor espera trazer mais público ao museu

Por Sérgio Pires

O Presidente da República, Cavaco Silva, aperta a mão a Georges Wolinski, que recebe uma martelada na cabeça em noite de São João... Na página 10 da edição de 4 de julho de 2012 do Charlie Hebdo não há caricaturas passíveis de provocarem a ira, apenas a homenagem bem-humorada no traço e nas palavras de um dos mais conceituados cartoonistas franceses ao Porto e ao festival de cartoon da cidade.

Desde que em 2004 foi convidado para ser presidente do júri do Porto Cartoon que o desenhador francês (nascido na Tunísia) cultivou o seu enamoramento pela Invicta. Durante a última década, presidiu ao júri do festival, contribuiu para a proclamação do Porto como capital internacional do cartoon e, recentemente, confessou a vontade de vir viver para Portugal: "Um dia, comprarei uma ruína e acabarei os meus dias neste país despretensioso..."

A cidade retribuiu o afeto e a autarquia, que esta semana fez um voto de pesar pelo desaparecimento de Wolinski, tem desfraldada no seu edifício uma tarja negra gigante com o nome do jornal satírico e o rosto do autor.

Tal como Charb, Tignous, Cabu e Honoré, Wolinski está no rol dos ilustres artistas que perderam a vida naquela manhã de quarta-feira no massacre na redação do Charlie Hebdo. Quando soube da notícia do atentado de há semana e meia, Luís Humberto Marcos, diretor do Museu Nacional da Imprensa e do Porto Cartoon, não perdeu tempo a tentar contactar o amigo Wolinski. ''Estás bem? Diz-me o que está a acontecer." Deixei-lhe essa mensagem. Infelizmente, já não tive resposta. Em março de 2012, meses depois de a redação ter sido incendiada, ele falou sobre a ameaça ao jornal sem preocupação ou medo. Estava seguro da legitimidade do seu trabalho e acreditava muito no sistema securitário de França. Disse que nunca conseguiriam calar o Charlie Hebbdo, recorda ao DN, explicando que o luto e o choque brutal com os factos se transformaram rapidamente em vontade de erguer em tempo recorde a exposição Charlie-Wolinski, que hoje abre no Museu Nacional da Imprensa.

"Concluímos que havia material suficiente para se fazer uma boa exposição (mais de duzentas obras), que vai assentar na história do Charlie Hebdo, desde os primeiros números, com imensas capas feitas pelo Wolinski e também pelo Cabu, sobretudo das décadas de 1970 e 1980.Vamos expor também livros do Wolinski, que é o cartoonista com mais obras mais editadas em França, alguns originais e também trabalhos que ele fez para a Paris Match ou o Le Journal du Dimanche", conta ao DN Luís Humberto Marcos, reconhecendo que a extraordinária mediatização do caso poderá trazer muito público ao museu. "Há duas semanas, talvez só uma em cada cem pessoas por cá soubesse o que é afinal este jornal... Admito que agora haja muita gente que queira vir à exposição para conhecer um pouco da história, mas o objetivo primeiro é honrar o nome de um cartoonista genial e divertido e através dele homenagear a liberdade de imprensa e o humor como elementos essenciais da vida."

Uma liberdade difundida através dos desenhos e dos pensamentos do autor que durante a mais de meio século de carreira feitos de traços que expressavam sarcasmo, lascívia ou a bonomia que o caracterizavam, embora Wolinski preferisse definir-se de uma forma despretensiosa e cheia de humor: "Sou um idiota, mas quando vejo o que pessoas inteligentes fizeram ao mundo..." 


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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

ARISTIDES DE SOUSA MENDES, HERÓI DO HOLOCAUSTO DE JOSÉ RUY EDITADO NOS ESTADOS UNIDOS


ARISTIDES DE SOUSA MENDES
HERÓI DO HOLOCAUSTO 
DE JOSÉ RUY 

EDITADO NOS ESTADOS UNIDOS

Sobre a edição nos EUA de Aristides de Sousa Mendes, Herói do Holocausto, de José Ruy, o autor enviou-nos uma nota, juntamente com o texto da Drª Olivia Mattis – que reproduzimos a seguir – publicado na revista Holocausto:

Recebi agora um artigo que a Dr.ª Olivia Mattis, vice-presidente da «Sousa Mendes Foundation» nos Estados Unidos da América escreveu na revista «Holocausto», sobre a minha BD «Aristides de Sousa Mendes, Herói do Holocausto» que depois da edição em francês para o Canadá tem agora a tradução em inglês da América.

A análise feita por ela é interessante, por isso a envio para si, como curiosidade. Vai realmente ao encontro do trabalho que tenho desenvolvido pelos lugares de ensino e bibliotecas, há trinta anos com resultados idênticos aos apresentados pela Dr.ª Olivia Mattis.

Para facilitar a leitura, junto a tradução para português/Brasil.

O logótipo assinalando os 75 anos do gesto de Sousa Mendes em 1940 foi aproveitado de um desenho meu da história.


José Ruy
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A Fundação Sousa Mendes, observa Olívia Mattis, se junta a outras organizações memoriais em usar o formato de narrativa gráfica (comics) para apresentar um assunto mais tipicamente ensinado através dos livros de história e testemunhos de sobrevivência. Aqui Mattis apresenta uma breve justificativa para o uso deste meio, juntamente com uma pequena amostra da Fundação, ainda a ser publicado, Aristides de Sousa Mendes, herói do Holocausto, de José Ruy, principal cartunista de Portugal.

Leia com o ensaio de Rafael Medoff em cartunistas que expuseram o Holocausto, pp 65-71:

O HOLOCAUSTO EM BANDA DESENHADA NÃO É MAIS TABOO

Como atingir os jovens? Essa é uma preocupação de todos na comunidade memorial do Holocausto, uma vez que a população de sobreviventes diminui de ano para ano. Com a sua banda desenhada descritiva deste intenso tema – um género introduzido com a publicação de Maus – a Fundação Sousa Mendes junta-se a outras organizações memoriais, como a Casa de Anne Frank, o Instituto Wyman David, e da Fundação Jan Karski Educação.

A tradução para inglês, de Della Peretti, de Aristides de Sousa Mendes, herói do Holocausto, de José Ruy, originalmente publicado em Português e baseada principalmente em escritos de língua Portuguesa do historiador Rui Afonso, reúne detalhes da vida de Sousa Mendes anteriormente indisponíveis em Inglês. É apenas o que Spiegelman (2011) define como uma banda desenhada: "um desenho que chega às essências" (p.168).

O uso de um formato visual é especialmente apropriado para a história Sousa Mendes porque havia vários artistas entre os que receberam vistos portugueses, incluindo, principalmente, Salvador Dali e autores-ilustradores Hans A. e Margret Ray, criadores de Curious George. No entanto, é também adequado e eficaz para a sala de aula?

Jonathan Hennessey, que foi o autor de uma adaptação gráfica da Constituição dos Estados Unidos, aponta que:

O olho humano processa imagens algo como 60 mil vezes mais rápido do que processa o texto. Isso não quer dizer que o texto é posto de parte, mas as imagens são muito poderosas, e poderiam ser poderosas ferramentas de ensino. (Cutler, 2014, p. 1)

Outros educadores oferecem justificativas variadas para o poder potencial de imagens de quadrinhos. Autor comic-books Josh Elder (2014), reconhecendo que muitas vezes "o maior desafio é em primeiro lugar levar os alunos a prestar atenção", acredita que "os quadrinhos são uma maneira de o conseguir" (p.2). Elder, o fundador da Leitura Com Pictures, diz que "os quadrinhos tornam a leitura fácil e divertida", mas reconhecendo que os educadores precisam de uma base pedagógica para usá-los, ele associou o seu último trabalho, uma antologia intitulada Reading Com Fotos: quadrinhos que fazem as crianças mais inteligentes, com o núcleo de Normas Comuns para ilustrar o potencial dos quadrinhos na sala de aula.

De acordo com o educador David Cutler (2014), "Banda desenhada boa não somente desperta o amor precoce pela leitura, mas também ajuda as crianças a compreender conceitos abstratos" (p.2 ). Tracy Edmunds (2014)), um escritor de currículo, acredita que professores precisam de "novas ferramentas, e histórias em quadrinhos podem trazer um ou dois ímpetos com imagens e texto trabalhados juntos" (p.1). A educadora Lisa S. Cohen (2014) escreve: "O mundo visual tem tido impacto cada vez maior na vida dos nossos alunos", e usando romances gráficos em sala de aula "é uma maneira de se conectar as partes inexploradas de suas mentes. "Cohen, que usa romances gráficos mesmo em suas aulas de Colocação Avançada, alega que eles "permitem uma nova abordagem para a dicção imaginação, sintaxe, estrutura e linguagem. " Ela defende pedir aos alunos para encontrar conexões 'escondidas' entre o texto e recursos visuais e descobrir as maneiras em que os recursos visuais interagem uns com os outros ".

A Banda Desenhada “Sousa Mendes”, então, pode encontrar uma variedade de carências em salas de aula diferenciadas de hoje. Destinada a leitores com idades entre 10-15 anos, segue-se a vida do cônsul, começando com sua infância, e viaja pelo mundo, mostrando seus cargos diplomáticos em San Francisco, Brasil, Zanzibar, e na Bélgica. Entrelaçada com a narrativa biográfica é este o contexto histórico, incluindo a ascensão de Hitler, a construção de campos de concentração, e a perseguição aos judeus. O clímax da história – a crise de consciência de Sousa Mendes – é descrito como uma sequência de sonho, duas páginas e meia, com um desfile de campos de concentração desenhadas em escala de cinza, terminando com sua súbita perceção de que o destino dos refugiados judeus descansa com ele. Tomada a sua decisão, ele declara: “Vou emitir vistos para todos, independentemente da nacionalidade, raça ou credo!"

Enquanto lêem, os alunos podem explorar o uso de tempo da sequência de José Ruy, crucial para o entendimento de um arco de história, tais como o flashback versus sequência narrativa; seu uso da cor, como preto e branco, policromada, e escala de cinzentos, necessário para reconhecer o modo e o estilo; e outros aspetos da retórica visual que ajudam a contar uma história, incluindo conceitos de relevância específica para esse género: painel, balão, sombreamento, perspetiva, storyboard, sequência, e tipografia.

Mais amplamente, esta história em quadrinhos pode servir como um complemento para uma unidade em resgate durante o Holocausto, especificamente a situação dos refugiados judeus e as tentativas limitadas e poucas para fornecer refúgio; ou como uma entrada para a história do Holocausto ou na história Portuguesa que envolve a história Sousa Mendes. A banda desenhada de Ruy ilustra o conselho do historiador Rafael Medoff , que, em seu extenso estudo sobre histórias em quadrinhos e sua eficácia no ensino (ver Medoff , pp . 65-71 - Ed.), descobriu que "uma abordagem simples funciona melhor em assuntos pesados, como o Holocausto”. Ele sugere que a técnica mais interessante é abandonar cuidadosamente o registo histórico e encontrar histórias da vida real que as pessoas poderão achar mais interessantes, e usar arte, – especialmente desenho animado ou histórias em quadrinhos – para animar e levar o leitor a ler até ao final. (Kaminer, 2013)

Medoff observa que "o público está a começar a acostumar-se à ideia de que a história séria, rigorosa pode ser representada em um estilo da banda desenhada" (Kaminer, 2013) , mas o uso de desenhos animados e ilustrações para ensinar tanto sobre o passado como sobre os eventos atuais não é novo: a banda desenhada Doonesbury nunca se esquivou de comentar assuntos mundiais, e cartoons editoriais de jornal, usado nos livros de história para ilustrar factos e conceitos, têm uma história longa e distinta. Persépolis de Marjane Satrapi (2004) é ​​um cartoon autobiográfico amplamente utilizado para ensinar sobre o Irão. Maus de Spiegelman é um texto clássico sobre o Holocausto, e o seu Shadow of No Towers (2004) ensina sobre o 11 de setembro. "A história em quadrinhos se responsável e bem ensinada pode ser um complemento interessante e refrescante para aulas de história existentes", afirma Verena Radkau-Garcia (2014), do Instituto Georg Eckert for International Textbook Research, com sede na Alemanha.

Dada a escassez de livros disponíveis sobre Sousa Mendes em Inglês (só há uma: a de 2001 de José-Alain Fralon – A Good Man in Evil Times), esta banda desenhada é uma contribuição significativa para a literatura. Obviamente, ela não irá substituir um texto de história, mas vai ser usado em conjunto com sites relacionados, filmes, notícias e artigos académicos, proporcionando aos estudantes múltiplos pontos de entrada para o tema da minoria de pessoas boas que salvaram judeus durante o Holocausto. Ela fornece um exemplo envolvente do conceito universal – não importa o formato em que é apresentado – que uma pessoa pode fazer a diferença

REFERÊNCIAS
Cohen, L.S. But this book has pictures! The case for graphic novels in an AP classroom. Retrieved from http://apcentral.
Cutler, D. (2014, September 17). The new teachers’aides: Superman and Iron Man. The Atlantic. Retrieved from www.theatlantic.com
Fralon, J.-A. (2001). A good man in evil times: The story of Aristides de Sousa Mendes-the man who saved the lives of countless refugees in World War II. (Peter Graham, Trans). New York Carroll and Graf
Kaminer, M. (2013, September 17). Holocaust education through comics. The Forward. Retrieved from http://blogs.forward.com
Phalnikar, S (2008, February 1). Graphic novel tackles taboo of the Holocaust. Deutsches Welt. Retrieved from http://dw.de
José Ruy, J. (in press). Aristides de Sousa Mendes, Hero of the Holocaust. (Della Peretti). New York: Sousa Mendes Foundation
Satrapi, M (2004). Persepolis
Spiegelman, A. (1986). Maus: A survivor’s tale: My father bleeds history. New York: Pantheon Books
Spiegelman, A. (2004). In the Shadow of No Towers. New York: Pantheon Books

Da edição portuguesa original

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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

AMANHÃ INAUGURA-SE UMA EXPOSIÇÃO DE ORIGINAIS DE FERNANDO RELVAS


AMANHÃ INAUGURA

EXPOSIÇÃO DE ORIGINAIS 
DE FERNANDO RELVAS

A partir de amanhã, dia 21 às 18,30h e até 6 de Fevereiro, estarão expostos (e para venda) 120 originais de Fernando Relvas publicados na imprensa e em livro, no Espaço Arte da livraria Europa América, Av. Marquês de Tomar 1B, em Lisboa.


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