quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

EXPOSIÇÃO "TINTA NOS NERVOS" BANDA DESENHADA PORTUGUESA NO MUSEU COLECÇÃO BERARDO - CENTRO CULTURAL DE BELÉM

Prancha de Diniz Conefrey, de A Máquina de Emaranhar Paisagens 3

TINTA DOS NERVOS
 Banda Desenhada Portuguesa
Museu Colecção Berardo, Centro Cultural de Belém
De 10 de Janeiro a 27 de Março de 2011

Esta exposição visa dar uma perspectiva ampla da criação da banda desenhada portuguesa, procurando o encontro com novos públicos diversificados e expandindo a percepção social desta linguagem.

A banda desenhada é sobretudo conhecida como uma linguagem de entretenimento, de massas, afecta ao público infanto-juvenil, sendo muito difícil que alguém não conheça as muitas personagens famosas que compõem essa paisagem cultural. No entanto, tal como em quase todos os outros campos artísticos, a banda desenhada também tem um número de autores que a procuram empregar como um meio de expressão mais pessoal, ou uma disciplina artística aberta a experimentações várias, informadas pelos discursos contemporâneos. Seja pelo lado da escrita, com autores a explorar a autobiografia, uma abordagem da paisagem cultural nacional, problemas de género ou políticos, seja pelo lado da visualidade, explorando novas linguagens, estruturações da página e até graus de abstracção. O mercado de banda desenhada em Portugal, não sendo propriamente forte nem muito diverso, quer em termos de traduções de obras contemporâneas ou históricas quer de trabalhos originais nacionais, é contraposto por toda uma série de experiências em círculos da edição independente ou de projectos alternativos que tem sido um produtivo solo para criadores extremamente interessantes e inovadores.

A exposição presente focará sobretudo autores modernos e contemporâneos – ainda que haja um desvio por dois autores históricos, experimentais na sua época: Rafael Bordalo Pinheiro, o “pai” da banda desenhada moderna portuguesa, e Carlos Botelho, autor do magnífico Ecos da Semana – que procuram elevar a banda desenhada a uma linguagem adulta e inovadora artisticamente. Do desenho suave de Richard Câmara às experiências de Pedro Nora, do minimalismo a preto-e-branco de Bruno Borges à exuberância das cores de Diniz Conefrey, da austeridade de Janus à vivacidade de Daniel Lima, haverá um largo espectro, ainda que pautado por critérios de pertinência artística, representativo desta área no nosso país. Estarão presentes autores de algum sucesso comercial e crítico (Como, por exemplo, José Carlos Fernandes, António Jorge Gonçalves, Filipe Abranches, Nuno Saraiva e Victor Mesquita) e outros autores de círculos mais independentes (de Jucifer a André Lemos, Miguel Carneiro e Marco Mendes); autores cujas bandas desenhadas parecem obedecer às regras mais convencionais e clássicas da sua fabricação mas para explorar temas disruptivos (como Ana Cortesão, Pedro Zamith e Marcos Farrajota) e outros que as parecem ultrapassar em todos os aspectos (como Nuno Sousa, Carlos Pinheiro ou Cátia Serrão); e ainda artistas que criaram objectos impressos que empregam elementos passíveis de aproximação a uma leitura ampla da banda desenhada, isto é, fazem-nos pensar numa sua possível definição ou apreciação mais alargada (como Eduardo Batarda, Isabel Baraona e Mauro Cerqueira). Nalguns casos, a exploração que os artistas fazem do desenho ganham corpo noutros objectos que não de papel, e que serão integrados nesta mostra.

Pedro V. Moura

AUTORES:

Alice Geirinhas
Ana Cortesão
André Lemos
António Jorge Gonçalves
Bruno Borges
Carlos Botelho
Carlos Pinheiro
Carlos Zíngaro
Cátia Serrão
Daniel Lima
Diniz Conefrey
Eduardo Batarda
Filipe Abranches
Isabel Baraona
Isabel Carvalho
Isabel Lobinho
Janus
João Fazenda
João Maio Pinto
José Carlos Fernandes
Jucifer (Joana Figueiredo)
Luís Henriques
Marco Mendes
Marcos Farrajota
Maria João Worm
Mauro Cerqueira
Miguel Carneiro
Miguel Rocha
Nuno Saraiva
Nuno Sousa
Paulo Monteiro
Pedro Burgos
Pedro Nora
Pedro Zamith
Pepedelrey
Rafael Bordalo Pinheiro
Richard Câmara
Susa Monteiro
Teresa Câmara Pestana
Tiago Manuel
Victor Mesquita

Comissário: Pedro Moura


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