quarta-feira, 8 de outubro de 2014

BDpress #435: HERÓIS DE BD TAMBÉM COMBATERAM HITLER – Pedro Cleto no Jornal


HERÓIS DE BD 
TAMBÉM COMBATERAM HITLER 

Banda desenhada 
utilizada no conflito como arma de propaganda 
Segunda Guerra Mundial começou há 75 anos, em setembro 

Jornal de Noticias, 20/9/14 
F. Cleto e Pina 

Quando a Guerra Mundial deflagrou, faz 75 anos neste mês [Setembro], a banda desenhada era já uma arte claramente popular, pelo que não surpreende que autores e heróis se tenham unido contra as forças do Eixo.


Alguns heróis foram mesmo criados a propósito do conflito, como aconteceu com o Capitão América (em 1941) e a Mulher Maravilha (1942), vestidos à imagem da bandeira americana. O Capitão, na capa da revista de estreia, surgia mesmo a esmurrar Hitler, exemplo que se repercutiu nos outros super-heróis. Assim, na primeira metade da década de 1940, são vulgares capas em que Batman, Superman, Capitão Marvel e outros surgem a combater e/ou a ridicularizar Hitler e Hirohito e as suas tropas.



Nos quadradinhos, a abordagem procurava manter os heróis de papel numa segunda linha, para que o protagonismo fosse para os verdadeiros soldados, pois o primeiro intuito destas bandas desenhadas, surgidas com o conflito a decorrer e amparadas por uma máquina de propaganda que se viria a revelar eficaz, era aumentara moral dos americanos, que trabalhavam na retaguarda e também das tropas no terreno, que as consumiam avidamente.

Na época, muitos dos autores de BD que foram mobilizados colocaram a sua arte ao serviço da máquina bélica, desenhando manuais militares ou histórias aos quadradinhos para os jornais do exército, como aconteceu com Will Eisner.

Do esforço de guerra, como protagonistas, fizeram também parte heróis clássicos que os portugueses leram, em especial no "Mundo de Aventuras". É o caso de Johhny Hazard (entre nós, também João Tempestade), que, em 1944, começava as aventuras fugindo de um campo de concentração alemão, partindo daí para uma série de arriscadas missões de guerra, de que Frank Robbins o fez sair sempre vencedor. O Fantasma e Tarzan tiveram também confrontos com soldados alemães.

Do outro lado do Atlântico, na França recém-libertada da ocupação, Edmond Calvo criava "La bête est mort", sátira alegórica com animais, que narrava o conflito e antecipava a queda de Hitler.

Depois de a guerra terminar, muitos autores alimentar o tema. Em 1947, na Bélgica, Charlier e Hubinon tomavam como ponto de partida o ataque nipónico a Pearl Harbour para contar toda a guerra do Pacífico tendo como protagonista o aviador Buck Danny.

De Inglaterra para as páginas da revista "O Falcão", chegaram Marouf e Mam'selle X, membros da resistência francesa; Ene 3, espião britânico hábil na utilização de disfarces, e, principalmente, o popular Major Alvega (na realidade, Battler Britton – England's fíghting ace of land, sea and air). Tudo material da agência britânica Fleetway, que explorou largamente este filão e onde trabalharam grandes autores, como os portugueses Vítor Péon e Eduardo Teixeira Coelho e o italiano Hugo Pratt..

Este fez o seu alter ego Corto Maltese seguir as suas pegadas, nos cenários da guerra do deserto, que, em África, opôs as tropas britânicas aos comandados, do marechal Rommel, que retratou também na série "Os escorpiões do Deserto".

Já agora, um dos livros desta série legendado por J.Machado-Dias, eh, eh...

O outro lado da guerra

SE É NATURAL que os países vencedores glorificassem os seus heróis de guerra - reais ou ficcionais -, no Japão, que pertenceu ao lote dos derrotados, nasceram duas séries fundamentais: “Gen de Hiroshima”, de Kenji Nakazawa, que narra, de forma realista e crua, a sobrevivência de um adolescente após o bombardeamento atómico de Hiroshima e Nagasaki, e “Adolf”, de Osamu Tezuka, que conta em paralelo a história de três homens de nome Adolf: um judeu japonês, um alemão e Hitler. Quanto a “Maus”, de Art Spiegelman, distinguido com um Pulitzer, apesar de retratar os judeus como ratos, os nazis como gatos e os polacos como porcos, narra, de forma crua e chocante a história de um sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz a as marcas profundas que lhe deixou.


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