segunda-feira, 28 de novembro de 2011

BDpress #300: OS CINQUENTA ANOS DO QUARTETO FANTÁSTICO – Pedro Cleto no Jornal de Notícias


Jornal de Notícias, 15 Novembro 2011

UMA FAMÍLIA CINQUENTONA

QUARTETO FANTÁSTICO 
SURGIU HÁ 50 ANOS 
E RENOVOU UNIVERSO MARVEL

F. Cleto e Pina

Há 50 anos, era editada nos EUA Fantastic Four #1, um comic-book que renovou por completo o género de super-heróis e lançou as bases do universo Marvel que hoje conhecemos.

Na realidade, são diversas as opiniões acerca da data exacta de lançamento, por isso vale a data de Novembro impressa na capa da revista, que custava apenas 10 cêntimos de dólar e mostrava quatro super-heróis desconhecidos a combater um monstro que emergia do solo.

A inovação não advinha do conceito – os super-heróis já existiam há mais de duas décadas – nem da sua associação - o primeiro super-grupo, a Justice League of America, na época já fazia sucesso há quase um ano. O que tornava diferente o quarteto composto por Reed Richards, o senhor Fantástico, Sue Storm, a Mulher Invisível, Johnny Storm, o Tocha Humana e Bem Grimm, o Coisa, eram o modo como funcionavam como uma verdadeira família, partilhando o mesmo tecto e também os problemas do dia-a-dia (comuns aos seus leitores mortais): contas para pagar, necessidade de emprego, problemas de relacionamento ou a obrigação de assumirem as consequências dos seus actos. Reed, um génio inventivo, e a ponderada Sue surgiam como os sustentáculos do grupo, fazendo face às partidas constantes que Johnny, um adolescente tardio interessado em carros potentes e bonitas namoradas, pregava ao Coisa, permanentemente deslocado e conflituoso devido ao seu aspecto.

Ou seja, na prática, havia uma humanização dos super-heróis cuja popularidade estava na época em decréscimo acentuado, substituídos pelas histórias aos quadradinhos de suspense e de terror. No entanto, seguindo estas premissas, rapidamente voltariam ao topo da popularidade, surgindo nos meses seguintes o Homem-Aranha, Hulk, Demolidor ou X-Men.

Os criadores do Quarteto Fantástico foram Stan Lee, então há mais de 20 anos a trabalhar na futura Marvel Comics, e Jack Kirby, justamente considerado o “rei dos comics”, que desenhou mais de 2500 páginas das suas aventuras.

O número inaugural do Quarteto Fantástico, narrava a origem dos seus poderes, surgidos após o foguete em que se deslocavam ser bombardeado por raios cósmicos no espaço – numa colagem à corrida espacial que então opunha EUA e URSS - com consequências diversas para cada um dos seus componentes, que no entanto decidiram utilizá-los para ajudar a humanidade. Como complemento, no número de estreia havia o confronto com o Toupeira, a primeira de muitas ameaças que a “super-família” enfrentaria, com destaque para seres monstruosos e extra-terrestres, com o Doutor Destino, Galactus e os Skrulls à cabeça. A partir do terceiro número, o quarteto passou a ter uniformes, um quartel-general e o invulgar “fantasticarro”.

Com o passar do tempo, ao seu lado haveriam de surgir outros super-heróis como o Homem-Aranha, Surfista Prateado ou Namor, tendo alguns deles - She-Hulk, Luke Cage, o Homem-Formiga ou, recentemente, o Homem-Aranha - ocupado mesmo um lugar no Quarteto, por abandonos temporários, desaparecimentos misteriosos ou falecimentos (provisórios) provocados pela máquina de marketing da Marvel.

O sucesso de papel levou-os à televisão, em desenhos animados, logo em 1967, tendo sido diversos os regressos a este suporte ao longo das décadas. No entanto, só em 1993 é que ficou pronta a longa-metragem interpretada por actores de carne e osso, uma produção atribulada, candidata a pior filme de super-heróis de sempre, cuja exibição a Marvel proibiu. Por isso, a estreia do Quarteto Fantástico no grande ecrã – mesmo assim abaixo dos seus pergaminhos em BD - só teria lugar em 2005, num filme homónimo dirigido por Tim Story e protagonizado por Ioan Gruffudd, Jessica Alba, Chris Evans e Michael Chiklis, que regressariam dois anos depois em “Quarteto Fantástico e Surfista Prateado”.

Hoje, meio século depois da sua estreia, se Reed e Sue já foram pais por duas vezes (Franklin nasceu em 1968 e Valeria em 1999) e se já passaram pelas mãos de inúmeros autores, parece que o tempo não passou por eles e que tudo continua essencialmente na mesma, continuando no topo das preferências dos leitores que, com eles, se continuam a identificar.

(Caixa)

Moléculas instáveis

Se alguma vez se perguntou como estica a roupa do sr. Fantástico, por que é que Sue Storm não precisa de se despir antes de se tornar invisível ou porque não arde a roupa de Johnny quando se trsnforma no Tocha Humana, fique sabendo que não é o primeiro a fazê-lo.

Logo após a estreia do Quarteto Fantástico, um leitor escreveu a Stan Lee colocando aquelas questões. Socorrendo-se do génio inventivo de Reed Richards, o escritor introduziu em “Fantastic Four” #6 o conceito de “moléculas instáveis” que formariam um tecido capaz de se adaptar aos super-poderes de quem o usasse.

Dessa forma, Lee respondeu ao leitor e resolveu um outro problema: a fonte de receitas do Quarteto, que patenteou a invenção passando a fornecer o tecido aos seus colegas super-heróis da Marvel!


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Imagens da responsabilidade do Kuentro

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O Kuentro aconselha a leitura de Vitamina BD - O que se passa?, de Bongop no seu blog Leituras de BD
E também no mesmo blogue a referência à exposição UNIVERSOS DO ENTROPIA, uma exposição que decorre até 10 de Dezembro no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Carcavelos

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NOTA: Não foi nos possível fazer qualquer postagem no Kuentro durante a última semana devido a falhas sistemáticas do nosso anterior fornecedor de internet e consequente mudança para outro mais fiável (esperemos).

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