Sexta-feira, 24 de Maio de 2013

PRÉMIOS PROFISSIONAIS DE BD 2013 – HOJE ÀS 17h30 NA TORRE DO TOMBO – ENTREGA DOS PRÉMIOS




 
PRÉMIOS PROFISSIONAIS DE BD 2013
HOJE ÀS 17h30 NA TORRE DO TOMBO
ENTREGA DOS PRÉMIOS


Realiza-se hoje, às 17H30 na Torre do Tombo, a entrega dos primeiros PPBD, os quais têm por objectivo divulgar, Nacional e Internacionalmente, a Banda Desenhada de autores Portugueses que, em Portugal, podemos (ou devemos) encontrar disponíveis no circuito livreiro.


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Quinta-feira, 23 de Maio de 2013

ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI NO KUENTRO (8) — AS EXPOSIÇÕES (4) — ILUSTRAÇÃO INFANTIL + AMIGOS DO CNBDI — TEXTO DE JOSÉ RUY (7)


Foto de J.Machado-Dias, em 23 de Maio de 2013


ÀS QUINTAS FALAMOS DO CNBDI — 8

AS EXPOSIÇÕES — 4
ILUSTRAÇÃO INFANTIL
17 de Janeiro a 19 de Abril de 2003

Ilustradores representados: André Letria, Carla Pott, Danula Wojciechowska, Elsa Navarro, Fernanda Fragateiro, Jão Caetano, João Fazenda, João Vaz de Carvalho, José Manuel Saraiva, Marta Torrão e Teresa Lima

O CATÁLOGO

Contracapa e capa do Catálogo - ilustração e João Caetano




AS FOTOS 
(de Dâmaso Afonso) 
DA INAUGURAÇÃO DESTA EXPOSIÇÃO




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AMIGOS DO CNBDI (07) 
José Ruy

(...Continuação)

O famoso "bunker" fica mais ou menos no centro da galeria de exposições do CNBDI 
(foto de J. Machado-Dias, 23 de Maio de 2013)

Voltando ao conteúdo do «bunker» do CNBDI, esclareço que dentro das prateleiras dos armários de aço não repousam «apenas» os originais das pranchas das histórias em quadrinhos dos autores já referidos e publicados em revistas ou livros, encontra-se aí um outro tipo de material; referi já os esquiços do Teixeira Coelho e meus, feitos do natural principalmente no jardim zoológico, na Escola do Exército e Quartel de Lanceiros 2, bem como estudos do corpo humano nu e com roupagem, em diversos ateliês.que tivemos ou partilhámos. Para mim estes desenhos têm mais valor do que propriamente as pranchas, já que estas tendo sido impressas foram vistas pelo grande público, enquanto os croquis continuam inéditos. E falando de inéditos, há pranchas do Eduardo Teixeira Coelho que nunca foram editadas, algumas feitas de propósito para Espanha.

Estes esquiços arquivados no CNBDI de que falo, não são simples dezenas ou centenas, atingem alguns milhares.

Mas para além disto, há material litográfico do tempo de O Mosquito, peças únicas que hoje exemplificam o processo litográfico usado na altura, e que diferia muito das outras oficinas gráficas, já que a tecnologia desse célebre jornal era a mais avançada da época. Recordo-vos que a máquina offset de impressão comprada à «Roland» para imprimir O Mosquito que ia já no seu quarto ano de existência, era o último modelo lançado no fatídico ano de 1939, em que deflagrou a Segunda Guerra Mundial. Esta máquina imprimia seis mil exemplares por hora, quando no parque gráfico do nosso país, as melhores impressoras existentes conseguiam essa tiragem num dia de 8 horas de trabalho. E mais de uma vez presenciei esse ritmo ampliado para oito mil provas hora, para compensar algum atraso ocasionado pela dificuldade na chegada de originais ingleses devido ao conflito armado. Portanto o processo litográfico que usávamos, aperfeiçoado pelo António Cardoso Lopes Júnior, o Tiotónio, era também avançado. Temos, felizmente, connosco um dos primeiros impressores que estrearam essa «Roland», morador na Amadora e que mantém boa saúde para confirmar tudo o que escrevo aqui. Trata-se do técnico impressor José da Luz, ajudante na altura de seu pai, Manuel da Luz, de quem mais tarde fui colega, dos dois, no Diário de Notícias.

 José da Luz, à esquerda, durante o almoço de confraternização do aniversário d'O Mosquito, em 14 de Janeiro de 2012, num restaurante de Lisboa...

Continuando com o material técnico preservado no CNBDI: o uso do aerógrafo em publicações de grande tiragem foi iniciativa do Tiotónio, pois as outras gráficas apenas o usavam para cartazes de grande formato e com tiragens reduzidas, destinados a serem colados nas frontarias dos prédios. Quanto aos originais desenhados em papel, ou fotografias, eram reproduzidos em chapas de vidro emulsionadas à base de albumina, em negativo, e depois projetadas num ampliador para a superfície de um zinco litográfico também previamente preparado. Dessas pequenas chapas, os desenhos já então reduzidos do grande formato em que eram executados, eram tiradas provas num «papel cromo» com uma tinta altamente gordurosa e depois montadas nos «deitados» que iam imprimir na máquina Offset.

Pois no CNBDI existem estas pequenas chapas de zinco litográfico, (não confundir com as zincogravuras tipográficas) provas diretas em papel, prova em «papel cristal» para fazer os decalques nas várias chapas destinadas às cores. Podemos afirmar tratar-se de um pequeno museu relacionado com a Arte Gráfica, de que depende e sempre dependeu, a BD ou histórias em quadrinhos.

E não basta ter no seu espólio estas relíquias. Quem está atualmente (e há alguns anos) à frente da instituição tem tido o cuidado de recolher depoimentos com a explicação do seu funcionamento e para que servia cada uma dessas peças.

Sobre a máquina Offset, enviada para o Museu da Tecnologia em Coimbra, por ser exemplar único, foi mantida criminosamente desmantelada e em estado continuamente degradado, com impedimento de ser vista até hoje por qualquer técnico. O seu diretor mantém-se irredutível não deixando que se veja ao que chegou o seu desleixo e incúria, impedindo a sua recuperação até graciosa já proposta antes. Um dia esta situação verá a luz do dia, por certo num dia cinzento, mas em que todos poderão analisar ao que chega a insensibilidade de quem se considera importante por possuir a chave de um armazém que é do Estado mas que se nega a abrir.

...a máquina offset de impressão comprada à «Roland» para imprimir O Mosquito...

É um sonho, por realizar, da direção do CNBDI ter esta máquina em exposição nas suas instalações. Sobre isto escrevi já muitas linhas publicadas neste Kuentro, por deferência do seu organizador.

Só podemos de gostar de algo, se o conhecermos bem; conhecendo melhor o CNBDI, por certo muitos ficarão seus amigos. Mas há mais…

(continua)

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Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

BDpress #373: UM CLONE EGÍPCIO: "KEOS" DE JACQUES MARTIN & JEAN PLEYERS - João Ramalho Santos




UM CLONE EGÍPCIO
"KEOS" 
DE JACQUES MARTIN & JEAN PLEYERS

in As Sequêcias Rebeldes, 22 de Abril de 2013

João Ramalho Santos

Já se referiram aqui duas séries lançadas em Portugal pela editora de Barcelona NetCom2 Editorial, seguindo o estilo da linha clara/BD histórica franco-belga. No entanto, se A última profecia e As Investigações de Margot conseguem definir uma identidade própria autónoma, Keos reflete mais aquilo que se temia fosse o catálogo da editora.

Não quer isto dizer que a série não venha a ter sucesso, pelo contrário. Enquanto uma espécie de clone em versão "série B" da mais famosa série de Martin, Alix (ASA), Keos (Casterman) poderá, potencialmente, ter bastantes leitores. Isto porque cumpre as características clássicas de uma série de Martin: uma narrativa de cariz histórico clara, que tem paralelo no desenho clássico e nas cores luminosas e planas. E que funciona sobretudo enquanto pretexto para a representação (sempre muito pesquisada) de uma época, ao nível dos acontecimentos, hábitos, roupas e arquitetura, neste caso do Egito pós-Ramsés II. Na verdade, uma maneira de encarar a obra do francês Jacques Martin (falecido em 2010) é enquanto uma espécie de guia interpretativo de diferentes épocas históricas. Embora o autor também tenha produzido obras que são abertamente pedagógicas, em todas as suas séries esse elemento é óbvio, e talvez o motivo principal da sua atração. Até porque (sobretudo em Alix) o autor mantem uma ficção suficientemente competente por entre os factos, ao contrário de outras bandas desenhadas pedagógicas, que basicamente debitam informação histórica com um mínimo de estória que nem o chega a ser.

Argumentista prolífico, Martin nunca teria tempo para desenhar todas as histórias que produzia, utilizando por isso colaboradores, como o belga Jean Pleyers em Keos e Jhen (passada na França de Joana d'Arc). Mas, ao contrario de argumentistas que explicitamente procuram diferentes tipos de desenhos adaptados a diferentes tipos de histórias (Alan Moore ou Neil Gaiman, por exemplo), no caso de Martin, e talvez por ser igualmente um excelente desenhador, a matriz está completamente definida, e o estilo só pode ser um. De facto, as séries de Martin parecem muitas vezes desenhadas por clones do autor. Mais uma vez: para o público-alvo a que se destinam isso não é necessariamente mau, veja-se o sucesso do Blake & Mortimer pós-Jacobs.

Passada no antigo Egito, retratado como seria de esperar numa obra de Martin, Keos é também uma boa aposta por ser uma série curta, com apenas três álbuns. E, na verdade, não se trata de um Alix egípcio, a série começa com a morte do Faraó Ramsés II mas rapidamente evolui para a fuga dos escravos judeus rumo à terra prometida, com Moisés como uma das personagens principais. O protagonista começa pois como guia do antigo Egito (seguindo a lógica de outras séries de Martin), mas rapidamente evolui para testemunha do Antigo Testamento. Keos tem, no entanto, alguns problemas.

Desde logo a qualidade, não necessariamente do desenho e cores (perfeitamente miméticos dos de Martin), mas da sua reprodução, que não parece ter sido conseguida. Depois na própria estrutura da série que, sendo curta, exige a passagem de muita informação de forma expositiva. Poderia ter-se concentrado apenas no contexto por detrás da revolta de Moisés, mas a criação do protagonista, a necessidade de lhe dar uma história credível, e a vontade de através dele caracterizar o próprio Egito ao nível das suas elites dirigentes (que não é central ao que acaba por ser a história principal) faz com que não consiga resolver bem as várias narrativas secundárias que vai criando, nem justificar para lá do óbvio o conflito entre judeus e egípcios e o extremar de posições. Finalmente, vai buscar uma mescla de elementos fantásticos como muleta narrativa algo gratuita. Ao menos Jacques Martin é ecuménico, dando poderes, quer ao Deus egípcio Osíris, quer a Jeová (nomeadamente ao nível das famosas pragas), mas é uma solução que não resulta muito bem, porque num momento há uma explicação racional para um fenómeno, no outro surge uma aparição sobrenatural a resolver um conflito. Falta ver como os autores resolveram a série no último álbum (O bezerro de ouro), que deverá acabar na Terra Prometida. Mas nestes primeiros dois livros Keos é aquilo que uma série de Jacques Martin nunca deveria ser: uma narrativa que se ignora para apreciar o contexto histórico e a representação gráfica que lhe está subjacente. Já é alguma coisa, mas podia ter sido muito mais.

Keos 1: Osíris 
Argumento de Jacques Martin, desenhos de Jean Pleyers. NetCom2 editorial, 48 pp., 15 Euros.

Keos 2: A Cobra
Argumento de Jacques Martin, desenhos de Jean Pleyers. NetCom2 editorial, 48 pp., 15 Euros.
 


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Terça-feira, 21 de Maio de 2013

BDpress #372: MORREU Fred Funcken – PEDRO CLETO





Jornal de Notícias, 18 de Maio de 2013

ADEUS A FRED FUNCKEN
F. Cleto e Pina

A banda desenhada franco-belga perdeu Fred Funcken, contava 82 anos.

Natural de Verviers, na Bélgica, iniciou o seu percurso nos quadradinhos aos 18 anos, na revista “Spirou”, tendo sido um dos pilares da revista Tintin, onde entrou nos anos 50. Com um traço realista, preciso e rigoroso, colaborou com alguns dos grandes autores do seu tempo (Jacobs, Macherot, Duval…) e deu vida a criações pessoais, episódios históricos e adaptações literárias.

Argumentista e desenhador, deixa como marcas maiores “Le chevalier Blanc”, uma série medieval, um dos seus temas de eleição, “Harald le vicking”, o western “Jack Diamond” e os 17 tomos ilustrados que dedicou aos uniformes e armas através dos séculos. E, também, centenas de histórias curtas, muitas delas encomendadas para preencher falhas de outros autores, dada a rapidez com que elaborava as suas obras, muitas delas criadas em parceria com a sua esposa, Liliane.




Em Portugal, “O Cavaleiro Branco” foi divulgado nas páginas do “Cavaleiro Andante” e “Jack Diamond” nas do “Mundo de Aventuras”.

 Jack Diamond no Mundo de Aventuras


Imagem de Uniformes et Armes

Fred Funcken
(Verviers, 5 de Outubro de 1921 – Bruxelas, 16 de Maio de 2013)
e Lilian Funcken


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