segunda-feira, 9 de junho de 2014

X FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA 2014 (6) – AS EXPOSIÇÕES (5): KLÉVISSON VIANA - LAERTE COUTINHO



CASA DA CULTURA | KLEVISSON VIANA | Brasil


KLÉVISSON VIANA POR ELE PRÓPRIO

Sou um contador de histórias, poeta popular, cartoonista, autor de banda desenhada, xilogravador e editor. Nasci no Ceará, mas ando pelo mundo vendendo cordéis, livros e fazendo palestras. Publiquei 130 folhetos de cordel e 30 livros por diversas editoras, alguns tiveram versões para o teatro, banda desenhada e TV. Meus textos e gravuras estão no livro Charlemagne, Lampião & autres bandicts, publicado em Paris (2005). Tenho desenhos publicados em catálogos na Bélgica, na Itália, na Holanda e na Turquia. Meu livro Lampião... era o cavalo do tempo atrás da besta da vida ganhou o prêmio HQ Mix de Melhor Grafic Novel Nacional de 1998 e foi adotado pelo Programa Nacional da Biblioteca Escolar (PNBE) - MEC. Posteriormente fui contemplado mais quatro vezes com o mesmo prêmio, com as obras Os miseráveis em cordel (texto), A megera domada (ilustração), A história de Barba Azul em cordel (texto) e As aventuras de Dom Quixote em versos de Cordel (texto e ilustração).

Nasci numa família de camponeses, vaqueiros, leitores e amantes da poesia. Meu bisavô paterno, apelidado Fitico, que não conheci, tinha assinatura de jornal, gostava dos livros e escrevia versos. Vovó Alzira, mãe do meu pai, era uma senhora letrada e o alfabetizou através dos folhetos de poesia popular. Seguindo esse costume, seu Evaldo, meu pai sempre que chegava do roçado lia histórias pra gente, declamava e improvisava versos. E assim, sem nenhuma pretensão, formou uma família de leitores. Já o meu gosto pelo desenho, vem em parte dos bordados que minha mãe, dona Tiane, fazia artesanalmente. Mas lembro, que bem pequeninhinho, quando não tinha lápis, eu ficava rabiscando com o dedo indicador. Cresci, desenhando e escrevendo e me tornei o que sempre quis ser na vida (e que considero a profissão mais bonita do mundo): um contador de histórias. Sou grato e feliz por isso!





 

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CASA DA CULTURA | LAERTE COUTINHO | Brasil


LAERTE COUTINHO
NO PAÍS DE FERNANDO PESSOA

João Miguel Lameiras

Se há revistas que marcam gerações, para os leitores portugueses que a descobriram nos finais da década de 80 nos quiosques nacionais, a revista Chiclete com Banana, é uma dessas revistas. Para além de um humor tão surpreendente como irreverente, a revista deu a descobrir aos leitores nacionais o trabalho de Laerte Coutinho que nessas páginas estreou Os Piratas do Tietê, série que graças ao sucesso atingido, rapidamente ganhou a sua revista própria, no início dos anos 90. Um título mítico que a editora Devir recentemente recolheu em três luxuosos volumes, que se encontram com facilidade nas Livrarias nacionais. Excelente desenhador, com apurado sentido narrativo, e um grande jogo de sombras, Laerte cria aqui uma obra-prima do humor surreal ao transpor um grupo de piratas sanguinários como havia nos séculos XVII e XVIII, para a cidade de São Paulo contemporânea, onde vivia o autor (o Tietê do título é o poluidíssimo rio que banha a cidade de são Paulo). Entre as dezenas de histórias que Laerte criou com os seus piratas, o meu destaque, mais do que natural, vai para "O Poeta", uma história que conta com a participação especial e diálogos (extraídos dos seus poemas) de Fernando Pessoa, em que se prova que a poesia pode ter mais força do que as armas dos piratas, e que é uma das mais belas e divertidas homenagens jamais feitas ao poeta português. Mas Fernando Pessoa não é a única personalidade que Laerte vai buscar para contracenar com os seus piratas, também o Fantasma e a sua namorada, Diana Palmer, personagens criadas por Lee Falk, têm uma importante participação em "Vozes da Selva", uma história em três partes, em que Diana descobre que a vida junto dos Piratas do Tietê pode ser muito mais divertida do que ao lado do Fantasma.

Mas a mais memorável participação de um herói da BD numa história dos Piratas do Tietê, é, sem dúvida, a de Batman em "A Terceira Margem", uma história delirante que nos mostra o Batman mais surpreendente desde o "Cavaleiro das Trevas" de Frank Miller e em que é finalmente revelado o segredo do morcego, segredo esse que os leitores que leram a historia nunca esqueceram... Apesar da força e do carisma dos Piratas do Tietê, a carreira de Laerte Coutinho não se limita a esta série e o público de Beja vai poder descobrir toda a versatilidade deste mestre do humor gráfico, nascido em São Paulo, no Brasil, em 1951 e que, depois de uma passagem pelo Festival da Amadora, em 2001, volta a expor o seu trabalho no país de Fernando Pessoa.



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Especialmente no que se refere a Laerte, releiam o nosso post anterior: http://kuentro.blogspot.pt/2014/06/gazeta-da-bd-26-na-gazeta-das-caldas.html agora com algumas modificações e acrescentos.

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