quinta-feira, 29 de abril de 2010

MOURA - EXPOSIÇÃO – CENTENÁRIO DE FERNANDO BENTO (1910-2010)

Não queria deixar de reportar aqui o que se passou em Moura, que não foi o nosso conhecido Salão de BD, mas, em vez dele, uma exposição de homenagem a Fernando Bento, pelo centenário do seu nascimento. E como não pude lá ir, recorri ao Carlos Rico, mentor/organizador do Salão de Moura e organizador desta exposição. Segue-se o material que o Carlos enviou para o Kuentro e aproveito as palavras explicativas dele nos 3 ou 4 emails desses envios.

Nas fotos acima: da esquerda para a direita:
António Valjean (Presidente do GBS)
Luiz Beira (mentor do projecto da exposição "Centenário de Fernando Bento" e que lançou o repto ao Grupo Bedéfilo da Sobreda - GBS, ao Grupo de Intervenção Cultural e Artística de Viseu – GICAV e à Câmara Municipal de Moura para a organizarem)
Vereadora Maria José Silva (responsável pela área da Acção Social, Saúde e Educação da Câmara Municipal de Moura)
Carlos Rico
Arquitecto António Mata (representante do GICAV)

Fotos abaixo: Apresentação da Exposição por Carlos Rico.

Nestas fotos da exposição, é possível verem-se alguns técnicos da equipa de documentários da RTP 2 que estiveram presentes, uma vez que se está a rodar precisamente um documentário sobre a vida de Fernando Bento (para passar lá para o final do ano). Um dos filhos de Fernando Bento, o Pedro Bento, faz parte da equipa (foi ele que propôs à RTP o documentário, que, entretanto, teve luz verde para avançar). A RTP2 deverá também recolher imagens nas exposições na Sobreda, em Viseu e na Amadora onde vai igualmente haver este ano, uma homenagem ao autor.

Quanto ao material do Caderno MouraBD especial dedicado ao Centenário de Fernando Bento, envio duas pranchas: uma a cores e outra a preto e branco: é que a história do "Moby Dick" (em 33 pranchas) foi publicada no Cavaleiro Andante a preto e branco... com excepção de duas pranchas, a terceira e a quarta. Como não quisemos desvirtuar a reedição, publicámos tal qual o CA e as duas pranchas estão com as cores originais. Julgo que ficou muito bem assim, até porque este é daqueles casos em que a cor até nem foi aplicada de maneira muito "berrante".
Quanto à capa, trabalhei-a a partir de uma capa do Cavaleiro Andante onde se anunciava o início da história. Até te envio a capa original do C.A. .



BIOGRAFIA DE FERNANDO BENTO - texto de Carlos Rico:

Fernando Carvalho Trindade Bento nasceu na cidade de Lisboa a 26 de Outubro de 1910. Aos 12 anos publicou os seus primeiros desenhos no jornal “O Desportivo”, uma publicação do Liceu Camões.
Aos 19 anos tirou um curso de desenho por correspondência da École ABC du Dessin.
Na década de 30 trabalhou no teatro de revista fazendo cartazes, cenários e figurinos. Apesar de também ter trabalhado em publicidade e ter-se iniciado na pintura, ganhava a vida como empregado comercial na empresa BP.
No jornal “Os Sports” fez desenhos de ciclistas e no “Diário de Lisboa” de actores.
É em 1938 que se inicia na banda desenhada no suplemento infantil do jornal “República”.
Em 1941 transfere-se para o Pim-Pam-Pum, suplemento de “O Século”.
Entre 1941 e 1951 esteve ligado à revista Diabrete, dirigida por Adolfo Simões Müller. Aí publicou algumas séries cómicas, como por exemplo, “Béquinhas, Beiçudo & Barbaças” e “Diabruras da Prima Zuca”.
Publicou o seu primeiro álbum em 1948: uma adaptação de Adolfo Simões Muller de As mil e uma noites, intitulada “A última história de Xerazade”.
Os seus trabalhos no Diabrete abrangem séries cómicas, mas também desenhou histórias realistas, como as adaptações de obras de Júlio Verne “A ilha misteriosa” e “Matias Sandorf” e de “A Ilha do Tesouro” de Robert-Louis Stevenson.
Adaptou ainda “As Minas de Salomão” de Ridder Haggard, “As mil e uma noites” e as biografias de Luís de Camões, Nuno Álvares Pereira, Serpa Pinto (reeditado em formato de fanzine pelo GICAV, em 1991) e outros vultos da História portuguesa. Publicou também “A Montanha do Fim do Mundo” (reeditado pelo GBS, em 2002).
Em 1952 iniciou a sua participação no Cavaleiro Andante, sucessor do Diabrete, também dirigido por Müller, com um magnífica adaptação de “Beau Geste”, o romanesco clássico sobre a Legião Estrangeira de Percival Cristopher Wren. Este seu trabalho viria a ser publicado na Bélgica em língua flamenga. Muitas outras histórias se seguiram para o Cavaleiro Andante, como “O místério do Tibet” (reeditado pelo GBS no fanzine Cadernos Sobreda BD, em 1991), “O anel da Rainha de Sabá”, de Rider Haggard, “Quentin Durward” de Walter Scott, “A Torre das Sete Luzes”, “Moby Dick” (reeditado pela Câmara de Moura, em 2010) ou “A jóia do vice-rei”. Adaptou algumas aventuras de Sherlock Holmes e os clássicos juvenis do alemão Erich Kästner “Emílio e os detectives” e “Emílio e os três gémeos”. Em 1962, com o fim desta revista, houve uma pausa na actividade de Fernando Bento na banda desenhada
Em 1973, onze anos mais tarde, publicou no jornal “A Capital” uma nova história de banda desenhada, “Um campeão chamado Joaquim Agostinho”.
Fernando Bento ilustrou também vários livros como “O Mistérios dos Cães Desaparecidos”, de Ana Meireles, e manuais escolares de inglês e francês
Em 1993 publicou em álbum, com argumento de Jorge Magalhães, o primeiro volume de “Regresso à ilha do tesouro” de H. A. Calahan. A segunda parte da história ficou com algumas páginas por colorir devido à sua morte e foi publicada na revista “Selecções BD” em 1999-2000. Ficou por realizar a terceira parte da história. A sua última participação na banda desenhada, consistiu em desenhar duas pranchas para uma obra colectiva, “Maria Jornalista”, publicada no “Notícias Magazine” do “Jornal de Notícias” e do “Diário de Noticias” em Janeiro de 1994.
Faleceu em Lisboa no dia 14 de Setembro de 1996.
Fernando Bento está associado às toponímias de Lisboa (desde 1999) e Sobreda (desde 2002). Uma bonita forma de homenagear e perpetuar o nome de um dos grandes autores portugueses de banda desenhada!
Os festivais BD de Lisboa, Amadora, Porto, Sobreda, Viseu e Moura (este último a título póstumo) homenagearam o artista pelo conjunto da sua vasta e importante obra.
Moura, Sobreda e Viseu uniram esforços e celebram o centenário do nascimento de Fernando Bento com esta exposição evocativa.

NOTA: esta do "título póstumo" referindo-se ao Salão de Moura, não vamos levar muito a sério, OK?

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