segunda-feira, 14 de julho de 2014

AS NOTÍCIAS DA MORTE DE NUNO SAN-PAYO (1 de Maio de 1926 – 10 de Julho de 2014) – EXERCÍCIOS DE “JORNALISMO MINIMALISTA”.


AS NOTÍCIAS DA MORTE 
DE NUNO SAN-PAYO 
(1 de Maio de 1926 – 10 de Julho de 2014) 
EXERCÍCIOS DE 
“JORNALISMO MINIMALISTA”

A nota necrológica sobre o falecimento do arquitecto, ilustrador e artista plástico Nuno Belger Alves de San-Payo, falecido a 10 de Julho, e que no final da passada semana apareceu em quase todos os jornais portugueses, foi distribuida pela agência Lusa – que, note-se, não fez mais que o seu trabalho. Agora, que jornais como o Público, Correio da Manhã, Diário de Notícias e outros, se tenham limitado simplesmente a divulgar a mesma nota – tal e qual –, parece-me uma atitude indigna do tratamento que deveria ser atribuído a uma das mais ilustres figuras da cultura portuguesa do séc. XX. Este tratamento foi aquilo a que chamamos “jornalismo minimalista”, se calhar devido a outras coisas mais importantes, como o Campeonato do Mundo de Futebol, a crise do BES, ou a enésima demonstração da prepotência israelita sobre os palestinianos...

Daí que tal nota necrológica tenha merecido de Leonardo De Sá, investigador meticuloso sobre biografias e obras de diversos autores de banda desenhada e não só, a cujo trabalho já nos habituámos há muito, o comentário que transcrevemos abaixo e que nos motivou a avançar um pouco mais sobre “quem foi Nuno San-Payo”.

Comentário de Leonardo De Sá:

“Também ignoram aparentemente que foi ilustrador, cartoonista, cartazista e, já agora, que também fez histórias aos quadradinhos no jornal Os Sports, no Diário de Notícias, nas revistas Lusito, Camarada e Diabrete. Nem referem o irmão, Vasco San-Payo, também arquitecto e desenhador, e que, esse sim, nasceu em Lisboa...

O DN nem refere que foi colaborador do próprio jornal, santa ignorância!”

Biografia de Nuno San-Payo, publicada na Infopédia – com alguns erros, nomeadamente o local de nascimento:

Artista plástico, filho do célebre fotógrafo San-Payo, nasceu em Lisboa em 1926. Licenciou-se em Arquitetura, frequentando a Escola de Belas-Artes tanto de Lisboa como do Porto. Desde pequeno que se iniciou no desenho mas a sua arte preferida é a pintura, expondo desde 1948 nas exposições gerais de artes plásticas da Sociedade Nacional de Belas-Artes. Dedicou-se a esta instituição, ocupando durante mais de duas décadas cargos nos corpos diretivos, no conselho técnico, na direção, sendo presidente desta entre 1971 e 1979 e, depois presidente da assembleia-geral.

A habilidade para o desenho permite a Nuno San-Payo realizar uma obra de estilo variado. Figurativo-expressionista no início da década de 1950, passa depois a um abstracionismo geométrico, onde são por vezes reconhecíveis estilizações de objetos, nomeadamente no final desta década, e elementos dos vegetais dos trópicos, consequência, talvez, das suas viagens. Nos anos 1960 pratica um abstracionismo lírico, com delicados efeitos de transparências e aproveitamento do escorrer livre das tintas e da sua absorção no suporte. Durante os anos 1970 realiza pinturas neofigurativas inspiradas em fotografias em alto contraste, representando cenas da vida quotidiana, em silhuetas e estilizações de contornos. Nos anos 1980 intensifica a sua atividade como pintor, abandonando completamente a arquitetura. A sua pintura torna-se mais complexa, em composições apoiadas na estrutura da natureza-morta que persegue, porém, um sentido abstratizante na construção de um espaço dinâmico e onde se insere um sensível jogo de valores luminosos.
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Biografia de Nuno San-Payo, publicada no Dicionário dos Autores de Banda desenhada e Cartoon em Portugal, de Leonardo De Sá e António Dias de Deus, Colecção NonArte (Cadernos do Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem), Edições Época de Ouro, Almada, 1999:

San-Payo, Nuno

Filho do fotógrafo e artista plástico Manuel Alves San-Payo, Nuno Belger Alves de San-Payo nasceu a 1 de Maio de 1926, em Petrópolis, no Brasil, e frequentou o Colégio Alemão. Formou-se em Arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes do Porto e pela de Lisboa, tendo sido discípulo de Cristino da Silva. Fez parte da direcção da Sociedade Nacional de Belas Artes durante dezasseis anos, metade dos quais como presidente. Pintor, tem trabalhos seus em várias instituições e junto de particulares, tendo participado em diversas mostras nacionais e estrangeiras, colectivas e individuais. Foi membro do júri em exposições e concursos de arquitectura, pintura, fotografia e medalhística. Realizou cenários e figurinos para o cinema e fez cenografia, nomeadamente no Teatro da MP. Cartazista, também ilustrou livros e revistas, tendo feito histórias aos quadradinhos no jornal Os Sports, no Diário de Notícias, e na revista Camarada, em Lusito (1944) e Diabrete. Participou no Jornal da MP, com boas ilustrações em "Tângio", de 1945. Colaborou em Guião (1949) e em Imagem (1952).

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Nota do Catálogo da Exposição antológica no Museu do Neo-Realismo (Vila Franca de Xira), com curadoria de Rui-Mário Gonçalves. 
Patente de 19 de Outubro de 2013 a 24 de Agosto de 2014, cujo vídeo de apresentação se pode ver AQUI

A obra de Nuno San-Payo encontra-se representado em diversas colecções importantes: Fundação Calouste Gulbenkian, Museu do Chiado, Museu do Neo-Realismo, Museu Municipal do Sabugal, Ministério da Cultura, Caixa Geral de Depósitos, EPAL, Colecção de Arte Moderna do Funchal, Secretarias de Estado do Comércio e da Indústria, Câmara Municipal de Góis, Galeria de Desenho do Museu Municipal de Estremoz, sendo apontado como uma referência na pintura contemporânea portuguesa.


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