terça-feira, 12 de julho de 2011

MEMÓRIA DE ALAIN VOSS (1)

Conheci Alain Voss no Encontro da Tertúlia BD de Lisboa de 7 de Agosto de 2007. No sorteio de peças, habitual na TBDL, calhou-me em rifa o poster gigante que Voss ofereceu para o sorteio – que pode ver-se numa das fotos abaixo. Soube que ele morava no Linhó, mas nunca cheguei a descobrir concretamente onde, apesar de termos trocado uma série de emails (mais com a Clara do que comigo, diga-se) depois desse Encontro da TBDL, em que ele me enviou uma série de ilustrações suas. Curiosamente éramos quase vizinhos enquanto vivi na Malveira da Serra: a Estrada da Serra (que bordeja a Serra de Sintra pelo Sul, passando pela Lagoa Azul, começa na Malveira da Serra e termina precisamente no Linhó – talvez nove ou dez quilómetros) mas a visita nunca se proporcionou.

Como não existe nenhuma biografia de Alain Voss (pelo menos na internet), deixo-vos aqui o texto de Sérgio Codespoti, publicado no site UniversoHQ em 15 de Maio 2011 e uma ligação para o blogue Caricas do Bira, com a republicação de uma entrevista com Voss e que contém um interessante comentário do fotógrafo e documentarista brasileiro Neni Glock, que filmou a deposição das cinzas do autor franco-brasileiro, na Lagoa Azul. A seguir a esta introdução, as fotos com Alain Voss no Encontro da Tertúlia BD de Lisboa de 7 de Agosto de 2007 e depois do texto de Codespini, uma galeria de Voss.




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Alain Voss, também conhecido como Al Voss, nasceu em 1º de janeiro de 1946, em França, mas cresceu no Brasil. Curiosamente, existem divergências sobre seus dados biográficos. Enquanto os amigos e pesquisadores brasileiros relatam que ele nasceu em França, os franceses afirmam o contrário.

A sua carreira nos quadrinhos começou na década de 1960, chegou até mesmo a ilustrar as capas dos LPs da banda Os Mutantes, de Rita Lee.

De entre os seus trabalhos brasileiros destacam-se O Careca e O Loco, este último publicado pela Editora Taika. Voss também revelou artistas, como, por exemplo, Líbero Malavoglia.

Voss fugiu da violência da ditadura brasileira em 1972, emigrando para França, onde fez ilustrações para revistas e capa de discos, antes de retomar sua carreira como desenhista de quadrinhos.

Em 1975, já integrava a primeira equipa de artistas a desenhar para a revista Métal Hurlant – título original da famosa Heavy Metal –, juntamente com Moebius, Jean-Pierre Dionnet, Philippe Druillet, Nikita Mandryka, Richard Corben, Philippe Caza, Gotlieb, Enki Bilal e seu colega brasileiro Sérgio Macedo, entre outros.

Para a Métal Hurlant, criou a série Heilman, em 1978, sobre um punk rocker a quem são prometidas sete mortes violentas. O álbum misturava alegorias ao nazismo com o movimento punk, influências da banda KISS, esoterismo e foi inspirado visualmente pelo grafismo do holandês Maurits Cornelis Escher.

Esta HQ criou grande polêmica, foi mal recebida na época pela crítica franco-belga, que era conservadora e venerava revistas como Pilote (que publicava Asterix, de Goscinny e Uderzo), Journal de Tintin e Journal de Spirou. Heilman teve a sua publicação proibida na Alemanha, onde existe uma legislação contra o nazismo.

Outros trabalhos publicados na Métal Hurlant incluem Tobiaze e as Parodies d'Al Voss, parodiando personagens famosos como Popeye, Asterix, Os Smurfs, Blueberry e Superman.
Voss também publicou nos títulos Charlie Mensuel e Mormoil, e ilustrou uma HQ curta de Serge Le Tendre.

Outras HQs de Voss lançadas na Europa pela (Les Humanoïdes Associés) incluem L'Arbre à came, de 1981; Kar war, cuja arte lembra serigrafias da idade média; Lokyia, em 1982; Adrénaline, HQ de ficção científica publicada em 1982 que ganhou o Grand Prix do Festival d'Aix-en-Provence; Zodiaque, junto com outros artistas, de 1983; e Parodies d'Al Voss; de 1984, álbum que reúne suas paródias publicadas na revista Métal Hurlant.

Voss retornou ao Brasil em 1981 e passou grande parte da década no País, antes de voltar à Europa [onde viveu quase vinte anos, em Lisboa e depois no Linhó, Concelho de Sintra]. Nesse período, teve alguns de seus trabalhos publicados nas revistas paulistanas Inter Quadrinhos (da Editora Ondas) e Monga - A Mulher-Gorila #1, da Press/Maciota.

Em 1988, foi premiado com o HQ Mix deMelhor Desenhista Nacional e, em 1989, a exposição sobre sua carreira realizada noMIS, ganhou o HQ Mix, na categoria Melhor Exposição.

O Itaú Cultural promoveu o evento Anos 70: Trajetórias, em 2001, que destacou o trabalho de Voss ao lado de artistas como Robert Crumb, Paulo Caruso, Angeli, Flávio Del Carlo e Laerte.
Em março de 2007, ele foi homenageado com uma exposição em São João do Estoril, em Portugal, promovida pela galeria Espaço Way of Arts.

O ano de 2009 foi marcado por outro retorno de Voss ao Brasil. O artista viveu algum tempo em Pirassununga e também no litoral paulista. Ele já estava com a saúde debilitada e havia sofrido um acidente vascular que havia paralisado temporariamente o lado direito de seu corpo e dificultado o seu trabalho.

Apesar disso, ele se recuperou e voltou a desenhar quadrinhos (desenhando a HQ Anarcity, cujo roteiro foi influenciado por Phillip K. Dick), mas no computador, coisa que já fazia havia alguns anos, antes mesmo do início de seus problemas de saúde. Voss também produziu a tira Os Zensetos.

Em 2010, Voss viajou para Lisboa, onde viria a falecer a 13 de Maio de 2011.

Segundo o cartunista brasileiro Jal, Alain Voss será homenageado na próxima edição do HQ Mix.
















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AMANHÃ, MAIS IMAGENS PARA A GALERIA ALAIN VOSS
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