quarta-feira, 5 de outubro de 2016

«O Mosquito» e «Chicos» - AS PUBLICAÇÕES INFANTO-JUVENIS QUE ABALARAM A PENÍNSULA IBÉRICA (2) – por José Ruy


AS PUBLICAÇÕES 
INFANTO-JUVENIS
QUE ABALARAM A PENÍNSULA IBÉRICA

«O Mosquito»
e «Chicos»
(3)

Por José Ruy

SOLUÇÕES CRIADAS PELAS DUAS REVISTAS
PARA FAZEREM FACE À CRISE MOTIVADA PELAS GUERRAS

O meu objetivo nestes artigos é mostrar o paralelismo entre as duas publicações, «O Mosquito» e «Chicos», os seus pontos de união e cooperação, e a partilha de conteúdos, por isso não me preocupo com a sincronização na evolução dessas publicações e respetivas datas. Não estranhem pois se avançar e voltar atrás em certas alturas.
O «Chicos» em Espanha tirava já 120 000 exemplares semanalmente.
Em novembro de 1938 a Junta Política de Burgos entrou em conflito com o editor, Juan Baygual que viu a sua empresa suspensa pelo «Movimiento».
Corajosamente, Consuelo Gil assumiu a responsabilidade total da edição, e chegou a comprar o jornal.
O «Movimiento» estava determinado em acabar com «Chicos» mas a habilidade de Consuelo e as suas boas relações com pessoas influentes nos Ministérios impediram essa intenção.
Com o racionamento das matérias primas, «Chicos» passou a usar papel reciclado, que chegou a atingir um tom base bastante acinzentado. A política do governo era importar o menos possível de tudo, para reorganizar a indústria do País.


No Natal de 1938, dez meses depois de ter sido lançado, «Chicos» apresentou esta capa de Mercè Llimona. A publicação alterou o formato para 23x35 cm e passou a custar 15 cêntimos. Era preciso satisfazer os interesses económicos dos promotores, mas Consuelo a todo o custo defendia o custo baixo a pensar nos meninos a quem um cêntimo era importante.
Das doze páginas totais, um terço era já a quatro cores.

Em Portugal «O Mosquito» tinha também problemas em conseguir papel para a tiragem sempre crescente, devido à dificuldade nas importações, por causa da 2ª Guerra Mundial que grassava no resto da Europa e no Mundo.

Para o interior do jornal era utilizado papel de qualidade muito inferior e até de tom rosa, azul ou verde, variando durante cada tiragem conforme a quantidade das resmas conseguidas a muito custo no mercado.



Em 1942 o Tiotónio decidiu modificar «O Mosquito» para o que ele chamou de «formato de Guerra». Havia a necessidade de aumentar o número de páginas para melhorar a publicação, incluindo mais histórias, e arranjou a solução conseguindo o dobro das páginas sem gastar mais papel: dobrou a folha ao meio e reduziu o formato para metade.
Passou a medir 14,50x20,50 cm. Reduziu o tamanho dos desenhos de cada página mantendo o conteúdo original conseguindo deste modo 16 páginas totais.
Não contentes ainda, os diretores de «O Mosquito» avançaram com a ideia de o transformar num bissemanário. Era um risco, pois as vendas podiam descer. Mas culminou num êxito e a tiragem foi aumentando gradualmente.

 Eis a diferença de formato. 
Depois da redução, ainda se manteve quase um ano antes de passar a bissemanário.

«O Mosquito» começou por publicar material de origem inglesa e espanhola, esta de autoria de Arturo Moreno e Jose Cabrero Arnal. Pelos exemplares enviados para Espanha como comprovativos da publicação das histórias, o jornal era já conhecido no meio dos autores de histórias ilustradas em Espanha, mesmo antes do aparecimento de «Chicos».

 


As aventuras de «Ponto Negro en el país del juego», de Moreno, que Raul Correia alterou quando foi publicada n’«O Mosquito» para «Ponto Negro Cavaleiro Andante», foi também um grande êxito em Portugal.

Esta história foi publicada em Portugal em álbum.

As histórias em que as personagens eram insectos serviam à medida para «O Mosquito», e o Tiotónio chegou a inspirar-se nessas figuras para o próprio cabeçalho de «O Mosquito».

A figura do cabeçalho feita pelo Tiotónio e as criações de Arnal, 
também publicadas em «O Mosquito».

Mas há um aspecto que eu acho importante descrever, e que estará pouco divulgado junto do grande público; foi a maneira como «Chicos» conseguiu enfrentar e resolver as grandes dificuldades técnicas criadas pela Guerra Civil.

No próximo artigo: 
Uma medida de recurso no processo técnico de «Chicos» 

José Ruy

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