segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

JOBAT NO LOULETANO – 9ª ARTE - MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA (XXIII e XXIV) –O IMPÉRIO EDITORIAL DA AGÊNCIA PORTUGUESA DE REVISTAS 1.4 e 1.5


9ª ARTE
MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA 
(XXV - XXVI)


O Louletano, 14 a 20 de Setembro de 2004

O Império editorial 
da Agência Portuguesa de Revistas - 1.4

Integrado no atelier de José David, Carlos Alberto não fazia na altura, parte do quadro de desenhadores internos da Agência Portuguesa de Revistas - APR. Recordo-me de o ver ir entregar os originais para publicação, directamente a Mário de Aguiar. Apenas pouco tempo depois, talvez inicío de 1955, passou a fazer parte efectiva do quadro dos colaboradores com frequência no edíficio da editora. Alternava a sua produção, de capas e ilustrações no Mundo de Aventuras - MA, com Filipe Figueiredo que, alguns meses depois deixaria a APR.

Inicialmente, o meu trabalho consistia em completar as vinhetas, algumas delas barbaramente mutiladas pela montagem, pois eram fornecidas, a sua maior parte, em tiras diárias de três desenhos cada. A exigência do formato do jornal, obrigava a uma ordenação em que, por vezes, a tesoura cega e inexurável, cometia autênticos crimes de lesa-arte. Verdade que outras publicações, por esse mundo fora, também do mesmo mal sofriam, mas tal, de forma alguma justificava as barbaridades cometidas sobre a criatividade de nomes sonantes desse género de arte. Algumas ilustrações de Alex Raymond, assim como as de outros, sofreram tratos de polé inenarráveis. Se o referido autor o tivesse constatado, certamente não teria morrido de um acidente de automóvel!

As únicas publicações de BD da APR, aquando do meu início de colaboração, eram "O Mundo de Aventuras", "Colecção Condor", (mensal) e "Colecção Audácia". O primeiro n.° do MA saiu a 18/08/1949, o Condor mensal em 1951 e a Audácia em 1953. Estas duas últimas colecções têm a paternidade de Roussado Pinto, bem como também, a "Antologia de Romances Célebres", já inexistente em fins de 1954.

O lançamento do MA ficou a dever-se a uma sugestão de Júlio Dias da Silva - JDS - , a Mário de Aguiar, quando a APR apenas editava as "Mãos de Fada", revista de lavores feminina, a sua primeira publicação. A revista que serviu de modelo ao MA, foi a brasileira GIBI, formato tabloide, e com a maioria do material da King Features Syndicate. Ninguém ainda em Portugal tinha publicado Rip Kirby, Fantasma, Mandrake, tal como muitos outros personagens desse sindicato norte americano.

As principais revistas de BD, da altura - "O Mosquito" e "O Diabrete", de entre outras - repetiam, comodamente, um figurino ultrapassado, pese embora o nível de algumas BD que inseriam, todas em continuação, bem como no minguado número das suas páginas. Os "comics", tanto em álbuns, como em tiras diárias, na sua época áurea nos EU, eram quase ignorados na imprensa do género em Portugal. Salvos raríssimas excepções - Príncipe Valente, Tommy, e poucos mais - a maioria dos "heróis" de BD americanos, só chegava até nós através das publicações brasileiras que aqui se vendiam nalguns quiosques, cujo preço não era de modo algum acessível aos jovens.

O aparecimento do MA foi uma pedrada no charco no panorama editorial das publicações infantis e juvenis, com a plêiade de personagens apresentados, pese embora algumas tivessem começado a sua publicação, nesse jornal, com os episódios quase a meio. Motivos vários poderiam ter ocasionado a morte prematura do MA, os quais secundarizavam a qualidade do material que publicava. Um deles, talvez o principal, seria o seu tamanho, isto não ignorando a sofrível impressão, na Gazeta do Sul, no Montijo. Porém, neste caso, a empresa impressora nem seria de todo responsável, pois as provas para reprodução não vinham impressas em "couché", mas sim em matrizes de cartão, em tamanho natural, em negativo, nas quais o chumbo derretido era vazado e onde as legendas eram apostas. Igualmente se procedia com as chapas de cor, pois também elas vinham em matrizes negativas. Este era o procedimento habitual nos jornais norte americanos, impressos em tipografia, nessa época, embora, no nosso país, pouco utilizado.

Legenda da imagem:
Primeira página de "Os Planos do Submarino Atómico", de Filipe Figueiredo, publicado no "Mundo de Aventuras" N° 288, de 17 de Fevereiro de 1955

Primeira página de "Os Planos do Submarino Atómico", de Filipe Figueiredo, publicado no "Mundo de Aventuras" N° 288, de 17 de Fevereiro de 1955

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O Louletano, 21 a 27 de Setembro de 2004

O Império editorial 
da Agência Portuguesa de Revistas - 1.5

Por outro lado, a parte literária do Mundo de Aventuras - M.A., mormente o "espírito" dos seus textos - incluindo um inexistente grafismo - denotava um "figurino" há muito desfasado no tempo, quase diríamos herdeiro de um "Senhor Doutor", "ABCzinho" ou "Tic Tac", de arcaicas eras.

Apenas no seu n.° 11 se faz referência, no cabeçalho do jornal, a José de Oliveira Cosme como chefe de redacção. No interior, em pequena nota, esclarece-se que o mesmo nele colabora desde o número três. É iniludível que o objectivo do referido texto é justificar, ecomiasticamente, a excelência da colaboração prestada por esse novo colaborador, cujo o extenso currículo o recomenda, porém, tal não se coaduna de modo algum com a sufrível aceitação da revista, cujo fim estava à vista perto do seu n° 40, o qual não fora a tarimba de dois gigantes, ambos do jornalismo infantil, - um no texto, outro no desenho -, teria acontecido.

Em minha opinião foi apenas com esses dois homens, Roussado Pinto e Vítor Péon, que o jornal atingiu a projecção conseguida no panorama editorial juvenil português, na esteira dos primeiros 10 anos de "O Mosquito", revista infantil de imprescindível referência quando se fala de jornais de BD editados no nosso país, no qual os dois praticamente se "formaram".

A minha entrada como colaborador da APR - com todas as obrigações de funcionário, mas sem nenhuma regalia, como tal - coincidiu com a saída, semanas antes, de Roussado Pinto e Vítor Péon para a Fomento de Publicações, em Outubro de 1954. A semana de laboração, de seis dias, incluía o dia inteiro de sábado. O horário inicial era das 9 às 13, e das 15 às 19 horas, para funcionários (e não só).

Duas razões de peso, as quais eram motivo dissuasor de descontentamento, seriam, a primeira, trabalhar numa área na qual me sentia realizado - o desenho/a edição/ a BD - a outra, a ilimitada possibilidade de colaboração e a remuneração auferida. O modelo era idêntico para todos os colaboradores, mas para os externos, a quantidade de colaboração dependia das necessidades editoriais.

Inicialmente, executado o trabalho, podia receber-se diariamente; depois passou para as terças e sextas e, por fim, só às terças-feiras, o que, por norma, obrigava a sacrificar o sábado e o domingo e a deslocar o fim da semana para a quarta e quinta, embora nas instalações da empresa. Em 1954, incidia sobre a colaboração prestada um desconto de 6%, como pronto pagamento, e de 3% após publicação do trabalho executado, o qual poderia acontecer de um a dois meses depois. Lógico que todos perferiam receber a pronto pagamento.

A malta da redacção era, para Mário de Aguiar, (M. de A.) a elite dos seus trabalhadores. Vez por outra, mas cada vez mais espaçadamente, convidava todos para almoçarem com ele numa cervejaria/restaurante situada na Rua do Arsenal. Deduso que fosse habitual cliente quando a APR tinha a sua sede no n° 60 dessa artéria.

Embora homem sem grandes estudos, M. de A. era excepcionalmente dotado na área da edição. Vaidoso quanto baste, da empresa que criara, exigia que o seu nome saísse nas publicações como Director-Geral da mesma. Embora sócios com a mesma quota, na empresa, António Dias aparecia somente como Gerente ou Director Comercial.

Legendas das imagens:
Capa da colecção "Condor Popular" n° 6, a primeira ilustração por mim publicada, nessa revista, talvez no inicío de 1955

Pormenor da primeira vidraça da direita, do desenho da capa impressa ao lado, onde se nota o nome de um amigo do autor, que só vários anos mais tarde assinaria como Luís Furtado

Capa da colecção "Condor Popular" n° 6, a primeira ilustração por mim publicada, nessa revista, talvez no inicío de 1955

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ULISSES (XXII e XXIII)
Texto e desenhos de Jobat



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domingo, 19 de fevereiro de 2012

KOFI BREIKE #3: DESCOMPLEXADOS COMPETITIVOS vs PREGUIÇOSO AUTOCENTRADO - TEXTO DE PACHECO PEREIRA NO PÚBLICO


Não resistimos a colocar neste espaço o recorte da crónica de José Pacheco Pereira, publicada no Público no sábado, dia 11 de Fevereiro. Até porque este texto tem alguma ligação com o que publicámos aqui, faz hoje quinze dias, sobre o conhecimento (ou a falta dele) do porquê da existência do feriado no 1º de Dezembro.

Público, 11 Fevereiro de 2012

ESPAÇO PÚBLICO - crónica

MUITA ASNEIRA QUE PARA AÍ CIRCULA PODERIA SER EVITADA LENDO UM POUCO MAIS SOBRE HISTÓRIA.

A NOVA LUTA DE CLASSES

José Pacheco Pereira

Há dias, no programa Prós e Contras, um conselheiro de "empreendedorismo" teorizava, de forma prosélita e desenvolta, sobre as más escolhas de "projecto de vida" que justificariam muito do desemprego actual. Era evidente pela conversa, que achava que existia uma espécie de culpa individual em se estar desempregado. Pelo meio, perguntou, com evidente escárnio, a um desempregado se este tinha tirado um curso de História, uma imprevidência para quem quer ter um emprego. Não tenho dúvida de que quem formulava esta pergunta fazia parte de um dos lados do novo binómio da luta de classes descrito por Passos Coelho, o dos "descomplexados competitivos". O curso de História, se tivesse feito parte do currículo do desempregado, colocá-lo-ia de imediato na categoria de "preguiçoso autocentrado", antiquado e inútil, "piegas" e queixoso, a quem é preciso dar um abanão de pobreza a ver se se torna "competitivo". Estamos, como já referi, perante uma nova forma de luta de classes: a que opõe "descomplexados competitivos" a "preguiçosos autocentrados". Pelos vistos, uma característica destes últimos é que se interessam por História.

É verdade que saber História vale muito pouco no mercado de trabalho, mas também é verdade que saber Matemática pura, Física Teórica, Astronomia, Biologia Molecular, já para não falar de Filosofia, Sociologia, Geografia, Grego Clássico e Latim, Literatura Portuguesa, também não valem muito mais. E, by the way, os milhares de licenciados em Marketing, Economia, Jornalismo, ou como se diz agora "Ciências de Comunicação", Artes Performativas, Arquitectura, Composição, os pianistas, violoncelistas, violinistas, também não vão muito longe.

Seguindo o critério do nosso mago do "empreendedorismo", não é muito difícil, e no meu caso gratuito, aconselhar cursos seguros e certos. Eu costumo aconselhar maltês, uma língua de que há enorme escassez de tradutores e intérpretes na UE, e o turco, russo, chinês e árabe também podem fazer parte do currículo dos candidatos a "descomplexados competitivos". Mandarim ou cantonês de certeza que têm futuro, assim como "beber a água do Bengo", na exacta composição químico-financeira corrente para esses lados.

Saber de História não é garantia de nada, nem o conhecimento da História garante que se saiba governar um país. Mas ajuda, ajuda pelo menos a ter-se uma visão menos cega da nossa missão no governo das coisas privadas e públicas, e a conhecer alguma coisa sobre os limites do voluntarismo político. E ajuda bastante a não se ser ignorante, nem a se actuar como um ignorante quando se pensa que tudo começa em nós, essa ilusão adâmica muito corrente nestes dias.

A História ajuda nas coisas grandes e nas pequenas, torna o mundo mais interessante e alimenta a curiosidade e o engenho. Para gostar de comer um croissant não é preciso olhar para ele com os olhos da História e perceber que se está a cometer um acto muito pouco politicamente correcto de turcofobia, ou, pior, de islamofobia. Mas quem sabe o que é e de onde vem o croissant, costuma saber um pouco mais sobre a História da Europa e isso faz bem à sanidade do debate público. Muita asneira que para aí circula sobre os feriados e o seu significado, sobre a Maçonaria, sobre o comunismo, sobre o fascismo, sobre a democracia, poderia ser evitada lendo um pouco mais sobre História.

A História, como todas as formas de cultura viva, é uma forma de saber e olhar. Engana e ilude muito, mas também modera a tendência para a vã glória. Se é que a História nos ensina alguma coisa, é que poucas coisas são realmente importantes e que 99,99% dos casos o que fazemos pouco muda, ou não muda nada. Para os governantes, é obrigatório, para se enxergarem melhor, uma actividade que normalmente não lhes "assiste". Países como o Reino Unido, ou os EUA, têm a História no centro da política, o que nem sempre dá bons resultados, como se vê em França, onde todos os Presidentes do passado achavam que eram uma encarnação de Vercingétorix, Joana d'Arc, Luís XIV, Napoleão ou De Gaulle e os actuais já ficam contentes em serem como o Astérix.

O discurso de Odivelas do primeiro-ministro ganhava alguma coisa com a História, embora, como ele se encontra na categoria dos "descomplexados competitivos", não ligue muito a uma disciplina dos perdedores.

Mas assim saberia que, antes de nomear os "preguiçosos autocentrados" como seus adversários, deveria pensar duas vezes sobre o papel que o epíteto de "preguiçosos" tem quando é usado genericamente para designar grupos ou comportamentos sociais. Para os colonos, os "pretos" eram a quinta-essência dos "preguiçosos" e por isso deviam ser obrigados a trabalhar à força de castigos corporais. Puxem pela língua a muitos patrões e aos seus capatazes (hoje chamam-se "responsáveis pelo pessoal"), às "patroas" sobre as suas "criadas", e o epíteto de "preguiçoso" aparece quase de imediato. Em países em que coexistem zonas industrializadas com regiões rurais, os habitantes dessas regiões, o Alentejo, a Galiza, a Andaluzia, o Sul de Itália, são descritos em anedotas como "preguiçosos". Nos campos trabalha-se muito, dependendo do ciclo agrícola, e há períodos de inactividade, onde, como toda a gente sabe das anedotas, os alentejanos estão debaixo de um "chaparro" a ver o mundo passar em slow motion.

Existe, aliás, outra classificação que costuma vir junto, a de associar essa ruralidade à falta de inteligência e dificuldade em socializar de forma adequada, ou seja, não só eram estúpidos, limitados, como não sabiam comer à mesa. É para isso que servem os epítetos de "saloios" ou de "labregos", a interessante migração da palavra galega para camponês, que veio junto nos anos trinta e quarenta do século XX com os galegos, que a miséria da sua terra trouxe para trabalhar em mercearias e restaurantes, ou outros ofícios menores, em Lisboa e no Porto.

O problema da História é este, o de tornar poucas palavras inocentes.

Na luta de classes entre os "descomplexados competitivos" e os "preguiçosos autocentrados", a ordem dos pares é interessante, quer na parte social, quer na do psicologismo vulgar. Os "preguiçosos" são primeiro preguiçosos e só depois são "autocentrados", e os "competitivos" são primeiro "descomplexados" e é por isso que são "competitivos". Os pares têm, por isso, uma ordem invertida: nos "preguiçosos", avulta a condição social, nos "descomplexados", a psicologia domina. Embora provavelmente nada disto tenha sido muito pensado e saiu assim, como poderia ter saído de outra maneira semelhante, este dualismo revela aquilo que os sociólogos chamam as background assumptions do seu autor. Os que estão presos na sua condição social, deixam soçobrar a sua psicologia no egoísmo; os dinâmicos psicologistas ultrapassam a sua condição social pelo êxito no mercado.

O país divide-se assim entre funcionários públicos, vivendo do erário público, acima das suas posses, e fazendo tudo para ter feriados e não trabalhar (os "preguiçosos"), cultivando um egoísmo social assente em pretensos "direitos adquiridos" ("autocentrados"); e jovens yuppies, dinâmicos e empreendedores, com uma "cultura empresarial", capazes de correrem riscos ("competitivos"), sem cuidarem de terem "direitos" para subirem "por mérito" na escala social ("descomplexados"). Nem uns nem outros existem na vida real, nem sequer como caricaturas, que é o que isto é, mas isso pouco importa.

A História está cheia destes dualismos, velhos como o tempo, mas típicos da linguagem abastardada do poder dos nossos dias. É um esquema assente numa mistura de demonização e de wishful thinking, que circula assente num moralismo social, também típico dos dias que passam. A História revela o poder destrutivo deste tipo de discursos, que se tornam, de um momento para o outro, socialmente insuportáveis.

Esse momento ainda não se deu, e os papagaios do "pensamento único" repetem este discurso sem pararem para pensar. Ou sequer para ler alguma coisa de História, mesmo com o risco de se tornarem "preguiçosos autocentrados ".

José Pacheco Pereira, Historiador, escreve para este espaço do jornal Público aos sábados

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sábado, 18 de fevereiro de 2012

HASTA SIEMPRE – LA CÁRCEL DE PAPEL – O FIM!!!


O catalão Álvaro Pons, autor e editor do blogue La Cárcel de Papel (que em catalão quer dizer A Prisão de Papel) anunciou o fim do seu blogue, depois de, em Janeiro passado ter sido o comissário da exposição da Banda Desenhada “espanhola” no Festival de Angoulême. Republicámos AQUI, em 27 de Janeiro último, a entrevista que Carlos Pessoa, do jornal Público, realizou com Álvaro Pons.

O crítico e divulgador de banda desenhada deixa também de colaborar na imprensa.

Aqui fica o texto “Hasta Siempre”, com que Pons encerra o seu blogue e uma reacção de Gabriel Zárate, autor do blogue El Lector de Historietas, de Lima, no Peru, só para percebermos a amplitude dos seguidores de La Cárcel de Papel, porque o universo dos blogues em língua castelhana (e não só) referiu esta notícia.


HASTA SIEMPRE

Álvaro Pons

2 Febrero 2012

Todas las cosas tienen un principio y un final.

Llevaba mucho tiempo meditando esto, pero creo ahora ha llegado el momento: se acabó mi paso por el mundo de los tebeos. Se cierra este espacio de La Cárcel de Papel que me ha dado tantas satisfacciones durante nueve años y dejo de colaborar en prensa (con la única excepción de la vinculación que tengo con la Cartelera Turia de Valencia) o eventos relacionados con el tebeo. Durante muchos años, casi veinte, he convertido mi hobby, mi pasión, en casi una segunda profesión. Y creo que debo volver a buscar esa sensación de disfrutar de la lectura de tebeos como lector raso, con la única preocupación de gozar de su lectura. Creo sinceramente que en estas cosas se debe dejar paso a los que vienen detrás y, sobre todo, ser consciente de las limitaciones de uno mismo. El comisariado de la exposición sobre tebeos españoles en Angoulême, uno de los proyectos más ilusionantes en los que he trabajado, es un perfecto broche final a mi trayectoria. No dejaré la vinculación académica, pero como algo muy reducido.

Han sido unos años maravillosos y, sin duda, me quedo con más amigos de los que merezco.
Vuelvo a ser, simplemente, un lector de tebeos.

Gracias a todos y hasta siempre.

Álvaro Pons

 Logo da exposição "Tebeos" em Angoulême 2012...


Álvaro Máximo Pons Moreno (Barcelona, 1966) é professor titular do Departamento de Óptica da Universidad de Valencia, simultaneamente é um divulgador e crítico da “historieta” no seu blogue La Carcel de Papel, que manteve durante nove anos...

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Por Gabriel Zárate (blogue El Lector de Historietas), Lima, Peru.

“La Cárcel de Papel”, el esplendido e imprescindible blog de divulgación y crítica de historieta más importante a nivel mundial en lengua española, concluyó un inolvidable ciclo, por decisión de su máximo responsable: El gran Álvaro Pons, un autentico lector profesional de sensible e inteligente análisis y sofisticada pluma. La noticia provocó la afligida pena de sus miles de lectores, amigos y fans, por la sensación de vacío que pronto vendrá. Álvaro: ¡Gracias por tu valioso esfuerzo y compromiso volcados al mundo de la historieta! Algunas de las mejores reseñas de cómics que he leído y disfrutado son de tu autoría. Eres todo un referente obligado para nosotros, los involucrados en el universo del tebeo, en lengua hispana en dos continentes.

Un abrazo enorme desde Lima, maestro, cargado de tristeza, y todo el éxito posible en los proyectos que continúan y en aquellos que le aguardan.

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

CNBDI – ÀS QUINTAS FALAMOS DE BD – POR ESTA PEREGRINAÇÃO ACIMA – JOSÉ RUY e FAUSTO


POR ESTA PEREGRINAÇÃO ACIMA 
JOSÉ RUY e FAUSTO

Mestre José Ruy
Fausto Bordalo Dias 

No dia 23 de Fevereiro, pelas 21h00, no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem terá lugar mais uma edição de Às Quintas Falamos de BD, com o encontro Por Esta Peregrinação Acima que conta com a participação do músico e compositor Fausto, do autor de BD José Ruy, e da jornalista Ana Margarida Carvalho.

Na ocasião será exibido um poema sinfónico, uma adaptação em vídeo das pranchas do álbum Fernão Mendes Pinto e a sua Peregrinação, de José Ruy, com música de Por Este Rio Acima, de Fausto Bordalo Dias.

Na última quinta-feira do mês convidamo-lo a tomar café connosco.
Apareça, contamos consigo.


Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem

Av. do Brasil, nº 52-A
2700-134 Amadora
T: 214369057



Clique em cima da capa do disco para ver e ouvir Fausto...

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

BDpress #323: OS 75 ANOS DO PRÍNCIPE VALENTE – PEDRO CLETO NO JN


Jornal de Notícias, 13 de Fevereiro de 2011

NOS TEMPOS DO REI ARTHUR

A LONGA SAGA AOS QUADRADINHOS DO PRÍNCIPE VALENTE COMEÇOU HÁ 75 ANOS

F. Cleto e Pina

A 13 de Fevereiro de 1937, um sábado, alguns jornais norte-americanos publicavam a cores a primeira prancha de uma das mais emblemáticas e fabulosas sagas que a banda desenhada viria a conhecer: “Prince Valiant in The Days of King Arthur”.

Ou seja, nascia aquele que em Portugal ficou conhecido como o Príncipe Valente pelos leitores do Mosquito (onde se estreou em 1948), do Mundo de Aventuras, do Jornal do Cuto e, principalmente, do Primeiro de Janeiro, que o publicou semanalmente, a cores, durante 36 anos, entre 1959 e 1985.

Criada aos 44 anos por Harold Rudolph Foster (1892-1982), revelar-se-ia não só uma obra de maturidade, mas também a obra de toda a sua vida, pois a ela dedicou mais de 40 anos, durante os quais escreveu e/ou desenhou 2244 pranchas, as últimas cinco centenas desenhadas por John Cullen Murphy, entretanto substituído por Gary Gianni, actual responsável por esta BD.

Curiosamente, Foster, que também foi desenhador de Tarzan, chegou a considerar os quadradinhos arte menor e a trocá-los pelo desenho publicitário, antes de voltar a eles por razões económicas.

As aventuras do Príncipe Valente (ou Val), cavaleiro da mítica Távola Redonda da Corte do Rei Artur, defensor de valores como a coragem, a amizade, a lealdade, a justiça, a honra e o cavalheirismo, constituem uma monumental saga desenhada, em que se destaca o envelhecimento progressivo dos protagonistas: Val, que surge na terceira prancha como adolescente, torna-se depois um jovem fogoso, conhece a bela Aleta, rainha das Ilhas Brumosas, com quem casa e tem cinco filhos que, à medida que o pai amadurece, vão crescendo e assumindo, a vários níveis, cada vez mais protagonismo. Porque, na BD com o seu nome, o Príncipe Valente está muitas vezes ausente ou é pouco mais do que espectador, surgindo no centro da acção Sir Gawain, cavaleiro da Távola Redonda, Aleta, os seus filhos, o escudeiro Arf, o vicking Boltar e outros mais, o que permitiu a Foster contar – muitas vezes em simultâneo – várias histórias. Nelas, abordou aspectos sociais, políticos, militares e religiosos da época em que Val viveu, levando-o a percorrer meio mundo, da Europa – incluindo uma breve acostagem na costa portuguesa - à América, da África à Ásia.

No aspecto formal, o facto de o Príncipe Valente ter sido sempre publicado apenas como prancha dominical, sem a derivação em tiras diárias, permitiu a Foster dedicar-lhe cerca de 50 horas semanais. Por isso, cada página, nos seus monumentais 86x70 cm (cada vinheta tem aproximadamente o tamanho A4), é uma obra de arte, traçada num preto e branco fino e detalhado, perfeitamente adequado para a representação expressiva do ser humano e sublime na recriação de paisagens ou edifícios, com um pormenor inultrapassável.

E, numa época em que o balão de texto era já instrumento fundamental da narrativa aos quadradinhos, a obra de Foster surpreende pelo recurso (aparentemente obsoleto) ao texto sob cada vinheta. Mas, só assim, Foster pode dar largas ao seu talento literário – atente-se na riqueza do seu vocabulário e na sua veia erudita – que condimentou com um assinalável sentido de humor com o qual, tantas vezes, coloca em causa princípios do tempo em que Val viveu e do seu próprio tempo.

(caixa)
Um português apaixonado

De há uns anos a esta parte, falar do Príncipe Valente, implica falar de Manuel Caldas, português da Póvoa de Varzim e profundo conhecedor da obra de Foster, “o clássico dos clássicos da BD americana dos jornais”, a quem dedicou a monografia “Foster & Val”.

Ao seu trabalho de artesão apaixonado deve-se a melhor edição a preto e branco alguma vez feita da obra de Foster, criada a partir das páginas dos jornais e das provas originais ainda existentes, o que implicou muitas horas de trabalho em cada prancha, eliminando a cor e restaurando o traço original, que o leitor actual redescobre em toda a sua limpidez e esplendor. Com seis volumes de grande formato publicados em Portugal e Espanha, com os primeiros 12 anos da saga (1937-1948), actualmente prepara para um editor do Uruguai o segundo dos três livros correspondentes a 1949-1954.

Ler também no blogue As Leituras do Pedro, a opinião de Manuel Caldas: “Foster deveria ter posto fim ao Príncipe Valente”.


 Hal Foster (18, Agosto 1892 - 25, Julho 1982)
 




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Imagens da responsabilidade do Kuentro

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