terça-feira, 14 de agosto de 2012

JOBAT NO LOULETANO – 9ª ARTE – MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA (LXIV e LXV) – ROUSSADO PINTO (2 e 3) ...


Karzan, capa de Carlos Alberto


9ª ARTE
MEMÓRIAS DA BANDA DESENHADA
(LXIV - LXV)

O Louletano, 28 de Junho a 4 de Julho de2005 

ROUSSADO PINTO – 2 

por António Dias de Deus e Leonardo de Sá * 

A "Parilex" publicou muitas pequenas colecções ("Texas Jack" etc...), e aí Roussado Pinto dirigiu a Colecção "Escravelho Azul", de maneira anónima. Em 7 de Julho de 1971, subitamente, irrompeu "Jornal do Cuto", na sua nova editora, a Portugal Press. A revista tomou o nome de um dos mais famosos heróis invasores de "O Mosquito", tão bem aceite que por português passara. Mas não só ele.

As oportunas reedições de E.T. Coelho, algumas bem logradas, outras disformes ou inacabadas, mostravam finalmente aos jovens leitores portugueses como era o grande artista antes das estiradas narcolépticas de “Vaillant” e “Pif”. Entre as reposições famosas colocavam-se também trabalhos de Emílio Freixas. Mas, sem dúvida, o prato forte da ementa vinha constituido por Jesús Blasco, quer no jornal d’”O Cuto” quer nas revistas-álbuns paralelas. “Colecção Jaguar”, “Colecção Titã”, editadas também por Roussado Pinto na Portugal Press. Para além destas, muitas mais edições houve (“Enciclopédia O Mosquito”, “Colecção Galo”, etc...). Roussado Pinto revelou-se ainda estudioso da dita 9ª arte, coligindo memórias (algumas vezes quiméricas, apontando defeitos e remédios para o jornalismo infantil nacional, trazendo à presença dos mais novos as HQ do perí­odo áureo de Portugal e de Espanha (dos anos 40), que também servi­ram para avivar a memória dos mais velhos e inflamar os ti­ções que as cinzas cobriam. O agravamento da situação econó­mica mundial, com a crise do petróleo em 1973, acrescido pela destabili­zação dos mer­cados internos, após o 25 de Abril de 1974, afectaram profundamente a empresa. "Jornal do Cuto" procurou reagir alterando os preços, piorando o papel, dimi­nuindo as cores, abandonando as séries mais caras. Os novos figu­rinos não agradaram e, no n° 174, em 1 de Fevereiro de 1978, "Jornal do Cuto" saiu pela última vez. Da vasta gama de pu­blicações da "Por­tugal Press", as mais resistentes foram as eróticas (Zakarella) e as pornográficas (Karzan). Para ressarcir dos de­saires, Roussado Pinto enveredou pela imprensa sensacionalista do "Jornal do Incrí­vel". Isto porém, já nada tinha a ver com quadradi­nhos... Autor de numerosos livros (sob vários pseu­dónimos, dos quais o mais frequente era "Ross Pynn"), faleceu em Lisboa, a 3 de Março de 1985. ■

* in "Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal", edição Época de Ouro, 1999 






______________________________________________________

O Louletano, 5 a 11 de Julho de2005 

ROUSSADO PINTO – 30 ANOS DEPOIS 

por José Batista 

Apenas conheci pessoalmente Roussado Pinto (RP) em meados de 1971, talvez um ou dois meses antes do inicio da publicação do "Jornal do Cuto", em Julho desse ano. Ambos, - Carlos Alberto e eu -, colaborávamos nessa altura na "Agência Portuguesa de Revistas" (APR), empresa da qual RP e Vítor Péon (VP) tinham saído 17 anos antes. Não fora essa imbatível dupla e o "Mundo de Aventuras" teria soçobrado na sua fase tablóide inicial. Quando comecei a colaborar na APR, em fins de 1954, o peso da ausência desses dois gigantes da BD fazia-se sentir, pois notei-o nas conversas que à boca pequena ecoavam pelos cantos do enorme armazém da Rua Saraiva Carvalho, a nova sede da empresa a partir do inicio desse ano.

Alfredo Silva, paginador da "Plateia" e "Colecção Cinema", companheiro de equipa da dupla ausente, substituirão primeiro como coordenador gráfico das revistas de BD. Era com um misto de respeito e ad­miração que falava de am­bos. Se ape­nas de nome Roussado Pinto me não era estranho, a minha curi­osidade por esse bata­lhador da BD - pois iniciara a carreira de editor com apenas 19 anos, lan­çando "O Pluto”, acicatou o desejo de pessoal­mente o conhecer.

A saída de RP e VP para a "Fomento de Publicações" (FP) apanhou Mário de Aguiar (MdA) e António Dias (AD) desprevenidos, pois que ambos de sobejo conheciam tanto a ca­pacidade literária como a artísti­ca dos elementos que agora lhe faziam concorrência.

A publicação do "Titã", se­manário de BD editado pela FP, incomodou sobremaneira o im­pério que era, já nessa altura, a APR. Foi com um misto de aze­do desagrado que MdA manu­seou as revistas onde ambos pon­tuavam, na novel empresa.

Essa foi, a meu ver, a ocasião de ouro para a ascensão de José de Oliveira Cosme (JOC) na APR, assumindo-se, pessoal­mente, como se fora a bóia de salvação das publicações de BD, lançadas pela batuta ímpar de Roussado Pinto e Péon - "Condor" mensal e "Romances Célebres", entre outras.

As razões que mais fortemente os te­rão influenciado a optar pela FP, terão sido, em relação ao primeiro, o de o seu nome nunca ter aparecido como director de ne­nhuma publicação das por si iniciadas, tra­duzidas e dirigidas, como as acima aponta­das, pois por norma, era JOC quem apare­cia como tal, embora nelas não interviesse; as de Vítor Péon, seriam, porventura, o companheirismo que de há longos anos o juntara a Roussado Pinto, potenciados por uma apreciação infeliz de Mário de Aguiar sobre a forma como o artista fazia as mãos dos seus desenhos, esquecendo o valioso contributo do ilustrador no enri­quecimento gráfico nas publicações de BD, que a APR editava.

Poder-se-ia afirmar, sem errados juí­zos de apreciação, que ambos - um no cam­po literário, o outro no da ilustração - fize­ram uma das mais felizes duplas no campo específico das histórias aos quadradinhos, desde o lançamento de "O Pluto", em 1944, até ao fim da Palirex, porém aí, de forma menos acentuada.

______________________________________________________

PERRO NEGRO em SANGUE BRETÃO
Benoit Despas (arg), José Pires (des)


______________________________________________________

 
Locations of visitors to this page