segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

PRIMEIRAS FOTOS DO AMADORA BD 2014 – 1º FIM-DE-SEMANA

Catálogo e Programa  Amadora BD 2014

PRIMEIRAS FOTOS DO AMADORA BD 2014
1º FIM-DE-SEMANA 

Inaugurou na sexta-feira passada, dia 24, o Amadora BD 2014 (25º Festival Internacional de BD da Amadora), com 24 exposições – 15 delas no Forum Luís de Camões, as restantes espalhadas pela Amadora e algumas em Lisboa. Lembremos que o Festival de Beja 2014 teve exactamente o mesmo número de exposições: 24! Parece-nos que o FIBDA está a perder a pedalada...

Contudo, finalmente, o espaço comercial foi organizado como sempre pensei que deveria ser: os stands dispostos em “U” com o espaço de autógrafos em frente e algumas mesas e bancos no meio para convívio – espero tirar fotos no próximo fim-de-semana para ilustrar esta questão. No entanto... a Pedranocharco não teve este ano direito a stand, como sabem...

Aqui ficam então as primeiras fotos do Amadora BD 2014:

Em primeiro plano: Baptista Mendes e José Ruy

Dâmaso Afonso e o Vereador da Cultura da CMA, António Moreira

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O Jantar da Inauguração:


Fórum Luís de Camões:



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domingo, 26 de Outubro de 2014

GAZETA DA BD (33) NA GAZETA DAS CALDAS – THE LISBON STUDIO

Gazeta da BD (33) – Na Gazeta das Caldas, 24 Outubro 2014

Um estúdio colectivo de BD (e não só) 
em Lisboa
The Lisbon Studio

J.Machado-Dias

A ideia é simples, mas precisou de reunir algumas vontades individuais e suplantar eventuais egos: um estúdio colectivo onde trabalham vários autores, de banda desenhada e não só. É um projecto inédito em Portugal e que tem funcionado eficazmente desde 2007.

Constituído por um grupo de profissionais, o Lisbon Studio agrupa ilustradores, autores de BD, animadores, argumentistas, designers e arquitectos, divididos por três grandes salas e um open-space, num edifício situado na zona entre a estação de caminhos de ferro de Santa Apolónia e a rua que vai dar à Feira da Ladra. Aqui, embora cada um tenha o seu posto de trabalho e organize a sua actividade da forma que entender, a partilha do espaço e do quotidiano têm a grande vantagem de potenciar o colectivo. São muito comuns os trabalhos em conjunto, a troca de referências de clientes ou mesmo a passagem de encomendas de trabalhos a quem seja mais apto ou esteja mais disponível. O lema é: colaboração sempre, em vez de competição.

Para além disso as refeições comem-se em grupo na cozinha comum, há action-figures por todo o lado e toda a gente consegue “falar com voz de cartoon”.

A criação nasce em diferentes suportes mas todos partilham e se relacionam neste mesmo espaço: The Lisbon Studio ("TLS") que apresentou há poucos meses, na Livraria Buchholz, os trabalhos de banda desenhada, ilustração, caricatura, "concept art" e cinema de animação deste grupo de criadores que é actualmente composto por André Oliveira, Filipe Andrade, Filipe Pina, Joana Afonso, Jorge Coelho, Marta Teives, Nuno Duarte (Mocifão), Nuno Lourenço Rodrigues, Nuno Saraiva, Paula Bivar de Sousa, Pedro Brito, Pedro Ribeiro Ferreira, Pepe Del Rey, Ricardo Cabral, Ricardo Drumond e Rui Lacas.

Todos eles com amplo trabalho afirmado no contexto português (e mesmo internacional) da banda desenhada e ilustração. Como exemplos mais referenciados, Nuno Saraiva, ou Jorge Coelho, de quem falámos na anterior edição desta rubrica, mas também Ricardo Cabral ou Filipe Andrade (este com trabalhos já afirmados no mercado dos “comics” americanos), ou mesmo autores mais jovens, como Joana Afonso, que será, este mês, a autora em destaque no Festival Amadora BD – e mesmo André Oliveira, um argumentista profissional de BD (o que ainda é raro em Portugal), que se afirma em cada iniciativa sua, ao dar origem a obras de excelente qualidade, como também já escrevemos aqui.

Este projecto de um estúdio que reunisse vários profissionais da área, foi iniciado por Pepe Del Rey – pseudónimo de Pedro Daniel Pereira, que publicou banda desenhada em vários fanzines desde 1985 e actualmente se dedica, não só à BD, mas também à fotografia, cinema, televisão, animação, etc... – com Jorge Coelho, que arranjaram um estúdio na zona da Estefânia em 2007. Devido ao sucesso da fórmula, foi preciso mudar para instalações mais amplas, anos mais tarde, nescendo assim o The Lisbon Studio actual.

Em Abril de 2010 iniciou-se a publicação de The Lisbon Studio Mag #1, seguido mais tardiamente pelo #2 – em revistas impressas, que revelaram não ser essa a solução ideal para a promoção e difusão dos trabalhos dos seus autores. Daí que, em Junho de 2013 o estúdio iniciou a publicação de The Lisbon Studio Web Mag #1, um magazine online, de acesso gratuito na internet, que agrupa trabalhos de todos os autores “residentes”, com os tais fins promocionais e de difusão dos trabalhos desses mesmos autores.

Assim, a última edição do Lisbon Studio Web Mag #7, de Julho de 2014, com 124 páginas e capa de Pedro Ribeiro Ferreira, agrupa um “sneak peek” ao álbum "Deixa-me Entrar" de Joana Afonso (a ser editado pela Polvo); uma entrevista à realizadora Ana Branco sobre o seu documentário "Stop don't Stop"; esboços e imagens do “making of” de “Seekers of Figment” #2 (Marvel) e “Suicide Risk” #14 (BOOM! Studios) por Filipe Andrade; imagens da banda desenhada do jogo para iPhone Freeway Fury, da autoria de Ricardo Cabral e o “making of” da capa de Zero #8 (Image), por Jorge Coelho. Depois, seis pranchas da bd "Margem Sul", de Pedro Brito, além de quatro ilustrações, três das quais de elevada qualidade, mas num estilo muito diferente do que lhe é habitual; duas páginas da homenagem em bd a Eusébio (publicada originalmente no jornal Diário de Notícias) e outras ilustrações, por Ricardo Drumond; uma prancha de Nuno Duarte "Outro Nuno", com paisagem urbana, e diversas vinhetas em que sobressai um variado e sensível tratamento de colorização; para além da capa, Pedro Ribeiro Ferreira apresenta várias pranchas contendo excelentes composições; André Oliveira (argumentista) e Carla Rodrigues (desenhadora), mostram a tira de bd-cartoon "Engraxatoon", que aparece mensalmente na revista Cais; "Last Supper", uma bd em 10 pranchas, pertencente ao "Ave Rara Online Magazine Feathers", realizada pela dupla Pepe Del Rey (desenho) e André Oliveira (argumento), com legendagem em inglês, colorida totalmente em tonalidade azul. Pepe Del Rey (ou Pepedelrey) surpreende sempre, pela positiva, desta vez pelo uso de forte contraste claro-escuro.

Este The Lisbon Studios Web Mag #7 pode ser visto aqui: http://issuu.com/thelisbonstudio/docs/tls_mag7f – totalmente grátis!


The Lisbon Studio - na visão de Ricardo Cabral

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quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

BDpress #438: AMANHÃ COM O PÚBLICO – X-WOMEN: MULHERES DA MARVEL – DESENHADAS POR MILO MANARA E OS PORTUGUESES FILIPE ANDRADE E NUNO PLATI


MILO MANARA 
DÁ VIDA ÀS MAIS BELAS MULHERES 
DO UNIVERSO MARVEL



X-Women: Mulheres da Marvel
Universo Marvel Vol. 16
Argumento – Chris Claremont,
Marjorie Liu, Stuart Moore e Kelly Sue DeConnick
Desenhos – Milo Manara, Filipe Andrade, Nuno Plati, Mark Brooks e Ryan Stegman
Quinta, 23 de Outubro + 8,90€

O grande destaque do próximo volu­me da colecção Universo Marvel, vai para a estreia na "Casa das Ideias" de Milo Manara, o famoso desenha­dor italiano, mestre do erotismo na Banda Desenhada.

Nascido em Luson, Itália, em 1945, Manara estreou-se na banda dese­nhada em 1969, desenhando histórias eróticas, como as aventuras de Jolanda de Almaviva, para as Edições Erregi. O grande ponto de viragem da sua obra (e da sua vida) dá-se quan­do conhece Hugo Pratt, o criador de Corto Maltese, que além de seu mestre se torna seu grande amigo. Uma relação de respeito, amizade e cumplicidade, bem patente em H.P. e Giuseppe Bergman, a primeira aven­tura de Giuseppe Bergman, em que o próprio Pratt é uma dos personagens. Juntos, Pratt e Manara assinarão duas obras-primas, Verão Índio e El Gaú­cho e construirão uma amizade que apenas a morte de Pratt veio inter­romper.

Mas os trabalhos que assinou com Hugo Pratt não são o único exemplo de colaboração entre Manara e ou­tros importantes criadores, pois o de­senhador vai trabalhar estreitamente com Pedro Almodôvar, Alejandra Jodorowsky para quem desenhou uma série dedicada aos Borgia, editada em Portugal pela Asa, e sobretu­do Federico Fellini, com quem vai transpor para a BD Viagem a Tulum e Viaggio di G. Mastorna detto Fernet, dois projectos ci­nematográficos de Fellini, nunca realizados.

A par destas colabora­ções prestigiantes, e das aventuras de Giuseppe Beergman, o seu alter-ego, a carreira de Manara faz-se de grandes sucessos comerciais como a série Clic, ou O Perfume do Invisível, em que o erotismo, sempre presente nos seus trabalhos, passa abertamen­te para o primeiro plano.

Embora a sua estreia no mercado americano se faça na DC, pela mão de Neil Gaiman, que o escolhe pa­ra colaborar no livro Endless Nights, que assinalou o regresso do escritor inglês à série Sandman, é com X-Women, que Ma­nara conquista realmen­te a América. Uma histó­ria, feita por medida por Chris Claremont, o mais importante argumen­tista dos X-Men durante décadas, para o desenho de Manara, que reúne as principais personagens fe­mininas dos X-Men, numa aventura em cenários exóticos, em que brilha o traço único e sensual de Manara a dar vida às mais belas mulheres de papel.

Mas nem só de Manara vive este volume dedicado às Mulheres da Marvel. Temos também os portugue­ses Filipe Andrade e Nuno Plati, que ilustram uma história de Marjorie Liu centrada em X-23, a jovem mutante, clone de Wolverine. Uma história que aproveita muito bem o talento e as características bem distintas dos dois desenhadores portugueses, como Plati a tratar num registo expressio­nista as cenas no mundo dos sonhos, enquanto Andrade desenha a realidade das ruas de Nova Iorque.

Filipe Andrade e Nuno "Plati" Alves

Também a heroína Adaga (e o seu inseparável Manto) está presente, nu­ma história de Stuart Moore, ilustra­da por Mark Brooks, que explora a relação instável desta dupla insepa­rável de heróis, tal como Lady Sif, a companheira de Thor, está também presente numa história escrita por Kelly Sue DeConnick e ilustrada por Ryan Stegman.

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terça-feira, 21 de Outubro de 2014

BDpress #437: A SEGUNDA VIDA DE CORTO MALTESE


Tal como aqui noticiámos no passado dia 10, em nota adiantada pela Bodoï, prepara-se a edição, pela Casterman, do regresso de Corto Maltese, pelo argumentista castelhano Juan Díaz Canales e o desenhador catalão Ruben Pellejero, aqui fica o texto de Eurico de Barros, no D.N. de sábado passado, muito mais completo e esclarecedor...

A SEGUNDA VIDA DE CORTO MALTESE

A personagem de Hugo Pratt vai ter um novo álbum, assinado pelos espanhóis Juan Díaz Canales e Rubén Pellejero, a editar em outubro de 2015, pelos 20 anos da morte do autor italiano. No mês que vem, sai em França uma caixa com a integral dos álbuns do lendário marinheiro.

Diário de Notícias, 18 de Outubro de 2014

Por Eurico de Barros

Em2008, a Casterman, editora das obras de Hugo Pratt, o criador de Corto Maltese, falecido em 1995, lançou a continuação de uma das séries de banda desenhada criada pelo artista italiano, Os Escorpiões do Deserto. O álbum, intitulado Quatre Cailloux dans le Feu, da responsabilidade da dupla Camuncoli/Casale, era uma segunda tentativa de retomar esta série passada na II Guerra Mundial, depois de uma primeira, em 2005, pela mão de Pierre Wazem. Ambos não tiveram boa recetividade comercial, critica e da parte dos leitores de Pratt.

Já desde 2007 que no meio da banda desenhada se falava na possibilidade de dar também continuação às aventuras de Corto Maltese, o marinheiro errante, romântico e enigmático que é a criação maior de Pratt, um desejo antigo expresso várias vezes por Patrizia Zanotti, detentora universal dos direitos da obra do autor de A Balada do Mar Salgado, através da Cong S.A., a sociedade posta em pé por aquele para gerir o seu património artístico. Por isso, não foi com surpresa que se soube, na semana passada, que tal como aconteceu a personagens como Alix, Lucky Luke, Blake e Mortimer e Astérix (esta ainda em vida de um dos seus dois criadores, Uderzo), também Corto Maltese ia regressar, desenhado por mãos alheias.

A responsabilidade do novo álbum foi entregue aos espanhóis Juan Díaz Canales (1) (argumento) e Rubén Pellejero (2) (desenho), e a edição está prevista para outubro de 2015, assinalando o 20.º aniversário da morte de Hugo Pratt. No livro de entrevistas De l'autre coté de Corto, de Dominique Petitfaux, o próprio Hugo Pratt tinha dito a certa altura: "Não me choca a ideia de que alguém possa, algum dia, retomar Corto Maltese."

Mas nem por isso a notícia de uma aventura de Corto Maltese escrita e desenhada por outros que não o seu "pai" não deixará de ter chocado quem considera que as personagens de banda desenhada deixam de "existir" à morte daqueles que as criaram, e que qualquer tentativa de dar continuidade às suas histórias será sempre menor, derivativa, situada algures entre o pastiche e a cópia e amputada da poesia, da melancolia, do sentido de aventura e de fantasia e da excelência gráfica das histórias originais; ou, segundo os puristas ferrenhos, que esta decisão configura um atentado à memória de Hugo Pratt e à integridade da sua obra, e um imperdoável crime de lesa-personagem, uma perversão da identidade de Corto Maltese.

Interrogado pelo diário Le Figaro sobre este regresso de Corto Maltese sem Hugo Pratt, o desenhador Enki Bilal disse: "Espero para ver. Para mim, Corto Maltese é, antes de tudo, Hugo Pratt. Isso representa uma grande liberdade de tom. E também uma liberdade de autor. Hugo Pratt era uma espécie de epicurista do mundo. A ressurreição da sua personagem fetiche, 20 anos após a sua morte, não me choca, desde que o processo das diferentes autorizações pedidas aos detentores dos direitos da obra tenha sido respeitado. Dito isto, diga-se também que é um enorme desafio. É preciso que os novos autores estejam à altura dele. Não podem fazer uma simples cópia. Quase que é preciso que haja uma pequena distância. Para que assim esta adaptação se transforme numa homenagem, ou mesmo num prolongamento da obra de Pratt."

Falando ao site de banda desenhada ActuaBD (www.actuabd.com) em 2011,quando da inauguração em Paris, da exposição Le Voyage Imaginaire d'Hugo Pratt, Patrizia Zanotti havia dito: "Tocar num mito como Corto Maltese não é coisa fácil. É preciso encontrarmos um bom argumento ou um bom desenhador antes de nos aventurarmos por esse caminho, que é muito arriscado () Eu seria favorável a alguém que proponha a sua própria interpretação gráfica, mas haver qualquer confronto com o original, e que depois vá no sentido do estilo de Pratt, cujo grafismo evoluiu constantemente durante a elaboração da série Corto Maltese. Desta forma, existe alguma movimento entre o primeiro e o último álbum, e podemos assim continuá-la." E acrescentou que quem quer que fosse contactado para continuar Corto Maltese tinha necessariamente de gostar da obra de Hugo Pratt e ter uma "preocupação muito especial com os argumentos".

Também numa longa conversa com o referido site de banda de banda desenhada, em 2010, um antigo colaborador de Hugo Pratt, Florian Rubis, autor do livro Hugo Pratt ou le Sens de la Fable, comentava: "Corto Maltese tomou-se único e mítico porque o seu autor soube conferir-lhe uma profundidade psicológica excecional, que radicava na sua sua própria e carismática personalidade (). Aquilo que ele se tomou, um verdadeiro mito da Nona Arte, é o resultado de um longo e perseverante trabalho devido ao seu autor (). Penso sinceramente que temos de ter a honestidade intelectual de aguardar a publicação de um álbum da continuação [das aventuras de Corto Maltese] para podermos julgar o trabalho dos seus responsáveis."

Dois autores "espanhóis" [aspas nossas]

Logo que se soube no mundo da banda desenhada que Corto Maltese iria voltar, começou a especulação sobre quem iria ser o candidato

à sucessão de Hugo Pratt. Falou-se em Enrico Marini, desenhador das séries Gipsy, Le Scorpion e Les Aigles de Rome, e até em Milo Manara. Houve mesmo quem adiantasse que Lele Vianello, grande amigo de Hugo Pratt e seu colaborador de muitos anos, dos inícios da década de 70 até à sua morte, seria a pessoa ideal para retomar as aventuras de Corto Maltese. Até mesmo porque o seu estilo está muito "colado" ao do Pratt e, no início deste século, publicou um pastiche muito prattiano, O Fanfarrão, um álbum composto por cinco histórias e autorizado em vida por Hugo Pratt.

Os escolhidos acabaram por ser dois autores espanhóis, e não italianos - o que decerto irá igualmente causar algum desagrado em Itália. Ao El País, o argumentista Juan Díaz Canales foi dizendo, como que para sossegar os fãs de Corto Maltese: "Somos autores e por isso a história vai ter algo de nós. Mas a ideia é sermos muito fiéis à personagem e, na medida do possível, ao grafismo. E por ser uma continuação da série, estamos a ser superescrupulosos com a cronologia e a biografia da personagem."

Paralelamente à notícia do regresso de Corto Maltese em 2015, a Casterman anunciou também a edição, em novembro, de uma caixa contendo a integral das aventuras de Corto Maltese, reunidas em sete álbuns a cores. Todas estas novidades remetem-nos para o conflito que há vários anos opõe os filhos de Hugo Pratt, Silvina, Jonas e Marina, a Patrizia Zanotti, segunda mulher do autor, e à Cong S.A. Um conflito de tal forma grave, que levou inclusivamente à criação de um comité de apoio àqueles pela Associação dos Amigos de Hugo Pratt.

Apesar de serem membros do comité de administração da Cong S.A. e seus acionistas minoritários, os filhos de Hugo Pratt afirmam que, desde a morte do pai, nunca mais receberam nenhum do dinheiro que lhes era devido em termos de direitos dos álbuns; nunca foram informados das vendas em leilão de desenhos ou pranchas originais; desconhecem o destino do conjunto das suas obras e de todos os seus bens, e jamais foram consultados sobre qualquer decisão tomada sobre as exposições ou a comercialização das suas personagens, nomeadamente de Corto Maltese, que apareceu já em animação e num jogo de vídeo. O que leva a crer que a decisão da Cong S.A. e da editora Casterman, de retomar as histórias de Corto Maltese, foi tomada sem os filhos de Pratt terem sido consultados.

Segundo Benoit Mouchard, diretor editorial da Casterman (que vai coeditar o novo álbum com a Rizzoli italiana e a Norma espanhola), "a série Corto Maltese ainda não foi lida e difundida à altura da sua notoriedade". Entenda-se: ainda há muito dinheiro para ser ganho com Corto Maltese, e não apenas com a reedição regular, e sob vários formatos (caso da caixa com a integral das aventuras a sair no mês que vem) dos seus álbuns.

Em outubro de 2015, dois meses depois de terem passado 20 anos sobre a morte de Hugo Pratt, estaremos prontos, como disse Florian Rubis, para ajuizar o trabalho dos dois homens escolhidos para lhe suceder na melindrosíssima, pesadíssima, quase impossível tarefa de dar sequência às andanças de uma das mais míticas personagens da história da banda desenhada.

Corto Maltese, Intégrale 
[Trad. literal: A Integral de Corto Maltese]
De Hugo Pratt
Editora Casterman
pvp 99,99 euros na amazonfr
ISBN-978-220Jb92099
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 (1) Juan Díaz Canales (1972) É um argumentista castelhano de banda desenhada, nomeadamente da série Blacksad, e realizador de animação. 


(2) Rubén Pellejero (1952) É um autor/ilustrador catalão de banda desenhada, responsável pelas séries Dieter Lumpen e Le Silence de Malka.

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sábado, 18 de Outubro de 2014

BDpress #436: O “URTIGÃO” DA DISNEY ENTRA NOS CINQUENTAS – Pedro Cleto no J.N.

 URTlGÃO ENTRA NOS CINQUENTAS

Jornal de Noticias, 4/10/14

Em Outubro de 1964, os leitores de banda desenhada Disney descobriam uma nova personagem, que, na versão brasileira, se chamaria Urtigão, camponês que vivia no Brejo das Urtigas, nos arredores de Patópolis. A figura, que, na verdade vinha com o nome original Hard Haid Moe, era um amante da tranquilidade campestre, mas irascível em relação a tudo o que viesse da cidade grande, em especial, quando personificado pelo Peninha, o seu ódio de estimação.

A incompatibilidade surgiu na história inicial, "It's music?", criada para o mercado italiano, onde foi publicada na revista "Topolino #462", pelos norte-americanos Dick Kinney e Al Hubbard, que, curiosamente, também tinham imaginado o Peninha.

Vizinho da Vovó Donalda, cuja simpatia e bonomia contrastam em alto grau com a irritação latente de Urtigão, esta personagem ostenta barba hirsuta e cabelo desgrenhado, pés descalços e roupa em mau estado. Vive isolado com o seu cão, de nome Cão, gosta pouco de trabalhar e quase sempre tem uma caçadeira carregada de sal para afugentar intrusos citadinos.

Sendo uma das raras personagens humanas da BD Disney, Urtigão foi desenhado no Brasil nos anos 70, assumindo as características dos "caipiras" locais - chegou a participar num desfile de samba e visitou a Amazónia e o Rio de Janeiro, onde encontrou Zé Carioca.

F. Cleto e Pina

NOTA: TODAS AS IMAGENS DA RESPONSABILIDADE DO KUENTRO


 
 
 
 
 

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