terça-feira, 3 de junho de 2014

X FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA 2014 (2) – AS EXPOSIÇÕES (1): JOSÉ AGUIAR – ANDRÉ DINIZ E LAUDO FERREIRA JR.




CASA DA CULTURA
A QUADRINHOFILIA DE JOSÉ AGUIAR | Brasil

JOSÉ AGUIAR EM DISCURSO DIRETO
Entrevista com Jussara Batista, para a revista Paço

José Aguiar é arte educador formado pela Faculdade de Artes do Paraná e quadrinista com obras publicadas no Brasil e exterior. Em seu mix de aptidões também é Ilustrador, roteirista e editor da Quadrinhofilia, seu selo independente de quadrinhos. Foi premiado com o Troféu HQMIX, Angelo Agostini e no I Concurso Internacional de Quadrinhos, SENAC/SP. Em mais de uma década de carreira publicou diversas obras, como Vigor Mortis Comics e Folheteen- direto ao ponto, considerada uma das melhores HQs publicadas ano passado. Na França, ilustrou para Éditions Paquet duas HQs da série Ernie Adams e participou de Un jour de Mai (coletânea). Além de publicar as tiras Folheteen e Nada Com Coisa Alguma no jornal Gazeta do Povo é cocriador e curador do Cena HQ, projeto de leituras dramáticas no Teatro da Caixa e também da Gibicon - Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba em Curitiba. Também realiza o Ciclo de Quadrinhos, série de palestras sobre cultura pop nas Livrarias Curitiba. Entre tantas atividades atualmente Aguiar está desenvolvendo a Oficina de Quadrinhos Autorais no Sesc Paço da Liberdade.

José Aguiar, um prazer tê-lo em nossa grade de oficinas novamente, visto que em 2013 pudemos contar com a sua parceria. Nos apresente um pouco do quadrinista! Sabe-se que você publicou o primeiro trabalho para um suplemento infantil, aos 14 anos, quais eram suas referências na época? Elas ainda te acompanham?
É sempre um prazer voltar a lecionar quadrinhos. Eu sou produto das oficinas da Gibiteca de Curitiba e a cidade tem uma demanda enorme de cursos voltados a essa arte. É muito bom poder incentivar novos autores através de cursos como o que oferto aqui no Sesc. Eu realmente publiquei pela primeira vez aos 14 anos, antes de descobrir as oficinas de HQ, na extinta Gazetinha da Gazeta do Povo. Era uma tira chamada "O Boi". Aos 16 já estreava profissionalmente no antigo Jornal do Estado. Naquele tempo minhas referências eram Jim Davis, Mort Walker, Laerte, Fernando Gonsales e Bill Waterson. A excessão do criador do Garfield, que abandonei logo no começo de minha carreira, os outros seguem comigo até hoje. Além deles os quadrinhos de super-heróis e do selo adulto Vértigo me marcaram. Hoje meu leque está maior, mas tenho enorme carinho por esses ícones todos.

Além de criador você também apoia futuros quadrinistas, tornou-se professor e possui um vínculo direto com a divulgação da linguagem. E seus incentivadores, quem foram?
Eu comecei a frequentar a Gibiteca num momento ímpar. Na décadada de 1990 ela estava no seu auge de suas atividades em contraste com um mercado inexistente para autores nacionais. Mas lá, além de bons professores, encontrei ótimos amigos com sonhos semelhantes aos meus. Naquele espaço nós dávamos muito ânimo uns aos outros com nosso fanzines, exposições, palestras e debates. Meu trabalho com eventos relacionados a HQs vem desde essa época em que parecíamos ser os únicos a acreditar que quadrinhos são arte e que, sim, é possível viver deles profissionalmente. Hoje esse pensamento se multiplicou verdadeiramente.

Hoje você é sócio fundador da Quadrinhofilia Produções Artísticas, mas como foi sua entrada neste mercado de trabalho?

Antes da Quadrinhofilia acontecer, eu já havia sido sócio em dois estúdios de ilustração que ocasionalmente faziam quadrinhos. Foi um grande aprendizado, mas em 2004 decidi enfim focar nos meus ideais. Eu queria ser um "Quadrinista", um autor, e não um executor de ideias alheias. Consegui publicar e morar na Europa, depoi?- retornei decidido a fazer meus projetos pessoais acontecerem. Apesar de ter iniciado cedo nos quadrinhos, antes dessa virada profissional, para encontrar trabalho eu seguia o que o mercado editorial ditava. Nos últimos anos meu foco, através da sociedade com a Fernanda Baukat, tem sido criar modos de viabilizar minhas próprias ideias, aos mesmo tempo em que difundo a cultura dos quadrinhos a diversos públicos.

Quais os aspectos fundamentais para que os futuros quadrinistas (muitos podem estar passando pelos seus cursos) garantam a dimensão autoral de suas obras? Além de saber desenhar, é preciso...

É preciso saber ler e escrever com muita autocrítica. Desenhar "bem" hoje em dia é a menor das preocupações. Quadrinho autoral é voltado as boas histórias. Existem ótimos ilustradores que são péssimos quadrinistas por não saberem narrar boas histórias. Você não precisa ser um mestre no desenho para fazer uma ótima HQ. As HQs tem sim forte apelo visual, mas se não há conteúdo aliado a uma narrativa eficiente, ela não funciona. O quadrinista autoral também é aquele que não teme ser responsável por todos os processos de produção. É aquele que não se furta de colocar os livros nas costas e se promover nos eventos, feiras de livro, internet... É necessário ser empreeendedor pra ser quadrinista hoje em dia.

Por fim, ainda tem interesse em estabelecer a oficina de Histórias em Quadrinhos como uma atividade de caráter permanente no espaço do SESC Paço da Liberdade? Conte-nos um pouco dessa ideia!

Curitiba tem uma forte tradição nos quadrinhos. Temos diversos eventos locais sobre cultura do quadrinhos que acontecerão o ano todo mesmo após a próxima Gibicon, que se sedimentou como um dos grandes eventos do gênero no país. Atualmente estamos vivendo um "boom" de autores. Para este ano estão previstas 17 publicações de autores locais, a maioria independentes. Número que pode aumentar consideravelmente até o fim do ano. Esse é um ótimo termômetro da vocação para os quadrinhos locais. A manutenção de cursos permanentes faz com que se potencialize ainda mais os artistas que estão a surgir. A Gibiteca tem a tradição de oferecer cursos de formação para os iniciantes. Aqui no Paço é possível fomentar outro passo na formação desses artistas, que depois de algum tempo ficam sem orientação profisisonal. A ideia é dar espaço e orientação para novas gerações de autores, que vão depontar em breve, para debater com colegas e incentivar parcerias. O potencial é enorme e o momento é ótimo para quem quer criar quadrinhos autorais, pois esse tipo de HQ tem aceitação mundial.

O curso (Quadrinhos Autorais: Teoria e Prática) tem como objetivo levar o interessado a descobrir seu próprio caminho, a fim de tornar-se um autor com voz e estilo próprios, conquistando seu espaço no mercado editorial e leitores. Serão abordados processos de criação de roteiro, conceitualização de personagem e universo, estrutura de narrativa, entre outros temas importantes da linguagem dos quadrinhos através de debate e análie de obras conceituadas no universo das HQs. Trata-se de uma oficina para o profissional que deseja se reciclar ou que deseja iniciar carreira pela arte sequencial.Para saber mais!

Duas palavras...

José Aguiar é Super!!!! Tenho orgulho de ser amiga dele, de dizer que ele é uma fabulosa cria da Gibiteca de Curitiba e é sinônimo de sucesso dentro e fora do Brasil... . isto é fantástico!!!!! Seu fabuloso trabalho com traços limpos, lindos, elegantes, ricos em detalhes, retratando Curitiba ou em qualquer outro lugar que ele esteja. Grande amigo e companheiro de trabalho, cresceu no meio dos quadrinhos e hoje os divulga maravilhosamente assim como os faz!!!!

Maristela Garcia Gibiteca de Curitiba

 José Aguiar - o autógrafo...




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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CASA DA CULTURA | ANDRÉ DINIZ E LAUDO FERREIRA
DOIS NOMES PARA O SÉCULO XXI | Brasil

SOBRE LAUDO FERREIRA JR. E ANDRÉ DINIZ
Jorge Machado-Dias

Laudo Ferreira Jr. nasceu em São Vicente, litoral de São Paulo, em Abril de 1964 - 50 anos portanto - e começou a publicar os seus primeiros trabalhos profissionalmente no início dos anos 80 através da Editora Press, de São Paulo. Nesse período participou em vários jornais produzindo a série de tiras A voz do Louco, tiras que foram publicadas até ao início dos anos 90. Até hoje produziu centenas de pranchas de Quadrinhos (designação que prefiro em vez de Banda Desenhada), não tendo sido nunca editado em Portugal. Apenas conhecemos a trilogia Yeshuah (o nome Jesus em hebraico ou aramaico), uma visão da vida de Cristo, divulgada por Pedro Cleto no seu blogue e no BDjornal. Os três volumes de Yeshuah - cuja produção demorou cerca de seis anos, entre pesquisas, escrita do argumento e desenho -, juntos aglomeram cerca de 500 pranchas... É obra!

Em 2008 recebeu o Prémio Ângelo Agostini de Melhor Desenhador de 2007, prêmio atribuido pela Associação de Cartunistas e Caricaturistas de São Paulo.

Laudo possui em S. Paulo, o "Estúdio Banda Desenhada", criado em parceria com o arte-finalista Omar Vinole desde 1996, actuando nos mercados editoriais, publicitário e de eventos.

Por outro lado, André Diniz é argumentista e ilustrador de histórias em quadrinhos. Carioca (nascido portanto no Rio de Janeiro) em 1975 - 39 anos -, reside hoje em São Paulo. Entre os seus trabalhos mais conhecidos, depois dos vários fanzines que editou quando era mais jovem, estão Fawcett, 7 Vidas, O Quilombo Orum Aiê, Morro da Favela ou A Cachoeira de Paulo Afonso. Em 2011, lançou, como argumentista e ilustrador Morro da Favela, a biografia de Maurício Hora, fotógrafo do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, pelas editoras Barba Negra e LeYa. Em 2012,   foi publicado em França (Photo de La Favela), em Portugal pela Polvo (com o título original) e Inglaterra (Picture a Favela). A Polvo editou também em Portugal o seu mais recente livro, Duas Luas, em que André foi o argumentista, ilustrado por Pablo Mayer.

De 2000 até hoje recebeu 17 prémios, entre eles três troféus HQ Mix - o prémio mais cobiçado pelos autores no Brasil -, como melhor roteirista (argumentista). Os seus livros O Quilombo Orum Aiê e O Negrinho do Pastoreio foram selecionados pelo PNBE - Programa Nacional Biblioteca na Escola e distribuídos para todas as bibliotecas de escolas públicas do Brasil. Desde 2012, André Diniz também é professor de escrita de argumentos (roteiros) para quadrinhos na Quanta Academia de Artes, em São Paulo.

Apresento, de seguida, alguns excertos de uma entrevista com Laudo Ferreira Jr. (Um Laudo Completo) conduzida por Patrícia Moreira em 2007 - que pode ser lida na íntegra na internet aqui: http://www.overmundo.com.br/overblog/um-laudo-completo-os-lados-de-laudo. Preservámos a escrita original, que embora parecendo, não tem nada a ver com o A...borto Ortográfico que por cá começou a circular.

- Tem outros também muito legais - O Elogio da Loucura, pela Escala Educacional, que já está pronto, que é um ensaio escrito por Erasmo de Roterdã em 1509 e publicado em 1511. É tido como um dos textos mais influentes da civilização ocidental. O texto de Erasmo começa com sua apresentação, passando pelos deuses e deusas mitológicos até terminar falando sobre o mundo cristão. Um texto arrebatador e principalmente atualíssimo. A loucura por vezes é extremamente irônica, por vezes poética e em algumas vezes sombria. Como disse, um texto de quinhentos anos conservando um frescor para uma leitura moderna ou releitura como fez o André Diniz ao adaptar para quadrinhos este fenomenal trabalho, algo que só ele saberia fazer. As quarenta e seis páginas que desenhei desse trabalho proporcionou-me a felicidade quase como de trabalhar como algo autoral. O que parecia a princípio difícil, desenhar quarenta e seis páginas de monólogo, tornou-se para mim um excelente exercício de narrativa. O trabalho foi finalizado com as cores do Omar Vinole.

- Estamos também produzindo em parceria com o André Diniz, velho amigo e parceiro de longa data, um material a ser lançado pela Escala Educacional, sobre a Inconfidência Mineira. Na verdade, o Diniz está com uma produção grande de roteiros feitos para essa editora que foram distribuídos entre eu, Daniel Brandão, José Aguiar, Antonio Éder, fora o próprio Diniz que também está desenhando um roteiro seu. O roteiro do Diniz embora caminhe na parte educacional é ótimo, contando de uma maneira que só ele sabe levar toda a situação que envolveu este momento da história do Brasil. Tem um também da Revolução Russa que vou começar a trabalhar, mas mesmo sendo trabalhos educacionais existe uma plena liberdade de criação.

- Todo final de ano aqui em São Paulo é feita a "pizzada dos cartunistas" que reúne quase todo mundo daqui que é da área. Gente graúda e gente miúda, e vez ou outra aparece uns "nerds" malas pra babar ovo pra umas estrelas, e pra encher o saco de outros. Estou na categoria dos que "tem o saco enchido". E então, chegou um cara chato e sem graça - vivo fugindo dele quando apareço em eventos de quadrinhos e desenho. Mas enfim - conversava com dois amigos, ele se aproximou ao meu lado e antes de mais nada soltou um:

- E Aí, LAUDO COMO TÁ PERÍCIA, A SUA MULHER?

fiquei olhando pro cara - pra cair a minha ficha! Enfim. Laudo ...Perícia... Entendeu?
- Mas não vou ser preso, por matar um mala desses. Relevei e continuei conversando.

André Diniz

Laudo Ferreira Jr.

 "Dois dedos de conversa" André Diniz e Laudo Ferreira, com Rui Santos da Devir

"Sete Vidas" o novo livro de André Diniz lançado pela Polvo

Os Autógrafos:





ANDRÉ DINIZ:
 

LAUDO FERREIRA JR.:


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