terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

WATCHMEN CHEGA AO UNIVERSO DC ESTA SEMANA COM O PÚBLICO

WATCHMEN CHEGA AO UNIVERSO DC
ESTA SEMANA COM O PÚBLICO

COLECÇÃO WATCHMEN
Watchmen Vol.1 – Quem Guarda os Guardiões?
Argumento – Alan Moore
Desenhos – Dave Glbbons
Sábado, 15 de Fevereiro
Por+9,90€


BDpress #533 Recorte do artigo publicado no Público de 08/02/2020

Texto de João Miguel Lameiras

Depois da publicação em livraria num volume único, Watchmen, a seminal série de Alan Moore e Dave Gibbons regressa agora nas bancas, numa colecção de 10 volumes, que incluí também Doomsday Clock, a história que integra as personagens de Watchmen no mesmo universo onde estão os principais heróis da DC, como o Batman e o Super-Homem, reescrevendo de forma brilhante a história desse mesmo universo e Renascimento, volume que reúne as histórias que fazem "a ponte" entre essas duas sagas épicas.

Publicada originalmente em 1986 - um ano ímpar para a história da BD, onde surgiu também Dylan Dog - como uma mini-série de 12 números, Watchmen, a par de O Regresso do Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller e Maus, de Art Spiegelman, também de 1986, veio mudar a forma como a Banda Desenhada era encarada pelo público americano, provando que é possível contar histórias adultas e complexas através da BD. No caso, Moore reflecte sobre as consequências da existência de super-heróis no mundo real, numa história em que o assassinato do Comediante, um antigo super-herói, leva um dos seus antigos colegas a investigar as causas dessa morte, para concluir que todos não passavam de peões de uma conspiração muito mais vasta.

Passada em 1985, mas numa realidade paralela, em que os primeiros vigilantes mascarados surgem na década de 40, influenciados pela leitura dos Comics, Watchmen analisa de forma metódica o modo como o aparecimento de alguém com verdadeiros superpoderes vai influenciar a evolução da própria História. Nesta ucronia, os EUA venceram a guerra do Vietname – graças ao contributo do Dr. Manhattan, um verdadeiro super-homem nascido de uma experiência nuclear falhada - Nixon continua no poder, o confronto nuclear com a URSS está eminente e os vigilantes mascarados foram ilegalizados, com excepção daqueles que trabalham para o governo americano, como o Dr. Manhattan, ou o Comediante. Apresentando-se como uma história de super-heróis, Watchmen é muito mais do que isso: é uma história extremamente complexa e cheia de informação, construída com a precisão de um mecanismo de relojoaria.

Uma imagem que não podia ser mais apropriada, pois os relógios têm uma importância primordial em Watchmen, desde os relógios que Jon Osterman, o futuro Dr. Manhattan, aprendeu a desmontar, até ao Relógio do Apocalipse, que mede a proximidade de um possível conflito nuclear e que, na época em que Moore escreveu a história, no auge da Guerra Fria, estava tão perto da Meia-noite como actualmente, com Trump na Casa Branca.

Fruto do talento de Alan Moore, um escritor em estado de graça, que domina como poucos os mecanismos narrativos da Banda Desenhada e ilustrado com rigor e competência inexcedíveis por Dave Gibbons, um excelente desenhador inglês que já tinha colaborado com o seu compatriota Alan Moore em histórias curtas para a revista britânica 2000AD, Watchmen é um marco incontornável na história da BD ... e não só, tendo sido a única obra de banda desenhada incluída na lista Os 100 Melhores Livros de Todos os Tempos, publicada em 2005 pela revista Time.

Tão importante como irrepetivel, este livro manteve-se durante muito tempo sem continuação, até porque Moore tinha cortado relações com a Editora DC, afastando-se das histórias de super-heróis, depois de ter criado clássicos como V de Vingança, Batman: Piada Mortal (já editados em Portugal pelo Público e pela Levoir) e Saga of the Swamp Thing, o seu titulo de estreia no mercado americano. Mas com o sucesso da versão cinematográfica do livro realizada de forma tão respeitosa como conseguida por Zack Snyder em 2009 e do motion Comic que deu movimento à arte de Gibbons, tornou-se claro que seria uma questão de tempo até a DC voltar a explorar o universo criado pela dupla britânica.

Isso aconteceu precisamente em 2012 com o projecto Before Watchmen, um conjunto de miniséries assinadas por alguns dos maiores nomes dos Comics, como Darwyn Cooke (DC, the New Frontier) Brian Azzarello e Lee Bermejo (Joker), Jae Lee e Joe Kubert, entre outros, que, apesar de renegada por Moore, corresponde ao desejo expresso por ele numa entrevista ao Comics Journal de, caso Watchmen tivesse sucesso, escrever uma prequela centrada no passado dos Minutemen.

Finalmente, em 2016, no final da revista que apresenta a reformulação do Universo DC iniciada em DC Rebirth vemos o Batman a descobrir na Batcaverna, o crachá do smiley manchado com o sangue do comediante, abrindo assim a porta para a integração dos Watchmen no universo DC, aspecto desenvolvido na minisérie The Button, que reúne o Batman e o Flash, numa história escrita a duas mãos por Tom King e Joshua Williamson e que culmina com Doomsday Clock, a série em doze partes de Geoff Johns e Gary Frank em que descobrimos que o Dr. Manhattan é o Deus exmachina responsável pelo estado actual do universo DC, um universo que tem o Super-Homem como maior constante.

É essa sequência de histórias, que parte de um clássico incontornável, republicado num novo formato, com uma série de extras inexistentes na edição para livraria, para culminar na sequela, que é simultaneamente uma homenagem, continuação e reinvenção do Watchmen original, que os leitores poderão acompanhar nas próximas dez semanas num quiosque perto de si.




Watchmen - o filme

Alan Moore

Dave Gibbons


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

ANDRÓMEDA ou O LONGO CAMINHO PARA CASA

ANDRÓMEDA
ou 
O LONGO CAMINHO PARA CASA 
Argumento e ilustrações 
de ZÉ BURNAY 


“Onírico. Ao mesmo tempo belo e perturbador.”
- Mike Mignola

Jornada do herói que acompanha um estranho nómada perdido numa viagem entre o iniciático e o surreal, Andrómeda é também a crónica de um regresso a um destino simultaneamente desejado e desconhecido, através de uma paisagem pós-apocalíptica ou perdida na antiguidade. Uma obra-prima da banda desenhada portuguesa, que mergulha o leitor no imaginário do seu autor, feito de mitos e lendas, terror, simbolismo e aventura.

Originalmente publicado em formato comic, em dois capítulos, Bugonía (2016) e Uma Casa no Horizonte (2017), e comercializado em festivais e vendas online em língua inglesa, a obra de Zé Burnay, enriquecida com um novo capítulo, A Nossa Mãe, a Montanha, foi editada em inícios de 2019 numa versão inglesa (Andromeda or The Long Way Home), que rapidamente se esgotou. É com orgulho que A Seita apresenta esta magnífica banda desenhada numa edição luxuosa em português, que inclui também o caderno de extras, esboços, etc... originalmente publicado na versão inglesa, e uma série de ilustrações de autores convidados, entre os quais várias inéditas de portugueses. Entre os autores incluídos podemos citar Mike Mignola, fã de longa data da obra de Zé Burnay, mas também ilustrações de Artyom Trakhanov, Matt Smith, Aaron Conley, entre outros, e dos portugueses André Caetano, André Pereira, Jorge Coelho e Mosi. Músico e compositor, Zé Burnay criou também uma banda sonora de música ambiente que acompanha o livro, para proporcionar uma experiência de leitura mais imersiva, que os leitores poderão ouvir aqui: andromedamusic.bandcamp.com/









O que a crítica diz:

“São questões que começam por ser simples, de início, mas, à medida que o comic avança, vão-se tornando maiores, e o livro vai ganhando contornos semelhantes aos de um sonho, por vezes um pesadelo. Burnay tem claramente um universo imenso dentro da sua mente, e quero muito poder explorá-lo à medida que ele o passa a papel.”
Mark Tweedale - www.multiversitycomics.com

Andrómeda é como um pedaço de nougat... o nosso paladar está sempre a ser surpreendido e abalado de cada vez que trincamos um dos seus frutos nutritivos, crocantes, saborosos, com travo a madeira, ricos e untuosos, mas bem duros.”
Pedro Vieira de Moura - yellowfastcrumble.wordpress.com

128 páginas, preto e branco, capa dura, formato 19 x 28,50 cm, (c/sobrecapa)
ISBN 978-989-54574-2-7
PVP: 18€
Link para baixar capa e imagens do interior: https://898tdj.s.cld.pt
Site do autor: http://zeburnay.com

Zé Burnay 

[n.1991] faz banda desenhada desde (praticamente) sempre mas só desde 2010 é que começou a publicar o seu trabalho e a dedicar mais tempo a desenvolver trabalhos na área.
Estudou design gráfico na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha e actualmente trabalha em Ilustração.
Conta com participações em vários fanzines e antologias de BD portuguesas (entre elas o Mesinha de Cabeceira) e actualmente auto-edita o zine Doom Mountain.
As suas principais inspirações são Mike Mignola, Heavy Metal e o filmes de terror dos anos 30 aos 70.

Actualmente divide o seu tempo entre ilustração freelance, projectos pessoais de banda desenhada e a produção de música ambiente.


EXPOSIÇÃO JOSÉ RUY EM BEJA


EXPOSIÇÃO JOSÉ RUY EM BEJA
8/Fevereiro a 18/Abril 


Paulo Monteiro enviou-nos agora esta novidade:

No próximo sábado, dia 8 de fevereiro, às 17h30, inauguramos a exposição JOSÉ RUY E OS QUADRINHOS, na Casa da Cultura – Bedeteca de Beja. São cerca de 100 desenhos e pranchas em exposição, desde os Anos 40 até aos nossos dias, mostrando o percurso ímpar de um autor-ilustrador que se dedicou com rara paixão à banda desenhada. Apareçam para um copo de vinho e dois dedos de conversa com o autor! Será também exibido o documentário homónimo, realizado por Manuel Monteiro (40 minutos).

A exposição será inaugurada no próximo dia 8 e terminará a 18 de Abril.

Nota do Kuentro: Deveria estar escrito QUADRADINHOS, uma vez que QUADRINHOS é à brasileira!!!

Mestre José Ruy em plena actividade

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

430º ENCONTRO DA TERTÚLIA BD DE LISBOA 04 de Fevereiro de 2020

430º ENCONTRO 
DA TERTÚLIA BD DE LISBOA
04 de Fevereiro de 2020

CONVIADO ESPECIAL BERNARDO MAJER 





Bernardo Majer

Nascido em 1990, tirou a licenciatura de Design de Comunicação na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, e trabalha como designer gráfico na VMLBranding desde 2014.

Tendo tido sempre interesse em ilustração, iniciou o seu percurso na banda desenhada em 2012, com o primeiro lugar nos concursos Anicomics, Portusaki e Amadora BD (Escalão A). Trabalhou como Colorista no livro Super PigO Impaciente Inglês (des. de André Pereira e Arg. Mário Freitas)
e desenhou histórias curtas para as antologias Crumbs e Almanaque. O seu primeiro projecto mais longo surge apenas em 2019, “Toutinegra”, com argumento de André Oliveira e editado pela Polvo.

Influências: Chris Ware, Jason, Nick Drnaso, Adrian Tomine, Chester Brown, Jillian Tamaki, Daniel Clowes, João Fazenda.

https://www.instagram.com/bernardomajer/
https://www.behance.net/bernardomajer


Toutinegra
de André Oliveira e Bernardo Majer

“Real ou não, a Toutinegra tinha segredos”.

Num lugar quase deserto e condenado ao esquecimento, há ainda duas candeias que resistem ao vendaval. e quando tudo pertence ao passado, a descoberta constante das crianças, ou o que ficou da memória, não é mais do que uma construção. Um castelo de cartas. Uma miragem e um vislumbre de todos os segredos do mundo.
Toutinegra fala de ausência, de aceitação e do vazio que fica após uma perda. da coragem que é preciso para entrar no moinho escuro. 





sábado, 1 de fevereiro de 2020

O ÚLTIMO ENCONTRO COM GERÓNIMO A FECHAR A SAGA DE BLUEBERRY COM O PÚBLICO


DUST
O ÚLTIMO ENCONTRO COM GERÓNIMO 
A FECHAR A SAGA DE BLUEBERRY 
COM O PÚBLICO
por Carlos Pessoa


Álbum 10
Dust
Colecção Blueberry
Quinta-feira; 30 de Janeiro
Por+7,90€


BDpress #531 Recorte do artigo publicado no Público de 25/1/2020

Texto de Carlos Pessoa

Durante o tiroteio em OK Corral, Blueberry salva Dorée Malone do assassino Johnny Ringo. Este consegue escapar, mas é morto mais tarde pelo herói. Entretanto, a história contada a Campbell é revelada: preso no Forte Mescalero com Gerónimo e os seus homens, Blueberry é libertado e visita, com a professora Caroline Younger, um orfanato onde há crianças índias retidas. Uma delas, a quem chamam "Dust", é Natché, filho de Gerónimo. Blueberry ajuda este último a fugir com o filho e os seus guerreiros, mas, durante a fuga, o reverendo Younger, director do orfanato, atinge mortalmente a filha por acidente... Este é, em resumo, o enredo de Dust (texto e desenho de Jean Giraud), décimo e último álbum da colecção Blueberry, que será distribuído com o Público na próxima semana.

À data da publicação desta história, Dust foi um dos acontecimentos editoriais do ano, fechando o ciclo Mister Blueberry, mais conhecido como ciclo OK Corral. E é fechado com chave de ouro: uma história de 68 páginas, rematando todas as pontas soltas do enredo desenvolvido por Jean Giraud, investido na dupla função de argumentista e desenhador do episódio.

Do desenho não há muito mais que possa ser acrescentado ao que foi dito ao longo da apresentação dos álbuns desta colecção Blueberry: é magnífico e, tantos anos depois, conserva a frescura e modernidade que caracterizaram o estilo gráfico do autor. As cores de Scarlett Smulkovski ajudam à excelência do resultado final, mas se fosse possível aceder às pranchas a preto e branco de Giraud, o leitor poderia ficar com uma ideia mais precisa e cabal do enorme talento do ilustrador, tão magníficas e precisas são cada prancha, cada vinheta e, dentro destas, cada personagem finamente desenhada.

Se a crítica é bastante consensual no que diz respeito ao grafismo, já o mesmo não se pode dizer da avaliação do argumento deste álbum. É necessário dizer, antes de mais, que a "sombra" de Jean-Michel Charlier paira constantemente sobre a série. Este último tinha o dom de saber criar uma narrativa caracterizada por uma densidade dramática fantástica a partir de uma trama linear (mas não forçosamente simples) de recorte clássico. É esta característica, aliás, que está na base do enorme sucesso deste western.

Após a morte de Charlier, Giraud pegou nas rédeas da série por inteiro inoculando-lhe o seu próprio estilo e filosofia, certamente mais contemporâneos e ajustados às exigências dos actuais leitores de banda desenhada: multiplicidade de histórias paralelas, transição sem aviso de umas para outras com a dose precisa de suspense para manter o mesmo nível (bem elevado) de atenção, fechando-as todas num desenvolvimento final. Entre o genial contador de histórias (Charlier) e o artífice subtil de enredos (Giraud), deixamos ao leitor a total liberdade de escolha.

Quer a acção se passe nas ruas empoeiradas de Tombstone, quer num saloon saturado de fumo de tabaco ou nas planícies áridas perseguindo índios, Dust leva às últimas consequências a arte de construir ambientes e de contar uma história, embora nem sempre com a fluidez que seria mais desejável – o ritmo de algumas sequências é um pouco irregular,

tornando-as quase dispensáveis; em contrapartida, o último encontro de Blueberry com Gerónimo, narrado a Campbell, é um momento culminante e final nesta longa e vibrante história.

Seja qual for a avaliação, de uma coisa não há dúvidas: todos os episódios são de uma enorme riqueza e densidade, propiciando uma fruição dificilmente igualada no panorama da banda desenhada contemporânea, e esta última aventura não foge a essa regra.
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Tombstone, 28 de Outubro de 1881. O duelo entre os irmãos Earp e os Clanton/ Mc Laury está prestes a ter um desenlace. Entretanto, no Dunhill Hotel, um tiro de revólver destrói a porta do quarto onde Doree se encontra como prisioneira de Johnny Ringo, o assassino psicopata.
O escritor Campbell desiste de escrever a biografia de Blueberry e regressa a Boston... Mas, durante alguns segundos, os destinos destes personagens vão estar em jogo. E Blueberry vai ser alvo de uma verdadeira ressureição... Quando já não se dava nada por ele no ínicio do ciclo de Tombstone, renasce um novo Blueberry. Agora, é um homem novo e decidido a retomar o caminho da grande aventura. "Arruinado, mas vivo!" Blueberry desfruta do prazer do seu renascimento e do fim da sua busca introspectiva. Finalmente, libertou-se do peso do passado.
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Jean Giraud (Nogent-sur-Marne, 8 de maio de 1938 – Paris, 10 de março de 2012) foi um autor francês de banda desenhada, que também colaborou na produção de diversos filmes. Giraud é também conhecido pelos pseudónimos Moebius e Gir. Começou a publicar as suas primeiras tiras de BD aos 18 anos, tornando-se logo um dos ilustradores mais consagrados da Europa.

As idades de Jean Giraud

Jean Giraud nasceu numa família humilde, em 8 de maio de 1938, na cidade francesa de Nogent-sur-Marne.

A sua primeira história em banda desenhada publicada foi Frank et Jeremie, para a revista Far West, em 1956, publicada antes dos 18 anos. Ainda na década de 50, escreveu e desenhou para as revistas Sitting Bull, Fripounet et Marisette, Âmes Vaillantes e Coeurs Vaillants. A sua carreira foi interrompida pelo serviço militar, que prestou na Argélia (que era uma colónia da França), durante a guerra da independência argelina, que decorreu entre 1954 e 1962.

Ao retornar do serviço militar, começou a trabalhar com Joseph Gillain, mais conhecido por "Jijé", um dos principais autores de BD europeus da época, com quem colaborou na revista Jerry Spring. Giraud foi indicado por Jijé para desenhar a série cujas histórias se desenrolam no oeste americano – Blueberry – e que seriam inicialmente publicadas pela revista Pilote.

Em 1963, é publicado pela primeira vez na revista Hara Kiri, assinando com o pseudónimo Moebius. Nela, foram publicadas 21 tiras em 1963/64, e só quase uma década depois é que este pseudónimo foi utilizado de novo. Em geral, Giraud assina como Moebius nos seus trabalhos de ficção científica e fantasia, que costumam ser mais experimentais.

Este célebre pseudónimo de Giraud, tem origem no nome de August Ferdinand Möbius, que foi um matemático e astrónomo alemão, célebre pela sua fita de Möbius, um espaço topológico obtido pela colagem das duas extremidades de uma fita, após efectuar meia volta numa delas.

 A fita de Möbius 

Em 1974, Giraud formou os Humanoïdes Associés com Jean-Pierre Dionnet, Philippe Druillet e Bernard Farkas. No mesmo ano, lançaram a revista de fantasia e ficção científica Métal Hurlant, uma publicação que se tornaria muito influente no meio da BD. Logo no seu primeiro número, a capa era de Moebius e Philippe Druillet, e continha as primeiras histórias de Arzach e Major Grubert. A maior parte do seu trabalho na revista foi republicada depois em álbuns.


A sua parceria com o escritor chileno Alejandro Jodorowsky iniciou-se em 1975. Com ele, lançou muitos trabalhos, sendo O Incal o mais conhecido.

Nos anos 1980, produziu a graphic novel Surfista Prateado, parábola em colaboração com Stan Lee. Recebeu a condecoração das Artes e das Letras, distinguido pelo presidente francês, em 1985.

Giraud morreu de cancro, aos 73 anos, em Paris.

Pode ler-se o texto de Carlos Pessoa sobre a morte de Jean Giraud, aqui: https://www.publico.pt/2012/03/12/culturaipsilon/noticia/morreu-jean-giraud-o-autor-que-mais-influenciou-os-criadores-do-seu-tempo-301807



 
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