quinta-feira, 12 de junho de 2014

X FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA 2014 (9) – AS EXPOSIÇÕES (8): DESENHOS, INKS & RABISCOS... + PENIM LOUREIRO



CASTELO - CASA DO GOVERNADOR 
| DESENHOS, INKS & RABISCOS... | Portugal

Com Ana Sofia Cross Keane, Armando Mártires, Artur Filipe, Bruno Balixa, Carlos Rocha, Cláudia Dias, David Sequeira, Dina Barbosa, Diogo Carvalho, Fernando Madeira, Filipe Duarte, Filipe Ferreira, Flávio Almeida, Francisca Sampaio, Guilherme Gonçalves, Hugo Vedes, Jo Fevereiro, João Monteiro, João Raz, Joel Sousa, Liliana Maia, Luís Belerique, Luís Maiorgas, Márcia Esperança, Maria Mar, Mário Simões, Mary Jane M., Miguel Mendonça, Nelson Mota, Nelson Rodrigues, Nuno Pias, Paulo Vicente, Pedro Manacás, Pedro Marques, Pedro Potier, Quico Nogueira, Ricardo Drumond, Ricardo Paes, Rita Silvestre, Rogério Perdiz, Rui Ramos e Silvestre Francisco.


DESENHOS, INKS & RABISCOS...
João Raz

O grupo Desenhos, Inks & Rabiscos... foi criado no dia 30 de Julho de 2013 na área de criação de grupos da rede social Facebook. A intenção da criação deste grupo de artes tem como finalidade a comunicação entre autores criativos e a partilha de ideias para dar a conhecer as suas próprias obras nas variadas interpretações artísticas na arte de desenhar.

Em Agosto de 2013 decidi criar um blog (http://desenhosinksrabiscos.blogspot.pt/) com o propósito de divulgar periodicamente as obras criativas dos membros. No blog estão disponíveis os seus links, vídeos, tutoriais, webzines, banda desenhada dos autores e até fotos dos locais onde os autores desenvolvem a sua arte.

Face à enorme adesão de publicações de banda desenhada e ilustrações os membros manifestaram vontade de fazer um projeto em conjunto. O grupo escolheu fazer um ezine, um fanzine no formato digital, sem fins lucrativos que visa a divulgação na internet das obras de ilustração e banda desenhada dos autores do grupo. O tema escolhido para o primeiro projeto coletivo de autores foi a Fantasia. A empatia com o tema foi imediato e a lista de participantes no projeto foi aumentando assim como o número de trabalhos enviados para o e-mail do grupo. O prazo de entrega terminou, e após a receção dos trabalhos de todos os participantes procedeu-se às escolhas da capa e logótipo oficial do grupo. A capa e o logótipo foram escolhidos por intermédio de miniconcursos de seleção. Os membros participaram ativamente e escolheram os trabalhos que queriam como vencedores. É importante referir que todas as ilustrações candidatas a capa integraram o ezine. O trabalho mais votado no miniconcurso de escolha de capa foi Moonmaids do autor Guilherme Gonçalves e no miniconcurso de escolha do logótipo, o mais votado foi uma das variantes do logótipo "Inks" da autora Dina Barbosa.

Autores Participantes no Ezine Fantasia: Ana Sofia Cross Keane, Armando Mártires, Artur Filipe, Bruno Balixa, Carlos Rocha, Cláudia Dias, David Sequeira, Dina Barbosa, Diogo Carvalho, Fernando Madeira, Filipe Duarte, Filipe Ferreira, Flávio Almeida, Francisca Sampaio, Guilherme Gonçalves, Hugo Vedes, Jo Fevereiro, João Amaral, João Monteiro, João Raz, Joel Sousa, Liliana Maia, Luis Belerique, Luís Maiorgas, Márcia Esperança, Maria Mar, Mário Simões, Miguel Mendonça , Nelson Mota, Nelson Rodrigues, Nuno Dias, Paulo Vicente, Pedro Manacás, Pedro Marques, Pedro Potier, Quico Nogueira, Ricardo Drumond, Ricardo Paes, Rita Silvestre, Rogério Perdiz, Rui Ramos, Selma Pimentel e Silvestre Francisco.

Esta publicação digital culmina com uma exposição integrada no Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja 2014, a quem agradeço a pronta disponibilidade e amabilidade em receber-nos a todos.


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CONSERVATÓRIO REGIONAL DO BAIXO ALENTEJO | PENIM LOUREIRO | Portugal



A NOVA VIDA DE PENIM LOUREIRO
Bruno Campos

Num país como Portugal em que existe um mercado de BD - débil - existem estreias prometedoras que deixam um travo a amargo na boca dos leitores. Os supostos novos autores estão longe de serem novos, não estamos perante um jovem talento de emergente de 20 anos. A promissora estreia é de um adulto com uma longa experiência de vida, que lhe permite boas obras, mas deixa sempre a dúvida: que autor de BD poderíamos terse o mercado nacional fosse diferente e proporcionasse aos autores a possibilidade de desenvolverem uma carreira desde tenra idade, como seria natural?

Um bom exemplo é Paulo Monteiro que se "estreou" na BD aos 43 anos, com o álbum O Amor Infinito Que Te Tenho e Outras Histórias, editado pela Polvo em 2010. Um álbum galardoado com diversos prémios nacionais e internacionais, sendo o álbum de BD português mais traduzido de sempre. Que autor seria Paulo Monteiro noutro mercado? Nunca o saberemos. Só poderemos saber que autor será nesta realidade em que vivemos, em que a produção dos autores está dependente do espírito do seu sacrifício, para se dedicarem no tempo livre a uma arte que não lhes garante o retorno financeiro necessário para viverem.

Um caso semelhante sucede agora com outro "novo" autor, agora também editado pela Polvo, Penim Loureiro. A comparação pode não ser justa, porque o álbum só agora foi editado, mas os autores pertencem quase à mesma faixa etária, a maioria do público só os vai descobrir após terem passado da casa dos 40. Contudo, A Cidade Suspensa não marca a estreia de um novo autor, mas um regresso, após 30 anos de ausência.

Nascido em 1963, Penim Loureiro é um autor que já tem alguma obra desenvolvida ao longo de cinco anos entre 1979 e l984, em jornais como o Sete, O Diário, Notícias ou Diário Popular, nas revista Tintín, Jornal de BD, Ruptura, Ritmo, Amargan, no Boletim do CPBD e na revista espanhola Un Fanzine ¡Jamado Camello. Nesse período de tempo, foi também presença regular em concursos e exposições de BD em Portugal.

Foi. Deixou de ser. Em 1984 abandona a BD para se dedicar à arquitectura e, mais tarde, à arqueologia. Parecia fadado a ser mais um - na extensa lista - dos "novos autores" que desaparecem sem deixar rasto pois nunca chegamos a ver a maturação do potencial que lhes é reconhecido, ficando só algumas curtas histórias como promessa de um talento promissor.

Quem consultar as rubricas dedicadas aos "novos autores", que Geraldes Lino entre outros escreveram, pode constatar como é longo o rol de autores promissores que desaparecem, Por vezes, parece que a BD nacional é constituída por duas classes: "os novos autores" e os eternamente "velhos autores" - como José Ruy ou José Garces. Os novos autores são como o Peter Pan - eternamente novos - pois nunca chegam a desenvolver uma carreira de autores de BD, dedicando-se a outras artes e ofícios. Felizmente, nos últimos anos tem-se vindo a ter alguns autores que já atingiram a "meia-idade" com um produção regular de trabalhos. Seja por casmurrice (e mérito próprio dos autores portugueses) ou devido a pequenas editoras que foram surgindo - como a Polvo de Rui Brito, que agora patrocina o renascer de Penim Loureiro.

O autor de A Cidade Suspensa não tem pejo em admitir que o projecto é "mais um para adicionar às múltiplas obras de catarse produzidas na actualidade", contudo existem obras de ficção que vão para além da mera masturbação artística e permitem a catarse colectiva dos leitores que se deixam imergir nesse mundo, justificando o porquê da BD ser considerada uma arte. Realizado sem ter nenhuma edição assegurada, a obra começou a ser revelada na página que o autor criou no Facebook para o efeito, posteriormente no site www.aCalopsia.com, e agora em álbum e na exposição que estará patente no X Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, onde também estão visíveis alguns dos seus trabalhos mais antigos, permitindo (re)descobrir o passado e presente de Penim Loureiro, embora seja nas páginas do álbum que poderemos aferir que autor temos actualmente e que autor poderemos vir a ter no futuro.

A Cidade Suspensa é uma autobiografia ficcionada - "que procura arrumar, definitivamente, alguns episódios e questões reais por resolver". Foi deste modo que o autor apresentou a obra. O editor realça que é uma obra com "várias referências ao imaginário português". Esta descrição algo vaga pode remeter para trabalhos intimistas e soturnos - poderá ser o caso, mas as primeiras imagens sugerem um ambiente mais jovial, embora denso. Fruto da utilização da cor realizada por Penim Loureiro, que captura o calor de Africa e a luminosidade de Lisboa. A capa do álbum remete automaticamente para uma das obras de referência da ficção científica: O Incal de Alejandro Jodorowosky e Moebius. A sinopse aponta para um policial que se desenrola entre Lisboa e África com passagem por Bolonha e Nova Iorque, com malas misteriosas, ataques bombistas e uma trama que se desenrola ao longo de décadas. Um painel de azulejos onde a vida se torna ilegível com o tempo com a erosão do tempo. Os destinos interrompidos; as paixões imaginárias e as obsessões duma vida inteira conduzem as personagens "à insanidade, comungando uma amizade com duas caras; uma leal, outra enganadora".

A Cidade Suspensa possui ingredientes que aguçam a curiosidade e que me levaram a pré-publicar uma antevisão no aCalopsia, quando o álbum ainda não tinha editora. Este facto pode ter levado a alguns equívocos, como o convite para escrever este artigo. Não conheço Penim Loureiro, nem a sua obra passada - quando ele abandonou a BD eu ainda não sabia ler nem escrever. E confesso estar mais curioso em ver que autor temos no presente e que pistas esta obra deixa sobre o autor que podemos ter no futuro, do que olhar para o passado de um promessa que só agora se concretiza.O que já foi possível ver online justifica ler A Cidade Suspensa, (re)descobrir, e avaliar, este "novo" autor que aos 50 anos renasce para a BD.


Apresentação de Cidade Submersa na Bedeteca de Beja - Penin Loureiro e Rui Brito (Polvo)

A capa do livro...

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