domingo, 21 de abril de 2019

DRUUNA MANDRÁGORA – APHRODÍSIA Argumento e Desenho: Paolo E. Serpieri


DRUUNA 
MANDRÁGORA – APHRODÍSIA 

Argumento e Desenho: Paolo E. Serpieri 

Edição: Cartonada 
Número de páginas: 144 
Impressão:cores 
Formato: 21 x 28,5 cm 
Editor: Arte de Autor 
ISBN: 978-989-54326-3-9 
PVP: 22,00€ 

ÁLBUM DUPLO que contem as histórias Mandrágora e Aphrodisia, e um dossier com ilustrações inéditas.

Saída de um estranho sonho em companhia do seu amante Shastar, Druuna é convocada pelo comandante da nave. O«mal» existe a bordo, e é ela que tem de encontrar a fórmula dos oro capaz de conter o flagelo. Druuna parte então para uma nova viagem cerebral ao coração da cidade de onde é originária. Aí reencontrará sem dúvida Shastar, mas também o seu gnomo salvador e o doutor Ottonegger, que lhe revelará o ingrediente necessário ao remédio que ela procura, uma flor misteriosa: a Mandrágora...

Druuna, série de referência da banda desenhada erótica dos anos 1980, é reeditada na Arte de Autor! Este terceiro álbum reúne Mandrágora e Aphrodisia, os episódios 5 e 6 da saga. Cada álbum desta nova edição é enriquecido por um caderno gráfico.


 







A publicar: 

Druuna4 – O planeta esquecido | Clone 
Druuna5 – A que vem do vento – INÉDITO



sexta-feira, 19 de abril de 2019

PRÍNCIPE VALENTE NOS TEMPOS DO REI ARTUR DE HAROLD FOSTER


PRÍNCIPE VALENTE 
NOS TEMPOS DO REI ARTUR 
DE HAROLD FOSTER

COLECÇÃO LANÇADA PELA PLANETA DE AGOSTINI JÁ À VENDA EM PORTUGAL

Príncipe Valente nos tempos do Rei Arthur, título completo desta colecção, é uma história em banda desenhada criada em 1937 pelo canadiano Harold Rudolf Foster (1892- 1982) para a King Features Syndicate. O autor era responsável tanto pela criação das imagens como pelo argumento, textos e diálogos. O seu brilhantismo, tanto para ilustrar como na narração, deu à colecção uma unidade dificilmente alcançada.

Foster desenhou a sua primeira página de Príncipe Valente em 1934. Ele estava decidido a não seguir o caminho traçado por Flash Gordon ou Buck Rogers – os super-heróis com poderes e as bandas desenhdas futuristas não o inspiravam. Ele queria mais: um homem de carne e osso e, por isso, menos heróico. Voltar ao passado era a solução, e ele imaginou um príncipe medieval nos dias do Rei Arthur, um cavaleiro da Távola Redonda. Rasgou esboços feitos em 1934 porque achou que lhes faltava credibilidade histórica, e antes de voltar à prancheta dedicou-se a estudar a Idade Média, ler inúmeras novelas de cavalaria, investigar os mitos e lendas da literatura inglesa e visitar exaustivamente o Field Museum de Chicago.

A história foi tomando forma: narraria a vida do Príncipe de Thule, uma cidade entre a realidade e a lenda localizada no Fiorde de Trondheim. Nessas tiras, ele recriou os mapas geográfico e político-social da Idade Média europeia, com as suas cidades, povos, batalhas e outros acontecimentos históricos reais. Considerou todos os pontos de vista, da fidelidade histórica ao entretenimento do leitor, e decidiu aceitar os anacronismos que enriqueciam o resultado visual ou davam mais suspense narrativo, ampliando as possibilidades de viagens e aventuras do protagonista, inserindo-os na trama de forma tão subtil que muitos deles passaram despercebidos.

O leitor nunca fica perdido ou incomodado, apesar de num quadro o cenário ser Camelot e, no outro, uma viagem ao Novo Mundo. Foster funde história, mito e lenda como um perfeito malabarista. Outro grande acerto, característico de algumas novelas históricas como as de Cecelia Holland, foi não dar demasiada importância a datas e lugares, renunciando ao rigor histórico que tinha tirado da banda desenhada a sua leveza e fantasia. Uma vez situada no amplo século V d .C. , Foster despejou na sua grande obra tudo o que pôde, tanto das suas leituras como das suas próprias experiências.

Valente é um príncipe que representa o ideal triunfante do cavaleiro medieval. Como Dom Quixote, percorre caminhos em busca de aventuras, pára e ajuda quem precisa, socorre a todas as damas em apuros, resolve qualquer injustiça, descobre mistérios e enigmas, vence a bruxaria e o mal; mas, diferente de Quixote, Valente vê moinhos onde aquele vê gigantes e, com o seu racionalismo e valor, vence sempre. Como a genial novela de Cervantes, as bandas desenhadas de Príncipe Valente são uma mistura de contos e pequenas digressões. O protagonista tem uma missão que consiste, por exemplo, em ir da Britânia a Roma.

No caminho, surgirão imprevistos e mudanças de planos que enriquecem muito a vida dos personagens, tornando a leitura divertida. Uma viagem ou uma missão nunca serão uma linha recta entre dois pontos. A prova do talento narrativo do autor é que mesmo com o labirinto de histórias dentro da história, nem o protagonista nem o leitor perdem o rumo. Pode haver um parêntesis maior ou menor, porque o corajoso jovem deve resolver um ou vários assuntos inesperados, mas Foster encarrega-se de lembrar o objectivo final da aventura em questão.


Príncipe Valente começou a ser publicado em oito jornais num sábado, 13 de fevereiro de 1937, e continuou a ser lançado todos os sábados até 15 de maio de 1938, quando passou para os domingos. Ocupava uma página completa, com uma média de cinco a 12 quadros por prancha. Na parte superior e, posteriormente, à esquerda do primeiro quadro, aparecia o título e o nome do autor, além de, muitas vezes, uma sinopse da história publicada anteriormente. Foster tinha pensado como títulos "Derek, filho de Thane" ou "Príncipe Arn", mas os editores impuseram o nome de Valente para o protagonista – Val, para os íntimos –, uma ideia que parecia demasiado simplista a Foster, mas que ele acabou por abraçar.

Publicar numa tira dominical permitia atingir um grande número de leitores, mas também exigia uma narrativa para todos os públicos, estimulante, cheia de vida e aventura, com pouca violência e obscuridade. Foster criou, sobre esses pilares, uma história que sobreviveu a décadas, à mudança de século e, sobretudo, às transformações do mundo ocidental e de sua mentalidade.

À surpreendente capacidade de perdurar, unem-se algumas outras qualidades que transformaram Foster no pai da banda desenhada de aventuras e num dos grandes mestres da BD. Príncipe Valente foi um marco na evolução desse género, em parte por algumas decisões de Foster, que foi contra as modas em voga na época. Uma de suas atitudes mais surpreendentes foi localizar os textos sob os desenhos, nunca em balões. O autor defendia, assim, a importância da imagem frente ao diálogo ou à narrativa, não porque fosse mais importante, mas porque gostaria que a qualidade de seus desenhos fosse devidamente apreciada. E, de facto, as ilustrações surpreendem pela sua estética, as suas cores e a riqueza de detalhes com os quais descrevem a vida quotidiana, as lutas, todo tipo de objectos – desde os utensílios para alimentos até às armas –, o aspecto físico dos personagens, a sua condição social e até a expressão dos seus rostos.


  


Durante a primeira década, foram criados os fundamentos da saga. É a etapa com mais elementos arturianos e com mais situações que escapam do racional devido à presença de seres fantásticos . A história começa com o exílio da família de Valente, que abandonou a sua região de origem e se estabeleceu nos pântanos da Britânia. Nas primeiras pranchas, vemos um Valente criança e depois adolescente. É um jovem apaixonado e inexperiente, que demonstra modos de um futuro cavaleiro da Távola Redonda. A mãe de Valente morre, mas o seu pai consegue retornar ao trono de Thule. Nas décadas seguintes, os protagonistas amadurecem, Valente conhece e casa-se com Aleta, com quem começa uma família. Foster amplia os horizontes da banda desenhada na época, tanto geograficamente como dos personagens secundários, e dá a impressão de que sua imaginação e as possibilidades da colecção são infinitas.

Este príncipe medieval que vemos amadurecer através dos anos lembra um filósofo do Iluminismo, ponderado e audaz, aliando perfeitamente razão e paixão. Valente quase pode ser considerado um homem da ciência do Século das Luzes, que explica com a razão tudo aquilo que aparentemente é sobrenatural ou qualquer superstição.

Com isso, Foster desenha um herói com as melhores qualidades de cada época: o cavalheirismo medieval, a audácia do homem renascentista, o racionalismo do Século das Luzes e a paixão e individualidade do Romantismo. Um ser muito iluminado, que deixa o leitor com um bom sentimento.

Como se isso fosse pouco, um elenco de familiares e amigos fascinantes acompanha o protagonista, a maioria deles tão estimulante quanto Valente. O seu grande amor, sua esposa e alter ego Aleta, por sua vez, rompe com todos os clichés do personagem feminino da BD até então. Ela não é uma mulher frágil que precisa ser socorrida, nem a típica sedutora que prejudica quem a deseja: Aleta é bela, inteligente, tenaz, bondosa, maternal, uma excepcional amazona e incrível companheira. Os comentários sarcásticos sobre ela e sobre as mulheres em geral que o autor coloca na boca dos seus personagens masculinos são um anacronismo dos mais simpáticos. Remetem-nos à própria biografia do autor e ao século XX: os homens queixam-se de que as mulheres mandam neles ou que são intrometidas, mas reconhecem quando elas tiram as castanhas do fogo... ou quando os ajudam em batalhas perdidas.

Foster atreve-se a algo inédito: Aleta traça estratégias de guerra e realiza acções diplomáticas para convencer as esposas de outros reis e príncipes com acordos de paz, em vez da guerra. As mulheres impõem o senso comum e o amor à vida, evitando muitos derramamentos de sangue. Definitivamente, o desenho dos personagens é tão fascinante que, por si só, tornaria essa história em banda desenhada um clássico sem precedentes.

Em 16 de maio de 1971, publicou-se a prancha 1.788, a última escrita e ilustrada por Harold Foster; nesse mesmo ano, o autor e a sua esposa mudaram-se para a Flórida. Apenas a idade e alguns problemas de saúde conseguiram afastá-lo de seu querido Valente. Apesar disso, o canadiano continuou a enviar semanalmente, durante mais nove anos, o roteiro e um rascunho a lápis para John Cullen Murph, o continuador da obra. Foster havia-o aceitado como assistente desde 1968, o que o converteria no perfeito continuador, mas ainda assim, testou outros ilustradores, como Gray Morrow e Wally Wood. Finalmente, decidiu-se por Murphy, que não seria o último ilustrador da coleção. Continuaram a história três mestres da banda desenhada (comics): Mark Schultz (Filadelfia, 1955), Gary Gianni (Chicago, 1954) e Thomas Yeates (Sacramento, 1955).

Príncipe Valente nos dias do Rei Arthur foi publicado no Brasil pela primeira vez no Suplemento Juvenil, em 1937, saindo depois no jornal O Globo, na década de 1970, e na mesma década, em revistas periódicas de diversas editoras, como RGE e GEA, sendo reeditados desde então.

A leitura da saga criada por Foster é, há mais de 80 anos, uma das histórias em banda desenhada preferidas por gerações de crianças, adolescentes e adultos. O seu êxito foi tal que a imprensa norte-americana anunciou o nascimento do primogénito de Valente e Aleta, o príncipe Arn, na relação de nascimentos. Desde então, até hoje, os leitores identificam-se com essa família lutadora e de grande coração.

Seria Príncipe Valente uma mágica e inigualável história sem fim?

Beatriz C. Montes
Doutora pela Universidade de Tours
Professora da Universidade de La Rioja

Adaptação do texto ao português europeu, por Jorge Machado-Dias

Em Portugal o Príncipe Valente de Foster, começou por ser publicado a partir do nº 46 do Jornal do Cuto, entre 1937 e 1938, como se pode ver aqui: http://bedetecaportugal.weebly.com/principe-valente.html







quinta-feira, 18 de abril de 2019

SABRINA de Nick Drnaso A CRÓNICA DE UMA IMENSA SOLIDÃO

Recorte do suplemento Ypsilon, de jornal Público, de 12 de Abril de 2019
SABRINA
De Nick Drnaso

A CRÓNICA DE UMA IMENSA SOLIDÃO 
OU COMO VIVER A DOR PRIVADA 
NA ERA DA INTERNET 

SABRINA
Nick Drnaso (Trad. José Lima), Porto Editora 

Nick Drnaso cresceu em Paios Hills, subúrbio de Chicago.

Um solitário na adolescência, só muito depois seria capaz de falar do que lhe aconteceu, os abusos sexuais a que foi sujeito por um vizinho, a depressão que se instalou, a paranóia

Sabrina tornou-se a primeira novela gráfica a Integrar a shortlist do Man Booker Prize (2018) e recebeu elogios da crítica. Nick quase treme ao dizer que talvez tenha sido apenas sorte ...

"Entendo que [o livro] possa ser lido como um comentário político, mas é difícil explicar de onde vem isso. Foi feito na boina de isolamento em que as personagens vivem, que é o modo como me sinto viver. Isolado, sem entender muito o que se passa e sem ter muito controlo do que se passa”

“É um medo permanente. Quando se trabalha num estado de isolamento durante tantos anos é como se perdesse todos os contactos com alguém que pudesse ler o que estamos a fazer. Alguma coisa se perde quando simplesmente se trabalha isoladamente"







ESTA É A NOSSA PARANÓIA

Crónica angustiante da actualidade a partir do misterioso desaparecimento de uma mulher. Há trauma, obsessão, paranóia e uma estranha normalidade reconhecível: este tempo.

Sandra, Teddy e Calvin estão unidos depois do misterioso desaparecimento de Sabrina. É uma união involuntária, com - pouco de consolador e ineficaz para mitigar a perda. Sandra desespera por não saber da irmã, Teddy cai numa depressão silenciosa por não ter explicação para o sumiço da namorada e Calvin, ao acolher em casa o amigo Teddy, fica refém de um sofrimento que não é o dele e o faz resvalar para um lugar ainda mais fundo da sua existência já afectivamente precária.

São três solidões e o isolamento de cada uma alimenta a teia de medo, paranóia e especulação que torna Sabrina um dos mais inquietantes retratos literários da actualidade e o fez ser a primeira novela gráfica a integrar a shortlist do Man Booker Prize. Não ganhou; mas terá sido o titulo mais comentado da edição de 2018.

O seu autor chama-se Nick Drnaso, tem 30 anos; nasceu nos subúrbios de Chicago e partiu da sua biografia para construir um livro acerca do trauma. Quando a primeira namorada o deixou, Nick ruiu arrastado pelo abandono e algum tempo depois estava a desenhar, com grande economia de traços, Sandra, Teddy e Calvin, e ainda Sabrina. Acrescentou personagens satélite e escreveu um enredo onde todos se movimentam de modo a ampliar a tensão necessária a um clima de suspeição que se instala e se adensa após o desaparecimento de Sabrina.

A acção inicial desenrola-se em – Chicago. Há uma conversa entre as duas irmãs. Sabrina foi passar o fim-de-semana a casa dos pais que estão fora e a irmã encontra-a a tomar cónta da gata. Conversam sobre a necessidade de Sabrina encontrar emprego; recordam a infância e, antes de sair para uma festa, Sandra tenta convencê-la a ir com ela numa viagem de bicicleta pela região dos Grandes Lagos. No plano seguinte, Teddy está sozinho.

Pediu a um amigo que não vê há anos para o acolher por uns tempos. Ninguém sabe de Sabrina e ele não sabe lidar com a ausência. Foge de Chicago e vai para Colorado Springs. Calvin, um militar que trabalha com informação secreta no Departamento de Defesa da Força Aérea, recebe-o. Vive sozinho depois de a mulher e a filha terem ido para a Flórida e sente-se divido entre a vontade de se juntar a elas e a promoção para um cargo que implica ainda mais isolamento.

Há um mistério, mas o livro não é construído na ilusão de que poderá ser resolvido. Onde está Sabrina? é um eco em todo o livro, mas secundário no sentido em· que Drnaso parece centrar-se antes no impacto desse desaparecimento na vida de Teddy, Calvin e Sandra; no modo como a ausência de informação alimenta a monstruosa máquina especulativa constituída por redes sociais, meios de informação tradicionais, extremistas que cavalgam a sua ideologia política ou religiosa em teorias-da conspiração, e o isolamento em que vivem os desesperados.

"Alguém tem culpa. Alguém anda a capitalizar em grande. Desenredar os fios, ir ao fundo da questão e denunciar os conspiradores como os ladrões assassinos que eles são: é essa a minha vocação. A tarefa da minha vida", diz a voz da rádio que vai alimentado os dias de Teddy, urna espécie de salvador de um fim catastrófico que se anuncia – e que ele anuncia – e no qual integra o mistério de Sabrina. O monstro que vive no interior de Teddy agiganta-se diante da impotência de Calvin. E, na mesma casa, Calvin e Teddy descobrem a sua incapacidade de partilhar sentimentos. Estão sozinhos no silêncio do sofá, nas refeições rápidas que Calvin leva para casa, na confusão de roupa espalhada, no refúgio em jogos de estratégia ou nas estações de rádio, um maná para múltiplas obsessões e para a diluição de fronteiras entre verdade e mentira, sonho e realidade, mundo virtual e quotidiano.

O conjunto, desenho e texto, onde se alicerça Sabrina é compulsivo. Parece próximo do cinema no modo como gere os momentos de diálogo, manipula emoções com grandes planos de rosto e cenários despojados de tudo a não ser de elementos essenciais à trama, ou alterna grandes doses de informação com o silêncio prolongado a sublinhar o vazio e a claustrofobia em que as personagens se vão afundando. E, em tudo, a inquietante certeza de que este livro, que há três ou quatro anos poderia ser lido como uma distopia, se passa no nosso tempo.




quarta-feira, 17 de abril de 2019

O INCÊNDIO NOTRE-DAME A CAPA DE CHARLIE HEBDO É UMA PROVOCAÇÃO A MACRON

Reformas - "Eu começo pela carpintaria"

O INCÊNDIO DE NOTRE-DAME
A CAPA DE CHARLIE HEBDO 
É UMA PROVOCAÇÃO A MACRON 

Promessa de restauração da catedral de Notre Dame, no dia em que o país esperava respostas para os protestos dos Coletes Amarelos, gera críticas.

Acapa desta terça-feira do jornal satírico Charlie Hebdo reporta ao incêndio na Catedral de Notre-Dame, materializando uma crítica ao presidente francês Emmanuel Macron.

Sobre um fundo vermelho, a publicação usa uma caricatura de Macron, em que os seus cabelos formam a catedral em chamas. Nela não se esquece a promessa de Macron, que na noite passada garantiu que o monumento será reconstruído.

A promessa é o alvo da crítica da publicação, fazendo referência às reformas que o país tanto pede. Isto porque a tragédia fez com que Macron adiasse o discurso onde iria anunciar as medidas relacionadas com os sucessivos protestos dos coletes amarelos.

A capa já está a dar que falar com muitos a consideraram que se trata de uma opção de mau gosto, tendo em conta a inigualável perda a que França e o mundo assistiram ontem.

A revista está, segundo a própria indica, disponível em 50 quiosques de Paris.

Jornal satírico francês é conhecido pela abordagem controversa a temas da actualidade.
O jornal satírico francês Charlie Hebdo foi um dia mais cedo para as bancas (normalmente, sai às quartas-feiras) devido a incêndio que deflagrou na catedral de Notre-Dame, na capital parisiense. A publicação colocou o presidente francês, Emmanuel Macron, na capa da edição desta semana aludindo ao incêndio no monumento histórico.

Macron surge em fundo vermelho, em forma de caricatura, com os cabelos em chamas, no formato da catedral de Notre-Dame. Em reação ao acontecimento da noite passada, o presidente garantiu prontamente reconstruir o monumento e adiou um discurso à nação onde iria anunciar medidas para responder aos protestos dos "coletes amarelos".

A par com alguns críticos, o jornal critica esta postura de Macron pode dar prioridade ao incêndio em detrimento de um protesto que dura há meses no país. Como habitualmente a capa está a gerar controvérsia. Há quem apoie a crítica, outros consideram esta uma opção de mau gosto, tendo em conta a perda de parte de um património cultural inigualável, Património Mundial da Humanidade desde 1991.

 Como era o edifício da Notre Dame...
... e como ficou.


terça-feira, 16 de abril de 2019

INCÊNDIO DA CATEDRAL DE NOTRE DAME EM PARIS EM CARTOONS




INCÊNDIO DA CATEDRAL 
DE NOTRE DAME EM PARIS 
EM CARTOONS 
ALGUNS PROTAGONIZADOS 
PELO CÉLEBRE CORCUNDA... 

UM POUCO DE HISTÓRIA 

Foi há 674 anos, em 1345, que a construção da catedral de Notre Dame foi dada como completa, tendo durado 182 anos.

Tudo começou em 1163, quando Luís VII ocupava o trono da França. O nome da catedral, “Notre Dame”, significa Nossa Senhora, uma vez que o edifício é dedicado à Virgem Maria, mãe de Cristo. Localizado na Ile de La Cité, na capital francesa, e rodeado pelo rio Sena, o próprio local onde o edifício foi construído já era anteriormente associado ao culto religioso: foi aqui que os celtas terão realizado algumas cerimónias e, mais tarde, os romanos ergueram um templo de devoção ao deus Júpiter.

Ainda antes de a catedral de Notre Dame ser construída, já existia neste espaço uma das primeiras igrejas do Cristianismo francês, a Basílica de Saint-Etienne. Depois da demolição desta igreja, a construção da catedral foi apoiada por Luís VII e várias classes sociais francesas contribuíram monetariamente para a sua edificação. Os primeiros arquitectos da catedral foram Pierre de Montreuil e Jean de Chelles, mas ao longo dos anos a catedral foi sendo modificada de acordo com as épocas.

O objetivo da construção desta catedral, mandada edificar pelo Bispo Maurice de Sully, era aproveitar as novas técnicas de construção para erguer um templo de grandes dimensões, que demonstrasse o poder francês. A primeira pedra foi lançada na presença do Papa Alexandre III, que, como explica o Vaticano, visitou Paris entre 24 de março e 25 de abril de 1163. A estrutura foi terminada em 1182, após duas décadas de construção, tendo o altar principal da igreja sido consagrado em 19 de maio desse ano por Henri de Château-Marçay, enviado pelo Papa Lúcio III para o efeito.

OS CARTOONS QUE FORAM CIRCULANDO 
PELO TWITER DURANTE ESTA NOITE ATÉ AGORA


















 
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