quarta-feira, 15 de agosto de 2012

LANÇAMENTO AMANHÃ NA LIVRARIA LEYA NA BUCHHOLZ DO LIVRO DE SANTOS COSTA “PIRATAS DO DESERTO”



LANÇAMENTO AMANHà
NA LIVRARIA LEYA NA BUCHHOLZ 
DO LIVRO DE SANTOS COSTA 
“PIRATAS DO DESERTO” 

É lançado amanhã na livraria LeYa na Buchholz, pelas 18h30, com apresentação de Jorge Magalhães, a adaptação para banda desenhada por Santos Costa, de PIRATAS DO DESERTO, baseado na novela de Emílio Salgari Il Predoni del Sahara, escrita em 1903. Este livro de Salgari foi publicado em Portugal pelas Edições Romano Torres, com o título Bandidos do Deserto. Já agora, como curiosidade, a edição da Romano Torres, nos anos 20 (de 1920) foi algo rocambolesca, seguida de algumas reformatações, renumerações e retitulações ao longo de anos seguintes. Contamos abordar aqui – nos próximos meses – as adaptações da obra de Salgari para banda desenhada. Nessa altura referiremos o que foi a trapalhada da edição da obra do escritor pela Romano Torres.

O convite da LeYa/Asa para este lançamento incluiu um PDF, com o texto de apresentação de Carlos Pessoa e as 18 páginas iniciais do livro – material este que reproduzimos aqui:


NAS ASAS DA AVENTURA

Há 150 anos, no dia 21 de agosto, nascia em Verona Emílio Salgari (1862-1911).

A efeméride não deixará de ser devidamente assinalada em todo o mundo, tal foi a marca que a extensa obra deste popular escritor italiano deixou em gerações sucessivas de leitores. Um deles foi Paulo Varela Go­mes que, em 2007, numa muito sentida evocação no "Público", revelava ter "num luminoso canto do coração" os livros de Salgari lidos na sua in­fância. É seguro afirmar que uma incontável legião de pessoas, nos quatro cantos do planeta, sentirá o mesmo a respeito das vibrantes aventuras de Sandokan e outras personagens mágicas do universo do escritor.

O mundo mudou muito desde esse período áureo, entre o início do século XX e os anos 1970, em que as edições baratas da Romano Torres ajudavam a povoar o imaginário dos pequenos leitores portugueses, predo­minantemente rapazes. A televisão e outros suportes audiovisuais, mais os jogos de vídeo, a informática e a Web do nosso tempo remeteram irreme­diavelmente o contador de histórias italiano para um recanto nostálgico e afetivo das memórias pessoais? Talvez sim, talvez não.

A seguir, o cinema italiano apropriou-se das histórias de Salgari, que também acabariam por chegar ao pequeno ecrã, tudo isto contribuindo para um peculiar culto que anima hoje a Internet. E depois, há a banda desenhada, que não ficou insensível à enorme popularidade da obra e deu azo a um sem número de adaptações, sobretudo em Itália, como seria de esperar.

De forma mais subtil, a trajetória de grande criadores - de Franco Caprioli a Hugo Pratt ou Frank Le Gall, entre tantos outros - está saturada com os ingredientes dessa atmosfera aventureira, mesmo se nem sempre essa herança é abertamente assumida.

E assim chegamos a "Os Piratas do Deserto", de Santos Costa. Esta no­vela gráfica adapta à banda desenhada o díptico "A Formosa Judia" e "Os Piratas do Deserto", publicado de forma condensada e num único volume pelo histórico editor português de Emílio Salgari. 

_______________________________

O autor, Fernando Jorge dos Santos Costa (n. 1951, Lisboa) de seu nome completo, é o único português que passou para os quadradinhos romances de Salgari. Essas histórias foram publicadas nos anos 1980 na revista "Mundo de Aventuras", então a viver a última fase da sua existên­cia - primeiro "Os Tuaregues" (18 de junho de 1981), depois "O Ultimo Tigre" (28 de janeiro de 1982) e finalmente "A Formosa Judia" (15 de dezembro de 1986, penúltimo número da revista).

As originais 32 pranchas desta última história deram lugar, agora, a uma narrativa mais completa de 165 pranchas. O registo gráfico é o mesmo, parte do material inicial também foi utilizado, mas a reformula­ção é total, como sublinha o próprio autor.

A aventura, os combates extraordinários, os ambientes fantásticos e as muitas peripécias no enredo foram as razões que impeliram Santos Costa a adaptar Emílio SalgarL Autor de uma extensa lista de contos e novelas, bandas desenhadas e ilustrações, nunca escondeu, aliás, o fascínio que Salgari exerceu sobre si: "Não era um escritor da alta-roda nem das eli­tes, mas muito apreciado pela juventude daquele tempo e por uma popu­lação pouco letrada. Não eram só os livros de Sandokan, mas também as histórias que se passavam em outras partes do globo, na selva ou no Ártico. Tudo isso dava uma sensação extraordinária."

Além de tudo o que ficou dito, há uma motivação suplementar que está por trás desta adaptação, realizada sem pressas ao longo dos últimos anos: o deserto, tão grato a Santos Costa, uma entidade omnipresente numa história que associa de forma muito conseguida a aventura e um fundo histórico real.

Os leitores de Salgari e também os que não o conhecem têm agora uma oportunidade de voar, ao sabor da aventura, nas asas da imaginação, do sonho e das paisagens exóticas.

Carlos Pessoa
(junho de 2012)

 Emilio Salgari (1862-1911)


________________________________________________


PALAVRAS DO AUTOR NO SEU BLOGUE

Peço desculpa por não ter falado mais cedo nesta publicação, mas preferi aguardar o convite que a Editora enviou e divulgou.

Não sei como falar do livro que eu trabalhei sobre uma obra de Emilio Salgari, porque também não sei esclarecer por que razão a minha especial apetência pelo escritor italiano. O certo é que ambos, a obra agora em apreço e o profícuo trabalho de Salgari, são do meu agrado.

Salgari nasceu em 21 de Agosto de 1862, pelo que o próximo dia 21 de Agosto, constitui a efeméride do 150º aniversário do seu nascimento. Pela minha parte, julgo satisfazer a vertente desenhada através de uma das obras escritas por um autor que empolgou muitos de nós na juventude. Para além disso, o deserto sempre me fascinou: a solidão das areias e das rochas; a metamorfose daquela vastidão em "ilhas" de oásis; a resistência das caravanas; as odisseias de aventureiros que ousaram atravessar as suas dunas; os nómadas e os camelos que, à compita, assumem as suas existências com tudo o que a vida necessita num lugar onde tudo parece faltar.

Esta Banda Desenhada, assumida desassombradamente pela ASA – desassombradamente, porque a Editora se assume na aposta em desenhadores portugueses – é uma adaptação livre de um dos livros de Emilio Salgari, cuja trama gira em torno de uma busca heróica em torno de um acontecimento real, muito bem aproveitado pelo escritor veronês.

Espero que se sintam todos convidados; todos aqueles que sentem, como eu, a vibração de uma arte que é a mais antiga da Humanidade, pois banda desenhada já praticavam os primitivos habitantes das cavernas pré-históricas.

Espero e desejo que estejam comigo, no dia 16 de Agosto, na Livraria Buchholz. Para os que se derem à tentação de pesquisartem na net, não deixem de consultar AQUI.

Um agradecimento a todos os que, pretendendo lá estar ou impedidos de lá irem, estão comigo, com a BD e com a memória de um escritor que marcou muitas gerações. E um agradecimento aos meus colegas da blogosfera, mormente as da 9ª arte, por divulgarem este acontecimento.
___________________________________________


É já amanhã que é feito o lançamento de OS PIRATAS DO DESERTO.

Para que o único pirata (que serei eu) não fique no "deserto", gostaria de ter curiosos à minha volta, na Buchholz. Por agora, apenas deixo parte da capa (frente e lombada), mas ela tem contracapa e badanas. Numa das badanas está o rosto de um pirata (que serei eu) e algumas palavras sobre aquilo que já fiz e nenhuma sobre o que gostaria de fazer; na outra, uma breve biografia de Emilio Salgari, um dos escritores que me proporcionou os melhores momentos de leitura na minha juventude.

Suponho que esta obra, se fosse da autoria de - por exemplo - um Frank Miller, para além de ser muito melhor e mais apetecida, seria apresentada numa tenda de beduínos, algures erguida numa duna, perto de um oásis. O autor chegaria montado num camelo e, entre muitos goles de chá (que, aqui para nós, passaria por uísque), faria as suas dedicatórias.

Mas o autor não é Miller; é, sim, um modesto português, sem pachorra para beduíno, sem tenda para armar, com receio que este "oásis" onde nasceu não se transforme num deserto (graças a alguns "camelos" que muito contribuiram para isso) e mal inspirado com este texto que não se coaduna (com a duna) com o acto circunspecto que deve revestir a solenidade de um obra elaborada por um português, acreditada por uma Editora que, na BD, é como um oásis no deserto desta arte e tem feito por publicar trabalhos de qualidade.

À ASA e a todos os LEITORES, o meu mais sincero reconhecimento.






_____________________________________________________

Como não vou poder ir a este lançamento, vai daqui um abraço ao Santos Costa.

_____________________________________________________

 
Locations of visitors to this page