sábado, 20 de outubro de 2012

BDpress #376: REVISTA TINTIN PORTUGUESA ACABOU HÁ 30 ANOS - Pedro Cleto no JN




Jornal de Noticias, 3, Outubro, 2012 

REVISTA TINTIN LUSA
ACABOU HÁ 30 ANOS 

Publicação de banda desenhada durou 14 anos 
Hoje, um exemplar pode chegar aos dois mil euros 

F. Cleto e Pina 

HÁ 30 ANOS, chegava aos quiosques o último número do "Tintin". português, que, ao longo de 15 anos, publicou cerca de 750 números com o melhor da banda desenhada franco-belga.

Aquela longa aventura editorial começou a 1 de junho de 1968 e destacou-se desde logo pela sua elevada qualidade gráfica, principal razão para o seu preço elevado - 5$00, o dobro do seu concorrente, mais popular, o "Mundo de Aventuras". Hoje, o "Tintin" português, completo, encadernado com as capas originais, pode valer cerca de dois mil euros em função do seu estado.

Na chefia da Redação, distinguiram-se dois nomes que fariam dela uma das mais amadas revistas infanto-juvenis portuguesas: Dinis Machado e Vasco Granja. Os artigos sobre BD ("Tintin por "Tintin") e o correio dos leitores ("Tu escreves Tintin responde") eram pontos fortes, a par, claro está, de um conteúdo selecionado entre o melhor que publicavam o seu congénere belga - Tintin, Blake e Mortimer, Clorofila, Red Dust, Bemard Prince - e a inovadora "Pilote" - Astérix, Lucky Luke, Valérian, Blubérry.

Estes e muitos outros heróis, cujas aventuras eram publicadas ao ritmo de uma ou duas páginas semanais terminadas com um desafiador (continua), fizeram vibrar e sonhar uma geração, aquela que hoje tem maior poder de compra, o que explica que este seja, atualmente, um dos títulos mais procurados por colecionadores e antigos leitores.

A aposta em autores portugueses foi escassa, mas ao "Tintin" coube o mérito de "descobrir" Fernando Relvas, autor do Espião Acácio ou de L123, que continuaria a brilhar depois nas páginas do "Se7e", e de ter revelado obras mais adultas, como Corto Maltese (de Hugo Pratt), The Spirit (Will Eisner) ou A sombra do corvo (Didier Comés).

Os problemas financeiros que então afetaram a Livraria Internacional, detentora do título, apressaram o seu final, não anunciado, com histórias incompletas; num número cuja a capa nem sequer apresentava qualquer dos seus heróis, num triste prenúncio do progressivo desaparecimento das revistas de BD em Portugal.



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