quarta-feira, 26 de outubro de 2011

BDpress #296: O QUE APRENDEMOS NÓS DEPOIS DE TERMOS LIDO ASTERIX? Rogério Casanova, no suplemento Ípsilon do jornal Público.


Público, suplemento Ípsilon, 7 Outubro 2011

O QUE É QUE OS GAULESES 
FIZERAM POR NÓS?

Rogério Casanova

Todos já encontrámos pessoas que mantêm relações de quase escravatura sentimental com Emilio Salgari, os Cinco ou a Condessa de Ségur: os livros de que se gosta muito na infância ajudam a moldar os leitores que seremos mais tarde, formando expectativas sobre o que um livro pode exigir ou providenciar.

E uma teoria ousada, defendida com entusiasmo por Graham Greene, Harold Bloom, e dezenas de bibliotecários do Alabama com impulsos censórios: os livros que se lêem na infância moldam de forma decisiva os adultos em que nos transformamos. Poucas coisas se prestam mais à mitologia barata do que aquilo que fazemos enquanto crianças. Os leitores que se tornam escritores, em particular, são peritos em impor cadeias de causalidade aos seus hábitos de leitura precoce, transformando, por puro vício narrativo, uma caldeirada de contingências numa soberba brochura psicobiográfica; li aquilo "ergo" escrevi isto: vejam como tudo faz sentido.

Até os leitores que se contentam em permanecer leitores o resto da vida têm tendência para idealizar os primeiros passos na literacia. Todos já encontrámos – dependendo da geração e do contexto cultural – pessoas que mantêm relações de quase escravatura sentimental com coisas como Emilio Salgari, os Cinco ou a Condessa de Ségur. Mas mesmo que a resposta instintiva seja rejeitar cultos de nostalgia e determinismos drásticos, uma versão mais moderada da teoria Greene/Bloom não deixa de apelar ao senso comum: os livros de que se gosta muito na infância, podendo perfeitamente não ter qualquer outro mérito ou consequência, ajudam a moldar os leitores que seremos mais tarde, inculcando certos hábitos e formatando determinados conjuntos de expectativas sobre o que um livro pode exigir ou providenciar.

Como não posso falar em nome dos devotos de Sofia ou Sandokan, tentarei quantificar brevemente os efeitos positivos que as aventuras de Astérix tiveram sobre uma ou duas gerações de discípulos (hoje) adultos.

(1) Classicismo embrionário. Para muitas pessoas, os álbuns de Astérix foram a primeira exposição prolongada à Antiguidade Clássica. As úteis lições introdutórias sobre o mundo de Vercingétorix, Alésia, Júlio César, Scipião o Africano, Cleópatra, hieróglifos e a Acrópole compensaram todo um catálogo menor de falsidades só mais tarde esclarecidas por pacientes professores de História: foi uma desilusão saber, por exemplo, que o nariz da Grande Esfinge de Gize não foi destruído por um alpinista gordo, e que a queda do império romano não foi consequência directa da descoberta de uma cura para a ressaca (cf. "Os Louros de César").

(2) Apreço por jogos linguísticos. Mesmo na pouco criativa tradução portuguesa, que descartou inúmeras oportunidades ao manter quase todos os nomes de personagens (a inglesa tratou de arranjar equivalentes por vezes melhores do que os originais: Vitalstatistix - Abraracourcix), uma parte substancial do humor da série resultava de jogos de palavras.

Muitos deles sob a forma de trocadilhos simples ou equívocos de homofonia, mas por vezes com acrobacias de maior altitude: uma sequência memorável em "Astérix nos Jogos Olímpicos" regista um diálogo entre várias pessoas que é simultaneamente – sobre romanos, cogumelos salteados e linguística avançada. Estas coisas viciam para o resto da vida.

(3) Lavoura de alusões. Embora não se possa dizer que Goscinny fornecesse um treino rigoroso a futuros hermeneutas e escavadores de símbolos, é inquestionável que a predisposição para a colheita de alusões é uma das suas heranças. Astérix preparou-nos para a intertextualidade, e ensinou-nos a atenção à referência escondida com o rabo de fora. Vinhetas que reencenavam quadros de Géricault, Bruegel ou Rembrandt; citações fugidias de Horácio e Terêncio; "cameos" inesperados de Dom Quixote, Fellini ou Sean Connery; árias de ópera, canções de Tino Rossi e obscuras baladas de bêbados: o espectro era vasto, do mais esotérico ao mais popular (uma pessoa mais dada à mitificação diria que há uma linha directa entre Astérix e Thomas Pynchon), e a alusão era sempre suficientemente sinalizada para permitir um inquérito ao Google mais próximo – na altura, os pais.

(4) Receptividade à sátira. Mesmo sem puberdade à vista, mesmo arrastado por uma aprazível enxurrada de piadas fáceis e arraiais de porrada com "pafs" e "zumbas", era difícil não ter a noção de que coisas importantes nos estavam a ser sorrateiramente impingidas. Embutidas em vários enredos encontram-se mini-alegorias sob um naipe de temas de fazer inveja ao alinhamento do próximo telejornal: dívida soberana, manobras eleitorais, reivindicações sindicais, especulação imobiliária, desertificação rural, imigração, ecologia, e até "verdade desportiva". Várias fontes ao longo dos anos garantiram-me que "Obélix e Companhia" é mencionado assiduamente em cursos de Economia por professores iconoclastas. Mais do que uma impugnação camuflada do capitalismo, o álbum é uma soberba introdução a pressupostos como "procura artificial", "valor de escassez" e "obsolescência planeada" (aliás, substitua-se a palavra "menir" por "diamante" e tem-se uma história rigorosa da De Beers).

(5) Receptividade ao futebolês. Muito séculos antes de Henry Adams ter escrito uma autobiografia sem nunca utilizar o pronome pessoal e de Mário Jardel e Miguel Veloso terem aperfeiçoado a técnica de se referirem em discurso directo ao "Mário Jardel" e ao "Miguel Veloso", já Júlio César era um veterano na arte de se referir a si próprio na terceira pessoa. (Mais um instante, aliás, de verdade histórica: descobre-se – muito, muito mais tarde – que César escreveu, de facto, os seus "Comentários sobre a Guerra das Gálias" na terceira pessoa).

(6) Educação cívica. No cinquentenário da série, em 2009, uma curta escaramuça mediática foi encenada em França, depois de um burocrata da ONU ter criticado a validade da ideologia de Astérix ("resistir agora e sempre ao invasor") como "modelo para uma sociedade aberta e multicultural". Piadas sobre burocratas à parte, há que dizer que não é totalmente descabido ver em alguns aspectos uma vulnerabilidade a cooptações populistas e reaccionárias; não é só à opressão imperialista que os irredutíveis gauleses resistem – é também à colonização cultural e às forças da globalização (lendo os álbuns cronologicamente, é fácil ver que a premissa alegórica original sofreu alterações: começou por ser uma recriação imaginativa da ocupação nazi, e evoluiu para uma recriação imaginativa da rejeição do imperialismo cultural americano).

Mas essa leitura é redutora. A resistência dos gauleses é à mudança, não à diferença. E nisso, o emprego de estereótipos é inspirado. Os autores perceberam que a utilização correcta dos esterótipos é a mesma dos preconceitos: o truque é ter muitos. (Historicamente, o problema maior não são as pessoas com muitos preconceitos; são as que apostam tudo num só). Se todas as culturas e nacionalidades – incluindo a gaulesa – são intrinsecamente hilariantes, nenhuma é perversamente excluída: os estereótipos cancelam-se. A tribo gaulesa pode não gostar de cerveja morna, mas defenderá até à morte o direito dos bretões a consumi-la.

Nota chauvinista. O único esterótipo a que os portugueses tiveram direito ocorre em "O Domínio dos Deuses". Um pelotão "multicultural" de escravos trabalha pela calada da noite. Os iberos, os númidas e os belgas são dispensados do trabalho por cantarem demasiado alto.

Percebendo a situação, um hirsuto e escanzelado lusitano aproxima-se do capataz, informando-o humildemente: "Eu não sei cantar, mas posso recitar qualquer coisa". Um estereótipo que consegue parodiar ao mesmo tempo Fernando Pessoa e Pedro Abrunhosa, e mesmo assim ser enternecedor, só pode ser muito bom.

É inquestionável que a predisposição para a colheita de alusões é uma das heranças de Goscinny. Astérix preparou-nos para a intertextualidade, e ensinou-nos a atenção à referência escondida com o rabo de fora

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A cena a que se refere Rogério Casanova:

... não resistimos e apresentar a sequência toda. 
In As Aventuras de Asterix o Gaulês - O Domínio dos Deuses, edição Livraria Bertrand, 1976

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

JOBAT NO LOULETANO – 9ª ARTE - MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA (XVII e XVIII) – ILUSTRADORES PORTUGUESES NAS PÁGINAS DE “O MOSQUITO” – AS PRIMEIRAS HQ DE JOSÉ GARCÊS (I)



9ª ARTE
MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA 
(XVII - XVIII)

O Louletano, 20 a 26 de Julho de 2004

NOSTALGIA (17/18)
ILUSTRADORES PORTUGUESES 
NAS PÁGINAS DE “O MOSQUITO” 
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AS PRIMEIRAS H.Q. DE JOSÉ GARCEZ (1)

por José Batista

Já frequentava a Antonio Arroio, em 1947/48, quando pela primeira vez contactei as ilustrações de José Garcês publicadas no jornal "O Mosquito". Mestre Rodrigo Alves (R.A.), que também o fora dele, fazia referências elogiosas ao antigo aluno, o qual, concluido o curso, de imediato ingressou no Instituto Metereológico Nacional. Foi aí que pessoalmente o conheci, no início da década de 60, ao mostrar-lhes uns desenhos meus que fizera para a Agência Portuguesa de Revistas. Tal como a muitos que passaram pela António Arroio e, simultaneamente, pelas aulas de R.A., também Garcês, de seu nome completo José dos Santos Garcês, foi inoculado pelo virus das histórias aos quadradinhos veiculado pelo citado mestre. Gráfico competentíssimo e desenhador experimentado, R.A. incutia nos seus alunos sólidas noções nessa forma de arte, expondo, ao vivo, as técnicas que melhor traduziriam o resultado final que se desejava. Verdade que o citado mestre nunca enveredou, profissionalmente, por essa vertente artística, mas que dela sabia a rodos é um facto que todos os seus alunos amplamente constactaram.

A publicação das quatro histórias que José Garcês publicou no "Mosquito", concidiram com os primeiros anos de frequentei essa escola, e, sobre elas, nos debruçávamos nas aulas de desenho de letra e litografia ministradas por R.A. Tendo em conta a idade, 18 anos, esses primeiros trabalhos atestam um cuidado e potencialidades artísticas dignos de nota, especialmente se considerarmos o enfileirar, no citado bi-semanário, ao lado do ilustrador mais admirado e querido dos leitores e aspirantes a futuros autores de BD, - E. Teixeira Coe-lho, - que na altura frequentavam a António Arroio, isto para não citar Hall Foster aquando da publicação da sua quarta história, "A Maldição Branca", nesse bi-semanário.

LEGENDAS DAS IMAGENS:

Primeira página de "O Segredo das Águas do Rio", publicada n' "O Mosquito" n° 816, de 19 de Abril de 1947

Última tira da mesma história, publicada no n° 841, de 16 de Julho do mesmo ano

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O Louletano, 27 de Julho a 2 de Agosto de 2004

AS PRIMEIRAS H.Q. DE JOSÉ GARCEZ (2)

por José Batista

Com colaboração disseminada por quase todas as publicações de B.D., pode afirmar-se que José Garcês é, juntamente com V. Péon, um dos ilustradores com mais obra publicada em Portugal. Nasceu em 1928, a 23 de Junho, e frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio. Era costume, num tempo em que não existiam fanzines, os alunos dessa escola ilustrarem pequenos jornais de parede, alguns inclusive chegavam mesmo a ser impressos nas aulas de desenho litográfico dos mestres Rodrigues Alves e Mendes, este último na área das técnicas de impressão. José Garcês não fugiu à regra, dirigindo e ilustrando em 1944, "O Merlo", iniciando dessa forma uma longa e frutuosa carreira no campo das histórias aos quadradinhos.

Também a ele, como a quase todos os candidatos a ilustradores nessa época, década de 40, a beleza dos desenhos de E.T. Coelho cativaram a sua admiração. Nota-se em toda a sua obra, na limpidez da linha, leveza no tratamento da figura e elegância na forma, algo da arte inconfundível do "Poeta da Linha", como o classificou Emílio Freixas, grande ilustrador espanhol, desse tempo. A arte de outro gigante das "comics" americanos, Hal Foster, também o não deixou indiferente, o mesmo acontecendo com Hogarth. Porém, todos foram, na construção do seu próprio estilo, harmoniosamente assimilados, nenhum deles se impondo mas de todos colhendo os elementos que enriqueceriam a sua obra ao longo de uma extensa e fecunda carreira artística.

Tal como E.T.C., também José Garcês privilegia o uso da pena, a qual não permite, a meu ver, a espontaneidade que o pincel faculta nos jogos do claro escuro, no qual os volumes dinamizam as ilustrações.

A figura humana, especialmente os rostos e mãos, apresentam-se cuidadosamente delineados, belas mesmo, fruto de uma síntese de traços particularmente feliz, o mesmo acontecendo nas suas vinhetas de plano geral, bem concebidas, planificadas e executadas. Um uso mais diversificado na visualização dos planos, quebraria algum do estatismo que por vezes se nota no conjunto das vinhetas de algumas páginas, nas quais a ausência de modelo também é visível.

Relevando, porém, esses pequenos itens, a obra de José Garcês é notoriamente bem elaborada, e graficamente equilibrada na abordagem dos mais variados temas, com acentuado destaque na área histórica, na qual o autor se movimenta com natural à vontade no domínio dos componentes que cada época exige.

Todavia, a sua história que mais prendeu a minha atenção foi " Rumo a Oriente", publicada no "Camarada". Saudades do tempo, da pesquisa, da fantasia, da ficção, talvez da ousadia? Quem sabe, se simultaneamente tudo isso.

LEGENAS DAS IMAGENS:

Primeira página de "A Maldição Branca", publicada n' "O Mosquito" n° 932, de 29 de Maio de 1948

Última tira da mesma história, publicada no n° 941, de 30 de Junho do mesmo ano, e simultâneamente o último trabalho de José Garcês publicado n' "O Mosquito".

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ULISSES (XIV e XV)
Texto e desenhos de Jobat



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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

22º AMADORA BD 2011 - AS FOTOS DO PRIMEIRO FIM-DE-SEMANA

AS FOTOS 
DO PRIMEIRO FIM-DE-SEMANA 
DO 22º FESTIVAL AMADORA BD'2011


Fotos enviadas por Dâmaso Afonso:




 Geraldes Lino e Fernando Relvas

Valéry Der-Sarkissian e Nelson Martins (autores - argumentista e desenhador - de Tudo Sobre Os Solteirões

Geraldes Lino, Joana Afonso, Rui Lacas e Victor Mesquita 


 Osvaldo Macedo de Sousa (Comissário da Exposição Central), o Vereador António Moreira e Nelson Dona (Director do Festival)



 O "salão de baile" dos Autófragos*...

 Filipe Andrade e Filipe Pina 

 Nelson Dona explica qualquer coisita a Rui Lacas e Joana Afonso (ou era prá geral?)...

 Osvaldo Macedo de Sousa e Nelson Dona...

 Joaquim Moreira Raposo (Presidente da Câmara da Amadora), Nelson Dona e Fernando Relvas, na inauguração da exposição de Relvas na Galeria Artur Bual...


O beberete habitual da inauguração...

(*) Ou será Aufótragos?

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Fotos PedradoNoCharco:

 Conheço desde a adolescência a capacidade sonora que os alentejanos têm quando se põem a botar cantadura em conjunto. Mas nunca os tinha ouvido num parque de estacionamento coberto e, podem acreditar, o som tonitruante do cante num espaço daqueles, envolvido no fedor das pipocas e do algodão doce, quase me deixaram KO...


O tal salão de baile e as portinhas dos Autrófagos. Chamemos-lhe salão de baile porque aquilo, de facto não serve para mais nada e com direito a café, gelados e o horroroso cheiro a feira popular das pipocas e do algodão doce, que me fizeram, um dia, deixar de ir ao cinema...

 Sessões de Augótrafos...






 No sábado as coisas até estiveram bem compostas em termos de público, mas no domingo, bem, no domingo houve um discussão qualquer entre o San Pedro, o Thor e o Zeus e a tempestade que eles desencadearam fez com que o pessoal ficasse em casa ligado à TV...


 O nosso cantinho...

 Valéry Der-Sarkissian e Nelson Martins apresentam o livro Tudo Sobre Os Solteirões, com Pedro Mota e Maria José Pereira



(*) Se calhar é Autrófagos...
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Bem, de positivo, até ver (ainda não vi qualquer das exposições e acerca do espaço, penso que a minha opinião é conhecida), pelo menos desta vez houve Programa e Catálogo no primeiro dia do Festival!!! 


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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

APRESENTAÇÃO DO BDjornal #28 + ALERTA PARA A REPORTAGEM SOBRE FERNANDO BENTO HOJE NA RTP2

AÍ ESTÁ O BDjornal #28

Ilustração da capa: Musashi, de Julio Shimamoto

No dia 26 de Setembro, enquanto realizávamos uma última pesquisa na internet, para o trabalho sobre Os Desenhadores de Tex, encontrámos a página online do diário italiano La Republicca dando a notícia da morte, nesse mesmo dia, de Sergio Bonelli, o editor de Tex. Foi uma notícia inesperada e, sobretudo amarga. Se bem que não conhecessemos pessoalmente Sergio Bonelli, é certo que ele sempre acarinhou o BDjornal, com referências elogiosas nos seus editoriais das revistas de Tex, tendo mesmo chegado a escrever-nos uma gentil carta de agradecimento, aquando da edição do BDjornal #24, sobre os 60 anos de Tex em 2008, enviada por intermédio de José Carlos Francisco. Pelo trabalho que realizou ao longo da vida, como argumentista e sobretudo como editor, Sergio Bonelli conquistou a estima e admiração de milhões de leitores de fumetti por esse mundo fora, deixando uma empresa, conhecida como a fábrica dos sonhos que, continuando a trabalhar respeitando as premissas que ele estabeleceu, perpetuará o seu nome ad eternum. Usando uma expressão em latim, que exprime o que cada um sente numa altura destas: Requiescat in pace!

Esta edição apresenta a entrevista que se impunha, com o Vereador da Cultura da Câmara da Amadora, dr. António Moreira, sobre questões prementes do Festival de BD da Amadora, na companhia do arqº Nelson Dona, director deste Festival, que permite uma visão previlegiada dos meandros do agora intitulado Amadora BD. O Vereador, não se eximindo a nenhuma resposta, foi incisivo e esclarecedor sobre questões até agora mantidas no “segredo dos deuses”, como os custos do Festival, mas não só.

Julio Shimamoto, um autor brasileiro descendente de uma nobre família samurai do Japão, e (também por isso) popularizado no Brasil como o samurai dos quadrinhos, chega-nos por intermédio de Wagner Macedo, que conseguiu o longo e interessantíssimo monólogo biográfico que publicamos. Shimamoto, hoje com 72 anos, percorreu um naco da história do Brasil e conta-nos todo esse percurso e como ele influenciou a sua trajectória no mundo da banda desenhada brasileira. Iniciando a carreira com uma espécie de tirocínio com o português emigrado Jayme Cortez, passou pela nacionalização dos quadrinhos e os movimentos de autores a ela associados, pela publicidade e ilustração, até a uma pacificação de espírito de que diz gozar hoje em dia, que o leva, sobretudo, a querer aprender. Dele publicamos as dez página iniciais de Musashi, história de um garoto japonês que se tornou samurai...

Destaque ainda para o texto de João Miguel Lameiras sobre Vitor Péon, considerado o mais produtivo autor português da sua época e que parece meio esquecido actualmente.

Leonardo De Sá pesquisou e reconstituiu a verdadeira biografia de António Cerveira Pinto, um artista meteórico do início do século XX, falecido aos 16 anos, mas com uma actividade artística precoce e muito activa, participando numa série de revistas que viriam a ser o berço do então emergente movimento modernista em Portugal. É o resultado dessa pesquisa que se publica nesta edição do BDj.

De refeir ainda a publicação integral de O Mensageiro no Deserto, banda desenhada de Diniz Conefrey de 1989. Por outro lado e infelizmente, Selma Pimentel não conseguiu terminar a sua história Samira 2 para esta edição.

4 – ENTREVISTA COM O VEREADOR DA CULTURA DA CÂMARA DA AMADORA SOBRE O AMADORA BD, J. Machado-Dias
10 – VITOR PÉON, João Miguel Lameiras
18 – INTRODUÇÃO A JULIO SHIMAMOTO, Wagner Macedo e J. Machado-Dias
19 – UM SAMURAI NA BANDA DESENHADA BRASILEIRA, Julio Shimamoto
28 – BD – MUSASHI, texto de desenhos de Julio Y. Shimamoto
38 – ÁLVARO CERVEIRA PINTO - A SUA BIOGRAFIA VERDADEIRA, Leonardo De Sá
41 – A SELVA, Diniz Conefrey
43 – BD – O MENSAGEIRO NO DESERTO, texto e desenhos de Diniz Conefrey
55 – BD – CENSURADO, texto de Wilson Vieira, desenhos de Aloísio de Castro
61 – BD – EXTORSÃO, Texto de Wilson Vieira, desenhos de Daniel Brandão
71 – APRESENTAÇÃO DE ANDRÉ TORAL, J. Machado-Dias
72 – BD – O CARRASCO DA MOOCA, Texto e desenhos de André Toral
76 – BD – O TRADUTOR, texto e desenhos de André Toral
78 – UNE NUIT DE PLEINE LUNE, Pedro Cleto
79 – VIEILLES CANAILLES – INTEGRALE, Pedro Cleto
80 – RAZÕES DO DESAPREÇO DA EXPRESSÃO 9ª ARTE, Pedro Vieira Moura
85 – VISUALIDADES – DOSSIER HQ, Edgar Indalécio Smaniotto
86 – ENTREVISTA COM FABIO CIVITELLI, José Carlos Francisco
91 – OS DESENHADORES DE TEX – INTRODUÇÃO, J. Machado-Dias

93 – OS DESENHADORES DE TEX – ENSAIOS BIOGRÁFICOS (1), J. Machado-Dias

101 – VIAJANTES DE PAPEL NA LUSOFONIA GRÁFICA (2) – ÁFRICA E ÁSIA, Osvaldo Macedo de Sousa
106 – VOYAGER – ENTREVISTA COM RUI RAMOS, J. Machado-Dias
108 – FESTIVAL DE COMICS DE BARCELONA 2011, Diogo Campos
109 – FESTIVAL INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DE BEJA 2011, Diogo Campos
110 – ANIPOP MATSURI #2, Pedro Trabuco


COLABORAÇÕES
Aloísio de Castro, André Toral, Clara Botelho, Daniel Brandão, Diniz Conefrey, Diogo Campos, Edgar Indalécio Smaniotto, João Miguel Lameiras, José Carlos Francisco, Julio Y. Shimamoto, Leonardo De Sá, Pedro Cleto, Pedro Trabuco, Pedro Vieira Moura, Wagner Macedo, Wilson Vieira.

BANDAS DESENHADAS
Aloísio de Castro, André Toral, Daniel Brandão, Diniz Conefrey, Julio Y. Shimamoto e Wilson Vieira.















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FERNANDO BENTO
REPORTAGEM NA RTP2 - HOJE


Sexta-feira, 21 de Outubro, pelas 21:00 horas, na RTP 2 - Documentário sobre a vida e a obra de Fernando Bento, um dos grandes nomes da banda desenhada portuguesa!

O documentário foi filmado por Pedro Bento (filho do autor) e a sua equipa, em 2010, o ano em que se comemorou o Centenário do nascimento de Fernando Bento.

A exibição coincide com a inauguração do Amadora BD 2011 (parece propositado!), por isso o melhor é programarem a gravação nas vossas boxes.

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