quinta-feira, 7 de abril de 2011

O REGRESSO DO MOURA BD – XVII SALÃO INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA DE MOURA’2011

Meus caros, comecem a preparar as botas (trocos para gasolina e portagens, bilhete de comboio – não sei se há comboio para Moura – preparem boleias, excursões, ou comecem já, pura e simplesmente a caminhar para lá) para dar à sola até Moura, especiamente no fim-de-semana de 7 e 8 de Maio. É que, como já aqui noticiámos o Moura BD regressa este ano.

Esta 17ª edição do Salão tem página no Facebook AQUI, o blogue português do Tex, fala dele AQUI e a Agenda Cultural e Desportiva do Concelho de Moura, fornece toda a programação AQUI, juntamente com a da Feira do Livro de Moura que vai decorrer ao mesmo tempo (boa iniciativa para arregimentar visitantes),
assim como uma entrevista 
com Victor Mesquita – autor português convidado deste ano, e que transcrevemos mais abaixo.


in Agenda Cultural e Desportiva do Concelho de Moura, 20 Março 2011-04-07

MOURA BD 2011 – 17.º SALÃO INTERNACIONAL DE BANDA DESENHADA
REGRESSA COM VIAJANTES DE PAPEL

Com o tema “Viajantes de Papel” realiza-se de 22 de Abril a 8 de Maio o MOURA BD 2011
– 17.º Salão Internacional de Banda Desenhada. No ano em que o Moura BD abre portas simultaneamente com a Feira do Livro, faz sentido que o tema do salão seja este, o das viagens no papel dos livros, sejam eles de banda desenhada ou dos outros.

Viajantes de papel significa, assim, que os personagens, os autores e os leitores de banda
desenhada têm em comum o facto de “viajarem no papel”. E, de facto, viajam bastante.

Um personagem BD pode percorrer este e outros mundos saltando de quadrinho em quadrinho, sem se preocupar com as leis do tempo e da física. Basta que o argumentista e o desenhador que lhe dão vida assim o determinem. E quantas vezes não se revê o autor nas suas personagens, levando-o a visitar sítios e mundos com que sempre sonhou?… E o leitor, absorvido pela leitura, deixa-se envolver nesta trama e viaja com eles, por desertos abrasadores, por selvas impenetráveis ou por galáxias desconhecidas, numa cumplicidade mal disfarçada.
Rua de Moura (imitando Angoulême) durante 
o 16º Salão Internacional de Banda Desenhada Moura BD'2007

A GALERIA DE FOTOS DE TODAS AS EDIÇÕES DO MOURA BD PODE VER-SE AQUI!

LOCAIS:
Praça Sacadura Cabral (núcleo central das exposições)
Posto de Turismo de Moura (núcleo de coleccionismo BD)
Espaço INOVINTER (núcleo de cartune e caricatura)
Cine-Teatro Caridade (homenagens e sessões de cinema de animação)

HOMENAGEADOS:
Victor Mesquita (Troféu Balanito de Honra para autor português)
Tito (Troféu Balanito de Honra para autor estrangeiro)
Carlos Roque (Troféu Balanito Especial – homenagem a título póstumo)

EXPOSIÇÕES:
› Victor Mesquita
› Tito
› Carlos Roque
› Coleccionando… Tintin
› Alexandre, o Herculano (organização conjunta entre a CM Moura e o GICAV)
› Carlos Laranjeira, 20 Anos de Humor (cartoon e caricatura – produção Humorgrafe)
› Agim Sulaj, o humanismo no humor (cartoon – produção Humorgrafe)
› Viajantes de papel na lusofonia (BD e cartoon – produção Humorgrafe)
› Para além do Patinho – exposição individual de Rui Cardoso (coordenação do projecto: Museu Jorge Vieira, de Beja)
› O Lince Ibérico, por José Garcês (colaboração da Liga Para a Protecção da Natureza)
› 15.º Concurso de BD e Cartoon (selecção dos melhores trabalhos concorrentes)
› 12.º Concurso Escolar de Banda Desenhada (exposição de todos os trabalhos concorrentes)

ACTIVIDADES PARALELAS:
› Sessões de caricatura ao vivo (parceria com a FECO Portugal – Associação de Cartoonistas)
› Sessões de cinema de animação para escolas e público em geral (parceria com o Cinanima
– Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho)
› “Workshop” de cinema de animação para jovens (dinamizado pelo mourense André Infante)
› Lançamento de álbuns e fanzines de banda desenhada (com a colaboração da Polvo Editora e da Liga Para a Protecção da Natureza)
› Sessões de autógrafos (com Victor Mesquita, Tito, Monique Roque, José Garcês, Rui Cardoso, elementos FECO Portugal, etc.)
› Homenagens e entrega de prémios dos concursos de BD e Cartoon
› Espaço Ludoteca com actividades diárias para a pequenada
› Visitas das escolas do concelho
› Espaço de vendas BD (álbuns, fanzines, catálogos e desenhos originais de Victor Mesquita)

Victor Mesquita, com Geraldes Lino na Tertúlia BD de Lisboa de 1 de Março passado, apresenta o logotipo do projecto de revista "KarpaKoi"

VICTOR MESQUITA - ARTISTA E VISIONÁRIO

Victor Mesquita vai ser homenageado no XVII Salão Moura BD com o troféu Balanito de Honra para autor português e a razão dessa homenagem está patente no percurso deste artista, que é considerado um dos mais importantes criadores da banda desenhada de Portugal. Formado na escola do «Mosquito», «Diabrete», «Cavaleiro Andante» e «Mundo de Aventuras», (onde se estreou em 1957 com “Nos Caminhos do Passado”), viveu alguns anos em Moçambique e África do Sul, dedicando-se paralelamente à pintura, pela qual recebeu uma Menção Honrosa na Bienal da Transvaal Academy Exhibition, e na banda desenhada escrevendo os seus próprios argumentos para o diário “Rand Daily Mail”. A partir daí, não mais parou. Regressado a Portugal trabalhou para numerosos jornais e revistas, criou a revista «Visão» onde surge pela primeira vez a personagem Eternus, o seu trabalho mais conhecido e através da qual o seu espírito visionário mais se evidencia.

A par de outras histórias como “Matei-o a 24”, “Vietname – Uma Vitória do Homem”, foi na revista «Visão» que surgiu a personagem de ficção científica, Eternus 9 que veio a dar, posteriormente, nome ao álbum «Eternus 9 – Um Filho do Cosmos». Pode descrever a personagem e as motivações que levaram à criação desse álbum que mostra a maturidade de um desenhador extraordinário dotado de uma imaginação surpreendente?

Eternus nasceu em condições estranhas, convergentes num espaço do meu inconsciente onde jamais suspeitaria ganhar forma e conteúdo visíveis esse irmão de solidão que me acompanharia na fase difícil em que me encontrava, acabado de regressar de África, de já ter estado com “Viriato” e os “Navegadores do Infinito”. Mal eu adivinhava que “Eternus” viria a nascer muito brevemente. Há histórias à sua volta, antes de nascer, que não haverá espaço aqui para contar.

Posso dizer que começou com um insignificante pequeno rabisco que, aliás, e não por acaso, se encontrará exposto neste Salão de Moura, e pela primeira vez ao público, como também acontece com a maior parte dos originais expostos, na maioria inéditos. E, confesso, algo me disse que Moura era o lugar eleito para os trazer à luz. Ainda estou por descobrir porquê.

Como dizia, trabalhava eu então como paginador no jornal «A Capital» e simultaneamente no suplemento de BD Kalkitos. Nessa altura eu tinha um ateliê em São Paulo, ao Cais do Sodré, onde por mero acaso viria a conhecer o falecido grande pintor Malangatana Valente. Em fugazes intervalos no trabalho, quando o jornal já estava nas máquinas, eu não resistia em fazer rápidos esboços nas sobras do papel. Por essa altura andava envolvido em debates de café com um grupo muito interessante e interessado em Ficção Científica e Fenómenos Paranormais. Num dia sem data, perdido no tempo, dei comigo a pensar: e se eu criasse uma espécie de super-herói que rivalizasse com os supers americanos? Um super-herói europeu, mais humano, menos infantil, com menos anabolizantes, mais perto do que entendo haver de transcendente naquilo que temos de melhor, a consciência do outro, o sentido de justiça, o deus possível que pode haver em nós, os Direitos do Homem, um deus homem em caixa baixa, claro, mas ainda assim no seu melhor como ser humano?

Depois foi a mais estranha aventura criativa. E tudo começou a nascer sob um impulso inexplicável.

A acção de Eternus 9 – «A Cidade dos Espelhos», decorre em Lisboa e a de «Cidadela 6» passa-se no Alentejo. Quando li essa resposta numa entrevista que saiu no Alentejo Popular, achei curioso, porque no Alentejo, e mais propriamente aqui em Moura, também se estão a fazer coisas, não diria de ficção mas de antecipação científica. Acha que sob a sua aparente placidez, há no Alentejo um mundo propício aos sonhos mais delirantes e onde podem ocorrer façanhas visionárias?

São universos distintos. O Alentejo é, por excelência geográfica, o lugar onde tudo pode ser imaginado. Chamo a atenção para o facto de no universo da «Cidadela 6» a região no terceiro álbum passar à designação de «Os Desertos Vermelhos do Sul.» Não se pense ver o Alentejo representado como ele é hoje. É necessário ler «A Cidade dos Espelhos» para saber do que falamos quando falamos da região alentejana. Uma guerra nuclear no Médio Oriente, que transformou a face do planeta, fez do Alentejo e de Lisboa lugares inimagináveis comparados com a realidade presente. No centro dos «Desertos Vermelhos do Sul», rodeado por um mar de dunas de tom avermelhado, encontra-se a «Cidadela 6», uma das muitas cidades-prisão.

Não se trata de considerar o Alentejo como um lugar propício a sonhos delirantes ou de façanhas visionárias. É um mal-entendido um pouco superficial. As obras de Eternus vivem de uma profunda simbologia que corre paralela à realidade real. É preciso interpretar as coisas nesse sentido.

Como vê a relação das gerações mais novas com a banda desenhada?

Mal. O ritmo de vida nestes últimos trinta anos tem acelerado de tal modo que se torna obrigatório rever processos narrativos e contextos, mas de um novo ponto de vista. As artes narrativas – a BD em particular – corre o risco de desaparecer se não se criar um nova filosofia da comunicação. Um novo paradigma que corte radicalmente com o que se tem feito até aqui.

Está aí o «Mangá» em toda a força a dizer que a BD só sobreviverá se enveredar por um caminho sui géneris. Que só ela possa representar.

Se o Mangá é BD? Claro que sim. Com a diferença que ele transformou uma limitação numa virtude. Aproveitou a dinâmica do cinema, mas sabendo contar rápida e sinteticamente uma
história. Há peças notáveis em «Mangá». De grande profundidade. O mal está em que a BD se
deixou adormecer ao ritmo da leitura e conceitos narrativos próprios das velhas gerações. Mas
o caminho também não passa pelo que certa corrente de jovens artistas está a produzir.

BelasArtes não são necessariamente BD, se bem que ajude. É preciso não confundir a essência da BD com a ilustração artística, esta mais própria para ilustrar revistas ou suplementos de jornais, sem desprimor pela sua alta qualidade. A BD tem uma respiração e uma dinâmica próprias, as quais têm de ser radicalmente revistas. Tem de ser mais transversal. É necessário rebentar com alguns dos cânones anteriores. Acabado o Ciclo Eternus 9 com Cidadela 6, penso abandonar a imagem BD utilizada nos meus trabalhos anteriores. A Cidadela 6 pronunciará essa mudança.

Pelo que pude ver, a sua obra «Matei-o a 24» pareceu-me muito interessante. Prevê a sua edição?

Não. Estaria fora de tempo. Apenas satisfaria meia dúzia de saudosistas. Para a BD sobreviver, não se pode brincar às pequenas tiragens. Os conceitos têm cada vez mais de concentrar-se em contextos universalistas. Tem de haver mais arrojo, originalidade na escolha dos temas e na forma de os representar. A Guerra Colonial já foi.

Interessante seria fazer a biografia das vítimas de guerra do Ultramar. Nunca se sabe se não voltarei à África com uma outra perspectiva de abordagem.

Que outros projectos tem?

Tenho um grande projecto em marcha, cuja realização pode tirar a BD da derrocada para onde
está a resvalar. A realização do Núcleo Távola Redonda está dependente de alguns factores, o
primeiro dos quais se centra, de imediato, na necessidade de formar os EBD – Estúdios de Banda Desenhada & Mangá. A ideia surge no prosseguimento da experiência adquirida na revista «Visão», cuja colaboração estava dependente do exterior, com todos os conflitos e dificuldades de controlo. Desta vez tenho como objectivo a criação de um viveiro de artistas, cujos melhores talentos passarão a fazer parte de uma equipa de produção designada por Team Karpa Koi. Nome igualmente adoptado para a nossa revista.

Como é do conhecimento geral, o Mangá está a entrar em força no mercado ocidental, razão,
entre outras, por que a BD está a ser protelada para segundo plano. O nosso objectivo está em
recuperar uma dinâmica própria dos dias de hoje, correspondente, no fundo, à que tinha para a
minha geração as revistas do pós-guerra. KARPA-KOI – Revista Portuguesa de BD & Mangá é a nossa resposta à satisfação destas duas modalidades.

Qual a finalidade do Núcleo Távola Redonda?

Este núcleo tem finalidade aglutinadora de criar um novo espírito de demanda, da procura da
aventura e dos caminhos do Ser através da criação e do conhecimento. Uma das suas finalidades é ajudar a inserção e integração social dos jovens que procurem os caminhos da sua própria identidade. Dispomos de uma biblioteca que conta para cima de 30.000 títulos que abrangem a BD, História, Linguística, Filosofia e o estudo das Religiões, Romance de Ficção e Ficção Científica, Ecologia, Antropologia, Estudo da Literatura, etc. Não nos vão sobrar paredes. Pretende-se que as instalações contemplem um espaço para galeria, onde os leitores interessados poderão acompanhar a evolução das obras em curso, o trabalho dos alunos, e algumas novidades, eventualmente a exibição de originais de autores internacionais. Localização das instalações? Depende do lugar de onde vierem os apoios.

Algumas instituições e uma conhecida editora de BD, parecem empenhadas em considerar o
projecto, que as impressionou o suficiente para suscitar alguma esperança de suporte. Porém, e sendo realista, se falharem os apoios, terei de contar apenas e para começar, com as aulas de BD & Mangá. O resto virá por acréscimo.

Vai ter em Moura álbuns seus?

Os dois álbuns de «Eternus» estarão presentes neste Salão de Moura. Também levarei comigo
originais de «A Cidade dos Espelhos» para venda. A Cidade foi realizada em peças soltas, que
viriam a ser montadas e trabalhadas no computador. É interessante fazer a comparação.

Assim, teremos pequenos e grandes desenhos, acabados e inacabados, o que torna os preços bem flexíveis a todas as bolsas e curiosos do ponto de vista didáctico.

O seu trabalho e a sua carreira vão ser homenageados no Salão Moura BD deste ano.
Como antecipação do lançamento do álbum «Eternus 9 – Cidadela 6» não acha que é um bom prenúncio que o Alentejo real reconheça o valor da ficção?

A «Cidadela 6» neste momento não tem editor. Por razões de ordem técnica, não será publicada pela mesma editora de A Cidade dos Espelhos. A Gradiva foi impecável no apoio dado à reedição do primeiro e segundo álbuns. Mas razões alheias a ambas as vontades, não permitiram que o terceiro álbum avançasse como se previa. Mas estou certo que os leitores não vão esperar mais 35 anos pela «Cidadela 6». Uma conhecida editora manifestou já a sua disponibilidade. Porém, não foram ainda estabelecidas as condições que permitirão dar imediato prosseguimento. No entanto, já avancei etapas que prometem fazer que o Alentejo se torne ponto de partida para algo que, a realizar-se, talvez venha a fazer história.

PERFIL

Victor Mesquita nasceu em Lisboa em 1939 e evidencia-se nos anos 70 repartindo a sua carreira na banda desenhada com outras artes e ofícios, designadamente a publicidade e a pintura, áreas cujo nível de exigência, em termos de criatividade e técnica, levou para a BD. Depois de “Viriato”, no «Jacto» (1973), inicia a saga dos” Navegadores do Infinito” no «Cinéfilo» (1974). Cria e dirige a revista «Visão», a partir de 1975, onde publica “Matei-o a 24” (com Machado da Graça), “Fábula de um Passado Recente” (com Zé Paulo), “Gemadinha” (com André), “Vietname - Uma Vitória do Homem” (com Machado da Graça), e inicia “Eternus 9”. “Eternus 9 - Um Filho do Cosmos” foi concluído para publicação em álbum em 1979, conhecendo edições em francês e flamengo. Seguem-se colaborações diversas em publicações como «Fungagá da Bicharada», «Jornal Kalkitos», «Expresso» e no álbum colectivo «Oito Séculos de História de Portugal».

Victor Mesquita realizou ainda o levantamento da BD portuguesa para a «Histoire Mondiale
de la Bande Dessinée» das edições Pierre Horay.

Regressa aos álbuns de ficção com «Trilogia com Tejo ao Fundo» que engloba "A Ilha da Bruma" (que tinha sido publicada anteriormente no semanário Expresso), "Os Navegadores do Infinito" e "O Homem que não se chamava Hemingway" (1995) e com o colectivo «O Síndroma de Babel e outras estórias» (1996, ano em que assina a imagem gráfica do FIBDA.

Em 1998, Mesquita integra a exposição “Perdidos no Oceano”, uma colectiva de BD portuguesa apresentada no Festival de Angoulême.

Em 2008, Victor Mesquita foi distinguido com o Troféu Honra do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora de 2008, o mais prestigiado prémio da BD portuguesa.

Uma das capas (com Eternus 9) da revista Visão (1975) e página de Matei-o a 24, na mesma revista.

Prancha de O Roncão e o Finório (texto Júlio Isidro, desenhos de Victor Mesquita), na revista Fungagá da Bicharada e ilustração de Mesquita para a contracapa da Visão.

Capa do Álbum Trilogia com Tejo ao Fundo (Edições Asa, 1995) e desenho de Mesquita na capa do fanzine Efeméride nº 3 (editado por Geraldes Lino, Junho 2008)

Capas de Eternus 9 - Um Filho do Cosmos - na edição Meribérica/Liber, 1979 e na edição Gradiva, 2008.

Eternus 9 - A Cidade dos Espelhos, Gradiva, 2010
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Imagens da responsabilidade do Kuentro
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